Pois É, Pra Quê?
Composição: Sidney Miller
Interpretação: MPB4


 

O automóvel corre, a lembrança morre
 


O suor escorre e molha a calçada
 


Há verdade na rua, há verdade no povo
 


A mulher toda nua, mais nada de novo
 


A revolta latente que ninguém vê
 


E nem sabe se sente, pois é, pra quê?

 



O imposto, a conta, o bazar barato



O relógio aponta o momento exato



da morte incerta, a gravata enforca



o sapato aperta, o país exporta



E na minha porta, ninguém quer ver



Uma sombra morta, pois é, pra quê?


 

 



 



Que rapaz é esse, que estranho canto



Seu rosto é santo, seu canto é tudo



Saiu do nada, da dor fingida



desceu a estrada, subiu na vida



A menina aflita ele não quer ver



A guitarra excita, pois é, pra quê?


 

 

 



A fome, a doença, o esporte, a gincana



A praia compensa o trabalho, a semana



O chope, o cinema, o amor que atenua



O tiro no peito, o sangue na rua



A fome a doença, não sei mais porque



Que noite, que lua, meu bem, prá quê?

 

 

 

 

 


O patrão sustenta o café, o almoço



O jornal comenta, um rapaz tão moço



O calor aumenta, a família cresce



O cientista inventa uma flor que parece



A razão mais segura pra ninguém saber



De outra flor que tortura, pois é prá quê?


 

 

 



No fim do mundo tem um tesouro



Quem for primeiro carrega o ouro



A vida passa no meu cigarro



Quem tem mais pressa que arranje um carro



Prá andar ligeiro, sem ter porque



Sem ter prá onde, pois é, prá quê?


Sidney Miller

 18/4/1945    16/7/1980 

SAUDADES

Biografia:

Carioca, aprendeu a tocar violão sozinho e na década de 60 despontou como compositor. Participou de diversos festivais de música naquela década, classificando algumas canções e obtendo prêmio de melhor letra em 1967, no festival da Record, com "A Estrada e o Violeiro". Como produtor e diretor, foi um dos responsáveis pelos espetáculos "Yes, Nós Temos Braguinha" e "Carnavália", com a cantora Marlene. Musicou peças de teatro e filmes de cinema, e escreveu um livro, "João e o Pó". Alguns de seus maiores sucessos foram gravados por Nara Leão: "Pede Passagem" e "A Estrada e o Violeiro". Gravou um LP em resposta ao movimento tropicalista, "Do Guarani ao Guaraná". Outros êxitos foram "É Isso Aí", "Maria Joana", "Alô Fevereiro", "Pois É, Pra Quê?" e "O Circo". Quando morreu, trabalhava na Funarte, no departamento de projetos especiais. A sala em que trabalhava ganhou o seu nome.


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