Geografia do Brasil - Geologia

 

 

CARACTER�STICAS, FORMA��O DO ESPA�O NATURAL BRASILEIRO E ESTRUTURA GEOLOGICA.

 

Caracteriza��o do espa�o natural brasileiro Extens�o territorial

 

 

0 territ�rio brasileiro e imenso. Sua �rea, de 8.547.403,5 km2, e compar�vel A de continentes, como o da Oceania (8.935.000 km2) e o da Europa (10.171.000 km2). Dai o use da express�o pais-continente para se referir ao Brasil. Esta extensa �rea lhe confere as seguintes posi��es nos �mbitos regional, continental e mundial:

� Na Am�rica do Sul: l� lugar, seguido por Argentina (2.780.272 km2), Peru (1.285.216 km2), Col�mbia (1.141.748 km2) e Bol�via (1.098.581 km2).

� Na Am�rica: 3 lugar, antecedido pelo Canad� (9.970.610 km2) e pelos Estados Uni dos (9.372.614 km2). Se considerarmos apenas a �rea continua dos Estados Unidos, isto e, sem o Alasca e o Hava� (7.852.155 km2), c Brasil fica com o 2 lugar.

� No mundo: 5 lugar, antecedido pelos seguintes pa�ses: R�ssia (17.075.400 km2) Canad� (9.970.610 km2), China (9.571.30( km2) e Estados Unidos (9.372.614 km2). Em terras cont�nuas, o Brasil ocupa o 4 lugar Observe a figura 5.1.

 

A �rea territorial brasileira corresponde a:

� 1,6% da superf�cie total da Terra; � 6% das terras emersas;

� 20,8% do continente americano; � 47,7% da Am�rica do Sul.

 

Localiza��o geogr�fica limites e pontos extremos

 

0 Brasil ocupa a por��o oriental da Am�rica do Sul. E cortado ao norte pela linha do Equador e ao sul pelo Tr�pico de Capric�rnio. Em decorr�ncia disso, 93% do seu territ�rio situa-se no hemisf�rio sul e 92% na zona tropical.

Os limites territoriais do Brasil totalizam 23.086 km, dos quais 7.408 km com o Oceano Atl�ntico e 15.719 km com pa�ses vizinhos. Na Am�rica do Sul, s� o Chile e o Equador n�o se limitam com o Brasil. As dire��es e as respectivas �reas lim�trofes s�o:

� Norte: Guiana Francesa, Suriname, Rep�blica da Guiana e Venezuela.

� Noroeste: Col�mbia. � Oeste: Peru e Bol�via.

� Sudoeste: Paraguai e Argentina. � Sul: Uruguai.

� Nordeste, Leste e Sudeste: Oceano Atl�ntico.

 

Os pontos extremos do Brasil s�o os seguintes:

� Norte: nascente do Rio Ail�, no Monte Cabura�, Roraima, fronteira com a Guiana, a 5�16' de latitude norte.

� Sul: Arroio Chu�, Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai, a 33�44' de latitude sul. � Leste: Ponta do Seixas, Para�ba, a 34�47 de longitude oeste.

� Oeste: nascente do Rio Moa, na Serra Contamana, no Estado do Acre, fronteira com o Peru, a 73�59' de longitude oeste.

As dist�ncias m�ximas entre os pontos extremos norte e sul e leste e oeste do territ�rio brasileiro s�o enormes e quase equivalentes. Observe na figura 5.3 a distancia:

� norte-sul: 4.394 km;

� leste-oeste: 4.319 km.

 

Forma��o do espa�o natural brasileiro

 

Por elementos naturais do espa�o entende-se a estrutura geol�gica, o relevo, o clima, a vegeta��o e a hidrografia, entre outros.

Embora cada um desses elementos apresente a sua individualidade, existe profunda intera��o e interdepend�ncia entre os diferentes componentes da paisagem natural. 0 clima, por exemplo, ao mesmo tempo que interfere em v�rios elementos, como a vegeta��o, o relevo, a hidrografia, tamb�m � influenciado por eles.

0 espa�o natural brasileiro come�ou a ser formado h� alguns bilh�es de anos, junto com as massas continentais.

Diversas evid�ncias indicam que desde o surgimento das primeiras massas continentais (h� 4 ou 4,5 bilh�es de anos) at� por volta de 180 a 200 milh�es de anos atr�s, os atuais continentes encontravam-se reunidos em um �nico supercontinente denominado (Pan, "tudo"; gea, "terra").

A partir de ent�o, sup�e-se que teve in�cio um longo processo de deslocamento das placas tect�nicas, gerado por imensas press�es internas. A Pang�ia dividiu-se, dando origem a v�rios blocos continentais, que vieram a formar os atuais continentes. Observe as figuras 5.6, 5.7 e 5.8.

 

Os cientistas sup�em que, por volta de 180 a 200 milh�es de anos atr�s, a Pang�ia come�ou a separar�se, compondo dois grandes blocos continentais (Laur�sia e Gondwana), cuja subdivis�o originou os atuais continentes.

 

H� 65 milh�es de anos, a Am�rica do Sul, provavelmente, j� estava separada da �frica, mas ainda n�o se ligara � Am�rica do Norte. As Montanhas Rochosas, a Cordilheira dos Andes e demais cordilheiras atuais ainda n�o existiam.

 

Finalmente, nos �ltimos 50 milh�es de anos, continentes e oceanos assumiram, aproximadamente, a configura��o atual.

Como parte da Pang�ia, e mais tarde do bloco continental sul-americano, o territ�rio brasileiro tamb�m � produto das transforma��es f�sicas, qu�micas e biol�gicas que se processaram ao longo dos �ltimos 4 ou 4,5 bilh�es de anos.

Isso significa que a estrutura geol�gica (tipos de rocha), a geomorfologia (formas de relevo) e os demais elementos naturais (clima, vegeta��o, hidrografia) resultam da din�mica processada e comandada pela pr�pria natureza ao longo do tempo.

H� pouco mais de 65 milh�es de anos, a Am�rica do Sul ainda estava separada do restante do continente americano, e n�o existiam as cordilheiras que hoje ocupam a por��o oeste deste continente (Rochosas e Andes).

A separa��o entre o bloco continental sul-americano e o africano, a jun��o da Am�rica do Norte com a Am�rica do Sul, a forma��o das cordilheiras e o estabelecimento da atual configura��o e do contorno do continente americano processaram-se nos �ltimos 65 milh�es de anos.

Por volta de 40 ou 50 milh�es de anos atr�s, quando a Am�rica teria recebido seus primeiros habitantes, o contorno e a geografia f�sica do continente j� estavam pratica�mente delineados.

 

Estrutura geol�gica do Brasil

 

0 territ�rio brasileiro � formado, basicamente, por dois tipos de estrutura geol�gica: os escudos cristalinos e as bacias sedimentares.

As forma��es serranas originaram-se de dobramentos antigos, ou seja, que existiram antes da Era Cenoz�ica. Por exemplo: os dobramentos que originaram a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira existiram na Era Arqueoz�ica, e os que originaram a Serra do Espinha�o, na Era Proteroz�ica.

�reas crat�nicas: terrenos arqueoz�icos e proteroz�icos

Al�m de ser geologicamente est�veis, os cr�tons t�m grande import�ncia econ�mica porque abrigam as principais jazidas de minerais met�licos, como ferro, mangan�s, cobre. Por serem muito antigos, a a��o dos agentes externos do relevo (clima, rios, mar etc.) modelou-os, dando origem a formas arredondadas, os planaltos cristalinos. Do territ�rio brasileiro, 36% corresponde aos escudos cristalinos, assim distribu�dos:

� 32% s�o da Era Arqueoz�ica. Esses terrenos, os mais antigos do pa�s, s�o constitu�dos por rochas magm�ticas intrusivas ou internas (como o granito) e metam�rficas (como o gnaisse) e formam o chamado Embasamento ou Complexo Cristalino Brasileiro;

� 4% s�o terrenos da Era Proteroz�ica, em que predo

minam as rochas metam�rficas. Possuem grande import�ncia econ�mica porque neles se localizam as principais jazidas de minerais met�licos do pa�s. � o caso das jazidas de ferro do Quadril�tero de Ferro (MG), da Serra dos Caraj�s (PA) e do Maci�o de Urucum (MS); das jazidas de mangan�s da Serra do Navio (AP); da bauxita de Oriximin� (PA); da cassiterita de Rond�nia.

Podemos tamb�m considerar os escudos cristalinos em dois grandes blocos: o Escudo das Guianas, situado ao norte, e o Escudo Brasileiro, que abrange as por��es central, leste e sul do pa�s e se encontra subdividido em v�rias partes denominadas n�cleos ou escudos propriamente (Sul-Amaz�nico, Atl�ntico, Uruguaio-Sul-Rio-Grandense).

 

- Bacias sedimentares

As bacias sedimentares cobrem 64% da �rea total do Brasil e classificam-se, quanto � extens�o, em grandes bacias (Amaz�nica, do Meio-Norte, Paranaica, S�o-Franciscana e do Pantanal) e pequenas bacias (do Rec�ncavo Baiano, de S�o Paulo, de Curitiba).

Quanto � idade, classificam-se em:

� antigas: paleoz�icas (S�o-Franciscana e Paranaica), mesoz�icas (Meio-Norte e do Re�c�ncavo); e

� recentes: cenoz�icas terci�rias (Central e Costeira), e quatern�rias (Amaz�nica e do Pantanal).

0 petr�leo extra�do no Brasil � proveniente tanto de bacias sedimentares continentais (por exemplo, a Bacia do Rec�ncavo Baia no), como de bacias sedimentares mar�timas (por exemplo, a Bacia de Campos, no Rio de Janeiro). Quanto ao carv�o mineral, as principais jazidas e a quase totalidade da produ��o encontram-se na Regi�o Sul, a maioria em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

 

- Dobramentos modernos (ou cadeias orog�nicas recentes)

Correspondem �s grandes cadeias montanhosas do globo, de origem recente, datados do Terci�rio da Era Cenoz�ica. Sua g�nese � explicada pela teoria da tect�nica de placas que veremos mais adiante. Os grandes exemplos s�o: Andes, Rochosas, Alpes, Himalaia. Por serem de forma��o recente ainda n�o foram muito desgastados pela eros�o e apresentam elevadas altitudes. N�o h� dobramentos modernos no Brasil.

 

RELEVO BRASILEIRO

 

0 relevo brasileiro apresenta grande variedade morfol�gica (de formas), como: serras, planaltos, chapadas, depress�es, plan�cies e outras, resultado da a��o, principalmente, dos chamados agentes externos sobre estruturas geol�gicas de diferentes naturezas e idades. Os agentes externos que mais participaram da forma��o do relevo brasileiro foram o clima (temperatura, ventos, chuvas) e os rios.

Em sua por��o continental, n�o apresenta formas oriundas da atua��o recente dos agentes internos (vulcanismo, tectonismo), como as elevadas montanhas que caracterizam as cordilheiras de tipo andino, alpino e himalaio.

Apesar de as estruturas geol�gicas que lhe deram origem serem em geral antigas, as formas atuais de nosso relevo foram esculpi das ao longo, principalmente, do Per�odo Terci�rio e do in�cio do Quatern�rio. Esses dois per�odos pertencem � mais recente das eras geol�gicas: a Cenoz�ica.

No aspecto altim�trico, o relevo brasileiro � caracterizado pelo predom�nio de altitudes relativamente modestas. Apenas um ponto do territ�rio ultrapassa 3.000 metros de altitude: o Pico da Neblina (3.014 m), ponto culminante (mais alto) do Brasil, localizado no Estado do Amazonas, pr�ximo � fronteira com a Venezuela. Mais de 99% do relevo brasileiro possui altitudes inferiores a 1.200 metros

0 predom�nio de altitudes medianas deve-se, de um lado, � inexist�ncia de dobramentos modernos e, de outro, � intensa a��o erosiva que ao longo do tempo desgastou as velhas estruturas geol�gicas mais salientes do territ�rio brasileiro. A tabela 6.1 confirma o car�ter modesto dessas altitudes.

No mapa hipsom�trico (altitudes) da figura 6.2, podemos observar, por exemplo, que:

� apesar de o ponto culminante estar situado no norte do pa�s, a maior concentra��o de terras altas encontra-se na por��o sudeste;

� quase a totalidade do relevo possui altitudes inferiores a 800 metros.

Brasil: Cotas Altim�tricas

terras baixas 41,00%

0 a 100 metros 24,90%

101 a 200 metros 16,91%

terras altas 58,46%

201 a 500 metros 37,03%

501 a 800 metros 14,68%

801 a 1200 metros 6,75%

�reas culminantes 0,54%

1200 a 1800 metros 0,52%

acima de 1800 metros 0,02%

Classifica��es do relevo brasileiro

 

As primeiras classifica��es do relevo brasileiro datam da primeira metade do s�culo XIX e refletem o est�gio embrion�rio em que se encontravam os nossos conhecimentos geol�gicos e geomorfol�gicos.

De modo geral, eram classifica��es incompletas e baseadas em crit�rios te�rico-metodol�gicos inconsistentes ou confusos. Algumas definiam as unidades de relevo misturando denomina��es geomorfol�gicos com geol�gicas, por exemplo: planalto cristalino, em que planalto � um conceito geomorfol�gico e cristalino (tipo de rocha) � um conceito geol�gico. Outras classifica��es deixavam de mencionar importantes unidades do relevo.

A classifica��o de Aroldo de Azevedo

 

Criada em 1949 e ainda em uso, apesar de n�o incorporar alguns novos conhecimentos adquiridos sobre o relevo brasileiro, a classifica��o de Aroldo de Azevedo ganhou larga aceita��o no pa�s devido, entre outros fatores:

- � preocupa��o do autor em dar um tratamento mais coerente �s unidades do relevo. Assim, ao denominar as grandes unidades do relevo como planaltos e plan�cies (Planalto Meridional, Plan�cie Amaz�nica), Aroldo de Azevedo valorizou a terminologia geomorfol�gica. A terminologia geol�gica foi utilizada apenas para as subunidades ou unidades menores. Por exemplo: Planalto Arenito-Bas�ltico (sub�unidade do Planalto Meridional) e Chapadas Sedimentares (sub�unidade do Planalto Central);

- ao cuidado do autor em identificar as �reas bem individualizadas, tanto em rela��o �s caracter�sticas topogr�ficas quanto �s geol�gicas;

- � sua simplicidade e originalidade.

Em artigo intitulado "0 relevo brasileiro e seus problemas", Aziz Nacib Ab�Saber, disc�pulo de Aroldo de Azevedo e tamb�m autor de outra classifica��o, assim se referiu � proposta pelo mestre:

"[...1 A originalidade dessa nova contribui��o residiu na bela pesquisa que o autor fez sobre as velhas e modernas classifica��es do relevo brasileiro e na concisa an�lise cr�tica por ele realizada em torno das classifica��es que lhe pareceram mais importantes. [...1 "Por �ltimo queremos lembrar que � sobretudo pelas subdivis�es propostas para o relevo brasileiro que a classifica��o de Aroldo de Azevedo merece especiais elogios, pois representou um s�rio trabalho de reconhecimento preliminar de unidades de relevo mais ou menos bem individualizadas, a despeito mesmo de sua delimita��o imprecisa. [...1" AB�SABER, Aziz N. In: AZEVEDO, Aroldo (org.). Brasil; a terra e o homem, v. 1, cap. I II.

Aroldo de Azevedo dividiu o Brasil em sete grandes unidades de relevo: quatro planaltos (das Guiarias, Central, Atl�ntico e Meridional) e tr�s plan�cies (Amaz�nica, Costeira e do Pantanal). Observe o mapa da figura 6.3.

 

A classifica��o de Aziz N. Ab�Saber

 

Em 1962, o renomado ge�grafo Aziz N. Ab�Saber prop�s nova divis�o do relevo brasileiro contando, em algumas regi�es, com o uso da aeroiotogrametria, que consiste em medi��es precisas por meio da fotografia a�rea. Apesar de ter incorporado outros conhecimentos sobre o relevo brasileiro (acr�scimos de novas unidades etc.), manteve grande parte da proposta elaborada por Aroldo de Azevedo.

Aziz N. Ab�Saber compreendeu o Planalto Atl�ntico como duas unidades (Planalto Nordestino e Serras e Planaltos do Leste e Sudeste) e acrescentou � nova divis�o dois outros planaltos (o do Maranh�o-Piau� e o Uruguaio�Sul-Rio-Grandense), elevando para dez o total de grandes unidades do relevo brasileiro. Observe o mapa da figura 6.4.

 

Novas t�cnicas para classificar o relevo brasileiro

Ao contr�rio das classifica��es. anteriores, em geral elaboradas com base em da dos obtidos em longas viagens, por terra, no extenso territ�rio brasileiro, a classifica��o de Jurandyr L. S. Ross resultou do emprego de uma tecnologia mais avan�ada.

De 1970 a 1985, o Projeto RadamBrasil fotografou todo o territ�rio brasileiro por meio de um radar instalado na fuselagem de um avi�o. Esse trabalho constituiu completo e minucioso levantamento da geologia, da geomorfologia e dos recursos naturais (solos, vegeta��o, hidrografia, min�rios etc.) do pa�s.

Do relevo obteve-se informa��es de tal modo precisas, que foi poss�vel identificar com clareza os diferentes tipos e as verdadeiras dimens�es das unidades de relevo existentes. A Plan�cie Amaz�nica, por exemplo, que nas classifica��es de Aroldo de Azevedo e Aziz N. Ab�Saber abrangia uma �rea de aproximada�mente 2 milh�es de km2, ficou reduzida a apenas 5% desse total (cerca de 100 mil km�). Os 95% restantes correspondem, na verdade, a outras formas de relevo (depress�es, planaltos).

0 Planalto Central, outra extensa unidade morfol�gica, deixou de ser assim considerado. Foi dividido em diversas unidades morfol�gicas, nenhuma das quais herdou o nome original. Tamb�m deixaram de ser consideradas as denomina��es Planalto das Guianas e Planalto Meridional.

Atualmente, grande parte da produ��o cartogr�fica brasileira, e mundial, � realizada com modernas t�cnicas. Leia o texto do quadro abaixo.

Na classifica��o de Jurandyr L. S. Ross, al�m de o n�mero de grandes unidades geomorfol�gicas aumentar para 28, foi introduzi do um conceito geomorfol�gico: o de depress�o. Nas classifica��es anteriores, o relevo brasileiro compreendia planaltos e plan�cies.

0 que s�o planalto, plan�cie e depress�o, de acordo com o estudo de Jurandyr L. S. Ross?

Planalto � uma superf�cie irregular com altitude acima de 200 metros, resultante da eros�o em rochas cristalinas ou sedimentares. Forma de relevo predominante no pa�s, o planalto pode ter morros, serras e chapadas (eleva��es �ngremes de topo plano). Observe a figura 6.5.

 

Plan�cie � uma superf�cie plana, geralmente com altitude inferior a 100 metros, formada pelo ac�mulo de sedimentos (figura 6.6).

 

Depress�o � uma superf�cie com suave inclina��o e formada por prolongados processos de eros�o. Menos irregular do que o planalto, situa-se em altitudes que v�o desde 100 at� 500 metros ou mais.

As depress�es continentais podem ser relativas ou absolutas. S�o relativas quando situadas abaixo do n�vel das regi�es vizinhas, por�m acima do n�vel domar. S�o absolutas quando situadas abaixo do n�vel do mar, ou seja, abaixo de zero metro de altitude. Veja a figura 6.7.

 

No Brasil s� existem depress�es relativas. � o caso da Depress�o do Vale do Rio Para�ba do Sul, situada entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Como exemplo de depress�o absoluta pode ser citado o Mar Morto, na Palestina, situado a 395 metros abaixo do n�vel do mar.

A classifica��o de Jurandyr L. S. Ross

0 crit�rio utilizado por Jurandyr L. S. Ross e sua equipe de ge�grafos leva em conta a estrutura geol�gica na g�nese das formas de relevo (fator estrutural), mas valoriza sobretudo a geometria ou modelado (fator escultural ou morfol�gico) que essas formas apresentam. Por isso, nesta classifica��o o primeiro n�vel � essencialmente geomorfol�gico, representado pelos planaltos, depress�es e plan�cies. 0 segundo n�vel considera o car�ter estrutural (geol�gico) dos planaltos. Assim, aparecem os planaltos esculpidos em bacias sedimentares, em n�cleos cristalinos. Este n�vel n�o abrangeu as depress�es porque, segundo o autor, "constituem superf�cies de eros�o embutidas por entre os planaltos, e algumas delas se estendem por mais de uma estrutura, definindo�se mais pelo car�ter escultural".

0 terceiro n�vel define nominalmente cada uma das unidades geomorfol�gicas, tanto as de planalto como as de plan�cie ou de depress�o. Por exemplo: Planalto da Borborema, Depress�o do Araguaia e Plan�cie do Rio Amazonas.

 

Import�ncia desta classifica��o

Em raz�o da maior complexidade e do detalhamento que essa classifica��o apresenta em rela��o �s classifica��es de Aroldo de Azevedo e de Ab�Saber, sua import�ncia ultrapassa o �mbito escolar, permitindo o conhecimento pormenorizado do relevo brasileiro, fundamental no planejamento do pa�s. Por exemplo, na defini��o de pol�ticas de ocupa��o agr�cola, de prote��o ao meio ambiente, de explora��o dos recursos naturais, de coloniza��o. 0 conhecimento detalhado do relevo possibilita melhor aproveitamento e prote��o do mesmo.

Observe, na figura 6.8, o mapa do relevo organizado por Jurandyr L. S. Ross e sua equipe de ge�grafos, em que est�o indicadas as 28 macrounidades, denominadas unidades morfoesculturais.

 

Unidades dos planaltos

Em sua grande maioria, as unidades de planalto apresentam-se como formas residuais, ou seja, restos de antigas superf�cies erodidas. De acordo com Jurandyr L. S. Ross, "o car�ter residual decorre do fato de que tais planaltos est�o circundados por extensas �reas de depress�es relativas e que por conseguinte p�em em ressalto os relevos mais altos que ofereceram maior dificuldade ao desgaste erosivo".

As unidades de planalto s�o em n�mero de onze e abrangem a maior parte do territ�rio brasileiro. Os mais extensos planaltos s�o: Planalto da Amaz�nia Ocidental, Planaltos e Chapadas da Bacia do Paran�, Planaltos e Chapadas da Bacia do Parna�ba e Planaltos e Serras do Atl�ntico Leste e Sudeste.

 

Unidades das depress�es

As unidades das depress�es relativas continentais foram geradas por processos erosivos ocorridos no contato das extremidades das bacias sedimentares com maci�os antigos. Esses processos erosivos originaram os diferentes tipos de depress�es existentes no territ�rio brasileiro: perif�ricas, marginais, interplan�lticas e outras.

A depress�o perif�rica � uma �rea deprimida que aparece na zona de contato entre terrenos sedimentares e cristalinos. Tem forma alongada. Exemplo: a Depress�o Perif�rica da Borda Leste da Bacia do Paran�. A depress�o marginal margeia as bordas de bacias sedimentares. Exemplo: a Depress�o Sul-Amaz�nica e Norte-Amaz�nica. A depress�o interplan�ltica � uma �rea de altitude mais baixa que a dos planaltos que a circundam. Exemplo: Depress�o Sertaneja e do S�o Francisco.

As unidades das depress�es s�o em n�mero de onze e constituem a segunda mais importante forma de relevo existente no Brasil. As principais s�o as seguintes: De�press�o Marginal Norte-Amaz�nica, Depres�

s�o Marginal Sul-Amaz�nica, Depress�o Sertaneja e do S�o Francisco e Depress�o Perif�rica da Bacia do Paran�.

 

Unidades das plan�cies

As unidades das plan�cies correspondem �s �reas de relevo essencialmente plano, formadas pela deposi��o recente de sedimentos de origem marinha, fluvial e lacustre.

Na proposta de Jurandyr L. S. Ross, as plan�cies ocupam, relativamente aos planaltos e �s depress�es, pequena superf�cie.

A Plan�cie do Rio Amazonas constitui uma estreita faixa de terras planas que margeiam o Rio Amazonas e seus afluentes, incluindo a Ilha de Maraj�.

 

Tr�s grandes perfis que resumem nosso relevo (Por Jurandyr Ross)

 

Regi�o Norte

Este corte (perfil noroeste-sudeste) tem cerca de 2000 quil�metros de comprimento. Vai das alt�ssimas serras do norte de Roraima, na fronteira com a Venezuela, Col�mbia e Guina, at� o norte do Estado de Mato Grosso. Mostra claramente as estreitas faixas de plan�cie situadas �s margens do Rio Amazonas, a partir das quais seguem-se amplas extens�es de terras altas: planaltos e depress�es.

 

Regi�o Nordeste

Este corte tem cerca de 1500 quil�metros de extens�o. Vai do interior do Maranh�o ao litoral de Pernambuco. Apresenta um retrato fiel e abrangente do relevo da regi�o: dois planaltos (da Bacia do Parna�ba e da Borborema) cercando a Depress�o Sertaneja (ex-Planalto Nordestino). As regi�es altas s�o cobertas por mata. As baixas, por caatinga.

 

Regi�es Centro-Oeste e Sudeste

Este corte, com cerca de 1500 quil�metros de comprimento, vai do Estado de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista. Com altitude entre 80 e 150 metros, a Plan�cie do Pantanal est� quase no mesmo n�vel do Oceano Atl�ntico. A Bacia do Paran�, formada por rios de planalto, concentra as maiores usinas hidrel�tricas brasileiras.

 

 

Pequeno dicion�rio t�cnico (as defini��es que aparecem abaixo aplicam - se ao mapa de relevo do Brasil elaborado por Jurandyr L.S.Ross) (Extra�do de: Nova Escola - outubro/1995)

 

Depress�o: superf�cie entre 100 e 500 metros de altitude com suave inclina��o, formada por prolongados processos de eros�o. � mais plana do que o planalto. O mapa escolar de Jurandyr � o primeiro a aplicar esse conceito.

 

Planalto: ao contr�rio do que sugere o nome, � uma superf�cie irregular com altitude acima de 300 metros. � o produto da eros�o sobre rochas cristalinas ou sedimentares. Pode ter morros, serras ou eleva��es �ngremes de topo plano (chapadas).

 

Plan�cie: superf�cie muito plana com no m�ximo 100 metros de altitude. � formada pelo ac�mulo recente de sedimentos movimentados pelas �guas do mar, de rios ou de lagos. Ocupa por��o modesta no conjunto do relevo brasileiro.

 

Escarpa: terreno muito �ngreme, de 100 a 800 metros de altitude. Lembra um degrau. Ocorre na passagem de �reas baixas para um planalto. � impropriamente chamada de serra em muitos lugares, como na Serra do Mar, que acompanha o litoral.

 

Serra: terreno muito trabalhado pela eros�o. Varia de 600 a 3000 metros de altitude. � formada por morros ou cadeias de morros pontiagudos (cristas). N�o se confunde com escarpa: serra se sobe por um lado e se desce pelo lado oposto.

 

Tabuleiro: superf�cie com 20 a 50 metros de altitude em contato com o oceano. Ocupa trechos do litoral nordestino. Geralmente tem o topo muito plano. No lado do mar, apresenta declives abruptos que formam as chamadas fal�sias ou barreiras.

 

Relevo submarino e litoral

Introdu��o

O relevo submarino � subdividido em quatro partes: Plataforma continental, Talude, Regi�o Abissal e Regi�o Pel�gica.

 

1. Plataforma Continental

� a continua��o do continente (SIAL), mesmo submerso. Possui profundidade m�dia de 0 a 200 m, o que significa que a luz solar infiltra-se na �gua, o que gera condi��es prop�cias � atividade biol�gica e ocasiona uma enorme import�ncia econ�mica - a PESCA. H� tamb�m, na plataforma continental, a ocorr�ncia de petr�leo.

-Talude: Desn�vel abrupto de 2 a 3 km. � o fim do continente.

-Regi�o Abissal: Quando ocorre aparece junto ao talude e corresponde �s fossas marinhas.

-Regi�o Pel�gica: SIMA - � o relevo submarino propriamente dito, com plan�cies, montanhas e depress�es.

Surgem aqui as ilhas oce�nicas:

- Vulc�nicas, como Fernando de Noronha

- Coral�genas, como o Atol das Rocas

2. Litoral

Corresponde � zona de contato entre o oceano e o continente; em permanente movimento, possui varia��o de altura - as mar�s, que s�o influenciadas pela Lua.

Quando, durante o movimento das �guas oce�nicas a sedimenta��o supera o desgaste, surgem as praias, recifes e restingas. Quando o desgaste (eros�o) supera a sedimenta��o, surgem as fal�sias (cristalinas ou sedimentares).

 

Restinga

 

Fal�sia

Fonte: Extra�do do Panorama Geogr�fico do Brasil - Melhem Adas

 

O litoral brasileiro � pouco recortado. Esse fato ocorre em fun��o da pobreza em glacia��es quatern�rias que atuaram intensamente nas zonas temperadas do globo. O poder erosivo das geleiras � imenso.

� O litoral norte brasileiro apresenta a plataforma continental mais larga, pois muitos rios (entre eles o Amazonas), ali des�guam, despejando uma quantidade enorme de sedimentos. O litoral nordestino possui a mais estreita plataforma continental.

� Principais lagoas costeiras: dos Patos e Mirim (RS); Concei��o (SC); Araruama (RJ).

� Ilhas Costeiras Continentais: Santa Catarina (Florian�polis); S�o Francisco (SC); S�o Sebasti�o (Ilha Bela); Santo Amaro (Guaruj�).

� Ilha Costeira Aluvial: Maraj�

� Ilha Vulc�nica: Fernando de Noronha

� Ba�as: Todos os Santos (BA); Guanabara (RJ); Paranagu� (PR); Laguna (SC); Angra dos Reis e Parati (RJ).

 

SOLOS

1. Introdu��o

O solo (agr�cola) � constitu�do por rocha intemperizada, ar, �gua e mat�ria org�nica, formando um mato que recobre a rocha em decomposi��o.

2. Intemperismo F�sico ou Desagrega��o Mec�nica

Na superf�cie da crosta terrestre as rochas expostas est�o sujeitas a grande varia��o diuturna e/ou anual de temperatura e, portanto, grande varia��o no seu volume, decorrente da dilata��o e contra��o dos minerais que as constituem. Essa din�mica rompe, divide a rocha em fragmentos cada vez menores.

3. Intemperismo ou Decomposi��o Qu�mica

Decorre da rea��o qu�mica entre a rocha e solu��es aquosas. Caso a rocha tenha sofrido pr�vio intemperismo f�sico a decomposi��o qu�mica se acelera por atuar em fragmentos da rocha, ou seja, a superf�cie de contato aumenta.

O intemperismo (qu�mico ou f�sico) est� diretamente relacionado ao clima. Na regi�o Amaz�nica, onde a pluviosidade � elevada e a amplitude t�rmica pequena, h� intensa a��o qu�mica. No Deserto do Saara, onde a pluviosidade � baix�ssima e a varia��o diuturna de temperatura muito alta, h� intensa a��o f�sica, decorrente da varia��o de temperatura.

Ao sofrer intemperismo a rocha adquire maior porosidade, com decorrente penetra��o de ar e �gua, o que cria condi��es prop�cias ao surgimento da vegeta��o e conseq�ente fornecimento de mat�ria org�nica ao solo, aumentando cada vez mais a sua fertilidade.

4. Horizontes do Solo

 

A mat�ria org�nica, fornecida pela flora e fauna decompostas, � encontrada principalmente na camada superior da massa rochosa intemperizada que, ao receber ar, �gua e mat�ria org�nica, transformou-se em solo agr�cola. Essa camada superior � o Horizonte A. Logo abaixo, com espessura vari�vel relacionada ao clima, encontramos rocha intemperizada, ar, �gua e pequena quantidade de mat�ria org�nica - Horizonte B. Em seguida, encontramos rocha em processo de decomposi��o - Horizonte C - e, finalmente, a rocha matriz - Horizonte D - que originou o manto de intemperismo, ou solo, que a recobre. Sob as mesmas condi��es clim�ticas, cada tipo de rocha origina um tipo de solo diferente, ligado � sua constitui��o mineral�gica.

Ex: Basalto - Terra Roxa.

Gnaisse - Massap�

OBSERVA��O : Solos sedimentares ou Aluvionais n�o apresentam horizontes.

 

5. Eros�o Superficial

Corresponde ao desgaste do solo e apresenta tr�s fases:

Intemperismo - Transporte - Sedimenta��o. Depois de intemperizados, os fragmentos de rocha est�o livres para serem transportados pela �gua que escorre pela superf�cie (eros�o h�drica) ou pelo vento (eros�o e�lica). No Brasil, o escoamento superficial da �gua � o principal agente erosivo. � medida em que o horizonte A � o primeiro a ser desgastado, a eros�o acaba com a fertilidade natural do solo.

A intensidade da eros�o h�drica est� diretamente ligada � velocidade de escoamento superficial da �gua; quanto maior a velocidade de escoamento, maior a capacidade da �gua transportar material em suspens�o e, quanto menor a velocidade, mais intensa a sedimenta��o.

A velocidade de escoamento depende da declividade do terreno - em �reas planas a velocidade � baixa - e da densidade da cobertura vegetal. Em uma floresta a velocidade � baixa pois a �gua encontra muitos obst�culos (ra�zes, troncos, folhas) a sua frente e, portanto, a infiltra��o de �gua no solo � alta. Em uma �rea desmatada a velocidade de escoamento � alta e, portanto, a infiltra��o de �gua � pequena.

 

6. Conserva��o do Solo

a) Rota��o e associa��o de culturas

Toda monocultura (A) mineraliza o solo pois a planta retira certos minerais (X) e rep�e outros (Y). Deve-se, temporariamente, substituir (ou associar) a cultura (A) por outra (B), que retire os minerais repostos por A e reponha no solo os minerais retirados.

b) Controle de Queimadas

A pr�tica de queimada acaba com a mat�ria org�nica dos solos. Somente em casos especiais, na agricultura, deve-se praticar a queimada para acabar com doen�as e pragas.

c) Plantio em curvas de n�vel e Terraceamento

Curvas de n�vel s�o linhas que unem pontos com a mesma cota altim�trica.

Tal pr�tica diminui a velocidade de escoamento superficial da �gua e, em decorr�ncia, a eros�o.

7. Eros�o Vertical

A - Lixivia��o - � a lavagem dos sais minerais hidrossol�veis (s�dio, pot�ssio, c�lcio, entre outros), praticada pela �gua que infiltra no solo, o que lhe retira fertilidade.

B - Lateriza��o

� a forma��o de uma crosta ferruginosa

� a laterita, vulgarmente chamada Canga - via forma��o de hidr�xidos de ferro e alum�nio, o que chega a impedir a penetra��o de ra�zes no solo.

A lixivia��o e a lateriza��o s�o s�rios problemas em solos de climas tropicais, onde o �ndice pluviom�trico � elevado.

 

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