| Morro transcendental | |||||||||||||||
| Eleonora de Lucena | |||||||||||||||
| Esta � das boas. A Volta ao Cristo, em Po�os de Caldas, MG, � uma corrida que todos deveriam fazer pelo menos uma vez para saborear a beleza do percurso e testar for�a, determina��o e resist�ncia. Minha estr�ia nesse circuito de 15 quil�metros foi em 16 de fevereiro de 2003, um dia nublado, mormacento. Depois de alguma confus�o, a prova come�ou com 15 minutos de atraso. Seguimos por cerca de tr�s quil�metros planos e ent�o come�a a subida: at� o topo s�o 400 metros, aproximadamente, que vencemos ao longo de cerca de tr�s quil�metros. Para se ter uma id�ia de qu�o �ngreme isso �, a subida da Brigadeiro, em S�o Paulo, � de 30 metros ao longo de dois quil�metros. Na subida, tive um momento vis�o transcendental, dobrando um curva e vendo, l� do alto, um raio de sol que conseguiu cruzar as nuvens e iluminar parte das coxilhas e planta��es l� de baixo. Coisa muito linda no meio daquela nuvenzada toda. Chegar ao Cristo, uma est�tua parecida com a do Corcovado, foi meio anticlim�tico, pois nunca consegui saber quanto faltava; quando vi, estava l� em cima. Cad� o esfor�o? Brincadeira. Na subida, caminhei duas vezes, num total de cerca de 100 metros, mais ou menos. Na primeira vez, resolvi maneirar porque o freq�enc�me-tro marcava mais de 175 bpm. Na segunda, sabia que j� estava quase l� em cima, afrouxei um pouco para passar pelo Cristo correndo... Mas da� j� estava l�... A descida foi �tima, em ch�o de terra batida, ainda muito escorregadia por causa da chuva da noite anterior... Nesse trecho, tive outra vis�o cinematogr�fica: antes de descer, sobe-se um tantinho e depois vem uma curva, de onde desbarrancamo-nos morro abaixo. Justo l�, quando ia ver o trajeto que me esperava, uma nuvem de neblina sai bufando do meio das �rvores e toma a estrada. Pensei que fosse chuva, temi pelo esta-do do caminho, mas era s� aquele vapor fantas-mag�rico voando por n�s, e n�s por l� passando. |
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| Chegando em meio ao barral | |||||||||||||||
| Depois, foi correr sem se largar, segurar joelhos e tornozelos. E ainda deu para apreciar, em v�rios momentos, o vale l� embaixo e ao longe; os mais r�pidos s� podiam olhar para a estrada... A organiza��o foi sempre muito atenciosa, mas teve pelo menos duas grandes falhas: nota zero para a marca��o da quilometragem (eu, mesmo, s� vi o km 12; um corredor que estava pr�ximo a mim notou quando passamos o km 9; posso at� ser desatento, mas as marcas deveriam chamar a aten��o mesmo dos mais tontos) e nota menos 10 para o final na lama, depois de uma pista em asfalto. A gente vinha correndo e, de repente, dava de frente com um loda�al enorme, de uns dez metros, tinha que travar, pensar, organizar de novo as passadas e se equilibrar para passar pela linha de chagada. Pode ser divertido para quem v� um ou outro cair, mas � uma merda para a gente. Noves fora, uma boa prova, muito ajudada pelo clima. No calor, deve ser um inferno. Com 1h34min31, eu fui o n�mero 756 em 845 que conclu�ram. O vencedor foi definido pela organiza��o, depois de uma confus�o dos diabos, que pode ser vista em detalhes no site RunnerBrasil, que traz �tima cobertura e os resultados completos. |
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