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Introdução...

Em 15 de Abril de 1912, dois botes desmontáveis e 15 salva-vidas encontravam-se espalhados entre campos de ICEBERGS nas águas geladas do Atlântico. Meio congelados, exaustos pela emoção, os sobreviventes eram a prova bem frágil de que o grande TITANIC existira realmente, mas se afundara para sempre durante a noite. Nos destroços que boiavam numa grande área, centenas de cadáveres mutilados flutuavam de costas, alguns irreconhecíveis. O primeiro navio "inafundável" do mundo tinha ido a pique e desaparecido duas horas depois de seu encontro com um dos velhos inimigos dos marinheiros desprevenidos, o silencioso e implacável ICEBERG.

Era um colosso, com o comprimento de três campos de futebol e a altura de um prédio de 10 andares, o gigantesco transatlântico TITANIC naufragou apenas 2 horas depois de ter raspado em um ICEBERG, em sua primeira e única viagem para dentro da história, levando consigo mais de 1500 pessoas e diversas perguntas sem respostas.

Este trabalho irá enfocar o que levou esse navio considerado insubmergível a afundar, teria sido erro humano, falha no projeto ou teria sido maldição de Deus, já que muitos diziam que nem Deus podia com o TITANIC, embarque nessa viagem e desfrute dos conhecimentos que ela lhe proporcionará.


Como tudo começou

Depois do sucesso dos navios da CUNARD, o Lusitânia e o Mauretânia, J. Bruce Ismay, o filho do fundador da White Star Line, e o maior acionista o financista americano J.P. Morgan, decidiram marcar o futuro da linha com a construção de um trio de navios jamais imaginados pelo homem, os monstruosos OLYMPIC, TITANIC e o BRITHANIC.

Tudo começou em 1909, quando nos estaleiros da HARLAND & WOLF em BELFAST; Irlanda, teve início a construção de um colosso, o maior transatlântico do mundo, o RMS TITANIC. Seu casco tinha aproximadamente 268 metros de comprimento por 28 metros de largura e era formado por 2.000 placas de aço de 2,5 cm de espessura ligadas por 3 milhões de rebites.

O super navio era o maior objeto móvel que o homem já havia construído. Mais de 11.300 operários haviam trabalhado seis dias por semana, durante 26 meses, para forjar um colosso de 10 andares e mais de 45 mi toneladas.

"Não era tão forte quanto os dois gêmeos mais velhos de CUNARD, o MAURETÂNIA e o LUSITÂNIA" (SERLING, 1990, p.19)

"Como os titãs da mitologia grega, o navio também era um gigante de dez andares...." (TUNES, 1992, p. 60)

Em 31 de Maio de 1911 o casco do TITANIC é lançado a água com o sucesso em meio ao grande alvoroço de todos. Dez meses mais tarde todo seu equipamento já estava pronto. O navio fora construído com 16 compartimentos estanques, com portas a prova de alagamentos. Estas, fechavam-se automaticamente através de um simples apertar de botão de comando do navio.

Equipado com duas enormes máquinas a vapor e uma turbina que lhe conferiam uma potência de 50 mil HP, o TITANIC havia sido projetado para fazer a viagem entre a Inglaterra e Estados Unidos em apenas seis dias, à uma velocidade máxima de 22,5 nós (cerca de 41 Km/h).

Devido a todo seu aparato e enorme tamanho, os jornais da época relataram em manchete a frase "Nem Deus afunda o TITANIC". Poucos dias depois, em sua primeira viagem, afundou.

A partida de Southampton

Finalmente em 10 de Abril de 1912, o TITANIC está pronto para sua viagem inaugural. Das 9:30 às 11:30 da manhã os passageiros embarcam numa montanha flutuante com mais de 10 andares de altura. O luxo está visível em toda a primeira classe. O mundo jamais tinha visto um navio tão luxuoso como o TITANIC.

Todos embarcam com orgulho no navio que custou 1,5 milhões de Libras. À bordo do TITANIC encontravam-se pessoas riquíssimas que desfrutavam de piscinas, campos de golfe e cafés parisienses. Mas também, havia a bordo pessoas pobres que se amontoavam nas apertadas cabines da 3ª classe.

Para comandar o navio, a White Star Line escolheu o veterano Edward J. Smith. A princípio recusou-se tendo em vista estar próximo em aposentar-se, mas a empresa pressionou-o aceitar o comando do navio. Mediante muita fanfarra, gritos e choros o RMS TITANIC parte de Southampton em direção a Queenstown na Irlanda, onde iria pegar mais passageiros e deixar alguns, com uma parada antes em Cherburg na França. As únicas fotos existentes durante a viagem do TITANIC foram as tiradas durante esta breve viagem.

Logo ao zarpar, uma amara que prendia o cais do navio New York ficou de tal modo tão esticada pelo redemoinho feito pelo TITANIC, que não agüentando mais a força exercida sobre ela, arrebentou-se e chicoteou contra as pessoas que assistiam o navio zarpar. Uma mulher morreu e mais quatro ficaram feridas.

Mas, o que pouca gente sabia é que havia um incêndio incontrolável em um dos depósitos de carvão do navio.

Às 13:30 horas de 11 de Abril de 1912, o TITANIC ruma para Nova Iorque com 2.227 pessoas abordo, tomando como rumo a gélida rota ao norte do Atlântico - a mais curta, a que certamente daria ao TITANIC a "Flâmula Azul". Mal ganhou o mar alto o TITANIC viu-se envolto em inesgotável alegria, através de festas e mais festas. Durante os dias 12 e 13 tudo correu normalmente.


O pesadelo chamado ICEBERG

No dia 14 de Abril o TITANIC recebeu 7 avisos de gelo. Os avisos foram repassados ao Capitão Smith não surtiram muito efeito, ele apenas desviou a rota um pouco mais para o sul mas continuou em alta velocidade. Seguindo seu exemplo o segundo telegrafista, nem ligou quando o Californiam, que seguia a pouca distância dali, insistiu no perigo de três grandes ICEBERGS avistados naquele momento. Foi só quando o Baltic informou que enormes blocos de gelo flutuavam na sua esteira, que o segundo telegrafista resolveu mandar uma mensagem ao capitão. O capitão recebeu a mensagem e a repassou ao Sr. Ismay que apenas sorriu e comentou com duas senhoras que passeavam no convés: "Os ICEBERGS podem representar perigo para outros navios. Não para o TITANIC".

O navio não diminuiu a sua velocidade de 22 nós (aprox. 41 Km/h). - É provável que o fogo no depósito de carvão já estivesse controlado, pois era costume dos carvoeiros, quedo isso acontecia, atirar o carvão já em chamas nas caldeiras.

Ao anoitecer, o Capitão Smith pediu para colocar pessoas no mastro de vigia, pois os blocos de gelo já eram vistos em abundância. O céu era transparente, cheio de estrelas brilhantes, apenas via-se mar liso como vidro.

Às 23:40 horas o vigia Frederick Fleet avisou um objeto pequeno e escuro, mais escuro que as águas. O objeto aumentou rapidamente de tamanho, era um enorme ICEBERG a frente. Ele gritava o tocava o sino de alerta para avisar a ponte e comunicou: "ICEBERG pela proa". Quando o primeiro oficial Murdoch, na ponte avisou o enorme bloco de gelo já era tarde demais. - Quem sabe, se os vigias do mastro frontal estivessem de binóculos, o ICEBERG teria sido avisado antes esse desastre jamais teria acontecido. - Então o oficial Murdoch ordenou ao timoneiro: "Tudo a estibordo e todos os motores para trás".

O navio deslizou suavemente de encontro ao ICEBERG. - Com essa manobra evitou0se o choque frontal com o ICEBERG. - A lateral esquerda da proa do navio roçou o ICEBERG abaixo da linha d'água. Imediatamente foram ativadas as portas a prova d'água. Muitos pedaços de gelo foram arremessados aos convéses causado muita euforia entre os passageiros.

No porão do navio, o foguista Frederick Barret estava trabalhando arduamente, alimentando as fornalhas na casa das caldeiras nº 6, quando a sineta tocou. A luz vermelha acendeu. Gritamos para que fechassem as portas das fornalhas, e ouviu-se em estrondo. Pela parte lateral do TITANIC, cerca de meio metro acima da chapa do fundo, a água do ar, verde e espumando, irrompeu com violência, destruindo a antepara de estibordo em todo o comprimento da casa de caldeiras nº 6 e uma parte do depósito de carvão da nº 5. O sinal de alarme ressoava, acima da porta estanque, que começou lentamente a descer. Barret conseguiu esguiar-se para a casa de caldeira nº 5, enquanto a porta se trancava atrás dele.

Com a sacudida ocasionada pelo choque, o Capitão Smith dirigiu-se imediatamente para a ponte de comando onde lhe informaram da situação. Foi pessoalmente pedir a Thomas Andrews, engenheiro que construiu o navio, para checar os danos. Dirigindo-se para os compartimentos dianteiros do navio, Andrews constata que os estragos foram devastadores. Ao voltar dos decks inferiores, o engenheiro fez alguns cálculos baseando-se no tempo decorrido após a colisão com o volume de água já existente nos porões do navio, e fez uma péssima previsão ao Capitão Smith e ao Sr. Bruce Ismay, dono do navio, "O TITANIC vai afundar, temos aproximadamente 2 horas para evacuar o navio". O destino do TITANIC estava selado. - O ICEBERG bateu várias vezes no casco do navio abrindo diversos rombos. Estes rombos perfuraram 5 dos 16 compartimentos estanques que encheram-se rapidamente. Cerca de 7 toneladas de água por segundo entrava nos porões do TITANIC. Com 4 desses compartimentos inundados, o navio ainda continuaria flutuando. O fato dos compartimentos serem estanques, até certa altura foi prejudicial, pois, se encontrasse caminho livre, a água se espalharia mais depressa e o navio flutuaria por 9 horas, ao invés de menos de 2 horas e meia, como ocorreu.

Cerca de 5 pessoas que trabalhavam para salvar o correio que a Nova Iorque acabaram se afogando tentando salvar as correspondências.

 O desespero  

 

Às 24:00 horas o navio já havia sido inundado por 8 mil toneladas de água.

O Capitão Smith dirigiu-se aflito para a sala de Radiotelégrafo, onde forneceu a posição ao operador, pedindo para enviar sinal de socorro e que viessem rápido. O radiotelegrafista começou a enviar o sinal de S.O.S. (Save Ours Sours, salvem nossas almas), recém implantado. - Sinais de socorro foram captados pelas estações costeiras canadenses de HALIFAX e CABO RACE, que as transmitiram para as agências de notícias. Outro aviso foi recebido pelo CARPATHIA, um transatlântico que estava a quatro horas atrás do TITANIC, o qual informou que estava rumando a todo vapor para o local.

Mas o único navio que podia ajudar o TITANIC, e que até estava visível, era o CALIFORNIAN, cerca de 10 milhas do TITANIC. Mas, ele não recebeu os sinais de socorro pois seu radiotelegrafista havia tirado os fones para dormir.

Às 00:05 horas de 15 de Abril de 1912, o Capitão Smith chamou todos os oficiais e contou-lhes do ocorrido. O Capitão ordenou que fossem acordar os passageiros e que começasse a evacuar o navio. - O número de botes estava de acordo com o que a legislação de época pedia, afinal ninguém acreditava que eles poderiam ser usados.

Apenas 20 minutos após a colisão alguns passageiros diziam Ter a sensação de estar caminhando morro abaixo. Às 00:25 horas os botes começam a ser enchidos com "mulheres e crianças primeiro".

Às 00:45 horas desce o primeiro bote salva vidas e sobe ao ar o primeiro foguete de sinalização. Quando a inclinação no navio começou a aumentar o pânico e o desespero tomou conta de todos os passageiros. Muitos se atiravam na água. Aqueles que não morriam quando batiam na água, o mar gelado - cerca de 2 graus Celsius - se encarregava.

Às 00:50 horas a água chega 14 pés na parte dianteira do navio, e as bombas não dão mais conta. Em seus porões o TITANIC agora, 25 mil toneladas de água. Pesada devido ao acumulo da água nos compartimentos, a proa afundou. A água começou a entrar também, pelas aberturas da âncora.

Às 2:05 horas o último bote salva-vidas é baixado do TITANIC. Muitos botes foram baixados até a água com menos da metade de sua capacidade. É verdade também, que alguns desses botes arriscaram-se se aproximar do navio para resgatar algumas pessoas que se encontravam nas vigias.

Às 2:17 horas o último pedido de socorro é enviado. O Capitão Smith diz aos oficiais "Cada um por si". Logo após dirigiu-se para a ponte de comando, para afundar com seu navio. - Alguns tripulantes afirmavam Ter visto o Oficial Murdoch se dar um tiro na cabeça antes do navio afundar. O TITANIC começa seu mergulho.

Às 2:18 horas as luzes do navio piscam 1 vez e então apagam-se para sempre. Pânico geral a bordo do navio. Todos procuravam chegar até a popa do navio, não importando em pisotear ou agredir aqueles que cruzavam seu caminho. Os botes procuram afastar-se do navio para evitar o turbilhão que forma-se ao redor do gigantesco casco afundando. Dos botes, as pessoas assistem à luz do luar e das estrelas, o navio afundar rapidamente, em meio aos roncos de ferro se torcendo e aos gritos de horror e desespero, dos que ainda estavam a bordo.


Mais de 1.500 mortos

Com a inclinação do navio ultrapassando 45 graus, a pressão sobre as estrutura do navio chegou a 6 toneladas por centímetro quadrado. As vigias de aço começaram a ceder. A essa altura houve um colapso geral da estrutura do navio e, quando a água já chegava a 4ª chaminé um ronco ensurdecedor foi ouvido por todos. Não era o equipamento interno do navio soltando-se, e sim, o romper da estrutura do navio.

A popa, subidamente mais leve, ergue-se sobre a água gelada, quase na vertical, caindo com violência no mar, esmagando algumas pessoas que estavam no seu caminho. O TITANIC havia se partido em dois. - Muitos foram os boatos na época sobre o que ocasionou o rompimento do casco em dois, mas nada se sabia de verdade.

Somente em 1985, quando o TITANIC foi descoberto pelo Dr. Robert Ballard, concretizou-se testemunho de sobreviventes que viram o navio partir-se em dois. A proa do TITANIC está cravada no fundo do Atlântico, a mais de 3.800 metros de profundidade. A popa do navio está cerca de 800 metros da proa. Entre as duas partes existe um mar de entulhos - objetos de uso diário no navio, aço retorcido, objetos pessoais, etc.

Às 2:20 horas, com seu casco todo aberto a popa inunda-se rapidamente, inclina-se em um ângulo quase vertical e mergulha nas profundezas do oceano. - Com base nos cálculos hidrodinâmicos e do exame dos sedimentos no fundo do mar, os especialistas calculam que a proa desceu a uma velocidade de 20 Km/h, bateu no fundo do oceano e deslizou alguns metros sobre a lama. A popa mergulhou bem mais devagar, a cerca de 6 Km/h. Antes disso, aos 300 metros de profundidade, o TITANIC ainda sofreu várias implosões internas, ocasionadas pelos bolsões de ar que ficaram armazenados nas cabines.

Agora para aqueles que estavam vivos na água restava apenas lutar para manter-se vivo. Alguns tentavam chegar aos botes nadando, mas poucos conseguiam.


O resgate.

Às 4:10 horas, o primeiro barco salva-vidas é recolhido pelo Carpathia.

Às 8:50 horas, o Carpathia parte da área do desastre rumo a Nova Iorque, transportando 706 sobreviventes e sem água nos pulmões. Haviam congelado na água.

Entre os mortos, estava o próprio Capitão Smith, que teria permanecido no passadiço de seu navio até o fim, vestido em seu fardamento de gala, na melhor tradição náutica. Já o dono do navio, salvou-se num dos últimos botes a deixar o navio. O engenheiro que projetou o TITANIC permaneceu a bordo de sua criação, como se estivesse construído seu próprio túmulo.

Se a fatalidade foi tragicamente democrática, unindo ricos e pobres em um mesmo destino, a operação de salvamento foi levada a cabo segundo o saldo bancário dos passageiros. Estatísticas feitas logo após a tragédia indicaram que cerca de 34% dos homens da 1ª classe salvaram-se. Na 2ª classe apenas 8% e na 3ª classe 12%. Mesmo com a prioridade dada as mulheres e crianças cerca de 100 mulheres morreram. Todas as crianças da 1ª e 2ª classe foram salvas, mas, dois terços das crianças da 3ª classe pereceram.

 

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