Geografia Geral - Agricultura

 

 

4.1. - FATORES DA PRODU��O AGR�COLA

 

4.1.1.- Agentes da produ��o no espa�o agropastoril e industrial

Os agentes respons�veis pela produ��o no mercado se representam pelo trabalho, capital, terra e empresa. Cada um deles participando do processo produtivo, recebe uma renda - do trabalho � o sal�rio, do capital � o juro, da terra (compreendendo o solo urbano e suas edifica��es) � o aluguel (arrendamento), da empresa � o lucro (o empres�rio faz a gest�o do trabalho, capital e da terra ou natureza).

A terra � uma mercadoria no sistema capitalista; como tal, seu valor depende do mercado, pois quanto maior for a sua demanda, ou procura (como acontece ao solo urbano pr�ximo da �rea central das cidades, ou mesmo em rela��o �s propriedades rurais pr�ximas aos centros urbanos) maior ser� o seu pre�o.

Pr�ximos aos centros urbanos a tend�ncia � de haver pequenas propriedades rurais (devido ao valor maior da terra) e de usar trabalho-intensivo (n�o compensa a mecaniza��o, em face da necessidade de seu elevado investimento e isto s� compensa quando a propriedade � grande e assim o retorno de capital vai ser mais r�pido). A renda absoluta da terra � a que se refere a ela como uma mercadoria no capitalismo(mesmo que se deixe ela sem nenhuma melhoria, seu valor aumenta pela procura maior).

A renda diferencial da terra est� relacionada � sua fertilidade diferencial (resultante de sua produtividade), � sua dist�ncia em rela��o ao mercado consumidor urbano (n�o medida prodpriamente em quil�metros, mas a rela��o custo-tempo, condicionada � facilidade ou n�o de transportes) e � disponibilidade ou n�o de tecnologia (ao aumentar a popula��o � mister melhorar a efici�ncia da terra com mais t�cnicas).

Quando predomina o fator terra na produ��o agropastoril, dizemos que o sistema agr�cola � extensivo; quando predomina o capital (investido em m�quinas ou tecnologia) ou a m�o-de-obra, qualificamos o sistema como intensivo por mecaniza��o (como ocorre nos pa�ses desenvolvidos) ou por trabalho (como na �sia Mon��nica, com a rizicultura submersa ou agricultura intensiva de subsist�ncia).

 

4.1.2. - Fatores Naturais Condicionantes �s Atividades Agr�colas (climas, solos, relevo, hidrografia,vegeta��o)

A primeira natureza, isto �, aquela que n�o � criada pelo homem, exerce not�vel influ�ncia sobre a agricultura, de conformidade com as t�cnicas empregadas nela. Exemplos: custos de irriga��o e de preparo dos solos des�rticos; inadequa��o da tecnologia diminui produtividade, n�o compensando os custos.

 

A] Climas - influem, atrav�s dos seus elementos de temperatura e umidade, no ciclo vital das plantas (germina��o, crescimento, matura��o), o que explica a inexist�ncia de agricultura nas �reas de altas latitudes pr�ximas ao C�rculo Polar �rtico, com sua baixa insola��o e frios rigorosos. H� certas plantas que apenas frutificam em determinadas esta��es do ano como as frutas sazonais (ex.: morangos, p�ssegos, figos, etc.).

Podemos distinguir, conforme as condi��es clim�ticas, dois tipos de culturas agr�colas: as tropicais (predominantes na Zona Intertropical, como o caf�, arroz, feij�o, mandioca, mam�o, abacaxi, etc.) e as temperadas (ma��s, peras, p�ssegos, uvas, oliveiras). Os climas quentes e chuvosos (tipo Af, na classifica��o de Koppen) influem na biodiversidade das plantas, portanto h� maior variedade de plantas �teis ao homem na Zona Intertropical do que nas Zonas Temperadas da Terra.

Atualmente, com a biotecnologia (pesquisas gen�ticas em laborat�rios criando clones e sementes) se criam produtos h�bridos (ex: nectarina) e adaptam-se plantas a climas distintos do seu habitat natural (ex.: trigo, soja). Mesmo assim, a diversidade de cultivos temperados e tropicais � uma das raz�es naturais (junto com as econ�micas, evidentemente) do colonialismo europeu e americano e da divis�o internacional de trabalho.

 

B] Solos - sua fertilidade natural condiciona-se aos climas, aos tipos de rochas e �s vegeta��es. Vimos que os solos representam um manto de intemperismo, ou da a��o dos agentes externos do relevo desagregando as rochas (intemperismo f�sico t�pico de climas �ridos e semi�ridos) ou decompondo-as (intemperismo qu�mico, t�pico de climas �midos).

Os solos aluvionais (transportados por agentes externos do relevo, como os rios, as geleiras, os ventos) geralmente s�o f�rteis, como os de v�rzea (no Brasil), como os situados �s margens dos rios Nilo (no Egito), Ganges (na �ndia), Tigre, Eufrates (na plan�cie da Mesopot�mia- Iraque), Mekong (na pen�nsula da Indochina), S. Francisco (no Brasil).

Os solos eluviais (depositados sobre a rocha matriz) de origem vulc�nica s�o f�rteis, como a terra-roxa (no Planalto Meridional do Brasil) e os solos do Planalto dos Grandes Lagos (na �frica Oriental)- nestas �reas se fazem cultivos comerciais ( ex.: a monexporta��o do caf� era plantation no Brasil e ainda � na �frica).

Atualmente, � fertilidade natural dos solos sobrep�e-se sua adequa��o ao cultivo de g�neros agr�colas que tenham uma boa cota��o de mercado. Assim, por exemplo, os solos de cerrados (savanas do Brasil) s�o �cidos, mas s�o grandes produtores de soja, que tem uma alta cota��o internacional. A fim de torn�-los mais adequados � produ��o agr�cola foi feita a corre��o de sua acidez, atrav�s da t�cnica de calagem (introdu��o de calc�rio).

Para se preservar a qualidade dos solos prega-se a necessidade de pr�ticas de car�ter mec�nico (ex.: curvas de n�vel, terra�os), pedol�gico (rota��o de culturas, aduba��o...) e vegetativo (ex.: cercas vivas).

 

C] Relevo - as plan�cies facilitam a mecaniza��o da lavoura, que pode se apresentar sob a forma de culturas tempor�rias (que se renovam periodicamente, como as de cereais, leguminosas, verduras) e permanentes (de �rvores ou arbustos, cujo plantio n�o precisa ser renovado, como a arboricultura de laranjeiras, figueiras, etc..).

Nas �reas montanhosas ou de escarpas de planaltos � mais adequada a arboricultura, pois as ra�zes das �rvores permitem uma melhor fixa��o dos solos, al�m de reduzir bastante a lixivia��o das encostas pelas enxurradas (�guas pluviais que escorrem superficialmente nos solos). Mesmo assim, as �rvores n�o devem ser plantadas linearmente em filas, mas em curvas de n�vel - linhas circulares de plantio, que passam pelos pontos de mesma altitude, evitando que as enxurradas se concentrem em regos descendo pelas encostas.

 

D] Vegeta��o - os campos e estepes constitu�dos de gram�neas favorecem a pecu�ria; os campos, por�m, s�o muito utilizados para cultivos tempor�rios, especialmente de cereais.

Nas florestas, em face da predomin�ncia de �rvores, � mais adequada a arboricultura que as culturas tempor�rias. Assim, por exemplo, na Floresta Amaz�nica deveria ser incentivada a heveacultura (plantio de hevea ou seringueira, j� nativa da mesma) em vez da pecu�ria ou dos cultivos tempor�rios.

Infelizmente, como os solos das florestas de baixas latitudes apresentam-se superficialmente cobertos de mat�ria org�nica, procedem-se ao desmatamento e depois a agricultura, desgastando e laterizando (como se demonstrada pela cor vermelha) os mesmos, tornando-os duros, �cidos, pobres e est�reis.

 

E] Hidrografia - os rios tiveram e continuam a ter uma import�ncia fundamental para a agricultura, n�o s� porque formam os solos aluvionais �s suas margens, como deles procedem os canais de irriga��o para regar as plantas cultivadas.

 

4.1.3.- Condicionamentos Econ�micos � Atividade Agropecu�ria

 

A - Problema da Fome no Mundo Atual

 

a) Fatores socio-econ�micos: pobreza e fome.

O PNUD (Programa das Na��es Unidas para o Desenvolvimento), prop�s um novo meio de avalia��o do desenvolvimento s�cioecon�mico dos pa�ses pelo IDH, ou seja, �ndice de Desenvolvimento Humano (ou HDI em ingl�s: Human Development Index) com base em dados estat�sticos de expectativa de vida, condi��es de escolaridade (tempo m�dio na escola, acesso aos n�veis de ensino, PIB (per capital e total). Atrav�s destes dados pode-se chegar aos contrastes quanto ao IDH: -A expectativa de vida revela o padr�o de vida das popula��es. A mortalidade infantil revela as condi��es m�dico-sanit�rias e de renda da popula��o.Em rela��o � escolaridade: o analfabetismo nos pa�ses centrais est� abaixo de 10%; enquanto o acesso ao ensino m�dio e superior � grande.

A fome cr�nica, ou end�mica, representa a falta estrutural de alimentos ora quantitativamente (consumo inferior a 2.500 calorias/dia), ora qualitativamente (consumo de prote�nas inferior a 30 g/dia); a fome aguda ou epid�mica ocorre por raz�es conjunturais, havendo uma enorme falta de nutrientes.

A fome tem como raz�es fundamentais as quest�es socioecon�micas (distribui��o injusta da renda nacional, flutua��es da cota��o das "commodities"no mercado internacional e sua manipula��o pelas transnacionais que operam na sua comercializa��o) e n�o tanto os fatores naturais e demogr�ficos.Podemos, pois, apontar fatores estruturais e conjunturais que explicam a fome e a mis�ria nestes "bols�es de pobreza" e se complementam no espa�o e no tempo.

 

b) Fatores estruturais respons�veis pela fome - crescimento vegetativo grande, introdu��o da plantation, subaproveitamento do espa�o agr�rio, estrutura fundi�ria injusta, desarticula��o da economia nacional.

Na medida em que o crescimento vegetativo � grande, a demanda por alimentos cresce. Como as popula��es destes pa�ses s�o predominante rurais e de baixa qualifica��o t�cnica, apresentam deficiente produtividade e assim a produ��o de alimentos � insuficiente para o atendimento do fraco mercado interno.

O colonialismo europeu introduziu a plantation nos pa�ses perif�ricos; sendo altamente especulativa, atendendo � racionalidade capitalista do lucro, for�ando a migra��o dos pequenos propriet�rios rurais para as cidades.

Al�m disso tudo, a plantation, exercida em latif�ndios, apropriou-se das melhores terras, diminuindo os custos de produ��o para o mercado externo, mas afetando profundamente a produ��o agr�cola para o mercado interno.

O colonialismo desarticulou a economia tradicional em vigor na �poca colonial , baseada na posse da terra pelas comunidades que preparavam de forma eficiente o represamento e a irriga��o dos campos e que permitia a autosufic�ncia das aldeias.

A inser��o destes pa�ses nos fluxos da economia global, dentro da divis�o internacional de trabalho, � extremanente desvantajosa aos pa�ses perif�ricos: por produzirem pouco para o mercado interno, precisam importar alimentos, al�m de produtos industriais, e para tal, solicitam empr�stimos aos bancos internacionais aumentando sua d�vida externa. Al�m do mais, apresentam d�ficits em sua balan�a comercial, visto que exportam produtos prim�rios de baixa cota��o no mercado internacional e importam produtos de maior cota��o. Acrescente-se, ainda, a manipula��o das "commodities" pelas transnacionais.

Subaproveitamento do espa�o agr�rio na Am�rica Latina e �frica - no caso da Am�rica Latina apenas 0,5 hectare por habitante para uma disponibilidade de 1,6 ha/Hb. Al�m disto, as maiores e melhores terras est�o nas m�os da aristocracia rural - a estrutura fundi�ria (n�mero, tamanho e distribui��o das propriedades rurais) � injusta, predominando os minif�ndios, como se atesta pelo fato de que � dos propriet�rios rurais possuem apenas 3% das terras agricult�veis.

 

c) Fatores conjunturais respons�veis pela fome no Mundo Subdesenvolvido - naturais e pol�ticos.

A agropecu�ria est� sujeita a acidentes naturais, como as secas frequentes no clima semi�rido do Sahel, os tuf�es, maremotos e enchentes na �sia Mon��nica, causando enormes preju�zos � sua d�bil economia.

Na �frica subsaariana ocorrem frequentemente conflitos tribais internos , decorrentes da divis�o politica do continente mais de acordo com os interesses colonialistas europeus.

 

B] Condi��es de retorno do capital no campo - Comparativamente �s ind�strias de bens de consumo n�o-dur�veis e aos servi�os cujos lucros revertem aos bolsos do empres�rio r�pido, as atividades agropecu�rias apresentam uma rota��o lenta dos capitais investidos nelas, como demonstramos a seguir.

O controle do processo de produ��o no meio rural � mais dif�cil, devido a raz�es naturais (pragas, qualidade do solo) e de espa�o necess�rio � sua pr�tica - a agricultura exige mais terra que a atividade fabril, tornando mais laboriosas as condi��es de fiscaliza��o do processo de cultivo na �rea (cuidado com o solo, com as plantas para evitar pragas) e quanto maior a �rea cultivada maiores s�o os custos de energia, de transportes, de �gua.

As mudan�as sociais e t�cnicas no campo s�o mais lentas do que nas cidades, visto que a popula��o rural � mais apegada �s tradi��es.

Mesmo com os avan�os da biotecnologia, n�o h� um controle da sazonalidade de muitas plantas, nem do seu ciclo vital: � preciso diversificar cultivos de plantas diferentes quanto aos mesmos, a fim de se garantir rentabilidade � produ��o agr�cola durante o ano todo.

A agricultura depende do meio ecol�gico e assim, por for�a de acidentes naturais (nevascas, geadas, secas, enchentes) pode se perder colheitas, acarretando preju�zos especialmente para pequenos e m�dios propriet�rios dos pa�ses subdesenvolvidos, que n�o possuem capital excedente para aplic�-lo em seguro.

Quanto � rentabilidade da atividade rural de pequenos e m�dios propriet�rios nos pa�ses subdesenvolvidos, � dificultada pela falta de uma pol�tica agr�cola nacional, de abertura de estradas vicinais (secund�rias) e pela a��o de intermedi�rios (chamados no Brasil de atravessadores) que imp�em pre�os baixos na compra dos produtos no campo.

 

4.2.- SISTEMAS AGR�COLAS.

Os sistemas agr�colas representam o conjunto de elementos naturais e econ�micos interligados pelo homem na utiliza��o do solo; eles diferenciam-se uns dos outros no mundo em fun��o do meio ecol�gico (intera��o de relevo, hidrografia, clima, vegeta��o, solos) e das condi��es hist�ricas, t�cnicas e s�cioecon�micas em que se praticam.

No sistema extensivo a produ��o agr�cola aumenta pela expans�o quantitativa de terra, da� a sua produtividade por hectare ser baixa em rela��o ao sistema intensivo. Neste, o rendimento por hectare � maior, ora devido � mecaniza��o, ora ao trabalho-intensivo (como acontece nas pequenas propriedades).

 

4.2.1. - Sistemas agr�colas na Zona Temperada do Norte: Europa Ocidental, Am�rica Anglo-Sax�nica, CEI, Europa Oriental e China.

 

A]- Europa Ocidental -

a) Caracter�sticas gerais -O capitalismo est� sujeito a fases de expans�o e de depress�o, entre estas destacamos as crises de l871/80 e de 1921/30 . Com estas crises o capitalismo passa por mudan�as, como o surgimento do capitalismo financeiro e monopolista depois de l870. Ap�s a crise de l929, a agricultura europ�ia sofreu uma moderniza��o, apresentando as seguintes mudan�as:

  • Cria��o de cooperativas - o primeiro pa�s a faz�-la foi a Su�cia; representando a associa��o de pequenos propriet�rios (ainda muito comuns na Europa) para comprar insumos (=adubos), diminuindo os custos e aumentando os lucros e a produtividade e condi��o de concorr�ncia com as grandes empresas agroindustriais, tanto na produ��o como na comercializa��o de produtos.

  • Intensifica��o dos sistemas agr�colas atrav�s da mecaniza��o, pesquisas agroveterin�rias, aduba��o, fertilizantes (para aumentar a produ��o) e, ao mesmo tempo, o aperfei�oamento da silagem), do armazenamento e dos frigor�ficos. Assim, se facilita a comercializa��o e o equil�brio da oferta e procura das safras agr�colas, mantendo est�vel o mercado.

  • Para enfrentar a concorr�ncia das "commodities" norte-americanas os Estados europeus iniciaram uma pol�tica de subs�dios � agropecu�ria, com a isen��o parcial ou total de impostos e empr�stimos a juros inferiores aos do mercado.Esta pol�tica foi ratificada pela Pol�tica Agr�cola Comum, em l962, do Mercado Comum Europeu: contra ela criou-se o Grupo de Cairns (cidade da Austr�lia) com l4 pa�ses pleiteando a liberaliza��o da pol�tica agr�cola mundial.

  • A moderniza��o da agricultura acarretou uma reconcentra��o fundi�ria, ou reagrupamento das pequenas propriedades, diminuindo o seu n�mero e surgindo outras maiores com 200 a 500 hectares. A reconcentra��o fundi�ria facilita sua administra��o empresarial e mecaniza��o, aumentando o poder de competi��o no mercado interno e externo (ex.: Fran�a).

  • Mesmo com a moderniza��o da agricultura, os pa�ses europeus s�o importadores de alimentos (exce��o: Fran�a), pois as terras s�o escassas e insuficientes para atender a demanda, , como nos Pa�ses Baixos com 23% de terras ar�veis (da� a constru��o de polders ou diques no mar h� s�culos, onde se pratica uma agricultura e pecu�ria intensivas), nos pa�ses escandinavos (al�m do clima frio, a Noruega, por exemplo, apresenta apenas 3% de terras cultiv�veis devido ao relevo, a Su�cia s� 7%, a Finl�ndia s� 8%).Mesmo assim a produtividade/ha � grande e a PEA no campo � pequena (ex.:Holanda=6%,B�lgica=3,4%).

  • A pecu�ria � intensiva, de modo geral, com o gado estabulado e alimentado com ra��o. A t�cnica de pastagem zero, ou de cria��o de gado bovino estabulado, permitiu o maior uso de terras para a produ��o agr�cola voltada �s necessidades da popula��o, j� que a ra��o animal (soja, milho, sorgo) � importada a pre�os baixos dos pa�ses perif�ricos.

b) Formas cl�ssicas ou tradicionais de uso do solo na Europa Ocidental: rota��o trienal de culturas (ou sistema de 3 campos) e agricultura mediterr�nea.

? Sistema de tr�s campos (rota��o trienal de culturas) - Surgiu na Baixa Idade M�dia (s�culos XI - XIII) em que a terra do senhor feudal, a ser cultivada pelos vil�es e servos da gleba, era dividida em 3 campos (ou folhas- da� o outro nome de sistema de afolhamento), permanecendo uma delas em pousio (=descanso, em que o gado estercava a terra) em cada ano, fazendo o rod�zio destes campos, de tal forma que trienalmente (de 3 em 3 anos) apenas, os mesmos passassem a ser usados com a mesma atividade.

Com o aumento da popula��o europ�ia ap�s a Revolu��o Industrial, houve necessidade de se usar mais intensivamente os solos, deixando de haver o pousio das terras.

Atualmente, este sistema consiste na divis�o das pequenas e m�dias propriedades em tr�s partes (separadas por sebes vivas, para proteger os cultivos em rela��o aos ventos), nas quais se executa a rota��o trienal de cultivos de cereais (trigo e centeio, associados com batata para produzir �lcool, beterraba-para produzir a��car, girassol- �leo) em duas partes, enquanto na terceira se plantam forrageiras (alfafa, aveia - para alimentar o gado, especialmente no inverno), de tal modo a s� se repetirem os cultivos nas 3 partes trienalmente. Veja a sequ�ncia de uso dos lotes ou partes: a,b,c (ano ? ) b,c,a (ano ) c,a,b (ano ? ) e assim repetindo-se de tr�s em tr�s anos (trienalmente).

Os efeitos da rota��o trienal de cultura s�o extremamente vantajosos aos solos e ao mercado:

h� uma policultura intensiva que n�o esgota os solos e diversifica mais a produ��o, para atender �s necessidades do mercado consumidor;

elevada produtividade agr�cola por unidade de �rea, havendo um aproveitamento integral do espa�o;

entre as forrageiras h� leguminosas, cujas ra�zes associam-se a certas bact�rias que retiram oxig�nio e nitrog�nio do ar atmosf�rico, formando nitratos e assim adubando naturalmente os solos.

Agricultura mediterr�nea - caracteriza-se pela utiliza��o de pastagens de montanha (campos alpinos) no ver�o, j� no inverno os pastores descem para os vales - � a transum�ncia. A� nos vales, al�m do pastoreio das ovelhas, pratica-se a arboricultura mediterr�nea (os pa�ses do sul da Europa s�o os maiores produtores mundiais de ma��s, peras, uvas, p�ssegos, vinhos). Esta agricultura mediterr�nea est� cedendo lugar � transum�ncia comercial em latif�ndios produtores de trigo, batata e cria��o intensiva de bovinos.

 

B] Am�rica Anglo-Sax�nica - sistema intensivo por mecaniza��o

a) O Canad� possue terras agricult�veis apenas no sul (o SE � a �rea mais urbanizada e povoada) e no centro-sul (prolongamento natural e econ�mico das pradarias norte-americanas, com seus solos f�rteis). O restante do territ�rio canadense (ao norte) � dominado por climas frios e suas florestas de con�feras.

b) Estados Unidos - s�o uma verdadeira pot�ncia agr�cola mundial: primeiro produtor de laranja,sorgo, aveia, soja e milho; 43% do com�rcio mundial de cereais (da� o poder de manipula��o das commodities por suas transnacionais no com�rcio internacional.

Caracter�sticas - Na Am�rica Anglo-Sax�nica, como na Uni�o Europ�ia, a industrializa��o e a urbaniza��o dinamizaram fortemente a divis�o local de trabalho (campo cidade), desenvolvendo muito o espa�o agr�rio. Vejamos algumas destas caracter�sticas da agricultura industrializada norte-americana:

  • Nas cidades formam-se t�cnicos e especialistas (ex.: engenheiros agr�nomos); pesquisam-se novas variedades de plantas e animais (biotecnologia- ex.: o chester); imprimem-se revistas e informativos rurais; fabricam-se m�quinas e implementos agr�colas, defensivos (inseticidas) e fertilizantes.

  • Pratica-se a racionalidade capitalista do lucro, em que a agricultura � mais uma atividade empresarial voltada sobretudo para o mercado (em Chicago situa-se a maior Bolsa de Commodities da Terra).

  • A� desenvolveram-se as agroind�strias, estabelecidas nas cidades ou campo, que verticalizam a produ��o desde a mat�ria-prima at� a industrializa��o e comercializa��o. Nesta verticaliza��o objetiva-se uma racionaliza��o das atividades para reduzir os custos, aumentar os lucros, melhorar a qualidade dos produtos e sua competitividade no mercado. As agroind�strias absorvem l8 milh�es de empregados nos EUA em 3 partes interdependentes: as ind�strias de insumos (=ra��es, fertilizantes para as fazendas), com 6 milh�es de oper�rios; as propriedades rurais (mecanizadas, com 3 milh�es de empregados) e as ind�strias de beneficiamento (com 10 milh�es de oper�rios, � a parte final que transforma os produtos feitos nas fases anteriores em mat�rias-primas para outras ind�strias ou para o consumo do mercado).

  • As grandes empresas agroindustriais atualmente tendem mais � comercializa��o interna e externa dos seus produtos, pois � uma atividade mais lucrativa que a produ��o (esta pode sofrer riscos naturais).

  • A rota��o de culturas � executada junto com a rota��o de terras, para n�o depauperar os solos (cujos rendimentos decrescem depois que atingiram o m�ximo de produtividade, mesmo com alta tecnologia), para diminuir os problemas ambientais (a atividade agropecu�ria quebra a coer�ncia dos elementos do ecossistema, da� a necessidade de aplica��o de defensivos para evitar pragas), para atender mais �s exig�ncias cada vez maiores da economia de escala.

  • Quanto � estrutura fundi�ria nos EUA -a partir da crise de l929, come�ou a haver o processo de reagrupamento das propriedades rurais - o tamanho m�dio das propriedades triplicou de l50 hectares (d�cada de 30) para 450 ha. (d�cada de 80). No entanto, as pequenas propriedades norte-americanas, denominadas "family farmers", correspondem a cerca de 47% das terras exploradas, a 22,7% dos estabelecimentos rurais e ocupam l8% da superf�cie ocupada pelas propriedades rurais. Os latif�ndios correspondem a 1,2% das propriedades rurais e s� 11% da �rea ocupada. Al�m disto, as "family farmers" representam 90% da produ��o agr�cola e 60% do seu valor no mercado norte-americano; sua tend�ncia � de se reunirem em cooperativas.

Principais �reas agropastoris especializadas norte-americanas - situam-se especialmente nas "prairies" ou pradarias das Plan�cies Centrais, onde desenvolvem-se os "belts", ou cintur�es agr�colas.

  • ? Cintur�o do trigo (wheat-belt) - que se divide em duas �reas: o cintur�o do trigo de primavera (no centro-norte dos EUA, expandindo-se al�m da fronteira S do Canad�) e o de outono-inverno (na regi�o central dos EUA). No cintur�o de trigo de primavera, o inverno � mais rigoroso, em face da alta latitude, por isto plantam-se variedades de trigo com ciclo vegetativo curto, logo no in�cio do equin�cio de primavera. No outro cintur�o (trigo de outono-inverno) mais ao sul do primeiro, como o inverno � menos rigoroso, as sementes de trigo s�o plantadas no outono e depois � colhido na primavera.

  • Cintur�o do milho (corn-belt) - localizado ao sul dos Grandes Lagos, no vale m�dio do rio Mississipi, at� os Montes Apalaches. A� predominam m�dias propriedades e seu cultivo � feito junto com a soja, a alfafa (forrageira para gado estabulado), aveia e a suinocultura (cria��o de porcos de forma intensiva, cabendo aos EUA o 3o lugar do mundo). A� ao S do Lago Michigan, situa-se Chicago, centro de converg�ncia de uma malha de transportes hidrovi�rios, rodovi�rios e ferrovi�rios.

  • ? Cintur�o do algod�o (cotton-belt) - no baixo curso do rio Mississipi, onde o clima � mais quente. Seu cultivo foi uma plantation na �poca colonial,com uma estrutura s�cioecon�mica baseada na escravid�o negra-latif�ndio-aristocracia rural (como na Am�rica Latina).A� se planta fumo e amendoim, tamb�m.

  • Cintur�o de latic�nios (dairy-belt) e de hortifrutigranjeiros (green-belt) -a NE dos EUA, �rea tradicional mais industrializada e urbanizada e por isto predominam as pequenas e m�dias propriedades ("family-farmers"), que praticam a pecu�ria leiteira, a avicultura e a hortifruticultura em sistema intensivo. Na avicultura, as t�cnicas s�o extremamente avan�adas: ra��es balanceadas (vitaminas, minerais, anabolizantes e horm�nios para crescimento e engorda mais r�pido) passando em esteiras, com ilumina��o artificial (para descontrolar o rel�gio biol�gico das aves e for��-las a comer mais) e limpeza por m�quinas.

  • Ranching-belt -entre as Pradarias Centrais (j� ocupadas pelos belts) e as Montanhas Rochosas, cen�rio de cria��o extensiva de bovinos para corte, em laltif�ndios, al�m de ovinos em regi�es semi�ridas.

  • No extremo SE dos EUA, praticam-se culturas tropicais de arroz, cana-de-a��car e laranja (esta na Fl�rida). No extremo O ocorrem culturas irrigadas, facilitadas pela constru��o de usinas hidrel�tricas nas bacias dos rios Colorado (a SO) e Col�mbia (a NO). A� nas �reas des�rticas do sudoeste (Calif�rnia), pratica-se o "dry-farming", que consiste no revolvimento das camadas �midas mais profundas do solo e assim, conservando esta umidade cerca de um ano, cultivam-se algod�o, legumes, frutas. A �rea agr�cola mais not�vel do oeste norte-americano � o Vale Central da Calif�rnia, com seu clima mediterr�neo (da� ser famosa pelas culturas de peras, ma��s, p�ssegos, morangos e pela ind�stria vin�cola).

C] Comunidade dos Estados Independentes (CEI) - na antiga Uni�o Sovi�tica, est� ocorrrendo desde l989, a transi��o econ�mica do socialismo para o capitalismo, com a pol�tica da glasnost (transpar�ncia) e perestroika. A primeira j� se completou com a abertura pol�tica e a instala��o da democracia, j� a segunda (em portugu�s: reestrutura��o) ainda est� em curso.

Toda e qualquer fase de transi��o � de crise pol�tica (conflitos entre grupos antes sufocados em sua express�o cultural pela ditadura estalinista e burocracia estatal), social (desemprego, m�fia urbana) e econ�mica (a antiga Uni�o Sovi�tica tinha um PIB de cerca de US$ 1.6 trilh�es, hoje est� reduzido a 1/3 disto) passando a economia agr�cola socialista das sovkhozes (fazendas experimentais do Estado) e kolkhozes (cooperativas de pequenos agricultores) para uma economia de mercado, baseada na propriedade individual dos meios de produ��o, especialmente para as m�os de cooperativas ou de antigos pol�ticos.

 

D] Europa Oriental (antiga parte socialista do continente sob influ�ncia sovi�tica) - a porcentagem de terras coletivizadass a� foi menor que na ex-Uni�o Sovi�tica, raz�o pela qual o processo de transi��o para o capitalismo ser mais r�pido. Al�m disto, h� o fato de que Hungria, Tchecoslov�quia e Pol�nia lutaram pioneiramente contra o centralismo burocr�tico do PC. Hoje representam o Quadril�tero de Visegrad que pleitea o ingresso na Uni�o Europ�ia. Ao N da Europa Oriental, como o clima � mais frio, se plantam culturas temperadas (cereais como aveia, centeio e cevada; al�m da beterraba); j� do vale do rio Dan�bio para o sul praticam-se especialmente culturas mediterr�neas de oliveira e videira.

 

E] China - das comunas populares (complexxos agroindustriais coletivizados compostos por unidades sociais e econ�micas autosuficientes e sob planejamento central, como � caracter�stico de uma economia socialista) restam poucas atualmente.Com as reformas liberalizantes, a partir de l984, restabeleceu-se parcialmente a propriedade privada com possibilidades de lucro no chamado sistema de responsabilidade nas unidades de administra��o particular.

 

4.2.2. = Sistemas Agr�colas na Zona Intertropical da Terra (Am�rica Latina, �sia e �frica)

Predominam sistemas extensivos com o uso de muita terra de forma inadequada, da� ter uma baixa produtividade na Am�rica Latina e �frica , como ocorre com a agricultura primitiva de subsist�ncia. Na �sia Mon��nica, entretanto, ocorre a rizicultura submersa que � uma agricultura intensiva de subsist�ncia em pequenas propriedades, usando trabalho intensivo e de maior rendimento por hectare, com t�cnicas tradicionais e assim n�o atendendo � demanda de alimentos (raz�o da fome na �rea). Nestes pa�ses a participa��o da produ��o agr�cola no PIB � grande, a efici�ncia da PEA � reduzida (pelo uso de energia bra�al) e a maior parte da popula��o vive no campo.

 

A] Agricultura primitiva de subsist�ncia (tamb�m chamada de agricultura itinerante ou de autoconsumo)

a] Conceitua��o - � uma agricultura extensiva feita na Am�rica Latina e �frica com base na policultura (feij�o, milho e mandioca), cria��o de pequenos animais (aves, porcos) e fruticultura (bananas, mam�o) para o autoconsumo (=subsist�ncia) do agricultor e sua fam�lia,com t�cnicas antiquadas (uso de enxada, foice, machado) e rota��o de terras (da� ser extensivo) ou procura de novas terras(da� o nome itinerante). Esta agricultura � t�pica de lugares distantes do mercado (rela��o custo-tempo maior), em pa�ses ou �reas muito pobres, com fr�gil integra��o econ�mica da divis�o local de trabalho (campo-cidade). No Brasil � chamada de ro�a tropical, no Caribe -milpa, na �frica-chitemene.� uma atividade complementar � agricultura comercial, j� que esta � monocultora especializada conforme o mercado, e tamb�m porque o campon�s � trabalhador tempor�rio no latif�ndio onde se faz a colheita do cultivo comercial.

b] Etapas - s�o o desmatamento, a capina, a abertura de aceiros, a queimada, plantio, rota��o de terras ou procura de novas terras.

  • Desmatamento: feito com machado, para abrir clareiras na floresta, a fim de se cultivar na �rea.

  • Capina: carpir ou capinar � cortar e retirar do solo as gram�neas e arbustos com a enxada e a foice.

  • Abertura de aceiros: isolamento, atrav�s de valas (chamadas de aceiros) no solo, em volta da �rea a ser plantada, a fim de impedir o alastramento do fogo ( que vai se atear nos restos de gram�neas e arbustos), para outras �reas da floresta.

  • Queimada: � a fase mais conhecida; o fogo ateado nas moitas de capim e arbustos secos destr�i os microorganismos do solo (�teis na forma��o da mat�ria org�nica, resultante das folhas) e transforma os vegetais em cinzas (cujo pot�ssio d� uma falsa ilus�o de maior fertilidade do solo para o agricultor).

  • Plantio: executado no solo j� preparado nas etapas anteriores. Ap�s um certo tempo (no m�ximo uns 15 anos) a terra est� cansada e n�o h� outra alternativa sen�o buscar outra �rea para plantar, onde se executam as mesmas etapas, da� o nome de agricultura n�made ou itinerante. Quando n�o h� possibilidade de se buscar novas terras, se retorna � original: faz-se, pois, uma rota��o de terras.

c] Efeitos ambientais - Onde houve a agricultura de autoconsumo, a terra esgotada n�o permite mais a riqueza vegetal da floresta prim�ria; no lugar dela surge a capoeira (um sub-bosque, ou mata secund�ria, j� que o solo cansado n�o permite a recupera��o da floresta original).

Ap�s sucessivas culturas nesta rota��o de terras com t�cnicas primitivas como as descritas acima, os solos estar�o de tal modo exauridos que a �nica vegeta��o a brotar � o sapezal, que s�o gram�neas, que ao chegar o inverno seco, se incendeiam naturalmente pelo atrito de suas hastes ressequidas (o clima � tropical com chuvas de ver�o- Aw). Nos solos, devido ao calor do inc�ndio natural, abrem-se pequenas fissuras, que aumentam pela lixivia��o das enxurradas, formando crateras chamadas de vo�orocas. Estas vo�orocas ocorrem n�o s� pela eros�o das �guas das chuvas sobre os solos desprotegidos de cobertura vegetal, como tamb�m pelo seu afundamento em face da presen�a de len��is fre�ticos ..

O desmatamento acarreta maior eros�o dos solos, transportando-se mais sedimentos para os leitos dos rios provocando o seu assoreamento, ficando mais rasos, tornando as enchentes mais desastrosas e dificultando a sua navega��o. Em rela��o aos climas a evapora��o torna-se mais intensa, tornando as chuvas irregulares e iniciando um processo de desertifica��o. Os solos endurecem como rocha (� o laterito).

A lateriza��o dos latossolos tropicais deve-se ao clima. Ocorre pela infiltra��o das �guas pluviais nos solos, onde reagem com os minerais dissolvidos nos mesmos, formando especialmente os �xidos de ferro e alum�nio. Quando a �gua sobe nos solos junto com estes �xidos, ela evapora, mas os �xidos concentram-se na superf�cie do solo, formando carapa�as chamadas de lateritas, de cor avermelhada, conferindo uma acidez acentuada aos mesmos.

 

d] Rela��es com o mercado -H� tr�s circunst�ncias que condicionam a inexist�ncia da agricultura de autoconsumo.

A agricultura de subsist�ncia deixa de existir na medida em que h� uma din�mica de mercado interno (divis�o local de trabalho) e facilidades de transporte, diminuindo a rela��o custo-tempo. Assim, por exemplo, nas cidades do interior das Regi�es Sudeste e Sul do Brasil, os pequenos propriet�rios rurais est�o perfeitamente integrados ao mercado urbano, onde tornam-se feirantes.

? Quem fica no campo praticando esta agricultura extensiva de baixa produtividade, recebe uma renda t�o pequena de suas colheitas, que precisa complement�-lo com trabalhos tempor�rios em �pocas de colheitas nos latif�ndios.

? Quando ocorreu a recess�o no Peru e na Bol�via, na d�cada de 80, tal agricultura nos altiplanos andinos foi uma alternativa para os desempregados urbanos; isto ocorre tamb�m hoje no Brasil (parte dos "b�ias-frias" s�o de ex-oper�rios de f�bricas e desempregados).

 

B] Afolhamento - praticada no Golfo da Guin� (�frica OOcidental, conjuntamente com a plantation), nos altiplanos andinos, no Sud�o e em certas �reas do M�xico. Consiste numa rota��o de terras, em que se alternam a agricultura e pousio com pecu�ria (geralmente ap�s as colheitas agr�colas, faz-se a cria��o de gado, em que a terra descansa e simultaneamente � adubada naturalmente com o esterco do gado).

 

C] Plantation

a) Conceito e localiza��o - A plantation � uma agricultura comercial de produtos tropicais para exporta��o, introduzida pelo colonialismo europeu na Am�rica(desde o s�culo XVI), �sia e �frica (desde o s�culo XIX)

b) Caracter�sticas - A plantation � montada no trip� do latif�ndio, monoexporta��o e muita m�o-de-obra; na �poca colonial, esta era escrava, mas hoje usa-se for�a de trabalho barata e tempor�ria (na �poca de safra).

� uma agricultura especulativa, voltada para o lucro no mercado externo que tem maior poder de compra; � uma monoexporta��o no sentido de que h� um "produto-rei" (ex.: o caf� representa 80% das exporta��es de Ruanda e Burundi e 96% das mesmas em Uganda) e outros produtos agr�colas de import�ncia secund�ria. Sabemos que isto torna os pa�ses agroexportadores muito vulner�veis em sua balan�a comercial.

A plantation est� muito ligada ao colonialismo moderno e contempor�neo, de forma direta (como no Caribe, pela a��o da Del Monte, antes chamada de United Fruit, dos EUA; como na �frica e SE da �sia, pela a��o dos europeus) ou indireta (pela presen�a de uma aristocracia rural detentora do poder pol�tico e econ�mico, ligada e interessada mais no mercado externo, ciosa de seus privil�gios, como aconteceu no S dos EUA e ainda ocorre no Brasil.

c) Consequ�ncias - J� estudadas anteriormente: grande depend�ncia econ�mica dos pa�ses que a praticam; estratifica��o social em duas classes (a aristocracia rural e a dos camponeses); estrutura fundi�ria injusta); ocorr�ncia da fome e intensifica��odo �xodo rural (melhores terras para o cultivo de agroexporta��o); desertifica��o dos solos e climas (devido ao uso exaustivo da terra); a proletariza��o dos camponeses (j� que se tornam trabalhadores assalariados nas colheitas).

 

D] Rizicultura submersa ou jardinagem do tipo oriental (agricultura intensiva de subsist�ncia)

a) Conceito e localiza��o - � o cultivo de arroz (=riziculturaa) nas plan�cies aluvionais formadas pelos rios da �sia Mon��nica (ou Meridional) e em terra�os nas montanhas, com trabalho-intensivo, em pequenas propriedades. At� 1/3 da haste do arroz tem que ser submerso parcialmente pelas �gua, que podem ser canalizada a partir dos rios ou coletada das chuvas de mon��es nos terra�os.

Aprendemos que as mon��es s�o ventos peri�dicos, que ora sopram do Oceano �ndico (�rea anticiclonal) para o S da �sia (na �poca de ver�o o continente est� mais quente que o mar, da� ser uma �rea ciclonal) - s�o as mon��es de sudoeste ( chuvosas de ver�o); ora sopram da �sia para o Oceano �ndico, durante o inverno (da� serem mon��es secas ou de nordeste- do outono � primavera).

Cerca de 80% da produ��o mundial de arroz concentram-se na �sia Mon��nica, sendo 56% na China e �ndia. As principais �reas de plantio s�o as plan�cies aluvionais formadas pelos rios Azul e Si-Kiang (na China); Mekong e Vermelho (Vietnam); Salwen e Irrawadi (Mianma); Baixo Ganges (�ndia) e nas ilhas da Indon�sia e Filipinas. O cultivo com t�cnicas arcaicas, o alto CV (aumentando a demanda de terras e alimentos) e os riscos naturais (tuf�es, enchentes, maremotos) fazem da �sia Mon��nica um dos "bols�es de pobreza".

b) Caracter�sticas

  • � feita em pequenas propriedades pelo sistema intensivo por m�o-de-obra, com t�cnicas cuidadosas, manuais e tradicionais, mas eficientes, da� o nome de jardinagem do tipo oriental. Este uso intensivo de trabalho humano � o fator explicativo das altas densidades demogr�ficas da �sia Mon��nica. O plantio � feito por cl�s familiares de camponeses, vivendo em aldeias, respeitando valores tradicionais.

  • Como a �rea � muito povoada, crescendo a demanda de alimentos, usam-se as terras de plan�cies com solos aluvionais bem como se pratica o cultivo do arroz em terra�os nas encostas de montanhas. Para ter maior produtividade o cultivo de arroz precisa estar parcialmente alagado; deste modo os terra�os possuem dupla finalidade: coletar as �guas pluviais de mon��es de ver�o que descem pela montanha abaixo e evitar a eros�o das encostas, j� que, ao descerem, sua for�a erosiva � amortecida pelos terra�os.

  • Como h� escassez de terras e � mister aproveit�-las intensivamente, o arroz � plantado em viveiros ou sementeiras, pouco antes da colheita. Assim, t�o logo esteja colhido e debulhado (=separa��o dos gr�os) este cereal, suas mudas j� est�o no tamanho adequado nas sementeiras para o transplante nos solos das pequenas propriedades. Isto permite maior aproveitamento da terra e duas colheitas anuais na mesma parcela de terra. O plantio � feito de julho a outubro, durante as mon��es chuvosas de ver�o.

  • A irriga��o ou alagamento parcial e controlado do arroz durante o seu crescimento, bem como a drenagem do terreno, quando ele est� chegando ao fim do seu ciclo vegetativo, s�o feitas manualmente e de modo natural (coletando as �guas das chuvas ou dos rios) ou artificial (construindo-se canais de irriga��o nas plan�cies).

4.2.3.- Espa�o Agr�rio nas Regi�es de Clima �rido (BW) e Semi�rido (BS)

 

A] Oriente M�dio

a) Plan�cie da Mesopot�mia, nos o�sis e trechos do litoral da Ar�bia Saudita praticam-se culturas irrigadas com t�cnicas tradicionais e seculares, usando muita m�o-de-obra nas poucas terras f�rteis.

b) Israel : aplicam-se t�cnicas modernas como a irriga��o por gotejamento, cobrindo-se os canteiros das plantas com pl�sticos para impedir a perda de �gua por evapora��o durante o dia, nos kibbutz (propriedades comunit�rias concedidas pelo Estado com objetivos agroindustrial e de defesa militar nas fronteiras com pa�ses �rabes vizinhos) e nos moshavei-ovdin (cooperativas onde a propriedade da terra � do Estado, mas a sua administra��o e explora��o se fazem pelas fam�lias).

Os kibbutzin passam por transforma��es profundas atualmente quanto ao gerenciamento da produ��o (antes era centralizada e planificada, hoje voltada para livre iniciativa e a economia de mercado), �s atividades econ�micas (antes era s� a agricultura, hoje � agroindustrial, fazendo parcerias at� com empresas privadas; os servi�os passaram a ser terceirizados), � for�a de trabalho (antes toda comunit�ria, agora n�o s� recebendo trabalhadores externos, como os residentes no kibbutz exercendo fun��es fora).

 

B] Saara - cultivos irrigados nos o�sis. Estes ocorrem em fun��o do afloramento de len��is fre�ticos no solo. A� cultivam-se verduras, legumes e t�maras. A �gua que emerge no solo deve ser usado de forma racional, atrav�s de um sistema hidr�ulico denominado "foggara", que consiste na canaliza��o subterr�nea da �gua (para restringir sua evapora��o) em tubos de barro cozido. Dessa rede de canais de argila cozida saem po�os - a �gua � distribu�da em certas horas do dia para os usu�rios e para irriga��o das plantas.

 

C] Comunidade dos Estados Independentes (CEI) - Estepes do Casaquist�o e Usbequist�o (�sia Central)

A L e S do Mar de Aral, onde desembocam os rios Amu-Darya e Syr-Darya, criam-se ovinos e pratica-se a cultura irrigada de algod�o. Devido ao fato de que nos climas �ridos e semi�ridos h� mais evapora��o do que precipita��o pluvial, o meio ecol�gico � muito fr�gil e fragilizou-se mais ainda com o desvio das �guas daqueles rios para irriga��o, diminuindo seu d�bito fluvial no Mar de Aral e ocorrendo o processo de desertifica��o-, este mar est� diminuindo desde 1960 (1/3 de sua extens�o original e da profundidade). O Estado no Usbequist�o desempenha papel importante na transi��o para o capitalismo.

 

4.3.- OBJETIVOS DA AGRICULTURA

Quanto � finalidade a agricultura pode ser de subsist�ncia, comercial, socialista e cient�fica.

 

4.3.1. - Agricultura primitiva de subsist�ncia - recapitulando, � uma policultura exteensiva, usando energia bra�al e instrumentos como a enxada, a foice, o ancinho; feita em pequenas propriedades familiares na Am�rica Latina e na �frica.

 

4.3.2.- Agricultura comercial - destinada ao mercado consumidor urrbano, aplicando-se t�cnicas modernas e sendo especializada conforme as tend�ncias deste mercado. Quando � feita com o objetivo de atender ao mercado externo, tem como finalidade principal o lucro, como a plantation, passa a ser uma agricultura especulativa (especular=ganhar lucro) - geralmente � feita por empresas agroindustriais.

 

4.3.3.- Agricultura socialista - enquanto no capitalismo a propriedadee dos meios de produ��o � privada e a economia � de mercado (com as flutua��es de pre�os pela oferta e procura, ou pela atua��o de monop�lios e oligop�lios); no socialismo, a propriedade dos meios de produ��o � do Estado ou da comunidade e a economia � planificada pelos mesmos. Estes cultivos socialistas s�o ainda encontrados na CEI (kolkhoz e sovkhoz), na Europa Oriental, na China (fazendas especializadas e comunas) e no M�xico (os "ejidos").

Na CEI as terras das sovkhozes est�o sendo vendidas ou arrendadas � iniciativa particular; os cooperativados das kolkhozes n�o seguem mais a planifica��o governamental (deliberada pela centraliza��o burocr�tica de um partido �nico como havia antes) e sim as normas do mercado. Agora, a propriedade dos meios de produ��o (m�quinas, ferramentas, celeiros, armaz�ns) ainda � coletiva; uma parcela da produ��o � para o autoconsumo das fam�lias, a outra parcela (evidentemente, a maior) � vendida e os lucros s�o proporcionais � participa��o de cada cooperativado das kolkhozes.

Na Europa Oriental os governos est�o devolvendo os meios de produ��o aos antigos propriet�rios ou vendendo-os aos novos ricos (geralmente participantes daquela burocracia que centralizava o poder no Partido Comunista) ou, ainda, fomentando a forma��o de cooperativas.

Na China, atualmente, h� tr�s tipos de organiza��o do espa�o agr�rio:

  • Fam�lias especializadas - donas de seus neg�cios(mas n�o das terras) comercializando o que produzem al�m das cotas estabelecidas pelo Estado; elas representam cerca de 1/3 da produ��o agr�cola chinesa.

  • Fazendas estatais - em �reas pioneiras (como a oeste �rido e semi�rido), funcionando com base em trabalho assalariado, mas de acordo com metas fixadas pelo governo central.

  • Comunas - perderam suas caracter�sticas anteriores � pol�tica atual de descentraliza��o, pois s�o cooperativas de pequenos agricultores.

No M�xico, h� a propriedade coletiva chamada de "ejido", que � uma aldeia comunit�ria (de origem pr�-colombiana), onde as fam�lias trabalham em comum e tiram o sustento da terra de forma solid�ria. Os "ejidos" representam 50% das terras, mas sofrem a press�o das empresas agroindustriais ( s�o as "haciendas" ou laltif�ndios produtores de algod�o, can-de-a��car, caf�), dos intermedi�rios (que lucram, comprando por pre�os baixos os seus produtos, vendendo-os mais caros no mercado- no Brasil chamam-se "atravessadores") e do caciquismo (mandachuvas ou tutumumbucas que t�m uma ascend�ncia pol�tica em cidades do interior, como os coron�is do NE do Brasil e cobram uma taxa pela venda dos produtos destes camponeses).

 

4.3.4.-Agricultura Cient�fica - � a agricultura moderna praticada noss pa�ses centrais europeus e anglo-sax�nicos, caracterizada pelo uso da mecaniza��o (tratores, colheitadeiras e outros implementos agr�colas), aduba��o, uso de corretivos nos solos, de defensivos agr�colas (para combater pragas preventivamente), pesquisas biogen�ticas (atrav�s de clonagem e hibridismo criam-se novas variedades de plantas e animaism melhor adaptados a meios ecol�gicos distintos do seu habitat natural). Al�m disso, h� a introdu��o de m�todos de gerenciamento industrial e cria��o de infraestrutura de comercializa��o (silos, armaz�ns, frigor�ficos, transportes) em especial nas transnacionais agroindustriais. Enfim, � a agricultura mais ligada � Revolu��o Cient�fica e Tecnol�gica, que ocorre desde a d�cada de 70 e protagoniza a nova Revolu��o Industrial.

 

4.4.- EVOLU��O E INOVA��O NOS SISTEMAS AGRICOLAS

A] Inova��es Agr�colas - Sua finalidade � a mudan�a nas forrmas de uso e de ocupa��o dos solos. Elas manifestam-se no espa�o agr�rio pela ado��o de novos insumos, equipamentos, t�cnicas (curvas de n�vel, rota��o de culturas) e mesmo na reconvers�o da atividade agr�cola praticada (como da lavoura para a pecu�ria).

B] Moderniza��o Agr�cola - � resultante das inova��es citadas accima, como produto da Revolu��o tecnocient�fica. Ela transforma os modos de produ��o, tanto em suas for�as produtivas (=conjunto de for�a de trabalho e os meios materiais de produ��o) como nas rela��es sociais de produ��o (entre os propriet�rios dos meios de produ��o e os trabalhadores rurais e urbanos). No capitalismo, por exemplo, o modo de produ��o favorece as classes dominantes, da� se dizer que no Brasil a moderniza��o � conservadora.

A moderniza��o trouxe, por um lado, novas profiss�es e padr�es de consumo; dinamizou o fluxo de rela��es nacionais e internacionais e organizou uma nova divis�o internacional de trabalho - enfim, criou novas m�quinas e instrumentos de trabalho e de lazer. Por outro lado, a moderniza��o alterou a distribui��o setorial da popula��o ativa (a terciariza��o nos pa�ses centrais), tornou mais grave o problema do desemprego em escala planet�ria, aumentou a competitividade das empresas e flexibilizou o trabalho.

No espa�o agr�rio a moderniza��o ensejou a concentra��o fundi�ria e, assim, os conflitos pela posse da terra nos pa�ses perif�ricos. No mundo, surgiram problemas ecol�gicos, como a destrui��o dos ecossistemas, eros�o dos solos pela intensividade da produ��o, surgimento de novas pragas, contamina��o dos produtos agr�colas pelo uso inadequado de defensivos agr�colas e a desertifica��o dos climas e dos solos.

 

4.4.1.- A Revolu��o Verde e a Biorrevolu��o

A] Conceitos- A Revolu��o Verde representou a introdu��o de t�cnicas de moderniza��o agr�cola em alguns pa�ses subdesenvolvidos, tais como sementes selecionadas, fertilizantes, defensivos agr�colas. J� a Biorrevolu��o consiste na aplica��o da biologia molecular com o objetivo de criar novas sementes, al�m de ado�antes artificiais, enzimas, prote�nas vegetais, leveduras.

B] Caracter�sticas - A Revolu��o Verde foi feita por innstitui��es p�blicas do porte da FAO e contribuiu para trocas de experi�ncias e id�ias sobre novas variedades de insumos e plantas (especialmente trigo, arroz, milho) na d�cada de 60 na Am�rica Latina e �sia, para tentar solucionar o problema da fome, em face da explos�o demogr�fica que estava ocorrendo. J� a Biorrevolu��o foi patrocinada especialmente por transnacionais bioqu�micas, desde a d�cada de 70, investindo em produtos agr�colas e farmac�uticos atrav�s de biotecnologia.

C] Consequ�ncias -

a) Revolu��o Verde - primeiro houve aumento da produtividade agr�cola, mas as esp�cies novas de trigo e milho, tinham menor valor nutritivo e eram mais sujeitas �s pragas (tecnologia inadequada, pois foram criadas em pa�ses centrais de clima temperado). Os camponeses que n�o tiveram colheitas suficientes para saldar suas d�vidas, relacionadas � compra de sementes e equipamentos, foram � fal�ncia. Enquanto isto, latifundi�rios beneficiaram-se com os investimentos de organismos internacionais. Mais tarde os projetos da FAO foram encampados pelas transnacionais, a fim de aumentar o mercado de consumo de seus produtos.

b) Biorrevolu��o - atendeu mais � expans�o de empresas agroindustriais e n�o ao mercado interno dos pa�ses subdesenvolvidos; al�m disto, os produtos biotecnol�gicos est�o concorrendo com os tradicionais, retirando-lhes os seus mercados (ex.: ado�antes x a��car), aumentando a oligopoliza��o da ind�stria qu�mica e farmac�utica a n�vel mundial e fortalecendo o neocolonialismo.

 

4.5. - FRENTES PIONEIRAS

As frentes pioneiras s�o �reas sem dono que atraem migrantes provenientes de outras regi�es, onde est� havendo dificuldades de posse de terras, em face do crescimento demogr�fico e desemprego.

A ocupa��o das frentes pioneiras pode ser espont�nea ou estimulada pelos governos, que precisa criar condi��es de infraestrutura para que a �rea de atra��o n�o fique estagnada (ex.: cr�ditos, legaliza��o das terras). Exemplos: conquista da Sib�ria pelos cossacos; conquista do far-west pelos pioneiros (Lei Homestead Act norte-americana doava terras); imigra��o de colonos italianos e alem�es para o Planalto Ocidental Paulista (dinheiro arrecadado pelo governo em leil�es de terras eram aplicados na contrata��o destas viagens e, por outro lado, estavam havendo as lutas pela unifica��o da It�lia e Alemanha).

 

4.6..- REFORMA AGR�RIA

Na Am�rica Latina, onde ocorre uma brutal concentra��o fundi�ria, h� necessidade de uma democratiza��o da terra, transformando as rela��es de produ��o entre as classes sociais diretamente envolvidas nela - isto � o que chamamos de Reforma Agr�ria.

Toda e qualquer propriedade, mesmo no sistema capitalista em que ela pertence � iniciativa privada, deve ter uma fun��o social, isto �, deve ser usada de forma integrada e racional, preservando o meio ambiente e respeitando a legisla��o trabalhista dos pa�ses. N�o � isto o que acontece nos pa�ses latinoamericanos.

A exclus�o da posse da terra a milhares de camponeses tem levado a conflitos rurais- o mais famoso foi o chefiado por Pancho Villa e Emiliano Zapata, no M�xico (1914); no Brasil houve a forma��o das Ligas Camponesas (d�cada de 60) e atualmente o MST (Movimento dos Sem-Terra).

A Reforma Agr�ria implica na consci�ncia e vontade pol�tica das classes dominantes em aceitar a id�ia da fun��o social da propriedade e o direito do confisco das terras ociosas, de acordo com o interesse p�blico. Ela n�o consiste, simplesmente, em desapropriar latif�ndios improdutivos e assentar camponeses em suas terras, mas, sobretudo, na cria��o de uma infraestrutura de estradas secund�rias (para escoar a produ��o ao mercado urbano), em assist�ncia t�cnica e cr�ditos subsidiados pelos governos

A reforma agr�ria diminui o �xodo rural e as necessidades de mais infraestrutura nas cidades- portanto repercute na Reforma Urbana; al�m disto, ela proporciona emprego para 3 pessoas diretamente no campo, recebendo um sal�rio maior que na cidade e assim aumentando o mercado interno consumidor e a maior oferta de alimentos e, enfim, resolveria o problema da estrutura fundi�ria injusta ( concentra��o de terras nas m�os da aristocracia rural) dominante na Am�rica Latina.

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