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Revista Eletrônica INFORMATIVO G.R.D.
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A GERONTOMOTRICIDADE E AS CONDUTAS PSICOMOTORAS
Prof. Dr. Darcymires
do Rêgo Barros
Especialização em Neurofisiologia da Motricidade
Membro da Sociedade Brasileira de
Geriatria e Gerontologia
Membro da Academia Brasileira de Medicina Anti-envelhecimento
Mário
Fillizzola em seu livro “A velhice no Brasil” examinou o problema do idoso
em nosso país dos tempos coloniais
até 1972.
No
Brasil, até os dias de hoje existe
uma espécie de preconceito contra as possibilidades de o homem de mais de 40
anos integrar-se ao mercado de trabalho. Significava, simplesmente, a perda de
seu direito de ganhar a vida. Sabe-se que o problema se agrava, tendo em vista
que as pessoas na faixa gerontológica contam,
em média, 18 milhões.
O
preconceito de idade contra a velhice é denominado “etarismo”
. Há anos atrás os etaristas não aceitavam a Gerontologia como disciplina ou
ciência a ser cultivada no Brasil. Afirmavam
que o Brasil era um país onde o problema do idoso praticamente não existia,
por possuir apenas 5,3 % de pessoas em idade superior a
60 anos. Para a Organização Mundial de Saúde - O.M.S. - o país que
apresenta o índice percentual de mais de 7% de idosos em sua população é considerado um
país Idoso.
O
percentual de idoso no Brasil em 1983 era
de 6,7%, segundo o IBGE. Por projeção,
Krüger (1986) apresentou um índice
acima de 8% em 1986 e no ano
2000, acima de 10%. Atualmente o
percentual de idosos é de cerca de 10,2
%.
Projeções dos especialistas e pesquisas divulgadas pelos jornais do
Rio de Janeiro, (Tribuna da Imprensa,23.03.2000:2), indicam que 12,5% da população
atual do Estado do Rio de Janeiro é formada por idosos, prevendo para o ano
2.020, que cerca de 50% da populaçào brasileira será de idosos. O Município
do Rio de Janeiro já apresenta
800 mil pessoas
classificadas como na 3.ª idade.
Classifica,
a OMS, como Etapas
da Vida de ambos sexos: (i) Meia
Idade – período que abrange o início dos 45 aos 64 anos de vida; (II) Pessoas
Idosas dos 65 aos 79 anos; (III) Velhice
faixa etária dos 80 aos 90 anos e;
(IV) GRANDE VELHICE - pessoas que
ultrapassem 90 anos.
Na
época da URSS, Brikina (1978)
apresentou um estudo sobre a “Ginástica Geriátrica” em que
estabelece a divisão em dois grupos de idade: masculino e feminino a fim de
classificar as etapas do envelhecimento.
Para
o sexo masculino: (i) Meia Idade – de 40 a 55 anos; (ii) Idade Madura – de
55 a 65 anos e; (iii) Idade Avançada – maiores de 65 anos.
Para
o sexo feminino: (i ) Meia Idade – de 40 a 60 anos; (ii) Idade Madura – de
60 a 75 anos e; (iii) Idade Avançada – acima dos 75 anos.
Configura
as diferenças de sexos no processo de envelhecimento, enquanto a OMS estabelece
não haver diferenças significativas no critério de classificação das etapas
da vida.
A
população acima dos 79 anos, fase de idade
considerada pela OMS como a VELHICE, tem crescido rapidamente. Esta tendência
cada vez mais tem aumentado em curto prazo, provocando uma série de efeitos sócio-econômicos
de maior importância para o país. Sem dúvida que a atitude da família em
relação ao ancião apresenta constante crise que oscila entre o respeito,
a proteção e a intolerância que, por vezes,
conduz a separação do
grupo familiar.
Embora
o processo de envelhecimento seja
uma conseqüência natural da vida, não se pode evitá-lo; mas deve-se procurar
estabelecer as bases para que, neste período, o idoso possa viver nas melhores
condições possíveis.
Nas
culturas e civilizações antigas, era a
velhice uma etapa da vida
respeitada e venerada, pois representava a prudência, a reflexão, a
experiência e o saber acumulado no transcorrer dos anos.
A
Revolução Industrial é um período histórico recente
que influiu consideravelmente na vida do ser humano. Modificou não somente a estrutura econômica global, como
também a estrutura de valores, ocasionando na vida atual profunda repercussão
na população de idosos.
A
partir desse período, a sociedade tende a inclinar-se para o material,
privilegiando a maquinaria sobre as atividades manuais do homem; da procura da mão de obra do jovem em detrimento da mão de obra da meia
idade e do idoso.
Na
sociedade contemporânea esta percepção não mudou. A atividade e o ritmo
acelerado de vida condenam o idoso à marginalidade, como um castigo às pessoas
que alcançaram a última etapa de sua existência.
Atualmente
no auge da terceira revolução industrial vivemos uma era de suma importância
na acumulação de riquezas e na rapidez de produção. O principal risico é do
surgimento de uma “sociedade dissociada” que aumente
as desigualdades, provocando a origem
de grandes diferenças nos setores mais débeis da sociedade, entre eles o do
idoso.
Desde
o século passado os políticos buscam a criação de movimentos de conscientização
da problemática da velhice, para
levar ao grande público as teses debatidas com seriedade.
Consideravam a “Gerontologia
uma ciência médico-social que estuda o futuro das próximas gerações”.
Era preciso que fosse adotada uma política visando ao
verdadeiro Estatuto Social da Velhice.
Somente
no ano de 1994, porém, o governo brasileiro, apoiado pela sua própria comunidade,
criou a Lei que determinou com precisão a Política Nacional
do Idoso, assegurando-lhe os direitos sociais e criando condições para
promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.
A
Lei n.º 4882 de 04. janeiro de
1994, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República
dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso,
bem como estabelece suas
diretrizes. Nela considera Idoso a
pessoa maior de 60 anos. Entretanto esse limite vem sendo refutado
cotidianamente pelos meios de
prestação de serviços à população, como ônibus, metrô, Bancos,
etc, que consideram idoso o maior de 65
anos para atendimentos prioritários.
A
GERONTOLOGIA DE INTERVENÇÃO E A GERONTOMOTRICIDADE
Considera-se a
Gerontologia, atualmente, uma ciência aplicada moderna que estuda o Idoso, isto
é, estuda os fenômenos biológicos, psicológicos, neuropsicossomáticos, sócioculturais
e econômicos decorrentes do envelhecimento, bem como suas conseqüências.
Procura desfazer os mitos e preconceitos que marcam a marginalização social do
Idoso, desencadeando processos e meios que lhe facilitem viver o presente com
prespectiva futura. A saúde e o bem estar do Idoso são dois imperativos da
Gerontologia, numa das fases do processo de desenvolvimento do ser humano que,
em constante integração com o meio ambiente, sofre contínua transformação.
A Gerontologia, intimamente inter-relacionada com a Medicina e a Educação Física
e as demais sub-áreas da Saúde, é
vista neste processo sob nova dimensão, de forma eminentemente interdisciplinar
e objetiva.
Assim,
a Gerontologia é o conjunto de
disciplinas integradas que estudam o processo de envelhecimento. Fundamenta-se
na concepção biopsicossociofisiológico, onde as questões concernentes
à prevenção, saúde e qualidade de vida do idoso levam à Gerontologia
de Intervenção.
A
Gerontologia de Intervenção é o estudo
integrado da Gerontologia que analisa e observa, de forma interdisciplinar, os
fenômenos biopsicossóciofisiológicos decorrentes do processo de
desenvolvimento do ser humano. Trata da conservação
das diferentes funções físicas, intelectuais e dos órgãos dos sentidos,
numa abordagem holística.
A
Gerontologia de Intervenção observa e analisa, também, numa visão crítica,
as funções reintegradoras; atua, através de gestos e movimentos adequados em cada nível
de desenvolvimento do idoso, na tentativa de recuperar, de forma adaptada, as
habilidades parcialmente perdidas. Fundamenta-se essencialmente na
individualidade, de acordo com o
processo de envelhecimento e da situação particular de cada pessoa idosa.
Como
um conjunto de disciplinas inter-relacionadas, interatuantes e interdependentes,
a Gerontologia de Intervenção atua por meio de tarefas preventiva,
assistencial, de reabilitação e de reeducação psicomotora, numa concepção
holística do ser.
Krüger
(apud Leher,1997), apresenta quatro dimensões diferenciadas em que pode ser desenvolvida a Gerontologia de Intervenção:
1.OTIMIZAÇÃO
- Por meio das atividades intelectual e afetiva, da prática de Exercícios físicos,
tendo como base as habilidades ainda disponíveis no Idoso.
2.
PREVENÇÃO - Pelo contínuo processo de manutenção de cuidados pessoais.
3.
REABILITAÇÃO -caracterizada pelas tentativas de recuperação, ainda que
parcial de habilidades perdidas.
4.
GERENCIAMENTO DE SITUAÇÕES
IRREVERSÍVEIS - com o objetivo de favorecer mudanças de atitudes e crenças,
bem como aceitação de fatos consumados, complementado por iniciativas de mudança
ambiental.
A
Gerontologia de Intervenção e a Psicomotricidade, integradas, numa perspectiva
constante de renovação, estão estreitamente inter-relacionadas e vão ao
encontro dos anseios da necessidade de movimento, característica do humano.
Utiliza como meio a GERONTOMOTRICIDADE. Visa
a recuperar e conservar, de forma funcional, as condutas psicomotoras; a
melhorar e aprimorar o conhecimento de si e a eficácia das ações, sobretudo
das atividades de vida diária – AVD.
Repousa
sobre as premissas de trabalho individualizado, nas quais observa cada etapa do
processo de envelhecimento. Favorece
o desenvolvimento integral do idoso, estabelecendo,
de forma equilibrada e harmônica, a inter-relação entre a motricidade
e o psiquismo. Propicia o equilíbrio e a noção do corpo no espaço, em sua totalidade, e contribui para a preservação da saúde.
A
rigidez da coluna vertebral do idoso - resultado da diminuição de água e sais
minerais no organismo, pelo aumento da viscosidade do líquido sinovial, da
diminuição de forma lenta e progressiva da massa muscular, da diminuição da espessura dos discos intervertebrais, além
do déficit respiratório - manifesta-se por uma série de fatores tais como:
(i) insuficiência de movimentos pelos constantes períodos de mal-estar e dores
físicas; (ii) aumento de tensão
devido às dores, levando à distorção postural e à diminuição do tônus
corporal; (iii) realização de movimentos bruscos e interrompidos, integrados
à respiração curta e superficial.
São
processos que acometem o idoso, aliado ao surgimento de osteoartroses,
osteopenias, osteoporoses e outras degenerescências que provocam um quadro de
dor constante.
A
própria ação da gravidade - que atua sobre as vértebras devido à posição
bípede - leva à redução da distância entre os discos intervertebrais e à
compressão das articulações interapofisiárias.
Vêm
demonstrar que a saúde de cada pessoa idosa está diretamente proporcional à
mobilidade de sua coluna vertebral.
Ensinar
a respiração consciente ao idoso é apresentar uma nova dimensão do corpo.
A respiração constitui o processo central da realização de variadas
formas de movimentos, por apresentar benefícios a todas as pessoas.
Integrada
às diferentes posturas, ao equilíbrio e aos movimentos, a respiração
deve ser aplicada de maneira lenta e gradual, de acordo com as respostas
e necessidades de cada pessoa.
O equilíbrio é a manutenção da projeção do centro de gravidade do
corpo humano no interior do polígono de sustentação (pés), por meio do
ajustamento postural e da respiração, sem oscilações ou desvios nas condições
estática ou dinâmica. Nele interatuam o
sistema límbico e o cerebelo - principais órgãos do equilíbrio e do
movimento. Suas funções
relacionam-se com a manutenção do equilíbrio corporal, com a coordenação, a
respiração e a emoção.
O papel do cerebelo é de colocar em evidência as diferentes atividades
onde intervêm a aprendizagem e a coordenação. Ele assegura, sobretudo, a
adaptação de um determinado número de reflexos como o reflexo vestíbulo-ocular.
Este reflexo faz com que o movimento da cabeça acompanhe os movimentos dos
olhos, na mesma amplitude e direção oposta,
o que permite a direção do olhar.
Daí
a necessidade da realização de movimentos fisiologicamente saudáveis, que
harmonizem o sistema nervoso, a fim de estabelecer o equilíbrio mente/corpo de
forma consciente, intencional e sensível.
A
dor, um fenômeno orgânico de tamanha intensidade, acarreta problemas pessoais
ou funcionais que tornam a pessoa incapacitada
à atividades física e
mental. É uma sensação desagradável, variável em intensidade e em extensão
de localização, produzida pela estimulação de terminações nervosas
especializadas em sua recepção. Assegura a supressão de um estímulo violento
de origem interna ou externa, podendo ser tolerável ou não, dependendo da
experiência sensorial e reações psicológicas de cada pessoa idosa ou não.
Pode estar em dependência de uma patologia orgânica ou de uma doença sistêmica.
A
dor associa-se principalmente com a nocicepção, que é um estado de alerta por
algo que no organismo está
funcionando de forma inadequada requerendo a máxima atenção. Pode ser
considerada aguda
ou crônica.
A dor aguda, em geral, quando atendida no início responde mais facilmente
ao tratamento que a crônica. Fatores psicológicos como a ansiedade e a
depressão podem afetar a percepção da dor. A eliminação dos estímulos físicos
que ocasionam dores por problemas da coluna vertebral nos idosos é bem mais
complexa do que nas pessoas mais jovens.
Associada
a um movimento brusco ou queda, a pessoa idosa, normalmente pela sua maior
resistência à dor, procura a imobilidade durante dias e recorre a medicamentos
analgésicos que somente atuam de forma paliativa, agravando mais a dor e
tornando-a crônica.
Levantar um objeto pesado ou
colocar-se de pé abruptamente, após um longo período sentado ou deitado, pode
levar ao surgimento de dores contínuas na região lombar devido a contraturas
dos músculos lombares, Causadas pelos
pinçamentos das raízes radiculares nervosas do plexo lombar que
envolvem as vértebras lombares inferiores, geralmente a L4 e L5.
A dor estende-se aos membros
inferiores, comumente ao longo da parte posterior da coxa ao espaço poplíteo.
Caracterizada pela compressão radicular, a dor irradiada leva à fraqueza,
alteração nos reflexos e perda sensorial.
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