A  Mão

 

Prof. Dr. Darcymires do Rêgo Barros

Especialização em Neurofisiologia da Motricidade

 

A mão é por excelência a sede da sensibilidade superficial e de suas modalidades tátil, térmica e álgica. Quanto a palma da mão e da face palmar dos dedos, os corpúsculos do tato são bem mais  numerosos do que todos os outros. Na epiderme encontram-se os receptores táteis. Os discos de Merket são componentes de uma terminação nervosa laminada, em forma de disco ou de cúpula,  onde a concavidade  é fechada por uma célula.

 

As terminações livres ramificadas e os corpúsculos de Meissner, organitos encapsulados por  espirais sensíveis ao toque, são particularmente numerosas na  palma da mão, na planta dos  pés e nos órgãos genitais.

 

Os organitos são corpos organizados de forma regular, incapazes de reprodução, tais como, os glóbulos do sangue, os grânulos de amido, os espermatozóides.  Dentro da derme estão os receptores térmicos.

 

A sensibilidade térmica é bem rudimentar entre os seres humanos. Ela não intervém senão em situações extremas, enquanto entre certas espécies animais, possui importante papel.  As sensações  de calor e de frio são recolhidos por organitos distintos: os receptores de frio que seriam os corpúsculos  de  Krause  e os  receptores  de  calor,  os corpúsculos de Ruffini.

 

Os receptores de pressão encontram-se na hipoderme, formados por pequenos corpúsculos de Golgi-Mazzoni que percebem as pressões suaves e ligeiras, enquanto os grandes corpúsculos, no bulbo de Pacini, exercem fortes pressões.

 

A atribuição de um modo particular de sensibilidade em cada tipo de receptor,  é clássico no entanto, bem excessivo. Os corpúsculos de Meissner, Ruffini, Krause encontram-se exclusivamente na face palmar dos dedos e das mãos, da face plantar dos artelhos e dos pés e em nível de certas junções cutâneo-mucosas da face e do períneo.


Isto não impede que outras regiões tenham terminações livres, como os complexos de Merkel,  serem  sensíveis  ao tato, à temperatura  e à dor.

 

Admite-se atualmente, que cada tipo de receptor possui,  um limiar particularmente baixo para um dado tipo de estímulo sensitivo, embora não haja exclusividade, como o tato para os corpúsculos de Meissner, os complexos de Merkel; como o calor para os corpúsculos de Ruffini, o frio para os corpúsculos de Krause, pressão e vibrações para os corpúsculos de Pacini e as informações dolorosas para as terminações livres.

 

Sua  delicadeza e  precisão dependem menos da  qualidade do que de sua intensidade de estímulo e das capacidades de integração e análise dos centros.

 

A densidade dos diferentes pontos de sensibilidade, tato, temperatura e dor sobre a pele, varia de acordo com a região. Existem cerca de 2.000 terminações nervosas por milímetro quadrado na polpa dos dedos.

 

Um ou mais tipos de ponto podem falhar, como a úvula que não é local fixo e determinado de calor ou de frio. Existe uma região da face que não sente a picada e o frio.  A extremidade do pênis é ponto de calor, mas não é de frio.

 

As cristas epidérmicas da polpa dos dedos denominadas de impressões digitais são utilizadas para identificar as pessoas. É calculado que em 17 bilhões de pessoas, somente duas podem apresentar impressões digitais semelhantes. Elas constituem uma perfeição tátil, porque possuem rica  inervação e asseguram melhor adesão à superfície tocada, como os desenhos dos pneus de  automóveis.

 

A mão é também um órgão de sensibilidade profunda. Numerosos receptores sensitivos, situados nas peças esqueléticas, nas articulações, nas  aponeuroses, nos músculos e nos tendões, fornecem continuamente informações sobre a posição das mãos, sobre seus menores deslocamentos. Eles são indispensáveis para a coordenação de seus movimentos.

 

A preensão não seria precisa, adaptada, automática, sem as informações recebidas  de forma exteroceptiva quanto proprioceptiva. A palpação que associa a sensação e a ação permite a obtenção de melhor conhecimento, sobretudo em pessoas com problemas de visão.

 

Gomes (1998) afirma ser “a utilização das mãos um ato sensitivo, médium, magnetizador, bio-energizador desde que a pessoa faça uso  das mãos com o objetivo de proporcionar ao próximo melhoria de seu sofrimento ou cura.”

Para ele, essa prática era utilizada pelos magos da Caldéia, abrangendo os povos do Egito e Índia. Jesus Cristo realizou curas em peregrinação pela Palestina, observando-se que os judeus também fizeram uso dessa prática por muitos anos.

 

 


OS CENTROS DA PERCEPÇÃO

 

Os receptores transmitem sensações aos primeiros neurônios - também denominados de protoneurônios -  que se encontram nos gânglios dos nervos e onde os axônios penetram no sistema nervoso central ou quando eles são religados pelos segundos neurônios ou seja, os deutoneurônios.

 

Os deutoneurônios da sensibilidade da mão estão situados na medula cervical. Eles constituem:

 

a) um ponto de concentração, para cada concentração de estímulos dos muitos protoneurônios  vindos não somente do membro superior, mas também do território visceral. Esta disposição explica o fenômeno da dor à distância, onde o exemplo mais conhecido é a dor de origem cardíaca projetada não somente na região précordial, mas também no bordo interno do membro superior;

 

b) o ponto de reencontro de duas vias sensitivas com funções diferentes. Uma rápida, com um pouco de relais sinático que transporta uma informação precisa.  A outra lenta, polissinática. É um dispositivo de alarme que transporta a sensibilidade de natureza noceoceptiva. O primeiro sistema tem um papel inibidor sobre o segundo; sua estimulação atenua toda sensação dolorosa. As mensagens noceoceptivas passam do protoneurônio ao deutoneurônio de forma intensa e durável.

 

A ação inibidora da dor e sua transmissão bem rápida do primeiro sistema são ilustradas pelas seguintes constatações: a estimulação elétrica dos nervos tem um efeito antálgico; a neuroestimulação transcutânea atenua as numerosas dores.

As áreas corticais primárias ou somatosensitivas e as secundárias ou somatopsíquicas da sensibilidade da mão estão situadas na circunvolução cerebral denominada parietal ascendente.

A extensão da representação da sensibilidade cutânea sobre a crosta cerebral corresponde à importância funcional e não anatômica dos territórios: a mão e, sobretudo o polegar e o indicador atuam na superfície cortical superior, do tronco e dos membros superiores.

 


         Antes é necessário estabelecer a distinção entre sensação e  percepção. Os sentidos nos dão a sensação. A percepção é a consciência de uma sensação. Portanto, um órgão do sentido nunca percebe, mas "sente".

Muitas vezes passamos por uma rua e de repente dizemos: "Como é que nunca vi esta árvore?  Na verdade viu toda vez que passou por ela, mas até esse momento, você não a tinha  percebido !

Essa distinção é importante para depois se entender o caminho da experiência.

 

O esquema corporal é uma representação global e única do corpo, provavelmente situado no córtex parietal, que governa a organização da postura e da coordenação.  A postura e os movimentos são controlados a partir da percepção do conjunto do corpo e esta percepção é organizada pelo cérebro, em sua totalidade, a unidade do próprio corpo e de suas relações com o meio ambiente.

 

Todo conhecimento deriva da percepção de excitantes sensoriais que penetra  no cérebro de uma forma global, por meio dos órgãos dos sentidos, com sua característica específica dominante.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

GOMES, Azuhyl. (1998). O uso das mãos na cura das doenças. Rio de Janeiro. Jornal Rio de Luz. Igreja Messiânica Mundial do Rio de Janeiro.

 

RIGAL, Robert. (1987). Motricidad Humana: fundamentos  y aplicaciones pedagógicas. Madrid. Ed. Pila Teleña.


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