A vida, um riacho

Isso tudo parece tão virtual, inócuo e vazio...

Que dá a impressão que dentro da gente tem um túnel

Ou talvez um riacho, que passa rápido..

E a gente fica assistindo por cima, em uma árvore.

Quando fixamos os olhos em algo

Perdemos o outro que vem logo atrás..

 

Tudo muito rápido.. "impegável",

Intocável..

Triste..

Quando damos sorte...

Acontece que uma coisa do riacho..

Encalha em uma pedra,

E a gente, de cima da árvore..

consegue apreciar um pouco mais..

Mas logo essa coisa se vai também.

 

E fica somente a gente... na árvore...

Olhando o riacho passar..

Até cochilar,

E cair da árvore no riacho..

E se ir também... junto...

Com a correnteza..

 

Mas mesmo assim

A gente nada, e sai pela lateral...

Jura que não vai mais subir em árvore perto do riacho,

Mas sobe novamente...

 

É a sina dos solitários..

Ficar vendo a vida passar..

Como um riacho..

 

Às vezes a gente quer ser a pedra..

Para alguma coisa encalhar na gente..

Mas, pensando bem, a vida de uma pedra é solitária..

Mais ainda que a de um solitário em uma árvore

Vendo o riacho passar...

 

Viu só? Encalhou na pedra do meu riacho..

Mas já se vai...

E eu vou ficar na árvore,

Vendo o riacho,

E talvez caia na água

E se vá, sem nadar.

 

 

 

Gideon M. Gonçalves

 

 

 

 

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