ESCRAVOS NO IMPÉRIO
Os poderosos e sua mensagem
De imperialismo salvítico.
As guerras santas de um século
Que iniciou da forma errada.
Eu pensei que seria fácil
Passar-me por normal
Em meio a uma multidão estranha.
Vim a um país distante,
Correndo das dores pelas quais passei.
Um homem maluco com um sonho
É uma arma mortífera.
Ele se passa por herói de uma causa nobre,
Enquanto vitimiza suas presas.
E nós todos estamos presos
Em uma rede de mentiras e meias-verdades.
Amortecidos pelo pão e circo
Que os nobres nos ofertam
Em troca de nossa servidão.
Eu não sei usar palavras prodigiosas,
Mas sei fingir que não vejo o que vejo.
Não sou um santo vestido de alva cor.
Sou um pecador apaixonado.
Amo a história entalhada em minha pele vil,
E as recordações buriladas em minha memória.
Sou um pacato bem-intencionado,
Que foge às oscilações dos mares que navego.
Sou membro de uma nova raça.
Todas as manhãs vejo na populosa estação
As faces de trabalhadores explorados.
Vejo o rosto de imigrantes sub-pagos
E de prostitutas severas.
Eu lembro-me da Pátria, Mãe-Gentil,
Que pariu-me para dar-me ao mundo;
O mundo barulhento de sufocos.
Saravá, Xangô mandou-me dizer
Que todos são escravos no Império do Norte.
Os homens de vergonhas mutiladas.
Os líderes do Império a mentir na tevê.
O deus assassino dos crentes sacrossantos,
Que crucificam os pecadores como eu
Em estacas de fogo;
E exportam seu modelo de escravidão
Para os quatro cantos do globo.
Vivemos em um mundo de escravidão,
Somos escravos subalternos do Império do Norte.
©2005, Gibson da Costa.