Almas enlaçadas no inverno

 

 

Queria, hoje, dormir

Com as minhas pernas enlaçadas nas suas...

Roçando meu pé direito no seu esquerdo...

Meus braços em torno da sua cintura

E meu rosto perdido nos seus cabelos...

 

Dividindo o mesmo travesseiro...

Seus suspiros misturados aos meus...

Seu coração ensaiando com o meu...

Prá acertar os passos do nosso viver...

 

Sonhar que tudo isto é verdade...

Burlar a realidade e por lá ficar...

Ou então, trazê-lo (o sonho) para cá, meu quarto...

E, de fato, acordar com você ao meu lado...

 

De noite, balbuciar palavras desconexas...

E você, meio sonolenta, me acariciar...

Como se eu uma criança fosse...

Eu, acordado, fingir que dormindo nada percebia...

Prá aproveitar ao máximo, esse carinho...

 

O frio, às vezes, troca de posição na gente...

Sentimentos dormidos, que estavam esquecidos...

Mas que, um dia foram vividos...

Por uma paixão louca...

Voltam a ser vividos, e os sentimentos vividos

Hibernam nas nossas memórias.

 

Nada novo, tudo novo...

Você confunde meus sonhos e realidades...

Dá vontade tê-la definitiva aqui...

Mas, tenho de me contentar como pouco que temos...

 

Dá vontade esmurrar a parede...

De paixão de querer ter você aqui...

E somente a parede me acompanhar...

Gélida e incólume, ali...

 

Vou dormir agora.

Beijos carinhosos, frios e gélidos

como o inverno do nosso amor...

 

 

 maio, 2002

  Macaé, RJ

Gideon M. Gonçalves

 
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