REPORTAGENS
GERALDO CUNHA: NA SURDINA NA PENUMBRA NO TERCEIRO UÍSQUE
JORNAL DA TARDE/SP – 1973 - Por Paulo Cotrim
Era um sonho. vinha de longe, ainda dos anos 50, quando Geraldo Cunha chegou a São Paulo. tímido ainda, sem o domínio de agora,Geraldo já tinha a fortaleza que no meio musical se chama "garra”. Geraldo tinha um companheiro, filho de gente famosa, mas ainda desconhecido. Era Peri Ribeiro. Andavam juntos, compunham juntos, um animava o outro. Tempos duros, 
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mas bonitos. Geraldo chegou até a engatilhar num barzinho no terceiro andar da Galeria Metrópole, então recém-inaugurada. Mas os tempos eram ainda verdes. Hoje, Geraldo Cunha é um nome. Extraordinário violonista, é também cantor. Melhor violonista que cantor.

Repertório excepcional, que vai do “Pelo Telefone”, de Donga, até o “Calabar” de Chico. Acreditamos que o próprio Geraldo venha a rir desta nossa opinião. Talvez ainda esteja aprendendo a última canção de Chico Buarque, mas de uma coisa temos certeza: Se Geraldo não sabe hoje, amanhã saberá. O cuidado com o repertório, a atenção que dá ao ouvinte, a fantástica sensibilidade fizeram dele um dos seresteiros mais queridos de São Paulo.

Além de Geraldo, o Terceiro Uísque tem Wandeca. Pequena, escondidinha. Wandeca é uma força quando canta. Tem balanço, tem divisão, excelente comunicação. Igual a Claudete Soares, merecia cantar em cima do piano.

Para o sucesso da casa, contribui a iluminação discreta e todo o clima suave do Terceiro Whisky. Até o piston de Paulinho Astronauta é tocado na surdina. No revezamento, muita gente pode estranhar um cantor internacional: Tony Pierrô. Voz forte, cabelos brancos, Tony conhece velhas canções, aquelas dos filmes antigos, das quais muita gente tem saudade. “As time goes by”. A discrição fez bem a Antonio Carlos, outra atração da casa. Houve tempo em que ele exagerou, pensava que era Milton Nascimento. Mas, felizmente, não era. Era simplesmente Antonio Carlos, muito jovem ainda, boa estampa, ótimos graves.

O Terceiro Whisky é portanto o lugar ideal para se curtir a noite até a madrugada, semelhante àqueles barzinhos que havia antigamente, nos quais todo mundo se conhecia e se comunicava.
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