Geografia Geral - Conflitos

 

 

Conflitos atuais

TIPOS DE CONFLITOS, ASCENS�O DO NACIONALISMO, FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO, FOR�AS INTERNACIONAIS

 A multiplica��o dos conflitos internos � uma caracter�stica marcante da �ltima d�cada do s�culo XX. A desintegra��o de Estados socialistas � principalmente a Uni�o Sovi�tica (URSS) e a Iugosl�via � faz renascer rivalidades �tnicas e religiosas que haviam sido congeladas por regimes totalit�rios. Confrontos herdados da Guerra Fria, como a guerra civil em Angola, tamb�m resistem � chegada do ano 2000. Ao mesmo tempo, avan�am as negocia��es de paz em algumas regi�es, com destaque para o Oriente M�dio, a Irlanda do Norte e Timor Leste. Aumenta ainda a capacidade de interven��o militar dos Estados Unidos (EUA) nas zonas de conflito, por causa da aus�ncia de rivais geopol�ticos de porte. A Federa��o Russa, que at� ent�o disputava a hegemonia mundial com os norte-americanos, atravessa os anos 90 mergulhada em uma grave crise interna.

 Os conflitos s�o classificados em quatro categorias, de acordo com as for�as em lit�gio. A primeira envolve dois ou mais Estados. As demais tratam de disputas internas: guerra civil ou guerrilha para mudan�a de regime; separatista decorrente de ocupa��o estrangeira; e separatista no interior de um Estado. Os conflitos podem tamb�m ter forte conota��o �tnica ou religiosa. A guerra civil no Afeganist�o, por exemplo, op�e fundamentalistas mu�ulmanos da mil�cia Taliban (patane) a grupos isl�micos de outras etnias (tadjique, uzbeque e hazar�). A origem religiosa distinta � fonte de tens�o no Sri Lanka, onde t�meis (hindu�stas) e cingaleses (budistas) est�o em luta desde os anos 80.

 TIPOS DE CONFLITOS � Ao todo, 27 confrontos armados acontecem no mundo, segundo o Anu�rio Sipri, publicado em 1999 pelo Instituto Internacional de Pesquisas sobre a Paz, de Estocolmo, na Su�cia. A grande maioria � interna, e as guerras entre Estados praticamente inexistem. O fato mais importante do ano no cen�rio internacional � a campanha de bombardeios da Organiza��o do Tratado do Atl�ntico Norte (Otan) contra a Iugosl�via, liderada pelos EUA. Esse � o primeiro ataque da Otan a uma na��o soberana em seus 50 anos de hist�ria.

 Guerra entre Estados � Embate entre ex�rcitos nacionais regulares. At� o final de 1999, o mais s�rio deles � a disputa entre �ndia e Paquist�o, duas pot�ncias nucleares, pela posse da regi�o da Caxemira. V�rios pa�ses do centro e do sul da �frica tamb�m est�o envolvidos em um confronto que se desenrola no territ�rio da Rep�blica Democr�tica do Congo (RDC) e tem como epicentro a rivalidade ancestral entre as etnias hutu e tutsi.

 Guerra civil ou guerrilha � Conflito em que movimentos armados ambicionam derrubar o governo de um determinado pa�s. Atualmente, um dos mais expressivos s�o as For�as Armadas Revolucion�rias da Col�mbia (Farc), que controlam uma �rea desmilitarizada de 42 mil quil�metros quadrados na na��o. Na Arg�lia, as guerrilhas fundamentalistas Frente Isl�mica de Salva��o (FIS) e Grupo Isl�mico Armado (GIA) reivindicam a cria��o de um Estado teocr�tico.

 Separatismo decorrente de ocupa��o estrangeira � Confronto provocado por uma invas�o militar externa. Nessa categoria, merece destaque a reivindica��o dos palestinos pelo reconhecimento de um Estado independente nos territ�rios ocupados por Israel em 1967 � Faixa de Gaza e Cisjord�nia. Outro exemplo � o conflito separatista em Timor Leste, ex-col�nia portuguesa de maioria cat�lica anexada pela Indon�sia, em 1975.

 Separatismo no interior de um Estado � Choque entre for�as oficiais e movimentos internos � em geral, ligados a minorias �tnicas ou religiosas � que t�m como objetivo a forma��o de Estados independentes. � o caso do Ex�rcito Republicano Irland�s (IRA), partid�rio da autonomia dos cat�licos, grupo minorit�rio na Irlanda do Norte, uma prov�ncia do Reino Unido.

 ASCENS�O DO NACIONALISMO � As tens�es mais emblem�ticas do per�odo p�s-Guerra Fria ocorrem em pa�ses do extinto bloco comunista, no Leste Europeu. A fal�ncia do modelo de partido �nico e a liberaliza��o do regime estimulam um desordenado processo de afirma��o das particularidades nacionais. Dezenas de movimentos voltados para a recupera��o de tradi��es hist�ricas, culturais, �tnicas e religiosas surgem na ex-URSS e na Iugosl�via. Atualmente, a principal amea�a � unidade territorial da Federa��o Russa � a Chech�nia, onde mu�ulmanos est�o em guerra contra o poder central russo pela independ�ncia da regi�o. A luta separatista dos abkh�zios e dos ossetas na vizinha Ge�rgia tamb�m ganha impulso ap�s a dissolu��o da URSS. Em muitos casos, a dif�cil situa��o econ�mica faz com que essa tend�ncia de "retorno �s origens" seja manipulada por l�deres populistas. Com o objetivo de apontar vil�es para a crise, dirigentes como o s�rvio Slobodan Milosevic incitam antigas inimizades e ressentimentos entre os povos � neste caso, as que op�em croatas e s�rvios nos B�lc�s. O nacionalismo tamb�m se manifesta em regi�es perif�ricas da economia mundial, a exemplo da �frica Subsaariana, onde as fronteiras pol�ticas institu�das com a coloniza��o e, posteriormente, com a independ�ncia n�o obedecem �s divis�es �tnicas, religiosas e ling��sticas da popula��o. Durante a Guerra Fria, as elites de v�rios pa�ses africanos mant�m a coes�o nacional gra�as ao apoio dos EUA ou da URSS. Sem esse suporte, Estados como a Rep�plica Democr�tica do Congo, Serra Leoa e Som�lia enfrentam guerras violentas.

 FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO � O fortalecimento de grupos fundamentalistas � que buscam nos fundamentos da religi�o a base para a organiza��o da vida social e pol�tica � � visto como resposta � incapacidade dos governos de solucionar o problema do aumento da mis�ria e do desemprego e da concentra��o de renda. Em regi�es de forte tradi��o religiosa, fac��es fundamentalistas assumem a vanguarda do combate ao modelo econ�mico vigente. � o caso do mundo �rabe � que inclui na��es como Arg�lia, Egito e Jord�nia �, onde o fundamentalismo se torna o maior desafio aos dirigentes alinhados com o Ocidente. Na �ndia, o governo ultranacionalista hindu conquista o apoio das camadas populares com medidas que reafirmam a ess�ncia hindu�sta do pa�s e, ao mesmo tempo, abalam o ideal de um Estado secular incorporado a sua Constitui��o.

 FOR�AS INTERNACIONAIS � Nos anos 90, os EUA comandam as maiores coaliz�es militares internacionais formadas ap�s o fim da II Guerra Mundial. A primeira atua na Guerra do Golfo (1991), quando o Conselho de Seguran�a da ONU (Organiza��o das Na��es Unidas) autoriza o ataque ao Iraque. Em 1999, o bombardeio � Iugosl�via ocorre diante da amea�a de que a repress�o aos albaneses de Kosovo provocasse um grande conflito pr�ximo � Europa Ocidental. Como a Federa��o Russa � aliada da Iugosl�via � poderia vetar a ofensiva externa no Conselho de Seguran�a, os EUA planejam a opera��o por meio da Organiza��o do Tratado do Atl�ntico Norte (Otan), alian�a militar ocidental que lideram.

 Interven��es de tropas norte-americanas na Som�lia (1992-1994) e no Haiti (1994-1995), por outro lado, n�o alcan�am o objetivo de p�r fim aos conflitos nesses pa�ses.

 A��es humanit�rias � A d�cada de 90 tamb�m registra a crescente participa��o da comunidade internacional em opera��es de car�ter humanit�rio. Organiza��es como a Cruz Vermelha e a M�dicos sem Fronteiras est�o presentes em v�rios conflitos com o objetivo de dar al�vio imediato a popula��es civis amea�adas. � cada vez mais importante o papel de entidades como a Anistia Internacional ou a Human Rights Watch, que denunciam a persegui��o pol�tica e a viola��o dos direitos humanos por regimes que cometem crimes contra os pr�prios povos.

O mundo em conflito 

Para saber mais sobre o conflito � s� clicar nos nomes das regi�es que est�o acima e abaixo do mapa ou nos seus alvos correspondentes em vermelho.

1- TIBETE
Luta pela autonomia do Tibete, regi�o dominada pelos chineses de 1720 a 1912 e a partir de 1950. Os conflitos na regi�o j� deixaram mais de 1,2 milh�o de mortos desde 1950. O 14� Dalai Lama, Tenzin Gyatso, � o l�der espiritual e pol�tico do tibetanos.





2- PA�S BASCO
Regi�o localizada entre a Fran�a e a Espanha (onde est� a maior parte do territ�rio basco). A a��o do ETA (P�tria Basca e Liberdade) - grupo terrorista que luta pela independ�ncia da regi�o - se concentra na Espanha.


3- TIMOR LESTE
Ex-col�nia portuguesa, a regi�o foi anexada � Indon�sia logo depois da retirada de Portugal do Timor. A Frente Revolucion�ria do Timor Leste Independente (Fretilin) - que chegou a proclamar uma rep�blica no Timor Leste em 1975 - luta pela independ�ncia da regi�o. A possibilidade de autonomia ou at� de independ�ncia do Timor Leste aumenta com a abdica��o do ex-ditador Suharto e da ascens�o de Habibie. 

 

A luta pela independ�ncia

O governo da Indon�sia fez uma forte repress�o militar, for�ou a ado��o da l�ngua indon�sia e a islamiza��o
dos habitantes, na sua maioria cat�licos

    Descoberto em 1529 pelos portugueses, o Timor � uma ilha que faz parte do arquip�lago da Indon�sia. At� a metade da d�cada de 70, a parte oriental da regi�o, o Timor Leste, esteve sob o dom�nio de Portugal - a parte ocidental, ex-col�nia holandeesa, faz parte da Indon�sia desde 1945. Em 1975, com a retirada portuguesa, duas correntes armadas iniciam uma disputa pelo territ�rio. A Uni�o Democr�tica de Timor (UDT), que ap�ia a integra��o do Timor Leste � Indon�sia, e a Frente Revolucion�ria do Timor Leste Independente (Fretilin), que defende a independ�ncia da regi�o.

    Em dezembro de 1975, apoiada pela maioria da popula��o, a Fretilin proclama a independ�ncia do Timor Leste. Dez dias depois a Indon�sia invade a ilha e, em julho de 1976, apesar da reprova��o da Organiza��o das Na��es Unidas (ONU), transforma o territ�rio em sua 27� prov�ncia - essa anexa��o at� hoje n�o foi reconhecida pela ONU. Com a invas�o indon�sia os ex�rcitos da Fretilin se refugiam nas montanhas e iniciam combates de guerrilha contra os ocupantes. Os conflitos duram at� hoje e j� fizeram mais de 200 mil mortos.

    O governo da Indon�sia fez uma forte repress�o militar. For�ou
a ado��o da l�ngua indon�sia e a islamiza��o dos habitantes, na sua maioria cat�licos. Essa atitude fez com que aumentasse a simpatia pelas for�as que pregavam a independ�ncia do Timor Leste. A partir da� surgiram v�rias lideran�as: Xanana Gusm�o (leia abaixo), l�der do Conselho Nacional da Resist�ncia Timorense (CNRT), foi um deles. Em 1996, outros dois, o bispo Carlos Belo e o ativista exilado Jos� Ramos Horta, receberam o Pr�mio Nobel da Paz. Isso fez com que o conflito retornasse aos notici�rios de todo mundo, conferindo uma maior dimens�o � luta timorense.

    No dia 5 de maio de 1999, Indon�sia e Portugal firmaram, sob o patroc�nio da ONU, acordo que abriu caminho para o plebiscito em que a popula��o do Timor Leste iria decidir entre a independ�ncia ou anexa��o - com uma certa autonomia - ao territ�rio indon�sio. A consulta popular foi realizada no dia 30 de agosto de 1999 e referendou a op��o pela independ�ncia. Desde o an�ncio da realiza��o do plebiscito a viol�ncia aumentou assustadoramente e centenas de pessoas foram assassinadas, a maioria pelas m�os de grupos paramilitares pr�-Indon�sia.

Gusm�o est� livre



    O l�der do Conselho Nacional da Resist�ncia Timorense (CNRT), Xanana Gusm�o (foto), condenado a 20 anos de pris�o por compl� contra o Estado indon�sio, cumpriu sete anos e foi libertado no dia 07/9 de 1999. Chefe da guerrilha do Timor Leste, Xanana � a alma da luta separatista da ex-col�nia portuguesa.

    Nascido no dia 20 de junho de 1946 na zona norte do Timor Leste, Xanana, cujo verdadeiro nome � Jos� Alejandro Gusm�o, � filho de um professor. Depois de um r�pida passagem por um semin�rio cat�lico, tornou-se jornalista. Xanana � casado e tem dois filhos.     Em 1974, passou a integrar a Associa��o Democr�tica do Timor, transformada na Frente Revolucion�ria do Timor Leste Independente, movimento que proclamou a independ�ncia da prov�ncia. L�der da guerrilha, Xanana conseguiu atrair a aten��o internacional e foi preso em 20 de novembro de 1992. Em 1993, foi condenado � pris�o perp�tua. A pena foi comutada para 20 anos de pris�o.

 

Timor Leste


Situa��o geogr�fica: a 2,5 mil quil�metros a leste da capital indon�sia, Jacarta, o territ�rio do Timor Leste, muito montanhoso, pertence ao arquip�lago da Sonda. Tem uma superf�cie de 14.615 km�

Popula��o: mais de 800 mil habitantes

Clima: Equatorial

Idiomas locais: tetum, baibenu, n�diki e kairui

Capital: Dili

Religi�o: maioria cat�lica

Economia: os principais recursos prov�em do caf�, do trigo e do arroz

For�as: as for�as indon�sias presentes em seu territ�rio somam 15 mil homens. A pol�cia conta com 8 mil.






4- CAXEMIRA
A regi�o, que est� na sua maior parte sob dom�nio indiano e cuja popula��o � majoritariamente mu�ulmana, � disputada pelo Paquist�o e pela �ndia desde a independ�ncia do subcontinente indiano, em 1947, levando as duas na��es a entrar em guerra duas vezes. Em 1998, as aten��es se voltaram novamente para a regi�o em fun��o de testes nucleares realizados pelas duas na��es.

A guerra pela Caxemira

A tens�o na regi�o serve de justificativa para que as duas na��es militarizem suas fronteiras e gastem muito dinheiro com tecnologias b�licas

Soldados indianos procuram minas explosivas    O Paquist�o e a �ndia disputam a regi�o da Caxemira desde a independ�ncia do subcontinente indiano, em 1947. Foi nesse ano que os dois pa�ses foram criados. Com a divis�o, as centenas de principados semi-aut�nomos espalhados pelo sub-continente tiveram de optar pela integra��o a uma das na��es. O Paquist�o tem uma maioria mu�ulmana enquanto que a �ndia � dominada pelos hindus.

     A �rea que hoje corresponde ao estado indiano de Jammu e Caxemira era chefiada por um maraj� hindu, que resolve incorpor�-la � �ndia. Essa atitude contraria o Paquist�o e d� in�cio aos primeiros conflitos que envolvem toda a regi�o da Caxemira, de 1947 a 1948. O resultado � a divis�o, comandada pela ONU, em 1949, de uma parte para a �ndia (Jammu e Caxemira) e outra para o Paquist�o (Azad Caxemira). No in�cio da d�cada de 60, uma parte do leste da Caxemira Indiana � ocupada pela China. At� hoje a �ndia reclama essa �rea para si, embora nenhum dos dois pa�ses ousem enfrentar o gigante chin�s. Outra disputa, ocorrida em 1965, n�o ocasionou modifica��es territoriais.

Soldados indianos observam companheiro ferido em combate
    Na d�cada de 80, com o crescimento do fundamentalismo mu�ulmano, fortaleceu-se o movimento separatista na Caxemira indiana, que conta com o apoio do Paquist�o. Seus integrantes querem a independ�ncia do territ�rio ou sua anexa��o ao Paquist�o. Os confrontos se intensificaram nos anos 90 motivados pelo radicalismo crescente dos guerrilheiros paquistaneses e, no lado indiano, pelo acirramento da repress�o militar e do fundamentalismo hindu. Mesmo com v�rias rodadas de conversa��es tentando a solu��o do conflito, nenhuma das partes admite ceder territ�rios, o que torna a situa��o mais cr�tica.

    A tens�o na Caxemira serve de justificativa para que as duas na��es militarizem suas fronteiras e, mesmo sendo pa�ses com enormes taxas de pobreza, gastem muito dinheiro em tecnologias b�licas. �ndia e Paquist�o j� constru�ram suas bombas at�micas. O primeiro, come�ou seus testes em 1974 e explodiu sua �ltima bomba em 1998. J� o Paquist�o, sentindo-se provocado, tamb�m testou sua tecnologia at�mica no mesmo ano. Atualmente, a �ndia controla dois ter�os da regi�o e acusa o Paquist�o de treinar e armar os separatistas.

Os conflitos se acirraram na d�cada de 90

 Na d�cada de 90, cresceu o movimento armado pela independ�ncia da Caxemira. O conflito entre os guerrilheiros apoiados pelo Paquist�o e os 400 mil soldados indianos que est�o na Caxemira deixaram at� hoje um saldo de 24 mil mortos, em n�meros divulgados pela �ndia, ou 60 mil, de acordo com os rebeldes mu�ulmanos. No final de maio de 99, mais de 500 rebeldes paquistaneses conquistaram posi��es estrat�gicas na faixa de territ�rio que pertence � �ndia. A rea��o hindu veio atrav�s de um bombardeio a�reo. Foi o in�cio de mais uma guerra entre os dois pa�ses e de uma grande preocupa��o para o resto do mundo que ainda n�o esqueceu dos testes nuclares de 1998.

 
5 - SAHARA OCIDENTAL
Regi�o disputada pelo Marrocos (que controla a regi�o desde a d�cada de 70) e pela Frente Polis�rio (que luta pela independ�ncia da regi�o).



6- KOSOVO
A prov�ncia iugoslava, cuja maioria da popula��o � de origem albanesa, luta pela independ�ncia desde que sua autonomia foi retirada no in�cio da d�cada. Em 1998, o conflito se acirra e, em 1999, a Otan realiza ataques a�reos e amea�a invadir a Iugosl�via por terra, com justificativa de proteger a estabilidade da Europa e tamb�m a popula��o albanesa.

Kosovo tem medo do futuro

 A regi�o necessita de ajuda, mas os EUA s� ir�o colaborar se Slobodan Milosevic deixar o poder


    Foram 78 dias de bombardeios, mais de 800 mil deportados, centenas de alvos destru�dos, bilh�es de d�lares consumidos e um acordo de paz. E agora? Se o documento assinado por Belgrado for cumprido � risca, os tempos de guerra ficar�o para tr�s. Mas o horizonte ainda � nebuloso. O retorno dos refugiados � prov�ncia � um processo delicado para a Organiza��o das Na��es Unidas (ONU). Eles n�o t�m teto, nem comida. Sobram-lhes, no entanto, traumas psicol�gicos e uma profunda raiva dos vizinhos s�rvios que realizaram um processo inverso ao assistido no meio do conflito e fugiram de Kosovo. O papel da R�ssia na for�a de paz (Kfor) ainda n�o est� claro, mas � essencial � opini�o un�nime entre analistas internacionais. Kosovo precisa de ajuda, mas os EUA s� ir�o colaborar se Slobodan Milosevic deixar o poder. A coer��o acabou. No entanto, o caminho que leva a uma solu��o est� apenas no come�o.


O papel da for�a de paz

    A for�a internacional de paz em Kosovo (Kfor), com um contingente total de 50 mil homens, tem a miss�o de normalizar a situa��o na prov�ncia. Isso significa, precisamente, verificar a retirada total das tropas iugoslavas e for�as paramilitares e policiais s�rvias, intervir em conflitos civis entre kosovares descendentes de albaneses e s�rvios e garantir o retorno seguro dos refugiados. Outra miss�o ser� controlar a ira do Ex�rcito de Liberta��o de Kosovo (ELK), que prometeu depor as armas � medida que a Kfor tomasse conta da prov�ncia, mas isso dificilmente acontecer�. Devem ocorrer enfrentamentos entre o ELK e os s�rvios. A miss�o da Kfor � complicada e longa, por isso n�o h� prazo para sua retirada de Kosovo. O plano de paz submetido ao Conselho de Seguran�a da ONU prev� a perman�ncia dos soldados por 12 meses � prazo que pode ser estendido indefinidamente.

     As principais controv�rsias que cercam a Kfor s�o a sua constitui��o e a sua distribui��o em Kosovo. Os russos est�o momentaneamente apartados dos movimentos da Kfor, especialmente pelo incidente do dia 11 de junho de 1999, quando as tropas de Moscou entraram em Kosovo antes dos soldados da Otan, quebrando o acordo de ocupa��o da prov�ncia. A R�ssia tamb�m reivindica uma zona de controle pr�prio, o que desagrada os Estados Unidos.


A participa��o russa

    O papel da R�ssia na economia mundial e seu arsenal nuclear fazem do pa�s um inimigo indesej�vel para outras na��es. Portanto, analistas de pol�tica internacional acham essencial que o pa�s fa�a parte da for�a de paz, mesmo porque sua participa��o nas negocia��es foi decisiva para se chegar a um acordo de paz � e especialmente porque os russos s�o �irm�os de sangue� dos s�rvios, os dois povos de etnia eslava.


O retorno dos refugiados

    Uma das maiores preocupa��es da Otan � quanto ao retorno dos mais de 800 mil kosovares descendentes de albaneses que foram expulsos da prov�ncia desde o come�o da ofensiva a�rea da Alian�a Atl�ntica contra a Iugosl�via, no dia 24 de mar�o de 1999. Ningu�m sabe exatamente o que pode ocorrer quando eles se reencontrarem com s�rvios de Kosovo, que, antes da guerra, formavam apenas 10% da popula��o local. Fam�lias inteiras de s�rvios est�o fugindo de Kosovo. Quem ficar dever� enfrentar vingan�a e viol�ncia.

     O Alto Comissariado das Na��es Unidas para os Refugiados (Acnur), encarregado de organizar o retorno dos refugiados, precisar� de muito dinheiro para aloj�-los e aliment�-los. N�o h� prazo para o restabelecimento definitivo dos descendentes de albaneses.


A reconstru��o

    O FMI e outras institui��es financeiras arriscam n�meros sobre o custo da reconstru��o de Kosovo. Algo em torno de US$ 3 bilh�es a US$ 5 bilh�es. O governo de Belgrado fala em US$ 30 bilh�es. N�o h�, no entanto, estimativa oficial sobre o tamanho do preju�zo. A Uni�o Europ�ia (UE) est� disposta a assumir parte deste processo. Em poucas semanas, haver� uma confer�ncia dos 15 governos da UE, mais EUA, Jap�o, Canad� e outros pa�ses, para discutir o assunto. O presidente Bill Clinton, que poderia mandar a maior parte do dinheiro, n�o ajudar� a Iugosl�via enquanto Milosevic estiver no poder.


O destino de Milosevic

     Condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia por crimes de guerra e contra a humanidade, o presidente iugoslavo est� num beco sem sa�da. Al�m da press�o americana, enfrenta a desintegra��o de seu governo � muitos de seus colaboradores abandonaram o poder, fortalecendo a oposi��o. Analistas pol�ticos pregam que este � o momento exato para se promover mudan�as na S�rvia, mesmo porque, o pa�s se tornar� cada vez menos vi�vel com Milosevic.

     O mais seguro para a comunidade internacional � e o mais eficaz para a Iugosl�via � n�o seria intervir para derrubar o presidente, mas observar o pr�prio povo s�rvio se revoltar e exigir sua sa�da. Apesar de agir como um ditador, Milosevic foi eleito democraticamente pelo povo.

 
7- ARG�LIA
Pa�s mais afetado pelo fundamentalismo isl�mico no norte da �frica, est� em guerra civil desde 1992, depois do golpe de governo que anulou as eli��es vencidas pelo Partido da Frente Isl�mica de Salva��o (FIS). A FIS e o Grupo Isl�mico Armado (GIA) reagem ao golpe, promovendo massare � popula��o civil.


8- COL�MBIA
A a��o das For�as Armadas Revolucion�rias da Col�mbia (FARC) e do Ex�rcito de Liberta��o Nacional (ELN) realiza ataques terroristas em territ�rio colombiano. At� abril de 1998, as for�as guerilheiras ocupavam cerca de 40% do territ�rio colombiano. 

COL�MBIA:

QUEM MANDA NESTE PA�S?

O conflito colombiano � um dos mais antigos da Am�rica Latina. Tem suas origens no processo de independ�ncia do pa�s, no qual conservadores e liberais disputavam o poder. Nos anos 60, os liberais fundaram as For�as Armadas Revolucion�rias da Col�mbia com o objetivo de estabelecer um estado socialista. Outros grupos de esquerda aderiram a causa. Entre eles o ELN - Ex�rcito de Liberta��o Nacional - que conta hoje com 6.000 homens e � um dos remanescentes do processo.

Ap�s anos de combates, um novo agravante entra em cena durante os anos 80 e 90: o tr�fico de drogas. Que passa a ser um dos principais financiadores do movimento. Com o fim da Guerra Fria, a FARC teve que procurar novas formas de captar fundos para a causa revolucion�ria. Al�m do ped�gio pela prote��o de traficantes e plantadores de coca contra o Ex�rcito Colombiano, que s�o o grosso dos 500 milh�es arrecadados, os grupos revolucion�rios cobram tributos da popula��o que vive na regi�o sob seu controle. Esses territ�rios ocupados s�o 40% da Col�mbia, uma �rea do tamanho da Su��a que tem um governo auton�mo com leis e justi�a pr�prias.

Com a discupa de acabar com o tr�fico de drogas colombianas para os EUA, os norte-americanos desde 1999 fazem amea�as de invas�o da Col�mbia por suas tropas. Mas na verdade a ocupa��o j� come�ou, os ianques j� est�o intervendo diretamente no territ�rio, manipulando o governo local e treinando suas tropas. E j� planejam uma maior interven��o, precionando pa�ses vizinhos para que participem da quest�o. O Equador j� sedeu uma base e os brasileiros est�o sendo pressionados para liberar a circula��o de tropas colombianas e norte-americanos na Amaz�nia Brasileira. E os norte-americanos tamb�m afirmam que os grupos guerrilheiros est�o atravessando a fronteira, se escondendo das for�as governamentais no Brasil. Fazendo com que Washington exija uma a��o mais rigorosa do ex�rcito brasileiro na fronteira.

Ap�s os atentados de 11 de Setembro, os EUA vem fazendo uma campanha contra o terror no mundo inteiro. O primeiro passo foi o ataque ao Afeganist�o, mas outros pa�ses que d�o apoio a terroristas podem ser tamb�m atacados. A Col�mbia, como �rea de conflito e produ��o de drogas, n�o vai ficar de fora. Por�m os EUA v�o exigir a participa��o dos pa�ses vizinho, e como eles j� disseram: "Quem n�o est� do nosso lado, est� do outro". Ent�o � hora do Brasil negociar. Se for fazer o servi�o "sujo", vai ter que ter um pre�o. Se o nosso presidente n�o der mais uma mancada, ele vai ter que pedir em troca no m�nimo um up-grade no arsenal brasileiro e, porque n�o, discutir assuntos com�rciais como ALCA.

 
9- ULSTER
Conflito entre a maioria protestante e a minoria cat�lica. Os protestantes defendem a manuten��o do controle da regi�o pelo Reino Unido. J� os cat�licos lutam pela incorpora��o da regi�o � Rep�blica da Irlanda (ou Eire). Desde a d�cada de 70, O IRA (Ex�rcito Republicano Irland�s) executa ataques terroristas na regi�o e tamb�m em outras cidades do Reino Unido, como Londres. Em 1998, foi assinado um acordo de paz entre l�deres cat�licos e protestantes.


10- REP�BLICA DEMOCR�TICA DO CONGO
A etnia tutsi baniamulengue (a mesma que derrubou a ditadura de Mobutu Sese Seko e que colocou Laurent Kabila no poder) se rebelou contra Kabila. A rebeli�o est� contida no momento.


11- NORTE E LESTE DO SRI LANKA
Guerrilheiros da etnia t�mil (minoria �tnica no Sri Lanka) lutam pela independ�ncia da P�tria T�mil. As a��es guerrilheiras contra as tropas cingalesas (a maioria da popula��o � cingalesa) j� duram mais de 15 anos.


12- CHIPRE
Ilha localizada no leste do Mar Mediterr�neo, � disputada por turcos e gregos.


13 - AFEGANIST�O

Guerra civil entre diversas etnias. A etnia patene, que formou a mil�cia fundamentalista Taliban, controla a maior parte do pa�s.

AFEGANIST�O:

A CA�A COME�OU AQUI

A vingan�a contra os Ataques de 11 de Setembro se materializou numa ofensiva global Norte-Americana contra o Terrorismo. E o primeiro ato neste sentido foi a derrubada do regime do Talib� no Afeganist�o que ocorreu durante o m�s de Novembro e no in�cio de Dezembro de 2002. Este pa�s abrigava Bin Laden e campos de treinamento de sua organiza��o terrorista, Al Qaeda.

A invas�o norte-americana foi arquitetada com apoio de pa�ses vizinhos do inimigo, como o Paquist�o e o Uzbequist�o, e de grandes pot�ncias como Inglaterra e R�ssia. Desde o in�cio do conflito, os norte-americanos procuraram tamb�m trazer para seu lado os grupos afeg�os que eram inimigos dos Talib�s. O primeiro foi a Alian�a do Norte, grupo de etnia uzbeque, minoria no pa�s, que vive na fronteira com o Uzbequist�o.

Assim, EUA e Reino Unido escaparam dos erros do passado ao se aliarem aos opositores internos do Talib� e partirem para a t�tica de bombardeios. Deixando o ataque cara-a-cara com quem melhor conhecia o terreno. A opera��o teria que ser r�pida, pois o rigoroso inverno afeg�o se aproximava. Assim, o governo norte-americano, com o aux�lio do primeiro-ministro ingl�s, Tony Blair, apressou as negocia��es com os futuros aliados. O espa�o a�reo paquistanes foi ent�o liberado (com barganha financeira) e a Alian�a do Norte recebeu armamento russo para os combates por terra.

O in�cio da opera��o foi marcado por um intenso bombardeio que duraram tr�s dias. Os bombardeios tinham como fun��o enfraquecer o inimigo e permitir a ofensiva por terra. Inicialmente foi atacada a retaguarda inimiga de modo a destruir as rotas de suprimento e dizimar as tropas de refor�o. Voando a grande altitudes, fora do alcance das defesas talib�s, os avi�es da alian�a ocidental destru�ram guarni��es militares, aeroportos, avi�es inimigos e centros de comunica��o. Ap�s a tomada do espa�o a�reo, os avi�es passaram a voar mais baixo e puderam atacar alvos menores como blindados e tropas. Apesar de todo o aparato tecnol�gico, os ataques das for�as ocidentais n�o foram perfeitos. Alguns hospitais e at� mesmo postos da ONU foram atingidos.

J� as tropas da Alian�a do Norte avan�avam rumo a Mazar-e-Sharif, importante cidade habitada por um povo de mesma origem, uzbeque. Ela estava sob dom�nio do Talib� desde 1998 e fica a menos de 200 km de Cabul. As duas cidades s�o ligadas por uma das �nicas estradas asfaltadas do pa�s. Ou seja, se Mazar-e-Sharif fosse tomada, o caminho para Cabul estaria aberto. Mas a tomada da cidade foi retardada pelos pr�prios norte-americanos. Temendo que a vit�ria ficasse nas m�os de uma �nica etnia, o qu� provocaria uma guerra civil depois da tomada do pa�s, os EUA bombardearam Mazar-e-Sharif durante todo o in�cio do conflito. Enquanto isso eles procuravam ganhar apoio de outros grupos. A cidade s� foi tomada depois de um acordo com o comandante talib� que controlava a regi�o. Ele passou para o lado ianque e permitiu a passagem da cavalaria da Alian�a do Norte pela cidade. Mazar-e-Sharif foi a primeira vit�ria. Logo em seguida Cabul cairia tamb�m.

Sem refor�os e suprimentos devido aos bombardeios norte-americanos, os Talib�s acabaram recuando para o sul rumo a Kandahar, cidade na qual ficava seu centro de comando. Enquanto isso a Alian�a do Norte consolidava o seu controle no norte do pa�s. O cerco e a tomada de Kandahar seria o golpe final. Mil fuzileiros navais norte-americanos montaram uma base a 80 km da cidade. Sua miss�o era dar apoio �s mil�cias da regi�o. Mas o confronto acabou n�o ocorrendo, os afeg�os que pertenciam ao Talib� fugiram para suas tribos ou se misturaram aos refugiados. J� os de origem �rabe, alguns l�deres e agentes da Al Qaeda fugiram para regi�o montanhosa de Tora Bora, no sudeste do pa�s.

Com a fuga dos Talib�s, a cidade de Jandahar ficou ca�tica. A popula��o saqueou as lojas e ag�ncias humanit�rias que existiam na cidade. A ordem s� foi imposta com a chegada dos Mujahedins, homens da subtribo Pachi que pertencem a etnia Pashtun, mas possuem dialeto e c�digo de guerra pr�prios. Eles s�o oriundos da Jihad anti-URSS dos anos 80.

De Tora Bora, Bin Laden e seus homens fugiram pelas cavernas afeg�s para algum lugar no Oriente M�dio. Talvez o Paquist�o. Mul� Omar, chefe dos Talib�s, ainda est� desaparecido. Mas apesar do objetivo principal ianque n�o ter sido alcan�ado, o ex�rcito de George W. Bush dominou o pa�s que dava abrigo para um poderoso grupo terrorista e deu in�cio ao seu projeto de destrui��o da estrutura do terrorismo. Mas na verdade o que est� em jogo n�o � um projeto de seguran�a interna dos EUA, mas sim um projeto de amplia��o das for�as norte-americanas nesta nova ordem mundial.

 
14 - PALESTINA
Conflitos entre judeus e palestinos ocorrem desde a cria��o do Estado de Israel, logo ap�s o final da 2� Guerra Mundial, que dividiu o territ�rio palestino. A OLP (Organiza��o para Liberta��o da Palestina, criada em 1964) atua com a��es guerrilheiras em territ�rio judeu. A partir de 1993, algumas localidades, como a Faixa de Gaza, passam para o controle palestino, depois do acordo de paz assinado por Itzak Rabin (premier israelense) e Yaser Arafat (l�der da OLP). Esse acordo fica abalado depois do assassinato de Rabin, em 1995, e da ascens�o de Netanyahu, do Likud (partido de direita), contr�rio � devolu��o de regi�es ao controle da Autoridade Nacional Palestina (que surge em substitui��o � OLP). Com o retorno ao poder em Israel do Partido Trabalhista (o mesmo de Rabin), em 1999, a esperan�a de paz na regi�o cresce.


15- CURDIST�O
Regi�o habitada por popula��o de etnia curda, cujo �rea est� localizada dentro dos territ�rios da Turquia, da S�ria, da Arm�nia, do Azerbaij�o, do Ir� e do Iraque. � considerada a maior na��o sem territ�rio do mundo. A popula��o curda � reprimida sobretudo no Iraque e na Turquia.

 

16- ANGOLA

 ANGOLA:

Orf� de pais vivos

Angola vive um conflito que j� dura 24 anos e que provocou mais de 500 mil mortos. O conflito entre os grupos pol�ticos militares que dividem o pa�s est� diretamente ligado ao processo de coloniza��o da �frica. O continente foi repartido entre as pot�ncias europ�ias durante o s�culo XIX, no processo conhecido como Imperialismo. Os europeus n�o respeitaram as fronteiras que j� tinham sido delimitadas pelas tribos locais. E colocaram em um mesmo territ�rio tribos rivais, que no processo de descoloniza��o disputaram o controle destas novas na��es. Dentro do contexto mundial do p�s-segunda guerra, cada uma destas tribos se alinharam a favor de norte-americanos ou sovi�ticos em troca de apoio financeiro e b�lico.

Em Angola n�o foi diferente. Durante a luta pela independ�ncia apareceram tr�s grupos de liberta��o: o Movimento Popular pela Liberta��o Nacional (MPLA), a Frente Nacional de Liberta��o de Angola (FNLA) e a Uni�o Nacional pela Independ�ncia Total de Angola (UNITA).

A Revolu��o dos Cravos (1974) que acabou com regime totalit�rio de Salazar em Portugal, propiciou a liberta��o de Angola. O Acordo de Alvor em 1975 decretou o fim da coloniza��o portuguesa na regi�o. Mas uma guerra civil teve in�cio, dividindo o pa�s em tr�s. A FNLA, liderada por Holden Roberto e com apoio do Zaire, dominou o norte de Angola. A UNITA, com a ajuda norte-americana e a lideran�a de Jonas Savimbi, passou a controlar o sul do pa�s. Mas a fac��o que governaria o pa�s seria MPLA, que com o respaudo sovi�tico tomou a capital Luanda. Agostinho Neto teve ajuda de Che Chevara para bater as outras fac��es e dominar a maior parte do territ�rio angolano. Mas a guerra civil contiuou, arrasando progressivamente a econ�mia do pa�s.

Eduardo dos Santos assumiu a presid�ncia em 1979. Seu governo recebeu ainda o ataque de sul-africanos atrav�s da Nam�bia, pa�s que faz fronteira com Angola ao sul. Mas com a independ�ncia dessa regi�o, a UNITA perdeu apoio dos sul-africanos. Nos anos de 1986 e 1987, Jonas Savimbi se reuniu com os presidentes Ronald Reagan dos EUA e a primeira-ministra inglesa Margareth Tatcher, dos quais recebeu apoio financeiro para continuar a guerrilha com o governo socialista angolano. A FNLA por sua vez come�ou a enfraquecer militarmente.

Com queda dos principais governos comunistas nos anos 90 e o fim da Guerra Fria, acontece a aproxima��o do governo e da UNITA. Em 1992 foram realizadas elei��es naciononais plurit�rias que levaram a vit�ria de Jos� Eduardo Santos (MPLA). A Unita n�o reconheceu a vit�ria dos rivais, partindo para uma nova guerra civil. A ONU promoveu um encontro em Lusaka (Z�mbia) numa tentativa de se chegar a paz que n�o levou a grandes resultados. Em 1996, MPLA e UNITA tentaram formar um governo com membros das duas organiza��es, por�m novos choques ocorreram. Fazendo com que a ONU, em 1997, enviasse tropas de 7 mil soldados da MONUA (Miss�o de Verifica��o da ONU) para aplicar o Acordo de Lusaka. Devido ao fato de falarmos tamb�m portugu�s, 1200 soldados destas tropas eram brasileiros. Apesar da interven��o da ONU conflito ainda existe. 

 

17- EUA

 EUA:

A CA�A �S BRUXAS

A vingan�a norte-americana n�o tem limites. Para satisfazer o desejo ianque de retalia��o, os EUA j� est�o torrnando a guerra contra o "terror" um conflito global. A n�o captura de Osama Bin Laden deixou um gosto de insucesso na boca dos ianques. Isto levou os EUA a planejar uma aplica��o mais ampla da chamada "Justi�a Infinita". E os alvos j� est�o definidos. S�o eles: I�men, Som�lia, Filipinas, Paquist�o, Indon�sia, Uzbequist�o, Iraque e Sud�o.

FILIPINAS

Tropas norte-americanas j� est�o pelo mundo a fora, como nas Filipinas. O pa�s ir� receber 100 milh�es em ajuda militar para dar fim ao conflito que ocorre no sul do pa�s. Esta � a �rea de atua��o do grupo isl�mico Abu Sayyaf que conta com mais de mil homens bem armados. A opera��o contar� tamb�m com for�as especiais das For�as Armadas Norte-americanas: Seal da Marinha, Boinas Verdes, Fuzileiros e a For�a A�rea.

I�MEN

No I�men, onde Bin Laden j� residiu e onde existem bases de grupos ligados � Al-Qaeda, tropas do governo local atacaram vilas nas montanhas que estariam apoiando a Al-Qaeda. Tais tropas foram treinadas pelos EUA e vem agindo com aux�lio da CIA. O governo Bush tamb�m prometeu um pacote milion�rio de ajuda ao I�men. � bom lembrar tamb�m que em um porto deste pa�s, o USS Colle sofreram um ataque no qual morreram 17 soldados ianques. Os respons�veis seriam grupos ligados a Al-Qaeda.

SOM�LIA

No pa�s existiriam supostas bases do grupo de Bin Laden, a Al-Qaeda. E existem relatos de v�os de reconhecimento e coleta de dados de avi�es da For�a A�rea Norte-ameri-cana, que estariam fazendo o reconhecimento de tais bases.

PAQUIST�O

O pa�s liberou seu espa�o a�reo e algumas bases para que os EUA atacassem o Afeganist�o. Em troca recebeu 50 milh�es em ajuda e a suespens�o das san��es econ�micas ao pa�s. O Presidente Pervez Musharraf ordenou a ca�a aos membros da Al-Qaeda e prendeu extremistas isl�micos da Caxemira ligados a Bin Laden.

INDON�SIA

Os indon�sios s�o a maior popula��o mul�umana do mundo. O que torna o pa�s um potencial destino para a Al-Qaeda e Bin Laden. Deste modo os EUA est�o impondo a este antigo aliado (mais detalhes em Timor Leste) que participe da a��o contra o terror. A Presidenta Megawati Sukarnoputri j� ordenou que tropas participem do treinamento contra-terrorismo patrocinado para os norte-americanos. J� se fala tamb�m que o principal grupo terrorista local, o Laskar Jihad, estaria contando com a participa��o de membros da Al-Qaeda no conflito da Ilha Sulawesi.

UZBEQUIST�O

Essa Ex-Rep�blica Sovi�tica tamb�m forneceu apoio logist�co no conflito do Afeganist�o. Em troca de bases, os EUA prometeram ajudar a desmantelar o Movimento Isl�mico do Uzbequist�o. O grupo controla o rico Vale de Ferjanc, tem 3.000 homens e tem fortes la�os com a Al-Qaeda.

IRAQUE

No in�cio deste ano, o pa�s havia derrubado um avi�o das For�as "Aliadas" que patrulhavam a �rea de Exclus�o. Desde o fim da Guerra do Golfo que as tropas iraquianas est�o proibidas de circular em faixas ao norte e ao sul de seu territ�rio.

Como foi feito com o Afeganist�o, os EUA est�o conversando com grupos opositores do regimes que comanda o pa�s. O Congresso Nacional Iraquiano, com sede em Londres, j� recebeu 12,5 milh�es de d�lares. Saddam Hussem � um dos maiores desafetos dos norte-americanos. Este ex-aliado estaria produzindo armas qu�micas e biol�gicas. E por estes motivos sempre � um alvo-potencial.

SUD�O

Antes de ir para o Afeganist�o, Bin Laden residiu no Sud�o. Este pa�s � sede de um grupo aliado a Al-Qaeda, que realizou atentados a embaixadas norte-americanas no Qu�nia e na Tanz�nia. Em 1998, depois destes atentados, os EUA fizeram ataques com m�sseis de cruzeiro ao Sud�o. E relat�rios indicam planos de novos ataques.

A a��o norte-americana nestes pa�ses dever�o ter o mesmo car�ter do realizado no Afeganist�o, uma interven��o indireta. As tropas dos EUA apenas auxiliariam tropas "aliadas" locais, planejando t�ticas, fornecendo material e fazendo bombardeios e ataques a�reos. Ou seja quem estar� na linha de frente ser�o os aliados locais.

Analisando de forma geral, os EUA tem como objetivo acabar com grupos que querem emancipa��o pol�tica e poderiam dar algum apoio a Bin Laden. De alguma forma, do ponto de vista ianque, eles tamb�m poderiam promover atentados terroristas. Mas a matan�a generalizada de tais grupos n�o � a melhor forma de acabar com o terrorismo. Estes grupos s�o fruto da intoler�ncia de governos que massacram e imp�e uma forma de vida, desrespeitando as particularidades de cada povo. Estes governos contaram e contam com apoio norte-americano. Exemplo disso � a Indon�sia que ocupou de forma sangrenta o Timor Leste, defendendo seus interesses e dos EUA. Em nome da "Liberdade Americana", o direito de autodetermina��o dos povos est� sendo desrespeitado.

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