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Revista Eletrônica
INFORMATIVO G.R.D. ANO IV - Edição 09 - Jan a
Jun/2004 |
O papel da Educação Física Escolar, sobretudo na Educação Infantil e
no Ensino Fundamental e Médio, é estabelecer o elo entre a educação
informal, ditada pela família, meio ambiente e educação formal determinada
pela Escola.
Considera-se educação
formal o conjunto de atividades ministradas no currículo escolar, enquanto a
educação não-formal são as
atividades realizadas na Escola - porém
fora do currículo escolar - também
denominadas de atividades extra classes. A educação informal, como educação
paralela, é transmitida por pais, amigos e familiares. Embora alguns aspectos
formais sejam utilizados constantemente pela família, sua transmissão é
considerada informal.
Analisada sob esses três componentes do ato educativo, a Educação Física
Escolar requer a abordagem interdisciplinar
no processo de aprendizagem, no sentido de formar um conjunto de relações de
forças desenvolvidas no quadro sócio-educacional, ordenado e valorizado.
Há necessidade de preparação em certa estratégia que permita uma
abordagem fundamentada no meio ambiente externo, nos relacionamentos
interpessoais e na vivência corporal.
A abordagem contingencial na Educação Física Escolar, situa-se na
identificação das variáveis que produzem maior impacto sobre a aprendizagem,
uma vez que o ambiente externo, traduzido pelas influências da família, dos
meios de comunicação e relacionamento
interpessoal entre os amiguinhos fora e dentro da Escola, exercem poderosa influência
no processo de aprendizagem.
Contingência
significa o que pode ou não suceder, algo incerto. Refere-se, em lógica, a
...“uma proposição cuja verdade ou falsidade somente pode ser
conhecida pela experiência e não pela razão.”
Segundo Chiavenato (1980)...”a abordagem contingencial evidencia que
não se atinge a eficácia organizacional, ou seja, não existe uma forma única
que seja a melhor para organizar, com o fim de se alcançarem os objetivos
altamente variados da organização”...
O que caracteriza a abordagem contingencial é ser
ela de natureza sistêmica. É um sistema aberto e as variáveis apresentam um
complexo inter-relacionamento entre si e com o meio ambiente. Diferentes
ambientes requerem relações interpessoais a fim de
se obter uma ótima efetividade.
Enfatizando a natureza multivariada das pessoas, a visão contingencial considera não existir nada de absoluto no comportamento humano. Tudo é relativo. Existe uma relação funcional entre as condições do ambiente, as respostas interdependentes dos alunos, os procedimentos do professor, etc. Ao invés de uma relação de “causa e efeito”, a relação funcional tem uma característica de “se “ e “então”.
A
formação do Esquema Corporal que é a imagem do próprio corpo, tomada como
base as vivências espaciais do corpo, é realizada por meio das sensações,
movimento e linguagem. Estas, por sua vez, são interpretadas por elementos
estimuladores como o som
(a
fala), a luz, as cores e os movimentos.
O
esquema corporal é uma representação global e única do corpo. Provavelmente
situado no córtex parietal, governa
a organização da postura e da coordenação.
A postura e os movimentos são controlados a partir da percepção do
conjunto do corpo e esta percepção é organizada pelo cérebro,
em sua totalidade, a unidade do próprio corpo e de suas relações com o
meio ambiente
As
sensações representam o conjunto de estímulos perceptivos recebidos pelos órgãos
dos sentidos. A unidade complexa das sensações é denominada percepção. De
acordo com sua função sensitiva, as sensações podem ser classificadas,
segundo Rudolf Steiner em 12 sentidos.
Ao agrupar os sentidos, Steiner procura
estabelecer sua ligação com o QUERER, SENTIR e PENSAR.
Para
Rudolf Steiner, pode-se distinguir 12 sentidos humanos. Admite ele que os cinco
sentidos usuais devem ser acrescidos de mais sete sentidos, tão legítimos
quantos os supracitados.
O
sentido do tato é a forma mais materializada de o ser humano relacionar-se com
o mundo exterior pela parte interior da pele, dentro do corpo.O sentido tátil não
é igual ao sentido do calor; diferem totalmente um dos outro. Através do tato
percebe-se se algo é mole ou duro,
áspero ou liso, pesado ou leve, grande ou pequeno. Quanto ao sentido térmico,
está relacionado com a temperatura interna de nosso corpo ou
externa do meio ambiente que irá refletir sobre o nosso corpo.
É
necessário estabelecer a distinção entre sensação
e percepção. Os sentidos
nos dão a sensação. A percepção é a consciência de uma sensação.
Portanto, um órgão do sentido nunca percebe,
"sente"!
Muitas
vezes passamos por uma rua e de repente dizemos: "Como é que nunca vi esta
árvore ? Na verdade você viu toda
vez que passou por ela, mas até esse momento
não a tinha percebido
!
Essa distinção é importante para depois entender-se o caminho da
experiência.
A percepção processa-se
na pessoa ou no organismo regido pela excitação dos receptores sensoriais. É
influenciada por outros fatores decorrentes da história vital do organismo.
O
sentido do movimento é o sexto sentido, denominado por Steiner de sinestésico.
Não está somente ligado a um
dos receptores de um dos órgãos
sensoriais como a visão, a audição, o tato, o paladar e o olfato.
Os
receptores sensoriais musculares e articulares controlam os movimentos das
partes do corpo e proporcionam o sentido
da posição e a velocidade dos gestos e movimentos. Os receptores
sensoriais da força nas articulações dão o sentido da força combinada com
os comandos motores que propiciam o sentido
do esforço.
Os
receptores vestibulares possibilitam o domínio dos movimentos da cabeça graças
aos canais semicirculares que controlam as rotações e aos órgãos do equilíbrio
da orelha interna (otolithes), que por sua vez orientam os movimentos de translação
e inclinação da cabeça em relação à gravidade integrada à visão. É a
cooperação de todos esses receptores sensoriais que constituem o sentido do movimento.
A cooperação entre os sensores é permanente. As informações visuais e vestibulares se completam para restituir o deslocamento da cabeça no espaço. Ao iniciar o movimento, os captores (sensores) vestibulares respondem bem rápido, porque eles detectam a gravidade, a informação tátil da planta dos pés, assim como os conhecimentos internos que o cérebro tem da direção do eixo do corpo, além da aceleração, mas que cessa de assinalar o movimento desde que apresente uma velocidade constante. As informações visuais e vestibulares sobre o movimento fusionam em muitos lugares do cérebro: os núcleos vestibulares, o tálamo, o córtex parietal, o córtex insular, o córtex frontal, etc. Isto permite explicar as propriedades inesperadas de certos neurônios. Os neurônios da direção da cabeça, que nos orientam num plano particular do espaço, nos permitem perceber, mesmo na escuridão, nossa orientação. Eles não detectam o movimento, mas a posição estática.
O cérebro possui a capacidade de optar pela informação mais adequada para indicar a direção do corpo no espaço. Na percepção intervêm outros fatores, além dos sensoriais como a memória, que torna possível a compreensão do objeto, das pessoas e suas significações.
Desta
forma, a construção, ordenação e articulação simultânea da
Psicomotricidade, da Percepção e da Psicolingüística no processo de
desenvolvimento da criança, com a interferência do meio ambiente é que virão
formar a estruturação do Esquema Corporal.
O movimento ocupa lugar substancial na vida humana, sendo ele, juntamente
com a linguagem, fatores primordiais do desenvolvimento do homem.
Como primeira manifestação do ser vivo, o movimento incorporado à
linguagem e ao pensamento, estruturam
o conjunto da unidade do ser.
Assim como a linguagem é uma criação natural do psiquismo humano no
decorrer de um período de seu desenvolvimento numa determinada comunidade, o
movimento interatua com a linguagem e, conseqüentemente, sofre a influência do
meio ambiente cultural interpretado pela criatividade humana e moldado na sua
forma pelos padrões de comportamento.
Daisy Barros (1983) considera... “as primeiras manifestações da
criança emergem do ato motor”... e estabelece numa abordagem sistêmica a
inter-relação entre a linguagem e o movimento na formação do pensamento;
“o
ato motor possui, caráter cognitivo e envolve as percepções cinestésicas,
estando unido à linguagem. A formação do pensamento não somente esta
vinculada à aquisição da linguagem, como também ao movimento. Apenas a
transmissão verbal não será suficiente para constituir na mente da criança
as estruturas operatórias que conduzem à coordenação de ações e
movimentos.”
(p.11)
A primeira manifestação de comunicação e expressão humana é o
movimento, mas somente a linguagem articulada é que constitui a forma de
comunicação específica do ser humano.
A linguagem verbal, como forma de comunicação humana, surge após os
sinais naturais, gritos instintivos, gestos e movimentos espontâneos do corpo
que constituem a linguagem não verbal. São utilizadas em cada povo como formas
de expressão de suas idéias e pensamentos.
A linguagem e o movimento possuem referenciais analógicos entre a fala e
a expressão corporal, a língua e os gestos.
A fala representa a parte individual da linguagem, ao mesmo tempo em que
a expressão corporal caracteriza o lado individual do movimento pela liberdade
de combinações que pode criar.
O produto social da faculdade da linguagem é a língua caracterizada
pelo grupo social a que pertence, enquanto os gestos representam para o
movimento um conjunto de convenções definidos e adotados pelo grupo social ao
qual o indivíduo pertence.
Ambos distinguem-se em cada grupamento social por meio de seus próprios
sons, de seus gestos e atitudes e pela organização particular e funcional dos
sons e dos gestos.
O homem por si só não pode modificar os gestos, pois, ao nascer, já os
encontrou em seu ambiente cultural.
Desta forma, a linguagem representa um meio de comunicação humana
auxiliado por um sistema de símbolos e o movimento humano, como forma de ato
motor, está intimamente relacionado com a transmissão do pensamento através
das formas de comunicação e expressão não verbal.
AS
ESTRUTURAS PSICOMOTORAS
Estruturas
Psicomotoras são o conjunto de elementos inter-relacionados da
Psicomotricidade. Constitutivos dos movimentos naturais e espontâneos e das
sensações perceptivas, mediante a influência do meio ambiente e do
inter-relacionamento pessoal, participam do processo de desenvolvimento da
personalidade da criança.
As
estruturas psicomotoras de base representadas pela locomoção, manipulação e
tono postural, constituem os fundamentos da psicomotricidade, e se encontram
constantemente integradas nas demais estruturas.
Ao
definir as estruturas psicomotoras de base, Daisy Barros (1983) afirma que a
manipulação permite os atos de agarrar (preensão), soltar, empurrar, bater,
tocar, alisar e, posteriormente lançar objetos através da utilização dos
membros superiores e inferiores.
A
locomoção, segundo Daisy Barros, “é toda forma de deslocamento do corpo
e de seus segmentos no espaço”, já o tono postural é fundamentado na
estabilidade do equilíbrio do corpo e no ato motor de manipulação e locomoção.
(p.11)
Os
demais elementos componentes das Estruturas Psicomotoras são:
Coordenação
fina, coordenação grossa e coordenação óculo-segmentar, equilíbrio, ritmo,
percepção espaço-temporal, constância de dimensão espaço-temporal,
relaxamento, lateralidade e lateralização.
O
movimento está estreitamente ligado ao pensamento. O tônus postural traduz a
representação mental do indivíduo, colocando em jogo sua personalidade
projetada no mundo vivenciado.
A
valorização dos desportos tem estimulado a mudança dos objetivos da Educação
Física Escolar para um tipo de educação desportiva, promovendo nos dias
atuais o surgimento de tendências que contribuem, cada uma a seu modo, na
renovação da Educação Física, na multidisciplinaridade e na sua falta de
unidade.
Atualmente,
a tendência dominante pela aprendizagem com suas características peculiares
manifestadas pela linha da iniciação desportiva precoce, deu a esta a denominação
de tipo de ensino.
A
especialização prematura em determinada atividade desportiva, e a execução
sistemática de exercícios mecanicistas estruturados em movimentos específicos
para o desporto, fazem com que o movimento natural e espontâneo da criança
perca sua relação natural com o psiquismo. O movimento perde sua naturalidade,
sua espontaneidade, transformando-se em movimentos convencionais e graduações,
submetidos a uma determinada limitação.
Outra
tendência que recebe freqüentes críticas do enfoque desportivo e recebe
elogios da expressão corporal, manifesta-se pela reprodução de atividades
estereotipadas de cultivo do corpo. Como as atividades desportivas, há uma
grande perda da naturalidade dos gestos e movimentos em que são enaltecidas as
atividades físicas. As culturas de maior poder econômico impõem determinadas
atividades físicas, estabelecendo modismos tais como os Aerobic’s, Jazz
Gymnastics, Lambaeróbica, Break Gymnastics e outros.
As capacidades motoras da criança recém nascida apresentam um desenvolvimento espetacular durante os 12 primeiros meses de vida. Impotente e totalmente dependente no seu nascimento, o bebê adquire, em alguns meses notável controle e autonomia na realização de movimentos da cabeça que levam à orientação e detecção perceptiva; os braços e as mãos pelas tomadas de exploração de objetos, além de movimentos de pernas que estimulam o ato de locomoção. Esse desenvolvimento ocorre paralelo às modificações importantes do sistema nervoso central e a maturação funcional das estruturas cerebrais.
Para Chugani apud Vinter (1998:6) existe estreito inter-relacionamento entre os sistemas neuronais corticais medidos pela intensidade do metabolismo de glicose e os principais marcos comportamentais no primeiro ano de vida.
No decorrer do crescimento a criança torna-se cada vez mais curiosa em relação ao mundo que a cerca, e gradativamente desenvolve suas percepções em relação aos outros mundos, além do mundo materno. As vias de entrada sensório-perceptivas ocorrem pelo processamento cognitivo cortical associativo complexo, submetida à situação evolutiva de maturação cerebral, integrados ao sistema neuro-funcional. Segundo Prechtl apud Vinter (opus cit.) As estruturas ativas desde o nascimento incluem o córtex sensóriomotor primário, os núcleos talâmicos, o tronco cerebral e os vermis cerebelosos.
Por tratar-se de sobretudo de estruturas subcorticais considera-se coerente com a tabela global dos competências motoras do recém-nascido, onde coabitam reflexos e movimentos espontâneos precisos, pouco diferenciados. Segundo Prechtl apud Vinter (idem), a tabela global de comportamento registra-se em continuidade com os comportamentos apresentados pelo feto, no período de transição do estado fetal ao nascimento, observados em torno dos dois primeiros meses de vida.
A partir dos 2-3 meses, com efeito, as áreas corticais parietais, temporal e visual primária, os gânglios de base e os hemisférios cerebelosos tornam-se ativos. Concomitantemente, observa-se progressos desde esta idade, com a integração sensóriomotoras relativas ao controle postural, à atividade óculomotora e mais tarde, às atividades de alcance e preensão de objetos. Entre os 6 a 8 meses, salienta-se a maturação da parte lateral do córtex frontal, seguida entre 8 a 12 meses pelas regiões préfrontais dorsais.
Esta maturação, sob o enfoque do comportamento, coincide com o surgimento de um conjunto de condutas consideradas como manifestação da consciência de si, dos outros e do mundo, da capacidade de planejar, controlar e inibir seus próprios comportamentos.
A formação do esquema sensóriomotor firma-se pela construção inicial das ações desenvolvidas pelo bebé sob a influência de seu meio ambiente. A percepção é uma ação cujas transformações introduzidas nos objetos e seus estados, constitui o primeiro instrumento que dispõe a criança para descobrir o mundo e construir seus conhecimentos.Assim, os esquemas sensóriomotores como suportes desses conhecimentos, são os instrumentos mentais que englobam de maneira indissociável, movimento e percepção.
Segundo estudos realizados, o córtex visual requer alta especialização e sua delicada e correta maturação ocorre nas proximidades dos 6-7 anos, sob a influência dos fatores psicossociais.
A linguagem, como função adquirida com precisa integração sensório-perceptiva, é uma capacidade funcional elementar que está baseada no funcionamento holístico de vários sistemas neurológicos complexos, os quais se adquirem por meio de importantes sistemas perceptivos aferentes.
A partir da organização de seu próprio corpo, da imagem coerente do EU integrada a Você e, com referência constante dessa relação afetiva, a criança irá em gradientes ampliar e explorar o espaço vivenciado. Para isso, disporá de condições adequadas, onde as percepções e as estruturas psicomotoras essenciais vivenciadas, denominadas Psicomotricidade, considerada a alma do movimento, possam proporcionar a estrutura do esquema corporal através da tomada de consciência, de acordo com as etapas evolutivas próprias do desenvolvimento humano. Esses processos evidenciam a importância dos fatores psicoevolutivos e neuroevolutivos, bem como do componente social e educacional tratados sob o enfoque holístico e de forma interdisciplinar.
O processo neuropsicológico complexo, consiste na capacidade de evocar palavras concretas num determinado contexto ou como resposta a um estímulo específico, seja ele, interno ou externo. Deve-se ainda assinalar que estes fatores afetam de maneira indireta ou direta no processo de evocação da palavra e dos gestos e movimentos, estando eles inteiramente inter-relacionados.
Assim como Changeux (1983) considera a linguagem uma faculdade geneticamente determinada, com o desabrochar dos gradientes de capacidades, Chomsky (1983) afirma ser a competência do sistema fundamental para a aquisição da linguagem.
Jean Piaget considerava os mecanismos cognitivos e afetivos com bases na Psicomotricidade que tem como objetivo recíproco o estudo das relações cognitivas e afetivas vivenciadas com o meio ambiente externo e interno, através dos movimentos expressivos do corpo.
Quanto ao movimento, a competência pessoal poderá proporcionar uma boa ou ma1 performance, alcançada pelo corpo por meio dos padrões de atitudes e movimentos, de acordo com as solicitações dos parâmetros instituídos pelo homem. Isto vem corroborar com as assertivas de Kail & Hall, (1994), que a velocidade em evocar nomes de objetos familiares está relacionada com a velocidade de processamento de informação, e não com a idade da criança.
As diferenças individuais apresentam-se de forma muito intensa em cada tipo de movimento expressivo do corpo. Surgem nas crianças mais vivificantes nas atividades físicas coletivas ou individuais pela expressão global de seu comportamento. Elas revelam-se pelas características próprias do ritmo de aprendizagem na arte de integrar os pensamentos com os movimentos. Uma boa memória irá facilitar o processo de aprendizagem, proporcionando maior variedade de movimentos e permite acessos mais fáceis às experiências passadas, integradas às sensações auditivas e visuais, que estimulam as emoções. Cada criança possui diferentes tendências a memorizar suas sensações vivenciadas. Assim, os sentimentos emergem sob formas sugestivas de movimento expresso pela harmonia das ações. As sensações negativas tendem a serem memorizadas em menor intensidade do que as sensações positivas que devem ser estimuladas pelo professor.
Ao estabelecer-se uma analogia entre a linguagem e o movimento, fundamentada na assertiva de que a formação do pensamento não está somente vinculada à aquisição da linguagem, como também do movimento e, que o intelecto da criança se desenvolve por meio da interação do EU e Você, com as coisas (objetos), as pessoas e o seu meio ambiente, observa-se que não existem fronteiras entre a linguagem e o movimento, como matrizes de expressão do pensamento, pois estão estreitamente inter-relacionados.
O movimento e a linguagem, como fenômeno biopsicossocial, estão inteiramente envolvidos na comunicação e com as formas de conhecimentos, no processo de relações afetivas entre as pessoas, os objetos e o meio ambiente, constituindo-se assim, instrumento de pensamento e ação.
O ser humano passa por uma série de etapas evolutivas até alcançar o domínio da linguagem e do movimento. A maturidade cerebral concorre com o substrato necessário às aquisições lingüísticas e o domínio do movimento, sendo bem precisa a interação da criança com o meio ambiente externo, atuando ao mesmo tempo nas transformações históricas de seu comportamento.
O movimento vivenciado serve não somente para a criança formular seus pensamentos e expressá-los através de seu próprio corpo, como também no sentido da formação de sua personalidade total, colaborando com a linguagem na formação do pensamento.
A expressão corporal revela-se pelas intenções significativas e harmônicas da totalidade
do ser. Essas intenções surgem como unidade através da dialética entre o
querer, o sentir e as possibilidades do fazer.
Para
a criança quando a atividade é elementar, descontínua e esporádica, quando a
conduta não possui objetivos em longo prazo, faltando o poder de diferenciar
suas reações e de escapar, assim às influências do momento presente, o
movimento é tudo o que pode se manifestar da vida psíquica que é traduzido em
seu todo, do menor momento até o momento em que se processa a palavra.
Anteriormente a criança não há como fazer-se entender senão por meio de gestos, isto é movimentos relacionados com suas necessidades, seu humor, bem como com as situações em que seja suscetíveis de se expressar. Além dessas significações adquiridas, o movimento pela sua própria natureza tem potencialidades em diferentes direções que poderá tomar como atividade psíquica. Ele está essencialmente em deslocamento no espaço e possui três formas que tem sua importância na evolução psicológica da criança. Pode ser passivo ou exógeno, isto é, sob a dependência de forças exteriores nos primórdios níveis do equilíbrio.
Pode ainda provocar reações secundárias de compensação ou de reequilíbrio. São regulados por um aparelho muito arcaico na série de vértebras e podem manifestar-se entre os homens desde o período pré-natal como tem demonstrado Magno e Kleige pelos reflexos labirínticos. Esses reflexos desaparecem normalmente após o nascimento, sendo o início de um alinhamento que se desenvolve por etapas sucessivas, através da procura de posturas necessárias e de pontos de apoio apropriados. Conduzirá a criança da posição deitada à posição sentada, à posição de joelhos (gatear) e finalmente, à posição de pé, característica do se humano e que no processo de seu comportamento tem um influência decisiva.
A
segunda forma de movimento é devido aos deslocamentos autógenos ou ativos,
seja do corpo em si mesmo no meio exterior, seja dos objetos em que se
encontram: a locomoção e a preensão.
A
terceira forma, finalmente, é o deslocamento dos segmentos corporais ou de suas
partes., uns em relação aos outros. Trata-se de reações posturais que se
confrontam parcialmente com aqueles do equilíbrio assinalados no 1.º grupo.
A
formulação de problemas não deve ser necessariamente verbal. A presença de
objetos (bolas, cordas, arcos, etc.), a estimulação auditiva rítmica (música,
ritmos dados pelo prof., ruídos) podem ser facilitadores das ações e à coordenação de movimentos.
Da riqueza de suas ações serão extraídas pelo professor, os elementos que servirão de material para observação e reflexão de novos estímulos. Os gestos e movimentos falhos podem por outro lado, reencontrar um sentido verdadeiro. Não existem más realizações, elas são outras formas, adequadas ou não. Cada criança procura realizar suas ações à sua maneira e ao mesmo tempo observar a execução dos outros, que a levará a compreender e recompor seus próprios movimentos.
Deve-se evitar a estimulação de movimentos estereotipados rígidos, estimulando a realização de movimentos globais em que trabalhe todo o seu corpo.
Um
trabalho de tomada de consciência da atitude postural, das diferentes partes do
corpo, do jogo de tensões em diversas posições, a capacidade de descontrair certos segmentos ou certas partes do corpo,
enquanto as outras são mobilizadas leva à coordenação de gestos e
movimentos. A atenção solicitada
e desenvolvida nos vários exercícios deverá ser orientada pelo próprio corpo
no decorrer de um deslocamento, ou um salto.
BIBLIOGRAFIA:
FONSECA,
Victor . (1988). Psicomotricidade. São Paulo. Editora Manole
RÊGO
BARROS, Darcymires & BARROS, Daisy. (1974) Educação Física na
Escola Primária. Rio de Janeiro. Livraria José Olympio Editora.
LE BOULCH, Jean. (1987).Educação
psicomotora: a psicocinética na idade escolar. Porto Alegre: Artes Médicas.
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MATTOS,
Carlos Alberto. (2000). Psicomotricidade – Da Educação psicomotora à
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VAYER, Pierre. (2001). A Aprendizagem da criança pequena in Education Physique et Sports/1, n.º 103.
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