
|
Revista Eletrônica
INFORMATIVO GRD - ANO V
Edição 09 - Janeiro / Junho- 2004 |
HISTÓRIA - O SURGIMENTO DO SAMBA
Daisy Barros - Arbitra
e Ex-Técnica da Seleção Brasileira de G.R
Origem do Carnaval
Transplantado da Bahia no princípio
do século XX, o samba comunicou seus ritmos e seu nome à canção popularesca
em sua forma urbana, que é o samba do Rio de Janeiro, o samba carioca, que,
antes de se requintar através da dança social que lhe corresponde, apresentou
seus primeiros redutos nas proximidades da Central do Brasil, com as baianas,
vindas da Guerra dos Canudos, que se fixaram no Morro da Favela. O ritmo era
praticado também na Casa da Tia Ciata,
na Rua Visconde de Itaúna, 117, conhecido como centro de reunião de sambistas
e macumbeiros e freqüentado por pioneiros do cancioneiro carioca como
Pixinguinha, Sinhô e Ernesto dos Santos (Donga), autor do primeiro samba
impresso, Pelo Telefone (1917). A esta
modalidade de samba seguiram-se as que hoje conhecemos: samba de morro, de
partido alto, samba corrido, samba-batucada, de rancho, de breque, samba-choro e
samba-canção. Já nos morros, subúrbios e bairros da Zona Norte, com predominância
nas escolas de samba, das quais a primeira foi a Deixa Falar, o samba se
apresenta como dança de roda, com forma responsorial, com solo e coro: só este
tem forma fixa, podendo o solo ser improvisado ou tradicional. Agenor de
Oliveira (Cartola), Ismael Silva e Alcebíades Barcelos (Bide) e o sambista
Brancura, são alguns pioneiros desta modalidade.
Dizem os estudiosos que o samba
feito até então era muito influenciado pelo maxixe em sua estrutura formal, só
ganhando a estrutura com a qual viria a ser conhecido e apreciado nos anos
subseqüentes quando entraram em cena Ismael Silva e o grupo de boêmios do
bairro carioca do Estácio, do qual faziam parte seu parceiro Nílton Bastos,
Rubem Barcelos, Bide, Baiaco, Brancura e Mano Edgar. Esse grupo também foi o
responsável pela criação da primeira escola de samba do Rio de Janeiro, a Deixa
Falar (1928), que só desfilou em três carnavais, mas serviu como fonte de
inspiração para Cartola, de um lado, e Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres,
de outro, a criarem, respectivamente, a Mangueira e a Portela.
Alguns autores classificam o samba
como dança brasileira originária do batuque africano, cuja área se estende do
Maranhão a São Paulo com pequenas interrupções, apresentando-se em diversas
modalidades e coreografias (coco, baião, jongo e etc), todas com melodia em
compasso binário, acompanhadas exclusivamente por instrumentos de percussão.
Sua etimologia é controvertida e apresenta várias versões, a saber: à
palavra “semba”, isto é, a vênia, a umbigada com a que o dançarino faz o
convite a um dos componentes da roda; à origem tupi, significando “cadeia
feita de mãos dadas”; à existência da palavra em dialetos africanos,
significando “culto através da dança”; ou ainda a que deriva de muçumba,
instrumento africano em forma de chocalho, ou maracá.
Fonte: Enciclopédia Barsa
|
Revista Eletrônica
INFORMATIVO GRD - ANO V
Edição 09 - Janeiro / Junho- 2004 |