APRENDIZAGEM
Prof. Dr. Darcymires do Rego Barros
Considera-se
aprendizagem um conjunto de condições que provocam mudanças das capacidades
do ser humano. A aprendizagem está em total inter-relação com as inteligências
desenvolvendo novas estruturas cognitivas e psicomotoras.
Para Howard Gardner
As Destrezas Ou Habilidades Também São
Configuradas Como Inteligência Por Se Expressarem Por Meio Das Funções
Mentais De Forma Simbólica, Interatuando Em Determinadas Áreas Cerebrais.
A
aprendizagem do movimento ou aprendizagem psicomotora significa o acúmulo de
informações cognitivas e de movimentos no cérebro, implicando na atuação de
muitas células cerebrais em
variadas regiões do cérebro.
Todo processo
de aprendizagem somente é internalizado (assimilado) quando houver significado
e quando provocar mudanças significativas.
A
aprendizagem psicomotora na ginástica
rítmica tem como fator essencial o domínio das estratégias,
ou seja, os procedimentos pedagógicos adequados em cada nível de
desenvolvimento da ginasta, em que são utilizadas as praxias pedagógicas de
forma consciente, intencional e sensível.
A
educação física enriquecida pelas contribuições
das ciências da educação com os conceitos chaves: os sentidos, a mediação,
a diferenciação e a transversalidade, é
sinônimo de pedagogia das condutas psicomotoras ao nos referirmos à ciência
da educação psicomotora = psicomotricidade.
O
conceito de psicomotricidade ou educação
psicomotora engloba o comportamento psicomotor que se pode observar
concretamente nas corridas, fintas, passes, arremessos, equilíbrio e nos jogos,
etc.
Nesta
ótica, o desporto ou esporte – que reúne situações psicomotoras
institucionalizadas e codificadas sob forma de competição, pode ser
considerado uma sub-área da educação psicomotora.
O
desporto é um campo de atividades muito importante para a educação física,
além de existirem outras atividades como:
Os
jogos, as atividades psicomotoras tradicionais: - jogos tradicionais, atividades
rítmicas, danças folclóricas:
As
danças em geral,
A
expressão corporal
Os
exercícios de movimentos e postura
Os
exercícios de relaxamento.
A
educação física compreende também, outras atividades físicas que não
são especificamente desportivas tais como:
O
relaxamento, o alongamento ou “flexibilidade “(stretching), a ginástica
postural corretiva, a pantomima, etc.
Todas
estas atividades que consideramos como meios da educação física possuem
diferentes papéis, segundo os objetivos em vista, a idade, o sexo e os níveis
dos alunos.
A
palavra desporto apresenta
atualmente inúmeras significações que se torna impossível definí-la de
maneira precisa!!
O
ensino da educação física nas escolas é um fenômeno cultural
Como
o corpo evolui no decorrer do tempo e a sociedade de outra forma, existe uma
aceitação eminentemente cultural.
Tem
como objetivos:
Contribuir
para o desenvolvimento global da criança e adolescente por meio de ações
psicomotoras e das condutas psicomotoras.
educação
física é o elo do reencontro com a natureza – propriamente dita o
corpo/mente – e com a cultura e a educação.
Toda
arte do professor está em saber tirar
proveito da combinação natureza e cultura, sem colocar estes termos em oposição.
Estes
princípios também se aplicam ao
desporto associativo quanto aos aspectos de que tratam o treinamento e a competição.
O
desporto faz parte integrante da cultura da educação física e se propõe
a transmitir certos valores culturais, tais como:
Fair-play,
o desporto social que privilegia outros, tais como, o de “performance a todo o
custo.”
As
atividades físicas são as formas
de expressão de uma cultura, da história, de normas e de valores.
Apresenta-se
em cinco dimensões:
(I)
Dimensão psicomotora – em que solicita os processos sensório-motores
de apreciação das trajetórias e velocidades de deslocamentos do corpo
no espaço e suas adaptações espaço-temporais;
(II)
Dimensão cognitiva – que consiste na tomada de consciência e
integração de novos meios de ações.
A opção cognitivista procura otimizar a aprendizagem tornando possível a
identificar e resolver os problemas do momento. O domínio cognitivo resulta da
tomada de consciência que favorece a transferência da aprendizagem
para outras formas de aprendizagem
psicomotora;
(III)
Dimensão emocional – a aprendizagem centrada em objetivos,
procura fazer esquecer a vocação básica da ginástica rítmica que é de
suscitar emoções e expressividade. Os saltos e lançamentos e as habilidades
com os aparelhos estimulados pela música de forma bem adequada aos movimentos,
possibilitam sensações que são as maiores
provedoras de emoções.
(IV)
Dimensão sócio-cultural – traduzida pelo engajamento
psicomotor, notadamente nas ações
realizadas no espaço pré-determinado, respeitando as regras do código de
pontuação nas diferentes formas de deslocamento
e manipulações do aparelho, respeitando as normas sócio-culturais;
(V)
Dimensão sócio-relacional – baseada nas mudanças de
comportamento e no relacionamento interpessoal da ginasta em estreita integração
com o treinador, a família, os juizes e o público envolvente.
O Grameyer
Award – universidade de Louisville -
denominou como modelo alostérico -
um novo modelo de aprendizagem apresentado por André Giordan, diretor do
laboratório de didática e epistemologia das ciências da universidade de Géneve.
Para ele, aprender não é receber, é transformar
as idéias.
O modelo
alostérico procura desenvolver
os instrumentos para a formação de professores, mediadores, jornalistas científicos,
engenheiros, enfermeiros e médicos. Suas
pesquisas atuais se baseiam principalmente na comunicação, educação e
cultura, científicas e industriais, particularmente
sobre os mecanismos de difusão de mensagens e de elaboração do
saber/fazer.
Os modelos
construtivistas, baseados na idéia de que o aluno constrói necessariamente o
seu saber, é muito frustrante, muito fechado, segundo André giordan.
Para
realizar uma aprendizagem, não existe apenas uma via possível.
Por exemplo: para aprender a programar um gravador, pode-se escutar um
vendedor, imitar as ações de um companheiro, ler as notas do catálogo,
aprender por si mesmo ou questionar um especialista.
Numa
aprendizagem de conhecimento científico, pode-se olhar um vídeo, trabalhar em
grupo, documentar-se, elaborar as hipóteses e testá-las.
Para
certas atividades como aquelas da educação física e desportos, a aprendizagem
deve ser exercida pelo caminho dos ensaios e erros, demonstração da prática
inadequada, interrogação sobre seu gesto ou ainda recuar para imaginar uma
outra forma de fazer.
Todas
estas práticas são necessárias para a aprendizagem e são por sua vez,
complementares e conflituosas.
O que
determina a aprendizagem de um conceito ou de um fazer, é antes de tudo, uma
rede de informações externas interpretadas pela estrutura do pensamento de um
indivíduo, em função de suas experiências passadas e de seu projeto atual.
Os
instrumentos, tais como, as metáforas, as analogias, um esquema, um
conceitograma ou a manipulação de um objeto, facilitam
esta compreensão. Com eles mede-se o papel primordial do aprender.
O ser
humano é o verdadeiro autor de sua formação e, não somente o ator.
Entretanto, ele não aprende tudo sozinho.
O meio ambiente educativo apresenta, neste processo, um papel
extremamente importante. Seus conhecimentos progridem quando as interações
fecundam e colocam-se entre as atividades mentais (não somente cognitivas no
caso das aprendizagens (psico) motoras (?) E um contexto “suporte”.
O
contexto, (por muita vez estimula e permite a mobilização dar uma significação
ao processo).
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Apreender um
novo saber é integrar uma estrutura do pensamento (ou de fazer) colocando-o no
lugar que o rejeita.
Portanto, são
através de conhecimentos próprios, anteriores à situação educativa ou
cultural, mas que é capaz de mobilizar aqueles que aprendem.
Ser capaz de recolher, tirar
e decodificar os dados novos, eventualmente
confrontá-los. Mas para a aprendizagem fundamental, esta estrutura
impede de aprender se ela não for desfeita.
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Aprende-se a
destruir ao mesmo tempo que se
constrói outra coisa; e abandona sua concepção inicial, que uma vez a nova
estrutura e coloca sob teste para sua eficácia.
É, sobretudo
uma transformação quando se trata de uma simples construção. Uma transformação
faz-se a partir da integração e não assimilação de abordagens externas
interpretadas por uma estrutura interna, considerada como estrutura do
pensamento de aprender.
Esta última,
através do processo de organização (reorganização) e de regulação
progressiva metamorfoseia-se.
A emergência
de novos saberes ou de novos fazeres – que preferimos denominar de elaboração
– não é elemento que leve à aprendizagem.
A
aprendizagem depende fortemente de um contexto, ela é sempre realizada num meio
ambiente sócio-cultural. Os sentimentos, os desejos, as paixões
eventuais têm um papel estratégico no ato de aprender. O professor deve
diversificar ao máximo seus argumentos e jamais se limitar a um só pensamento
apresentado de forma rápida e
sucinta.
O
aprender é um fenômeno complexo não sendo redutível
a um só modelo. Para aprender uma tarefa ou um consigne é suficiente
procurar entender. Mas, trocar sua concepção do mundo torna-se impossível,
uma vez que as resistências do pensamento são numerosas! Aprender não é somente uma parte de prazer, pode-se passar
por situações bem paradoxais e muito desagradáveis.
Bibliografia
Gardner,
howard. (1998).Inteligências múltiplas. Porto alegre. Artes médicas.
giordan,
andré. (1999). Apprendre! Lyon. Ufr Staps de Lyon.
______________.(1999).
Ep.s
Interroge un didactien André Giordan
in
‘revue éducation physique et sports, n.# 279.set\ptembre/octobre. Paris. Éditions
éducation physique.