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Revista Eletrônica
INFORMATIVO GRD - ANO V
Edição 09 - Janeiro / Junho- 2004 |
HISTÓRIA - COMO FUNCIONA UMA ESCOLA DE SAMBA
Daisy Barros - Arbitra
e Ex-Técnica da Seleção Brasileira de G.R
Como funciona uma Escola de Samba
Para que o desfile das escolas de samba aconteça, centenas de
pessoas trabalham, e muito, durante todo o ano. Não é à toa que o evento é
considerado o maior espetáculo da terra. Ao todo, seis grupos reúnem as
agremiações do Rio de Janeiro: As do Especial, seguem o regulamento da Liga
Independente das Escolas de Samba (a Liesa), e as dos Grupos de Acesso A, B, C,
D e E, obedecem ao regulamento da Associação das Escolas de Samba, que sofre
algumas alterações de acordo com o grupo em que cada agremiação se
apresenta. A estrutura básica de todas é a mesma, com a diferença do luxo e
da criatividade que cada uma delas apresenta na avenida e que definem qual será
a campeã. Saiba como funciona por dentro uma escola de samba:
Comissão de Frente: no início
era a velha guarda que reverenciava o público e pedia passagem. Com o tempo,
esse grupo que tem como função apresentar a escola foi se sofisticando e
trazendo convidados ilustres como atores, artistas circenses, personalidades
etc. Todas as escolas investem e capricham nas coreografias que são
exaustivamente ensaiadas (cerca de quatro meses antes do desfile). Para orientar
os passos dos componentes da comissão de frente, as escolas de samba passaram a
convidar dançarinos, bailarinos ou professores de dança que assumiram o cargo
de coreógrafo do grupo com a importante tarefa de apresentar a escola à platéia
e aos jurados. Esse quesito vale ponto.
Carro Abre-Alas: é como o próprio
nome diz, onde a história começa. Muitas escolas trazem seu símbolo nesta
alegoria; outras a utilizam para começar a contar o enredo. É sempre um
sucesso. Normalmente vem com apenas um destaque principal. Não vale ponto
individualmente.
Alas: são grupos de componentes que
utilizam a mesma fantasia e que se posicionam no espaço entre uma alegoria e
outra. Nessas alas avulsas se concentra o sambista, que não caminha: evolui. Não
se sacode: se acaba! O verdadeiro folião se esbalda pra valer no desfile.
Muitos perdem de 1 a 2 quilos até cruzarem o fim da avenida. Outros gostam
tanto da maratona carnavalesca que chegam a desfilar em mais de uma escola. Não
valem ponto individualmente.
Alegorias e Adereços: é a parte mais
suntuosa de todo o desfile. Os carros alegóricos contam a maior parte do enredo
de uma escola de samba. No alto das alegorias, nos chamados queijos, vêm os
destaques principais da agremiação, que costumam se dividir no central alto,
central baixo, lateral direito e lateral esquerdo, considerados os postos mais
cobiçados. Os demais personagens que se apresentam nos carros alegóricos são
denominados composições. Esse quesito vale ponto.
Ala das Crianças: antes do Juizado
de Menores prestar atenção, era uma ala obrigatória. Mas hoje ela é
facultativa. A maioria das escolas costuma levar, em média, 200 componentes
mirins para a avenida. Não vale ponto.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: são encarregados de levar o estandarte da escola de samba.
Usam fantasias luxuosas, que, no caso da porta-bandeira, podem pesar até 40
quilos. As melhores duplas são verdadeiras feras da dança e costumam ser
disputadas pelos dirigentes das agremiações. Apesar de muitas escolas de samba
apresentarem até quatro casais de mestre-sala e porta-bandeira, apenas o
primeiro, que costuma evoluir na frente da bateria da escola, é observado pelo
júri na contagem dos pontos.
Bateria: representa para o desfile das
escolas de samba o mesmo que uma orquestra para a ópera. Uma boa bateria tem
cerca de 350 integrantes. Os componentes são alinhados por instrumentos e
guiados pelo primeiro diretor, chamado de mestre, que costuma conduzir os
ritmistas por intermédio de outros diretores de bateria que ficam espalhados
por toda a ala. É o mestre de bateria quem dita o ritmo das batidas e o
andamento do samba ao som de apito e muitos gestos. Diversos microfones
acompanham a bateria durante toda a sua evolução, para espalhar o som pelas
caixas que ficam distribuídas pela avenida. Cada escola possui características
individuais de batidas e a cada ano, tentam se superar com novidades como
paradinhas, coreografias, introdução de instrumentos diferenciados etc. Os
instrumentos que compõem uma bateria são tamborim, pandeiro, chocalho,
reco-reco, tarol, agogô, cuíca, repinique, caixa de guerra e surdos de
primeira, segunda e terceira marcação. Algumas escolas de samba têm rainhas,
princesas e madrinhas da bateria que podem ser artistas, modelos ou escolhidas
em concursos pela comunidade da agremiação. São sempre mulheres muito bonitas
e que levam o público ao delírio com suas aparições. A bateria vale ponto.
Intérprete Oficial: era conhecido
inicialmente como puxador de samba. Mas graças ao Jamelão, que ocupa esse
posto na Estação Primeira de Mangueira, a nomenclatura teve que ser revista.
Quase todos têm um vozeirão de fazer inveja. O intérprete é considerado
figura fundamental responsável por cantar, em média, cerca de 65 vezes o
samba-enredo durante o tempo de desfile. Normalmente é acompanhado por dois ou
três cantores de apoio. É ele quem determina o andamento do samba e conseqüentemente
da agremiação. A maioria tem um grito de guerra que os identifica e os associa
à escola de samba que está representando. É sempre um dos protagonistas.
Apenas o samba-enredo é julgado e não o seu intérprete.
Passista: é o responsável
em não deixar ficar um buraco na escola, quando a bateria entra no recuo.
Espalha-se no espaço deixado pelos ritmistas e evoluem até que a ala seguinte
preencha esse vazio. São homens e mulheres brilhantes no samba no pé e que
esbanjam beleza e sensualidade. Não vale ponto.
Ala das Baianas: essa ala não
conta ponto individualmente, mas as famosas “tias” são presença obrigatória
no desfile. Essas senhoras com suas roupas rodadas levam uma vida dura: a
fantasia que vestem pode chegar a pesar até 15 quilos. Algumas delas são bem
idosas, mas costumam chegar inteirinhas no fim do desfile. São verdadeiramente
apaixonadas por suas escolas e não admitem a possibilidade de desfilar em outro
lugar. É um espetáculo à parte vê-las evoluindo no refrão do samba com suas
saias rodadas.
Ala dos Compositores: formada pelos
poetas da escola. São eles que compõem os sambas das agremiações até que um
deles seja escolhido, definitivamente, como o oficial. O samba-enredo oficial
conta ponto, a ala não.
Velha Guarda: houve um tempo em
que os antigos componentes abriam o desfile. Foram chegando para trás e hoje
costumam encerrar o espetáculo. Alguns de seus integrantes participaram da
fundação das suas respectivas escolas de samba. Essa ala não vale ponto.
Fonte: Jornal O Globo
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