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APRENDIZAGEM

Prof. Dr. Darcymires do Rego Barros

Considera-se aprendizagem um conjunto de condições que provocam mudanças das capacidades do ser humano.  A aprendizagem está em total inter-relação com as inteligências desenvolvendo novas estruturas cognitivas e psicomotoras.

Para Howard Gardner o ser humano possui ao menos sete (7) formas de inteligência: (i) inteligência lingüística; (ii) inteligência lógico-matemática; (iii) inteligência espacial (espaço-temporal); (iv) inteligência musical (rítmico-Musical); (V) Inteligência Corporal Cinestésica; (Vi) Inteligência Interpessoal; (Vii) Inteligência Intrapessoal.

As Destrezas Ou Habilidades Também São Configuradas Como Inteligência Por Se Expressarem Por Meio Das Funções Mentais De Forma Simbólica, Interatuando Em Determinadas Áreas Cerebrais.

A aprendizagem do movimento ou aprendizagem psicomotora significa o acúmulo de informações cognitivas e de movimentos no cérebro, implicando na atuação de muitas células cerebrais  em variadas regiões do cérebro.

Todo processo de aprendizagem somente é internalizado (assimilado) quando houver significado e quando provocar mudanças significativas.

A aprendizagem psicomotora  na ginástica rítmica tem como fator essencial o domínio das estratégias,  ou seja, os procedimentos pedagógicos adequados em cada nível de desenvolvimento da ginasta, em que são utilizadas as praxias pedagógicas de forma consciente, intencional e sensível.

A educação física enriquecida pelas contribuições  das ciências da educação com os conceitos chaves: os sentidos, a mediação, a diferenciação e  a transversalidade,  é sinônimo de pedagogia das condutas psicomotoras ao nos referirmos à ciência da educação psicomotora = psicomotricidade.

O conceito de psicomotricidade ou educação  psicomotora engloba o comportamento psicomotor que se pode observar concretamente nas corridas, fintas, passes, arremessos, equilíbrio e nos jogos,  etc.

Nesta ótica, o desporto ou esporte – que reúne situações psicomotoras institucionalizadas e codificadas sob forma de competição, pode ser considerado uma sub-área da educação psicomotora.

O desporto é um campo de atividades muito importante para a educação física, além de existirem outras atividades como:

Os jogos, as atividades psicomotoras tradicionais: - jogos tradicionais, atividades rítmicas, danças folclóricas:  

As danças em geral,

A expressão corporal

Os exercícios de movimentos e postura

Os exercícios de relaxamento.

A  educação física compreende também, outras atividades físicas que não são especificamente desportivas tais como:

O relaxamento, o alongamento ou “flexibilidade “(stretching), a ginástica postural corretiva, a pantomima, etc.

Todas estas atividades que consideramos como meios da educação física possuem diferentes papéis, segundo os objetivos em vista, a idade, o sexo e os níveis dos alunos.

A palavra desporto  apresenta atualmente inúmeras significações que se torna impossível definí-la de maneira precisa!!

O ensino da educação física nas escolas é um fenômeno cultural

Como o corpo evolui no decorrer do tempo e a sociedade de outra forma, existe uma aceitação eminentemente cultural.

Tem como objetivos:

Contribuir para o desenvolvimento global da criança e adolescente por meio de ações psicomotoras e das condutas psicomotoras.

educação física é o elo do reencontro com a natureza – propriamente dita o corpo/mente – e com a cultura e a educação.

Toda arte do professor está em saber  tirar proveito da combinação natureza e cultura, sem colocar estes termos em oposição.

Estes princípios também se aplicam  ao desporto associativo quanto aos aspectos de que tratam o treinamento e a competição.

O  desporto faz parte integrante da cultura da educação física e se propõe a transmitir certos valores culturais, tais como:

Fair-play, o desporto social que privilegia outros, tais como, o de “performance a todo o custo.”

As atividades físicas são  as formas de expressão de uma cultura, da história, de normas e de valores.

 Apresenta-se em cinco dimensões:

(I)                  Dimensão psicomotora – em que solicita os processos sensório-motores  de apreciação das trajetórias e velocidades de deslocamentos do corpo no espaço e suas adaptações espaço-temporais;

(II)                Dimensão cognitiva – que consiste na tomada de consciência e integração  de novos meios de ações. A opção cognitivista procura otimizar a aprendizagem tornando possível a identificar e resolver os problemas do momento. O domínio cognitivo resulta da tomada de consciência que favorece a transferência da aprendizagem  para outras formas de  aprendizagem psicomotora;

(III)               Dimensão emocional – a aprendizagem centrada em objetivos, procura fazer esquecer a vocação básica da ginástica rítmica que é de suscitar emoções e expressividade. Os saltos e lançamentos e as habilidades com os aparelhos estimulados pela música de forma bem adequada aos movimentos, possibilitam sensações que são as  maiores provedoras de emoções.

(IV)            Dimensão sócio-cultural – traduzida pelo engajamento psicomotor, notadamente  nas ações realizadas no espaço pré-determinado, respeitando as regras do código de pontuação nas diferentes formas de  deslocamento e manipulações do aparelho, respeitando as normas sócio-culturais;

(V)              Dimensão sócio-relacional – baseada nas mudanças de comportamento e no relacionamento interpessoal da ginasta em estreita integração com o treinador, a família, os juizes e o público envolvente. 

 

O modelo alostérico

O Grameyer Award – universidade de Louisville -   denominou como modelo alostérico -  um novo modelo de aprendizagem apresentado por André Giordan, diretor do laboratório de didática e epistemologia das ciências da universidade de Géneve. Para ele, aprender não é receber, é transformar  as idéias. 

O modelo alostérico  procura desenvolver os instrumentos para a formação de professores, mediadores, jornalistas científicos, engenheiros, enfermeiros e médicos.  Suas pesquisas atuais se baseiam principalmente na comunicação, educação e cultura, científicas e industriais, particularmente  sobre os mecanismos de difusão de mensagens e de elaboração do saber/fazer.

Os modelos construtivistas, baseados na idéia de que o aluno constrói necessariamente o seu saber, é muito frustrante, muito fechado, segundo André giordan.

 Para realizar uma aprendizagem, não existe apenas uma via possível.  Por exemplo: para aprender a programar um gravador, pode-se escutar um vendedor, imitar as ações de um companheiro, ler as notas do catálogo, aprender por si mesmo ou questionar um especialista.

 Numa aprendizagem de conhecimento científico, pode-se olhar um vídeo, trabalhar em grupo, documentar-se, elaborar as hipóteses e testá-las.

 Para certas atividades como aquelas da educação física e desportos, a aprendizagem deve ser exercida pelo caminho dos ensaios e erros, demonstração da prática inadequada, interrogação sobre seu gesto ou ainda recuar para imaginar uma outra forma de fazer. 

 Todas estas práticas são necessárias para a aprendizagem e são por sua vez, complementares e conflituosas.

 O que determina a aprendizagem de um conceito ou de um fazer, é antes de tudo, uma rede de informações externas interpretadas pela estrutura do pensamento de um indivíduo, em função de suas experiências passadas e de seu projeto atual.

 Os instrumentos, tais como, as metáforas, as analogias, um esquema, um conceitograma ou a manipulação de um objeto, facilitam  esta compreensão. Com eles mede-se o papel primordial do aprender.

 O ser humano é o verdadeiro autor de sua formação e, não somente o ator.  Entretanto, ele não aprende tudo sozinho.  O meio ambiente educativo apresenta, neste processo, um papel extremamente importante. Seus conhecimentos progridem quando as interações fecundam e colocam-se entre as atividades mentais (não somente cognitivas no caso das aprendizagens (psico) motoras (?) E um contexto “suporte”.

 O contexto, (por muita vez estimula e permite a mobilização dar uma significação ao processo).

  • Aprender não é somente acrescentar

  • Novas informações ou realizar

  • Um gesto e movimento a mais.

Apreender um novo saber é integrar uma estrutura do pensamento (ou de fazer) colocando-o no lugar que o rejeita.

Portanto, são através de conhecimentos próprios, anteriores à situação educativa ou cultural, mas que é capaz de mobilizar aqueles que aprendem.  Ser capaz  de recolher, tirar e decodificar os dados novos, eventualmente  confrontá-los. Mas para a aprendizagem fundamental, esta estrutura impede de aprender se ela não for  desfeita.

  • Para aprender é preciso primeiro destruir a fim de  construir!!

Aprende-se a destruir  ao mesmo tempo que se constrói outra coisa; e abandona sua concepção inicial, que uma vez a nova estrutura e coloca sob teste para sua eficácia.

É, sobretudo uma transformação quando se trata de uma simples construção. Uma transformação faz-se a partir da integração e não assimilação de abordagens externas interpretadas por uma estrutura interna, considerada como estrutura do pensamento de aprender.

Esta última, através do processo de organização (reorganização) e de regulação progressiva  metamorfoseia-se.

A emergência de novos saberes ou de novos fazeres – que preferimos denominar de elaboração – não é elemento que leve à aprendizagem.

A aprendizagem depende fortemente de um contexto, ela é sempre realizada num meio ambiente sócio-cultural. Os sentimentos, os desejos, as paixões  eventuais têm um papel estratégico no ato de aprender. O professor deve diversificar ao máximo seus argumentos e jamais se limitar a um só pensamento apresentado  de forma rápida e sucinta.

O aprender é um fenômeno complexo não sendo redutível  a um só modelo. Para aprender uma tarefa ou um consigne é suficiente procurar entender. Mas, trocar sua concepção do mundo torna-se impossível, uma vez que as resistências do pensamento são numerosas!  Aprender não é somente uma parte de prazer, pode-se passar por situações bem paradoxais e muito desagradáveis.


Bibliografia

Gardner, howard. (1998).Inteligências múltiplas. Porto alegre. Artes médicas.

giordan, andré. (1999). Apprendre! Lyon. Ufr Staps de Lyon.

______________.(1999). Ep.s Interroge un didactien André Giordan      in ‘revue éducation physique et sports, n.# 279.set\ptembre/octobre. Paris. Éditions éducation physique.


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