Grafite: vandalismo ou manifestação artística? 

 

Comuns em qualquer espaço em branco dos  muros, as pichações normalmente são confundidas com os grafites, entretanto, as diferenças são enormes.

Enquanto as pichações são palavras cifradas, que juntas formam um alfabeto gótico-hieroglífico, os grafites são expressões artísticas, que abusam do uso de cores e desenhos, formando desenhos e formas, por vezes com intenções de crítica e revolta.
    Com formas que mais parecem rabiscos, as pichações mostram a falta de habilidade artísticas dos garotos, qualquer um pode pichar, enquanto só quem sabe desenhar grafita. 

Essa diferenciação artística diferencia hierarquicamente os grupos, que não fica só no melhor traço, mas na ousadia, quem picha no lugar mais alto ou mais próximo da polícia, é o melhor.

Para muitos, o grafite é apenas uma "pichação evoluída". Para outros, uma modalidade de arte urbana. 

Apesar de todas as controvérsias, o grafite está presente em diversas partes da cidade: em banheiros públicos, edifícios, becos, casas abandonadas, ônibus, metrôs, orelhões, postes e monumentos públicos.

Bastante discriminados pela sociedade, os grafiteiros vem buscando desassociar sua imagem da dos bandidos e marginais, partindo para autorização de suas pinturas e participando de campanhas sociais. 

Em São Paulo várias fundações já vêem no grafite, assim como no RAP, uma alternativa para adolescentes largarem as ruas e as drogas, e iniciarem o caminho das artes.      

Em Salvador há grafiteiros que já ganham dinheiro executando desenhos em paredes e muros de empresas e residências, que desejam algo mais criativo em seus muros do que o branco poluído comum. 

Porém, o grafite ainda é visto como ato de vandalismo e falta de educação pela maioria da sociedade, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, por exemplo, considera "as mensagens dos grafiteiros tão nojentas quanto a sujeira que produzem", confirmando a ojeriza e a discriminação de grande parte da população.

Controvérsias à parte, cada vez mais o grafite ganha status de arte e, conseqüentemente, o apoio de programas desenvolvidos por escolas, grupos de artistas e pelo próprio governo.

O  GRAFFITI  começou  a  aparecer  em  muros  e  paredes  paulistanos  no  final  dos  anos  70.

Isolados dos artistas  que  praticavam  esse  gênero  no  resto  do  planeta, os  brasileiros  desenvolveram um  estilo  próprio, hoje  reconhecido  entre  os  melhores  do  mundo.

Não dá  para fugir da  polêmica. Muitos  grafites  são  de  inegável  qualidade  artística, consentidos  ou  até  encomendados. 

Outros  não  passam  de  vandalismo  e  poluição  visual. Ha   quem  pratique  a  arte  apenas  pela  diversão  de  provocar  transeuntes  e  deixar  sua  marca  entre  a  multidão  anônima. Mas  há  também  os  que  usam  o  espaço  para  a  critica  social. 

Uma coisa é embelezar uma cidade feia, outra é sujar muros com garatujas e rabiscos ininteligíveis. O  graffiti caminha sempre nesse limite. "Mesmo que agrade as pessoas, pintar espaços públicos é um ato ilegal e uma requisição política.Queremos mostrar que a rua é do povo".Justifica-se Herbert, (grafiteiro de São Paulo).                                   

A  maioria dos objetos de arte tradicionais - quadros, esculturas, tapeçarias  etc- acaba  confinada  em  uma  elite. O grafite, ao  contrário, invade  os  espaços  públicos  e  abertos, incorporando  sem  cerimônia  a  paisagem  urbana  que  os  cerca.

 

            DANÇA, POESIA  E  PICHAÇÃO            

A  explosão  do  movimento  hip  hop  entre  os  jovens  negros  de  Nova  York, no  início  dos  anos  80, injetou  sangue  novo  na  estética  do  graffiti. As  pichações  com  letras  gorduchas  se  tornaram  um  elemento  tão  importante  desta  revolução cultural quanto as batidas e versos do rap e os passos e rodopios da breakdance. Quase instantaneamente essa influência nova-iorquina tomou também as ruas de São Paulo.

A  originalidade  do  graffiti  brasileiro  levou  vários  artistas  a  participar  de  exposições  na  Europa  e  nos Estados  Unidos.

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