O olho humano em fotografia, através da observação subjetiva,
necessita de desenvolver o hábito de perceber as imagens que escolhemos para um
registro fotográfico objetivo, cuja percepção envolve, simultaneamente, a concepção
mental do quadro de corte a fotografar e o destaque para um motivo que deveria ocupar um
dos pontos de interseção da marcação de divisão dos "terços" no
enquadramento, objetivamente posicionado.
Esse hábito transforma-se em uma virtude fotogênica, mediante o
despertar para a beleza essencial de tudo existente na natureza, fazendo com que se
desenvolva rapidez na percepção daquilo que tiver um valor a ser representado na
elaboração bem concebida de uma fotografia, utilizando técnicas objetivas e subjetivas.
Parte-se do pressuposto de que toda foto não significa toda a
realidade e sim uma pequena parcela desta, dotada de particularidades representativas de
um contexto geral. Por isso a fotografia implica em técnicas subjetivas e objetivas
utilizadas em simultâneo.
Então, o motivo deveria sempre ser percebido e fotografado com o destaque para sua
beleza verdadeira presente no tempo e espaço de um instante e fração da realidade
contextual (essência). Isso tudo, da maneira mais destacada possível em termos de
diferenciações entre motivo e fundo nas respectivas cores, formas, linhas e texturas.
- 1.2 Observação da luz em tons ou preto
e branco: Avaliação para controle do excesso de tonalidade cinza.
(Identidade e Autonomia)
Uma imagem deveria apresentar seus setores com riqueza de diversificação das
tonalidades, entre motivo e fundo, através de possíveis ajustes entre a maior
incidência de intensidade luminosa onde há predominância de tonalidades escuras e a
menor incidência onde há predominância de tonalidades claras.
No entanto, um excesso de tonalidade cinza deve sempre ser evitado na
fotografia em preto e branco através da orientação dos fatores de angulação, de
distanciamento e de iluminação, correspondentes ao direcionamento das fontes de luz e ao
posicionamento e distanciamento entre o motivo e o fundo. Habilita-se, assim, uma garantia
de rica diversificação tonal entre os setores com maior e menor intensidade luminosa bem
identificados com equilíbrio para destacar convenientemente os elementos básicos da
fotografia: motivo, profundidade de campo
e fundo.
Numa imagem bicolor, a ocorrência dos excessos de tonalidades em cinza provoca a perda
de detalhamentos necessários ao resultado da definição fotográfica, e ao se predominar
homogênea apresentação de motivo e fundo, ambos se confundiriam perdendo a respectiva
importância ou autonomia.
- 1.3 Observação da composição: Escolha do preenchimento
fotográfico em contraste com o motivo. (Fenomenologia contrastante e Harmonia)
Considerando-se que o motivo já esteja bem definido e destacado na
imagem, necessitaríamos de observar a composição de preenchimento desse fundo. Tal
preenchimento deveria ter, primeiramente, sua tonalidade predominante (clara ou escura)
diferente da predominância do motivo e, de preferência, uma adequação em si, adaptada
ou não, do campo visual, de acordo com a largura e altura.
Portanto, parte-se do princípio de que poderemos adequar composição
e campo visual, em se utilizando as lentes de maior distância focal ou fechando-se o
diafragma para correspondermos com situações em que o fundo demonstrar uma maior
profundidade e menor abertura do campo e, caso o fundo demonstre, ao contrário, uma maior
abertura e menor profundidade de campo, seria utilizando-se as lentes de menor distância
focal ou abrindo-se o diafragma, correspondendo-se com as respectivas situações de
influência da apresentação do fundo.
Também são elementos de relevante observação a composição das
formas e das texturas de fundo sempre, preferencialmente, diferentes das do motivo, cujo
aspecto fique naturalmente destacado e independente para comporem-se, motivo e fundo, de
modo oposto.
Na prática, aplica-se isto, se as circunstâncias não envolverem fonte de luz
artificial, ou flash em curtos distanciamentos.
- 1.4 Seleção de enquadramento: Centralização gravitacional,
interseção dos "terços", modo horizontal e modo vertical. (Ideal
contemplativo e Exemplificação)
O ângulo apresenta-se como uma técnica de posicionamento da máquina
fotográfica, sempre que possível, na postura de um observador ideal. A utilização
desses recursos implica em atender ao melhor enquadramento possível do corte fotográfico
de uma realidade, em se processando com um "dedo-leve" durante o clique do
disparo. Após conferir uma boa centralização gravitacional, por meio do alinhamento do
corte com o horizonte e um deslocamento lateral também coerente com o horizonte e,
geralmente, por orientação no princípio dos "terços", ou seja, linha do
horizonte em um terço acima ou abaixo (#).
Na medida em que o motivo é selecionado, quando necessita-se de compor
o enquadramento fotográfico de alguma realidade cujo valor de exemplificação se situa
na largura, seja do motivo ou do fundo, a melhor alternativa seria o apoio da máquina no
modo horizontal. Ou no modo vertical, quando se pretende fotografar alguma realidade cujo
valor de exemplificação se situa nas alturas (de motivo ou fundo).
- 1.5 Estilos de expressão fotográfica: Paisagismo,
natureza-morta, transparências, reflexos, silhuetas e rústicos. (Expressão e
Arquetipologia)
Muitas vezes nos deparamos, como fotógrafos, diante de situações
onde há um impasse gerado no instante em que se antecede ao ato de fotografar na
prática. Esse problema é resultado de um despreparo ou ausência de pré-visualização
das imagens, em nos atirando, indiscriminadamente, no desperdício ou na falta de
criatividade.
É necessário perceber e conceber as imagens como uma técnica de
pré-visualização fundamentada nos estilos de expressão livremente adotados, porém,
com a devida versatilidade artística, representativa ou arquetípica.
Um conjunto subjetivo de estilos expressivos para se proceder com a
técnica da pré-visualização poderia ser, entre outros: