Depois de ser considerado como ato de
vandalismo e de revolta, o grafite ganhou
status e passou a freqüentar galerias e escolas de arte de todo mundo a partir
da década de 80. Autêntica expressão da arte espontânea e da criatividade
humana, para alguns, essa técnica formou pintores de alto prestígio.
No
entanto, para os mais tradicionais, o grafite é uma expressão visual ou simbólica,
que pode ou não ter uma dimensão estética.
Os artistas do grafite, também chamados de "writers" (escritores),
costumavam escrever seus próprios nomes em seus trabalhos ou chamar a atenção
para problemas do governo ou questões sociais.
Apesar das pichações
serem letras e palavras cifradas espalhadas por todos os espaços imagináveis
das grandes metrópoles há quem os confunda com os grafites, que são
considerados como forma alternativa de explorar possíveis veias artísticas.
Na
cabeça de quem faz ou admira, o grafite é visto como forma de expressar
sentimentos e emoções, de botar pra fora o talento. Segundo "Série",
pichador e grafiteiro de Salvador, "Pichar é só aventura, adrenalina.
Grafitar é prazer, é realizar uma obra de arte".
Alguns consideram o grafite como expressões rebeldes de jovens e
adolescentes que buscam nos muros limpos uma forma de contestar as
autoridades e o sistema.
Roberto Albergaria, antropólogo e professor da
UFBA, afirma "muita gente considera o grafite uma arte, tentando
legitimar e recuperar um tipo de expressão selvagem, num espaço já
definido como artístico". Para ele o grafite é apenas a marca de uma
pessoa excluída do mundo sério, um ato adolescente de rebeldia.
O grafite é um tipo de expressão realizada sobretudo pelas camadas médias,
vagamente escolarizadas, jovens, na sua maioria rapazes de 1o. e 2o. grau.
Porém alguns desenvolvem o traço e passam a criar verdadeiras obras de
arte, ultrapassando a fronteira do rabisco estilizado em muro, para alcançar
o consagrado mundo das arte.
Funcionando também como contestação, não deixando de representar as sensações
e vivências de seus autores, o grafite utiliza a qualidade de seus traços para
criticar a política, a economia e a sociedade em geral.
É uma autêntica forma
de jovens e adolescentes expressarem, visualmente ou simbolicamente, suas opiniões,
não deixando de realizar arte na sua mais pura e real visão.