Geografia
do Brasil - Recursos Naturais
Recursos naturais
brasileiros
Devasta��o hist�rica
A natureza sempre ocupou papel de destaque na hist�ria do Brasil. A id�ia de
exuber�ncia e de grandiosidade que o pa�s sugeria representava um para�so
infinito para os desbravadores. Essa motiva��o j� estava presente na carta de
Pero Vaz de Caminha a Portugal. Os relatos de viagem idolatravam a natureza e
simultaneamente lan�avam sobre os recursos naturais um olhar mercantilista,
interessado em explorar novas riquezas.
A primeira a��o predat�ria foi dirigida ao pau-brasil, um recurso natural t�o
farto � �poca do descobrimento que deu origem ao nome do pa�s.
Essa vis�o se manteve por toda a era rom�ntica, no per�odo republicano,
encobrindo o processo de devasta��o e at� mesmo fornecendo-lhe suporte por
considerar a natureza um recurso inesgot�vel.
0 desenvolvimento dos ciclos econ�micos do Brasil � em grande parte a hist�ria
de uma sucess�o de desastres ecol�gicos. 0 historiador Caio Prado J�nior
encontrou as palavras exatas para resumir o processo:
"Repetia-se mais uma vez o ciclo normal das atividades produtivas no Brasil. A
uma fase de intensa e r�pida prosperidade seguia-se outra de estagna��o e
decad�ncia. J� se vira isso, sem contar o long�nquo caso do pau�brasil, na
lavoura de cana-de-a��car e de algod�o no Nordeste e nas minas de ouro e
diamante no Centro-Sul. A causa � sempre semelhante: o acelerado esgotamento dos
recursos naturais por um sistema de explora��o descuidado e extensivo".
Ainda hoje os recursos naturais brasileiros s�o cobi�ados internacionalmente. A
necessidade de mat�ria-prima abundante e a busca de novos materiais lan�am os
olhos do mundo para as reservas minerais e florestais do Brasil. Em associa��o
com o capital nacional, os investidores estrangeiros manobram a legisla��o,
encontrando meios legais e ilegais para apropriar-se de uma parcela
significativa dos recursos.
Contra o poder econ�mico desses grupos, os cr�ticos da devasta��o obtiveram
pouco sucesso at� a d�cada de 1980. Apenas com a transi��o democr�tica e a
conseq�ente politiza��o do movimento ecol�gico, a sociedade despertou para a
necessidade de explorar racionalmente os recursos naturais. V�rios �rg�os
p�blicos de defesa e fiscaliza��o do meio ambiente foram criados, tanto no
�mbito federal quanto nos n�veis estadual e municipal; a imprensa abriu espa�o
para o assunto e os movimentos ecol�gicos fortaleceram-se, ganhando
profissionalismo e apoio popular. Al�m disso, a quest�o ambiental tornava-se
cada vez menos sin�nimo de exuber�ncia vegetal e animal para apresentar-se como
problema cotidiano na forma de polui��o, contamina��o, sa�de p�blica. 0 desafio
dos ambientalistas brasileiros �, agora, estender esse apoio a causas menos
imediatas e palp�veis mas igualmente essenciais, como o controle da explora��o
mineral e vegetal, para a preserva��o dos ecossistemas.
Recursos minerais: o rico subsolo brasileiro
Tendo grande extens�o territorial, � natural que o Brasil seja um dos pa�ses com
maior potencial mineral do mundo, juntamente com a Federa��o Russa, Estados Uni
dos, Canad�, China e Austr�lia. Os principais min�rios s�o: bauxita, cobre,
cromo, estanho, ferro, grafita, mangan�s, n�quel, ouro, pot�ssio, rocha
fosf�tica e zinco.
De modo geral, a produ��o mineral tem se ampliado desde o fim dos anos 1990,
gra�as a um aumento dos investimentos externos no setor. Em 1995, uma emenda
constitucional removeu as restri��es impostas ao capital estrangeiro pela Carta
Magna de 1988. Com isso, multinacionais adquiriram o controle de numerosas
estatais e associaram-se a muitas empresas nacionais, alimentando com recursos
externos a atividade mineradora no pa�s.
Incluindo petr�leo e g�s natural, a produ��o da ind�stria extrativa mineral
corresponde a cerca de 1 % do produto interno bruto nacional. Agregando os
valores da industrializa��o das mat�rias-primas minerais, o setor alcan�a cerca
de 8% do PIB brasileiro. Os gr�ficos a seguir apresentam a participa��o dos
minerais no total das exporta��es brasileiras e os valores obtidos com as
exporta��es dos principais metais e suas manufaturas.


De acordo com a Lei Maior, � obrigat�ria a recomposi��o de �reas em que a
minera��o � praticada, qualquer que seja o tipo de min�rio. Assim, todo rejeito
s�lido, n�o-biodegrad�vel e estranho � biosfera deveria ser soterrado para ficar
isolado dos seres vivos e do ecossistema original. Na maioria das vezes, por�m,
a lei n�o � cumprida e n�o h� fiscaliza��o para evitar a degrada��o ambiental
provocada pela explora��o de min�rios.
As grandes reservas de ferro
A minera��o de ferro � a principal atividade extrativa do pa�s. O Brasil possui
a quinta maior reserva do mundo, com um total estimado de 40 a 50 bilh�es de
toneladas, e � o segundo maior produtor.
As maiores reservas est�o no Quadril�tero Ferr�fero, no estado de Minas Gerais,
e na serra dos Caraj�s, no estado do Par�. Em Minas Gerais, o ferro apresenta
altos teores e � explorado por dois sistemas independentes: no Vale do Rio Doce,
que exporta pelo porto de Tubar�o (Esp�rito Santo), e no Vale do Paraopeba, de
onde o ferro � levado ao Rio de Janeiro para ser exportado.
Na serra dos Caraj�s, os recursos para a explora��o do min�rio de ferro foram
adquiridos no exterior em forma de empr�stimos, por meio do projeto Grande
Caraj�s. Obras como a usina hidrel�trica de Tucuru�, a estrada de ferro Caraj�s
-
S�o Lu�s
e o porto Ponta da Madeira, na capital do Maranh�o, favorecem a exporta��o n�o
apenas do ferro mas tamb�m do mangan�s e do alum�nio.
Cerca de 60% da produ��o de min�rio de ferro � exportada para o Jap�o e pa�ses
da Uni�o Europ�ia. O restante abastece as ind�strias sider�rgicas nacionais. No
maci�o de Urucum, sudoeste do Mato Grosso do Sul, a produ��o � destinada
integralmente para o mercado interno. Os mapas a seguir mostram as principais
jazidas de ferro e de outros minerais no Brasil e, especialmente, em Minas
Gerais.
A siderurgia e o carv�o
Quanto ao beneficiamento do min�rio de ferro e � produ��o de a�o, a siderurgia
brasileira enfrenta um grave problema: a falta de carv�o para aquecer os altos
fornos.
As reservas brasileiras de carv�o s�o insuficientes, e grande parte das que
existem s�o inadequadas para a siderurgia, pois nosso carv�o apresenta impurezas
como pirita e cinzas. Al�m disso, tem baixo teor calor�fico.


Energia e meio ambiente
Em virtude da utiliza��o de recursos naturais e dos impactos ambientais causados
pela produ��o, transforma��o, transporte, distribui��o, armazenagem e consumo de
energia, cada vez mais tem causado preocupa��o a rela��o meio ambiente x
aproveitamento das fontes energ�ticas.
No Brasil, v�rios s�o os aspectos dessa rela��o: aproveitamento do potencial
hidr�ulico em �reas de grande diversidade vegetal; grandes extens�es de plantio
de cana para gera��o de combust�vel e, finalmente, o aproveitamento do carv�o
pelas ind�strias sider�rgicas e usinas termel�tricas. Por si s� a explora��o do
carv�o envolve desmatamento e, no caso do carv�o brasileiro, seus altos teores
de cinzas e enxofre s�o muito poluentes. Para citar apenas um exemplo, a queima
de carv�o para gera��o termel�trica no Rio Grande do Sul tem sido apontada como
causadora de chuvas �cidas no Uruguai.
Com exce��o do buraco na camada de oz�nio, os principais problemas ambientais em
escala planet�ria est�o intimamente associados � eleva��o do consumo de energia:
o aumento do efeito estufa, a polui��o do ar urbano, a chuva �cida e o risco de
acidentes envolvendo usinas nucleares. No caso da queima de combust�veis
f�sseis, ela � a principal respons�vel pelos tr�s primeiros riscos.
Nesse sentido, h� que se encontrar um equil�brio adequado entre desenvolvimento
econ�mico, explora��o de recursos e preserva��o do meio ambiente.
Os pa�ses desenvolvidos j� provaram que podem incrementar o seu PIB sem aumentar
o consumo de energia, basicamente gra�as a mudan�as de h�bitos de consumo e �
utiliza��o de novas t�cnicas. Nos primeiros anos da d�cada de 1980, enquanto o
uso de energia pelas ind�strias dos pa�ses da OCDE (Organiza��o para Coopera��o
e Desenvolvimento Econ�mico) decaiu em 1,9% ao ano, o PIB cresceu em m�dia 2,2%
ao ano.
0 Brasil ainda tem muito a caminhar nesse sentido. Entre 1980 e 1993, sua
rela��o entre consumo energ�tico e PIB manteve-se praticamente inalterada.
Adaptado de: Relat�rio sobre o
desenvolvimento
humano
no
Brasil.
Rio
de Janeiro/Bras�lia, Instituto de Pesquisa Econ�mica
Aplicada/Programa das Na��es Unidas para o Desenvolvimento, 1996. p. 89-91.
Embora as maiores reservas estejam no Rio Grande do Sul, o grande produtor
nacional � Santa Catarina, certamente por ter as jazidas mais atraentes:
carv�o de melhor qualidade, em parte coqueific�vel, e ocorr�ncia perto
da superf�cie, permitindo a explora��o a c�u aberto. A zona carbon�fera
catarinense fica no sudeste do estado, incluindo os munic�pios de Crici�ma,
Sider�polis, Lauro M�ller e Urussanga, e o produto � escoado pelo porto de
Imbituba.
Al�m de ser usado como coque metal�rgico em mistura com carv�es importados, o
carv�o brasileiro � utilizado como fonte energ�tica em usinas termel�tricas.
Futuramente, ele poder� ser mais bem aproveitado com a instala��o de um p�lo
carboqu�mico regional, que empregue tecnologias avan�adas.
Assim, embora algumas usinas utilizem o carv�o vegetal na siderurgia e
metalurgia, altamente conden�vel por estimular o desmatamento, a solu��o
preferencial tem sido a importa��o de carv�o mineral.
Mesmo com essa dificuldade, a produ��o brasileira de ferro e a�o tem aumentado.
0 pa�s � auto-suficiente na maior parte dos produtos sider�rgicos, alguns dos
quais s�o tamb�m exportados.
0 grande centro de siderurgia no Brasil � a regi�o Sudeste, pois � onde se
concentram grande fonte de mat�rias-primas e o maior mercado consumidor do pa�s.
A�
est�o instaladas a Companhia Sider�rgica Nacional (CSN), no estado do Rio de
Janeiro, as Usinas Sider�rgicas de Minas Gerais (Usiminas), em Minas Gerais, e a
Companhia Sider�rgica Paulista (Cosipa), no estado de S�o Paulo. Como vimos,
todas privatizadas nos anos 1990.
Mangan�s: diminuem as reservas
A reserva de mangan�s do Brasil � a quinta maior do mundo, e o pa�s � o terceiro
maior produtor, superado apenas pela �frica do Sul e pelos membros da Comunidade
dos Estados independentes. As maiores reservas nacionais est�o localizadas no
Par� (serra dos Caraj�s), em Mato Grosso do Sul (maci�o de Urucum) e em Minas
Gerais (Quadril�tero Ferr�fero), mas a Bahia e Mato Grosso tamb�m disp�em desse
mineral, extremamente importante na fabrica��o de um tipo de a�o utilizado na
ind�stria sider�rgica. Os dep�sitos de mangan�s da serra do Navio (Amap�) est�o
em grande parte exauridos. No lugar da serra, hoje resta praticamente um grande
buraco.
Cerca de dois ter�os da produ��o brasileira t�m sido obtidos no Amap�, onde
opera a Icomi, subsidi�ria da empresa norte-americana Bethlehem Steel
Corporation. A empresa recebeu autoriza��o do governo para expiorar a jazida da
serra do Navio por cinq�enta anos, prazo que se esgota em 2003. Mais da
metade das reservas de min�rio de alto teor j� foi explorada na regi�o, restando
apenas aquelas localizadas a grandes profundidades, cuja extra��o requer altos
investimentos. Praticamente toda a produ��o � exportada para os Estados Unidos,
raz�o pela qual a empresa implantou e opera uma ferrovia que liga a jazida at� o
porto de Santana.
0 abastecimento do mercado interno � feito principalmente pelas jazidas de Minas
Gerais, que fornecem mangan�s para as sider�rgicas instaladas na regi�o Sudeste.
Na serra dos Caraj�s, a produ��o � destinada hoje ao mercado externo, mas h�
projetos para o abastecimento tamb�m do mercado nacional.
No maci�o de Urucum, a reserva de mangan�s � consider�vel, mas a produ��o �
pequena e visa ao mercado externo, em especial a Argentina e o Paraguai, para
onde o min�rio � levado pelo rio Paraguai, depois de embarcado no porto de
Corumb�.
Cassiterita: o pa�s e
o segundo maior produtor mundial
0 Brasil possui cerca de 7% das reservas mundiais de cassiterita, o �nico
min�rio comercializ�vel de estanho, utilizado na confec��o de latas para
acondicionar alimentos e bebidas. 0 metal � aproveitado internamente e
exportado. H� reservas no Par�, Amazonas, Mato Grosso, Goi�s e Minas Gerais, mas
as maiores est�o localizadas em Rond�nia, que tamb�m � o grande produtor
brasileiro. Na produ��o, o pa�s ocupa o segundo lugar, superado apenas pela
Mal�sia, e tem p�los importantes
no Amazonas, no Par� (foto anterior ao lado) e em Mato Grosso.
Bauxita: produ��o e rejeitos
0 Brasil det�m aproximadamente 20% das reservas mundiais conhecidas de bauxita,
o principal min�rio de alum�nio das jazidas do pa�s. Ocupa o terceiro lugar em
reservas, superado apenas pela Austr�lia e pela Guin�; � o segundo em produ��o.
A maior parte das reservas, com teor m�dio de 45%, est� localizada no Par�,
principalmente nas jazidas pr�ximas ao rio Trombetas, em Oriximin�, onde a extra��o mineral e o beneficiamento s�o realizados pela Companhia Vale do Rio Doce.
Parte do mineral extra�do � primeiro beneficiada no Brasil e s� depois
exportada. Para isso, a Vale associou-se a outras empresas, como a Alcan, de
capital canadense, uma das multinacionais que lideram o monop�lio mundial de
alum�nio.
0 grande consumo de energia el�trica envolvido no processo produtivo motivou a
constru��o da usina hidrel�trica de Tucuru�, que fornece energia a pre�os reduzi
dos, gra�as a subs�dio do governo federal (foto abaixo).
Um grave problema relacionado ao beneficiamento da bauxita � a polui��o
ambiental. Todo ano, 3,5 milh�es de toneladas de rejeitos s�o despejadas no lago
da Batata, que hoje tem um material altamente polu�do sedimentado em 20% de sua
extens�o.
As reservas de bauxita no estado do Par� destinam�se � exporta��o, e as reservas
localizadas no estado de Minas Gerais, no munic�pio de Po�os de Caldas,
abastecem as ind�strias nacionais.
N�quel com baixo rendimento
O Brasil tem a terceira maior reserva mundial de n�quel, correspondendo a
5%
das jazidas conhecidas. Desse total, cerca de 80% est�o concentrados em Goi�s,
no munic�pio apropriadamente denominado Niquel�ndia, que � tamb�m o grande
produtor nacional. Piau� e Minas Gerais possuem reservas, embora apenas Minas
Gerais tenha uma produ��o de destaque.
Como o teor m�dio de n�quel no min�rio n�o passa de
3
a 4%, o beneficiamento � realizado na boca da mina, pois o custo do transporte
encarece muito o produto. Esse fato impede o pleno desenvolvimento da produ��o,
que, por isso, n�o satisfaz integralmente a necessidade do pa�s, embora tenha
crescido nos �ltimos anos.
Ouro
brilha em Caraj�s
As maiores reservas mundiais de ouro est�o na �frica do Sul e no Usbequist�o,
mas o Brasil ainda tem boas reservas em diversos estados, principalmente em
Minas Gerais, Goi�s, Bahia, Rond�nia, Mato Grosso e Par�.
Minas Gerais � o produtor tradicional e est�vel, onde a explora��o � feita de
modo empresarial, com t�cnicas modernas e administradas pela Anglo-Americana, em
presa da �frica do Sul. Nos demais estados, ao contr�rio, tem predominado a
explora��o c�clica ou migrat�ria. Assim que uma jazida � descoberta, centenas ou
at� milhares de pessoas dirigem-se para l� e empregam-se em mineradoras ou
trabalham como garimpeiros independentes. Esgotada a jazida, desfaz-
se a
comunidade formada em torno dela - comerciantes de ouro, restaurantes, casas de
prostitui��o -, e os exploradores voltam � sua terra de origem ou partem em
busca de novas jazidas.
A explora��o do ouro � realizada de maneira rudimentar pelos garimpeiros, sem
cuidados com o ambiente e com a pr�pria sa�de. Para separar o ouro da rocha,
utilizam o merc�rio, metal altamente prejudicial por se acumular no organismo e
causar muta��es gen�ticas. Primeiro, o garimpeiro lan�a o merc�rio na lama
recolhida do fundo do rio, para que ele se fixe na rocha que cont�m ouro.
Depois, aquece o bloco para dissolver o merc�rio, que, ao derreter, retira os
res�duos de rocha, deixando o min�rio puro. A polui��o, portanto, ocorre em
v�rios momentos:
no rio, contaminando os peixes, no solo e no ar, em forma de vapores que o
garimpeiro aspira. Essa t�cnica � utilizada at� mesmo pelos �ndios da reserva
Kaiap�, que tem muitos garimpeiros entre os seus
1 500
habitantes.
Estima-se que a cada ano os
350
mil garimpeiros que operam na Amaz�nia despejem mais de 200 toneladas de
merc�rio no ambiente.
� imposs�vel calcular a real produ��o de ouro do Brasil, pois grande parte �
desviada para o mercado paralelo ou contrabandeada para o exterior.
A �ltima grande descoberta de ouro no pa�s ocorreu em janeiro de
1996,
na chamada serra do Leste, junto � serra dos Caraj�s, onde se estima que haja um
total de
150
toneladas. A mina foi encontrada pela Companhia Vale do Rio Doce, mas deve ser
explorada em associa��o com empresas estrangeiras.
Outra mega-mineradora
Em
1995,
quatro empresas de minera��o se fundiram, formando o segundo maior conglomerado
do setor no pa�s. A Paranapanema, a Cara�ba Metais e a Paraibuna foram compradas
pelos fundos de pens�o, liderados pela Previ, dos funcion�rios do Banco do
Brasil. A elas a Previ associou a Eluma, que j� era de sua propriedade.
O conglomerado, que passou a explorar reservas de estanho, cobre e zinco do
pa�s, � superado apenas pela Companhia Vale do Rio Doce.
A iniciativa � um exemplo do poder econ�mico dos fundos de pens�o, empresas
previdenci�rias que recebem contribui��es do empresariado e dos funcion�rios e,
em troca, oferecem benef�cios como complementa��o de aposentadoria e empr�stimos
pessoais. Para isso, multiplicam seu capital investindo no setor produtivo do
pa�s.
Cobre: aumento de produ��o
Embora o Brasil possua muitas reservas de cobre, a produ��o era insuficiente e o
pa�s tinha de importar o metal em virtude do baixo teor de metal contido no
min�rio- 1,5% em m�dia.
As maiores reservas brasileiras est�o no Par�, em Goi�s e na Bahia, que tem sido
o maior produtor nacional. No Par�, a jazida de Salobro � a maior do pa�s. A
Companhia Vale do Rio Doce, associada a uma empresa do grupo Anglo-Americano,
come�ou a explorar o cobre em 1996, o que resultou em produ��o superior �s
necessidades nacionais.
Sal das minas e do mar
Mineral n�o-met�lico, o sal � usado na ind�stria qu�mica, na pecu�ria, na
alimenta��o humana e para v�rios fins industriais.
Na Bahia e em Alagoas, o sal � extra�do de dep�sitos minerais (o chamado
sal-gema), mas � o sal marinho que corresponde � maior parte da produ��o
nacional. O Rio Grande do Norte participa com mais de 80% da produ��o, com suas
salinas de Areia Branca, Mossor� e Macau. A concentra��o de sal nessa regi�o do
pa�s deve-se a condi��es favor�veis, como o dom�nio de um clima quente e seco
durante a maior parte do ano, favorecendo a evapora��o e a a��o dos ventos
al�sios, que, soprando para oeste, reduzem a ocorr�ncia de chuvas. No Rio de
Janeiro, a extra��o � feita por processos naturais em Maca� e S�o Pedro da
Aldeia, entre outros munic�pios (foto abaixo).
O m�todo � rudimentar. Constroem-se valas onde o movimento das �guas deposita a
�gua com sal, que fica a c�u aberto e evapora, deixando apenas o sal acumula�
do. O transporte do produto final � realizado em carrinhos de madeira
constru�dos pelos pr�prios trabalhadores das salinas. As condi��es de trabalho
s�o p�ssimas. Al�m de receberem por produ��o, os trabalhadores s� s�o
contratados no per�odo de safra, pois na �poca das chuvas a atividade �
interrompida. E n�o h� qualquer prote��o contra os efeitos nocivos da exposi��o
direta ao sol e do contato constante com o sal, que provocam danos na pele e nos
olhos. Apesar de j� ter sido denunciado, principalmente no Rio Grande do Norte a
atividade persiste com a explora��o do trabalho infantil.
Recursos vegetais: o extrativismo
Particularmente para a popula��o que vive distante dos grandes centros urbanos,
o extrativismo vegetal ainda constitui uma importante atividade econ�mica,
apesar de o Brasil ser hoje um pa�s urbano-industrial. Muitas vezes, o
extrativismo � complementado por outras atividades, como a agricultura e a
pecu�ria de subsist�ncia. Entre os principais produtos extra�dos no pa�s,
destacam-se: borracha, castanha-do-par�, pia�ava, baba�u, carna�ba, oiticica,
erva-mate e madeiras (mapa na p�gina seguinte).
Borracha e
castanha-do-par�
Produto t�pico da Amaz�nia, a borracha � extra�da de forma rudimentar, e a
atividade subsiste em condi��es extremamente adversas. Os seringueiros e
coletadores, muitas vezes, s�o explorados pelos chamados seringalistas.
Poderosos fazendeiros locais, os seringalistas se dizem propriet�rios de terras
que, geralmente, s�o devolutas, sem dono. Comandam as atividades extrativas na
�rea e obviamente ficam com a maior parte dos lucros. Os projetos agropecu�rios
e minerais s�o tamb�m amea�as constantes, pois as �reas dos seringais s�o as
mais visadas.
Em 1990, foi regulamentada a cria��o de reserva extrativista para explora��o
auto-sustent�vel de recursos naturais (foto ao lado). Depois disso, seringueiros
e coletadores formaram cooperativas para comercializar seus produtos. O poder
dos fazendeiros locais, no entanto, impede a cria��o das reservas necess�rias.
Segundo o IBGE, o Brasil tem apenas onze reservas extrativistas, entre as quais
se destacam as duas do Acre, estado que concentra as melhores terras da Amaz�nia
e mais de 300 mil seringueiros.

Enquanto durou, o ciclo da borracha (1890-1910) promoveu o enriquecimento da
regi�o amaz�nica, na �poca o �nico produtor no mundo. A produ��o da borracha
correspondia a 40% das exporta��es nacionais.
No entanto, sementes da seringueira brasileira foram transplantadas para as
col�nias brit�nicas do Sudeste Asi�tico, especialmente a Mal�sia, em 1876, e
logo sua produ��o superou a do Brasil.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a produ��o brasileira de borracha voltou a
crescer, pois os cultivos brit�nicos do Sudeste Asi�tico foram tomados pelo
Jap�o. 0 Brasil forneceu borracha para as ind�strias de pneum�ticos dos pa�ses
aliados, numa fase que ficou conhecida como Batalha da Borracha. Com o fim da
guerra e o desenvolvimento da produ��o de borracha sint�tica (o elast�mero,
derivado do petr�leo), a produ��o brasileira voltou a decair.
A heveacultura (de Hevea brasiliensis, nome cient�fico da seringueira) �
praticada na Amaz�nia, S�o Paulo, Bahia e Mato Grosso. Os maiores produtores
nacionais de seringais plantados s�o os estados de S�o Paulo e Bahia, e a
maior produ��o de seringais nativos � a do Acre, Amazonas e Rond�nia. A produ��o
nacional de borracha, que n�o evoluiu tecnicamente, n�o atende �s necessidades
internas de consumo, e � necess�ria a importa��o.
A castanha-do-par� (foto da p�gina seguinte), ao contr�rio, � exportada para
diversos pa�ses da Europa, al�m do Jap�o e dos Estados Unidos. Dela se extrai
�leo vegetal, que pode ser utilizado como mat�ria-prima na elabora��o de
rem�dios, sab�o e cosm�ticos, al�m do uso industrial, como lubrificantes de
aparelhos de alta precis�o. � tamb�m um alimento de grande valor nutritivo.
Grandes
castanhais surgem principalmente nos vales dos rios Amazonas e Tocantins, na
mata de terra firme. Assim como a extra��o da borracha, a coleta de castanha-do-par�
� realizada de forma extremamente primitiva, por meio da cata��o, na qual o
trabalhador s� retira as castanhas dos cocos que est�o ca�dos no ch�o. Na
maioria das vezes, o seringueiro � tamb�m respons�vel pela extra��o da
castanha-do-par�.
Carna�ba, a �rvore da
vida
Nos vales �midos do Sert�o nordestino, principalmente nos estados do Piau�,
Cear� e Rio Grande do Norte, � explorada a carna�ba, conhecida como �rvore da
vida, pois dela tudo se aproveita. A cera que reveste as folhas da carna�ba tem
grande aplica��o industrial, sendo usada na fabrica��o de ceras industriais e
dom�sticas e de graxas lubrificantes. � empregada, ainda, como mat�riaprima para
fabrica��o de discos, filmes fotogr�ficos, papel-carbono e sabonetes. A
popula��o local aproveita o tronco para construir casas, usando as folhas para
recobrir o teto; o fruto � utilizado na alimenta��o; as ra�zes, depois de
fervidas, s�o transformadas em rem�dio; as sementes s�o torradas, mo�das e
consumidas como bebida.
O grande problema do extrativismo vegetal � a maneira predat�ria como geralmente
� realizado. A ervamate, por exemplo, prov�m de uma pequena �rvore conhecida
como congonheira. A intensa explora��o chegou a amea�ar de extin��o as
esp�cies naturais no Rio Grande do Sul; por isso, hoje quase toda a erva-mate do
pa�s � obtida de ervais cultivados.
Outros produtos
A atividade extrativa inclui diversos outros produtos, como a pia�ava, fibra
usada na fabrica��o de vassouras; o a�a�, fruto empregado no preparo de produtos
alimentares; fibras vegetais; ervas medicinais; palmito; e oiticica, da qual se
extrai �leo para fabrica��o de tintas, vernizes e anticorrosivos. Os maiores
produtores de �leo de oiticica s�o Cear�, Para�ba e Rio Grande do Norte.
No Meio-Norte destaca-se o baba�u, que consiste numa palm�cea nativa cujos
coquilhos d�o grande produ��o de �leo, utilizado nas ind�strias de sab�o,
margarina e produtos qu�micos.
O palmito � um exemplo de extrativismo vegetal, que se faz tamb�m de forma
extremamente predat�ria. Condena-se a derrubada das �rvores para obten��o do
miolo, pois o tempo de reposi��o das palmeiras � longo e elas demoram de sete a
oito anos para se desenvolverem. A extra��o indiscriminada amea�a de extin��o as
esp�cies ju�ara e a�a�.
Apesar disso, nenhuma atividade extrativa concorre com a da madeira em termos de
devasta��o e preju�zo ao ecossistema.
Madeira: muita mata
devastada
Originalmente, quase toda a extens�o do planalto
Meridional era recoberta pelo pinheiro da esp�cie Araucaria brasilienses.
Hoje, ela est� reduzida a 5% de sua �rea primitiva. A maior parte do pinho que
se encontra no Sul do pa�s prov�m de esp�cies plantadas. No Esp�rito Santo, um
ter�o do jacarand� foi eliminado.
A madeira extra�da tem v�rios destinos. As vezes, � utilizada como lenha, na
forma de combust�vel simples; outras vezes, � queimada para o preparo de carv�o
vegetal. Finalmente, a maior parte � utilizada para a fabrica��o de m�veis, no
pa�s ou no exterior.
As madeiras de lei, duras e resistentes, s�o as mais valorizadas no mercado
internacional. Por isso, s�o, em sua maior parte, exportadas. Ocorrendo
dispersas nas florestas pluviais, em meio a um sem-n�mero de outras esp�cies,
elas rapidamente se esgotam na �rea em que est�o sendo exploradas, impondo um
car�ter itinerante � atividade extrativa. O mogno, por exemplo, teve seu p�lo
extrativo na regi�o de Paragominas, no Par�. Durante a d�cada de 1980, foram
extra�dos anualmente cerca de 2 milh�es de metros c�bicos, at� que a preciosa
madeira se esgotasse na regi�o. Nos anos 1990, a atividade extrativa foi
transferida para o Acre e para a regi�o de Itacoatiara, no Amazonas.
As vezes, na �nsia de encontrar a madeira desejada, as empresas extrativas,
muitas estrangeiras e outras tantas clandestinas, n�o preservam a mata que
envolve as esp�cies procuradas, procedendo um desflorestamento generalizado.
Para isso, usam indiscriminadamente a moto-serra, quando n�o possantes tratores
e grossas correntes.
Recursos h�dricos: disponibilidade e consumo
S�o m�ltiplos os usos da �gua: atividade pesqueira, navega��o, gera��o de
energia el�trica, irriga��o, uso industrial e consumo urbano, sobretudo
dom�stico.
A pesca � uma atividade tradicional no pa�s e � praticada em muitos rios com um
car�ter de subsist�ncia. Apenas no litoral tem destaque a pesca comercial,
realizada em escala empresarial (mapa ao lado).
Quanto � navega��o fluvial, al�m de ser tradicional na Amaz�nia, ela tem sido
impulsionada nos �ltimos anos gra�as � constru��o de grandes hidrovias, como a
do Tiet�-Paran� e a do Madeira. No que diz respeito � gera��o de energia, basta
lembrar que mais de 90% da eletricidade produzida no pa�s prov�m de geradores
hidr�ulicos.
O Brasil possui a maior reserva mundial de recursos h�dricos. Abriga em seu
territ�rio uma das maiores redes hidrogr�ficas do planeta - metade de toda a
�gua dispo n�vel da Am�rica do Sul -, al�m de extensas reservas de �gua
subterr�neas. Apesar de todo esse potencial, o pa�s n�o est� livre do problema
da escassez de �gua.
Uso predat�rio dos recursos h�dricos, polui��o, assoreamento dos rios e
desperd�cio s�o os principais respons�veis pela escassez de �gua. Segundo o
IBGE, as empresas brasileiras de abastecimento de �gua apresentam �ndices de
perda do produto de at� 50%. Nos pa�ses desenvolvidos, esses �ndices n�o atingem
20%.
Para enfrentar esse problema, o governo federal lan�ou, em 1997, o Programa
Nacional de Combate ao Desperd�cio de �gua. No mesmo ano, entrou em vigor a lei
de Recursos H�dricos, que fixa as normas para que se

possa assegurar a disponibilidade de �gua e sua utiliza��o racional. No ano
2000, foi criada a Ag�ncia Nacional das �guas (ANA), destinada a p�r em pr�tica
e monitorar as a��es e pol�ticas p�blicas na �rea dos recursos h�dricos.
A disponibilidade e o consumo de �gua apresentam grande desigualdade regional no
Brasil, conforme se pode ver no quadro da p�gina seguinte.
Verifica-se que quase 70% das �guas correntes do pa�s est�o na regi�o Norte,
onde naturalmente ocorre o menor consumo regional com irriga��o (17%). Por outro
lado, na regi�o com menores recursos h�dricos -o Nordeste, com apenas 6 metros
c�bicos por segundo -, 70% da �gua consumida destina-se � irriga��o. Ali�s, como
conseq��ncia da moderniza��o do campo, a irriga��o tornou-se o maior consumidor
de �gua no pa�s (59%), superando o consumo urbano (22%) e o industrial (19%).
Muito significativo � o �ndice dado pela rela��o entre disponibilidade e consumo
de �gua. No Brasil, para cada dez mil litros dispon�veis, consome-se 65 litros
de �gua. Na regi�o Norte, diante da abund�ncia de recursos h�dricos, o pequeno
consumo regional � de apenas um litro para cada dez mil litros dispon�veis. De
outra parte, no Nordeste, esse �ndice � de 420 litros, diante da modesta
disponibilidade regional. Mas o �ndice mais elevado ocorre no Sudeste - 467
litros -, muito mais em fun��o da elevada demanda de �gua do que de uma limitada
disponibilidade de recursos h�dricos.
�GUAS CORRENTES:
DISPONIBILIDADE E CONSUMO
|
BRASIL |
|
|
Regi�es |
|
|
|
|
Norte |
Nordeste |
Sudeste |
Sul |
Centro-Oeste |
|
Disponibilidade |
(mil
m'/seg) |
178 |
122 |
6 |
10 |
12 |
28 |
|
Litros
consumidos por 10 mil |
|
|
|
|
|
|
|
litros |
dispon�veis |
65 |
1 |
420 |
467 |
304 |
17 |
|
|
Urbano |
22 |
58 |
17 |
29 |
12 |
35 |
|
Consumo (%) |
Industrial |
19 |
25 |
13 |
30 |
7 |
12 |
|
|
Irriga��o |
59 |
17 |
70 |
41 |
81 |
53 |
|
Fonte: IBGE. |
Anu�rio |
estat�stico |
do Brasil
1999. |
Rio
de |
Janeiro, 2000. |
|
|
Polui��o e abastecimento
Os habitantes das grandes cidades, sobretudo os das regi�es metropolitanas, por
enquanto s�o os afetados com a escassez de �gua. Os mananciais est�o sendo
prejudicados principalmente por res�duos dom�sticos e industriais. At� as
ind�strias, grandes consumidoras, t�m se ressentido da falta de �gua.
Sem d�vida s�o as camadas mais pobres as mais afetadas, pois sua renda n�o lhes
permite habitar �reas urbanas mais valorizadas, com melhor infra-estrutura de
abastecimento e qualidade ambiental. Em um ciclo vicioso, por falta de
saneamento, essas camadas s�o respons�veis, em grande parte, pela polui��o
h�drica e, por sua vez, sofrem mais com a pr�pria degrada��o ambiental que
causam.
Apesar de as cargas de res�duos dom�sticos serem percentualmente as maiores
respons�veis pela polui��o dos recursos h�dricos urbanos, j� que sobre as
ind�strias incide uma fiscaliza��o mais eficiente para que realizem tratamentos,
os dejetos industriais s�o diversificados e causam grande preju�zo � sa�de. Seu
tratamento requer t�cnicas mais avan�adas e caras. As ind�strias teriam que
gastar aproximadamente 2,1 % do PIB do setor para tratar toda a sua carga
poluidora.
Em todo o pa�s, cerca de 20% dos domic�lios n�o est�o ligados a rede de
abastecimento de �gua; grande parte deles est� na regi�o Nordeste e na periferia
das grandes cidades. � necess�rio reverter esse quadro, principalmente porque
estudos recentes revelaram a grande correla��o existente entre a maior oferta de
�gua pot�vel e a queda da mortalidade infantil.
No aspecto ambiental, a preserva��o dos rios n�o atrai tanto interesse quanto as
florestas, a n�o ser quando causa s�rios danos �s popula��es urbanas, como � o
caso do rio Tiet� em S�o Paulo. Depois de provocar muitas enchentes e j� sem
praticamente nenhum resqu�cio de vida, o Tiet� ganhou um projeto de despolui��o,
financiado por capital estrangeiro. A demorada e dispendiosa despolui��o do rio
poder� resgatar a original utilidade de suas �guas.
Para alguns especialistas, o problema da falta de �gua na Grande S�o
Paulo poderia ser resolvido pelo subsolo. Estima-se que um sistema
descentralizado de
po�os
espalhados pela regi�o metropolitana permitiria captar um volume de �gua quase
tr�s vezes maior que o d�ficit da regi�o.
Aq��fero Guarani, um mar pot�vel subterr�neo
Denominam-se aq��feros as reservas de �gua subterr�neas, que representam uma
alternativa estrat�gica ao problema da falta de �gua. No Brasil, o principal
deles � o aq��fero Guarani, maior reserva subterr�nea de �gua doce da Am�rica do
Sul.
A forma��o do aq��fero est� ligada � ocorr�ncia do arenito Botucatu, rocha que
aflora na depress�o perif�rica da bacia sedimentar do Paran�, da qual comp�e uma
das camadas recobertas por basalto (resultante de derrames de lava vulc�nica).
Durante mil�nios, �guas de superf�cie foram se infiltrando na rocha, gra�as �
permeabilidade do arenito, at� inundar grande extens�o da camada e formar,
assim, um imenso reservat�rio h�drico.
Esse verdadeiro mar pot�vel subterr�neo estende-se por cerca de 1,2 milh�o de km,
dois ter�os dos quais em territ�rio brasileiro, onde atinge oito estados do
centro-sul do pa�s. O restante prolonga-se por Uruguai, Argentina e Paraguai.
Por isso, foi apelidado de aq��fero gigante do Mercosul.
O aq��fero Guarani tem capacidade de fornecer 43 bilh�es de metros c�bicos de
�gua por ano, o suficiente para abastecer uma popula��o de 500 milh�es de
habitantes. Para aproveitar esse potencial, no entanto, � preciso que seja
explorado de forma sustent�vel, sem desperd�cio ou contamina��o. No estado de
S�o Paulo, por exemplo, onde se acham cerca de 18% do aq��fero, � poss�vel
encontrar po�os abandonados e que n�o foram fechados, criando o risco de
contamina��o por acidente ou mesmo sabotagem.
Adaptado de Aureliano Biancarelli para o jornal Folha de S.Paulo,
19 maio 1996.

As fontes de energia
O processo de industrializa��o envolve a produ��o e o consumo de produtos
energ�ticos, uma vez que a ind�stria � a atividade econ�mica que mais consome
energia. Por isso, est� muito subordinada a ela, particularmente � localiza��o
dos recursos energ�ticos, � viabilidade de utiliza��o econ�mica das suas fontes
e, sobretudo, � contabiliza��o dos custos - aspectos essenciais do projeto de
industrializa��o do pa�s.
Dependendo do tipo de ind�stria, a localiza��o da fonte de energia pode
determinar a concentra��o ou dispers�o dos parques industriais.
Entre as diversas fontes de energia utilizadas - o vento (energia e�lica), as
�guas (energia hidr�ulica), os raios solares (energia solar), etc. -, as mais
usadas s�o as geradoras de
energia
t�rmica
e
de
energia
el�trica. No primeiro caso, as principais fontes s�o o petr�leo e o carv�o,
combust�veis de alto potencial energ�tico; no segundo, os geradores das usinas
s�o acionados por �gua(hidreletricidade) ou pela pr�pria energia t�rmica
(termeletricidade), por meio da queima de carv�o ou �leo. H�, ainda, a fiss�o
nuclear, libera��o de energia pela divis�o do n�cleo do �tomo, aproveitada para
movimentar geradores de eletricidade nas usinas nucleares.
Entre as chamadas fontes alternativas, op��es que se apresentam mediante a
perspectiva de esgotamento do petr�leo, destacam-se: o �lcool; a biomassa',
principalmente um subproduto da cana - o baga�o; e o xisto betuminoso, rocha que
cont�m uma subst�ncia semelhante ao petr�leo. A energia prim�ria tem como fonte
os produtos energ�ticos derivados diretamente da natureza - petr�leo, g�s
natural, carv�o, energia solar, energia e�lica. A energia secund�ria � resultado
do processamento de energia prim�ria nos centros de transforma��o, como �leo
diesel, gasolina, querosene, etc.
Observe os gr�ficos abaixo. O primeiro mostra a distribui��o do consumo de
energia por setor da economia brasileira; o segundo representa a participa��o de
cada fonte no consumo de energia do pa�s.


Em defesa da energia solar
Segundo o presidente de uma das setenta empresas brasileiras fabricantes de
coletores de energia solar, o Brasil poderia aproveitar uma riqueza abundante
em um pa�s tropical e economizar no consumo de eletricidade.
O emprego de energia solar para aquecer, por exemplo, os chuveiros el�tricos,
reduziria a demanda em 2 650 megawatts, pot�ncia equivalente a cinco usinas
nucleares do porte de Angra I. A energia que incide sobre o Distrito Federal em
um ano corresponde � energia gerada por 162 usinas como Itaipu.
A falta de a��o do governo em promover campanhas e programas de est�mulo ao uso
de energia solar pode explicar o n�mero ainda insignificante de consumidores.
Em Israel, 70% das resid�ncias utilizam energia solar. Na Alemanha existe um
programa de incentivo ao consumidor: mil d�lares para quem compra quatro metros
quadrados de coletor solar e mais 250 d�lares para cada metro adicional. Diante
do inconveniente c�u nublado, os fabricantes respondem: os equipamentos possuem
uma resist�ncia el�trica que � acionada nesses casos.
Adaptado de:
ScHoLz,
Cley.
Associa��o defende energia solar.
0
Estado
de S. Paulo, 11 ago. 1996.

Petr�leo
Nossas reservas de petr�leo conhecidas s�o modestas, embora a
maior parte do territ�rio brasileiro seja formada por bacias sedimentares, que
outrora foram depress�es favor�veis ao dep�sito de mat�ria org�nica.
O primeiro po�o de petr�leo do pa�s, denominado Po�o Lobato, foi
instalado em 1939, no Rec�ncavo Baiano. No entanto, a produ��o comercial s�
come�ou efetivamente em 3 de outubro de 1953, com a cria��o da Petrobr�s,
empresa estatal que exerceu, at� 1997, o monop�lio da pesquisa, lavra, extra��o,
refino e transporte do �leo e seus derivados e que representou um dos
principais projetos de infra-estrutura do Estado brasileiro.
At� a d�cada de 1970, a limitada produ��o nacional era obtida de
po�os terrestres, a maior parte localizada no Rec�ncavo Baiano. Hoje, a
principal fonte s�o os po�os submarinos da plataforma continental,
principalmente na regi�o vizinha ao estado do Rio de Janeiro. Do total
produzido no pa�s, mais de 70% s�o origin�rios da plataforma continental.
A produ��o dos demais estados � muito inferior � do Rio de
Janeiro; vindo em seguida a do Rio Grande do Norte, que assumiu o lugar da
Bahia como segundo maior produtor nacional, ambos explorando principalmente
po�os terrestres. Destacam-se ainda os estados de Sergipe, com significativa
produ��o em po�os terrestres, e Cear�, que produz principalmente em po�os
submarinos.
A produ��o nacional tem aumentado e j� corresponde a mais de 70%
do consumo interno. Mas a meta � a auto-sufici�ncia, pois a importa��o tem
grande peso na balan�a comercial do pa�s.
No ano 2000, as reservas nacionais eram de 1,3 bilh�o de metros
c�bicos de petr�leo, enquanto a produ��o anual andava ao redor de 50 milh�es de
metros c�bicos. Mantendo-se esse quadro, � f�cil calcular o tempo em que as
reservas conhecidas estariam esgotadas.
Quanto aos derivados de petr�leo, a produ��o nacional satisfaz
integralmente as necessidades internas. A Petrobr�s processa 98% do petr�leo
refinado no pa�s, cabendo o restante �s refinarias particulares (piranga (Rio
Grande do Sul) e Manguinhos (Rio de Janeiro).
Como se pode observar no mapa abaixo, a Petrobr�s tem v�rias
unidades de refino em funcionamento, al�m de exercer o controle acion�rio da
Refinaria de Ma naus e da Refinaria Capuava, em Mau� (S�o Paulo). Veja tamb�m a
foto abaixo.
A localiza��o das refinarias � determinada pela proximidade dos
centros de consumo e, na medida do poss�vel, do litoral, uma vez que, at�
alguns anos atr�s, a
depend�ncia do petr�leo importado era muito maior, e o sistema de oleodutos era
menos eficiente. Apenas no caso da Refinaria de Mataripe, na Bahia, o crit�rio
foi a proximidade de uma zona produtora.
A mat�ria-prima fornecida pelas refinarias abastece a ind�stria petroqu�mica
brasileira, que se concentra em tr�s p�los: Cubat�o, em S�o Paulo; Cama�ari, na
Bahia; e Triunfo, no Rio Grande do Sul.

G�s natural
O g�s natural � uma fonte de energia que, no Brasil, ocorre geralmente associado
ao petr�leo. Se comparado aos dos demais combust�veis f�sseis, � mais barato, �
facilmente transport�vel em dutos e sua queima, que libera boa quantidade de
energia, polui menos a atmosfera. Por esses motivos, seu consumo � estimulado
pelo governo e vem aumentando; � usado em altos-fornos de ind�strias e nos
transportes e, brevemente, ser� utilizado em aparelhos dom�sticos.
Na atual matriz energ�tica do pa�s, o g�s natural representa menos de 3%, mas o
governo pretende que essa percentagem chegue a 12% em 2010. Para isso, a
Petrobr�s tem investido nessa fonte energ�tica, em parceria com a iniciativa privada, e, conseq�entemente, a produ��o nacional tem
aumentado. Os grandes produtores s�o Rio de Janeiro e Bahia, seguidos de longe
por Sergipe, Rio Grande do Norte e Amazonas.
Paralelamente, o Brasil importa g�s natural da Bol�via atrav�s de um extenso
gasoduto, que vai de Santa Cruz de La Sierra, na Bol�via, a Guararema, em S�o
Paulo, e da� � regi�o industrial de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Nesse
estado, outro gasoduto permite a importa��o de g�s natural da Argentina.
Carv�o mineral
Diante da car�ncia de petr�leo, poder�amos imaginar que o Brasil h� muito tempo
estivesse aproveitando intensamente suas reservas carbon�feras, as quais, embora insuficientes, constituem a principal fonte de energia t�rmica do pa�s.
Entretanto, a preocupa��o com o aproveitamento do carv�o � recente.

As reservas est�o depositadas em terrenos sedimentares antigos, na borda
oriental da bacia do Paran�, no baixo Amazonas e na bacia do Parna�ba, mas
apenas o carv�o do Sul � explorado. Veja mapa e gr�fico a seguir.

Em Santa Catarina (foto abaixo), o carv�o aparece a pequena profundidade, mas no
Rio Grande do Sul est� a mais de 30 metros, e a explora��o � feita por meio de
po�os e galerias.
A produ��o � insuficiente para atender � demanda interna, raz�o pela qual a
ind�stria sider�rgica do Sudeste importa coque, res�duo da destila��o do
carv�o, usado na ind�stria metal�rgica. Al�m disso, o carv�o � do tipo
betuminoso e sub-betuminoso, que t�m baixo teor calor�fico, e apresenta outros
fatores negativos, como umidade, cinzas e sulfeto de ferro.
Apenas parte do carv�o catarinense � coqueificada e remetida para a Companhia
Sider�rgica Nacional, em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. E s� tem
uso sider�rgico depois de lavado e misturado a carv�es estrangeiros, pois,
mesmo ap�s o beneficiamento, continua com 18% de cinzas, contra 4 a 5% dos
carv�es norte-americanos de alta qualidade.
No Rio Grande do Sul, cerca de 50% da produ��o � aproveitada; em parte para a
fabrica��o de a�o, que � feita com o uso de moderna tecnologia.
Um dos maiores problemas da utiliza��o do carv�o como combust�vel � a agress�o
ao ambiente. A fuligem polui o ar, e os res�duos desprezados s�o levados pelas
chuvas e poluem os rios. Apesar disso, o carv�o mineral tem sido adotado por
algumas ind�strias como alternativa para o elevado pre�o do petr�leo.
Energia el�trica
A rede hidrogr�fica do Brasil � a mais densa do mundo, com enorme potencial
hidrel�trico. Isso explica por que mais de 90% da pot�ncia instalada nas usinas
prov�m de geradores hidr�ulicos, cabendo aos geradores t�rmicos apenas 8%.
Somente no Sul a termeletricidade � significativa, contribuindo com cerca de 15%
do total da regi�o. No entanto, as maiores usinas termel�tricas s�o as de
Piratininga, em S�o Paulo, e de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.
Desde a d�cada de 1950 at� 1995, a energia el�trica no Brasil foi quase
totalmente gerada e distribu�da por empresas p�blicas, tanto estaduais quanto da
Uni�o. Nos anos 1960, criou-se a Eletrobr�s, encarregada do planejamento e da
execu��o de uma pol�tica de energia el�trica para todo o pa�s. A partir dessa
�poca e sobretudo na d�cada de 1970, condicionado pela crise do petr�leo, o
governo federal p�s em pr�tica um plano de constru��o de grandes usinas
hidrel�tricas, como infra-estrutura b�sica para a industrializa��o.
Todavia, o ritmo de investimentos e a gera��o de energia diminu�ram j� no final
dos anos 1980, deixando de acompanhar o ritmo de expans�o das necessidades de
consumo nacionais. Em 1995, teve in�cio a privatiza��o do setor el�trico no
Brasil, ap�s a promulga��o da chamada Lei de Concess�es, com base na qual foram
sucessivamente vendidas in�meras empresas at� ent�o estatais.
Isso, no entanto, n�o foi suficiente para a retomada dos investimentos no
montante que se esperava, tendo em vista garantir o suprimento da demanda em
expans�o. Assim, em 2001, quando baixou o n�vel da �gua dos reservat�rios de
grandes hidrel�tricas, em conseq��ncia de chuvas aqu�m do normal, o Brasil
viu-se obrigado a racionar o consumo de energia el�trica. Para escapar do
racionamento e de suas desastrosas conseq��ncias, bem como para haver menor
depend�ncia da pluviosidade que enche os lagos das usinas, imp�e-se a
necessidade de acelerar a constru��o de termel�tricas.
Tanto a pot�ncia instalada quanto o consumo de energia el�trica s�o importantes
indicadores das desi�gualdades regionais do pa�s (gr�fico abaixo).

O Norte, representado principalmente pela bacia hidrogr�fica Amaz�nica, � a
regi�o que possui o maior potencial hidrel�trico nacional -
46%
(incluindo a bacia dos rios Araguaia e Tocantins) - mas seu
aproveitamento ainda � restrito. Destacam-se as usinas de Balbina, nas
proximidades de Manaus, e de Tucuru�, no rio Tocantins, constru�da para
alimentar a produ��o de alum�nio realizada na regi�o de Bel�m e que fornece
energia para outras regi�es do pa�s.
Em S�o Lu�s, planeja-se construir uma usina hidrel�trica em fun��o da
explora��o mineral, no caso o processamento dos minerais da serra dos Caraj�s,
principalmente o ferro.
As regi�es Sudeste e Sul apresentam grandes empreendimentos hidrel�tricos,
como, por exemplo: o com�
plexo de Urubupung�, localizado no rio Paran�, entre S�o Paulo e Mato Grosso do
Sul, e formado pelas usinas de Jupi� e Ilha Solteira; as hidrel�tricas do rio
Grande; a usina de Tr�s Marias no rio S�o Francisco, e a usina de Itaipu.
Com a usina de Itaipu, na fronteira com o Paraguai, a bacia do Paran� � a que
tem o maior aproveitamento do potencial hidrel�trico em todo o pa�s, abastecendo
a regi�o Sudeste, que produz somente
49%
da energia que consome. A regi�o Sul, tomada isoladamente, n�o
utiliza toda a sua capacidade el�trica instalada.
Na regi�o Nordeste destacam-se as usinas do rio S�o Francisco, como Sobradinho,
Moxot� e Paulo Afonso, constru�das como parte do projeto de desenvolvimento da
regi�o nas d�cadas de
1960
e
1970.
Na d�cada de
1980
foram constru�das as hidrel�tricas de Itaparica e Xing�,
necess�rias para atender � maior demanda de energia, sobretudo com o avan�o do
processo de desconcentra��o industrial do pa�s.
No mapa a seguir, podem-se observar as bacias hidrogr�ficas e as principais
hidrel�tricas brasileiras.
No total, o Brasil s� aproveita 30% de seu potencial hidrel�trico, e esse � um
poderoso argumento dos ambientalistas contra o uso de energia nuclear para
gerar eletricidade - embora se critique a inunda��o de �reas florestais para a
forma��o do lago de uma usina hidrel�trica e o fornecimento seja irregular em
�pocas de poucas chuvas.
Na d�cada de
1970,
o governo elaborou uma ambiciosa pol�tica de energia nuclear. A
primeira usina at�mica constru�da no Brasil foi Angra I, na praia de Itaorna,
munic�pio de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entrou

em opera��o em 1984 e tem sido alvo de cr�ticas tanto por parte
da comunidade cient�fica e dos ecologistas quanto da popula��o em geral, pelos
riscos que representa, pelos custos elevados e pelas constantes panes. A seu
lado foi constru�da uma segunda usina at�mica, Angra II (foto abaixo), e est�
prevista a constru��o de Angra III.
�lcool
O �lcool pode ser produzido de numerosos vegetais, como
cana-de-a��car, batata e cevada. Diante da perspectiva de esgotamento das
reservas de petr�leo e de carv�o, tem sido valorizado como combust�vel
alternativo.
A R�ssia, por exemplo, desenvolve grandes planta��es de
eucalipto especialmente para esse fim, e o Brasil produz �lcool combust�vel da
cana-de-a��car. Nos anos 1970, com o aumento dos pre�os do petr�leo no mercado
internacional, foi criado o Programa Nacional do �lcool (Pro�lcool), que
recebeu incentivos governamentais e desenvolveu tecnologia pr�pria, apresentando
grande produ��o em menos de dez anos.
No fim da d�cada de 1980, contudo, os principais motivos que
determinaram a cria��o do Pro�lcool deixaram de existir, pois os pre�os
internacionais do petr�leo se reduziram e o aumento da produ��o interna diminuiu
a
depend�ncia do produto importado. Al�m disso, as possibilidades de produ��o de
�lcool combust�vel se mostraram limitadas, pois, para produzir uma quantidade
razo�vel do produto, � necess�rio cultivar grandes extens�es de terra. Sua
utiliza��o restringe-se sobretudo ao setor de transportes, mais especificamente
aos autom�veis.
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