Especialização em
Neurofisiologia da Motricidade
A
mão é por excelência a sede da sensibilidade superficial e de suas
modalidades tátil, térmica e álgica. Quanto a palma da mão e da face palmar
dos dedos, os corpúsculos do tato são bem mais
numerosos do que todos os outros. Na epiderme encontram-se os receptores
táteis. Os discos de Merket são componentes de uma terminação nervosa
laminada, em forma de disco ou de cúpula,
onde a concavidade é
fechada por uma célula.
As
terminações livres ramificadas e os corpúsculos de Meissner, organitos
encapsulados por espirais sensíveis
ao toque, são particularmente numerosas na
palma da mão, na planta dos pés
e nos órgãos genitais.
Os
organitos são corpos organizados de forma regular, incapazes de reprodução,
tais como, os glóbulos do sangue, os grânulos de amido, os espermatozóides. Dentro da derme estão os receptores térmicos.
A
sensibilidade térmica é bem rudimentar entre os seres humanos. Ela não intervém
senão em situações extremas, enquanto entre certas espécies animais, possui
importante papel. As sensações de calor e de frio são recolhidos por organitos distintos:
os receptores de frio que seriam os corpúsculos
de Krause
e os receptores
de calor,
os corpúsculos de Ruffini.
Os
receptores de pressão encontram-se na hipoderme, formados por pequenos corpúsculos
de Golgi-Mazzoni que percebem as pressões suaves e ligeiras, enquanto os
grandes corpúsculos, no bulbo de Pacini, exercem fortes pressões.
A
atribuição de um modo particular de sensibilidade em cada tipo de receptor, é clássico no entanto, bem excessivo. Os corpúsculos de
Meissner, Ruffini, Krause encontram-se exclusivamente na face palmar dos dedos e
das mãos, da face plantar dos artelhos e dos pés e em nível de certas junções
cutâneo-mucosas da face e do períneo.
Isto
não impede que outras regiões tenham terminações livres, como os complexos
de Merkel, serem
sensíveis ao tato, à
temperatura e à dor.
Admite-se
atualmente, que cada tipo de receptor possui,
um limiar particularmente baixo para um dado tipo de estímulo sensitivo,
embora não haja exclusividade, como o tato para os corpúsculos de Meissner, os
complexos de Merkel; como o calor para os corpúsculos de Ruffini, o frio para
os corpúsculos de Krause, pressão e vibrações para os corpúsculos de Pacini
e as informações dolorosas para as terminações livres.
Sua delicadeza e precisão
dependem menos da qualidade do que
de sua intensidade de estímulo e das capacidades de integração e análise dos
centros.
A
densidade dos diferentes pontos de sensibilidade, tato, temperatura e dor sobre
a pele, varia de acordo com a região. Existem cerca de 2.000 terminações
nervosas por milímetro quadrado na polpa dos dedos.
Um
ou mais tipos de ponto podem falhar, como a úvula que não é local fixo e
determinado de calor ou de frio. Existe uma região da face que não sente a
picada e o frio. A extremidade do pênis
é ponto de calor, mas não é de frio.
As
cristas epidérmicas da polpa dos dedos denominadas de impressões digitais são
utilizadas para identificar as pessoas. É calculado que em 17 bilhões de
pessoas, somente duas podem apresentar impressões digitais semelhantes. Elas
constituem uma perfeição tátil, porque possuem rica
inervação e asseguram melhor adesão à superfície tocada, como os
desenhos dos pneus de automóveis.
A
mão é também um órgão de sensibilidade profunda. Numerosos receptores
sensitivos, situados nas peças esqueléticas, nas articulações, nas
aponeuroses, nos músculos e nos tendões, fornecem continuamente informações
sobre a posição das mãos, sobre seus menores deslocamentos. Eles são
indispensáveis para a coordenação de seus movimentos.
A
preensão não seria precisa, adaptada, automática, sem as informações
recebidas de forma exteroceptiva quanto proprioceptiva. A palpação
que associa a sensação e a ação permite a obtenção de melhor conhecimento,
sobretudo em pessoas com problemas de visão.
Gomes
(1998) afirma ser “a utilização das mãos um ato sensitivo, médium,
magnetizador, bio-energizador desde que a pessoa faça uso
das mãos com o objetivo de proporcionar ao próximo melhoria de seu
sofrimento ou cura.”
Para
ele, essa prática era utilizada pelos magos da Caldéia, abrangendo os povos do
Egito e Índia. Jesus Cristo realizou curas em peregrinação pela Palestina,
observando-se que os judeus também fizeram uso dessa prática por muitos anos.
OS
CENTROS DA PERCEPÇÃO
Os
receptores transmitem sensações aos primeiros neurônios - também denominados
de protoneurônios - que se
encontram nos gânglios dos nervos e onde os axônios penetram no sistema
nervoso central ou quando eles são religados pelos segundos neurônios ou seja,
os deutoneurônios.
Os
deutoneurônios da sensibilidade da mão estão situados na medula cervical.
Eles constituem:
a)
um ponto de concentração, para cada concentração de estímulos dos muitos
protoneurônios vindos não somente
do membro superior, mas também do território visceral. Esta disposição
explica o fenômeno da dor à distância, onde o exemplo mais conhecido é a dor
de origem cardíaca projetada não somente na região précordial, mas também
no bordo interno do membro superior;
b)
o ponto de reencontro de duas vias sensitivas com funções diferentes. Uma rápida,
com um pouco de relais sinático que transporta uma informação precisa.
A outra lenta, polissinática. É um dispositivo de alarme que transporta
a sensibilidade de natureza noceoceptiva. O primeiro sistema tem um papel
inibidor sobre o segundo; sua estimulação atenua toda sensação dolorosa. As
mensagens noceoceptivas passam do protoneurônio ao deutoneurônio de forma
intensa e durável.
A
ação inibidora da dor e sua transmissão bem rápida do primeiro sistema são
ilustradas pelas seguintes constatações: a estimulação elétrica dos nervos
tem um efeito antálgico; a neuroestimulação transcutânea atenua as numerosas
dores.
As
áreas corticais primárias ou somatosensitivas e as secundárias ou somatopsíquicas
da sensibilidade da mão estão situadas na circunvolução cerebral denominada
parietal ascendente.
A
extensão da representação da sensibilidade cutânea sobre a crosta cerebral
corresponde à importância funcional e não anatômica dos territórios: a mão
e, sobretudo o polegar e o indicador atuam na superfície cortical superior, do
tronco e dos membros superiores.
Antes
é necessário estabelecer a distinção entre sensação e percepção. Os sentidos nos dão a sensação. A percepção
é a consciência de uma sensação. Portanto, um órgão do sentido nunca
percebe, mas "sente".
Muitas
vezes passamos por uma rua e de repente dizemos: "Como é que nunca vi esta
árvore? Na verdade viu toda vez
que passou por ela, mas até esse momento, você não a tinha
percebido !
Essa distinção é importante para depois
se entender o caminho da experiência.
O
esquema corporal é uma representação global e única do corpo, provavelmente
situado no córtex parietal, que governa a organização da postura e da
coordenação. A postura e os
movimentos são controlados a partir da percepção do conjunto do corpo e esta
percepção é organizada pelo cérebro, em sua totalidade, a unidade do próprio
corpo e de suas relações com o meio ambiente.
Todo
conhecimento deriva da percepção de excitantes sensoriais que penetra
no cérebro de uma forma global, por meio dos órgãos dos sentidos, com
sua característica específica dominante.
BIBLIOGRAFIA
GOMES,
Azuhyl. (1998). O uso das mãos na cura
das doenças. Rio de Janeiro. Jornal Rio de Luz. Igreja Messiânica Mundial
do Rio de Janeiro.
RIGAL,
Robert. (1987). Motricidad Humana: fundamentos
y aplicaciones pedagógicas. Madrid. Ed. Pila Teleña.