| Primeiras Escrituras Impressas
Na Alemanha,
em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu
a arte de fundir tipos metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte
produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim. Cópias impressas decoradas
a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos. Esta nova arte
foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 -
alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis
línguas até meados do século 16 - espanhol, dinamarquês, inglês, sueco,
húngaro, islandês, polonês e finlandês.
Finalmente as
Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas
traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do século
16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas
orientais, começaram a chegar à Europa ocidental. Havia pessoas eruditas
que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais
manuscritos.
Uma pessoa de
grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi
Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na
Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo
Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em
latim. Assim, pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter
acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os
manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e,
portanto, não eram completamente confiáveis.
Descobertas Arqueológicas
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Várias
foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor
entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos
que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C.
Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro
Nash do segundo século da era cristã. Mas sem dúvida a maior
descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava
uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos
do Mar Morto, na região de Jericó.
Durante
nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de
Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da
Bíblia hebraica que se têm notícias. Escondidos ali pela tribo
judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos
entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e
descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até
então considerados exclusivos do cristianismo.
Estes
documentos tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem
espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos
originais. O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono
14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e
233 d.C. Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase
completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do
nascimento de Cristo. Especialistas compararam o texto dessa cópia
com o texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito
chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que
as diferenças entre ambos eram mínimas.
Outros
manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do
profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de
profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase)
de Jó.
As
descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e
outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos
tradutores da Bíblia. Elas têm ajudado a resolver várias questões a
respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não
era absolutamente claro. Antes disso, os tradutores se baseavam em
manuscritos mais "novos", ou seja, em cópias produzidas em datas
mais distantes da origem dos textos
bíblicos. | |