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Biografias
       
  Grace Hopper  
       
 

Gênio da matemática, pioneira do computador, inventora, professora - as realizações de Grace Hopper ajudaram a transformar a sociedade.

 

Juventude

Desde que era uma criança Grace Hopper gostava de aprender sobre máquinas, tecnologia e culturas de outros países. Seguindo a paixão de sua mãe pela matemática e a paixão de seu pai pela literatura, Grace tinha grandes expectativas para consigo mesma. A vida em família teve grande influência em seu crescimento. Do profundo relacionamento que ela tinha com seu avô, um inspetor na cidade de Nova York, ela aprendeu sobre a vida. Seu pai, Walter Fletcher Murray, foi um corretor de seguros de sucesso, que também mostrou a Grace a importância de uma boa educação para se vencer na vida. Sua mãe, Mary Campbell Horne Murray, seguiu uma carreira na geometria por um arranjo fora do comum mesmo quando este não era um trabalho encorajador para uma mulher. O avô de Grace, Alexander Russel, inspirou seu interesse pela Marinha. Russel foi um almirante da marinha norte-americana, uma posição que Grace iria ocupar em sua vida.

Os pais de Grace eram adiantados em sua visão de educação das mulheres, firmemente endossando a busca de Grace pelo ensino superior. Seu pai acreditava que Grace merecia uma educação superior tanto quanto seu filho, e, com o advento da depressão, ele achava que isto era imperativo para se obter um emprego seguro naqueles tempos de economia desesperada. Para isso, Grace entrou no Vassar College em 1924, e rapidamente se distinguiu nas disciplinas de ciência, especialmente matemática e física. Ela se graduou com honras Phi Beta Kappa e com um bolsa de estudos do Vassar College, e com esta bolsa de estudos continuou sua graduação na Universidade de Yale, alcançando um MA em 1930 e um PhD em 1934, bem como duas Sterling Scholarships e uma eleição para Sigma Xi. Durante este período Grace casou-se com Vincent Hopper, um professor de inglês da Universidade de Nova York.

 

O serviço na Marinha

Após a explosão da Segunda Guerra Mundial, Grace alistou-se na Marinha, a despeito da desaprovação das cadetes. Com o desejo de seguir os passos de seus avôs, Grace perseguiu uma carreira naval mesmo que não possuísse o peso e a altura requeridos para juntar-se à WAVES (Women Accepted for Voluntary Emergency Service - Mulheres Aceitas para Serviços Voluntário de Emergência). Mas Grace recebeu uma autorização e obteve uma licença do Colégio Vassar para se unir à Marinha. Todos acreditavam que as habilidades matemáticas de Grace seriam usadas melhor em casa, mas ela superou estes obstáculos também e juntou-se ao Mindshipman's School for Women. Grace se graduou em primeiro lugar em sua classe como a Tenente Júnior Grace Murray Hopper. A partir dali Grace foi indicada para trabalhar no Bureau of Ordinance Computation Project, na Universidade de Harvard, para trabalhar com computadores.

Hopper trabalhou com o comandante Howard Aiken, e ajudou no trabalho com o Mark I, o primeiro computador que automaticamente calculou os ângulos para as armas navais quando as condições atmosféricas não eram boas. Hopper continuou a trabalhar no Mark II e no Mark III. Pelas suas realizações com esta série ela recebeu o Naval Ordinance Award em 1946.

Após a Guerra muitas das integrantes da WAVE retornaram às suas vidas normais, mas Grace, que havia recentemente se divorciado de seu marido, Vincent Foster Hopper, quis permanecer na Marinha. Mas Grace havia chegado aos quarenta anos e a idade máxima para o serviço na Marinha era de trinta e oito, então ela teve que sair. Ela permaneceu no Harvard Computational Lab, se tornando membro da Reserva da Marinha.

Em 1966, a Marinha convidou Hopper a se retirar novamente, mas sete meses depois a Marinha descobriu que não poderia trabalhar sem ela e pediu que ela retornasse. Grace fora convidada a retornar por seis meses, mas acabou ficando por lá indefinidamente.


Grace Hopper em seu escritório na Marinha.

 

Os anos de programação

Após a graduação, Grace foi designada para o Bureau of Ordinance Computation na Universidade de Harvard. Lá ela foi recebida pelo comandante Howard Aiken que lhe apresentou o Mark I como um mecanismo de computação. Após se inteirar com a máquina, Grace recebeu sua primeira missão de Aiken, a qual consistia em obter os coeficientes da interpolação das tangente de um arco para a próxima quinta-feira. Os oficiais Robert Campbell e Richard Bloch a auxiliaram no desenvolvimento de seu programa para o computador, o que conseqüentemente fez dela a terceira pessoa a programar o primeiro computador automático de larga escala no mundo. Quando Grace o programou, o Mark I passou a ser usado para calcular os ângulos das armas navais. Uma grande quantidade de cálculos era necessária porque os ângulos dependiam das condições atmosféricas. Criar os programas para a máquina era entediante para Grace e companhia. "as folhas de código que nós usávamos tinham três colunas na esquerda [para os códigos] e escrevia-mos comentários na direita os quais não iam para o computador", explicou ela. Os valores eram transferidos para um cartão perfurado que subseqüentemente era introduzido no computador.

Com os problemas crônicos associados ao desenvolvimento do Mark e a inerente dificuldade de sua programação, os resultados demoravam para aparecer. Um dos maiores problemas eram o proverbial bug de computador, exceto que nesse tempo era um problema literal. Durante a construção do Mark II, o predecessor do primeiro computador, a máquina parou subitamente sem qualquer razão aparente. Durante a inspeção do computador, Grace e sua equipe encontraram uma traça, que entrou em uma válvula; a traça foi pulverizada pela válvula e conseqüentemente causou a falha. O termo bug (inseto) se tornou popular para significar mau funcionamento do sistema.

A nova máquina BINAC desenvolvida logo após foi programado na linguagem C-10, que de acordo com Grace, "se tornou a base para a maioria dos códigos. A significava adicionar, M era multiplicar, B era executar, C era limpar; este era um código bonito." Apresentados em octal, os programas forçaram Grace a aprender a aritmética octal por si própria, a qual ela eventualmente controlou com grande proficiência. Ela então percebeu a necessidade de simplificar o processo de computação, para torná-lo mais amigável. Trilhou diversos caminhos para alcançar este objetivo.

Grace criou seu primeiro compilador com a corporação Sperry em 1952. Conhecido como A-0, o sistema possuía um conjunto de instruções que traduziam códigos matemáticos para linguagem de máquina. Os sistemas posteriores, A-1 e A-2, foram desenvolvidos sob sua direção, e se tornaram os precursores das modernas linguagens de programação. Ela explorou a integração do inglês nos programas, bem como o compilador B-0, mais tarde conhecido como FLOW-MATIC. Dirigido para aplicações de negócios, a máquina de Grace estava efetivamente usando o FLOW-MATIC para entender frases em inglês.

Em 1957 existiam três grandes linguagem para computadores: APT, FORTRAN e FLOW-MATIC. Cada linguagem, entretanto, podia operar apenas em uma plataforma específica, e com a proliferação de linguagens muito diferentes, o uso de um formato simples e uniforme foi exigido. A linguagem universal para remediar este problema era o COBOL, e mesmo que Grace não estivesse envolvida no projeto, muito dele foi baseado em seu FLOW-MATIC.

 

Os últimos anos

Ao longo de sua vida, Grace Hopper recebeu muitos prêmios que nenhuma outra mulher havia recebido. Em 1946 ela recebeu o prêmio Naval Ordinance por sua participação na programação de computadores. Em 1964 ela recebeu o prêmio da Sociedade de Mulheres Engenheiras, o SWE Achievement Award. Muitas pessoas consideram o "Man of the Year Award " como sua maior realização. Quando ela recebeu este prêmio em 1969, ela foi a primeira pessoa a recebê-lo, e a primeira mulher a receber qualquer prêmio pela Data Processing Management Association. Grace foi a primeira mulher a ser nomeada para o Distinguished Fellow British Computer Society em 1973.

Grace também recebeu muitos prêmios dos colégios e universidades nos quais ela esteve presente e deu aulas, tais como o Upsilon Pi Epsilon, Honorary Member from Texas A&M; Honorary Doctor of Engeneering, Newark College of Engineering; Wilbur Lucius Cross Medal, Yale University.
Após todos os prêmios de reconhecimento que Grace Hopper recebeu, ela ainda acreditava que sua maior realização era ensinar. Grace deu aulas em muitos colégios e universidades em sua vida.

Grace Hopper morreu aos 85 anos em 1 de janeiro de 1992. Mesmo após sua morte Grace continua a influenciar a vida de muitas pessoas. O impacto que ela teve no mundo da programação mudou os computadores comerciais para sempre. Ela também influenciou a marinha e outros serviços militares através de sua perseverança e seus planos para o futuro.

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    Inclusão em: 06.01.2001 - Última atualização: 06.01.2001 Biografia completa  
       
 

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