Cidadania
O que é cidadania?
Cidadania é um processo que começou nos primórdios da humanidade, não é algo pronto, acabado. A cidadania se efetiva num processo de conhecimento e conquista dos direitos humanos.
Inúmeros são os direitos que deveriam ser naturais de todo ser humano: o direito à vida, à igualdade, etc., independentemente de cor, sexo, religião ou nacionalidade.
Ser cidadão significa ser nascido ou naturalizado num estado e estar sujeito a direitos e deveres desse mesmo estado. Cidadão é, pois, aquele que está capacitado de participar da vida em sociedade. Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade e melhorar suas vidas e a de outras pessoas, e nunca se esquecer das pessoas que mais necessitam. A cidadania deve ser divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação. A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os muros, respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como todas às outras pessoas), não destruir telefones e bens públicos, saber dizer obrigado, desculpe, por favor, e bom dia quando necessário... até saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas, o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso país.
Infelizmente, no Brasil e no mundo, nem sempre os direitos humanos são respeitados; ao contrário, são diariamente violados.
A escravidão dos negros pelos portugueses é um exemplo claro dessa realidade. Os negros eram vistos como objetos, propriedades dos patrões. Não possuíam direitos, identidade, nacionalidade, apenas deveres. Eram impossibilitados de adquirir instrução, pois a escolha lhes era proibida, eram impedidos de participar das decisões políticas, pois não possuíam o direito ao voto; não podiam opinar sequer pela própria vida, pois esta também não lhes pertencia. As mulheres escravas encontravam-se na mesma situação, e viviam mais uma situação de inferioridade, não possuindo o direito de educar seus filhos, pois estes eram vendidos.
Somente os homens brancos detinham direitos e o poder de decidir os rumos da nação.
Após a Proclamação da República, pensou-se que a cidadania seria efetivada, mas isso não ocorreu: a população continuou excluída das decisões políticas e permaneceu sem instrução.
Ao longo da história brasileira, as promessas de se efetivar a cidadania nunca cessaram e sempre estiveram presentes nos inúmeros discursos dos diversos líderes políticos brasileiros.
A Constituição de 1.988 eliminou todas as desigualdades políticas, mas ela não foi capaz de transformar a realidade do país. A morte dos sem-terra, em Eldorado dos Carajás (MT), em 1.996, é uma mostra viva do desrespeito aos direitos humanos.
A discriminação da mulher, do índio, do negro, do idoso reforça esta triste realidade, e como se não bastasse, o desemprego, o trabalho infantil, o aumento da criminalidade, do narcotráfico, do extermínio de pobres e menores, da fome, da repressão e da perseguição política, bem como a má distribuição de renda, a falta de prevenção de acidentes na construção civil, a falta de hospitais, de moradia, de educação, fazem parte do cenário cotidiano nacional.
A educação é uma condição indispensável para a efetivação da cidadania. Essa tarefa deve ser realizada com muita seriedade. Se sofrermos passivamente as conseqüências do despreparo, do atraso, é porque a educação não cumpriu o seu papel. Todos os cidadãos têm direitos e deveres. Em primeira instância é necessário conhecer esses direitos e deveres.
“(...) a diferença não está na ação, mas nos que a realizam”. (Spinoza, Tratado político, p. 83.)
A ética e a cidadania estão interligadas, pois a ética é a base da sociedade; quando ela está ausente o caos se estabelece. A violência que experimentamos todos os dias nas ruas, nos bares, nas escolas, enfim em todas as instituições e espaços humanos indicam claramente que a vida precisa de uma ética. Política sem ética? Cultura sem ética? As conseqüências se fazem sentir em todas as esferas da vida humana. A ética tem por finalidade a investigação, análise e explicação do comportamento moral humano, ou seja, o conjunto de princípios e valores que orientam as relações humanas. Os dez mandamentos são considerados como sendo o primeiro código ético e remontam à Antiguidade.
A cidadania exige que o cidadão:
Acredite e invista no trabalho social;
Cumpra com os direitos e deveres sociais, políticos e civis;
Trabalhe com responsabilidade;
Tenha indignação pelas misérias sociais e busque soluções;
Busque e assegure resultados, como compromisso ético;
Pense globalmente e aja localizadamente;
Seja pluralista e universal para não excluir;
Considere a autonomia de todos e as diferenças entre nós como fatores indispensáveis ao equilíbrio e ao fortalecimento da nação;
Acompanhe como participante os resultados dos trabalhos realizados pelos candidatos escolhidos, através da leitura de jornais, revistas, etc.;
Evite o individualismo e o egocentrismo no convívio social;
Respeite o patrimônio nacional;
Vote com responsabilidade;
Desenvolva integridade, honestidade;
Seja justo.
“CONCLUSÃO”
Ética e cidadania estão interligadas, pois a sua efetivação na sociedade depende da ação conjunta. A cidadania só se efetivará através da conscientização de que toda a nossa vida está interligada, que dependemos uns dos outros e de que todos os nossos atos são políticos. O cidadão sem ética fere os direitos dos outros cidadãos. A ética sem cidadania fere a política, pois “o poder político exercido sem ética violenta os direitos da cidadania”.
A cidadania implica participação nas questões sociais na busca de soluções para esses problemas. Cidadania é a participação de todos em busca de benefícios sociais e igualdade. Mas a sociedade capitalista se alimenta da pobreza e a grande maioria não pode ter muito dinheiro, afinal, ser capitalista é ser um grande empresário (por exemplo). Se todos fossem capitalistas, o capitalismo acabaria, ninguém mais iria trabalhar, pois não existiriam mais operários. Implica o conhecimento de que as decisões relacionadas a nossa vida cotidiana, como investimento na educação, na área da saúde, transportes, etc., dependem dos políticos escolhidos por nós. Desta forma, participarmos efetivamente da escolha dos políticos que vão dirigir o rumo da nação brasileira é um ato de cidadania.
Um cidadão com um sentimento ético forte e consciência de cidadania não deixa passar nada, não abre mão do poder de participação.
Seria importante que cada um de nós cumpríssemos o nosso verdadeiro papel de cidadão, para que unidos talvez, conseguíssemos “dar um jeito” em nosso querido país...
BIBLIOGRAFIA:
Ensino Didático 2.000 - Editora Didática Paulista.
Autora: Tânia Queiroz - Ética e Cidadania, pág. 482