Geografia do Brasil - Recursos Naturais

 

 Recursos naturais brasileiros

Devasta��o hist�rica

A natureza sempre ocupou papel de destaque na hist�ria do Brasil. A id�ia de exuber�ncia e de grandiosidade que o pa�s sugeria representava um para�so infinito para os desbravadores. Essa motiva��o j� estava presente na carta de Pero Vaz de Caminha a Portugal. Os relatos de viagem idolatravam a natureza e simultaneamente lan�avam sobre os recursos naturais um olhar mercantilista, interessado em explorar novas riquezas.

A primeira a��o predat�ria foi dirigida ao pau-brasil, um recurso natural t�o farto � �poca do descobrimento que deu origem ao nome do pa�s.

Essa vis�o se manteve por toda a era rom�ntica, no per�odo republicano, encobrindo o processo de devasta��o e at� mesmo fornecendo-lhe suporte por considerar a natureza um recurso inesgot�vel.

0 desenvolvimento dos ciclos econ�micos do Brasil � em grande parte a hist�ria de uma sucess�o de desastres ecol�gicos. 0 historiador Caio Prado J�nior encontrou as palavras exatas para resumir o processo:

"Repetia-se mais uma vez o ciclo normal das atividades produtivas no Brasil. A uma fase de intensa e r�pida prosperidade seguia-se outra de estagna��o e decad�ncia. J� se vira isso, sem contar o long�nquo caso do pau�brasil, na lavoura de cana-de-a��car e de algod�o no Nordeste e nas minas de ouro e diamante no Centro-Sul. A causa � sempre semelhante: o acelerado esgotamento dos recursos naturais por um sistema de explora��o descuidado e extensivo".

Ainda hoje os recursos naturais brasileiros s�o cobi�ados internacionalmente. A necessidade de mat�ria-prima abundante e a busca de novos materiais lan�am os olhos do mundo para as reservas minerais e florestais do Brasil. Em associa��o com o capital nacional, os investidores estrangeiros manobram a legisla��o, encontrando meios legais e ilegais para apropriar-se de uma parcela significativa dos recursos.

Contra o poder econ�mico desses grupos, os cr�ticos da devasta��o obtiveram pouco sucesso at� a d�cada de 1980. Apenas com a transi��o democr�tica e a conseq�ente politiza��o do movimento ecol�gico, a sociedade despertou para a necessidade de explorar racionalmente os recursos naturais. V�rios �rg�os p�blicos de defesa e fiscaliza��o do meio ambiente foram criados, tanto no �mbito federal quanto nos n�veis estadual e municipal; a imprensa abriu espa�o para o assunto e os movimentos ecol�gicos fortaleceram-se, ganhando profissionalismo e apoio popular. Al�m disso, a quest�o ambiental tornava-se cada vez menos sin�nimo de exuber�ncia vegetal e animal para apresentar-se como problema cotidiano na forma de polui��o, contamina��o, sa�de p�blica. 0 desafio dos ambientalistas brasileiros �, agora, estender esse apoio a causas menos imediatas e palp�veis mas igualmente essenciais, como o controle da explora��o mineral e vegetal, para a preserva��o dos ecossistemas.

 

Recursos minerais: o rico subsolo brasileiro

Tendo grande extens�o territorial, � natural que o Brasil seja um dos pa�ses com maior potencial mineral do mundo, juntamente com a Federa��o Russa, Estados Uni dos, Canad�, China e Austr�lia. Os principais min�rios s�o: bauxita, cobre, cromo, estanho, ferro, grafita, mangan�s, n�quel, ouro, pot�ssio, rocha fosf�tica e zinco.

De modo geral, a produ��o mineral tem se ampliado desde o fim dos anos 1990, gra�as a um aumento dos investimentos externos no setor. Em 1995, uma emenda constitucional removeu as restri��es impostas ao capital estrangeiro pela Carta Magna de 1988. Com isso, multinacionais adquiriram o controle de numerosas estatais e associaram-se a muitas empresas nacionais, alimentando com recursos externos a atividade mineradora no pa�s.

Incluindo petr�leo e g�s natural, a produ��o da ind�stria extrativa mineral corresponde a cerca de 1 % do produto interno bruto nacional. Agregando os valores da industrializa��o das mat�rias-primas minerais, o setor alcan�a cerca de 8% do PIB brasileiro. Os gr�ficos a seguir apresentam a participa��o dos minerais no total das exporta��es brasileiras e os valores obtidos com as exporta��es dos principais metais e suas manufaturas.

De acordo com a Lei Maior, � obrigat�ria a recomposi��o de �reas em que a minera��o � praticada, qualquer que seja o tipo de min�rio. Assim, todo rejeito s�lido, n�o-biodegrad�vel e estranho � biosfera deveria ser soterrado para ficar isolado dos seres vivos e do ecossistema original. Na maioria das vezes, por�m, a lei n�o � cumprida e n�o h� fiscaliza��o para evitar a degrada��o ambiental provocada pela explora��o de min�rios.

 

As grandes reservas de ferro

A minera��o de ferro � a principal atividade extrativa do pa�s. O Brasil possui a quinta maior reserva do mundo, com um total estimado de 40 a 50 bilh�es de toneladas, e � o segundo maior produtor.

As maiores reservas est�o no Quadril�tero Ferr�fero, no estado de Minas Gerais, e na serra dos Caraj�s, no estado do Par�. Em Minas Gerais, o ferro apresenta altos teores e � explorado por dois sistemas independentes: no Vale do Rio Doce, que exporta pelo porto de Tubar�o (Esp�rito Santo), e no Vale do Paraopeba, de onde o ferro � levado ao Rio de Janeiro para ser exportado.

Na serra dos Caraj�s, os recursos para a explora��o do min�rio de ferro foram adquiridos no exterior em forma de empr�stimos, por meio do projeto Grande Caraj�s. Obras como a usina hidrel�trica de Tucuru�, a estrada de ferro Caraj�s - S�o Lu�s e o porto Ponta da Madeira, na capital do Maranh�o, favorecem a exporta��o n�o apenas do ferro mas tamb�m do mangan�s e do alum�nio.

Cerca de 60% da produ��o de min�rio de ferro � exportada para o Jap�o e pa�ses da Uni�o Europ�ia. O restante abastece as ind�strias sider�rgicas nacionais. No maci�o de Urucum, sudoeste do Mato Grosso do Sul, a produ��o � destinada integralmente para o mercado interno. Os mapas a seguir mostram as principais jazidas de ferro e de outros minerais no Brasil e, especialmente, em Minas Gerais.

 

A siderurgia e o carv�o

Quanto ao beneficiamento do min�rio de ferro e � produ��o de a�o, a siderurgia brasileira enfrenta um grave problema: a falta de carv�o para aquecer os altos fornos. As reservas brasileiras de carv�o s�o insuficientes, e grande parte das que existem s�o inadequadas para a siderurgia, pois nosso carv�o apresenta impurezas como pirita e cinzas. Al�m disso, tem baixo teor calor�fico.

  

 

Energia e meio ambiente

Em virtude da utiliza��o de recursos naturais e dos impactos ambientais causados pela produ��o, transforma��o, transporte, distribui��o, armazenagem e consumo de energia, cada vez mais tem causado preocupa��o a rela��o meio ambiente x aproveitamento das fontes energ�ticas.

No Brasil, v�rios s�o os aspectos dessa rela��o: aproveitamento do potencial hidr�ulico em �reas de grande diversidade vegetal; grandes extens�es de plantio de cana para gera��o de combust�vel e, finalmente, o aproveitamento do carv�o pelas ind�strias sider�rgicas e usinas termel�tricas. Por si s� a explora��o do carv�o envolve desmatamento e, no caso do carv�o brasileiro, seus altos teores de cinzas e enxofre s�o muito poluentes. Para citar apenas um exemplo, a queima de carv�o para gera��o termel�trica no Rio Grande do Sul tem sido apontada como causadora de chuvas �cidas no Uruguai.

Com exce��o do buraco na camada de oz�nio, os principais problemas ambientais em escala planet�ria est�o intimamente associados � eleva��o do consumo de energia: o aumento do efeito estufa, a polui��o do ar urbano, a chuva �cida e o risco de acidentes envolvendo usinas nucleares. No caso da queima de combust�veis f�sseis, ela � a principal respons�vel pelos tr�s primeiros riscos.

Nesse sentido, h� que se encontrar um equil�brio adequado entre desenvolvimento econ�mico, explora��o de recursos e preserva��o do meio ambiente.

Os pa�ses desenvolvidos j� provaram que podem incrementar o seu PIB sem aumentar o consumo de energia, basicamente gra�as a mudan�as de h�bitos de consumo e � utiliza��o de novas t�cnicas. Nos primeiros anos da d�cada de 1980, enquanto o uso de energia pelas ind�strias dos pa�ses da OCDE (Organiza��o para Coopera��o e Desenvolvimento Econ�mico) decaiu em 1,9% ao ano, o PIB cresceu em m�dia 2,2% ao ano.

0 Brasil ainda tem muito a caminhar nesse sentido. Entre 1980 e 1993, sua rela��o entre consumo energ�tico e PIB manteve-se praticamente inalterada.

Adaptado de: Relat�rio sobre o desenvolvimento humano no Brasil. Rio de Janeiro/Bras�lia, Instituto de Pesquisa Econ�mica Aplicada/Programa das Na��es Unidas para o Desenvolvimento, 1996. p. 89-91.

 

Embora as maiores reservas estejam no Rio Grande do Sul, o grande produtor nacional � Santa Catarina, certamente por ter as jazidas mais atraentes: carv�o de melhor qualidade, em parte coqueific�vel, e ocorr�ncia perto da superf�cie, permitindo a explora��o a c�u aberto. A zona carbon�fera catarinense fica no sudeste do estado, incluindo os munic�pios de Crici�ma, Sider�polis, Lauro M�ller e Urussanga, e o produto � escoado pelo porto de Imbituba.

Al�m de ser usado como coque metal�rgico em mistura com carv�es importados, o carv�o brasileiro � utilizado como fonte energ�tica em usinas termel�tricas. Futuramente, ele poder� ser mais bem aproveitado com a instala��o de um p�lo carboqu�mico regional, que empregue tecnologias avan�adas.

Assim, embora algumas usinas utilizem o carv�o vegetal na siderurgia e metalurgia, altamente conden�vel por estimular o desmatamento, a solu��o preferencial tem sido a importa��o de carv�o mineral.

Mesmo com essa dificuldade, a produ��o brasileira de ferro e a�o tem aumentado. 0 pa�s � auto-suficiente na maior parte dos produtos sider�rgicos, alguns dos quais s�o tamb�m exportados.

0 grande centro de siderurgia no Brasil � a regi�o Sudeste, pois � onde se concentram grande fonte de mat�rias-primas e o maior mercado consumidor do pa�s. A�

est�o instaladas a Companhia Sider�rgica Nacional (CSN), no estado do Rio de Janeiro, as Usinas Sider�rgicas de Minas Gerais (Usiminas), em Minas Gerais, e a Companhia Sider�rgica Paulista (Cosipa), no estado de S�o Paulo. Como vimos, todas privatizadas nos anos 1990.

 

Mangan�s: diminuem as reservas

A reserva de mangan�s do Brasil � a quinta maior do mundo, e o pa�s � o terceiro maior produtor, superado apenas pela �frica do Sul e pelos membros da Comunidade dos Estados independentes. As maiores reservas nacionais est�o localizadas no Par� (serra dos Caraj�s), em Mato Grosso do Sul (maci�o de Urucum) e em Minas Gerais (Quadril�tero Ferr�fero), mas a Bahia e Mato Grosso tamb�m disp�em desse mineral, extremamente importante na fabrica��o de um tipo de a�o utilizado na ind�stria sider�rgica. Os dep�sitos de mangan�s da serra do Navio (Amap�) est�o em grande parte exauridos. No lugar da serra, hoje resta praticamente um grande buraco.

Cerca de dois ter�os da produ��o brasileira t�m sido obtidos no Amap�, onde opera a Icomi, subsidi�ria da empresa norte-americana Bethlehem Steel Corporation. A empresa recebeu autoriza��o do governo para expiorar a jazida da serra do Navio por cinq�enta anos, prazo que se esgota em 2003. Mais da metade das reservas de min�rio de alto teor j� foi explorada na regi�o, restando apenas aquelas localizadas a grandes profundidades, cuja extra��o requer altos investimentos. Praticamente toda a produ��o � exportada para os Estados Unidos, raz�o pela qual a empresa implantou e opera uma ferrovia que liga a jazida at� o porto de Santana.

0 abastecimento do mercado interno � feito principalmente pelas jazidas de Minas Gerais, que fornecem mangan�s para as sider�rgicas instaladas na regi�o Sudeste. Na serra dos Caraj�s, a produ��o � destinada hoje ao mercado externo, mas h� projetos para o abastecimento tamb�m do mercado nacional.

No maci�o de Urucum, a reserva de mangan�s � consider�vel, mas a produ��o � pequena e visa ao mercado externo, em especial a Argentina e o Paraguai, para onde o min�rio � levado pelo rio Paraguai, depois de embarcado no porto de Corumb�.

Cassiterita: o pa�s e o segundo maior produtor mundial

0 Brasil possui cerca de 7% das reservas mundiais de cassiterita, o �nico min�rio comercializ�vel de estanho, utilizado na confec��o de latas para acondicionar alimentos e bebidas. 0 metal � aproveitado internamente e exportado. H� reservas no Par�, Amazonas, Mato Grosso, Goi�s e Minas Gerais, mas as maiores est�o localizadas em Rond�nia, que tamb�m � o grande produtor brasileiro. Na produ��o, o pa�s ocupa o segundo lugar, superado apenas pela Mal�sia, e tem p�los importantes

no Amazonas, no Par� (foto anterior ao lado) e em Mato Grosso.

 

Bauxita: produ��o e rejeitos

0 Brasil det�m aproximadamente 20% das reservas mundiais conhecidas de bauxita, o principal min�rio de alum�nio das jazidas do pa�s. Ocupa o terceiro lugar em reservas, superado apenas pela Austr�lia e pela Guin�; � o segundo em produ��o.

A maior parte das reservas, com teor m�dio de 45%, est� localizada no Par�, principalmente nas jazidas pr�ximas ao rio Trombetas, em Oriximin�, onde a extra��o mineral e o beneficiamento s�o realizados pela Companhia Vale do Rio Doce. Parte do mineral extra�do � primeiro beneficiada no Brasil e s� depois exportada. Para isso, a Vale associou-se a outras empresas, como a Alcan, de capital canadense, uma das multinacionais que lideram o monop�lio mundial de alum�nio.

0 grande consumo de energia el�trica envolvido no processo produtivo motivou a constru��o da usina hidrel�trica de Tucuru�, que fornece energia a pre�os reduzi dos, gra�as a subs�dio do governo federal (foto abaixo).

Um grave problema relacionado ao beneficiamento da bauxita � a polui��o ambiental. Todo ano, 3,5 milh�es de toneladas de rejeitos s�o despejadas no lago da Batata, que hoje tem um material altamente polu�do sedimentado em 20% de sua extens�o.

As reservas de bauxita no estado do Par� destinam�se � exporta��o, e as reservas localizadas no estado de Minas Gerais, no munic�pio de Po�os de Caldas, abastecem as ind�strias nacionais.

 

N�quel com baixo rendimento

O Brasil tem a terceira maior reserva mundial de n�quel, correspondendo a 5% das jazidas conhecidas. Desse total, cerca de 80% est�o concentrados em Goi�s, no munic�pio apropriadamente denominado Niquel�ndia, que � tamb�m o grande produtor nacional. Piau� e Minas Gerais possuem reservas, embora apenas Minas Gerais tenha uma produ��o de destaque.

Como o teor m�dio de n�quel no min�rio n�o passa de 3 a 4%, o beneficiamento � realizado na boca da mina, pois o custo do transporte encarece muito o produto. Esse fato impede o pleno desenvolvimento da produ��o, que, por isso, n�o satisfaz integralmente a necessidade do pa�s, embora tenha crescido nos �ltimos anos.

 

Ouro brilha em Caraj�s

As maiores reservas mundiais de ouro est�o na �frica do Sul e no Usbequist�o, mas o Brasil ainda tem boas reservas em diversos estados, principalmente em Minas Gerais, Goi�s, Bahia, Rond�nia, Mato Grosso e Par�.

Minas Gerais � o produtor tradicional e est�vel, onde a explora��o � feita de modo empresarial, com t�cnicas modernas e administradas pela Anglo-Americana, em presa da �frica do Sul. Nos demais estados, ao contr�rio, tem predominado a explora��o c�clica ou migrat�ria. Assim que uma jazida � descoberta, centenas ou at� milhares de pessoas dirigem-se para l� e empregam-se em mineradoras ou trabalham como garimpeiros independentes. Esgotada a jazida, desfaz- se a comunidade formada em torno dela - comerciantes de ouro, restaurantes, casas de prostitui��o -, e os exploradores voltam � sua terra de origem ou partem em busca de novas jazidas.

A explora��o do ouro � realizada de maneira rudimentar pelos garimpeiros, sem cuidados com o ambiente e com a pr�pria sa�de. Para separar o ouro da rocha, utilizam o merc�rio, metal altamente prejudicial por se acumular no organismo e causar muta��es gen�ticas. Primeiro, o garimpeiro lan�a o merc�rio na lama recolhida do fundo do rio, para que ele se fixe na rocha que cont�m ouro. Depois, aquece o bloco para dissolver o merc�rio, que, ao derreter, retira os res�duos de rocha, deixando o min�rio puro. A polui��o, portanto, ocorre em v�rios momentos:

no rio, contaminando os peixes, no solo e no ar, em forma de vapores que o garimpeiro aspira. Essa t�cnica � utilizada at� mesmo pelos �ndios da reserva Kaiap�, que tem muitos garimpeiros entre os seus 1 500 habitantes.

Estima-se que a cada ano os 350 mil garimpeiros que operam na Amaz�nia despejem mais de 200 toneladas de merc�rio no ambiente.

� imposs�vel calcular a real produ��o de ouro do Brasil, pois grande parte � desviada para o mercado paralelo ou contrabandeada para o exterior.

A �ltima grande descoberta de ouro no pa�s ocorreu em janeiro de 1996, na chamada serra do Leste, junto � serra dos Caraj�s, onde se estima que haja um total de 150 toneladas. A mina foi encontrada pela Companhia Vale do Rio Doce, mas deve ser explorada em associa��o com empresas estrangeiras.

 

Outra mega-mineradora

Em 1995, quatro empresas de minera��o se fundiram, formando o segundo maior conglomerado do setor no pa�s. A Paranapanema, a Cara�ba Metais e a Paraibuna foram compradas pelos fundos de pens�o, liderados pela Previ, dos funcion�rios do Banco do Brasil. A elas a Previ associou a Eluma, que j� era de sua propriedade.

O conglomerado, que passou a explorar reservas de estanho, cobre e zinco do pa�s, � superado apenas pela Companhia Vale do Rio Doce.

A iniciativa � um exemplo do poder econ�mico dos fundos de pens�o, empresas previdenci�rias que recebem contribui��es do empresariado e dos funcion�rios e, em troca, oferecem benef�cios como complementa��o de aposentadoria e empr�stimos pessoais. Para isso, multiplicam seu capital investindo no setor produtivo do pa�s.

 

Cobre: aumento de produ��o

Embora o Brasil possua muitas reservas de cobre, a produ��o era insuficiente e o pa�s tinha de importar o metal em virtude do baixo teor de metal contido no min�rio- 1,5% em m�dia.

As maiores reservas brasileiras est�o no Par�, em Goi�s e na Bahia, que tem sido o maior produtor nacional. No Par�, a jazida de Salobro � a maior do pa�s. A Companhia Vale do Rio Doce, associada a uma empresa do grupo Anglo-Americano, come�ou a explorar o cobre em 1996, o que resultou em produ��o superior �s necessidades nacionais.

Sal das minas e do mar

Mineral n�o-met�lico, o sal � usado na ind�stria qu�mica, na pecu�ria, na alimenta��o humana e para v�rios fins industriais.

Na Bahia e em Alagoas, o sal � extra�do de dep�sitos minerais (o chamado sal-gema), mas � o sal marinho que corresponde � maior parte da produ��o nacional. O Rio Grande do Norte participa com mais de 80% da produ��o, com suas salinas de Areia Branca, Mossor� e Macau. A concentra��o de sal nessa regi�o do pa�s deve-se a condi��es favor�veis, como o dom�nio de um clima quente e seco durante a maior parte do ano, favorecendo a evapora��o e a a��o dos ventos al�sios, que, soprando para oeste, reduzem a ocorr�ncia de chuvas. No Rio de Janeiro, a extra��o � feita por processos naturais em Maca� e S�o Pedro da Aldeia, entre outros munic�pios (foto abaixo).

O m�todo � rudimentar. Constroem-se valas onde o movimento das �guas deposita a �gua com sal, que fica a c�u aberto e evapora, deixando apenas o sal acumula�

do. O transporte do produto final � realizado em carrinhos de madeira constru�dos pelos pr�prios trabalhadores das salinas. As condi��es de trabalho s�o p�ssimas. Al�m de receberem por produ��o, os trabalhadores s� s�o contratados no per�odo de safra, pois na �poca das chuvas a atividade � interrompida. E n�o h� qualquer prote��o contra os efeitos nocivos da exposi��o direta ao sol e do contato constante com o sal, que provocam danos na pele e nos olhos. Apesar de j� ter sido denunciado, principalmente no Rio Grande do Norte a atividade persiste com a explora��o do trabalho infantil.

 

Recursos vegetais: o extrativismo

Particularmente para a popula��o que vive distante dos grandes centros urbanos, o extrativismo vegetal ainda constitui uma importante atividade econ�mica, apesar de o Brasil ser hoje um pa�s urbano-industrial. Muitas vezes, o extrativismo � complementado por outras atividades, como a agricultura e a pecu�ria de subsist�ncia. Entre os principais produtos extra�dos no pa�s, destacam-se: borracha, castanha-do-par�, pia�ava, baba�u, carna�ba, oiticica, erva-mate e madeiras (mapa na p�gina seguinte). Borracha e castanha-do-par�

Produto t�pico da Amaz�nia, a borracha � extra�da de forma rudimentar, e a atividade subsiste em condi��es extremamente adversas. Os seringueiros e coletadores, muitas vezes, s�o explorados pelos chamados seringalistas. Poderosos fazendeiros locais, os seringalistas se dizem propriet�rios de terras que, geralmente, s�o devolutas, sem dono. Comandam as atividades extrativas na �rea e obviamente ficam com a maior parte dos lucros. Os projetos agropecu�rios e minerais s�o tamb�m amea�as constantes, pois as �reas dos seringais s�o as mais visadas.

Em 1990, foi regulamentada a cria��o de reserva extrativista para explora��o auto-sustent�vel de recursos naturais (foto ao lado). Depois disso, seringueiros e coletadores formaram cooperativas para comercializar seus produtos. O poder dos fazendeiros locais, no entanto, impede a cria��o das reservas necess�rias. Segundo o IBGE, o Brasil tem apenas onze reservas extrativistas, entre as quais se destacam as duas do Acre, estado que concentra as melhores terras da Amaz�nia e mais de 300 mil seringueiros.

 

Enquanto durou, o ciclo da borracha (1890-1910) promoveu o enriquecimento da regi�o amaz�nica, na �poca o �nico produtor no mundo. A produ��o da borracha correspondia a 40% das exporta��es nacionais.

No entanto, sementes da seringueira brasileira foram transplantadas para as col�nias brit�nicas do Sudeste Asi�tico, especialmente a Mal�sia, em 1876, e logo sua produ��o superou a do Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a produ��o brasileira de borracha voltou a crescer, pois os cultivos brit�nicos do Sudeste Asi�tico foram tomados pelo Jap�o. 0 Brasil forneceu borracha para as ind�strias de pneum�ticos dos pa�ses aliados, numa fase que ficou conhecida como Batalha da Borracha. Com o fim da guerra e o desenvolvimento da produ��o de borracha sint�tica (o elast�mero, derivado do petr�leo), a produ��o brasileira voltou a decair.

A heveacultura (de Hevea brasiliensis, nome cient�fico da seringueira) � praticada na Amaz�nia, S�o Paulo, Bahia e Mato Grosso. Os maiores produtores nacionais de seringais plantados s�o os estados de S�o Paulo e Bahia, e a maior produ��o de seringais nativos � a do Acre, Amazonas e Rond�nia. A produ��o nacional de borracha, que n�o evoluiu tecnicamente, n�o atende �s necessidades internas de consumo, e � necess�ria a importa��o.

A castanha-do-par� (foto da p�gina seguinte), ao contr�rio, � exportada para diversos pa�ses da Europa, al�m do Jap�o e dos Estados Unidos. Dela se extrai �leo vegetal, que pode ser utilizado como mat�ria-prima na elabora��o de rem�dios, sab�o e cosm�ticos, al�m do uso industrial, como lubrificantes de aparelhos de alta precis�o. � tamb�m um alimento de grande valor nutritivo.

Grandes castanhais surgem principalmente nos vales dos rios Amazonas e Tocantins, na mata de terra firme. Assim como a extra��o da borracha, a coleta de castanha-do-par� � realizada de forma extremamente primitiva, por meio da cata��o, na qual o trabalhador s� retira as castanhas dos cocos que est�o ca�dos no ch�o. Na maioria das vezes, o seringueiro � tamb�m respons�vel pela extra��o da castanha-do-par�.

Carna�ba, a �rvore da vida

Nos vales �midos do Sert�o nordestino, principalmente nos estados do Piau�, Cear� e Rio Grande do Norte, � explorada a carna�ba, conhecida como �rvore da vida, pois dela tudo se aproveita. A cera que reveste as folhas da carna�ba tem grande aplica��o industrial, sendo usada na fabrica��o de ceras industriais e dom�sticas e de graxas lubrificantes. � empregada, ainda, como mat�riaprima para fabrica��o de discos, filmes fotogr�ficos, papel-carbono e sabonetes. A popula��o local aproveita o tronco para construir casas, usando as folhas para recobrir o teto; o fruto � utilizado na alimenta��o; as ra�zes, depois de fervidas, s�o transformadas em rem�dio; as sementes s�o torradas, mo�das e consumidas como bebida.

O grande problema do extrativismo vegetal � a maneira predat�ria como geralmente � realizado. A ervamate, por exemplo, prov�m de uma pequena �rvore conhecida como congonheira. A intensa explora��o chegou a amea�ar de extin��o as esp�cies naturais no Rio Grande do Sul; por isso, hoje quase toda a erva-mate do pa�s � obtida de ervais cultivados.

 

Outros produtos

A atividade extrativa inclui diversos outros produtos, como a pia�ava, fibra usada na fabrica��o de vassouras; o a�a�, fruto empregado no preparo de produtos alimentares; fibras vegetais; ervas medicinais; palmito; e oiticica, da qual se extrai �leo para fabrica��o de tintas, vernizes e anticorrosivos. Os maiores produtores de �leo de oiticica s�o Cear�, Para�ba e Rio Grande do Norte.

No Meio-Norte destaca-se o baba�u, que consiste numa palm�cea nativa cujos coquilhos d�o grande produ��o de �leo, utilizado nas ind�strias de sab�o, margarina e produtos qu�micos.

O palmito � um exemplo de extrativismo vegetal, que se faz tamb�m de forma extremamente predat�ria. Condena-se a derrubada das �rvores para obten��o do miolo, pois o tempo de reposi��o das palmeiras � longo e elas demoram de sete a oito anos para se desenvolverem. A extra��o indiscriminada amea�a de extin��o as esp�cies ju�ara e a�a�.

Apesar disso, nenhuma atividade extrativa concorre com a da madeira em termos de devasta��o e preju�zo ao ecossistema.

Madeira: muita mata devastada Originalmente, quase toda a extens�o do planalto

Meridional era recoberta pelo pinheiro da esp�cie Araucaria brasilienses. Hoje, ela est� reduzida a 5% de sua �rea primitiva. A maior parte do pinho que se encontra no Sul do pa�s prov�m de esp�cies plantadas. No Esp�rito Santo, um ter�o do jacarand� foi eliminado.

A madeira extra�da tem v�rios destinos. As vezes, � utilizada como lenha, na forma de combust�vel simples; outras vezes, � queimada para o preparo de carv�o vegetal. Finalmente, a maior parte � utilizada para a fabrica��o de m�veis, no pa�s ou no exterior.

As madeiras de lei, duras e resistentes, s�o as mais valorizadas no mercado internacional. Por isso, s�o, em sua maior parte, exportadas. Ocorrendo dispersas nas florestas pluviais, em meio a um sem-n�mero de outras esp�cies, elas rapidamente se esgotam na �rea em que est�o sendo exploradas, impondo um car�ter itinerante � atividade extrativa. O mogno, por exemplo, teve seu p�lo extrativo na regi�o de Paragominas, no Par�. Durante a d�cada de 1980, foram extra�dos anualmente cerca de 2 milh�es de metros c�bicos, at� que a preciosa madeira se esgotasse na regi�o. Nos anos 1990, a atividade extrativa foi transferida para o Acre e para a regi�o de Itacoatiara, no Amazonas.

As vezes, na �nsia de encontrar a madeira desejada, as empresas extrativas, muitas estrangeiras e outras tantas clandestinas, n�o preservam a mata que envolve as esp�cies procuradas, procedendo um desflorestamento generalizado. Para isso, usam indiscriminadamente a moto-serra, quando n�o possantes tratores e grossas correntes.

 

Recursos h�dricos: disponibilidade e consumo

S�o m�ltiplos os usos da �gua: atividade pesqueira, navega��o, gera��o de energia el�trica, irriga��o, uso industrial e consumo urbano, sobretudo dom�stico.

A pesca � uma atividade tradicional no pa�s e � praticada em muitos rios com um car�ter de subsist�ncia. Apenas no litoral tem destaque a pesca comercial, realizada em escala empresarial (mapa ao lado).

Quanto � navega��o fluvial, al�m de ser tradicional na Amaz�nia, ela tem sido impulsionada nos �ltimos anos gra�as � constru��o de grandes hidrovias, como a do Tiet�-Paran� e a do Madeira. No que diz respeito � gera��o de energia, basta lembrar que mais de 90% da eletricidade produzida no pa�s prov�m de geradores hidr�ulicos.

O Brasil possui a maior reserva mundial de recursos h�dricos. Abriga em seu territ�rio uma das maiores redes hidrogr�ficas do planeta - metade de toda a �gua dispo n�vel da Am�rica do Sul -, al�m de extensas reservas de �gua subterr�neas. Apesar de todo esse potencial, o pa�s n�o est� livre do problema da escassez de �gua.

Uso predat�rio dos recursos h�dricos, polui��o, assoreamento dos rios e desperd�cio s�o os principais respons�veis pela escassez de �gua. Segundo o IBGE, as empresas brasileiras de abastecimento de �gua apresentam �ndices de perda do produto de at� 50%. Nos pa�ses desenvolvidos, esses �ndices n�o atingem 20%.

Para enfrentar esse problema, o governo federal lan�ou, em 1997, o Programa Nacional de Combate ao Desperd�cio de �gua. No mesmo ano, entrou em vigor a lei de Recursos H�dricos, que fixa as normas para que se

possa assegurar a disponibilidade de �gua e sua utiliza��o racional. No ano 2000, foi criada a Ag�ncia Nacional das �guas (ANA), destinada a p�r em pr�tica e monitorar as a��es e pol�ticas p�blicas na �rea dos recursos h�dricos.

A disponibilidade e o consumo de �gua apresentam grande desigualdade regional no Brasil, conforme se pode ver no quadro da p�gina seguinte.

Verifica-se que quase 70% das �guas correntes do pa�s est�o na regi�o Norte, onde naturalmente ocorre o menor consumo regional com irriga��o (17%). Por outro lado, na regi�o com menores recursos h�dricos -o Nordeste, com apenas 6 metros c�bicos por segundo -, 70% da �gua consumida destina-se � irriga��o. Ali�s, como conseq��ncia da moderniza��o do campo, a irriga��o tornou-se o maior consumidor de �gua no pa�s (59%), superando o consumo urbano (22%) e o industrial (19%).

Muito significativo � o �ndice dado pela rela��o entre disponibilidade e consumo de �gua. No Brasil, para cada dez mil litros dispon�veis, consome-se 65 litros de �gua. Na regi�o Norte, diante da abund�ncia de recursos h�dricos, o pequeno consumo regional � de apenas um litro para cada dez mil litros dispon�veis. De outra parte, no Nordeste, esse �ndice � de 420 litros, diante da modesta disponibilidade regional. Mas o �ndice mais elevado ocorre no Sudeste - 467 litros -, muito mais em fun��o da elevada demanda de �gua do que de uma limitada disponibilidade de recursos h�dricos.

 

�GUAS CORRENTES: DISPONIBILIDADE E CONSUMO

  BRASIL

 

 

Regi�es

 

 

 

Norte

Nordeste

Sudeste

Sul

Centro-Oeste

Disponibilidade

(mil m'/seg)

178

122

6

10

12

28

Litros consumidos por 10 mil

 

 

 

 

 

 

litros

 dispon�veis

65

1

420

467

304

17

 

Urbano

22

58

17

29

12

35

Consumo (%)

Industrial

19

25

13

30

7

12

 

Irriga��o

59

17

70

41

81

53

Fonte: IBGE.

Anu�rio

estat�stico

do Brasil 1999.

  Rio de

 Janeiro, 2000.

 

 

 

Polui��o e abastecimento

Os habitantes das grandes cidades, sobretudo os das regi�es metropolitanas, por enquanto s�o os afetados com a escassez de �gua. Os mananciais est�o sendo prejudicados principalmente por res�duos dom�sticos e industriais. At� as ind�strias, grandes consumidoras, t�m se ressentido da falta de �gua.

Sem d�vida s�o as camadas mais pobres as mais afetadas, pois sua renda n�o lhes permite habitar �reas urbanas mais valorizadas, com melhor infra-estrutura de abastecimento e qualidade ambiental. Em um ciclo vicioso, por falta de saneamento, essas camadas s�o respons�veis, em grande parte, pela polui��o h�drica e, por sua vez, sofrem mais com a pr�pria degrada��o ambiental que causam.

Apesar de as cargas de res�duos dom�sticos serem percentualmente as maiores respons�veis pela polui��o dos recursos h�dricos urbanos, j� que sobre as ind�strias incide uma fiscaliza��o mais eficiente para que realizem tratamentos, os dejetos industriais s�o diversificados e causam grande preju�zo � sa�de. Seu tratamento requer t�cnicas mais avan�adas e caras. As ind�strias teriam que gastar aproximadamente 2,1 % do PIB do setor para tratar toda a sua carga poluidora.

Em todo o pa�s, cerca de 20% dos domic�lios n�o est�o ligados a rede de abastecimento de �gua; grande parte deles est� na regi�o Nordeste e na periferia das grandes cidades. � necess�rio reverter esse quadro, principalmente porque estudos recentes revelaram a grande correla��o existente entre a maior oferta de �gua pot�vel e a queda da mortalidade infantil.

No aspecto ambiental, a preserva��o dos rios n�o atrai tanto interesse quanto as florestas, a n�o ser quando causa s�rios danos �s popula��es urbanas, como � o caso do rio Tiet� em S�o Paulo. Depois de provocar muitas enchentes e j� sem praticamente nenhum resqu�cio de vida, o Tiet� ganhou um projeto de despolui��o, financiado por capital estrangeiro. A demorada e dispendiosa despolui��o do rio poder� resgatar a original utilidade de suas �guas.

Para alguns especialistas, o problema da falta de �gua na Grande S�o Paulo poderia ser resolvido pelo subsolo. Estima-se que um sistema descentralizado de po�os espalhados pela regi�o metropolitana permitiria captar um volume de �gua quase tr�s vezes maior que o d�ficit da regi�o.

 

Aq��fero Guarani, um mar pot�vel subterr�neo

Denominam-se aq��feros as reservas de �gua subterr�neas, que representam uma alternativa estrat�gica ao problema da falta de �gua. No Brasil, o principal deles � o aq��fero Guarani, maior reserva subterr�nea de �gua doce da Am�rica do Sul.

A forma��o do aq��fero est� ligada � ocorr�ncia do arenito Botucatu, rocha que aflora na depress�o perif�rica da bacia sedimentar do Paran�, da qual comp�e uma das camadas recobertas por basalto (resultante de derrames de lava vulc�nica). Durante mil�nios, �guas de superf�cie foram se infiltrando na rocha, gra�as � permeabilidade do arenito, at� inundar grande extens�o da camada e formar, assim, um imenso reservat�rio h�drico.

Esse verdadeiro mar pot�vel subterr�neo estende-se por cerca de 1,2 milh�o de km, dois ter�os dos quais em territ�rio brasileiro, onde atinge oito estados do centro-sul do pa�s. O restante prolonga-se por Uruguai, Argentina e Paraguai. Por isso, foi apelidado de aq��fero gigante do Mercosul.

O aq��fero Guarani tem capacidade de fornecer 43 bilh�es de metros c�bicos de �gua por ano, o suficiente para abastecer uma popula��o de 500 milh�es de habitantes. Para aproveitar esse potencial, no entanto, � preciso que seja explorado de forma sustent�vel, sem desperd�cio ou contamina��o. No estado de S�o Paulo, por exemplo, onde se acham cerca de 18% do aq��fero, � poss�vel encontrar po�os abandonados e que n�o foram fechados, criando o risco de contamina��o por acidente ou mesmo sabotagem. Adaptado de Aureliano Biancarelli para o jornal Folha de S.Paulo, 19 maio 1996.

 

 

As fontes de energia

O processo de industrializa��o envolve a produ��o e o consumo de produtos energ�ticos, uma vez que a ind�stria � a atividade econ�mica que mais consome energia. Por isso, est� muito subordinada a ela, particularmente � localiza��o dos recursos energ�ticos, � viabilidade de utiliza��o econ�mica das suas fontes e, sobretudo, � contabiliza��o dos custos - aspectos essenciais do projeto de industrializa��o do pa�s.

Dependendo do tipo de ind�stria, a localiza��o da fonte de energia pode determinar a concentra��o ou dispers�o dos parques industriais.

Entre as diversas fontes de energia utilizadas - o vento (energia e�lica), as �guas (energia hidr�ulica), os raios solares (energia solar), etc. -, as mais usadas s�o as geradoras de energia t�rmica e de energia el�trica. No primeiro caso, as principais fontes s�o o petr�leo e o carv�o, combust�veis de alto potencial energ�tico; no segundo, os geradores das usinas s�o acionados por �gua(hidreletricidade) ou pela pr�pria energia t�rmica (termeletricidade), por meio da queima de carv�o ou �leo. H�, ainda, a fiss�o nuclear, libera��o de energia pela divis�o do n�cleo do �tomo, aproveitada para movimentar geradores de eletricidade nas usinas nucleares.

Entre as chamadas fontes alternativas, op��es que se apresentam mediante a perspectiva de esgotamento do petr�leo, destacam-se: o �lcool; a biomassa', principalmente um subproduto da cana - o baga�o; e o xisto betuminoso, rocha que cont�m uma subst�ncia semelhante ao petr�leo. A energia prim�ria tem como fonte os produtos energ�ticos derivados diretamente da natureza - petr�leo, g�s natural, carv�o, energia solar, energia e�lica. A energia secund�ria � resultado do processamento de energia prim�ria nos centros de transforma��o, como �leo diesel, gasolina, querosene, etc.

Observe os gr�ficos abaixo. O primeiro mostra a distribui��o do consumo de energia por setor da economia brasileira; o segundo representa a participa��o de cada fonte no consumo de energia do pa�s.

Em defesa da energia solar Segundo o presidente de uma das setenta empresas brasileiras fabricantes de coletores de energia solar, o Brasil poderia aproveitar uma riqueza abundante em um pa�s tropical e economizar no consumo de eletricidade.

O emprego de energia solar para aquecer, por exemplo, os chuveiros el�tricos, reduziria a demanda em 2 650 megawatts, pot�ncia equivalente a cinco usinas nucleares do porte de Angra I. A energia que incide sobre o Distrito Federal em um ano corresponde � energia gerada por 162 usinas como Itaipu.

A falta de a��o do governo em promover campanhas e programas de est�mulo ao uso de energia solar pode explicar o n�mero ainda insignificante de consumidores.

Em Israel, 70% das resid�ncias utilizam energia solar. Na Alemanha existe um programa de incentivo ao consumidor: mil d�lares para quem compra quatro metros quadrados de coletor solar e mais 250 d�lares para cada metro adicional. Diante do inconveniente c�u nublado, os fabricantes respondem: os equipamentos possuem uma resist�ncia el�trica que � acionada nesses casos.

Adaptado de: ScHoLz, Cley. Associa��o defende energia solar. 0 Estado de S. Paulo, 11 ago. 1996.

 

Petr�leo

Nossas reservas de petr�leo conhecidas s�o modestas, embora a maior parte do territ�rio brasileiro seja formada por bacias sedimentares, que outrora foram depress�es favor�veis ao dep�sito de mat�ria org�nica.

O primeiro po�o de petr�leo do pa�s, denominado Po�o Lobato, foi instalado em 1939, no Rec�ncavo Baiano. No entanto, a produ��o comercial s� come�ou efetivamente em 3 de outubro de 1953, com a cria��o da Petrobr�s, empresa estatal que exerceu, at� 1997, o monop�lio da pesquisa, lavra, extra��o, refino e transporte do �leo e seus derivados e que representou um dos principais projetos de infra-estrutura do Estado brasileiro.

At� a d�cada de 1970, a limitada produ��o nacional era obtida de po�os terrestres, a maior parte localizada no Rec�ncavo Baiano. Hoje, a principal fonte s�o os po�os submarinos da plataforma continental, principalmente na regi�o vizinha ao estado do Rio de Janeiro. Do total produzido no pa�s, mais de 70% s�o origin�rios da plataforma continental.

A produ��o dos demais estados � muito inferior � do Rio de Janeiro; vindo em seguida a do Rio Grande do Norte, que assumiu o lugar da Bahia como segundo maior produtor nacional, ambos explorando principalmente po�os terrestres. Destacam-se ainda os estados de Sergipe, com significativa produ��o em po�os terrestres, e Cear�, que produz principalmente em po�os submarinos.

A produ��o nacional tem aumentado e j� corresponde a mais de 70% do consumo interno. Mas a meta � a auto-sufici�ncia, pois a importa��o tem grande peso na balan�a comercial do pa�s.

No ano 2000, as reservas nacionais eram de 1,3 bilh�o de metros c�bicos de petr�leo, enquanto a produ��o anual andava ao redor de 50 milh�es de metros c�bicos. Mantendo-se esse quadro, � f�cil calcular o tempo em que as reservas conhecidas estariam esgotadas.

Quanto aos derivados de petr�leo, a produ��o nacional satisfaz integralmente as necessidades internas. A Petrobr�s processa 98% do petr�leo refinado no pa�s, cabendo o restante �s refinarias particulares (piranga (Rio Grande do Sul) e Manguinhos (Rio de Janeiro).

Como se pode observar no mapa abaixo, a Petrobr�s tem v�rias unidades de refino em funcionamento, al�m de exercer o controle acion�rio da Refinaria de Ma naus e da Refinaria Capuava, em Mau� (S�o Paulo). Veja tamb�m a foto abaixo.

A localiza��o das refinarias � determinada pela proximidade dos centros de consumo e, na medida do poss�vel, do litoral, uma vez que, at� alguns anos atr�s, a depend�ncia do petr�leo importado era muito maior, e o sistema de oleodutos era menos eficiente. Apenas no caso da Refinaria de Mataripe, na Bahia, o crit�rio foi a proximidade de uma zona produtora.

A mat�ria-prima fornecida pelas refinarias abastece a ind�stria petroqu�mica brasileira, que se concentra em tr�s p�los: Cubat�o, em S�o Paulo; Cama�ari, na Bahia; e Triunfo, no Rio Grande do Sul.

 

 

G�s natural

O g�s natural � uma fonte de energia que, no Brasil, ocorre geralmente associado ao petr�leo. Se comparado aos dos demais combust�veis f�sseis, � mais barato, � facilmente transport�vel em dutos e sua queima, que libera boa quantidade de energia, polui menos a atmosfera. Por esses motivos, seu consumo � estimulado pelo governo e vem aumentando; � usado em altos-fornos de ind�strias e nos transportes e, brevemente, ser� utilizado em aparelhos dom�sticos.

Na atual matriz energ�tica do pa�s, o g�s natural representa menos de 3%, mas o governo pretende que essa percentagem chegue a 12% em 2010. Para isso, a Petrobr�s tem investido nessa fonte energ�tica, em parceria com a iniciativa privada, e, conseq�entemente, a produ��o nacional tem aumentado. Os grandes produtores s�o Rio de Janeiro e Bahia, seguidos de longe por Sergipe, Rio Grande do Norte e Amazonas.

Paralelamente, o Brasil importa g�s natural da Bol�via atrav�s de um extenso gasoduto, que vai de Santa Cruz de La Sierra, na Bol�via, a Guararema, em S�o Paulo, e da� � regi�o industrial de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Nesse estado, outro gasoduto permite a importa��o de g�s natural da Argentina.

Carv�o mineral

Diante da car�ncia de petr�leo, poder�amos imaginar que o Brasil h� muito tempo estivesse aproveitando intensamente suas reservas carbon�feras, as quais, embora insuficientes, constituem a principal fonte de energia t�rmica do pa�s. Entretanto, a preocupa��o com o aproveitamento do carv�o � recente.

 

As reservas est�o depositadas em terrenos sedimentares antigos, na borda oriental da bacia do Paran�, no baixo Amazonas e na bacia do Parna�ba, mas apenas o carv�o do Sul � explorado. Veja mapa e gr�fico a seguir.

 

Em Santa Catarina (foto abaixo), o carv�o aparece a pequena profundidade, mas no Rio Grande do Sul est� a mais de 30 metros, e a explora��o � feita por meio de po�os e galerias.

A produ��o � insuficiente para atender � demanda interna, raz�o pela qual a ind�stria sider�rgica do Sudeste importa coque, res�duo da destila��o do carv�o, usado na ind�stria metal�rgica. Al�m disso, o carv�o � do tipo betuminoso e sub-betuminoso, que t�m baixo teor calor�fico, e apresenta outros fatores negativos, como umidade, cinzas e sulfeto de ferro.

Apenas parte do carv�o catarinense � coqueificada e remetida para a Companhia Sider�rgica Nacional, em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. E s� tem uso sider�rgico depois de lavado e misturado a carv�es estrangeiros, pois, mesmo ap�s o beneficiamento, continua com 18% de cinzas, contra 4 a 5% dos carv�es norte-americanos de alta qualidade.

No Rio Grande do Sul, cerca de 50% da produ��o � aproveitada; em parte para a fabrica��o de a�o, que � feita com o uso de moderna tecnologia.

Um dos maiores problemas da utiliza��o do carv�o como combust�vel � a agress�o ao ambiente. A fuligem polui o ar, e os res�duos desprezados s�o levados pelas chuvas e poluem os rios. Apesar disso, o carv�o mineral tem sido adotado por algumas ind�strias como alternativa para o elevado pre�o do petr�leo.

Energia el�trica

A rede hidrogr�fica do Brasil � a mais densa do mundo, com enorme potencial hidrel�trico. Isso explica por que mais de 90% da pot�ncia instalada nas usinas prov�m de geradores hidr�ulicos, cabendo aos geradores t�rmicos apenas 8%. Somente no Sul a termeletricidade � significativa, contribuindo com cerca de 15% do total da regi�o. No entanto, as maiores usinas termel�tricas s�o as de Piratininga, em S�o Paulo, e de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Desde a d�cada de 1950 at� 1995, a energia el�trica no Brasil foi quase totalmente gerada e distribu�da por empresas p�blicas, tanto estaduais quanto da Uni�o. Nos anos 1960, criou-se a Eletrobr�s, encarregada do planejamento e da execu��o de uma pol�tica de energia el�trica para todo o pa�s. A partir dessa �poca e sobretudo na d�cada de 1970, condicionado pela crise do petr�leo, o governo federal p�s em pr�tica um plano de constru��o de grandes usinas hidrel�tricas, como infra-estrutura b�sica para a industrializa��o.

Todavia, o ritmo de investimentos e a gera��o de energia diminu�ram j� no final dos anos 1980, deixando de acompanhar o ritmo de expans�o das necessidades de consumo nacionais. Em 1995, teve in�cio a privatiza��o do setor el�trico no Brasil, ap�s a promulga��o da chamada Lei de Concess�es, com base na qual foram sucessivamente vendidas in�meras empresas at� ent�o estatais.

Isso, no entanto, n�o foi suficiente para a retomada dos investimentos no montante que se esperava, tendo em vista garantir o suprimento da demanda em expans�o. Assim, em 2001, quando baixou o n�vel da �gua dos reservat�rios de grandes hidrel�tricas, em conseq��ncia de chuvas aqu�m do normal, o Brasil viu-se obrigado a racionar o consumo de energia el�trica. Para escapar do racionamento e de suas desastrosas conseq��ncias, bem como para haver menor depend�ncia da pluviosidade que enche os lagos das usinas, imp�e-se a necessidade de acelerar a constru��o de termel�tricas.

 

Tanto a pot�ncia instalada quanto o consumo de energia el�trica s�o importantes indicadores das desi�gualdades regionais do pa�s (gr�fico abaixo).

O Norte, representado principalmente pela bacia hidrogr�fica Amaz�nica, � a regi�o que possui o maior potencial hidrel�trico nacional - 46% (incluindo a bacia dos rios Araguaia e Tocantins) - mas seu aproveitamento ainda � restrito. Destacam-se as usinas de Balbina, nas proximidades de Manaus, e de Tucuru�, no rio Tocantins, constru�da para alimentar a produ��o de alum�nio realizada na regi�o de Bel�m e que fornece energia para outras regi�es do pa�s.

Em S�o Lu�s, planeja-se construir uma usina hidrel�trica em fun��o da explora��o mineral, no caso o processamento dos minerais da serra dos Caraj�s, principalmente o ferro.

As regi�es Sudeste e Sul apresentam grandes empreendimentos hidrel�tricos, como, por exemplo: o com�

plexo de Urubupung�, localizado no rio Paran�, entre S�o Paulo e Mato Grosso do Sul, e formado pelas usinas de Jupi� e Ilha Solteira; as hidrel�tricas do rio Grande; a usina de Tr�s Marias no rio S�o Francisco, e a usina de Itaipu.

Com a usina de Itaipu, na fronteira com o Paraguai, a bacia do Paran� � a que tem o maior aproveitamento do potencial hidrel�trico em todo o pa�s, abastecendo a regi�o Sudeste, que produz somente 49% da energia que consome. A regi�o Sul, tomada isoladamente, n�o utiliza toda a sua capacidade el�trica instalada.

Na regi�o Nordeste destacam-se as usinas do rio S�o Francisco, como Sobradinho, Moxot� e Paulo Afonso, constru�das como parte do projeto de desenvolvimento da regi�o nas d�cadas de 1960 e 1970. Na d�cada de 1980 foram constru�das as hidrel�tricas de Itaparica e Xing�, necess�rias para atender � maior demanda de energia, sobretudo com o avan�o do processo de desconcentra��o industrial do pa�s.

No mapa a seguir, podem-se observar as bacias hidrogr�ficas e as principais hidrel�tricas brasileiras.

No total, o Brasil s� aproveita 30% de seu potencial hidrel�trico, e esse � um poderoso argumento dos ambientalistas contra o uso de energia nuclear para gerar eletricidade - embora se critique a inunda��o de �reas florestais para a forma��o do lago de uma usina hidrel�trica e o fornecimento seja irregular em �pocas de poucas chuvas.

Na d�cada de 1970, o governo elaborou uma ambiciosa pol�tica de energia nuclear. A primeira usina at�mica constru�da no Brasil foi Angra I, na praia de Itaorna, munic�pio de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Entrou

 

em opera��o em 1984 e tem sido alvo de cr�ticas tanto por parte da comunidade cient�fica e dos ecologistas quanto da popula��o em geral, pelos riscos que representa, pelos custos elevados e pelas constantes panes. A seu lado foi constru�da uma segunda usina at�mica, Angra II (foto abaixo), e est� prevista a constru��o de Angra III.

�lcool

O �lcool pode ser produzido de numerosos vegetais, como cana-de-a��car, batata e cevada. Diante da perspectiva de esgotamento das reservas de petr�leo e de carv�o, tem sido valorizado como combust�vel alternativo.

A R�ssia, por exemplo, desenvolve grandes planta��es de eucalipto especialmente para esse fim, e o Brasil produz �lcool combust�vel da cana-de-a��car. Nos anos 1970, com o aumento dos pre�os do petr�leo no mercado internacional, foi criado o Programa Nacional do �lcool (Pro�lcool), que recebeu incentivos governamentais e desenvolveu tecnologia pr�pria, apresentando grande produ��o em menos de dez anos.

No fim da d�cada de 1980, contudo, os principais motivos que determinaram a cria��o do Pro�lcool deixaram de existir, pois os pre�os internacionais do petr�leo se reduziram e o aumento da produ��o interna diminuiu a depend�ncia do produto importado. Al�m disso, as possibilidades de produ��o de �lcool combust�vel se mostraram limitadas, pois, para produzir uma quantidade razo�vel do produto, � necess�rio cultivar grandes extens�es de terra. Sua utiliza��o restringe-se sobretudo ao setor de transportes, mais especificamente aos autom�veis.

Hosted by www.Geocities.ws

 
 
Hosted by www.Geocities.ws

1