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Revista Eletrônica INFORMATIVO G.R.D.
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EQUILÍBRIO
E DESEQUILÍBRIO
Especialização em Neurofisiologia da Motricidade
Sensações errôneas do movimento, em que tudo gira em torno, as
vertigens são causadas pelo desregulamento das diversas fontes de informação
que permitem o deslocamento do corpo na posição bípede, na vertical, com a
cabeça elevada e os pés no solo.
Estas informações fornecidas pela visão, orelha interna, planta dos pés
e músculos cervicais geradas pelo cérebro (cerebelo) indicam a posição do corpo
no espaço. Quando as
informações não estiverem de forma complementar e concordante, o cérebro
torna-se confuso. O cérebro, obrigado a interromper sua atividade, leva a
pessoa ao estado de angústia, por
não compreender o que se passa e nem qual órgão foi atingido. Há perda do
domínio do espaço envolvente, constatada pela ruptura entre a vontade e a
resposta incontrolada do corpo. Quando a crise termina, a pessoa torna-se
reticente em evocar as dificuldades e encontrar palavras para descrevê-la, em
geral, ao seu interlocutor, terapeuta ou não. Procura não insistir a fim de não
despertar lembranças angustiantes.
Prosper Ménière, cientista francês, em 1860 descobriu que a orelha
interna não é somente a sede do órgão de audição. O ser humano, para estar
em equilíbrio, deve satisfazer duas condições, sem intervenção da consciência:
(i) projetar permanentemente o centro de gravidade de seu corpo na superfície
do solo compreendida entre os pés; (ii) ter, permanentemente, uma imagem estável
na retina, mesmo se a pessoa estiver em movimento. Portanto, quando girar a cabeça,
os olhos devem voltar no mesmo sentido e com a mesma velocidade para conservar
uma imagem estável. Se o movimento
da cabeça prosseguir, os olhos se concentram o maior tempo possível em algum
ponto fixo.
Chama-se nistagmo o movimento rápido, ritmado e involuntário do globo
ocular, que pode ser realizado em um ou em dois sentidos.
A criança adquire equilíbrio nos três primeiros anos de vida,
proveniente de uma aprendizagem difícil, demarcada por numerosas quedas. As
grandes linhas dessa aprendizagem são idênticas a todos, mas cada uma
personaliza sua estratégia privilegiando determinadas informações, o que
explicaria os diversos modos de andar. Em situações limitadas, perigosas ou
novas para a pessoa, o equilíbrio é uma preocupação consciente.
A evolução do corpo em equilíbrio, se vigiado constantemente propiciará
seguramente, menos vigília na rua ou quando a atenção cresce, sobretudo se o
caminho for acidentado.
O cérebro é o chefe da orquestra do sentido do equilíbrio. Ele dirige,
através do cerebelo, os movimentos do corpo e controla melhor suas realizações,
levando em conta as eventuais e imprevistas discordâncias .
O aparelho vestibular informa sobre os movimentos da cabeça. Está
situado em cada orelha interna, atrás da cóclea, parte anterior do labirinto (órgão
da audição), em continuidade com a
própria cóclea.
Os olhos, por meio da retina, captam os movimentos dos objetos no meio
ambiente. Os receptores articulares e receptores musculares denominados
proprioceptores, compreendendo aqueles da arcada plantar, informam ao cérebro
sobre a posição de cada articulação, a tensão de cada músculo e a evolução
do centro de gravidade em nível dos pés.
Estas três fontes de informação dos centros nervosos que coordenam a ação
de todos os músculos devem normalmente estar em harmonia. Em caso contrário, a
informação vestibular se retém no cérebro. O vestíbulo pode sofrer
dois tipos de infecção radicalmente diferentes: (i) as infecções mecânicas,
onde as células sensoriais permanecem intactas e; (ii) as infecções
sensoriais que provocam a redução mais ou menos importante e mais ou menos
reversível da sensibilidade orgânica.
No primeiro caso, encontram-se os problemas das densidades das estruturas
vestibulares, nas quais as vertigens, muito ligeiras, são ligadas à inclinação
da cabeça. No segundo caso, a doença
é permanente e depende muito pouco da posição da cabeça.
Para explorar os vestíbulos, a técnica em vigor a partir de 1930
consistia em registrar eletricamente os movimentos oculares. É a
eletronistagmografia (ENG). Esta técnica, muito divulgada no mundo, permite
analisar certos movimentos na obscuridade total.
Mas, o ENG tem seus limites, particularmente pela impossibilidade física
de eliminar os movimentos de torção da orelha. Na realidade, somente os
movimentos horizontais são mensuráveis, o que limita o exame do canal lateral
do vestíbulo, um dos cinco
captores sensoriais.
Além do mais, a colocação dos eletrodos é longa e delicada, e o material bem complexo. O ENG possui um mérito: ser a técnica de melhor performance da época.
A idéia de gravar com uma câmera a imagem dos olhos, a
fim de analisar os movimentos, surgiu em 1905, ou seja, 10 anos após a invenção
do cinema pelos irmãos Lumière. Mas, somente em 1985, algum centro de pesquisa
afortunado, trabalhando em particular para a conquista espacial, conseguiu
analisar automaticamente o nistagmo, graças às câmaras de vídeo em miniatura
que operam próximo ao infravermelho. Isto é, permite filmar os olhos em negro
e acoplá-los a um sistema de informática.
As Leis do "Sexto sentido"
O equilíbrio é a função de estabilização neuronal constante na posição
de pé, em repouso e em deslocamentos ativo e passivo que permite o ser humano a
manter-se na posição vertical. Procura reencontrar o equilíbrio do corpo no
espaço, graças a um ajustamento apropriado neuropsicomuscular.
Resulta da troca
permanente entre três sistemas que informam ao cérebro a posição do corpo no
espaço: os sistemas proprioceptivos (planta dos pés e músculos), o aparelho
vestibular (orelha interna) e o sistema visual. Estas informações são normalmente complementares e
concordantes.
Quatro são as formas de equilíbrio: estático, em movimento (cinético),
na rotação ou giro e em vôo. A prática leva a redução desta divisão em três
famílias: (i) a família do equilíbrio cinético e de rotação em uma só;
(ii) a família do equilíbrio estático e; (iii) a família do equilíbrio aéreo.
O sistema de equilíbrio do corpo humano pode ser comparado ao “móbile
de Calder” formado pelo sistema nervoso. Por exemplo: um estímulo num canal
semicircular da orelha interna rompe o equilíbrio entre os sistemas simpático
e parassimpático, provocando náuseas e manifestações de tensão vascular; a
ação sobre os músculos visomotores, que se traduz por um nistagmo (movimento
ocular ritmado), atua sobre os centros nervosos e suscita a sensação de
vertigem; e a ação sobre os músculos locomotores leva à instabilidade na
posição de pé, por ocasião da marcha.
O VESTIBULAR
O sistema vestibular
central e periférico, faz parte do sistema do equilíbrio integrado pela:
A. Informação sensorial
periférica:
1. Labirinto posterior
alojado no osso temporal, formado por:
a. Sensores de velocidades
angulares, dos quais são 3 canais semicirculares, colocados espacialmente a 90
gráus entre cada um, a fim de obter o sentido completo, com base nas
possibilidades de giros do corpo.
b.
O Utrículo e o Sáculo, sensores de
velocidades lineares antero-posteriores, laterais e de ascenso-descenso. (O
labirinto anterior, é um sensor de sons, a cóclea, sem função direta
relacionada com o anterior).
2.
O sistema proprioceptivo músculotendinoso,
informa sobre a posição da cabeça e do corpo.
3. A
visão, por meio do sistema vestíbulo-visomotor,
oferece informação mais extensa
sobre a posição do corpo, como também dos objetos em relação à pessoa.
Situado na orelha interna, bem atrás do aparelho auditivo, o vestíbulo,
como todo captor sensorial, é estimulado pela transformação do
influxo nervoso em energia cinética. Esses influxos transportam informações
para o tronco cerebral, de onde parte para os centros subcorticais e corticais,
o que permite a elaboração dos reflexos e a percepção das sensações.
Os centros corticais permitem a conscientização dos movimentos e da posição
vertical, daí ser o sistema vestibular justamente denominado de " sexto
sentido", embora sejamos incapazes de inter-relacionar as sensações
conscientes do sexto sentido à sua fonte, situada na orelha interna.
Cada vestíbulo compreende cinco captores sensoriais independentes e
inter-relacionados entre si: (i) o utrículo, a maior porção do labirinto
membranoso do ouvido, e o sáculo. Dois órgãos constituídos de cavidades
cheias de líquido (endolinfo)
Toda informação é
enviada aos núcleos vestibulares, alojados na protuberância, com base nas vias de associação, de integração aos outros
centros (substância reticular, córtex, etc.) para ser retro-alimentada baseada
nas necessidades em, executar as ações do corpo em equilíbrio e em
deslocamento. Todo este complexo sistema apresenta um regulador, o cerebelo, que
age por meio do sistema vestíbulo-cerebeloso.
A posição bípede não é considerada um equilíbrio no sentido físico
do termo. É um desequilíbrio permanente, constantemente compensado. As variações
do equilíbrio constituem a atitude da pessoa. Esta atitude, relativamente estável,
representa a solução individual de cada pessoa ao encontrar a solução do
problema de equilíbrio que se insere no esquema corporal e na imagem do corpo,
integrado às sensações sensório-motoras precisas.
A neurite vestibular, habitualmente de origem viral, é responsável pela
vertigem rotatória com náuseas e vômitos, reflexos que duram muitos dias, e
levam o paciente ao leito.
Os exercícios
de equilíbrio em situações habituais pouco freqüente, desenvolvem
o repertório psicomotor de reflexos e antecipações. Experimentar situações
vertiginosas permite, por exemplo, ter a cabeça fria para as quedas e levar a
resposta psicomotora adaptada.
Para desenvolver o equilíbrio, o esquema corporal e a imagem do
corpo,devem suportar perturbações ao variar as posições de partida, a
orientação da cabeça, os apoios ( de mãos, assentado, deitado, ajoelhado e
outros). A criança deve assim, reconstruir o espaço e aprender a diferenciar
suas sensações para redescobrir seu ponto de referência.
A faculdade de memorizar e restabelecer o equilíbrio depende da interação
sutil de diferentes captores sensoriais (olhos, orelhas, o tato, aparelho
vestibular, proprioceptores) integrados à emoção. A omissão de um destes
sentidos pode perturbar uma tarefa a priori simples – permanecer na
posição de uma perna elevada com os olhos fechados. A modificação das condições
permite uma variação quase infinita do mesmo exercício de base. Pode-se
assim, trabalhar facilmente em níveis variados e propor tarefas ou situações
de dificuldade crescente.
Cada disciplina
desportiva possui em princípio as
quatro formas de equilíbrio: estático, cinético, rotatório e aéreo. Nesta
ótica deve-se realizar percursos de equilíbrio observando-se as variedades de
tarefas psicomotoras. O percurso deve combinar os exercícios no lugar, em
deslocamento, os saltos e as rotações.
BIBLIOGRAFIA:
ANDRÉ-THOMAS P. (1955). L’equilibre et la fonction labyrinthique chez
le nouveu-né et le nourrison. L’
Encephale, 44, 2:97-137.
MERRIT, Lewis P. Rowland (org). Tratado
de Neurologia. Rio de Janeiro. Editora Guanabara, 1986
Revista de Estudios y Experiencias Psicomotricidad.
Madrid. CITAP. 1998-1999.
Revue Science & Vie. Paris. Excelsior Publ. 1999.
SCHRAGER, Orlando L. (1991) Aspectos
neuropsicológicos del desarrollo de los procesos posturales y su incidencia
sobre el aprendizaje humano in
Psicomotricidad, Revista de Estudios y Experiencias, n.º 38-39. Vo. 2-3.
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