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O que significa estudar geograficamente o mundo ou parte do mundo?
Geografia se propõe
a algo mais que descrever paisagens, pois a simples descrição
não nos fornece elementos suficientes para uma compreensão
global daquilo que pretendemos conhecer geograficamente.
s paisagens que vemos são
apenas manifestações aparentes das relações
estabelecidas entre os muitos e variados integrantes do nosso planeta
e até mesmo do Universo.
Da energia do Sol à ação dos bichos, das plantas,
das águas e dos ventos; dos movimentos executados pela Terra aos
constantes deslocamentos verificados na crosta terrestre; das formas restritas
e localizadas de atuação das tribos indígenas à
planetária intervenção das modernas sociedades industriais
não nos faltam dinâmicas e relações a serem
investigadas.
Ir além das aparências significa considerar que por trás
de toda paisagem temos, necessariamente, uma dinâmica particular
que a determina, que a constrói, que a mantém com determinada
aparência, por exemplo, de floresta, de deserto, ou até mesmo
de cidade.
Estudar geograficamente o mundo, no todo ou em parte, é buscar entender
como e por que as paisagens - sejam elas quais forem - apresentam as características
que observamos. Ou seja, o que se busca é o entendimento do espaço
geográfico, que, dessa forma, deve ser entendida como algo que inclui
não só aquilo que vemos (paisagem), mas também os fatores
determinantes da aparência. Entre toda as dinâmicas de que resultam
as diversas paisagens que se espalham pelo mundo, as impostas pelo ritmo
e pelas necessidades das modernas sociedades industriais são hoje
as mais presentes na quase totalidade das paisagens que venhamos a investigar.
Portanto, uma investigação de fato geográfica acerca
do mundo atual deve, mais do que se ocupar de descrições de
realidades aparentes (paisagens), propor-se a investigar, principalmente,
o modo pelo qual a sociedade produz o espaço geográfico.
Para melhor compreensão do que estamos dizendo, vamos considerar
que qualquer pessoa é capaz de identificar um conhecido "cartão-postal"
do Brasil. Trata-se da cidade do Rio de Janeiro, da qual se vê a baía
de Guanabara, o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, etc.
Se a investigação geográfica dessa paisagem se restringisse
à descrição dos elementos que a constituem, bastaria
acrescentar mais alguns nomes à lista que iniciamos. Assim, mencionaríamos
também os diversos tipos de construções e moradias,
as praias, os vários tipos de embarcações, as pistas
asfaltadas, os carros, etc.
Mas, como dissemos, não basta fazer uma espécie de fotografia
falada ou escrita das paisagens, pois o espaço geográfico
não se revela apenas na aparência das coisas, mas sobretudo
na investigação das razões que determinam essa aparência.
E, para entendermos de fato esse espaço, ou descobrirmos tais razões,
teríamos de necessariamente responder a muitas questões, tais
como:
Por que exatamente neste local construíram-se tantos prédios
e tantas avenidas? Para onde vão ou de onde vêm essas embarcações,
esses carros, ou esses ônibus?
Por que a imagem do Cristo Redentor foi colocada num dos lugares mais altos
da paisagem?
Por que a baía tem esse formato?
Como surgiram os morros em torno da baía?
Por que alguns dos morros têm cobertura vegetal e outros não?
E as pessoas? Onde estão, o que fazem, como vivem?
o responder a essas e a muitas
outras questões que poderíamos formular a partir de uma simples
observação atenta da paisagem, buscamos na verdade desvendar
as dinâmicas responsáveis por cada um dos elementos aparentes
que nos chamam a atenção. Ou, em outras palavras, estaríamos
desvendando o espaço geográfico do qual esse cartão-postal
do Rio de Janeiro revela apenas a aparência.
PEREIRA, Diamantino; SANTOS, Douglas e CARVALHO, Marcos de. Geografia:
ciência do espaço - o espaço mundial. São Paulo,
Atual, 1993.
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