
Como
escavar um abismoTrês
facadas
pontuais e certeiras
direitas ao assunto.
Deixar o sangue correr
e bebê-lo no bar maldito mais próximo
na companhia dos teus
melhores amigos.
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Cinderela
em negativo
Saltos
altos de cristal
Cravam-se, atrapalhados,
No meu coração
Dentro
do espelho partido
Duas vozes:
A feroz que come o doce.
A feliz que a
morte trouxe.
Gargalhada
acrílica,
Volume leve do Pessimismo.
Estratégia de Aranha
Recuando,
já ninguém a acredita
Também, já ninguém
apanha.
A
beleza de tudo e todos
À noite.
Camuflados em ridículo bruxedo
Quando
bebemos,
Pesados, tremendo,
Todos os licores do Medo.
Ela sai à
pressa.
Rasga a couraça.
O bilhete de identidade
A sua nobre raça.
Irmã
do Mesmo_
Irmã do Outro.
Cabelo vermelho.
Abóbora elegante
e explosiva_
Bomba de pregos certeiros.
Minúsculo e tóxico
Quarto
minguante de Lua.
Ratos feiticeiros.
Rouba-me a noite,
Esnconde-a enfim,
Agora
que estávamos
Tão próximos do fim.
O
mal de viver
Que nunca acaba.
A caça jurada.
O troféu em
mim.
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Poema
d´amoniaco
Apetece-me
hoje
Uma historieta de demônios.
Com os seus nomes católicos,
Suas
vestes de lama.
Suas unhas vermelhas
Rabos antropomórficos,
Seus
bigodes de leite,
Seus risos e seus segredos,
Sua má-fama,
Seus
cascos de bode.
Apetecem-me
Os
exércitos de Astaroth.
Grão-general
Dos esquadrões
da Morte.
Apetece-me a cozinha
Nouvelle Vague e pachorrenta
Do meu íntimo
Nisroth.
Com seus
Venenos saudáveis,
Com seus
Bolinhos de
sorte.
Apetece-me
a bonomia
Bolachuda de Behemoth.
Apetece-me esta rima
Fácil e
forte.
Apetecem-me:
Demônios indianos.
As minhas listas de entidades
Intermináveis
com a juventude.
Apetece-me o
Sublinhado vermelho
Dos cadernos de carne
salgada.
Apetece-me apontar os pactos
Para não lhes perder a conta.
Apetece-me
o refúgio infernal.
Apetece-me um caldo,
A solenidade de um ritual.
Apetece-me
Rafael caído.
Partido aos pedacinhos.
Apetece-me que
O cão
Cérbero
Coma tudo até o fim
Como eu lhe ensinei...
Assim...
muito bem assim...
Apetece-me
o pentagrama.
O sangue quente
No interior da chama.
Apetece-me a missa
vermelha,
O sexo gratuito,
O baptismo.
Apetece-me até, um dia
destes,
Convidar Cristo!
Apetece-me a conferência.
Apresentar-me
Sem
coerência.
Com loucura pelos ombros
E uma pele de animal místico.
Apetece-me
o calor,
Por favor: uma quintessência bem gelada!
Apetece-me atirar
Uma
pedra no ar,
Sem mais!
Comprovar a teoria
Dos lugares naturais.
Apetece-me
o estigma
A jorrar confettis por todo o lado.
Apetece-me Leviatã,
O
seu beijo molhado.
Apetecem-me as
Várias prostitutas infernais
Num
jogo de cabras cegas.
Ai! Apetece-me um athamé
Que rompa todas as
celas.
Apetece-me o limão
Para escrever uma mensagem.
Apetece-me
Pazuzu
Para me levar numa viagem.
Apetece-me o genocído selectivo.
Eu
ser o dedo no botão.
Apetece-me ser o burro
A perseguir a cenoura.
Apetece-me
a serpente,
Todo o anjo demente.
Apetece-me o ácido e a corrosão.
Apetece-me
estrangular-te,
Espalhar-te por toda parte.
Apetece-me o Poeta,
Apetece-me
o Esteta.
Apetece-me o Demonólogo,
Seu filho Antropólogo.
Apetece-me
jogar
No número da Besta
E ganhar.
O
que eu não daria
Para dançar
E para vestir
Tão bem
quanto o Diabo.
Agora
a sério:
Apetece-me
o labirinto.
A morte.
A descida.
Apetece-me ser Demônio _
Dispensar
toda
E qualquer espécie
De vida.
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O
Ruído do Sangue
Ouço...
na
boca que brilha.
Poeta maldito,
vagabundo profundo.
Roupa aristrocática
imunda,
sentada, vidrada,
nas margens do Douro.
Mágico, o miserável
outro,
impressiona, bem o sabe,
com o truque da pequena quadra.
Poesia
instantânea do rato morto.
Alimento para uns,
arte para outros.
Pega
no animal
pela cauda sedosa.
Come-lhe a alma
à pequena dentada.
O
ruído do sangue
não deixa ouvir mais nada.
Ouço...
Naqueles
com sereias nas veias.
À distância de uma
sarjeta de lábios.
Pássaro
de Bosh,
negro, desfeito,
que se engana mais uma vez
a meu respeito.
Melodia
espelhada, arsénica, entoada.
Insuportável como as grandes obras
da
música Falseada.
Ouço...
Na
noite que morre.
Quando me conto
Entre as baixas servis
das horas pequenas.
Crianças-soltura.
Mandrágora-o
Tema.
Ouço...fiel.
Quando
bate lá em baixo.
Descontrolado
e fora de tom.
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Horroris Causa
No
fim da doce noite.
No limite familiar da
Próxima dor _
Seremos
doutorados
Horroris causa.
Pelo fogo _ no caos.
Pela chuva _ na mentira.
Os
nossos curriculuns mortiis
Serão enviados
Em envelopes amaldiçoados.
Em
todas as casas seremos
Sementes e armadilhas de cristal.
Entretendo famílias
inteiras
Em refeições de carne vermelha,
Em provas de vinhos
malditos.
Com fome e sede
Do Mal.
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