| REPORTAGENS |
| GERALDO, UM NOME DA NOITE JORNAL FOLHA DE S�O PAULO � 27/07/1977 � por Celso Marinho |
| Como muitos bons m�sicos de S�o Paulo. Geraldo Cunha � conhecido quase somente pelos que freq�entam a noite paulistana. Ele pode se considerar privilegiado pois consegue sobreviver com seu trabalho. Mas para isto � obrigado a tocar em duas casas, (Paddock e Terceiro u�sque), todas as noites e ainda fazer shows, aos s�bados � tarde, mostrando sua voz vers�til e seu excelente viol�o nas casas de recolhimento de menores abandonados, num trabalho patrocinado pela Secretaria de Ci�ncias Cultura e Tecnologia, que ele considera da maior import�ncia. Geraldo Cunha aprendeu a tocar viol�o sozinho, na Bahia, de onde saiu em 59 vindo para o Rio, onde ficou por dois meses. Em S�o Paulo, chegou para fazer um programa de Chacrinha na televis�o Tupi. Dos |
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| contatos feitos ali, surgiu um convite para outro show e logo depois conheceu Pery Ribeiro, com quem come�ou a trabalhar. Ambos foram convidados para a Tupi, sob um contrato que exigia o atendimento de toda a programa��o da r�dio e da televis�o, com um pagamento mensal baixo demais para tanto. Nesta �poca gravou seu primeiro disco como int�rprete. Seus contatos inclu�am Paulinho Nogueira, que j� era bem conceituado. A bossa nova estava come�ando no Rio e ele, Paulinho e Pery come�aram a trabalhar com o grupo do teatro de Arena (Guarnieri, Boal). �O Arena trazia m�sicos de outros lugares e dava bastante incentivo aos que tinham valor e estavam come�ando. A coisa cresceu bastante�. Entre 61 e 62 abriu o Jo�o Sebasti�o Bar, uma casa noturna que marcou �poca em S�o Paulo apresentando os melhores nomes da m�sica popular brasileira da �poca. Pouco depois abriu o Jogral, na galeria Metr�pole:'A. casa era freq�entada por poetas, intelectuais, jornalistas, que ficavam apreciando repentes, modas de viola. Era muito comum assistir um desafio entre Paulo Vanzolini e Carlos Paran�, do qual acabavam participando todos, tanto os freq�entadores habituais como espor�dios". Em 64, Geraldo montou seu primeiro bar, o Barbossinha, onde dava continuidade ao ambiente musical do r�dio e da televis�o. Foi neste bar que entrou em contato com o grupo baiano de Gil, Caetano, Gal, Beth�nia: "Tamb�m ia o Edu Lobo, Capinam, Torquato Neto. Era um bar pequeno, freq�entado tamb�m por estudantes, onde fic�vamos fazendo m�sica na intimidade". Nesta �poca Geraldo fez muitos shows com Claudete Soares, Pedrinho M�ttar e Walter Santos. Foi mais ou menos neste per�odo que a vida noturna de S�o Paulo pegou fama. tanto que a cidade come�ou a ser invadida por m�sicos estrangeiros: paraguaios, argentinos, uruguaios: �Todos vinham tentar a sorte. As casas abriam uma atr�s da outra e n�o faltava lugar para trabalhar". Os festivais come�aram a aparecer na Excelsior, seguida pela Record e Globo. Os artistas que gravavam tinham bastante apoio das r�dios e televis�es. O sucesso foi tanto que surgiu o programa "O Fino" e contratou os maiores nomes aparecidos nos festivais e da vida noturna : "ent�o aquele p�blico acostumado a ver seus �dolos ao vivo passou a v�-los na televis�o, dando in�cio � decad�ncia da vida noturna. Os festivais divulgavam o pessoal da noite, a Jovem Guarda come�ava a aparecer mas a m�sica brasileira ainda era bastante executada". Atualmente esta decad�ncia est� praticamente consumada. As casas n�o conseguem se manter com os gastos (principalmente taxas fiscais) que a m�sica ao vivo demanda e as discotecas tomam conta da noite, diminuindo ainda mais o mercado. Situa��o que se agrava pela falta de uni�o dos m�sicos. Esta situa��o afeta, em diversas propor��es, todos os m�sicos e o privil�gio de Geraldo, escorado pela sua, larga experi�ncia, est� no fato dele pelo menos conseguir sobreviver �s custas da m�sica apenas. Al�m dos shows que faz todas as noites em duas casas paulistanas, Geraldo est� apresentando espet�culos para menores abandonados, e est� gostando muito: "O programa da Febem/Pl�mec, patrocinado pela Secretaria de Ci�ncia, Cultura e Tecnologia, consiste em levar, shows de musica, teatro, folclore e espet�culos de circo, �s unidades de recolhimento de menores abandonados. � um trabalho que me gratifica muito, no qual eu posso dar minha contribui��o na forma��o humana destes jovens. Entre eles j� encontrei muitos poetas, m�sicos e compositores. Apresento-me regular-mente desde julho do ano passado e j� fiz shows em 8 unidades da Capital e dez do Interior". Geraldo conta que em 12 de junho, quando fez um show no parque do Morumbi, o local estava cheio de fiscais da prefeitura: "para ver se n�s n�o depred�vamos o Parque. Eles deviam mesmo promover este tipo de espet�culo em todos os parques da Capital. A maior movimenta��o de m�sicos foi quando morreu Macumbinha: "o m�sico � muito emotivo e a revolta foi muito grande. Muitos se espelharam na situa��o dele e outros tiveram dores na consci�ncia por n�o terem contribu�do com provid�ncias necess�rias para que n�o acontecesse". Existem m�sicos eruditos, outro de est�dios de*:. grava��o, outros de m�sica .folcl�rica ' ou especialistas em bailes. Cada tipo forma um grupo e n�o existe troca de informa��es: "mas todos se revoltaram e ningu�m vai esquecer o que aconteceu nem quer que aconte�a consigo. O momento � para o m�sico s� unir. Chegou a hora de sairmos do, amadorismo e sermos profissionais de verdade. O primeiro passo � nos prepararmos para impor e fazer valer esta condi��o". |