"Que um indivíduo
deva sobreviver à sua morte física está, também, acima de minha
compreensão. Nem desejaria que acontecesse de maneira diferente: tais noções
(que a morte existe) são úteis aos terrores ou ao egoísmo absurdo das almas
fracas. Para mim basta o mistério da eternidade da vida e o esboço da
maravilhosa estrutura da realidade..."
Albert Einstein
BUDISMO
Significado:
Para os budistas, a morte é a única certeza. "Se nos lembrarmos da
inevitabilidade da morte, geraremos o desejo de usar nossa preciosa vida humana
de modo significativo", diz Ani-la Kelsang Pälsang, do Centro Budista
Mahabodhi.
"Treinamento":
Os budistas acreditam que treinando a mente durante a vida, o indivíduo estará
tranquilo e sereno quando chegar a hora de morrer, o que garantirá um
renascimento afortunado.
Reencarnação:
Os seguidores do budismo acreditam na reencarnação. "A única coisa que
passa de uma vida para outra é nossa mente sutil. Como um pássaro mudando de
ninho em ninho. Buda compara o processo de morrer e renascer com o ciclo de
dormir, sonhar e despertar", diz Ani-la.
Reflexo
da vida: De acordo com o budismo, toda ação em vida influencia decisivamente
na vida futura. Para Buda, se a pessoa quiser saber quem foi no passado, basta
olhar para sua condição no presente.
Ajuda:
Diante da morte, os budistas procuram manter o equilíbrio e ajudar os amigos ou
parentes que estejam morrendo. Evitam o choro e o desespero para que a mente da
pessoa permaneça positiva.
Rituais:
No Japão, de acordo com a monja zen-budista Coen de Souza, usam-se flores
dentro do caixão, tradicionalmente, e, além disso, uma tigela com arroz
cozido, água, um vaso com flores, velas e incenso são colocados sobre uma mesa
para que nada falte ao morto.
Os
budistas têm vários rituais funerários. Um deles é o powa (transferência de
consciência), quando toda prece feita com intenção de ajudar o morto é válida
e traz benefícios.
Não
há luto: Há apenas preces e dedicação dos pensamentos positivos à pessoa
que morreu. No entanto, nos lugares lugares mais tradicionais, como no Japão, a
família guarda até 49 dias de luto como sinal de respeito.
Significado:
De acordo com a crença do candomblé, as pessoas são formadas por elementos
constitutivos perecíveis e imperecíveis. A parte imperecível é chamada de
ori (cabeça interna, destino).
Vida
após a morte: Os seguidores do candomblé acreditam na continuidade da vida por
meio da continuação da força vital. O ori volta dentro da mesma família, mas
em outro corpo.
Rituais:
O corpo do iniciado no candomblé geralmente é velado no terreiro. O rito funerário,
chamado de axexe, começa depois do enterro e costuma ser longo, podendo durar vários
dias.
A
sociedade é chamada para participar do axexe, rito pelo qual o espírito do
morto é encaminhado para outra terra. Na ocasião, os assentamentos -elementos
simbólicos e materiais- são quebrados e jogados em água corrente.
CATOLICISMO
Significado:
Para os católicos, a morte é uma passagem. "Não existem mortos, mas
vivos e ressuscitados. O Senhor nos toca e nos reerguemos para a vida
eterna", diz o padre Paulo Crozera, coordenador da pastoral Universitária
da PUC-Campinas.
Não
há reencarnação: Os seguidores do catolicismo acreditam que a morte é o
batismo definitivo, o caminho para a vida eterna. Para eles, corpo e alma são
uma só coisa. A reencarnação não é aceita.
Rituais:
Os católicos velam os corpos do mortos e, além das orações populares que
costumam ser feitas durante o velório católico, como o Pai Nosso e a Ave
Maria, um padre ou ministro leigo das Exequias faz uma celebração para
encomendar a vida da pessoa às mãos de Deus. Nesse ritual, há a celebração
da passagem do morto à luz do mistério da morte, por meio de orações e da
benção do corpo.
ESPIRITISMO
Significado:
Para os seguidores do espiritismo, a morte não existe. O espírito usa o corpo
físico como instrumento para se aprimorar. "O corpo é uma veste e a
reencarnação serve para o espírito evoluir", diz Ana Gaspar, das Casas
André Luiz.
Reencarnação:
Quando o corpo morre, o espírito se desliga e fica no mundo espiritual
estudando e se preparando para uma nova encarnação. Com a reencarnação, o
espírito adquire experiências e evolui em outro corpo sucessivamente.
Rituais:
Os espíritas velam e enterram seus mortos da mesma maneira que os demais
religiosos. Durante o velório, fazem preces e procuram manter o equilíbrio
porque o espírito do desencarnado pode continuar por perto durante um período.
Os
espíritas não usam velas nem flores nas cerimônias fúnebres. O corpo pode
ser enterrado ou cremado. Não existe luto e a vida dos familiares segue
normalmente. "O espírita não tem fé, ele tem certeza", diz Ana.
Significado:
Para os seguidores do islamismo, a morte é uma passagem desta vida para outra
eterna. "Quem fizer o bem será julgado por Deus e vai para o paraíso.
Quem fizer o mal também será julgado e irá para o inferno", diz Abdul
Nasser, secretário-geral da Liga Juventude Islâmica do Brasil.
Os
muçulmanos acreditam que o corpo após a morte não significa mais nada, mas a
alma continua tendo valor. A morte se dá, portanto, quando o corpo se separa da
alma.
Rituais:
De acordo com as leis islâmicas, o corpo do morto é lavado pelos familiares
-sempre do mesmo sexo- e enrolado em três panos brancos. Depois, é colocado
num caixão para que os parentes mais próximos se despeçam dele.
Em
seguida, o corpo é levado à mesquita do cemitério islâmico e a partir deste
momento apenas os homens participam da cerimônia. O sheik faz as orações para
a alma da pessoa, numa celebração que dura cerca de duas horas.
O
caixão é carregado para o túmulo, composto por quatro paredes de pedra, onde
o corpo será colocado sem o caixão em que foi transportado. O buraco é
tampado com pedras e só depois de totalmente fechado a terra é jogada sobre a
tampa.
Não
é permitida a cremação: A cremação do corpo não é permitida pelas leis
islâmicas.
O
luto pela pessoa morta dura três dias. No entanto, quando a mulher perde o
marido, o tempo de luto é de 4 meses e 10 dias. Na ocasião, a mulher não pode
sair de casa, a não ser em caso de emergência.
Pela
tradição muçulmana, quando a mulher perde o marido e está no começo de uma
gravidez, ela deve se despedir passando debaixo do caixão, para mostrar aos
presentes que espera uma criança.
"Acreditamos
num Deus único, absoluto e individual, que jamais gerou ou foi gerado",
diz Nasser.
Significado:
Para os judeus, a morte não é o final da vida, apenas o fim do corpo, da matéria.
"A verdadeira pessoa, que é a alma, é eterna", diz o rabino Avraham
Zajac.
Reencarnação:
Os seguidores da leis judaicas acreditam na existência de outro mundo, para
onde as almas vão, chamado de olam habá (mundo vindouro). No entanto, a alma
pode voltar para a terra, num outro corpo, para completar sua missão (reencarnação).
"Acreditamos
que a situação de vida que a alma terá depende de como a pessoa viveu no
nosso mundo. Não são dois mundos diferentes porque o tipo de vida levado aqui
afeta a vida no olam. Cada alma está na terra por alguma razão e tem uma missão
a cumprir", diz o rabino.
Rituais:
Apesar de acreditar que a alma seja eterna, os judeus sentem a dor da perda e
acreditam que ela deve ser expressada de várias maneiras.
Quando
um judeu morre, há um ritual chamado de tahará (purificação), no qual o
corpo é lavado pelo chevra kadisha (grupo sagrado). Os judeus não permitem que
seus mortos passem por autópsia.
Depois
de lavado, o corpo é envolvido em panos brancos e o caixão é fechado para que
ninguém mais o toque. O enterro deve ocorrer o mais rápido possível.
"Tudo
usado no enterro deve ser de materiais simples, das vestimentas ao caixão, para
não haver distinção entre um e outro", diz o rabino. Por isso não são
usadas flores nem velas.
Não
é permitida a cremação: As leis judaicas não permitem que o corpo seja
cremado. "Tudo tem que voltar para a sua origem, da mesma forma que a alma
volta. Se o nosso corpo saiu do barro, da terra, a maneira mais respeitável é
colocá-lo de volta", afirma o rabino.
Cerimônias:
Junto do corpo, familiares e amigos rezam salmos e partes da Torá (livro
sagrado dos judeus). Os parentes mais próximos rasgam um pedaço da roupa para
mostrar o luto, que tem três etapas.
A
primeira delas dura uma semana. Durante este período, os parentes mais próximos
não saem de casa nem para trabalhar. A roupa rasgada usada no enterro não é
trocada durante a primeira semana. Não há cuidado com o corpo porque a
preocupação é voltada apenas à parte espiritual. Por isso, todos os espelhos
da casa são cobertos.
Na
primeira etapa, todos os amigos e familiares visitam a família que está de
luto e conversam sobre a pessoa que morreu. "Não é saudável fazer de
conta que nada aconteceu. Acreditamos que as pessoas tem que demostrar seus
sentimentos", diz.
Até
o final da segunda etapa do luto, que acaba depois de 30 dias, os homens não
fazem a barba e os cabelos também não podem ser cortados. O luto termina no
primeiro aniversário de morte, mas a pessoa sempre é lembrada na data de morte
por todos os anos seguintes.
Significado:
Os protestante acreditam que a morte é apenas uma passagem para outra vida e não
aceitam a reencarnação.
"O
movimento protestante acredita na próxima vida, mas em comunhão com Deus.
Falar na vida eterna da alma é limitado porque acreditamos na ressurreição do
corpo", diz o pastor da Igreja Metodista Fernando Marques.
Céu
e inferno: Para os protestantes, existe o céu e o inferno. O julgamento ocorre
não pelas ações da pessoa em vida, mas pela fé que ela teve na palavra de
Deus e pelo amor ao Senhor.
Rituais:
Os rituais de velório e enterro são semelhantes aos dos demais religiosos. No
entanto, quando um protestante morre, o velório é feito em função da família
e não para o morto. O mais comum é que o velório ocorra na igreja, mas também
pode ser feito no próprio cemitério.
Os
seguidores do protestantismo não usam velas, apenas flores. O ritual, chamado
de Liturgia para Ofício Fúnebre, costuma ser feito pelo pastor, mas na ausência
dele um leigo pode fazê-lo. A participação da comunidade é muito importante.
São feitas leituras bíblicas e orações espontâneas.
O
corpo do morto, de acordo com as tradições protestantes, pode ser cremado ou
enterrado. Se for enterrado, no cemitério o corpo é acompanhado até o túmulo,
onde a família recita um versículo da bíblia e o pastor faz uma breve
despedida.
Não
há cerimônias após a morte: Diferentemente da Igreja Católica, não há
celebrações após a morte. Se a família desejar, pode fazer um culto de
gratidão a Deus pela vida da pessoa, mas não é uma norma. Os
protestantes não têm imposição quanto ao luto.
A SEITA XEQUE
Os
seguidores da "A Seita Xeque" acreditam que:
"No
final tudo vai dar certo. Se não der certo, é porque ainda não chegou o
final!"
G.G.