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- Revista Eletrônica
INFORMATIVO GRD - ANO II - Edição 03 - Janeiro a Junho de 2001. |
EQUILÍBRIO E DESEQUILÍBRIO
Especialização em Neurofisiologia da Motricidade
Os terapeutas, nos dias de hoje, têm grande receio em responder adequadamente à forma de curar o desequilíbrio, a tontura ou a vertigem, causas que levam as pessoas acima de 60 anos a consumir assiduamente medicamentos antivertiginosos.
Sensações errôneas do movimento, em que tudo gira em torno, as vertigens são causadas pelo desregulamento das diversas fontes de informação que permitem nosso deslocamento na posição vertical, com a cabeça elevada e os pés no solo.
Essas informações são fornecidas pela visão, orelha interna, planta dos pés e músculos cervicais gerados pelo cérebro (cerebelo), que indicam nossa posição no espaço. Quando não são complementares e concordantes, nosso cérebro torna-se confuso. O cérebro, obrigado a interromper sua atividade, leva o paciente ao estado de angústia, por não compreender o que se passa e nem qual órgão está atingido. Há perda do domínio do espaço envolvente, constatada pela ruptura entre a vontade e a resposta incontrolada do corpo. São sensações bem próximas da idéia de loucura ou de morte iminente.
Quando a crise termina, a pessoa torna-se reticente em evocar as dificuldades e encontrar palavras para descrevê-la, em geral, ao seu interlocutor, terapeuta ou não. Procura não insistir a fim de não despertar lembranças angustiantes.
Prosper Ménière em 1860, descobriu que a orelha interna não é somente a sede do órgão de audição. O ser humano, para estar em equilíbrio, deve satisfazer duas condições, sem intervenção da consciência: (i) projetar permanentemente o centro de gravidade de seu corpo na superfície do solo compreendida entre os pés; (ii) ter, permanentemente, uma imagem estável na retina, mesmo se a pessoa estiver em movimento. Portanto, assim que girar a cabeça, os olhos devem voltar no mesmo sentido e com a mesma velocidade para conservar uma imagem estável. Se o movimento da cabeça prosseguir, os olhos se concentram o maior tempo possível em algum ponto fixo.
Chama-se nistagmo o movimento rápido, ritmado e involuntário do globo ocular, que pode ser realizado em um ou em dois sentidos.
A criança adquire equilíbrio nos três primeiros anos de vida, proveniente de uma aprendizagem difícil, demarcada por numerosas quedas. As grandes linhas dessa aprendizagem são idênticas a todos, mas cada uma personaliza sua estratégia privilegiando determinadas informações, o que explicaria os diversos modos de andar. Em situações limitadas, perigosas ou novas para a pessoa, o equilíbrio é uma preocupação consciente. Se vigiarmos constantemente a evolução de nosso equilíbrio, estaremos seguramente menos vigilantes na rua ou quando nossa atenção cresce, sobretudo se o caminho for acidentado.
O cérebro é o chefe da orquestra do sentido do equilíbrio. Ele dirige, através do cerebelo, os movimentos do corpo e controla melhor suas realizações, levando em conta as eventuais e imprevistas discordâncias .
O aparelho vestibular informa sobre os movimentos da cabeça. Está situado em cada orelha interna, atrás da cóclea, parte anterior do labirinto (órgão da audição), em continuidade com a própria cóclea.
Os olhos, por meio da retina, captam os movimentos dos objetos no meio ambiente. Os receptores articulares e receptores musculares (os proprioceptores) compreendendo aqueles da arcada plantar informam ao cérebro sobre a posição de cada articulação, a tensão de cada músculo e a evolução do centro de gravidade no nível dos pés.
Estas três fontes de informação dos centros nervosos, que coordenam a ação de todos os músculos, devem normalmente estar em harmonia. Em caso contrário, a informação vestibular se retém no cérebro. O vestíbulo pode sofrer dois tipos de infecção radicalmente diferentes: (i) as infecções mecânicas, onde as células sensoriais permanecem intactas e; (ii) as infecções sensoriais que provocam a redução mais ou menos importante e mais ou menos reversível da sensibilidade orgânica.
No primeiro caso, encontram-se os problemas das densidades das estruturas vestibulares, nas quais as vertigens, muito ligeiras, são ligadas à inclinação da cabeça. No segundo caso, a doença é permanente e depende muito pouco da posição da cabeça.
Para explorar os vestíbulos, a técnica em vigor a partir de 1930
consistia em registrar eletricamente os movimentos oculares. É a eletronistagmografia
(ENG). Esta técnica, muito divulgada no mundo, permite analisar certos
movimentos na obscuridade total.
Mas, o ENG tem seus limites, particularmente pela impossibilidade física de eliminar os movimentos de torção da orelha. Na realidade, somente os movimentos horizontais são mensuráveis, o que limita o exame do canal lateral do vestíbulo a um dos cinco captores sensoriais.
Além do mais, a colocação dos eletrodos é longa e delicada, e o material bem complexo. O ENG possui um mérito: ser a técnica de melhor performance da época.
A idéia de gravar com uma câmera a imagem dos olhos, a fim de analisar os movimentos, surgiu em 1905, ou seja, 10 anos após a invenção do cinema pelos irmãos Lumière. Mas, somente em 1985, algum centro de pesquisa afortunado, trabalhando em particular para a conquista espacial, conseguiu analisar automaticamente o nistagmo, graças às câmaras de vídeo em miniatura que operam próximo ao infravermelho. Isto é, permite filmar os olhos em negro e acoplá-los a um sistema de informática.
As Leis do "Sexto sentido"
O equilíbrio é a função de estabilização neuronal constante na posição de pé, em repouso e em deslocamentos ativo e passivo que permite o ser humano a manter-se na posição vertical. Procura reencontrar o equilíbrio do corpo no espaço, graças a um ajustamento apropriado neuromuscular.
Resulta da troca permanente entre três sistemas que informam ao cérebro a posição do corpo no espaço: os sistemas proprioceptivos (planta dos pés e músculos), o aparelho vestibular (orelha interna) e o sistema visual. Estas informações são normalmente complementares e concordantes.
O sistema de equilíbrio do corpo humano pode compara-se a um móbile de
Calder formado pelo sistema nervoso. Por exemplo: um estímulo num canal semicircular
da orelha interna rompe o equilíbrio entre os sistemas simpático e
parassimpático, provocando náuseas e manifestações de tensão vascular; a ação
sobre os músculos óculomotores, que se traduz por um nistagmo (movimento ocular
ritmado), atua sobre os centros nervosos e suscita a sensação de vertigem; e a
ação sobre os músculos locomotores leva à instabilidade na posição de pé, por
ocasião da marcha.
O VESTIBULAR
Situado na orelha interna, bem atrás do aparelho auditivo, o vestíbulo,
como todo captor sensorial, é estimulado pela transformação do influxo nervoso em energia cinética. Esses
influxos transportam informações para o tronco cerebral, de onde parte para os
centros subcorticais e corticais, o que permite a elaboração dos reflexos e a
percepção das sensações.
Os centros corticais permitem a conscientização dos movimentos e da
posição vertical, daí ser o sistema vestibular justamente denominado de "
sexto sentido", embora sejamos incapazes de inter-relacionar as sensações
conscientes do sexto sentido à sua fonte, situada na orelha interna.
Cada vestíbulo compreende cinco captores sensoriais independentes e
inter-relacionados entre si: (i) o utrículo, a maior porção do labirinto
membranoso do ouvido, e o sáculo. Dois órgãos constituídos de cavidades cheias
de líquido (endolinfo)
A neurite vestibular, habitualmente de origem viral, é responsável pela
vertigem rotatória com náuseas e vômitos, reflexos que duram muitos dias,
e levam o paciente ao leito.
Os médicos, nos dias de hoje, possuem pavor em responder adequadamente a
forma de curar o desequilíbrio ou vertigem, a terceira causa que levam as
pessoas de acima de 60 anos a consumir assiduamente medicamentos antivertiginosos
que atua no equilíbrio.
Perturbações do Equilíbrio – Equilíbrio patológico
A posição bípede não é considerada um equilíbrio no sentido físico do
termo. É um desequilíbrio permanente, constantemente compensado. As variações
do equilíbrio constituem a atitude da pessoa. Esta atitude, relativamente
estável, representa a solução individual de cada pessoa ao encontrar a solução
do problema de equilíbrio que se insere em seu esquema corporal e na imagem do
corpo, integrado às sensações sensório-motoras precisas.
BIBLIOGRAFIA
ANDRÉ-THOMAS P. (1955). L’equilibre et la fonction labyrinthique chez
le nouveu-né et le nourrison. L’
Encephale, 44, 2:97-137.
MERRIT, Lewis P. Rowland (org). Tratado de
Neurologia. Rio de Janeiro. Editora Guanabara, 1986
Revista de Estudios y Experiencias
Psicomotricidad. Madrid. CITAP. 1998-1999.
Revue Science & Vie. Paris. Excelsior Publ. 1999.
SCHRAGER, Orlando L. (1991) Aspectos neuropsicológicos del desarrollo de
los procesos posturales y su incidencia sobre el aprendizaje humano in Psicomotricidad, Revista de Estudios y
Experiencias, n.º 38-39. Vo. 2-3.
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