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Geografia
Geral - Recursos Naturais
5.1. -
Ind�stria Extrativa Mineral
5.1.1.-
Recursos naturais
O extrativismo mineral �
considerado mais uma atividade do setor secund�rio de produ��o (ind�strias de
bens de produ��o ou de base), visto que usa m�quinas e tecnologia avan�ada para
retirar os recursos minerais existentes na natureza. Os recursos naturais
vegetais, animais ou minerais s�o os bens �teis que a natureza oferece ao homem;
tal utilidade, por sua vez, depende da organiza��o social e da evolu��o
hist�rica dos agrupamentos humanos.
As condi��es b�sicas para que
ocorra o extrativismo mineral s�o as seguintes:
-
Identifica��o e localiza��o das
jazidas minerais (lugares onde se concentram determinados min�rios em rochas
no subsolo).
-
Exist�ncia de tecnologia para a prospec��o
(localiza��o e c�lculo do valor da jazida mineral) e a pesquisa das camadas
geol�gicas do subsolo.
-
Constitui��o f�sico-qu�mica do min�rio (geralmente
carregado de canga, ou impurezas), determinando sua qualidade, utilidade e
consequente cota��o no mercado.
-
Viabilidade de transporte do min�rio ao mercado
consumidor interno ou externo - o mais barato � o aqu�tico ( fluvial ou
mar�timo), depois a ferrovia e, em �ltima inst�ncia, a rodovia.Exemplo: o
custo/tonelada na Hidrovia Tiet�-Paran� custa US$ 61, enquanto na rodovia � de
US$ 121.
Em rela��o � lucratividade da
ind�stria extrativa mineral, valem os mesmos argumentos j� usados nas
commodities agr�colas:os pa�ses subdesenvolvidos produtores de mat�rias-primas
brutas apresentam d�ficits em suas balan�as comerciais pela baixa cota��o ouu
manipula��o de seus pre�os. Enquanto os pa�se consumidores apresentam super�vits
em face da fabrica��o de insumos (mat�rias primas j� elaboradas), servi�os e
produtos industriais de alta tecnologia.
As rochas, por serem agregados de
minerais (e estes de elementos qu�micos) s�o importantes para a ind�stria
extrativia mineral. O seu processo de forma��o � condicionado pela din�mica
interna da natureza (tectonismo, vulcanismo e abalos s�smicos) e sua din�mica
externa (eros�o, transporte e acumula��o dos agentes externos do relevo). Em
face destes condicionamentos, j� estudamos que as rochas podem ser magm�ticas (extrusivas
ou vulc�nicas, intrusivas ou plut�nicas), sedimentares (detr�ticas, qu�micas,
org�nicas) e metam�rficas. Nos escudos cristalinos (per�odo proteroz�ico) h�
muitas riquezas minerais met�licas; por outro lado, nas bacias sedimentares h�
min�rios n�o-met�licos de origem f�ssil (petr�leo, carv�o, folhelho).
5.1.2.-
Fontes de energia
Segundo o dicion�rio ("Aur�lio"),
a "energia � a propriedade de um sistema produzir trabalho", ou a capacidade que
certos recursos naturais tem de gerar for�a. H� varias modalidades de energia em
face de suas fontes ou proced�ncias diversas.
Vejamos o quadro.
|
Modalidades de energia |
Fontes de energia |
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Muscular (mec�nica ) |
Homem ou animal (ex: arado
de tra��o animal) |
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Calor�fica ou t�rmica |
Lenha, vapor d��gua, carv�o
mineral, petr�leo(termeletricidade), �lcool (de cana de a��car), Sol e
vulc�es (energia geot�rmica) |
|
Mec�nica dos ventos (
moinhos) |
E�lica (depende da
intensidade dos ventos) |
|
Qu�mica (pilhas, baterias) |
Rea��es de subst�ncias
qu�micas |
|
Mec�nica de �guas correntes
(quedas d��gua) |
Hidreletricidade (energia
mec�nica das �guas transforma-se em el�trica nas turbinas) |
|
Termonuclear ou at�mica |
Fiss�o nuclear (ur�nio) ou
fus�o nuclear (H) |
As fontes de energia podem ser
renov�veis -relacionadas �s for�as da natureza( como os ventos; as �guas
correntes dos rios e dos mares; o Sol; os vulc�es e geiseres) ou aos seres vivos
animais e vegetais (fontes bi�ticas como o biog�s, o etanol, o metanol) e tamb�m
podem ser n�o- renov�veis ou minerais (como o carv�o mineral, o petr�leo, o
folhelho, o ur�nio). Atrav�s das fontes de energia se potencializa a for�a de
trabalho do homem, se acionam as m�quinas e se agilizam as comunica��es no
espa�o geogr�fico. Ap�s a Revolu��o Industrial, iniciou-se o uso de fontes
modernas de energia que, aplicadas �s m�quinas, aumentaram muito a produtividade
dos agentes de produ��o (terra, capital e trabalho).
Atualmente h� um uso predat�rio
dos bens econ�micos e recursos naturais, em face do consumismo (t�pico da
sociedade de consumo de massa dos pa�ses desenvolvidos), da menor durabilidade
dos bens de consumo, da presen�a de produtos descart�veis e da pr�pria din�mica
de mercado, que precisa renovar estoques periodicamente.
Devemos, pois, tomar consci�ncia
das limita��es da natureza em seu processo de autoregenera��o e assim respeitar
o meio ambiente e adotar procedimentos conservacionistas, isto �, o de usar o
m�ximo e o maior n�mero de vezes os bens econ�micos, atrav�s da reciclagem. Al�m
disto, fala-se em desenvolvimento sustent�vel, isto �, aquele que preserva o
meio ambiente, conhecendo-se melhor os ecossistemas naturais, aproveitando-os
racionalmente, respeitando os ciclos da natureza e garantindo a sobreviv�ncia da
humanidade.
Infelizmente, estamos longe ainda
dessa meta de desenvolvimento sustent�vel, pois cerca de 75% da oferta de
energia do mundo atual corresponde � gerada pelos combust�veis f�sseis (petr�leo
e carv�o mineral), muito poluentes, consumida pelas ind�strias e meios de
transportes.
5.1.3.-
Fontes modernas de energia (carv�o, petr�leo, ur�nio,
hidrel�trica)
Estas fontes modernas de energia
representam 90% da produ��o de energia mundial.
a) Carv�o mineral
(como o petr�leo, � um combust�vel f�ssil, pois origin�rio de fossiliza��o de
mat�ria org�nica em bacias sedimentares, sob certas condi��es).
� Processo de forma��o geol�gica - Desde a Era Paleoz�ica, no
per�odo Carbon�fero, restos de vegetais lenhosos em �reas de clima frio e seco,
junto com sedimentos, foram se acumulando no fundo de lagos, com pouca
oxigena��o, devido � a��o de geleiras pr�ximas destes lagos.
Esta acumula��o, ao longo dos
milhares dos anos, com sucessivas camadas geol�gicas de rochas sedimentares
exercendo uma enorme press�o sobre aqueles restos org�nicos vegetais
semidecompostos (pois o clima era frio e seco), transformou-os em carv�o
mineral, determinando o seu poder calor�fico, conforme a sua antiguidade
geol�gica e seu respectivo teor de carbono.
Deste modo, a depress�o relativa
onde havia o lago cercado por geleiras, tornou-se uma bacia sedimentar, em cujas
camadas mais profundas pode se encontra o carv�o mais raro, antigo e de maior
alto teor de carbono e poder calor�fico ( o antracito). A sucess�o do mais
antigo e puro, para o mais recente e impuro �: antracito (cerca de 95% de
carbono)
�
hulha (de 75 a 90%) �
linhito (de 65 a 75%)
�
turfa (no m�ximo com 50% de carbono).
Apenas o antracito e a hulha s�o
�teis � siderurgia, como fontes energ�ticas na transforma��o da hematita
(min�rio de ferro) em a�o e ferro-gusa em altos fornos; ambos s�o levados � uma
se��o da usina sider�rgica denominada de coqueria, a fim de serem purificados
mais ainda, formando o coque metal�rgico. O linhito � usado em gera��o de
termoeletricidade, em cujas usinas aquece a �gua em caldeiras, a mesma entra em
ebuli��o, da� o vapor d��gua sob press�o vai acionar turbinas e estas movimentam
os circuitos internos de geradores de energia.
� Import�ncia e utilidades do carv�o mineral
No s�culo XVIII, nos in�cios da
Revolu��o Industrial na Inglaterra, ainda n�o havia o trem a vapor. Sendo assim,
as jazidas carbon�feras foram os centros de converg�ncia de instala��o das
f�bricas e dos corti�os dos oper�rios e mineiros, vivendo em p�ssimas condi��es
de trabalho.
O carv�o mineral foi a base
energ�tica da I e II fases da Revolu��o Industrial, nos s�culos XVIII e XIX,
aumentando 80 vezes sua produ��o neste per�odo e respondendo por 97% da demanda
energ�tica dos pa�ses industrializados da Europa, Estados Unidos e depois o
Jap�o.
Resumindo, as utilidades do
carv�o mineral s�o: combust�vel em usinas termoel�tricas e locomotivas a vapor;
coque metal�rgico; fabrica��o de g�s; calefa��o dom�stica em pa�ses de climas
frios e temperados (utilizando linhito ou turfa); a ind�stria carboqu�mica (de
bens intermedi�rios ou de insumos para a ind�stria de fertilizantes, corantes,
tinta). Atualmente � menos usado que o petr�leo, porque libera menos calor e �
mais poluente que ele.
A maioria das jazidas
carbon�feras atuais situam-se em torno dos 45o de latitude norte (
onde surgiram grandes florestas no Paleoz�ico): os Montes Apalaches (a NE dos
EUA, antigo limite ocidental das Treze Col�nias Inglesas), os Urais (divisor
hist�rico entre a R�ssia europ�ia industrializada e a asi�tica)- ambos
correspondendo a � da produ��o mundial; o vale do rio Ruhr (afluente da margem
direita do rio Reno), na Alemanha; a Als�cia-Lorena (na fronteira da Fran�a com
a Alemanha, esta a ocupou militarmente desde a Guerra Franco-Prussiana at� a I
Guerra Mundial); a Manch�ria (jazidas de Fu-Shun, na China, ocupadas pelos
japoneses antes da I Guerra Mundial). N�o � simples coincid�ncia estas �reas
terem concentrado muitas ind�strias at� a Revolu��o tecnocient�fica. Os maiores
produtores mundiais s�o: China, EUA e R�ssia.
b) Petr�leo
(hidrocarboneto e combust�vel f�ssil)
� Processo de
forma��o geol�gica
Desde a Era Paleoz�ica, em mares
interiores, golfos ou ba�as fechados, o pl�ncton (seres min�sculos marinhos, sob
as formas de fitopl�ncton-vegetal e zoopl�ncton-animal), ao morrer, foi sendo
depositado no fundo das �guas marinhas, junto com sedimentos. A� nas
profundidades, sem a presen�a de oxig�nio e sob a a��o de bact�rias anaer�bicas,
a mat�ria org�nica decomposta junto com os sedimentos, formou o sapropel (termo
que vem do grego e significa "lama podre"). Na medida em que se acumularam
sucessivas camadas sedimentares, sobrepondo-se umas �s outras, pressionando
aquele sapropel, formaram o petr�leo disperso em v�rios locais das bacias
sedimentares (aquelas depress�es relativas onde estavam os mares interiores).
Para que o petr�leo disperso se
acumule em jazidas petrol�feras � preciso que haja movimentos tect�nicos
provenientes de dobramentos modernos pr�ximos �s bacias sedimentares, que
provoquem a sua movimenta��o entre as rochas sedimentares (como o calc�rio) at�
encontrar uma camada de rochas imperme�veis (como as magm�ticas e metam�rficas),
que barrem esta sua migra��o. Nesta �rea acumula-se o petr�leo, originando uma
jazida.
As maiores jazidas mundiais de
petr�leo localizam-se entre os escudos cristalinos pr�-cambrianos e os
dobramentos modernos do final do Mesoz�ico. Nesta sequ�ncia, podemos observar: o
Oriente M�dio (produtor de 35% do petr�leo consumido no mundo) fica entre os
terrenos antigos da �frica (de que fez parte em eras passadas) e os recentes do
C�ucaso; na Venezuela, as jazidas est�o na Bacia do Orenoco, entre o Escudo
Guiano e os Andes; no Canad� entre o Escudo Canadense e as Montanhas Rochosas.
Tamb�m � encontrado nos anticlinais (�reas mais baixas e c�ncavas) dos
dobramentos modernos, como no Alasca e no Equador. As �reas de maior produ��o
mundial s�o: os pa�ses do Oriente M�dio, a R�ssia (ao N dos mares Negro e S do
C�spio e na Plan�cie Siberiana ) e os EUA (Texas, Oklahoma e o Alasca).
� Import�ncia e utilidades do petr�leo
O petr�leo corresponde a 40% do
consumo energ�tico mundial; libera mais calor que o carv�o (1 barril ou 159
litros de petr�leo = 1 ton de carv�o); � menos poluente e mais f�cil o seu
transporte que o carv�o. Ele � chamado de "ouro negro", j� que. al�m dos seus
subprodutos diretamente sa�dos das refinarias (gasolina, g�s, �leos, asfalto),
h� indiretamente 300 produtos origin�rios da ind�stria petroqu�mica (que � uma
ind�stria de bens intermedi�rios), que fornecem insumos para a ind�stria qu�mica
e destas para as ind�strias de bens de consumo (como batom, chicletes,
pl�sticos, pol�meros sint�ticos,PET,etc.).
� Reflexos do petr�leo no espa�o geogr�fico da
produ��o, circula��o e consumo
As repercuss�es do petr�leo no
espa�o geogr�fico s�o as seguintes:
� Quanto ao espa�o da produ��o-
-
As refinarias de petr�leo
transformam o petr�leo bruto em derivados atrav�s de colunas ou torres de
destila��o (primeira fase) e de craqueamento (segunda fase de refina��o). A
refina��o dos destilados depende de duas condi��es: da qualidade do petr�leo
bruto (dos melhores e piores saem, respectivamente, 30 e l9% de destilados
leves- g�s e gasolina,da parte superior das torres, 40 e 3l% de destilados
m�dios- "gas-oil", 30 e 50% de res�duos, como asfalto, este da parte inferior
das torres); por outro lado, das necessidades de consumo e do desenvolvimento
do pa�s (ex.: nos pa�ses centrais, procura-se extrair o m�ximo dos derivados
para atender a demanda da calefa��o dom�stica no inverno e das ind�strias
qu�micas).
-
As refinarias de petr�leo atraem ind�strias
petroqu�micas (que usam os destilados m�dios das refinarias), da� saem insumos
para as ind�strias qu�micas, da� para as de bens de consumo.
? Quanto ao espa�o da circula��o e consumo podemos observar o seguinte:
-
O transporte de petr�leo bruto
� geralmente feito a grandes dist�ncias, enquanto o de seus derivados � feito
a curtas dist�ncias. � mais lucrativa a refina��o do que a pesquisa e
prospec�o.
-
At� 1960, sua pesquisa, prospec��o, refino e
comercializa��o eram dominados pelo cartel das "Sete Irm�s" (= 5
transnacionais norte-americanas, que eram a Texaco, a Exxon, a Gulf Oil, a
Mobil Oil e a Standard Oil of California, mais 2 europ�ias ocidentais- a Royal
Dutch-Shell e a British Petroleum). Antes disso, em l928, este cartel dividiu
o Oriente M�dio em �reas de influ�ncia para a produ��o e comercializa��o do
petr�leo, atrav�s do Acordo da Linha Vermelha.
-
A atua��o cartelizada das "Sete Irm�s" valeu-lhes
grandes lucros, impondo pre�os extremanente baixos e constantes aos produtores
de petr�leo bruto , enquanto a cota��o dos derivados aumentava conforme a
demanda do mercado (da d�cada de 20 a de 60 = 500%).
-
Em l960, ocorreu um fato excepcional entre pa�ses
subdesenvolvidos: pela primeira vez os produtores de petr�leo criaram o seu
cartel, a OPEP (Organiza��o dos Pa�ses Exportadores de Petr�leo), cujo
objetivo principal era o de aumentar o seu pre�o, o que v�o conseguir apenas
na d�cada de 70, em face das crises de escassez do mesmo.
-
As "crises de petr�leo" ocorreram devido a conflitos
no Oriente M�dio, que produzia 53% do petr�leo consumido no mundo, da� sua
repercuss�o planet�ria. A primeira crise deu-se em l973, em face do boicote
�rabe em produzir petr�leo, como desforra pela sua derrota fragorosa diante
dos israelenses na Guerra do Yom Kippur. A segunda crise deu-se em l979/80,
quando diminuiu a oferta mundial desta fonte energ�tica, em virtude da queda
do X� do Ir� pela Revolu��o Isl�mica e, logo ap�s, a guerra de 8 anos entre
Ir� e Iraque (2 grandes produtores mundiais).
-
Os efeitos das crises do petr�leo no mundo foram:
redu��o do seu consumo com a pol�tica recessiva dos pa�ses centrais
(paralisando sua produ��o diminui o consumo); est�mulo ao uso de fontes
alternativas de energia (ex.: no Brasil surgiu o Pro�lcool, em l979);
reativa��o conjuntural da produ��o de carv�o mineral e g�s (nos pa�ses
centrais); pesquisa e prospec��o em novas �reas (ex.: o Mar do Norte foi
consorciado entre o Reino Unido e a Noruega, tornando o Reino Unido, um dos
grandes produtores mundiais) fazendo decrescer o papel preponderante do
Oriente M�dio, de 53 para 35% da produ��o mundial. As crises repercutiram
negativamente nos pa�ses perif�ricos n�o-produtores de petr�leo, cujas d�vidas
externas subiram enormemente em face dos juros altos cobrados pelos bancos
internacionais (que estavam com liquidez enormes de reservas em petrod�lares,
depositados pelos produtores de petr�leo) em empr�stimos, ora para cobrir
d�ficits em suas balan�as comerciais, ora por politicas desenvolvimentistas
(como no Brasil, durante a ditadura militar).
c]
Hidreletricidade
A energia prim�ria das �guas dos
rios j� era usada em moinhos. Na segunda metade do s�culo XIX, foi inventada a
hidreletricidade nos Estados Unidos e Europa. A energia prim�ria das �guas
represadas de um rio, levada por tubula��es, impulsiona as p�s de turbinas que,
por sua vez, acionam geradores, de onde sai a energia el�trica ( da� o nome de
energia secund�ria).
H� duas condi��es b�sicas para se
produzir a hidreletricidade: o volume d��gua (acumulada em uma represa) e o
desn�vel do curso do rio, s� poss�vel em rios de planalto (a fim da �gua ter
for�a necess�ria para acionar as p�s das turbinas). � isto que explica o grande
potencial hidrel�trico do Brasil: rios caudalosos e predominantemente de
planaltos.
As grandes vantagens da
hidreletricidade s�o: � uma energia renov�vel e n�o-poluente da atmosfera, al�m
disso o seu custo operacional � baixo (depois da constru��o da usina, a sua
opera��o � relativamente barata, pois usa pouca m�o-de-obra e a �gua j� esta
represada). Entretanto, ela apresenta aspectos negativos:
-
S�o elevados os custos de
constru��o da represa e da usina,bem como da manuten��o da rede de transmiss�o
de energia at� os centros consumidores (tecnologias novas de fibras �ticas e
de supercondutores podem diminuir muito a perda de cerca de 10% de energia em
cada 1.000 km de transmiss�o de energia).
-
As grandes represas causam problemas ecol�gicos no
meio ambiente, como no ciclo de reprodu��o de certas esp�cies de peixes
(quando os mesmos sobem as correntezas para desovar no alto curso do rio-
fen�meno da piracema); al�m da inunda��o de imensas �reas provocando
microssismos no subsolo (pela acomoda��o geol�gica de camadas de rochas, sob
as �guas da represa, diante do grande volume de �gua); a transmiss�o de
doen�as (devido �s �guas paradas da represa) e a forma��o de gases no fundo da
�gua represada, quando h� submers�o das matas.
Os pa�ses de maior potencial
hidrel�trico s�o a R�ssia, China e Brasil; os de maior aproveitamento
hirel�trico s�o os Estados Unidos, o Canad�, a R�ssia e o Brasil. As maiores
usinas hirel�tricas est�o situadas nos rios Colorado e Col�mbia (a O dos EUA),
no Mackenzie (Canad�), que nascem nas Montanhas Rochosas. Na Am�rica do Sul
destacam-se as bacias do Paran� (a Usina de Itaipu � a maior do mundo), do
S.Francisco e Tocantins (nascem no Planalto Brasileiro) e a do Orenoco (que
nasce no Planalto Guiano). Na �frica destacam-se os rios Nilo (represa de Assu�)
e Zambeze (nascem nos planaltosdo centro-sul; na �sia, os rios russos Ob e
Yenissei (nascem no Planalto Siberiano Central) e os chineses Amarelo e Azul
(nascem no Tib�).
d)
Energia termonuclear ou at�mica
A fonte mais usada para gerar
esta energia � a do ur�nio, mineral radioativo, que � raro e apenas pode ser
usado o U235 (as jazidas de ur�nio apresentam 99,3% de U238).
Apenas o primeiro � fission�vel, isto �, se fissionam ou quebram os n�cleos dos
seus �tomos a fim de produzir energia. A tecnologia de transforma��o de U238
em U235 � altamente dispendiosa: de cada 100 kg de U238
retiram-se apenas 700 gramas de U235.
A energia termonuclear come�ou a
ser usada de forma pac�fica para fins energ�ticos na Inglaterra em 1956.
Atualmente, sua produ��o � maior que a da energia hidrel�trica, concentrando-se
95% do consumo na Am�rica Anglo-Sax�nica, na Europa Ocidental, na CEI e no
Jap�o.
As usinas nucleares diferem das
termel�tricas, porque estas usam como fontes de energia o carv�o ou �leo
combust�vel (derivado de petr�leo) para aquecer as caldeiras, enquanto naquelas
a energia � gerada pela fiss�o nuclear dentro de um reator nuclear, que, por sua
vez, est� no interior da caldeira.
A fiss�o nuclear � o bombardeio
do n�cleo do �tomo do U235 com n�utrons, fissionando-o, isto �,
quebrando-o; com isto liberam-se n�utrons do n�cleo, que ir�o fissionar outros
n�cleos sucessivamente. Esta � a rea��o nuclear em cadeia, que, por ser feita no
reator nuclear, libera energia de forma lenta, gradual e controlada, mas em
quantidade enorme (1 kg de U235 libera tanta energia quanto 10.000 kg
de carv�o mineral ou 700 kg de �leo combust�vel). Esta energia faz a �gua da
caldeira entrar em ebuli��o, transformando-a em vapor que aciona as turbinas.
As usinas termonucleares
tornaram-se uma forte op��o dos pa�ses centrais, especialmente os europeus,
muito dependentes do petr�leo e da� vulner�veis a crises, como as de l973 e de
l979.
O uso pac�fico da energia
nuclear, por�m, apresenta desvantagens, embora possam ser contornadas pelo uso
da fus�o nuclear ( energia do futuro, em que se fundem os n�cleos de �tomos de
hidrog�nio, existente em todo o universo, formando o h�lio) ou pela utiliza��o
de reatores regeneradores reciclando o plut�nio (subproduto da fiss�o nuclear).
As desvantagens s�o:
-
Depois de cerca de 3 a 5 anos �
preciso haver a troca e limpeza dos materiais contidos no interior dos
reatores nucleares, de que resultam os res�duos ou o chamado lixo nuclear,
entre os quais est� o plut�nio, altamente radioativo e prejudicial ao
organismo humano (causa c�ncer e outras doen�as) e ao meio ambiente. Em face
disto, ele � acondicionado em containers ou caixas de concreto, revestidos
internamente de chumbo, para impedir o vazamento da radioatividade e depois �
enterrado em lugares profundos do subsolo ou do mar. Como esta radioatividade
dura centenas de anos, pode ocorrer o risco de eventuais vazamentos.
-
As usinas nucleares duram cerca de 25 anos, produzem
menos energia que as hidrel�tricas e custam mais em sua manuten��o e controle.
Mesmo com controles de alta tecnologia, j� houve erros humanos provocando
acidentes nucleares (como o de Chernobyl, em l986, na R�ssia).
-
O uso pac�fico da energia nuclear pode ser
desvirtuado para fins militares- em l990, produziu-se 150 ton. de
plut�nio.Bastam s� 10 kg para se fazer uma bomba at�mica- � perfeitamente
poss�vel contrabandear tal quantia em pa�ses em crises como a R�ssia.
5.1.4- Fontes alternativas de energia (biomassa, solar,
e�lica, geot�rmica, dos mares)
A] BIOMASSA (uso de fontes
bi�ticas, como o etanol, o metanol, o biog�s)
a) Etanol (cujas
mat�rias-primas podem ser a cana-de-a��car, o sorgo sacar�fero, a batata...)
Em l979, diante das crises do
petr�leo e seus conseq�entes aumentos acarretando d�ficits na balan�a comercial,
foi criado no Brasil o Pro�lcool (Programa Nacional do �lcool), estabelecendo
incentivos fiscais e subs�dios aos latifundi�rios produtores de cana-de-a��car,
aos usineiros, �s transnacionais automobil�sticas e aos usu�rios de carros de
passeio (o carro a �lcool � mais barato e o imposto sobre ve�culos � menor que
para os carros a gasolina). O Pro�lcool, por�m, est� sendo questionado, em face
das circunst�ncias comentadas a seguir.
-
A cana-de-a��car exige solos
f�rteis, como o de massap� (na Zona da Mata do NE) e o de terra-roxa (no
Planalto Arenito-Bas�ltico do SE e S do Brasil) - assim, ela passou a ocupar
terras antes destinadas aos cultivos alimentares (milho, feij�o), decrescendo
sua produ��o. Como a produ��o de �lcool � subsidiada pelo governo federal (o
barril de �lcool sai das usinas mais caro atualmente que um barril de
petr�leo, mas este combust�vel chega mais barato nos postos revendedores),
quem acaba pagando estes subs�dios � o conjunto da popula��o brasileira,
beneficiando apenas a elite fundi�ria.
-
A produ��o de �lcool valia a pena na d�cada de 80 (o
barril de petr�leo custava cerca de US$ 35, hoje � de US$ 18, enquanto o de
�lcool est� em torno de US$ 38). Hoje, sua utilidade reside n�o tanto pelos
fins energ�ticos, mas pela n�o-polui��o (acrescentado � gasolina), pela
tecnologia e pela utiliza��o na ind�stria alcoolqu�mica (polietilenos,
borracha sint�tica, etc.).
b) Metanol (cuja
mat�ria-prima � a madeira).
A madeira, para tal fim, n�o
prov�m do extrativismo vegetal, mas da silvicultura, isto �, plantio de
florestas (ex.: eucaliptos, pinus) com finalidades energ�ticas e industriais
(carv�o vegetal para siderurgia e metanol para combust�vel ou para ind�strias
qu�micas).
A silvicultura encontra condi��es
favor�veis de espa�o e de clima quente e chuvoso na Zona Intertropical da Terra.
De outro lado, por�m, na Zona Temperada do N torna-se mais dif�cil por causa da
exiguidade das terras dispon�veis na Europa e da industrializa��o e urbaniza��o
(destruidoras das florestas de m�dias latitudes, como a Apalacheana, nos EUA, a
Laurenciana, no Canad� e as da Europa e mesmo as florestas de con�feras, como a
Canadense, a Boreal e a Taiga Siberiana- estas usadas para fabrica��o de
celulose e papel).
c) Biog�s
(mat�rias-primas: lixo org�nico, esgotos residenciais, estrume de gado).
Este material bi�tico pode ser
decomposto, pela a��o de bact�rias, em biodigestores. O biog�s pode ser usado em
fog�es de cozinha, motores e turbinas de pequenas dimens�es em �reas rurais. Os
pa�ses mais populosos da Terra, China e �ndia, s�o os maiores produtores.
B
] ENERGIA SOLAR
Sua utiliza��o � indireta atrav�s
da biomassa e dos combust�veis f�sseis. Seu uso direto � poss�vel, mas n�o
integral devido � tecnologia insatisfat�ria ao seu armazenamento e alto custo
das c�lulas fotovoltaicas. A Zona Intertropical apresenta maior potencialidade
desta energia, por ter maior insola��o. � usada para aquecimento de �gua
residencial. Os maiores produtores s�o os Estados Unidos (que tem a maior
central altavoltaica do mundo no Colorado) e o Jap�o.
C] ENERGIA E�LICA (ou dos ventos-
usada na Holanda desde o s�culo XVII).
� captada atrav�s de cata-ventos,
cujas p�s s�o feitas de fibra de vidro, mas leves e assim capazes de girar com
ventos de 10 m/seg. � condicionada � dire��o e velocidade dos ventos.
D] ENERGIA GEOT�RMICA (ou do
calor interno da Terra, isto �, de vulc�es e geiseres).
Em �reas de dobramentos modernos,
onde h� vulc�es, como na R�ssia e It�lia, bombeia-se �gua da superf�cie para as
profundidades do subsolo em que existam c�maras magm�ticas (de onde sai as
lavas). Nestas c�maras a temperatura � muito alta e por isto a �gua
transforma-se em vapor, que retorna � superf�cie por press�o atrav�s de
tubula��es, acionando turbinas em usinas geot�rmicas situadas na superf�cie
terrestre. Em regi�es onde h� geiseres (vapor d��gua sob press�o proveniente de
camadas profundas da crosta terrestre, atrav�s de fissuras da mesma, explodindo
periodicamente na superf�cie terrestre), como na Isl�ndia, aproveita-se este
vapor d��gua para calefa��o dom�stica.
A cada 32 metros de profundidade
da crosta terrestre a temperatura aumenta cerca de 1oC: � o grau
geot�rmico. Este aumento de temperatura pode ser usado para a constru��o de
usinas geot�rmicas, como j� foi executado experimentalmente por cientistas
norte-americanos do Laborat�rio Nacional de Los Alamos.
E] APROVEITAMENTO ENERG�TICO DOS
OCEANOS(diferencial t�rmico, mar�s e ondas)
a) Energia t�rmica dos oceanos - Como as
�guas mar�timas superficiais s�o mais quentes que as profundas, este diferencial
t�rmico j� foi usado experimentalmente com sucesso. Esta energia �
potencialmente maior na Zona Intertropical, cujas �guas mar�timas superficiais
apresentam uma m�dia t�rmica de 25o C.
b) Energia maremotriz - As mar�s s�o movimentos verticais das �guas oce�nicas resultantes da atra��o
gravitacional exercida pelo Sol e Lua sobre o nosso planeta. Em litorais onde a
diferen�a entre a preamar (mar� alta) e a baixamar (ambas ocorrendo duas vezes
ao dia) for acentuada, h� possibilidades concretas de utiliza��o do desn�vel
entre ambas para gerar a energia das mar�s. Isto acontece no estu�rio do rio
Rance, no litoral da Bretanha (Fran�a), onde se construiu uma represa que enche
com a preamar movimentando as turbinas no sentido de dire��o da �gua do mar para
o continente; quando � baixamar, vai se esvaziando a represa, acionando as
turbinas no sentido contr�rio (da terra para o mar)
c) Energia das ondas
- em litoral alto, na Su�cia, ainda em ccar�ter experimental.
F] XISTO OU FOLHELHO
PIROBETUMINOSO (rocha sedimentar s�lida). Esta rocha (muito encontrada no
Planalto Sedimentar do Planalto Meridional do Brasil, como tamb�m na R�ssia e
EUA) possui um composto de origem org�nica chamado de querog�nio, que, ao ser
submetido a altas temperaturas transforma-se em betume, cuja decomposi��o
origina g�s e �leo, como o petr�leo. Ainda � muito inconveniente sua utiliza��o
energ�tica em escala comercial, em face dos seus custos elevados de decomposi��o
qu�mica, bem como dos danos ambientais decorrentes da mesma, pois para decompor
o folhelho usa-se muita mat�ria prima, o que determina a forma��o de uma grande
quantidade de res�duos inaproveit�veis.
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