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  De John Rockefeller a Bill Gates  
     
  O estilo truculento de comando também se firma nas empresas de tecnologia.  
     
 
John C. Dvorak
 
     
 

Aqui nos Estados Unidos a notícia quente é a desistência de Bill Gates do cargo de CEO da Microsoft, que foi passado ao seu velho parceiro Steve Ballmer. Pouco mais de um ano atrás, ele já havia transferido a posição de presidente também para Ballmer. O que significa isso, se é que significa algo? Até onde posso ver, nada. É apenas um título. A Microsoft é uma empresa única, dirigida de forma singular por uma personalidade forte, Bill Gates. Embora converse com vários executivos para definir as operações, ele tem a última palavra na empresa em relação ao que deve ser feito, e quando.

Nas reuniões de que participa, Gates é devastador, discute muito, quase passa das medidas. É um estilo que ele gosta de ver na Microsoft. Se você não consegue discutir com ele e defender suas opiniões, mesmo com o risco de ser demitido, então é melhor sair ou se esconder em algum lugar. "É a coisa mais estúpida que já ouvi em minha vida!" - diz Gates quando alguém faz uma sugestão de que ele não gosta. Ele também aprecia perguntar sacarsticamente a um empregado diante de seu chefe: "Será que de fato nós pagamos a você para trabalhar aqui?" Em vários aspectos, Ballmer é pior que Gates. Ele gosta de "esquentar" a maioria das reuniões gritando com alguém. É difícil acreditar o quanto esses dois sujeitos são normais em situações normais.

O que me diverte é que tudo isso prova algumas coisas interessantes. Primeiro, mostra que as pessoas se adaptam a qualquer coisa se o pagamento é suficientemente bom. Em compensação, por suportar esse estilo de administração (ou falta de estilo), os funcionários vão ganhar um monte de stock options (opções de compra de ações). Isso também prova que as centenas de livros que ensinam como ser um executivo de sucesso e ficar rico rapidamente estão todas erradas! Nenhum executivo bilionário que eu conheça (e eu pessoalmente conheço mais que o necessário) bate com os ideais propagados nesses livros.

A maioria dos mais reverenciados executivos americanos é incrivelmente chata e, muitas vezes, gente de gênio difícil. Esse estilo de sucesso vem desde Andrew Carnegie e John D. Rockfeller, ambos notórios grosseirões. Gates e Ballmer podem estar no lado suave do espectro. Steve Jobs, da Apple, é famoso por sua absoluta grosseria. Em vez de dizer "é a coisa mais estúpida que já ouvi", ele enxota o empregado que apresenta uma idéia - não importa qual seja a idéia - com as palavras "That's shit!" (isso é uma merda!). É uma vergonha essas pessoas serem respeitadas. Pelo jeito, o dinheiro fala mais alto. E todos eles têm bilhões de dólares para falar por eles.

Enquanto Bill Gates deixava a posição de CEO (embora mantendo a de chairman), Steve Jobs tornava-se o CEO permanente da Apple. Mesmo sendo insolente e pouco generoso, Jobs conseguiu recolocar a empresa no caminho do crescimento. Gates na verdade continuará tocando as coisas na Microsoft, só que vai reeceber menos telefonemas.

 
     
     
 

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