Avaliação: Tema para Reflexão
Embora sejam muitas as formas de posicionar e definir a avaliação, podemos, com poucas distinções entre os autores mais consagrados, conceituá-la como sendo um processo de julgamento baseado em informações confiáveis que conduz a uma tomada de decisões.
A seleção das variáveis intervenientes e a obtenção de informações correspondentes ao seu desempenho e ao seu tratamento constituem a etapa inicial que conduz à análise e interpretação dos resultados obtidos para a formação do juízo de valor e a conseqüente tomada de decisões que, afinal, vem a ser o objetivo primordial da avaliação.
A qualidade dos indicadores de desempenho das variáveis e os instrumentos de coleta das informações são essenciais para a qualidade técnica do processo de avaliação.
A avaliação, seja ela quantitativa ou qualitativa, como assinalam alguns autores, deve ser baseada em fatos e situações que sejam mensuráveis, evitando-se, sempre que possível, as interpretações subjetivas de natureza pessoal dos avaliadores. Os dados devem refletir, no seu conjunto, os critérios e os
indicadores do comportamento das variáveis, incorporando qualidades ou atributos próprios, tais como a validade e a fidedignidade que assegurem a sua confiabilidade.
Validade no sentido de que estejam medindo o que se pretende medir e fidedignidade afastando as possibilidades do acaso na sua formulação.
Tyler, nos anos trinta, Scriven e Bloom, já introduziam modelos de coleta de dados nos seus projetos de avaliação por objetivos de desempenho educacional. Bloom, inclusive, categorizou a avaliação em Diagnóstica, Formativa e Somativa, segundo os momentos de sua aplicação, antes, durante ou ao final do processo.
Por outro lado, Lion Gardiner, seguindo os conceitos de Anderson, Ball e Murphy, identifica três conceitos praticamente didáticos no processo de avaliação, a saber: a Mensuração, a Verificação e a Avaliação.
A Mensuração e a Verificação confundem-se, sendo a segunda não dimensional e mais ampla, ao invés da simplificada, considerando não apenas a coleta de dados como também a sua organização e tratamento ou,
ainda,
a própria geração da informação para que seja interpretável e passível de
uma análise completa e adequada.
A Mensuração e a Verificação, segundo esses autores, são anteriores à avaliação, mas, de fato, poderiam, como foi dito anteriormente, ser consideradas como etapas do processo de avaliação. Para eles, avaliação é a etapa de julgamento e de decisão baseada nas informações colhidas.
Na etapa da Verificação são selecionados as variáveis e os indicadores de seu desempenho. Os critérios podem ser qualitativos e quantitativos, intra-sistema, extra-sistema ou de efeitos induzidos, ou seja, se estão relacionados aos aspectos operacionais de natureza interna do processo ou se buscam relações com atributos externos. Mercado de trabalho, promoção social de egressos ou se o programa sofre interferências induzidas como localização, competição, relações comunitárias, etc., são exemplos elucidativos disso.
Outras considerações técnicas residem na Verificação como composição e dimensão da amostra, parâmetros referenciais, seleção das populações alvo, etc.
Folha Dirigida, 28/08/2001 - Rio de Janeiro RJ