Fernando Ribeiro
 
Moonspell
  
 
Poemas do Livro
Como escavar um abismo
  
Como escavar um Abismo
Cinderela em Negativo
Poema d´Amoníaco
O Ruído do Sangue
Horroris Causa



Como escavar um abismo

Três facadas
pontuais e certeiras
direitas ao assunto.
Deixar o sangue correr
e bebê-lo no bar maldito mais próximo
na companhia dos teus
melhores amigos.


Topo | Moonspell





Cinderela em negativo

Saltos altos de cristal
Cravam-se, atrapalhados,
No meu coração

Dentro do espelho partido
Duas vozes:
A feroz que come o doce.
A feliz que a morte trouxe.

Gargalhada acrílica,
Volume leve do Pessimismo.
Estratégia de Aranha
Recuando, já ninguém a acredita
Também, já ninguém apanha.

A beleza de tudo e todos
À noite.
Camuflados em ridículo bruxedo
Quando bebemos,
Pesados, tremendo,
Todos os licores do Medo.
Ela sai à pressa.
Rasga a couraça.
O bilhete de identidade
A sua nobre raça.
Irmã do Mesmo_
Irmã do Outro.
Cabelo vermelho.
Abóbora elegante e explosiva_
Bomba de pregos certeiros.
Minúsculo e tóxico
Quarto minguante de Lua.
Ratos feiticeiros.
Rouba-me a noite,
Esnconde-a enfim,
Agora que estávamos
Tão próximos do fim.

O mal de viver
Que nunca acaba.
A caça jurada.
O troféu em mim.

Topo | Moonspell






Poema d´amoniaco

Apetece-me hoje
Uma historieta de demônios.
Com os seus nomes católicos,
Suas vestes de lama.
Suas unhas vermelhas
Rabos antropomórficos,
Seus bigodes de leite,
Seus risos e seus segredos,
Sua má-fama,
Seus cascos de bode.

Apetecem-me
Os exércitos de Astaroth.
Grão-general
Dos esquadrões da Morte.
Apetece-me a cozinha
Nouvelle Vague e pachorrenta
Do meu íntimo Nisroth.
Com seus
Venenos saudáveis,
Com seus
Bolinhos de sorte.

Apetece-me a bonomia
Bolachuda de Behemoth.
Apetece-me esta rima
Fácil e forte.
Apetecem-me:
Demônios indianos.
As minhas listas de entidades
Intermináveis com a juventude.
Apetece-me o
Sublinhado vermelho
Dos cadernos de carne salgada.
Apetece-me apontar os pactos
Para não lhes perder a conta.

Apetece-me o refúgio infernal.
Apetece-me um caldo,
A solenidade de um ritual.
Apetece-me
Rafael caído.
Partido aos pedacinhos.
Apetece-me que
O cão Cérbero
Coma tudo até o fim
Como eu lhe ensinei...
Assim... muito bem assim...

Apetece-me o pentagrama.
O sangue quente
No interior da chama.
Apetece-me a missa vermelha,
O sexo gratuito,
O baptismo.
Apetece-me até, um dia destes,
Convidar Cristo!
Apetece-me a conferência.
Apresentar-me
Sem coerência.
Com loucura pelos ombros
E uma pele de animal místico.
Apetece-me o calor,
Por favor: uma quintessência bem gelada!
Apetece-me atirar
Uma pedra no ar,
Sem mais!
Comprovar a teoria
Dos lugares naturais.

Apetece-me o estigma
A jorrar confettis por todo o lado.
Apetece-me Leviatã,
O seu beijo molhado.
Apetecem-me as
Várias prostitutas infernais
Num jogo de cabras cegas.
Ai! Apetece-me um athamé
Que rompa todas as celas.
Apetece-me o limão
Para escrever uma mensagem.
Apetece-me Pazuzu
Para me levar numa viagem.
Apetece-me o genocído selectivo.
Eu ser o dedo no botão.
Apetece-me ser o burro
A perseguir a cenoura.
Apetece-me a serpente,
Todo o anjo demente.
Apetece-me o ácido e a corrosão.
Apetece-me estrangular-te,
Espalhar-te por toda parte.
Apetece-me o Poeta,
Apetece-me o Esteta.
Apetece-me o Demonólogo,
Seu filho Antropólogo.
Apetece-me jogar
No número da Besta
E ganhar.

O que eu não daria
Para dançar
E para vestir
Tão bem quanto o Diabo.

Agora a sério:

Apetece-me o labirinto.
A morte.
A descida.
Apetece-me ser Demônio _
Dispensar toda
E qualquer espécie
De vida.

Topo | Moonspell







O Ruído do Sangue

Ouço...
na boca que brilha.
Poeta maldito,
vagabundo profundo.
Roupa aristrocática imunda,
sentada, vidrada,
nas margens do Douro.
Mágico, o miserável outro,
impressiona, bem o sabe,
com o truque da pequena quadra.
Poesia instantânea do rato morto.
Alimento para uns,
arte para outros.
Pega no animal
pela cauda sedosa.
Come-lhe a alma
à pequena dentada.

O ruído do sangue
não deixa ouvir mais nada.

Ouço...
Naqueles com sereias nas veias.
À distância de uma
sarjeta de lábios.
Pássaro de Bosh,
negro, desfeito,
que se engana mais uma vez
a meu respeito.
Melodia espelhada, arsénica, entoada.
Insuportável como as grandes obras
da música Falseada.

Ouço...
Na noite que morre.
Quando me conto
Entre as baixas servis
das horas pequenas.
Crianças-soltura.
Mandrágora-o Tema.

Ouço...fiel.
Quando bate lá em baixo.
Descontrolado
e fora de tom.

Topo | Moonspell





Horroris Causa

No fim da doce noite.
No limite familiar da
Próxima dor _
Seremos doutorados
Horroris causa.
Pelo fogo _ no caos.
Pela chuva _ na mentira.

Os nossos curriculuns mortiis
Serão enviados
Em envelopes amaldiçoados.
Em todas as casas seremos
Sementes e armadilhas de cristal.
Entretendo famílias inteiras
Em refeições de carne vermelha,
Em provas de vinhos malditos.
Com fome e sede
Do Mal.


Topo | Moonspell




Website desenvolvido por Daniele Ferreira " Darkness Queen ".
http://www.gothic-sanctuary.cjb.net
Copyright © 2004
E-mail: [email protected]

Hosted by www.Geocities.ws

1