Geografia Geral - Demografia

 

 

Din�mica da Popula��o no Espa�o Terrestre- Revis�o da Unidade III

Conceitos demogr�ficos fundamentais

   Na tentativa de equacionar tais problemas e contradi��es, os detentores do poder lan�am m�o de estudos e proposi��es que nem sempre atingem seus objetivos. De qualquer forma, os estudos e an�lises fornecem instrumental te�rico aos dirigentes para que sejam tomadas medidas de ordem pr�tica. S� que a natureza dessas medidas variam em fun��o dos diversos interesses ( pol�ticos, econ�micos etc.).

   Para facilitar a compara��o dos v�rios aspectos demogr�ficos, vejamos alguns conceitos fundamental a esse respeito.

Popula��o absoluta: � o n�mero total de habitantes de um lugar ( pa�s, cidade etc.).
Densidade demogr�fica: � o n�mero ( a m�dia ) de habitantes por Km�. Para obt�-la basta  dividir a popula��o absoluta pela �rea da regi�o analisada.
Densidade e superpovoamento: Uma �rea densamente povoada n�o � necessariamente superpovoada; isso porque o conceito de superpovoamento n�o diz respeito apenas ao n�mero de habitantes por Km�, mas tamb�m se refere ao n�vel s�cio-econ�mico e tecnol�gico da popula��o em rela��o a �rea ocupada. Nesse caso, ocorre superpovoamento quando h� descompasso do ponto de vista das condi��es s�cio-econ�micas da popula��o em rela��o � �rea ocupada. A Holanda por exemplo, � um pa�s densamente povoado (434 hab/Km�), mas n�o � superpovoado ( a popula��o desfruta de alto padr�o de vida em um espa�o muito pequeno), ao passo que pa�ses com  a �ndia (247 hab/Km�) e Bangladesh (740 hab/Km�) s�o superpovoados. O superpovoamento portanto � relativo.
Recenseamento ou censo demogr�fico: � o levantamento ou a coleta peri�dica dos dados estat�sticos (como nascimentos, migra��es etc.) da popula��o de um pa�s, cidade etc. Sua import�ncia � fundamental para melhor conhecimento dos v�rios aspectos demogr�ficos, bem como para fins de investimentos, planejamentos, proje��es futuras e outras finalidades. No Brasil o censo � realizado em per�odos de 10 em 10 anos, tendo tamb�m censos econ�micos em meado das d�cadas para melhor sabermos da situa��o do pa�s.
Taxa de  nascimento: � a rela��o entre o n�mero de nascimentos ocorridos em 1 ano o n�mero de habitantes. Uma taxa de natalidade de 30% ( por mil ) significa que nasceram trinta crian�as ( vivas ) para cada grupo de mil habitantes em 1 ano.
Taxa de mortalidade: � a rela��o entre o n�meros de �bitos ocorridos em 1 ano e o n�mero de habitantes ( mortalidade geral ). Al�m disse tipo de mortalidade a mortalidade infantil, que � o n�mero de crian�as mortas antes de completar 1 ano de vida para cada grupo de mil crian�as com menos de 1 ano de idade. Essa taxa � um importante indicador do n�vel de desenvolvimento s�cio-econ�mico dos diversos pa�ses do mundo.
Taxa de crescimento vegetativo: � a diferen�a entre as taxas de natalidade e de mortalidade. N�o inclui os estrangeiros residentes no pa�s.
Taxa de  fecundidade: N�mero m�dio de filhos por mulher em idade de procriar, que, por conven��o, tem entre 15 e 49.
Taxa de mortalidade infantil: Rela��o entre o n�mero de �bitos de crian�as com menos de um ano, multiplicado por mil, e o n�mero de crian�as nascidas vivas durante o ano civil.

   Entre 1950 e 1997, a popula��o da Terra passou de 2,5 bilh�es, aproximadamente, para cerca de 5,8 bilh�es, sendo que  hoje passa dos 6 bilh�es. N�o s�o poucos os dem�grafos, economistas e outros estudiosos que consideram esta �ltima cifra bastante elevada e o ritmo de crescimento nesse per�odo absurdamente r�pido.

   Com efeito, quando o tema crescimento populacional vem � tona, � inevit�vel surgirem pol�micas e posi��es antag�nicas. Embora ocorra de forma diferenciada nas diversas regi�es do planeta, o crescimento populacional � uma preocupa��o que afeta todos os seus habitantes.

   Com respeito �s perspectivas de eleva��o populacional para as pr�ximas d�cadas, v�rias quest�es vem sendo suscitadas: a disponibilidade de recursos naturais para abastecer o conjunto crescente de popula��es; a deterioriza��o do meio ambiente e, portanto, da quantidade de vida; assim como a capacidade ou n�o, da tecnologia em fazer frente � demanda de alimentos e recursos necess�rios a vida do homem na terra.

 

1) Crescimento da popula��o mundial -

 

A) Taxas demogr�ficas:

A.     Densidade demogr�fica ou popula��o relativa= no de hab/km2 ou d=pa s (sendo pa=popula��o absoluta e s= �rea habitada pela popula��o). Diz-se que um pa�s � muito povoado quando tem uma grande popula��o relativa; � bastante populoso, quando tem uma elevada popula��o absoluta. Isto n�o tem nada a ver com o problema da superpopula��o, que est� ligado a um limite econ�mico e tecnol�gico que se for ultrapassado pelo aumento de popula��o, pode acarretar uma diminui��o do seu padr�o de vida(ex.:Holanda n�o tem superpopula��o).

B. Taxa de natalidade= (no de nascimentos vivos numa �rea x 1.000) pa. Nos pa�ses centrais ela � baixa devido ao seu alto padr�o de vida e menor taxa de fecundidade humana (m�dia de filhos por mulher em idade f�rtil), j� que a popula��o ao envelhecer, em face de sua elevada expectativa de vida, vai diminuindo a capacidade de procria��o. Representada assim: TN= x

C. Taxa de mortalidade= (no de �bitos numa �rea durante um ano x 1.000) pa, ou TM= x�.O que diferencia os pa�ses pobres de pa�ses ricos � a mortalidade infantil, muito alta nos pa�ses pobres, j� que � demonstrativa das condi��es de alimenta��o, de atendimento m�dico-hospitalar e de saneamento b�sico. A mortalidade infantil precoce ou neonatal (at� um m�s) deve-se �s condi��es de parto e defeitos cong�nitos; j� a mortalidade infantil tardia (at� um ano) deve-se � subnutri��o e doen�as infecto-contagiosas. A mortalidade em geral nos pa�ses centrais est� ligada mais �s doen�as senis (cardiopatias, c�ncer- produtos da degeneresc�ncia celular decorrente da velhice da popula��o).

D. Crescimento vegetativo ou natural= TN - TM, podendo ser positivo (bem elevado, em torno de 3,5% nos pa�ses mais pobres como na �frica sub-saariana e na �sia Mon��nica), de reposi��o ou negativo (quando< ou = a 0, ou ZPG,isto �, zero populational growth, como nos pa�ses europeus).

E. Taxa de fecundidade humana: m�dia de filhos por mulher em idade f�rtil (nos pa�ses centrais � de 1,5-2; em paises perif�ricos pode chegar a 6/7; quando � de 2 h� estabilidade demogr�fica).

 

B) Transi��o demogr�fica = passagem do per�odo primitivo populacional (com altas TN e TM) para o per�odo atual (pequenas TN e TM). � executada em 2 fases: na primeira, a TN permanece alta, enquanto a TM decresce (da� o CV ser bem alto); na segunda, a TN tamb�m come�a a baixar e, por conseguinte, o CV tamb�m decresce, estabilizando o crescimento demogr�fico.

A estabiliza��o ou n�o da popula��o animal deve-se a fatores naturais (falta de alimentos, aumento de predadores, maior competi��o biol�gica); j� a popula��o humana, mais a fatores hist�rico-culturais (como a Revolu��o Industrial e Agr�cola), socioecon�micos (maior padr�o de vida = menos TN) e t�cnicos (vacina��o em massa).

A transi��o demogr�fica � distinta entre pa�ses centrais e perif�ricos. Assim vejamos.

 

a. Na Europa: per�odo primitivo - at� a 1a fase da Revolu��o Industrial, quando na Inglaterra a popula��o subiu de cerca de 9 para l8 milh�es de habitantes na 1a metade do s�culo XVIII. Em face disto, Malthus formulou a teoria catastrofista, segundo a qual a popula��o cresce em progress�o geom�trica, enquanto a produ��o de alimentos em progress�o aritm�tica. ? primeira e segunda fase de transi��o demogr�fica -Na 1a metade do s�culo XIX, na Inglaterra, ainda havia uma grande concentra��o de renda (Foville dizia em 1833 que ela rica "no mundo, rica em ricos"). Os movimentos sindicalistas (n�o mais o cartismo, que era mais pol�tico que corporativo, mas sim o trade-unionismo) conseguiram, ao longo do s�culo, melhorias salariais mais para a elite de trabalhadores e n�o tanto para a maioria deles. Assim mesmo no final do s�culo, os sal�rios eram comprometidos em cerca de 50% para comprar alimentos e o restante para aluguel, vestu�rio e outras necessidades. A TM decresceu em 5 percentuais de 1850 at� a d�cada de 1891/90 (de 31 para 26%) em face da melhoria das condi��es de saneamento b�sico na Europa.Como a TN ainda estava elevada, houve um crescimento vegetativo grande, favor�vel � burguesia (diminuindo o valor dos sal�rios) e contribuindo para a grande emigra��o do s�culo XIX (cerca de 50 milh�es foram para a Am�rica, Austr�lia e Nova Zel�ndia). Neste mesmo per�odo, em face da II fase da Revolu��o Industrial, a urbaniza��o cresceu 66% no noroeste europeu (de 26,1 para 43,4% a popula��o urbana) e a escolariza��o das crian�as subiu na Inglaterra de 8 para 59%. No final do s�culo XIX a TN come�ou a baixar, em virtude destes eventos relatados -industrializa��o, urbaniza��o, melhoriias salariais, custos de educa��o das crian�as- portanto a Europa ingressou na segunda fase de transi��o demogr�fica . A Europa, bem como os Estados Unidos, come�aram o per�odo atual de crescimento populacional a partir da d�cada de 1921/30, completando, assim, sua transi��o demogr�fica; no Jap�o foi pouco mais tarde.

b. Nos pa�ses subdesenvolvidos: per�odo primitivo at� a d�cada de 40 do s�culo XX; ? 1a fase de transi��o - da d�cada de 40 a 60 quando ocorreu a explos�o demogr�fica, devido � Revolu��o M�dico-sanit�ria (pela a��o da Organiza��o Mundial de Sa�de, da Cruz Vermelha, de laborat�rios farmac�uticos, cria��o de novos medicamentos-como a penicilina, vacina��o em massa) fazendo decrescer muito a TM, enquanto a TN mant�m-se elevada. ? segunda fase: ap�s 60, quando se deu a inven��o da p�lula anticoncepcional, criou-se o movimento feminista, aumentou a urbaniza��o (=menos filhos).O per�odo atual n�o ocorreu ainda, estando a maioria na II fase (exce��o: os mais pobres da �frica subsaariana e �sia Mon��nica).

 

C) Problema do crescimento demogr�fico x produ��o alimentar: a fome no mundo atual

  • Conforme o Banco Mundial a disponibilidade m�dia planet�ria de alimentos � de de 3% ao ano at� o ano 2.000, enquanto o CV tende a diminuir, embora atualmente os pa�ses mais pobres (perif�ricos pr�-industriais ou menos desenvolvidos) tem um CV = 3% e sofrem a fome. � contrastante observar que, por um lado, os pa�ses centrais completaram sua transi��o demogr�fica e aumentaram a produ��o em face da Revolu��o Industrial e Agr�cola; por outro lado, os pa�ses subdesenvolvidos n�o completaram sua transi��o demogr�fica e ainda n�o solucionaram seus problemas sociais de maior e equitativa distribui��o de renda, bem como de produ��o de alimentos para atender suas popula��es.

  • Fatores estruturais que explicam a fome: alto CV nos "bols�es de pobreza " (�frica subsaariana, �sia Mon��nica, certos pa�ses da Am�rica Latina e do Extremo Oriente), depend�ncia econ�mica (balan�a comercial deficit�ria em face da baixa cota��o dos produtos prim�rios ou "commodities�, al�m de sua manipula��o pelas transnacionais), introdu��o da plantation (agricultura especulativa que se apropriou de muitas e melhores terras e desestruturou a organiza��o tribal de subsist�ncia na �frica), a racionalidade capitalista do lucro (n�o para atender as necessidades do mercado, mas para especular com sua cota��o). Os fatores conjunturais s�o naturais (riscos de enchentes, secas, etc.), pol�ticos (conflitos tribais na �frica, decorrentes do colonialismo europeu artificializando as fronteiras pol�ticas nacionais; guerras �tnicas como as que ocorreram na ex-Iugosl�via).

  • Solu��es propostas ao problema do crescimento demogr�fico: a) Escola neomaltusiana ou pessimista (crescimento demogr�fico � causa e n�o o efeito da pobreza, da� o Estado deve criar pol�ticas antinatalistas e m�todos anticoncepcionais, para n�o desviar os seus investimentos para fins n�o-produtivos, como programas de educa��o e de assis�ncias �s classes populares). Hoje, os ecomaltusianos pregam a necessidade de controle da natalidade como meio eficaz de preserv��o do meio ambiente, pois, segundo sua concep��o, o crescimento demogr�fico aumenta a demanda de recursos da natureza e consequentemente a sua depreda��o. N�o se pode levar efetivamente a s�rio esta proposta ecomaltusiana, pois os pa�ses centrais t�m 1/5 da popula��o mundial, mas respondem por � da polui��o do planeta e por grande parte do consumo destes recursos. b) Escola reformista ou otimista- baseada nas evid�ncias hist�ricas europ�ias no s�culo passado, em que reformas sociais e econ�micas liberaram for�as produtivas, melhoraram o padr�o de vida e diminuiram a TN e assim o CV.

 

2. Distribui��o da Popula��o Mundial

Os limites do ec�meno (mundo habitado) s�o 78o de latitude N do Equador (bordas das Zona Polar �rtica, onde vegeta a tundra) at� 55o de latitude S (=extremo meridional da Am�rica do Sul). A distribui��o da popula��o � irregular mais por fatores hist�ricos e econ�micos do que naturais.

 

A) Fatores naturais -

a.      Relevo- as plan�cies aluvionais (formadas pelos rios) e as costeiras concentram a maior parte da popula��o mundial (55%), vindo em seguida os planaltos (48%).

b. Hidrografia- os rios representaram um fator de sedentariedade dos povos primitivos, criando as civiliza��es de regadio no Egito (devido ao Nilo), na Mesopot�mia (devido aos rios Tigre e Eufrates), na �ndia (rios Indo e Ganges) e na China (rios Amarelo e Azul). Al�m disso, hoje prestam inestim�veis servi�os de irriga��o (em �reas de clima B: �ridos e semi�ridos), de transportes (ex.: o S. Louren�o no NE dos EUA e SE do Canad�, o Reno na Europa Central, o Amazonas e seus afluentes, o Paran� e Paraguai na regi�o platina) e gera��o de energia.

c. Climas- mesmo com toda a tecnologia, os climas polares (com m�dias t�rmicas baix�ssimas e solos gelados), os des�rticos (com a falta de �gua e amplitudes t�rmicas di�rias elevadas) e os equatoriais (com suas chuvas abundantes) dificultam muito a ocupa��o humana.

d. Vegeta��o - as florestas equatoriais, devido � suua biodiversidade e emaranhado de �rvores e cip�s, dificultam a ocupa��o humana (ex.: Amaz�nia= 45% da superf�cie do Brasil, mas s� 2,6% de sua popula��o).

e. Solos- quanto mais se puder obter renda da terra, mais ela � valorizada e atrai mais popula��o. A terra � uma mercadoria no sistema capitalista (=renda absoluta da terra).

 

B) Fatores hist�rico-culturais

O processo de integra��o territorial de um pa�s leva geralmente o Estado a patrocinar ou estimular a ocupa��o de �reas mesmo naturalmente anecum�nicas (ex.: conquista da Sib�ria pelo Imp�rio Russo; a da Amaz�nia e Centro-Oeste pelo Estado brasileiro; o das pradarias e oeste norte-americano pelo Homestead Act). O litoral brasileiro concentra 80% da popula��o devido � coloniza��o portuguesa; a costa L dos EUA � bem povoada por ter sido a primeira a ser colonizada.

 

C) Fatores econ�micos - o trabalho humano se diversifica confforme o tipo de atividade econ�mica e assim vai precisar de maior ou menor ocupa��o da for�a de trabalho (ex.: agricultura mecanizada exige pouca m�o-de-obra, enquanto a rizicultura da �sia Mon��nica concentra quase a metade da popula��o mundial por necessitar de muita m�o-de-obra). Em ordem decrescente, as �reas industriais s�o as mais povoadas, depois as �reas agr�colas, as de cria��o de gado, as de extrativismo e finalmente as de pastoreio n�made, sendo estas as menos povoadas.

         Os fatores a,b e c combinam-se no espa�o e no tempo hist�rico, condicionando a evolu��o econ�mica, a forma��o e a organiza��o do espa�o geogr�fico (=a��o do homem + natureza).

 

3. Migra��es (ou mobilidade geogr�fica das popula��es)

 

A) Fatores - toda e qualquer mobilidade geogr�ficaa de popula��o est� ligada a fatores de atra��o e de expuls�o, principalmente os de natureza econ�mica e, em seguida, os de natureza pol�tica e militar (ex.: �reas industrializadas atraem popula��es de lugares mais pobres; �reas onde ocorrem conflitos expulsam popula��o). Os fatores estruturais (ex; pa�ses desenvolvidos atraem popula��o, enquanto os subdesenvolvidos a expulsam, dependendo do momento hist�rico) e conjunturais (ou circunstanciais- marcados por crises- podem ser naturais, pol�ticas e econ�micas, como enchentes, guerras, recess�o ou paralisa��o das atividades econ�micas) alteram o sentido das migra��es.

         H� uma rela��o estreita entre migra��es, crescimento demogr�fico e econ�mico- geralmente quem migra � m�o-de-obra j� formada, recebendo sal�rio e aumentando o mercado interno; havendo, pois, uma dispers�o populacional de �reas estagnadas (diminuindo sua popula��o absoluta e relativa) e uma concentra��o demogr�fica em �reas pr�speras.

 

B) Tipos de migra��es - quanto ao tempo de dura��o (podem ser definitivas e tempor�rias) e ao espa�o de deslocamento das popula��es ( podem ser internas-dentro dos pa�ses, ou externas).

a.      Migra��es tempor�rias: di�rias ou "commuting"( ex.: os deslocamentos urbanos das grandes metr�poles representados pelas migra��es pendulares entre centro e periferia, cuja intensidade depende do tamanho da �rea metropolitana e da valoriza��o do solo urbano); sazonais (dependem das esta��es do ano, como a transum�ncia entre duas �reas complementares) e por tempo indeterminado (como o turismo, as peregrina��es e o nomadismo- este ainda ocorre ainda em regi�es �ridas e semi�ridas, quem a pratica n�o tem casa fixa e se muda constantemente de um lugar para outro em fun��o de pastos para o gado- como na �frica e �sia central, ou devido ao com�rcio- como no Oriente M�dio).

b. Migra��es externas - a din�mica emigra��o-imigra��o muda nno decorrer do tempo hist�rico. Assim, por exemplo, a Europa no s�culo passado foi uma �rea de emigra��o, em face do alto crescimento vegetativo (primeira fase de transi��o demogr�fica) e consequente falta de terras e de empregos, das revolu��es liberais e nacionalistas. Ap�s a II Guerra Mundial, com a reconstru��o econ�mica propiciada pelo Plano Marshall tornou-se uma �rea de imigra��o (simult�neamente houve a descoloniza��o da �frica e �sia, expulsando as suas popula��es). A partir da Revolu��o tecnocient�fica (l970) mudou o perfil de oferta de empregos (mais qualificados) e retraiu o mercado - assim, hoje, praticam-se restri��es � imigra��o (tamb�m feito pelos EUA pelo mesmo motivo, qual seja a recess�o provocada pelas inova��es cient�ficas).

c. Migra��es internas - das quais destaca-se o �xodo rurall, que na Europa foi intenso nos s�culos XVIII (com os cercamentos, por exemplo, na Inglaterra, aumentando a oferta de trabalho nas cidades onde estava ocorrendo a I Revolu��o Industrial) e XIX (II Rev. Industrial). Nos pa�ses perif�ricos se acentuou ap�s a II Guerra Mundial, ocorrendo uma verdadeira explos�o urbana e metropoliza��o. Iremos estudar os fatores e os efeitos do �xodo rural.

Quanto aos fatores de expuls�o- nos pa�ses centrais o �xodo rural deveu-se � ado��o de novas tecnologias (Rev. Agr�cola); nos pa�ses perif�ricos deve-se ao baixo padr�o de vida reinante no campo, � injusta estrutura fundi�ria(as terras se concentram nas m�os de poucos) e falta de apoio governamental aos pequenos propriet�rios.

Quanto aos fatores de atra��o- nos pa�ses centrais o �xodo rural deveu-se � industrializa��o(gerando empregos urbanos), enquanto nos pa�ses perif�ricos � a influ�ncia dos meios de comunica��o criando uma imagem fantasiosa da cidade.

Quanto aos efeitos do �xodo rural : urbaniza��o (=aumento de popula��o nas cidades) que pode ser integrada (nos pa�ses desenvolvidos, em que industrializa��o criou empregos e mecanizou a agricultura, dinamizando a divis�o local de trabalho- deveu-se a fatores de moderniza��o do campo) e ? urbaniza��o an�mala (nos pa�ses subdesenvolvidos, especialmente naqueles que sofreram industrializa��o com as transnacionais ap�s a II Guerra Mundial, mas tamb�m por causa daqueles fatores de estagna��o no campo). Esta urbaniza��o nos pa�ses perif�ricos se manifesta atrav�s de 2 anormalidades: uma urbana (formas urbanas modernas contrastando com uma periferia marginal sem saneamento b�sico e condi��es humanas de habita��o) e outra setorial (h� uma hipertrofia do setor terci�rio ou de servi�os, com a presen�a do subemprego e do parasitismo social de mendigos, traficantes, assaltantes, pivetes).

   Consequ�ncias gerais das migra��es das migra��es definitivas internas e externas:

ocupa��o e povoamento de novas �reas, organizando o espa�o geogr�fico conforme os padr�es culturais das �reas de origem dos migrantes;

miscigena��o �tnica (ex.: coloniza��o da Am�rica pelos europeus), difus�o cultural (em que a cultura superior predomina sobre a inferior), forma��o de quistos raciais em "ghettos" (devido � discrimina��o de ordem cultural, profissional ou de cor); perda de m�o-de-obra ou "fuga de c�rebros" (como est� ocorrendo hoje com a Europa Oriental e R�ssia, em face da transi��o, acarretando preju�zos para os pa�ses de emigra��o); prolifera��o de grupos neonazistas (xen�fobos e racistas como os holligans, skinheads na Europa) e restri��es � imigra��o (como nos EUA em rela��o aos latinoamericanos e asi�ticos, e na Europa em rela��o aos africanos).Estas duas como decorr�ncia da car�ncia do mercado de trabalho.

 

4. Estrutura da popula��o mundial (composi��o da popula��o por idades, sexos -representada pela pir�mide et�ria - e pelos setores de produ��o).

 

A) Estrutura et�ria e sexual -

a) An�lise de pir�mides et�rias:

  • As faixas et�rias s�o 3: a de jovens (at� 19 anos), adultos (20 a 59 anos) e velhos (+ de 60 anos). O lado direito da pir�mide mostra o percentual de mulheres; o esquerdo, de homens; sua base revela o crescimento vegetativo (se for alto, a base � larga e vice-versa); a altura revela a expectativa de vida (quanto < forem os lados e o �pice da pir�mide, < � a expectativa de vida).

  • Ela demonstra o processo evolutivo demogr�fico de um pa�s, havendo 3 tipos de pir�mide: a de popula��es jovens com base larga; a de popula��es em fase de envelhecimento; a de popula��es envelhecidas - os 2 �ltimos tipos correspondem aos pa�ses que j� completaram toda a transi��o demogr�fica, com baixo CV.

  • Ela retrata o desenvolvimento social e econ�mico dos pa�ses (pa�ses perif�ricos apresentam base larga e contorno afunilado como um tri�ngulo; pa�ses centrais tendem � uma forma retangular com uma base estreita e ponta mais larga (relativa � maior expectativa de vida).

  • Ela mostra a popula��o ativa e inativa e a necessidade de investimentos sociais (pa�ses pobres tem menos PEA (por ter mais popula��o jovem),portanto com mais encargo econ�mico.

B) Fatores condicionantes da estrutura et�ria: depende das particularidades do crescimento vegetativo, das migra��es (quem migra definitivamente e a longas dist�ncias � o homem), de conflitos (h� maior mortalidade masculina que feminina em guerras).

 

C) Caracter�sticas da estrutura et�ria e sexual das popula��es:

  • Nos pa�ses europeus de popula��o velha (ou regime demogr�fico senil) ocorre a redu��o da fecundidade humana e da natalidade e, por outro lado, a eleva��o dos custos de aposentadoria e de assist�ncia m�dica e altera��es no perfil social e cultural da popula��o (velhos s�o mais conservadores que os jovens).

  • Em face de sua incapacidade econ�mica e t�cnica os pa�ses subdesenvolvidos passam por um grave dilema: precisam investir em escolas e melhoria das condi��es m�dico-sanit�rias, mas s�o incapazes disso (ex.: a Nig�ria investe 4,l% do seu PNB de US$ 34 bilh�es, enquanto os EUA investem 13,8% do seu PNB de US$ 5,7 trilh�es).

  • Conforme previs�es da ONU, de l960 a 2000, a juventude demogr�fica permanecer� nos pa�ses africanos (os mais pobres do mundo); a maturidade na Am�rica Latina, S e SE da �sia (com suas popula��es em fase de envelhecimento); a velhice demogr�fica estar� na Am�rica Anglo-Sax�nica e �sia Oriental (j� est� hoje na Europa). A popula��o idosa evoluir� de 5% para 6,5%.

  • Em rela��o � estrutura sexual: um certo equil�brio entre homens e mulheres nos pa�ses pobres, enquanto na CEI, Europa e EUA h� um pouco mais de mulheres; a mortalidade � > entre os homens; a popula��o ativa feminina � maior nos pa�ses centrais e em todos os lugares ela sofre discrimina��es quanto a sua intelig�ncia e papel na sociedade, al�m de ser submetida a dupla jornada de trabalho nas classes populares.

D) Distribui��o setorial da PEA (estrutura ocupacional da popula��o)

A organiza��o das atividades econ�micas nos 3 setores de produ��o � discut�vel, porque:

  • o setor prim�rio � rural, mas com a verticaliza��o provocada pelos complexos agroindustriais ele � cada vez mais industrializado;

  • o setor terci�rio antes tinha uma fun��o complementar aos outros (indu��o ao consumo de produtos prim�rios e secund�rios), mas agora aumenta a produtividade dos setores prim�rio (pela biotecnologia) e secund�rio (pela automatiza��o, robotiza��o e inform�tica), pois inclui o setor quatern�rio (pesquisas cient�ficas e tecnol�gicas). Al�m disto, a terceiriza��o est� provocando a aloca��o de servi�os antes inclu�das apenas no terci�rio.

Os setores urbanos de produ��o formam os circuitos superior e inferior, que s�o opostos, mas complementares quanto � tecnologia (capital e trabalho-intensivo, respectivamente), organiza��o (burocr�tica e primitiva), estoques (grandes e qualitativos, pequenos), etc.

A distribui��o setorial da PEA (que trabalha e recebe uma renda) revela a estrutura socioecon�mica dos pa�ses. Assim vejamos:

a.      Pa�ses pr�-industriais- a > parte da PEA est� no setor prim�rio, revelando muito uso de energia bra�al e que o pa�s n�o teve uma Revolu��o Agr�cola (=< submiss�o � natureza e + tecnologia). O espa�o da produ��o e da circula��o � desarticulado, com pequena interdepend�ncia na divis�o local e regional do trabalho, sendo o mercado interno fraco (at� a rede ferrovi�ria � perif�rica ou litor�nea, ligando as �reas produtoras aos portos para facilitar a exporta��o).

b. Pa�ses subdesenvolvidos industrializados da Am�rica Latina- cerca de 25% da PEA no setor secund�rio e o dobro no terci�rio(=hipertrofia) revelando uma industrializa��o desintegrada (n�o atende aos interesses nacionais), tardia (ap�s a I Guerra Mundial), multinacionalizada e oligopolizada (pelos cart�is formados pelas transnacionais)

c. Pa�ses centrais - devido a Revolu��o Industrial e Agr�cola h� pouca PEA no setor prim�rio e hoje, com a Revolu��o tecnocient�fica, ocorre a terciariza��o da PEA (=deslocamento do setor secund�rio para o terci�rio). Na tr�ade (EUA-Europa Ocidental-Jap�o) observa-se o seguinte:

Estado e grandes empresas s�o os grandes financiadores de pesquisas de alto n�vel;

Cria��o de tecn�polis (cidades planejadas para desenvolverem atividades quatern�rias) estabelecendo-se uma Terceira Onda com base em 4 n�cleos (eletr�nica e computa��o= ;

ind�stria espacial-? , aproveitamento de riquezas mar�timas- ? , biotecnologia ).

Desterritorializa��o das a��es humanas pelas infoway (apenas a gest�o e coordena��o das grandes empresas ficam nos pa�ses centrais, j� a fabrica��o n�o est� mais tanto condicionada � proximidade de fontes de energia e mat�rias-primas).A economia industrial antigamente era agregada em grandes centros, que se tornavam p�los de atra��o de outras ind�strias (congestionando os fluxos de transportes), hoje est� ocorrendo a economia de desaglomera��o em face das facilidades tecnocient�ficas (=descentraliza��o em busca de facilidades de transportes).

 

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