Empresa, organismo inteligente?

Ensaio

 

 

Gideon Marinho Gonçalves

Rio de Janeiro, 4 de junho de 2001

 

A inteligência da empresa

 

Quando falamos de inteligência da empresa estamos nos referindo aos momentos em que  ela age de forma “espontânea” baseada nas ações inteligentes que a caracterizam. Como uma pessoa física, a pessoa jurídica detém características que a possibilita ser reconhecida como um ser inteligente. Quando a empresa alcança esse estágio é porque conseguiu combinar os fatores humanos, sistêmicos, conhecimento do mercado e conhecimento pleno do negócio de forma que isso resulta em sua “inteligência”.

Sendo um “ser inteligente” precisamos comparar a empresa a outros seres inteligentes para relacionarmos de forma adequada com ela. Sabemos que os animais usam a sua inteligência (instinto, fatores biológicos e cognitivos desenvolvidos em contato com o meio) para sobreviverem ou perpetuar-se. Considerando os recursos escassos e limitados do ecossistema (meio) surge uma competição entre as espécies e dentro da própria espécie com o objetivo de se apropriarem dos recursos necessários para si. As empresas, como as “pessoas jurídicas” tentam agir, inexoravelmente, de forma semelhante quando, entendo, dessa forma tem de reconhecer que, tal como os seres vivos, ela  utiliza a sua “inteligência” que é a combinação dos fatores citados anteriormente. Parece que a designação “pessoa jurídica” faz mais sentido quando precisamos enquadrá-la dento das responsabilidades (direitos e obrigações)  jurídicas. Me parece fundamental designar as empresas, quando focalizadas como as estou focalizando, como pessoas de forma que pudéssemos atribuir ou mesmo identificar os atributos “ontológicos” desse ser, portanto, não poderíamos designá-la como “pessoa jurídica” já que aqui trata-se simplesmente de  responsabilidade  jurídica, como foi dito. Não poderia designá-la tão pouco como pessoa biológica (homem, animal, vegetal) já que, evidentemente, não o é, no entanto poderia designá-la como pessoa “ontológica” já que assim conseguiria chegar mais próximo da sua “alma”, do seu “ser”. Outra abordagem poderia ser quanto aos seus objetivos e, em uma análise não muito exigente, a sua razão de existência o que resulta no seu “fim”, portanto, uma empresa poderia ser uma “pessoa ontológica de mercado”. Parece redundante o adjetivo “ontológico” já que isso é próprio de uma pessoa, chegaríamos, então, a designação resumida de “pessoa de mercado”. Dessa forma parece-me razoável admitir que o mercado seria composto por Pessoa de Mercado (as empresas), produtos (bens oferecidos pelo mercado) e consumidores.

 

Produtor

Produto

Consumidor

Pessoa de Mercado

Bens

Pessoa de Mercado

Pessoa Física

 

 Darwin e a Empresa 

Alguns insistem em abordar a semelhança comportamental entre as empresas e a evolução darwiniana, ou seja, evidenciam a dinâmica das empresas no mercado, ou seja, no seu meio.

Essa dinâmica se daria nos moldes em que se dá no meio animal, ou seja, a busca egoísta pelos recursos necessários a si o que sempre resulta em eliminação de alguns concorrentes. Analisando por outro aspecto, observo, que diferente de um animal, que de certa forma, parece ser autônomo quanto as suas ações, as empresas não seriam autônomas em suas ações, mas estariam refletindo os desejos de seus dirigentes e acionistas considerando os objetivos de seus negócios. Portanto, em uma análise que chamaria de psicológica eu diria que são as ações humanas que se exteriorizam ou se instrumentalizam por meio de empresas. Essas ações seriam aquelas em que, como pessoas físicas, os homens não teriam coragem de executá-las dados a moral e a lei que controlam suas ações. Parece que surge aqui um fator interessante para discutir-se que seria a moral das empresas. Ora, uma vez entendendo-se as regras que define essa moral, o que se dá é uma apropriação pelos humanos de uma moral que rege as ações de empresas. Parece-me, que a morte de uma empresa, logicamente, não tem o mesmo efeito que a morte de um humano, é obvio. Por isso, entendo, os homens conseguiriam de alguma forma exteriorizar o impulso natural de eliminar um concorrente na busca dos recursos necessários a si e o fariam no nível das empresas. 

 

 

 
     
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