http://www.geocities.com/grdclube - Revista Eletrônica INFORMATIVO GRD - ANO II - Edição 03 - Janeiro a Junho de 2001.
Rio de Janeiro, 02 de janeiro de 2001.



Cérebro

O Cérebro

 

Prof. Dr. Darcymires do Rêgo Barros

Especialização em Neurofisiologia da Motricidade

 

 

 

 

Desde a Idade Média admitia-se que a mente procedia do cérebro, embora não houvesse uma idéia bem definida de como ela convergia.

 

 Platão afirmava estar a mente localizada no interior da cabeça, por ela apresentar a forma de uma esfera, a forma geométrica mais perfeita, segundo ele. Aristóteles concebia estar a mente dentro do coração, pois sendo o sangue quente era bombeado pelo coração e, o calor implicava em vitalidade. 

 

Somente no século 17, houve a mudança de pensamento referente à mente com Renée Descartes. Concebia ele que a mente vivia no cérebro, porém era uma coisa imaterial, inteiramente separada dos tecidos físicos que existiam dentro da cabeça. A consciência era a única evidência confiável de que nós verdadeiramente existimos, embora estabelecesse Descartes a afirmativa  de que a mente e o corpo eram inteiramente independentes.

 

Damásio (1994) afirma ser a mente criada pelo corpo, especificamente pelo cérebro. A consciência pode ser nada mais que um evanescente subproduto do mais mundano e total processo físico, assim como o relâmpago é o resultado da correlação da luz com a chuva.

 

As informações enviadas pelos sentidos à mente compõem claramente uma parte; assim como as químicas do corpo, cujos fluxos são experimentados como sentimentos e emoções.


A emoção é fundamental no processo do pensamento racional. Ela é o elemento chave na aprendizagem e nas tomadas de decisões. A linguagem e a memória estão estreitamente envolvidas tornando bem claro que o fenômeno mental da consciência é bastante complexo tanto quanto o  pensamento.

 

É bastante conhecido que as emoções alteram rapidamente o estado e o padrão da respiração. A atividade cortical consciente, as reações talâmicas subconscientes, os centros vitais na região hipotalâmica, o sistema neurovegetativo, as regulações hormonais, a função cardiovascular e a respiração estão todos inseparavelmente inter-relacionados, influenciando de maneira extremamente complicada no comportamento pessoal e postural do ser humano.

 

Observa-se que a aprendizagem e a memória são funções que estão estreitamente inter-relacionadas. Por meio desses processos, o ser humano adquire e armazena todos os dados de modo a torná-los recuperáveis mais tarde.

 

O armazenamento processa-se por meio de um padrão de conexões entre os neurônios e as células nervosas que sustentam como blocos básicos o edifício do cérebro. Quando uma informação entre no cérebro por meio de impulsos elétricos que correm a partir da retina, localizada acima do nervo ótico e dentro do córtex cerebral, esses impulsos desaparecem em frações de segundo, com sua passagem reforçando o agrupamento particular de conexões, capacitando-se a recriar a imagem. O padrão mais freqüente é reforçado pela repetida visão da pessoa ou pelo esforço de lembrá-la quando a imagem fica na memória, qualquer que seja  seu tempo.

As memórias são feitas de muitos diferentes padrões de conexões de neurônios, destinados especificamente aos sons, cheiros, texturas, outros para visão com dezenas de milhares de neurônios desferindo  impulsos elétricos simultaneamente.

 

As memórias de fatos concretos e acontecimentos podem ser rastreadas a pedidos, através da coordenação do hipocampo que é uma coleção de neurônios  em forma decrescente no interior do centro do cérebro. 


Outras espécies de memória são dirigidas a partir de outras áreas.  Por exemplo: a amígdala que é do tamanho de uma amêndoa, é um pequeno nó de células nervosas localizada próximo ao tronco do cérebro, no sistema límbico. Sua especialização é o medo, embora outras partes do cérebro sejam críticas para regular a emoção. O gânglio basal é uma aglomeração de matéria cinzenta dentro dos dois hemisférios cerebrais, administra os hábitos e as habilidades físicas.

 

O cerebelo localizado na base posterior do crânio governa a aprendizagem condicionada, o equilíbrio e alguns reflexos. Os danos ocasionados nestas regiões têm efeito na forma correspondente da memória.

 

As conexões neuronais devem ser estimuladas desde os primeiros dias e meses de vida, quando o cérebro ainda está em seu período de formação. Caso contrário, elas se atrofiam e morrem.

 

Para Damásio milhares de zonas convergentes que são espalhadas através do córtex, não somente processam a linguagem. Elas também podem coordenar todas as outras espécies de informação que o cérebro necessita: percepção, memória e emoção, para serem inteiramente funcionais.

 

Essas zonas convergentes, misturando pedaços diferentes de informações, como um todo, podem ser responsáveis pelo mais esquivo fenômeno do cérebro: a consciência, o sentimento de ser, o aqui e agora.

 

A consciência para Damásio  ..."é um conceito de si mesmo, uma coisa que você reconstrói a cada instante, com base na imagem de seu próprio corpo, sua autobiografia.” É um fenômeno biológico complexo que evolui no decorrer da vida do organismo.

 

O cérebro humano ainda pode evoluir e aumentar suas capacidades?

 

Pesquisadores norte-americanos afirmam que não. Peter Cochrone e seus colegas de pesquisas e aplicações tecnológicas avançadas do Laboratório BT  em Massachusetts vêm apresentar uma nova prova. Os pesquisadores esclarecem que o cérebro dos mamíferos não pode ultrapassar o estágio do mais evoluído dentre eles, o homem, sem colocar em perigo sua eficácia.

 

Seu raciocínio é o seguinte: nosso cérebro contém cerca de 10.11 neurônios interconectados por 10.14  sinapses. Se eles aumentassem, para dar lugar a novos neurônios, o influxo nervoso teria um caminho maior a percorrer.


Eles alterariam então o corpo dos neurônios - axônios -  ampliando-se a fim de percorrer mais rapidamente os sinais. Mas se o tamanho dos axônios aumentasse, eles não dariam lugar para novos neurônios. Conclusão, o cérebro seria maior, mas sua potência tornar-se-ia a mesma. Antropólogos e biólogos têm procurado julgar esta tese bem simples.

 

Os pesquisadores de Ipswich apresentam uma crítica bem maior ao considerarem o cérebro como um sistema homogêneo, sendo constituído de zonas especializadas. O aumento de tamanho de algumas zonas não implicaria necessariamente no aumento geral de neurônios. De outro lado, a melhoria das capacidades do cérebro poderia ser obtida pela evolução de sua estrutura sem trocar de tamanho ( Science & Vie, n.º 955, abril 1997:12 ).

 

Nenhum cérebro humano é idêntico ao outro. A grosso modo, parecem iguais, mas ao ser analisado detalhadamente apresenta variedades de diferenças. Essas variações anatômicas têm repercussões sobre as funções cerebrais. Ao observar-se um atlas do cérebro, a maior parte das regiões cerebrais são identificadas de maneira vaga: suas fronteiras são raramente indicadas, mesmo nas estruturas simples como o tálamo ou o núcleo caudal.

 

Alan Evans, coordenador do Centro da Imagem Cerebral do Instituto de Neurológico de Montreal, centro vital do Consórcio Internacional de Cartografia do Cérebro (ICBM), analisou cerca de 450 cérebros de homens, mulheres, jovens, adultos e idosos. Verificou que o tamanho do cérebro em cada indivíduo.

 

Como medir os detalhes das variações de estrutura entre os objetos de diferentes tamanhos? Jean Talairach, neurologista francês propõe um sistema de coordenadas em três dimensões ao apresentar um quadro de referência comum a todas as imagens.  A partir dessas coordenadas, é possível deformar as imagens proporcionalmente, de maneira que todas tenham o mesmo tamanho. 

 

 

As lesões do córtex parietal criam profundos problemas de percepção do corpo e de suas relações com o mundo. As pessoas com lesões parietais direita vêem o mundo tendo esquecido a metade da esquerda. Elas desenham a metade de uma casa ou da face de uma pessoa a sua frente. Esquecem  das habilidades do lado esquerdo e comem apenas na metade da direita do prato de morangos. Outro problema ocasionado pelas lesões parietais é a parda do sentido de propriedade de seu próprio corpo. Acaba descobrindo que o braço não é dele, e sim de sua mãe;

 

A cabeça serve de plataforma e de referencial móbil, ao estabilizar-se em rotação no plano sagital. A partir da estabilização da cabeça que são coordenados os movimentos dos membros. O controle descendente da cabeça para os pés inverte -  completamente a maneira tradicional  da concepção do controle da postura - dos pés para a cabeça. Este controle ocorre já no decorrer do primeiro ano de vida.

 

Durante um movimento o cérebro utiliza múltiplo referencial: a gravidade, o referencial externo, o corpo em sua totalidade ou determinadas partes de si.

 

 

                                                                                      

O que se passa no cérebro de um pássaro ao cantar? Albert Yu & Daniel Margoliash da Universidade de Chicago estudaram 13 machos "mandarins" (Taeniopygia guttata), pequenos pássaros exóticos domésticos. Foram introduzidos eletrodos em várias partes do cérebro.

 

Conclusão: tanto como a linguagem humana, o canto de um pássaro é constituído de frases, composta de sílabas formadas de letras (as notas) e sua produção necessitam intervenção de muitas regiões cerebrais. Os pesquisadores descobriram que essas regiões são hierarquizadas. Assim, a produção de uma nota é gerada por determinada parte do cérebro, o encadeamento dessas notas por uma outra região e assim sucessivamente. Esta descoberta sugere que pode existir uma organização similar entre as regiões de nosso cérebro na elaboração da linguagem. ( Science & Vie, nr. 955, abril 1997:14)

 

As fascinantes descobertas têm revelado algumas informações fundamentais sobre os processos de envelhecimento e longevidade, sobretudo quanto a importância do cérebro em desempenhar funções fundamentais.

 

O envelhecimento é todo o processo de desenvolvimento e crescimento que ocorre com as mudanças morfológicas, psicológicas, fisiológicas e bioquímicas  no ser humano, no decorrer do tempo, sob a influência do meio ambiente, das condições materiais e do contexto social.  É o produto de uma complexa interação de fatores biológicos e sócio-ambientais  que ocorrem no transcurso do tempo de vida, ocasionando alterações fisiológicas estruturais, tanto morfológicas como funcionais que se produzem a nível do sistema nervoso central, incidindo  nas atividades físicas   e  mentais  do ser humano.

 

O cérebro desenvolve-se em ciclos por impulsos elétricos durante a maior parte da existência, não somente até os 20 anos, como ocorre com o resto do organismo. Ele perde ligações neuronais menos usadas e forma outras nos circuitos sinápticos mais utilizados de maneira mais complexa.  Este desenvolvimento depende em grau do tipo e da qualidade do exercício que for estimulado, seja ele físico ou intelectual.

 

Pouco afetado pelo transcurso do tempo, o cérebro,  desde que tenha uma nutrição adequada de glicose, energia e oxigênio, encontrados no  sangue e elaborados nos órgãos digestivos,  purifica-se nos pulmões, no fígado e nos rins. Outros elementos corporais, como as estruturas nervosas e hormonais, têm um papel fundamental nos processos de pensamento e na vivência de sentimentos. Sangue, oxigênio e energia atuam de forma integrada na alimentação do cérebro.

No decorrer dos exercícios, o excesso de ações poderá sobrecarregar o cérebro de toxinas que irão impedir seu funcionamento ideal.

 

A velhice atua sobremodo sobre a pele demonstrando  mudanças drásticas decorrentes do avançar da idade. Nos primeiros sinais de rugas  as pessoas  sentem-se desvalorizadas frente à sociedade. A vaidade ferida leva a efeitos psicológicos profundos, sobretudo na perda da auto-imagem e mudanças bruscas nas interações sociais.

 

Somente com o tempo, a vaidade dará lugar à aceitação e a uma resposta sensata à mudança. Até o cérebro está sujeito aos efeitos prolongados de tensão constante, que causa danos ao hipocampo e, conseqüentemente,  à memória.

 

A longevidade corresponde a duração máxima de uma vida de uma espécie, independente das condições ecológicas.

 

No Oriente, a longevidade é medida pelo número de movimentos respiratórios realizados. Quanto mais tranqüila e lenta a respiração, maior será a duração da vida do ser humano. Por outro lado, quanto mais curta e rápida for a respiração, menor será a cota de oxigênio e de energia  recebida e maior será a fadiga.

 

Como a respiração e a energia dominam o processo vital, o bom ou o mau uso da respiração aumenta ou diminui o funcionamento metabólico e o equilíbrio das células e dos tecidos. 

 

A capacidade de realizar ações em relação a si e aos outros não depende da força muscular, sim do cérebro que é o organismo essencial para desenvolver esta capacidade, podendo gerar por si mesmo sua própria quota de sangue para gerar mais energia.

 

O cérebro desenvolve-se por impulsos elétricos em ciclos, durante a maior parte da existência e não somente até os 20 anos, como ocorre com o resto do organismo. Ele perde ligações neuronais menos usadas e forma outras nos circuitos sinápticos mais utilizados de forma mais complexa.  Este desenvolvimento depende em grau do tipo e da qualidade do exercício que for estimulado, seja ele físico ou intelectual.

 

Pouco afetado pelo transcurso do tempo, o cérebro,  desde que tenha uma nutrição adequada de glicose, energia e oxigênio, encontrados no  sangue, elaborados nos órgãos digestivos,  purifica-se nos pulmões, no fígado e nos rins. Outros elementos corporais, como as estruturas nervosas e hormonais, têm um papel fundamental nos processos de pensamento e na vivência de sentimentos.

Sangue, oxigênio e energia atuam de forma integrada na alimentação do cérebro. No decorrer dos exercícios, o excesso de ações poderá sobrecarregar o cérebro de toxinas que irão impedir seu funcionamento ideal.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

 

DAMÁSIO, Antonio. (1994). O erro de Descartes. Lisboa. Ed. Noticias.

_________________. (1999). O Sentimento de Si. Lisboa.Publicações     Europa-América.

LUNDY-ELKMAN, Laurie. (2000). Neurociência. Rio de Janeiro. Editora Guanabara-Koogan.

REVUE Science & Vie, n.º 955, abril 1997:14.

SCHMIDT, Robert F. et  alli. (1984). Neurophysiologie. Paris. Librairie Le François.

http://www.geocities.com/grdclube - Revista Eletrônica INFORMATIVO GRD - ANO II - Edição 03 - Janeiro a Junho de 2001..
© Todos os direitos reservados

Hosted by www.Geocities.ws

1