Geografia Geral - Recursos Naturais

 

 

5.1. - Ind�stria Extrativa Mineral

 

5.1.1.- Recursos naturais

O extrativismo mineral � considerado mais uma atividade do setor secund�rio de produ��o (ind�strias de bens de produ��o ou de base), visto que usa m�quinas e tecnologia avan�ada para retirar os recursos minerais existentes na natureza. Os recursos naturais vegetais, animais ou minerais s�o os bens �teis que a natureza oferece ao homem; tal utilidade, por sua vez, depende da organiza��o social e da evolu��o hist�rica dos agrupamentos humanos.

As condi��es b�sicas para que ocorra o extrativismo mineral s�o as seguintes:

  • Identifica��o e localiza��o das jazidas minerais (lugares onde se concentram determinados min�rios em rochas no subsolo).

  • Exist�ncia de tecnologia para a prospec��o (localiza��o e c�lculo do valor da jazida mineral) e a pesquisa das camadas geol�gicas do subsolo.

  • Constitui��o f�sico-qu�mica do min�rio (geralmente carregado de canga, ou impurezas), determinando sua qualidade, utilidade e consequente cota��o no mercado.

  • Viabilidade de transporte do min�rio ao mercado consumidor interno ou externo - o mais barato � o aqu�tico ( fluvial ou mar�timo), depois a ferrovia e, em �ltima inst�ncia, a rodovia.Exemplo: o custo/tonelada na Hidrovia Tiet�-Paran� custa US$ 61, enquanto na rodovia � de US$ 121.

Em rela��o � lucratividade da ind�stria extrativa mineral, valem os mesmos argumentos j� usados nas commodities agr�colas:os pa�ses subdesenvolvidos produtores de mat�rias-primas brutas apresentam d�ficits em suas balan�as comerciais pela baixa cota��o ouu manipula��o de seus pre�os. Enquanto os pa�se consumidores apresentam super�vits em face da fabrica��o de insumos (mat�rias primas j� elaboradas), servi�os e produtos industriais de alta tecnologia.

As rochas, por serem agregados de minerais (e estes de elementos qu�micos) s�o importantes para a ind�stria extrativia mineral. O seu processo de forma��o � condicionado pela din�mica interna da natureza (tectonismo, vulcanismo e abalos s�smicos) e sua din�mica externa (eros�o, transporte e acumula��o dos agentes externos do relevo). Em face destes condicionamentos, j� estudamos que as rochas podem ser magm�ticas (extrusivas ou vulc�nicas, intrusivas ou plut�nicas), sedimentares (detr�ticas, qu�micas, org�nicas) e metam�rficas. Nos escudos cristalinos (per�odo proteroz�ico) h� muitas riquezas minerais met�licas; por outro lado, nas bacias sedimentares h� min�rios n�o-met�licos de origem f�ssil (petr�leo, carv�o, folhelho).

 

5.1.2.- Fontes de energia

Segundo o dicion�rio ("Aur�lio"), a "energia � a propriedade de um sistema produzir trabalho", ou a capacidade que certos recursos naturais tem de gerar for�a. H� varias modalidades de energia em face de suas fontes ou proced�ncias diversas.

 

Vejamos o quadro.

Modalidades de energia

Fontes de energia

Muscular (mec�nica )

Homem ou animal (ex: arado de tra��o animal)

Calor�fica ou t�rmica

Lenha, vapor d��gua, carv�o mineral, petr�leo(termeletricidade), �lcool (de cana de a��car), Sol e vulc�es (energia geot�rmica)

Mec�nica dos ventos ( moinhos)

E�lica (depende da intensidade dos ventos)

Qu�mica (pilhas, baterias)

Rea��es de subst�ncias qu�micas

Mec�nica de �guas correntes (quedas d��gua)

Hidreletricidade (energia mec�nica das �guas transforma-se em el�trica nas turbinas)

Termonuclear ou at�mica

Fiss�o nuclear (ur�nio) ou fus�o nuclear (H)

 

As fontes de energia podem ser renov�veis -relacionadas �s for�as da natureza( como os ventos; as �guas correntes dos rios e dos mares; o Sol; os vulc�es e geiseres) ou aos seres vivos animais e vegetais (fontes bi�ticas como o biog�s, o etanol, o metanol) e tamb�m podem ser n�o- renov�veis ou minerais (como o carv�o mineral, o petr�leo, o folhelho, o ur�nio). Atrav�s das fontes de energia se potencializa a for�a de trabalho do homem, se acionam as m�quinas e se agilizam as comunica��es no espa�o geogr�fico. Ap�s a Revolu��o Industrial, iniciou-se o uso de fontes modernas de energia que, aplicadas �s m�quinas, aumentaram muito a produtividade dos agentes de produ��o (terra, capital e trabalho).

Atualmente h� um uso predat�rio dos bens econ�micos e recursos naturais, em face do consumismo (t�pico da sociedade de consumo de massa dos pa�ses desenvolvidos), da menor durabilidade dos bens de consumo, da presen�a de produtos descart�veis e da pr�pria din�mica de mercado, que precisa renovar estoques periodicamente.

Devemos, pois, tomar consci�ncia das limita��es da natureza em seu processo de autoregenera��o e assim respeitar o meio ambiente e adotar procedimentos conservacionistas, isto �, o de usar o m�ximo e o maior n�mero de vezes os bens econ�micos, atrav�s da reciclagem. Al�m disto, fala-se em desenvolvimento sustent�vel, isto �, aquele que preserva o meio ambiente, conhecendo-se melhor os ecossistemas naturais, aproveitando-os racionalmente, respeitando os ciclos da natureza e garantindo a sobreviv�ncia da humanidade.

Infelizmente, estamos longe ainda dessa meta de desenvolvimento sustent�vel, pois cerca de 75% da oferta de energia do mundo atual corresponde � gerada pelos combust�veis f�sseis (petr�leo e carv�o mineral), muito poluentes, consumida pelas ind�strias e meios de transportes.

 

5.1.3.- Fontes modernas de energia (carv�o, petr�leo, ur�nio, hidrel�trica)

Estas fontes modernas de energia representam 90% da produ��o de energia mundial.

 

a) Carv�o mineral (como o petr�leo, � um combust�vel f�ssil, pois origin�rio de fossiliza��o de mat�ria org�nica em bacias sedimentares, sob certas condi��es).

� Processo de forma��o geol�gica - Desde a Era Paleoz�ica, no per�odo Carbon�fero, restos de vegetais lenhosos em �reas de clima frio e seco, junto com sedimentos, foram se acumulando no fundo de lagos, com pouca oxigena��o, devido � a��o de geleiras pr�ximas destes lagos.

Esta acumula��o, ao longo dos milhares dos anos, com sucessivas camadas geol�gicas de rochas sedimentares exercendo uma enorme press�o sobre aqueles restos org�nicos vegetais semidecompostos (pois o clima era frio e seco), transformou-os em carv�o mineral, determinando o seu poder calor�fico, conforme a sua antiguidade geol�gica e seu respectivo teor de carbono.

Deste modo, a depress�o relativa onde havia o lago cercado por geleiras, tornou-se uma bacia sedimentar, em cujas camadas mais profundas pode se encontra o carv�o mais raro, antigo e de maior alto teor de carbono e poder calor�fico ( o antracito). A sucess�o do mais antigo e puro, para o mais recente e impuro �: antracito (cerca de 95% de carbono) hulha (de 75 a 90%) linhito (de 65 a 75%) turfa (no m�ximo com 50% de carbono).

Apenas o antracito e a hulha s�o �teis � siderurgia, como fontes energ�ticas na transforma��o da hematita (min�rio de ferro) em a�o e ferro-gusa em altos fornos; ambos s�o levados � uma se��o da usina sider�rgica denominada de coqueria, a fim de serem purificados mais ainda, formando o coque metal�rgico. O linhito � usado em gera��o de termoeletricidade, em cujas usinas aquece a �gua em caldeiras, a mesma entra em ebuli��o, da� o vapor d��gua sob press�o vai acionar turbinas e estas movimentam os circuitos internos de geradores de energia.

� Import�ncia e utilidades do carv�o mineral

No s�culo XVIII, nos in�cios da Revolu��o Industrial na Inglaterra, ainda n�o havia o trem a vapor. Sendo assim, as jazidas carbon�feras foram os centros de converg�ncia de instala��o das f�bricas e dos corti�os dos oper�rios e mineiros, vivendo em p�ssimas condi��es de trabalho.

O carv�o mineral foi a base energ�tica da I e II fases da Revolu��o Industrial, nos s�culos XVIII e XIX, aumentando 80 vezes sua produ��o neste per�odo e respondendo por 97% da demanda energ�tica dos pa�ses industrializados da Europa, Estados Unidos e depois o Jap�o.

Resumindo, as utilidades do carv�o mineral s�o: combust�vel em usinas termoel�tricas e locomotivas a vapor; coque metal�rgico; fabrica��o de g�s; calefa��o dom�stica em pa�ses de climas frios e temperados (utilizando linhito ou turfa); a ind�stria carboqu�mica (de bens intermedi�rios ou de insumos para a ind�stria de fertilizantes, corantes, tinta). Atualmente � menos usado que o petr�leo, porque libera menos calor e � mais poluente que ele.

A maioria das jazidas carbon�feras atuais situam-se em torno dos 45o de latitude norte ( onde surgiram grandes florestas no Paleoz�ico): os Montes Apalaches (a NE dos EUA, antigo limite ocidental das Treze Col�nias Inglesas), os Urais (divisor hist�rico entre a R�ssia europ�ia industrializada e a asi�tica)- ambos correspondendo a � da produ��o mundial; o vale do rio Ruhr (afluente da margem direita do rio Reno), na Alemanha; a Als�cia-Lorena (na fronteira da Fran�a com a Alemanha, esta a ocupou militarmente desde a Guerra Franco-Prussiana at� a I Guerra Mundial); a Manch�ria (jazidas de Fu-Shun, na China, ocupadas pelos japoneses antes da I Guerra Mundial). N�o � simples coincid�ncia estas �reas terem concentrado muitas ind�strias at� a Revolu��o tecnocient�fica. Os maiores produtores mundiais s�o: China, EUA e R�ssia.

 

b) Petr�leo (hidrocarboneto e combust�vel f�ssil)

� Processo de forma��o geol�gica

Desde a Era Paleoz�ica, em mares interiores, golfos ou ba�as fechados, o pl�ncton (seres min�sculos marinhos, sob as formas de fitopl�ncton-vegetal e zoopl�ncton-animal), ao morrer, foi sendo depositado no fundo das �guas marinhas, junto com sedimentos. A� nas profundidades, sem a presen�a de oxig�nio e sob a a��o de bact�rias anaer�bicas, a mat�ria org�nica decomposta junto com os sedimentos, formou o sapropel (termo que vem do grego e significa "lama podre"). Na medida em que se acumularam sucessivas camadas sedimentares, sobrepondo-se umas �s outras, pressionando aquele sapropel, formaram o petr�leo disperso em v�rios locais das bacias sedimentares (aquelas depress�es relativas onde estavam os mares interiores).

Para que o petr�leo disperso se acumule em jazidas petrol�feras � preciso que haja movimentos tect�nicos provenientes de dobramentos modernos pr�ximos �s bacias sedimentares, que provoquem a sua movimenta��o entre as rochas sedimentares (como o calc�rio) at� encontrar uma camada de rochas imperme�veis (como as magm�ticas e metam�rficas), que barrem esta sua migra��o. Nesta �rea acumula-se o petr�leo, originando uma jazida.

As maiores jazidas mundiais de petr�leo localizam-se entre os escudos cristalinos pr�-cambrianos e os dobramentos modernos do final do Mesoz�ico. Nesta sequ�ncia, podemos observar: o Oriente M�dio (produtor de 35% do petr�leo consumido no mundo) fica entre os terrenos antigos da �frica (de que fez parte em eras passadas) e os recentes do C�ucaso; na Venezuela, as jazidas est�o na Bacia do Orenoco, entre o Escudo Guiano e os Andes; no Canad� entre o Escudo Canadense e as Montanhas Rochosas. Tamb�m � encontrado nos anticlinais (�reas mais baixas e c�ncavas) dos dobramentos modernos, como no Alasca e no Equador. As �reas de maior produ��o mundial s�o: os pa�ses do Oriente M�dio, a R�ssia (ao N dos mares Negro e S do C�spio e na Plan�cie Siberiana ) e os EUA (Texas, Oklahoma e o Alasca).

� Import�ncia e utilidades do petr�leo

O petr�leo corresponde a 40% do consumo energ�tico mundial; libera mais calor que o carv�o (1 barril ou 159 litros de petr�leo = 1 ton de carv�o); � menos poluente e mais f�cil o seu transporte que o carv�o. Ele � chamado de "ouro negro", j� que. al�m dos seus subprodutos diretamente sa�dos das refinarias (gasolina, g�s, �leos, asfalto), h� indiretamente 300 produtos origin�rios da ind�stria petroqu�mica (que � uma ind�stria de bens intermedi�rios), que fornecem insumos para a ind�stria qu�mica e destas para as ind�strias de bens de consumo (como batom, chicletes, pl�sticos, pol�meros sint�ticos,PET,etc.).

� Reflexos do petr�leo no espa�o geogr�fico da produ��o, circula��o e consumo

As repercuss�es do petr�leo no espa�o geogr�fico s�o as seguintes:

� Quanto ao espa�o da produ��o-

  • As refinarias de petr�leo transformam o petr�leo bruto em derivados atrav�s de colunas ou torres de destila��o (primeira fase) e de craqueamento (segunda fase de refina��o). A refina��o dos destilados depende de duas condi��es: da qualidade do petr�leo bruto (dos melhores e piores saem, respectivamente, 30 e l9% de destilados leves- g�s e gasolina,da parte superior das torres, 40 e 3l% de destilados m�dios- "gas-oil", 30 e 50% de res�duos, como asfalto, este da parte inferior das torres); por outro lado, das necessidades de consumo e do desenvolvimento do pa�s (ex.: nos pa�ses centrais, procura-se extrair o m�ximo dos derivados para atender a demanda da calefa��o dom�stica no inverno e das ind�strias qu�micas).

  • As refinarias de petr�leo atraem ind�strias petroqu�micas (que usam os destilados m�dios das refinarias), da� saem insumos para as ind�strias qu�micas, da� para as de bens de consumo.

? Quanto ao espa�o da circula��o e consumo podemos observar o seguinte:

  • O transporte de petr�leo bruto � geralmente feito a grandes dist�ncias, enquanto o de seus derivados � feito a curtas dist�ncias. � mais lucrativa a refina��o do que a pesquisa e prospec�o.

  • At� 1960, sua pesquisa, prospec��o, refino e comercializa��o eram dominados pelo cartel das "Sete Irm�s" (= 5 transnacionais norte-americanas, que eram a Texaco, a Exxon, a Gulf Oil, a Mobil Oil e a Standard Oil of California, mais 2 europ�ias ocidentais- a Royal Dutch-Shell e a British Petroleum). Antes disso, em l928, este cartel dividiu o Oriente M�dio em �reas de influ�ncia para a produ��o e comercializa��o do petr�leo, atrav�s do Acordo da Linha Vermelha.

  • A atua��o cartelizada das "Sete Irm�s" valeu-lhes grandes lucros, impondo pre�os extremanente baixos e constantes aos produtores de petr�leo bruto , enquanto a cota��o dos derivados aumentava conforme a demanda do mercado (da d�cada de 20 a de 60 = 500%).

  • Em l960, ocorreu um fato excepcional entre pa�ses subdesenvolvidos: pela primeira vez os produtores de petr�leo criaram o seu cartel, a OPEP (Organiza��o dos Pa�ses Exportadores de Petr�leo), cujo objetivo principal era o de aumentar o seu pre�o, o que v�o conseguir apenas na d�cada de 70, em face das crises de escassez do mesmo.

  • As "crises de petr�leo" ocorreram devido a conflitos no Oriente M�dio, que produzia 53% do petr�leo consumido no mundo, da� sua repercuss�o planet�ria. A primeira crise deu-se em l973, em face do boicote �rabe em produzir petr�leo, como desforra pela sua derrota fragorosa diante dos israelenses na Guerra do Yom Kippur. A segunda crise deu-se em l979/80, quando diminuiu a oferta mundial desta fonte energ�tica, em virtude da queda do X� do Ir� pela Revolu��o Isl�mica e, logo ap�s, a guerra de 8 anos entre Ir� e Iraque (2 grandes produtores mundiais).

  • Os efeitos das crises do petr�leo no mundo foram: redu��o do seu consumo com a pol�tica recessiva dos pa�ses centrais (paralisando sua produ��o diminui o consumo); est�mulo ao uso de fontes alternativas de energia (ex.: no Brasil surgiu o Pro�lcool, em l979); reativa��o conjuntural da produ��o de carv�o mineral e g�s (nos pa�ses centrais); pesquisa e prospec��o em novas �reas (ex.: o Mar do Norte foi consorciado entre o Reino Unido e a Noruega, tornando o Reino Unido, um dos grandes produtores mundiais) fazendo decrescer o papel preponderante do Oriente M�dio, de 53 para 35% da produ��o mundial. As crises repercutiram negativamente nos pa�ses perif�ricos n�o-produtores de petr�leo, cujas d�vidas externas subiram enormemente em face dos juros altos cobrados pelos bancos internacionais (que estavam com liquidez enormes de reservas em petrod�lares, depositados pelos produtores de petr�leo) em empr�stimos, ora para cobrir d�ficits em suas balan�as comerciais, ora por politicas desenvolvimentistas (como no Brasil, durante a ditadura militar).

c] Hidreletricidade

A energia prim�ria das �guas dos rios j� era usada em moinhos. Na segunda metade do s�culo XIX, foi inventada a hidreletricidade nos Estados Unidos e Europa. A energia prim�ria das �guas represadas de um rio, levada por tubula��es, impulsiona as p�s de turbinas que, por sua vez, acionam geradores, de onde sai a energia el�trica ( da� o nome de energia secund�ria).

H� duas condi��es b�sicas para se produzir a hidreletricidade: o volume d��gua (acumulada em uma represa) e o desn�vel do curso do rio, s� poss�vel em rios de planalto (a fim da �gua ter for�a necess�ria para acionar as p�s das turbinas). � isto que explica o grande potencial hidrel�trico do Brasil: rios caudalosos e predominantemente de planaltos.

As grandes vantagens da hidreletricidade s�o: � uma energia renov�vel e n�o-poluente da atmosfera, al�m disso o seu custo operacional � baixo (depois da constru��o da usina, a sua opera��o � relativamente barata, pois usa pouca m�o-de-obra e a �gua j� esta represada). Entretanto, ela apresenta aspectos negativos:

  • S�o elevados os custos de constru��o da represa e da usina,bem como da manuten��o da rede de transmiss�o de energia at� os centros consumidores (tecnologias novas de fibras �ticas e de supercondutores podem diminuir muito a perda de cerca de 10% de energia em cada 1.000 km de transmiss�o de energia).

  • As grandes represas causam problemas ecol�gicos no meio ambiente, como no ciclo de reprodu��o de certas esp�cies de peixes (quando os mesmos sobem as correntezas para desovar no alto curso do rio- fen�meno da piracema); al�m da inunda��o de imensas �reas provocando microssismos no subsolo (pela acomoda��o geol�gica de camadas de rochas, sob as �guas da represa, diante do grande volume de �gua); a transmiss�o de doen�as (devido �s �guas paradas da represa) e a forma��o de gases no fundo da �gua represada, quando h� submers�o das matas.

Os pa�ses de maior potencial hidrel�trico s�o a R�ssia, China e Brasil; os de maior aproveitamento hirel�trico s�o os Estados Unidos, o Canad�, a R�ssia e o Brasil. As maiores usinas hirel�tricas est�o situadas nos rios Colorado e Col�mbia (a O dos EUA), no Mackenzie (Canad�), que nascem nas Montanhas Rochosas. Na Am�rica do Sul destacam-se as bacias do Paran� (a Usina de Itaipu � a maior do mundo), do S.Francisco e Tocantins (nascem no Planalto Brasileiro) e a do Orenoco (que nasce no Planalto Guiano). Na �frica destacam-se os rios Nilo (represa de Assu�) e Zambeze (nascem nos planaltosdo centro-sul; na �sia, os rios russos Ob e Yenissei (nascem no Planalto Siberiano Central) e os chineses Amarelo e Azul (nascem no Tib�).

 

d) Energia termonuclear ou at�mica

A fonte mais usada para gerar esta energia � a do ur�nio, mineral radioativo, que � raro e apenas pode ser usado o U235 (as jazidas de ur�nio apresentam 99,3% de U238). Apenas o primeiro � fission�vel, isto �, se fissionam ou quebram os n�cleos dos seus �tomos a fim de produzir energia. A tecnologia de transforma��o de U238 em U235 � altamente dispendiosa: de cada 100 kg de U238 retiram-se apenas 700 gramas de U235.

A energia termonuclear come�ou a ser usada de forma pac�fica para fins energ�ticos na Inglaterra em 1956. Atualmente, sua produ��o � maior que a da energia hidrel�trica, concentrando-se 95% do consumo na Am�rica Anglo-Sax�nica, na Europa Ocidental, na CEI e no Jap�o.

As usinas nucleares diferem das termel�tricas, porque estas usam como fontes de energia o carv�o ou �leo combust�vel (derivado de petr�leo) para aquecer as caldeiras, enquanto naquelas a energia � gerada pela fiss�o nuclear dentro de um reator nuclear, que, por sua vez, est� no interior da caldeira.

A fiss�o nuclear � o bombardeio do n�cleo do �tomo do U235 com n�utrons, fissionando-o, isto �, quebrando-o; com isto liberam-se n�utrons do n�cleo, que ir�o fissionar outros n�cleos sucessivamente. Esta � a rea��o nuclear em cadeia, que, por ser feita no reator nuclear, libera energia de forma lenta, gradual e controlada, mas em quantidade enorme (1 kg de U235 libera tanta energia quanto 10.000 kg de carv�o mineral ou 700 kg de �leo combust�vel). Esta energia faz a �gua da caldeira entrar em ebuli��o, transformando-a em vapor que aciona as turbinas.

As usinas termonucleares tornaram-se uma forte op��o dos pa�ses centrais, especialmente os europeus, muito dependentes do petr�leo e da� vulner�veis a crises, como as de l973 e de l979.

O uso pac�fico da energia nuclear, por�m, apresenta desvantagens, embora possam ser contornadas pelo uso da fus�o nuclear ( energia do futuro, em que se fundem os n�cleos de �tomos de hidrog�nio, existente em todo o universo, formando o h�lio) ou pela utiliza��o de reatores regeneradores reciclando o plut�nio (subproduto da fiss�o nuclear). As desvantagens s�o:

  • Depois de cerca de 3 a 5 anos � preciso haver a troca e limpeza dos materiais contidos no interior dos reatores nucleares, de que resultam os res�duos ou o chamado lixo nuclear, entre os quais est� o plut�nio, altamente radioativo e prejudicial ao organismo humano (causa c�ncer e outras doen�as) e ao meio ambiente. Em face disto, ele � acondicionado em containers ou caixas de concreto, revestidos internamente de chumbo, para impedir o vazamento da radioatividade e depois � enterrado em lugares profundos do subsolo ou do mar. Como esta radioatividade dura centenas de anos, pode ocorrer o risco de eventuais vazamentos.

  • As usinas nucleares duram cerca de 25 anos, produzem menos energia que as hidrel�tricas e custam mais em sua manuten��o e controle. Mesmo com controles de alta tecnologia, j� houve erros humanos provocando acidentes nucleares (como o de Chernobyl, em l986, na R�ssia).

  • O uso pac�fico da energia nuclear pode ser desvirtuado para fins militares- em l990, produziu-se 150 ton. de plut�nio.Bastam s� 10 kg para se fazer uma bomba at�mica- � perfeitamente poss�vel contrabandear tal quantia em pa�ses em crises como a R�ssia.

5.1.4- Fontes alternativas de energia (biomassa, solar, e�lica, geot�rmica, dos mares)

 

A] BIOMASSA (uso de fontes bi�ticas, como o etanol, o metanol, o biog�s)

 

a) Etanol (cujas mat�rias-primas podem ser a cana-de-a��car, o sorgo sacar�fero, a batata...)

Em l979, diante das crises do petr�leo e seus conseq�entes aumentos acarretando d�ficits na balan�a comercial, foi criado no Brasil o Pro�lcool (Programa Nacional do �lcool), estabelecendo incentivos fiscais e subs�dios aos latifundi�rios produtores de cana-de-a��car, aos usineiros, �s transnacionais automobil�sticas e aos usu�rios de carros de passeio (o carro a �lcool � mais barato e o imposto sobre ve�culos � menor que para os carros a gasolina). O Pro�lcool, por�m, est� sendo questionado, em face das circunst�ncias comentadas a seguir.

  • A cana-de-a��car exige solos f�rteis, como o de massap� (na Zona da Mata do NE) e o de terra-roxa (no Planalto Arenito-Bas�ltico do SE e S do Brasil) - assim, ela passou a ocupar terras antes destinadas aos cultivos alimentares (milho, feij�o), decrescendo sua produ��o. Como a produ��o de �lcool � subsidiada pelo governo federal (o barril de �lcool sai das usinas mais caro atualmente que um barril de petr�leo, mas este combust�vel chega mais barato nos postos revendedores), quem acaba pagando estes subs�dios � o conjunto da popula��o brasileira, beneficiando apenas a elite fundi�ria.

  • A produ��o de �lcool valia a pena na d�cada de 80 (o barril de petr�leo custava cerca de US$ 35, hoje � de US$ 18, enquanto o de �lcool est� em torno de US$ 38). Hoje, sua utilidade reside n�o tanto pelos fins energ�ticos, mas pela n�o-polui��o (acrescentado � gasolina), pela tecnologia e pela utiliza��o na ind�stria alcoolqu�mica (polietilenos, borracha sint�tica, etc.).

b) Metanol (cuja mat�ria-prima � a madeira).

A madeira, para tal fim, n�o prov�m do extrativismo vegetal, mas da silvicultura, isto �, plantio de florestas (ex.: eucaliptos, pinus) com finalidades energ�ticas e industriais (carv�o vegetal para siderurgia e metanol para combust�vel ou para ind�strias qu�micas).

A silvicultura encontra condi��es favor�veis de espa�o e de clima quente e chuvoso na Zona Intertropical da Terra. De outro lado, por�m, na Zona Temperada do N torna-se mais dif�cil por causa da exiguidade das terras dispon�veis na Europa e da industrializa��o e urbaniza��o (destruidoras das florestas de m�dias latitudes, como a Apalacheana, nos EUA, a Laurenciana, no Canad� e as da Europa e mesmo as florestas de con�feras, como a Canadense, a Boreal e a Taiga Siberiana- estas usadas para fabrica��o de celulose e papel).

 

c) Biog�s (mat�rias-primas: lixo org�nico, esgotos residenciais, estrume de gado).

Este material bi�tico pode ser decomposto, pela a��o de bact�rias, em biodigestores. O biog�s pode ser usado em fog�es de cozinha, motores e turbinas de pequenas dimens�es em �reas rurais. Os pa�ses mais populosos da Terra, China e �ndia, s�o os maiores produtores.

 

B ] ENERGIA SOLAR

Sua utiliza��o � indireta atrav�s da biomassa e dos combust�veis f�sseis. Seu uso direto � poss�vel, mas n�o integral devido � tecnologia insatisfat�ria ao seu armazenamento e alto custo das c�lulas fotovoltaicas. A Zona Intertropical apresenta maior potencialidade desta energia, por ter maior insola��o. � usada para aquecimento de �gua residencial. Os maiores produtores s�o os Estados Unidos (que tem a maior central altavoltaica do mundo no Colorado) e o Jap�o.

 

C] ENERGIA E�LICA (ou dos ventos- usada na Holanda desde o s�culo XVII).

� captada atrav�s de cata-ventos, cujas p�s s�o feitas de fibra de vidro, mas leves e assim capazes de girar com ventos de 10 m/seg. � condicionada � dire��o e velocidade dos ventos.

 

D] ENERGIA GEOT�RMICA (ou do calor interno da Terra, isto �, de vulc�es e geiseres).

Em �reas de dobramentos modernos, onde h� vulc�es, como na R�ssia e It�lia, bombeia-se �gua da superf�cie para as profundidades do subsolo em que existam c�maras magm�ticas (de onde sai as lavas). Nestas c�maras a temperatura � muito alta e por isto a �gua transforma-se em vapor, que retorna � superf�cie por press�o atrav�s de tubula��es, acionando turbinas em usinas geot�rmicas situadas na superf�cie terrestre. Em regi�es onde h� geiseres (vapor d��gua sob press�o proveniente de camadas profundas da crosta terrestre, atrav�s de fissuras da mesma, explodindo periodicamente na superf�cie terrestre), como na Isl�ndia, aproveita-se este vapor d��gua para calefa��o dom�stica.

A cada 32 metros de profundidade da crosta terrestre a temperatura aumenta cerca de 1oC: � o grau geot�rmico. Este aumento de temperatura pode ser usado para a constru��o de usinas geot�rmicas, como j� foi executado experimentalmente por cientistas norte-americanos do Laborat�rio Nacional de Los Alamos.

 

E] APROVEITAMENTO ENERG�TICO DOS OCEANOS(diferencial t�rmico, mar�s e ondas)

a) Energia t�rmica dos oceanos - Como as �guas mar�timas superficiais s�o mais quentes que as profundas, este diferencial t�rmico j� foi usado experimentalmente com sucesso. Esta energia � potencialmente maior na Zona Intertropical, cujas �guas mar�timas superficiais apresentam uma m�dia t�rmica de 25o C.

b) Energia maremotriz - As mar�s s�o movimentos verticais das �guas oce�nicas resultantes da atra��o gravitacional exercida pelo Sol e Lua sobre o nosso planeta. Em litorais onde a diferen�a entre a preamar (mar� alta) e a baixamar (ambas ocorrendo duas vezes ao dia) for acentuada, h� possibilidades concretas de utiliza��o do desn�vel entre ambas para gerar a energia das mar�s. Isto acontece no estu�rio do rio Rance, no litoral da Bretanha (Fran�a), onde se construiu uma represa que enche com a preamar movimentando as turbinas no sentido de dire��o da �gua do mar para o continente; quando � baixamar, vai se esvaziando a represa, acionando as turbinas no sentido contr�rio (da terra para o mar)

c) Energia das ondas - em litoral alto, na Su�cia, ainda em ccar�ter experimental.

 

F] XISTO OU FOLHELHO PIROBETUMINOSO (rocha sedimentar s�lida). Esta rocha (muito encontrada no Planalto Sedimentar do Planalto Meridional do Brasil, como tamb�m na R�ssia e EUA) possui um composto de origem org�nica chamado de querog�nio, que, ao ser submetido a altas temperaturas transforma-se em betume, cuja decomposi��o origina g�s e �leo, como o petr�leo. Ainda � muito inconveniente sua utiliza��o energ�tica em escala comercial, em face dos seus custos elevados de decomposi��o qu�mica, bem como dos danos ambientais decorrentes da mesma, pois para decompor o folhelho usa-se muita mat�ria prima, o que determina a forma��o de uma grande quantidade de res�duos inaproveit�veis.

 

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