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Revista Eletrônica INFORMATIVO G.R.D.
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Ginástica
Natural Austríaca
Dr.
Hans Groll
L’Éducation
Physique en Autriche
in
Education Physique dans le Monde
Tradução do Prof. Dr. Darcymires do Rêgo Barros.
Entre
os anos de 1918 e 1938 surgiu na Áustria uma reforma geral do ensino,
notadamente no ensino da Ginástica que, sob o nome de “Ginástica Natural”
é atualmente conhecida e apreciada no mundo inteiro.
Os
principais autores desta reforma foram: Dr. KARL GAUHOFER, Dr.ª MARGARETH
STREICHER e o Prof. ADALBERT SLAMA, estimados e qualificados na Áustria de
“Tríplice constelação de renovadores da Educação Física austríaca.”
A
Educação Física era reconhecida como elemento essencial do ensino em seu
conjunto e considerada nos exercícios corporais como matéria de ensino e educação
de um valor total. A tarefa principal dos exercícios corporais era a formação
da personalidade. A aquisição das qualidades de habilidades tomou importância
estando praticamente a serviço da finalidade formativa (educativa). A escolha
dos exercícios e os princípios de ensinamento se amoldaram aos conhecimentos
mais modernos da biologia e da pedagogia da época.
A
Ginástica Natural é qualificada de “exercício físico orientado biológica
e pedagogicamente.” (Margareth Streicher).
Os
inovadores da Ginástica austríaca executaram intelectualmente as preciosas idéias
primitivas do antigo movimento da ginástica alemã, do movimento de ginástica
sueca, dos jogos e dos desportos e dos movimentos da juventude, estes em seu
aspecto pedagógico. Assim criaram uma ginástica escolar que é inteiramente
educativa, rica em sua matéria, eminente na vida, adaptada à educação das
crianças e repleta de espontaneidade. O ensino atual, tanto em seus fundamentos
teóricos quanto nos orgânicos (práticos) é em grande parte baseado nesta
reforma.
Para
Henry De Genst (...) “O sistema austríaco não é novidade, é uma
variante original de idéias interessantes de biologistas, sobretudo de técnicos
e educadores. Apareceu como um movimento de reação contrário à Ginástica
alemã infestada de exercícios violentos com aparelhos ou geometrizados por
SPIESS e exagerados por seus sucessores.
A
triste situação da população enfraquecida por uma longa e desastrosa guerra
exigia um sistema de regenerescência total. Sua finalidade deveria atender a um
despertar da massa da juventude escolar, numa consciência higiênica provocando
o desejo imperioso de zelar pela saúde do corpo através da euforia do jogo.
A
Educação Física, desta forma, se revelava como inseparável da educação
geral. O corpo era o meio, entretanto, o ser humano em sua totalidade deveria
ser o fim.
A Ginástica Escolar deve ser biológica, como também o mestre deve pensar biologicamente, levando sempre em conta a natureza dos alunos, de seu meio familiar e social, das condições de vida, da personalidade e desenvolvimento.
O sistema é corretivo, educa as atitudes e movimentos da vida cotidiana (AVD – atividades de vida diária), permite as “performances” visando ao melhoramento da utilização das possibilidades corporais através de uma técnica mais apurada. Admite o movimento como excitante funcional completo, abandona a estilização para adotar os movimentos naturais. Aos mais aptos, a educação cinmática e os meios são condicionados para provocar espontaneamente a variedade, interesse e prazer.”
Durante
os anos de 1938 a 1945 não foi a Ginástica Escolar independente, visto que a
independência política da Áustria desapareceu e, como todo o ensino, a Educação
Física alinhou-se sob as diretrizes do nacional-socialismo.
A
restauração da Ginástica Escolar sob a II República – a partir de 1943 –
baseou-se nos bons princípios dos trabalhos que foram moldados seguramente às
exigências da época. Com a estabilidade econômica progressiva do Estado, as
condições preliminares da organização da Ginástica Escolar puderam ser
novamente aperfeiçoadas.
SITUAÇÃO
ATUAL – OBJETIVOS E INÍCIO DOS TRABALHOS
A
cultura física é atualmente considerada como elemento essencial na Educação
escolar, porque representa uma contribuição insubstituível ao desenvolvimento
físico e psíquico da juventude.
No
programa de ensino austríaco o objetivo deste ensino é o seguinte:
“Assegurar
através dos exercícios físicos variados, o grau máximo de desenvolvimento
para salvaguardar a saúde e adquirir a melhor capacidade produtiva possível
(em desporto, capacidade de performance)”.
“Despertar
e criar hábitos de sentimento da forma, do sentido da forma e da vontade da
forma, aquisição progressiva de uma forma de atitude e movimento
biologicamente irreprovável em todos os exercícios físicos, como base de uma
boa forma e de um bom movimento na vida cotidiana e no trabalho. Sentido de estética
do movimento (Arte do movimento).”
Fazer
desabrochar o prazer que os jovens encontram no movimento, habituá-los a um
trabalho sério e perseverante sobre si mesmos, como às tarefas.
Dentro
dos objetivos, de acordo com a biologia do jovem, o instinto de jogo e vontade
de performances dirigidas.
O
incentivo às virtudes que uma vida social organizada exige de cada indivíduo
como, por exemplo, a energia, perseverança, coragem, ser cordial, consciência
de responsabilidade, ordem, altruísmo, prazer pela atividade física, desejo de
um contato mais estreito com a natureza.
As
pesquisas de questões fundamentais da Educação Física, tais como as questões
de saúde, importância biológica e cultural dos exercícios físicos, valores
e limites das formas e modos de trabalho extra-escolar (ginástica-desportos),
ética do exercício físico.
A
criação de condições preliminares tais, que os exercícios físicos se
tornem para os alunos, mesmo além do período escolar, um modo de vida agradável
e um dever social.” (Programas comuns do Ensino Secundário Federal).
A
estes princípios físicos, psíquicos, sociais e materiais gerais se
acrescentam quatro princípios específicos dos exercícios físicos:
a)
Melhoramento dos resultados (de rendimento).
b)
Arte do movimento.
c)
Formação.
d)
Compensação.
A
– MELHORAMENTO DOS RESULTADOS (DE RENDIMENTO) OU DE PERFORMANCE
Procura-se
o rendimento máximo, isto é, o mais elevado rendimento (performance) accessível
ao indivíduo, sem prejudicar sua saúde ou o seu caráter. São exigidos
resultados físicos variados para o desenvolvimento da força muscular, da força
orgânica e melhoramento da coordenação nervosa. O valor físico que produz a
performance é de grande importância. O trabalho na escola deve ser proveitoso
a todos os alunos. A elevação do nível geral de aproveitamento (resultado)
tem pois, procedência ao treinamento individual.
Os
exercícios preferidos devem ser atividades práticas próximas da vida:
marchas, exercícios de inverno (patinação, ski, ludge= pequeno trenó),
competições ou jogos com regras simples, médias e difíceis, exercícios de
defesa pessoal (lutas), natação e os exercícios de base.
São
considerados exercícios de base as formas primitivas de atividades humanas:
marcha, corrida, salto, trepar, deslocamento em suspensão, atirar, empurrar,
levantar, carregar, lançar, etc...
Devem
ser cultivadas inicialmente as formas usuais simples destas atividades sendo
conduzidas gradualmente às formas desportivas tecnicamente escolhidas do
atletismo ligeiro ( corridas, saltos (altura e extensão) e lançamentos) e da
ginástica de aparelhos.
Nos
programas de estudos anuais, os professores devem fixar os aproveitamentos mínimos
adaptados às diversas idades, levando em conta o trabalho e a capacidade de
rendimento dos alunos, sobretudo apreciando seu empenho subjetivo.
B
– ARTE DO MOVIMENTO
Consideram-se
o jogo, como o movimento artístico tarefas essenciais da ginástica escolar.
Devem ser praticados os exercícios ginásticos simples e de dificuldade média
e ginástica de solo entre os rapazes e as moças. Entre as moças, os
movimentos rítmicos e as formas de dança tomam melhor lugar (danças populares
regionais) e se as circunstâncias permitirem, as moças devem ser conduzidas a
uma plástica pessoa e artística de movimentos.
A
modelagem, muito utilizada como forma prematura das artes dos movimentos, é
contrária aos princípios deste trabalho, devendo ser evitada nos exercícios
de ginástica escolar, por ser nociva
ao corpo mesmo que “agrade à vista”. Os objetivos dos exercícios e o
programa devem, neste domínio, ser
adaptados à juventude.
C
– FORMAÇÃO
Compreende-se
como o fato de conduzir para uma boa atitude, movimentos adequados. A idéia
diretriz está na execução adaptada ao corpo e às leis do movimento orgânico,
pessoal e de acordo com a circunstância que se denomina “forma natural de
movimento.” Na uniformização existe o perigo para a modelagem de atitude e
movimento.
Este
objetivo deve sofrer influência indireta, que poderá atingir numerosas experiências
de movimento passando pela formação consciente do movimento e da última forma
delicada e sutil da execução.
Os
três graus de formação do movimento são:
a)
reunião das experiências do movimento;
b)
formação comum (aplicação consciente);
c)
formação delicada (perfeição técnica e vitalização).
A
educação da forma consiste em despertar o sentimento, a compreensão, assim
como a vontade para realizá-la. O trabalho formativo serve ao aperfeiçoamento
da performance, mas repousa igualmente nos melhores fundamentos da arte do
movimento rítmico e dançante.
Iniciada
a formação do molejamento com as atividades práticas de base, passa
gradualmente à arte do movimento.
O
trabalho de formação não deve fazer mal, em qualquer que seja a idade, Porém
o tipo de exercício e o tempo de execução que lhe é reservado dependem da
idade e do sexo dos alunos.
D
– COMPENSAÇÃO
É
realmente necessária a organização de todo o ensino da Ginástica, para que
haja reação contra os perigos de um ensino unilateral, “ex-cathedre” e
contra a falta de movimento da juventude.
Abundância
de movimentos e trabalho com alegria e prazer devem ser os símbolos da Ginástica
Escolar.
É
importante que as condições de higiene (asseio, ar e sol) sejam indispensáveis
na ginástica e nas atividades dos campos de jogo. É necessária igualmente a
aplicação de exercícios especiais de compensação a fim de suprimir as
deficiências localizadas de constituição física. Procura-se estabelecer a
compensação no sentido preventivo.
a. Flexionamento (assouplissement) tendo em vista o melhoramento de fraca
possibilidade de movimento nas zonas articulares.
b. Fortalecimento localizado a fim de combater a deficiência muscular.
c. Relaxamento para suprimir as falsas tensões musculares geradas no movimento
( contrações convulsivas ou câimbras).
Este é um
sinal claro de que a Ginástica Natural Austríaca emprega para o trabalho
especial de compensação não somente “exercícios
de construídos” (sob forma escolar), mas também atribui grande importância
“aos problemas de movimento” – exercícios representados por
uma base concreta do caráter do movimento conjunto. Este princípio tem
sido alvo de inúmeras discussões mundiais, ainda em curso nos dias atuais.
A
Ginástica Escolar Austríaca , muitas vezes com justiça, é caracterizada pelo
termo “ginástica natural”. Esta expressão leva a numerosos erros de
interpretação. Assim, é necessário expor sobre os fundamentos teóricos e o
que se entende atualmente na Áustria o que é “Ginástica Natural”:
É
um “método de trabalho” de exercícios físicos baseados em dados biológicos,
culturais e sociais do ser humano e de seu meio, de acordo com as finalidades
que se propõe nos objetivos e nos métodos de ensino.
A
“Ginástica Natural” faz parte da natureza real da existência humana sendo,
pois, uma cultura física orientada segundo as leis da antropologia. Significa
em particular, que suas atividades fundamentam-se “de acordo com as leis da
evolução”, o que leva em consideração os dons naturais da evolução da
criança e do adolescente. Daí resulta o método natural de ensino.
Seu
método de trabalho é “funcional” porque o lugar e a comunidade da existência
do indivíduo são levados em consideração. Resulta do ensino adaptado ao meio
social. São atos e atividades adequados à juventude que constituem na educação
de base o tipo de exercícios prefixados.
São
altamente valorizados os lugares de treinamento sadio e próximo da natureza
(
espaços ao ar livre, quadras descobertas,
ginásios cobertos sadios e
amplos). O estilo de movimento é o
estilo “orgânico e natural”. Tendo como princípio o modo de vida sadio em
uma personalidade repleta em florescimento.
BIBLIOGRAFIA
ÁUSTRIA.
Governo Federal. (1955). Programas Comuns do Ensino Secundário Federal. Edição
austríaca. Viena.
DE
GENST, Henry. (1960). Histoire de L’Éducation Physique.
Bruxelles.
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