O
MOTIVO
DO
MEU
CANTO
(PORQUE
EU
CANTO)
Talvez
porque
o
destino
Necessite
de
meu
canto.
Talvez
porque
haja
uma
fome
T�o
grande
dentro
desse
inferno
Que
nem
o
p�o
acalma.
Talvez
porque
vejo
Buenos
Aires
Amanhecer
em
desgra�a,
Com
a
simples
imagem
Dos
fios
nos
postes
Cruzando
o
seu
c�u
nesse
inverno.
Talvez
porque
necessito
crer,
Porque
preciso
de
for�a
Para
n�o
dormir
Na
cama
do
t�dio
cotidiano.
Talvez
porque
dependo
Do
fluir
dessas
palavras
Para
penetrar
tua
fortaleza
E
alojar-me
em
teu
cora��o.
Talvez
porque
seja
o
�nico
rem�dio
Que
me
d�
a
chance
de
chorar
de
amor.
Talvez
porque
sou
t�o
med�ocre
Que
me
apego
nessas
desculpas
Para
n�o
entrar
Na
roda
gigante
da
mediocridade
Vulgar
e
legalmente
consentida.
Talvez
porque
n�o
contraiam
os
m�sculos
de
minh'alma
quando
me
nego
a
gritar
com
a
voz
bem
forte.
Talvez
porque
seja
assim,
Simplesmente,
Porque
se
tornam
indispens�veis
estas
palavras
Para
mendigar
com
categoria
Um
passeio
pelas
planta��es
de
uvas
do
c�u
E
tomar
ali,
com
Deus,
uma
e
outra
ta�a
de
vinho.
Talvez
porque
esteja
aben�oado
Ou
amaldi�oado
com
este
dom
Ou
defeito.
Talvez
porque,
se
n�o
assim,
O
restante
da
hist�ria
N�o
teria
sentido.
Talvez
por
isso
E
por
outras
coisas
mais
�
que
eu
canto,
Porque
necessito
muito
mais
da
dor
de
parir
can��es
do
que
necessitaria
de
car�cias
para
alivia-lo.
Talvez
porque
o
destino
Simplesmente
colocou-me
em
seu
caminho,
Porque
precisava
de
meu
canto
Para
entret�-lo
E
n�o
tenho
outro
rem�dio.
Sen�o
eu!