Geografia do Brasil - Ecomonia

 


0 Brasil na economia global

 

Investimentos externos

0 desenvolvimento da economia mundial, com o correspondente ac�mulo de capitais, de um lado, e, de outro, o extraordin�rio avan�o das telecomunica��es e da inform�tica, permitiu nos �ltimos anos um acentuado aumento dos fluxos de recursos em escala internacional - uma formid�vel globaliza��o financeira.

A movimenta��o de capitais de um pa�s para outro pode ser de diversos tipos: investimentos, empr�stimos, financiamentos, remessa de lucros, etc. Os recursos destina dos � atividade produtiva- na ind�stria, na agricultura, nos servi�os - s�o chamados de investimentos diretos. No fim do s�culo XX, os investimentos externos diretos saltaram, no mundo todo, de 200 bilh�es em 1991 para 1,1 trilh�o de d�lares no ano 2000. A imensa maioria desses recursos � aplicada em pa�ses do Primeiro Mundo, isto �, empresas de pa�ses ricos investindo em pa�ses igualmente desenvolvidos. Os Estados Unidos, de onde prov�m a maior fatia dos investimentos externos, s�o igualmente o pa�s que mais recebe recursos de fora - cerca de 30% das aplica��es produtivas internacionais. No conjunto, os pa�ses da Uni�o Eu�rop�ia acolhem mais de um ter�o do total mundial investido na produ��o de bens e servi�os. 0 gr�fico abaixo apresenta a distribui��o percentual dos investimentos estrangeiros de acordo com o grau de desenvolvimento humano.

Todo investidor joga com duas vari�veis fundamentais, que, em geral, s�o inversamente proporcionais entre si: lucratividade e seguran�a. Da� a prefer�ncia dos investi mentos produtivos pelos pa�ses desenvolvidos, onde a estabilidade econ�mica e pol�tica garante seguran�a ao capital, mesmo que os lucros sejam pequenos. Por outro lado, para investir em pa�ses sujeitos a crises que significam riscos, somente a possibilidade de lucros elevados pode constituir atrativo eficaz. Por isso, grande parte do capital que ingressa em pa�ses menos desenvolvidos assume a forma de investimentos especulativos, ou seja, recursos aplicados para a obten��o de lucros a curto prazo, propiciados por altas taxas de juros ou por neg�cios r�pidos em bolsas de valores. Constituem o que tamb�m � chamado de capital vol�til, pois, assim como chegam, podem ausentar-se rapidamente, a qualquer momento, gerando crises de propor��es vari�veis (gr�fico abaixo).

As crises financeiras, que t�m ocorrido em pa�ses de economia muito dependente do exterior, refletem-se nos fluxos de investimentos estrangeiros. 0 gr�fico mostra que a crise do M�xico, em 1994-95, e, mais notadamente, a crise asi�tica, em 1997-98, provocaram retra��o de investimentos nos pa�ses em desenvolvimento e incremento de invers�es nos pa�ses desenvolvidos, em virtude da migra��o de recursos em busca de seguran�a.

 

No Brasil, por exemplo, nos �ltimos cinco anos, apenas cerca de 10% dos recursos financeiros do exterior constitu�ram capital produtivo; aproximadamente 40% foram aplicados em bolsas de valores e os restantes 50% destinaram-se a empr�stimos.

Os fluxos de investimentos produtivos tamb�m est�o sujeitos a redirecionamentos - embora muito menos que o capital esppeculativo -, sempre e fun��o dos atrativos que um pa�s ou regi�o possa oferecer. Na Am�rica Latina, os investimentos externos t�m aumentado ap�s a supera��o da crise do M�xico, em 1994-95, com maior incremento por ocasi�o da crise asi�tica, em 1997-98. Deve-se esse aumento a v�rios fatores presentes nos principais pa�ses do continente: maior articula��o na economia global, com participa��o mais intensa no com�rcio internacional; privatiza��o de empresas p�blicas; e reformas do Estado, facilitando a entrada e sa�da de capitais e flexibilizando as rela��es de produ��o e de trabalho. Veja o gr�fico abaixo.

No Brasil, o ingresso anual de capital estrangeiro passou de 1 bilh�o para 31 bilh�es de d�lares, ao longo da �ltima d�cada do s�culo XX. Desde 1996 o pa�s ocupa

o primeiro lugar na Am�rica Latina (gr�fico a seguir) e, entre as na��es em desenvolvimento, figura em segundo lugar, perdendo apenas para a China, no que se refere a investimentos diretos externos.

O afluxo de recursos externos no Brasil acentuou-se a partir da segunda metade dos anos 1990, gra�as especialmente a tr�s fatores: pol�tica de estabiliza��o; altera ��o do conceito de empresa nacional; e quebra dos monop�lios estatais, com a venda de empresas p�blicas. De fato, a pol�tica implantada pelo governo em 1995, com a ado��o de nova moeda, a despeito do �nus social que a acompanhou, conseguiu estancar a infla��o e dar uma certa estabilidade � economia, condi��o indispens�vel a investimentos verdadeiramente produtivos e duradouros.

Pela Constitui��o de 1988, uma empresa era considerada brasileira se a maior parte de seu capital fosse de origem nacional. Esse conceito legal constitu�a um embara�o � atua��o do capital estrangeiro no pa�s. Em 1995, uma Emenda constitucional terminou com a restri��o, ao considerar brasileira qualquer empresa instalada em territ�rio brasileiro. Ao tornar todas as empresas iguais, especialmente no que tange a incentivos de todo o tipo, a altera��o significou um grande est�mulo para o ingresso de capital estrangeiro no Brasil.

Os leil�es de privatiza��o, seja para a venda de empresas, seja para a concess�o de direitos de explora��o de servi�os p�blicos, representaram um fascinante atrativo ao capital estrangeiro, que entrou em expressiva escala no pa�s, comprando estatais ou constituindo novas empresas.

 

At� ent�o, e desde a internacionaliza��o do capital produtivo, nos anos 1950, os investimentos estrangeiros ocorriam principalmente na ind�stria. Agora, e sobretudo em 1997-98, no auge das privatiza��es, o capital externo � atra�do principalmente pelo setor de servi�os, com destaque para as telecomunica��es e distribui��o de energia el�trica.

Grande parte do capital de origem externa atuante no Brasil � de empresas norte-americanas (General Motors, Ford, Texaco, etc.), as quais, junto com empresas europ�ias, s�o respons�veis por cerca de dois ter�os dos investimentos estrangeiros no pa�s. Entre as firmas europ�ias, destacam-se as alem�s (Volkswagen, Daimler-Chrysler, Siemens, etc.), as francesas (Renault, Peugeot, Carrefour, etc.), as italianas (Fiat, Pirelli, Parmalat, etc.) e, ultimamente, as espanholas (Telef�nica, etc.) e as portuguesas (Telecon, etc.), que t�m investido sobretudo em telecomunica��es. � de se registrar, contudo, a crescente presen�a de capitais asi�ticos, particularmente japoneses e coreanos.

O aumento dos investimentos externos no Brasil traduz a maior inser��o do pa�s na economia global. Segundo a Unctad (Confer�ncia das Na��es Unidas sobre Com�rcio

e Desenvolvimento), no ano 2000, 384 das 500 maiores empresas do mundo estavam presentes no emergente mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, tem ocorrido uma altera��o na estrutura empresarial do pa�s, com as empresas estrangeiras tendo um crescimento percentual no faturamento das 500 maiores empresas estabelecidas em territ�rio brasileiro, como se pode observar no quadro abaixo. BRASIL: EVOLU��O DA PARTICIPA��O DE CADA SETOR NO FATURAMENTO DAS 500 MAIORES EMPRESAS (em percentagem)

 

Empresas

1985

1990

1995

2000

Estrangeiras

28,5

31,1

33,3

35,5

Nacionais

40,7

42,7

43,6

44,5

Estatais

30,8

26,2

23,1

20,0

Fonte: Publica��o

Maiores e melhores, citada em OEstado deS. Paulo, 11dez. 2000.

 

 

 

As multinacionais, ou transnacionais, que compraram estatais ou adquiriram concess�es de servi�os p�bli�cos fizeram investimentos, indubitavelmente, produtivos. No entanto, os recursos recebidos pelo governo com os tais leil�es de privatiza��o foram usados, em sua maior parte, para o pagamento da d�vida externa, restando pouco para obras de valor econ�mico ou social. Contudo, novos investimentos foram feitos pelos investidores para melhoria, moderniza��o ou amplia��o do seu neg�cio, buscando sempre a produtividade capaz de propiciar os lucros almejados.

A busca de produtividade, por sua vez, implica aumentar a capacita��o tecnol�gica, o que demanda novos investimentos e exige maior qualifica��o da m�o-de-obra, podendo, assim, contribuir para a eleva��o da m�dia salarial do pa�s.

Concentra��o de capitais

No in�cio da Revolu��o industrial, o processo de produ��o capitalista dependia em grande parte da a��o f�sica de um grande n�mero de trabalhadores. Desde ent�o, constrangidos a atender sucessivas reivindica��es de seus empregados e a pagar-lhes sal�rios cada vez mais elevados, os empres�rios sentiram-se impelidos a buscar lucros mediante ganhos de produtividade, isto �, obter maior produ��o por tempo de trabalho consumido. Da� os cont�nuos e crescentes investimentos em estudo, pesquisa e treinamento de pessoal, do que resulta o avan�o do conhecimento, das t�cnicas e da qualifica��o da m�o-de�obra. No p�s-guerra, ou seja, dois s�culos depois, esse avan�o atingiu not�vel acelera��o, de tal modo que, hoje, a atividade produtiva depende fundamentalmente da ci�ncia e da tecnologia, voltadas diretamente para a produ��o de mercadorias. Em outras palavras, o processo produtivo � cada vez mais intensivo: m�quinas e equipamentos mais aperfei�oados; novas tecnologias; e m�o�de-obra menos numerosa, por�m mais qualificada.

Ora, essa intensifica��o tem um custo consider�vel, acess�vel geralmente �s empresas maiores, por disporem de mais recursos, e que pode ser proibitivo �s pequenas firmas. Disso resulta uma decisiva vantagem das grandes sobre as pequenas empresas, pois, em geral, quem investe mais produz melhor, habilitando-se, assim, a obter sucesso na competi��o pelo mercado. Por isso, as grandes empresas tendem a "engolir" as competidoras menores por meio de aquisi��es ou incorpora��es. Esse processo de concentra��o de capital, inerente ao capitalismo, � respons�vel pela forma��o dos monop�lios, ou melhor, dos oligop�lios, isto �, poucos grupos de empresas que dominam o mercado.

Com a globaliza��o, a economia mundial torna-se cada vez mais oligopolista, com grupos de transnacionais gigantescas controlando cada qual uma fatia ou segmento do mercado. No atual patamar da evolu��o capitalista, a competi��o desenfreada de antigamente assume a forma de moderna e respeitosa concorr�ncia, que admite at� mesmo alian�as estrat�gicas entre empresas para conquistar mercado.

 

Embora transformada, a competi��o n�o desaparece, at� mesmo porque a competitividade � o motor principal da globaliza��o. Sempre em busca de maior produti vidade - e de lucros, indispens�veis a novos investimentos-, s�o comuns as fus�es de empresas quando duas ou mais delas, geralmente de grande porte, se unem para formar uma outra, de maior dimens�o e alcance no mercado.

Essas fus�es podem ocorrer entre empresas do mesmo ramo (telecomunica��es, por exemplo: Time Warner e America Online) ou de ramos afins (por exemplo: entretenimento Watt Disney e rede de televis�o-ABC). Entre empresas de ramos ou de setores distintos, s�o menos freq�entes as fus�es; nesse caso, � mais comum ocorrer aquisi��o ou incorpora��o - um banco comprando uma ind�stria, poor exemplo.

A quase totalidade dos investimentos diretos realizados nos pa�ses desenvolvidos destina-se a incorpora��es e fus�es. Nos pa�ses subdesenvolvidos ou em desenvolvi mento, os investimentos produtivos estrangeiros est�o dirigidos basicamente para a compra ou aquisi��o de empresas, p�blicas ou privadas.

Integrado na economia global, o Brasil � parte do espa�o onde ocorrem os processos de concentra��o de capital: tamb�m aqui os diversos segmentos do mercado tendem a ser oligopolistas, controlados por poucas mas grandes empresas, quer sejam transnacionais, quer estrangeiras associadas ao capital nacional, excetuando remanescentes estatais ainda n�o privatizadas, como a Petrobr�s. Os oligop�lios est�o presentes no setor automobil�stico, de equipamentos de inform�tica, de telecomunica��es e de gravadoras de discos, entre outros.

 

0 Brasil e o mercado global

A competitividade de um pa�s � medida pela sua capacidade de atrair capitais produtivos e, sobretudo, de oferecer ao mercado mundial produtos com qualidade e pre�os compar�veis aos dos concorrentes internacionais.

Para atrair investimentos diretos e obter financiamentos externos, um pa�s precisa oferecer alguma seguran�a, isto �, apresentar fundada expectativa de que o capital que nele ingressar haver� de retornar ampliado de alguma forma. Estabilidade pol�tica e econ�mica, equil�brio das finan�as p�blicas, investimentos em infra-estrutura, em tecnologia e em capacita��o da for�a de trabalho s�o algumas vari�veis que entram na defini��o do risco que um pa�s apresenta ao capital internacional.

0 chamado risco Brasil tem sido classificado pelas ag�ncias globais especializadas como moderado, de n�vel B. Entre os emergentes (Emergentes: s�o assim chamados os pa�ses em processo de aprofundamento da integra��o � economia mundial e, por isso, capazes de oferecer atrativos aos investidores internacionais. Fazem parte do grupo os pa�ses com apreci�vel dinamismo econ�mico, mas alheios ao Primeiro Mundo, como � o caso de na��es do Leste europeu, dos Tigres Asi�ticos, da China e da R�ssia, da �frica do Sul, do Brasil e do M�xico.) , Mal�sia e Tail�ndia, por exemplo, costumam figurar acima do Brasil, no n�vel A. Paquist�o e Filipinas, assolados por crises pol�ticoreligiosas internas, foram considerados no n�vel C.

 

0 fator que mais pesa na indesej�vel classifica��o de risco do Brasil � a d�vida p�blica, muito elevada em rela��o �s receitas que o pa�s tem a receber em d�lar, provenientes das exporta��es. No in�cio do novo mil�nio, por exemplo, Chile e M�xico, dois concorrentes latino-americanos, figuravam na frente do Brasil, em mat�ria de risco, e, em conseq��ncia, ofereciam maior atra��o para o capital estrangeiro.

 

Quanto aos pre�os, como fator decisivo da competitividade, cabe esclarecer que eles dependem dos custos de produ��o, acrescidos do lucro das empresas, indispens�vel a novos investimentos. No Brasil, as empresas s�o oneradas com despesas adicionais ou exageradas, representadas por uma pesada carga tribut�ria (muitos impostos e taxas) e por encargos trabalhistas (FGTS, INSS, etc.), que aumentam os gastos com m�o-de-obra.

Al�m disso, os exportadores brasileiros est�o submetidos a elevadas despesas portu�rias, que encarecem ainda mais o pre�o final dos produtos vendidos ao estrangeiro. 0 projeto de moderniza��o dos portos e o processo de privatiza��o do direito de explora��o das opera��es de embarque e desembarque t�m sido insuficientes para provocar redu��o significativa de despesas. As tarifas do porto de Santos, por exemplo, s�o em m�dia quatro vezes maiores que as dos principais portos mundiais.

A incid�ncia de despesas adicionais ou exageradas caracterizam o denominado custo Brasil, que compromete a competitividade dos produtos brasileiros no merca do internacional. Estudos recentes demonstraram que, sem o custo Brasil, as exporta��es do pa�s poderiam aumentar 20%.

 

Para competir, qualidade e pre�o baixo

Com a revolu��o tecnol�gica em curso, que muitos chamam de revolu��o t�cnico-cient�fica ou terceira revolu��o industrial, a qualidade de um produto � avaliada sobretudo em fun��o da moderniza��o dos m�todos de produ��o.

 

O fator tecnol�gico n�o envolve somente as ind�strias consideradas de ponta. M�quinas comandadas por computador garantem mais rapidez e melhor controle de qualidade em qualquer �rea.

No setor das ind�strias t�xteis e de confec��es, por exemplo, China, Hong Kong e Cor�ia controlam sozinhos cerca de 30% das exporta��es mundiais. Concomitantemente a participa��o da Am�rica Latina no total mundial � de 2%; a do Brasil, menos de 1 %.

A possibilidade de o pa�s ampliar sua participa��o no setor est� na raz�o direta do investimento em moderniza��o produtiva, e o Brasil, em compara��o com outros pa�ses, principalmente com os desenvolvidos, investe muito pouco em ci�ncia e tecnologia. Num novo �ndice criado pelo Pnud (Programa das Na��es Unidas para o Desenvolvimento), o �ndice de Conquistas Tecnol�gicas, divulgado em 2001, o Brasil ocupa a 432 posi��o entre 72 pa�ses pesquisados. Finl�ndia, Estados Unidos, Su�cia, Jap�o e Cor�ia do Sul s�o os cinco primeiros colocados.

Al�m disso, os investimentos continuam extremamente concentrados na regi�o Sudeste, mais especificamente nas universidades e centros de pesquisa do esta�do de S�o Paulo (gr�fico abaixo).

Sem d�vida, o monop�lio das empresas transnacionais, cujo poder sobre o setor tecnol�gico � amplo, torna mais dif�cil o desenvolvimento das potencialidades competitivas dos pa�ses pobres. A pol�tica brasileira de moderniza��o tecnol�gica, implementada ao longo de toda a d�cada de 1980, comprometeu ainda mais a competitividade de v�rios setores industriais, pois durante aquele per�odo a orienta��o era extremamente nacionalista. O melhor exemplo � a reserva de mercado da inform�tica adotada na �poca. A importa��o de materiais do ramo foi proibida, e acreditou-se que o Brasil poderia desenhar,

planejar e construir computadores somente com o investimento em pesquisa acad�mica.

O desejo de desenvolver uma tecnologia pr�pria, no entanto, mostrou-se incompat�vel com a realidade do mercado internacional. As iniciativas do governo federal geraram um grande avan�o dos centros de pesquisa de S�o Paulo, Campinas e S�o Jos� dos Campos, mas o setor produtivo n�o acompanhou esse progresso.

A cria��o da Cobra - Sistema de Computadores S.A., em 1974, ind�stria brasileira de inform�tica planejada para ser o embri�o do setor no pa�s, n�o resistiu � concorr�ncia quando se viu diante da lei de mercado. Ao ser privatizada em 1994, n�o era mais fabricante de equipamentos, mas simples prestadora de servi�os, e esse atraso no setor de inform�tica acabou comprometendo praticamente todos os ramos da ind�stria nacional, desde o t�xtil at� o eletroeletr�nico.

Outro fator que dificultou o acesso do pa�s � tecnologia moderna foi a inexist�ncia de uma pol�tica que garantisse prote��o � propriedade intelectual. Apenas em 1996 foi aprovada a Lei de Patentes, e ainda assim com muitas brechas. At� ent�o, os fornecedores de tecnologia tinham poucas garantias sobre seu trabalho criativo.

Composi��o das exporta��es e importa��es brasileiras

Com a industrializa��o de diversos pa�ses subdesenvolvidos e a conseq�ente altera��o na divis�o internacinal do trabalho, a partir da d�cada de 1980, pa�ses como

o Brasil aumentaram substancialmente suas exporta��es de produtos manufaturados. Hoje, mais da metade das vendas do pa�s ao estrangeiro � de manufaturados (gr�fico abaixo).

 

 

BRASIL: PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS

 

Volume exportado

Participa��o sobre o total

Produtos

(milh�es de d�lares)

de exporta��es (%)

Autom�veis

4 975

9,7

Alum�nio, ferro e a�o

4 544

8,8

M�quinas e aparelhos mec�nicos

4 338

8,4

Min�rios

3 465

6,7

Madeira, celulose e papel

3 106

6,0

T�xteis e cal�ados

2 499

4,8

Caf�, ch� e mate

2 460

4,8

Sementes oleaginosas

2204

4,3

A��car

2 027

3,9

Carnes

1 247

2,4

 

Fonte: IBGE. Anu�rio

estat�stico do Brasil 1999. Rio de Janeiro, 2000.

 

Todavia, grande parte das exporta��es brasileiras � composta de commodities, ou seja, gran�is cuja competitividade depende mais do acesso � mat�ria-prima que de conhecimentos tecnol�gicos, como �leo de soja, suco de laranja, celulose e alum�nio (extra�do da bauxita). Al�m disso, muitos manufaturados vendidos s�o de desenvolvimento tecnol�gico apenas m�dio; somente 9% das exporta��es de manufaturados agregam alta tecnologia.

At� o in�cio dos anos 1990, o Brasil obtinha vantagens comparativas na exporta��o de manufaturados de m�dio desenvolvimento tecnol�gico, como t�xteis e cal �ados, gra�as � utiliza��o de m�o-de-obra relativamente barata. Hoje, essa vantagem, altamente question�vel do ponto de vista social, desapareceu diante do avan�o tecnol�gico de alguns pa�ses, como a It�lia, ou sobretudo em face de pa�ses concorrentes onde os sal�rios s�o ainda mais baixos, como a China.

Os principais produtos de exporta��o do pa�s s�o min�rio de ferro, caf�, soja, avi�es e autom�veis. Observe a tabela acima.

Entre as importa��es brasileiras t�m destaque o petr�leo e seus derivados, produtos qu�micos e farmac�uticos, maquinaria industrial, equipamentos eletr�nicos e autope�as. Grande parte dessas importa��es � feita por subsidi�rias de transnacionais, o que revela o grau de inser��o do pa�s na chamada economia mundo.

O gr�fico abaixo mostra os principais tipos de mercadorias que constituem a pauta de exporta��es e importa��es brasileiras.

Verifica-se, pois, que o Brasil permanece em desvantagem nas trocas comerciais, pois os produtos manufaturados que importa, por serem muitos deles de alto desenvolvimento tecnol�gico, t�m pre�os mais elevados do que aqueles que exporta, a maior parte de baixo e m�dio desenvolvimento tecnol�gico.

 

Balan�a comercial

Na d�cada de 1980, vivendo uma grave crise de sua enorme d�vida externa, o Brasil fez grande esfor�o para obter super�vits comerciais, a fim de conseguir d�lares necess�rios ao pagamento dos juros cobrados pelos credores internacionais. Assim, de 1987 a 1994, a balan�a comercial do pa�s apresentou uma sucess�o de expressivos saldos favor�veis (gr�fico abaixo).

Esse desempenho superavit�rio, contudo, foi obtido gra�as a uma pol�tica que inclu�a n�o s� est�mulos �s exporta��es, mas tamb�m a redu��o das importa��es mediante restri��es � compra de produtos estrangeiros. Ao limitar o ingresso de equipamentos e materiais necess�rios � moderniza��o do parque produtivo do Brasil, essa pol�tica acabou retardando o avan�o tecnol�gico e, com isso, comprometendo a competitividade dos produtos nacionais, com inevit�veis reflexos nas exporta��es do pa�s.

Em 1995 a balan�a comercial se inverte. Com a pol�tica de valoriza��o da nova moeda adotada, a implanta��o do Plano Real provocou o barateamento dos produtos estrangeiros, j� que o d�lar - moeda em que s�o cotadas as transa��es ficou mais acess�vel aos brasileiros. As importa��es aumentaram, mas as exporta��es ficaram mais dif�ceis, em virtude do elevado valor da moeda nacional. De 1995 a 1999, ent�o, a balan�a comercial registrou sucessivos d�ficits.

A valoriza��o do real n�o podia ser mantida, pois estava sufocando incont�veis empresas que produziam para a exporta��o. Em outras palavras, a press�o cambial, representada pela compress�o do valor do d�lar, impunha uma desvaloriza��o da moeda nacional, o que foi feito pelo governo em 1999.

Com o c�mbio retornando � realidade ditada pelas leis de mercado, as exporta��es aumentaram e a balan�a comercial se inverteu novamente, passando a apresentar super�vits a partir do ano 2000.

Embora positivos, os saldos comerciais n�o t�m correspondido �s pretens�es do governo, sempre condicionado pela necessidade de honrar os compromissos externos, basicamente o de pagar o servi�o da d�vida. Diversos fatores contribuem para o insatisfat�rio desempenho comercial do Brasil.

Por um lado, as importa��es aumentaram com o reaquecimento da economia do pa�s, e o petr�leo apresentou alta de pre�os no mercado internacional. Por outro lado, o pre�o das commodities agr�colas caiu, afetando as exporta��es brasileiras de caf�, soja e carne de frango. Al�m disso, a reativa��o econ�mica do pa�s fez com que diversos segmentos industriais, como o sider�rgico e o petroqu�mico, reduzissem suas exporta��es a fim de ate�der o crescimento da demanda interna.

 

0 Brasil e os principais blocos econ�micos mundiais

Nos �ltimos anos, t�m-se ampliado as rela��es comerciais do Brasil com a Uni�o Europ�ia (UE) e com a �sia, ao mesmo tempo que diminui a participa��o relativa dos Estados Unidos nos interc�mbios externos do pa�s. O gr�fico da p�gina seguinte indica que, depois da UE e do Nafta, o Brasil exporta em maior escala para a �sia e o Mercosul. O pa�s tamb�m tem ativado suas rela��es com o mercado africano, diretamente ou atrav�s da UE.

A diminui��o das vendas de semimanufaturados e manufaturados para o mercado norte-americano � em grande parte compensada pelo mercado dos pa�ses asi�ticos. Tal mudan�a representa um avan�o, pois � na �sia que se encontram as economias com maior ritmo de crescimento econ�mico.

Em termos bilaterais, os maiores parceiros comerciais do Brasil s�o os Estados Unidos, a Argentina, a Alemanha, os Pa�ses Baixos (Holanda) e o Jap�o.

Uni�o Europ�ia - 0 aprofundamento das rela��es entre os pa�ses europeus reduz a necessidade de importa��es no continente, mas a UE e o Brasil j� assina ram v�rios acordos de coopera��o, e o Brasil exporta in�meros produtos para os pa�ses do grupo com tarifas reduzidas. Os maiores compradores s�o a Alemanha, os Pa�ses Baixos, a It�lia, a B�lgica e o Reino Unido. 0 Brasil, por sua vez, importa principalmente da Alemanha, It�lia, Fran�a, Reino Unido e Pa�ses Baixos.

Nafta - De h� muito, o Brasil mant�m intensas rela��es comerciais com os Estados Unidos, sobretudo nas primeiras d�cadas do p�s-guerra. Ultimamente elas tornaram-se proporcionalmente menos expressivas, na medida em que o pa�s aumenta seus interc�mbios com outros parceiros. Mesmo assim, mais de 20% do com�rcio exterior brasileiro � feito com os Estados Unidos.

Com o Canad�, por�m, os fluxos comerciais sempre foram inexpressivos. No in�cio do novo mil�nio, uma disputa envolvendo a venda de avi�es no mercado internacional, entre a brasileira Embraer e sua concorrente canadense, atritou as rela��es entre os dois pa�ses, prejudicando o aumento dos interc�mbios bilaterais.

J� o M�xico, de figura discreta entre os parceiros do Brasil (menos de 2%), tem demonstrado interesse em ampliar rela��es n�o s� com o mercado brasileiro, mas tamb�m com todos os pa�ses do Mercosul.

Desse modo, o M�xico pretende diversificar seus parceiros comerciais, diminuindo a depend�ncia em rela��o aos Estados Unidos. J� antes do Nafta, assinado em 1994, 70% das exporta��es do pa�s destinavam-se aos Estados Unidos; com o acordo, essa percentagem passou para 80%.

A proposta mexicana em rela��o ao Mercosul abrange basicamente tr�s medidas: redu��o de tarifas alfandeg�rias entre o M�xico e os quatro pa�ses que inicialmente compuseram o Mercosul; libera��o de atividades relacionadas com o setor de servi�os (financeiros, de comunica��es e infra-estrutura); e aumento dos investimentos entre todos os pa�ses.

Bloco asi�tico - As rela��es comerciais entre o Brasil e os Tigres Asi�ticos s�o expressivas, assim como com o Jap�o e a China, sendo estes os maiores compra dores juntamente com Taiwan, Cor�ia do Sul e Hong Kong. Destes, a Cor�ia do Sul tem aumentado sua participa��o em investimentos diretos no Brasil. 0 Jap�o prop�e-se tamb�m a aumentar sua participa��o.

A China tem constitu�do um importante mercado para o Brasil. Nos �ltimos anos, o com�rcio entre os dois pa�ses apresentou um forte crescimento. Grande parte das exporta��es brasileiras � de �leo de soja. Em troca, a China exporta para o Brasil t�xteis, maquin�rios leves, brinquedos e roupas, mas fica em �ltimo lugar entre os maiores exportadores da �sia para o pa�s, colocando-se atr�s de Jap�o, Cingapura, Cor�ia do Sul, Hong Kong e Taiwan.

A intensifica��o da entrada de produtos chineses e dos Tigres Asi�ticos no Brasil tem ocasionado uma grande pol�mica em torno de uma poss�vel pol�tica de cotas de importa��o. Essa quest�o tem sido discutida n�o s� nos organismos competentes, mas tamb�m por ocasi�o de visitas protocolares de chefes de Estado ou de seus representantes oficiais.

 

Mercosul - Desde sua cria��o, em 1991, at� o in�cio efetivo do processo de integra��o, o Mercosul apresentou um salto no interc�mbio entre os quatro pa�ses membros: passou de 8 para 28 bilh�es de d�lares por ano. Com a progressiva redu��o e a posterior aboli��o das tarifas de importa��o de produtos em um n�mero cada vez maior, na busca do pretendido livre-com�rcio, as dificuldades come�aram a acontecer. O estabelecimento de tarifas externas comuns (TECs) para determinados setores, como o de alguns bens de capital, bens intermedi�rios e de telecomunica��es, tamb�m gerou inevit�veis diverg�ncias na procura da almejada uni�o aduaneira. Apesar dos percal�os, o Mercosul tem avan�ado. Hoje, cerca de 90% das mercadorias produzidas nos pa�ses membros podem ser comercializadas internamente sem tarifas de importa��o. Mas, em alguns setores, s�o mantidas barreiras tarif�rias tempor�rias.

As dificuldades para um maior avan�o da integra��o residem nas diferen�as de estrutura produtiva dos pa�ses, que precisam ser ajustadas nos prazos estabelecidos. Tais diferen�as, por sua vez, enra�zam-se nos desiguais n�veis de desenvolvimento regional. Al�m disso, a despropor��o entre os mercados nacionais faz com que a evolu��o do bloco dependa basicamente das rela��es entre o Brasil e a Argentina, pa�ses que respondem por mais de 90% do com�rcio interregional.

Assim, o interc�mbio do Brasil com o Mercosul � sobretudo express�o do com�rcio com a Argentina. Nos primeiros anos de cria��o do bloco, a balan�a comercial entre os dois pa�ses pendeu para o lado do Brasil, cujas importa��es da Argentina eram desestimuladas pela valoriza��o do peso (legalmente equiparado ao d�lar desde 1991 - lei da paridade cambial) em rela��o � moeda brasileira. Veja o gr�fico abaixo.

Em 1995, o Plano Real, com a valoriza��o da moeda brasileira, fez a balan�a comercial entre os dois pa�ses se inverter, passando a ser deficit�ria para o Brasil, o que perdurou at� 1998. Em grande parte, a expans�o da economia Argentina foi sustentada pelas exporta��es para o mercado brasileiro.

Em 1999, a desvaloriza��o do real promovida pelo governo ocasionou nova invers�o na balan�a, em virtude da expressiva redu��o das importa��es brasileiras, uma vez que os produtos argentinos ficaram com pre�os mais altos aos consumidores brasileiros. A diminui��o das exporta��es para o Brasil foi um duro golpe para a economia Argentina, que se sentiu for�ada a restringir as importa��es de produtos brasileiros, ent�o tornados mais acess�veis no mercado platino. Somada a outros problemas, a retra��o econ�mica contribuiu para a crise que se instalou na Argentina e trouxe � tona diverg�ncias entre os dois pa�ses at� ent�o contorn�veis. Surgem conflitos envolvendo diversos setores, notadamente o automobil�stico, de t�xteis, de cal�ados e de carne de frango. O futuro do Mercosul fica amea�ado, pois a Argentina amea�a tomar medidas protecionistas a seus produtos, e o Brasil reage nos mesmos termos.

Em abril do ano 2000, os dois pa�ses assinaram a Declara��o de Buenos Aires, conhecida como o "relan�amento do Mercosul", que formaliza uma reaproxima��o entre Brasil e Argentina com o objetivo de preservar o futuro do bloco. Esse acordo provocou uma ligeira reativa��o dos interc�mbios bilaterais, mas n�o eliminou alguns desentendimentos entre os dois parceiros.

Nessas condi��es, surgem questionamentos at� mesmo quanto �s conveni�ncias da integra��o da maneira como foi prevista. Condicionada por grave crise inter na e influenciada pelo exemplo do Chile, que sempre

 

pretendeu nada mais que o livre-com�rcio com o Mercosul, do qual � associado, a Argentina sinaliza, em 2001, a possibilidade de recuo no processo integracionista; sugere que talvez convenha abdicar da meta de uni�o aduaneira, acabando com as TECs e permanecendo apenas o prop�sito de �rea de livre-com�rcio.

A atitude Argentina coincide com uma maior aproxima��o com os Estados Unidos, ao mesmo tempo que a grande na��o do Norte intensifica esfor�os a fim de antecipar a implanta��o da �rea de Livre Com�rcio das Am�ricas, a Alca.

Com o agravamento de sua situa��o econ�mica e social - retra��o de atividades produtivas, com o conseq�ente aumento do desemprego -, a Argentina sentiu se for�ada a p�r fim a sua paridade cambial (um peso igual a um d�lar), que restringia as exporta��es por causa do alto valor de sua moeda.

Primeiramente, em junho de 2001, visando facilitar as vendas ao estrangeiro e, com isso, reativar a combalida economia nacional, o governo decretou a desvaloriza ��o do peso, mas apenas para fins de exporta��o, mantendo de resto sua equipara��o ao d�lar. Essa modifica��o cambial n�o produziu os resultados pretendidos. Ao contr�rio, a economia continuou em queda, o desemprego atingiu n�veis insuport�veis e a situa��o social tornou-se explosiva.

No in�cio de 2002, comprometida com uma impag�vel d�vida externa e em meio a uma crise sem precedentes em sua hist�ria recente, a Argentina completou a desvaloriza��o de sua moeda, adotando um c�mbio flutuante. Com isso, ficando mais baratos, os produtos argentinos poder�o ser mais facilmente importados pelo Brasil, fazendo com que a balan�a comercial entre os dois

pa�ses penda para o lado do Prata. Mais tarde, por�m, com o aumento das exporta��es, a esperada recupera��o da economia portenha haver� de provocar um incremento das importa��es de produtos brasileiros. Seja como for, a intensifica��o dos interc�mbios comerciais entre Brasil e Argentina � indispens�vel para o futuro do Mercosul.

 

Transforma��es no mundo do trabalho

Segundo o IBGE, grande parte das pessoas com 10 anos ou mais de idade est� ocupada em atividades agr�colas (24,6%), apesar da redu��o percentual nos �ltimos anos diante do processo de moderniza��o da economia brasileira, e pouco mais de 20% (20,4) encontram-se nos diversos ramos da atividade industrial. O destaque est�, sem d�vida, na grande taxa de ocupa��o verificada no setor de com�rcio e servi�os (55%).

O gr�fico abaixo confirma as tend�ncias de transforma��o do trabalho no Brasil nas �ltimas d�cadas. O setor terci�rio � o respons�vel pela maior absor��o da popula��o ocupada. Em contrapartida, o investimento em tecnologia e a preocupa��o em reduzir custos s�o respons�veis pelo decl�nio de pessoal ocupado em todos os ramos industriais desde o fim da d�cada de 1980.

Uma melhor avalia��o da economia do pa�s pode ser dada pela participa��o de cada setor no PIB. O gr�fico da p�gina seguinte demonstra que nos �ltimos anos vem aumentando a participa��o percentual do setor de servi�os, declinando a da ind�stria.

 

Desemprego

Nos pa�ses desenvolvidos, at� algumas d�cadas atr�s, a diminui��o da taxa de ocupa��o na ind�stria era, em grande parte, compensada pelo aumento da taxa de ocupa��o no setor terci�rio. Ocorria uma terciariza��o do trabalho e da economia, de maneira que os pa�ses industrializados conviviam com pequenas taxas de desemprego.

Quase ao mesmo tempo, nos pa�ses subdesenvolvidos que acolhiam o capital produtivo internacional, como o Brasil, a rapidez do processo de industrializa��o e, sobretudo, o forte �xodo rural causavam um consider�vel aumento do desemprego e da pobreza nas cidades. Com o advento da chamada terceira revolu��o industrial, a informatiza��o atinge em cheio o setor terci�rio dos pa�ses ricos - bancos e presta��o de servi�os em geral -, que, assim, n�o s� deixa de absorver grande parte da m�o-de-obra liberada pela moderniza��o industrial, como tamb�m passa at� mesmo a reduzir postos de trabalho. Surge nesses pa�ses o chamado desemprego estrutural, que independe do crescimento ou de crise da economia. A falta de trabalho deixa de ser caracter�stica de pa�ses subdesenvolvidos para se universalizar; desde os anos 1990, o desemprego atinge propor��es alarmantes na Europa.

Integrado ao mercado global, dominado por transnacionais, o Brasil pauta sua economia pela moderniza��o tecnol�gica, o que significa automa��o e informatiza��o de atividades. Da� o desemprego estrutural, que se soma � antiga escassez de trabalho pr�pria do subdesenvolvimento.

Al�m disso, outras causas concorrem para o desemprego no Brasil, em decorr�ncia de receitas neoliberais postas em pr�tica no pa�s:

� reestrutura��o do Estado brasileiro, por meio de ampla reforma administrativa que tem reduzido o n�mero de empregos p�blicos;

� processo de privatiza��o, que implica a reestrutura��o de empresas e a dispensa de trabalhadores considerados ociosos;

� abertura comercial e conseq�ente concorr�ncia de produtos estrangeiros no mercado interno, prejudicando os segmentos pouco competitivos do pa�s.

� verdade que, a longo prazo, a abertura comercial traz vantagens para o pa�s, pois obriga as empresas nacionais a se modernizarem para se tornar competitivas. Mas o investimento em tecnologia exige recursos, nem sempre dispon�veis, e a redistribui��o e qualifica��o da for�a de trabalho demandam tempo. At� l�, a competi��o internacional provoca desemprego, sobretudo entre os trabalhadores menos qualificados.

Na �ltima d�cada do mil�nio, o desemprego quase dobrou no pa�s, passando de 4,03% para mais de 7%, conforme se pode ver no gr�fico a seguir. Isso significa 7,6 milh�es de brasileiros desempregados. Com esse total, o Brasil fica em terceiro lugar em n�mero de desempregados no mundo, perdendo apenas para a �ndia (quase 40 milh�es) e a R�ssia (cerca de 9 milh�es). Proporcionalmente, por�m, a posi��o brasileira n�o � das piores, pois em muitos pa�ses o desemprego chega a mais de 10% e at� de 15% (mapa abaixo).

Como n�o poderia ser diferente, em virtude das diversidades espaciais do pa�s, o desemprego varia bastante de uma regi�o para outra. As varia��es ocorrem em fun��o da estrutura produtiva de cada regi�o, do n�vel de desenvolvimento industrial, do ritmo de moderniza��o do campo e do setor de servi�os, entre outros fatores.

 

TAXAS DE DESOCUPA��O DAS PESSOAS COM 10 ANOS OU MAIS DE IDADE, SEGUNDO AS GRANDES REGI�ES

Regi�o Nordeste Norte Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil

 

      Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domic�lios; s�ntese de indicadores 1999

 

 

Solu��es

A forma efetiva de combate ao desemprego � atrav�s do crescimento econ�mico. Nos Estados Unidos, por exemplo, a diminui��o de postos de trabalho causada pela automa��o e informatiza��o de atividades foi compensada, nos anos 1990, pela abertura de novos empregos na ind�stria e nos servi�os, gra�as a uma forte expans�o da economia. Por isso, o problema do desemprego na Am�rica do Norte � bem menor que na velha Europa.

No Brasil, na �ltima d�cada do mil�nio, o PIB cresceu em m�dia 2,5% ao ano. No mesmo per�odo, no entanto, o n�mero de empregos na ind�stria praticamente n�o aumentou, pois a elimina��o de postos de trabalho, provocada pela moderniza��o tecnol�gica, anula a oferta de vagas nas novas f�bricas que surgem. No setor terci�rio, a expans�o do emprego, embora expressiva, fica aqu�m do que seria necess�rio para atender a demanda - a cada ano, o crescimento vegetativo da popula��o acresce cerca de 800 mil jovens adultos ao mercado de trabalho. Al�m disso, grande parte das vagas oferecidas exige qualifica��o profissional que muitos interessados n�o possuem. Por essas raz�es, n�o ocorre redu��o substancial do desemprego no pa�s. Estima-se que esse flagelo possa at� aumentar, seja pelo aprofundamento da integra��o do Brasil na economia global, seja por fatores de conjuntura, como, por exemplo, uma retra��o econ�mica provocada por um ataque especulativo do capital financeiro internacional.

Nesse cen�rio, a pr�pria popula��o trata de responder ao problema da falta de emprego. A resposta mais comum � a atividade informal basicamente no com�rcio

e servi�os. O extraordin�rio aumento do setor informal da economia � uma conseq��ncia da diminui��o de postos de trabalho. Tamb�m cresceu nos �ltimos anos a percentagem de pessoas que trabalham por conta pr�pria. A estimativa � que elas j� sejam mais de 20% das pessoas ocupadas no pa�s (foto abaixo).

Do ponto de vista do empregador e do governo, v�rias medidas s�o apontadas como necess�rias para amenizar os elevados �ndices de desemprego:

� diminui��o da jornada de trabalho, j� implementada por muitas ind�strias, principalmente as automobil�sticas;

� diminui��o dos encargos sociais, o que estimularia muitas empresas a contratar mais pessoal;

� investimento em infra-estrutura, o que esbarra na insufici�ncia de recursos do Estado;

� treinamento de m�o-de-obra qualificada.

Essa �ltima medida, de implementa��o a longo prazo, � considerada como a mais importante para expandir a base produtiva do pa�s, atrair investimento estrangeiro e elevar a competitividade dos produtos aqui fabricados.

 

Desemprego: como calcular

 Basicamente, h� duas metodologias ou maneiras de calcular o �ndice de desemprego. A mais usada considera desempregadas apenas as pessoas que, no per�odo de refer�ncia, estavam em disponibilidade, procurando emprego. � o chamado desemprego aberto, utilizado pelo IBGE. A outra maneira � mais ampla, pois inclui tamb�m o desemprego oculto, representado por pessoas que n�o procuravam ocupa��o por desalento ou porque estavam exercendo algum trabalho prec�rio. � o desemprego total, calculado no Brasil pelo Departamento Intersindical de Estat�stica e Estudos S�cio-Econ�micos (Dieese). C�lculos diferentes produzem resultados distintos. Em agosto de 2000, por exemplo, enquanto o IBGE apontava uma taxa de desemprego no pa�s de 7,15%, o Dieese apresentava um �ndice de 17,70%.

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