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parentemente é bastante
simples explicar o que é Geografia, porém refere-se a um
campo do conhecimento científico, onde reina enorme polêmica.
(MORAES ¸ 1988: 13)
concepção de Geografia,
para alguns autores, é do estudo da superfície terrestre,
é a mais usual porém é também a de maior vaguidade.
Esta definição do objeto apóia-se no próprio
significado etimológico do termo Geografia - descrição
da Terra. Sendo assim uma espécie de síntese de todas as
ciências. Esta concepção origina-se das formulações
de Kant. Para este autor, haveria duas classes de ciências, as especulativas,
apoiadas na razão, e as empíricas apoiadas na observação
e nas sensações. Enfim, a idéia de descrição
da superfície da Terra alimenta a corrente majoritária do
pensamento geográfico. (MORAES ¸ 1988: 13/14)
Outros autores vão definir a Geografia como o estudo da paisagem,
estudo da individualizade dos lugares, estudo da diferenciação
de áreas, estudo do espaço . (MORAES ¸ 1988: 14 a
17).
Finalmente, alguns autores definem a Geografia como o estudo das relações
entre a sociedade e a natureza. Dentro desta concepção aparecem,
pelo menos, três visões distintas do objeto de estudo da
Geografia: Alguns autores vão apreendê-lo como as influências
da natureza sobre o desenvolvimento da humanidade; outros autores, mantendo
a idéia da Geografia, como estudo da relação entre
o homem e a natureza, vão definir-lhe o objeto como a ação
do homem na tranformação deste meio; e há ainda aqueles
autores que concebem o objeto como a relação em si, com
os dados humanos e os naturais possuindo o mesmo peso. A discussão,
entre estas três visões do objeto, expressa o mais intenso
debate do pensamento geográfico. ((MORAES ¸ 1988: 18/19).
Percebe-se que o painel abordado levou-se em conta apenas a Geografia
Tradicional, pois é nessa que a questão do objeto aflora
de modo mais contundente, não foram abordadas as propostas oriundas
do movimento de renovação que domina o conjunto do pensamento
geográfico contemporâneo. A Geografia Renovada não
se prende a uma visão tão estanque da divisão das
ciências, não coloca barreiras tão rígidas
entre as disciplinas, logo, não possui uma necessidade tão
premente de formular uma definição formal do objeto. (MORAES
¸ 1988: 19/20).
O fundamento da Geografia Tradicional foi o Positivismo, segundo o qual
os estudos devem restringir-se aos aspectos visíveis do real, mensuráveis,
palpáveis. Daí a limitação de todos os procedimentos
de análise à indução, posta como a única
via de qualquer explicação científica. Esta concepção
presente em todas as definições apresentadas, emperou a
possibilidade de chegar a Geografia a um conhecimento mais generalizador,
que não fosse à custa do formalismo tipológico. Por
esta razão, a Geografia Geral tão almejada pelos geógrafos,
na prática sempre se restringiu aos compêndios enumerativos
e exaustivos, de triste memória para os estudantes. (MORAES ¸
1988: 21 a 23)
O rótulo Geografia é bastante antigo sua origem remonta
à Antiguidade Clássica, especificamente ao pensamento grego.
As perpectivas distintas de Geografia, ao nível do pensamento grego,
ficam com Tales e Anaximandro, que privilegia a medição
do espaço e a discussão da forma da Terra, englobando um
conteúdo hoje definido como da Geodésia e outra com Heródoto,
se preocupa com a descrição dos lugares, numa perspectiva
regional. ((MORAES ¸ 1988: 32)
O conhecimento geográfico se encontra disperso. Por um lado, as
matérias apresentadas com essa designição eram bastante
diversificadas, sem um conteúdo unitário. Por outro lado,
muito do que hoje se entende por Geografia, não era apresentado
com este rótulo. Este quadro vai permanecer até o final
do século XVIII. ((MORAES ¸ 1988: 33)
ssim, até o final do século
XVIII, não é possível falar de conhecimento geográfico,
como algo padronizado. Na verdade, trata-se de todo um período
de dispersão do conhecimento geográfico, onde é impossível
falar dessa disciplina como um todo sistematizado e particularizado. Nelson
Werneck Sodré denomina-o de "pré-história da
Geografia. ((MORAES ¸ 1988: 33/34)
sistematização
do conhecimento geográfico só vai ocorrer no início
do século XIX. Pensar a Geografia como um conhecimento autônomo,
particular, demandava um certo número de condições
históricas, que somente nesta época estarão suficientemente
maturadas. ((MORAES ¸ 1988: 34)
O prussiano Karl Ritter (1779-1859) divide, com seu contemporâneo
e conterrâneo Humboldt, a condição de fundador da
geografia moderna. A sua obra constitui prova de que a disciplina nasceu
impregnada pela preocupação com o tempo histórico.
Revela também que o desprezo pela história, tão evidente
na geografia universitária e escolar atual, não é
uma "doença congênita", mas adquirida. E, ainda,
que aqueles que buscam no recurso ao tempo histórico uma alavanca
para a renovação da geografia não estão rompendo
com uma tradição, mas tentando recuperar um fio perdido
em alguma encruzilhada do passado. (MAGNOLI ¸ 1997)
Outro prussiano, Friedrich Ratzel (1844-1904), celebrizou-se como fundador
da geografia política. Seus detratores - o francês Vidal
de La Blache e a chamada "escola possibilista" que inaugurou
- habilmente desviaram a discussão para o campo que lhes interessava,
inventando uma "escola determinista" de inspiração
ratzeliana. Através dessa operação, instalaram um
falso debate sobre as relações entre sociedade e natureza
e mascararam aquilo que realmente separava as duas correntes: as relações
entre a geografia e a política. (MAGNOLI ¸ 1997)
Ratzel, que não era "determinista", enxergava no Estado
- e, portanto, no território delimitado por fronteiras políticas
- o objeto de estudo da geografia. Sob a poderosa influência da
filosofia da história de Hegel, o geógrafo interpretou a
construção do território estatal como a mais elevada
conquista do espírito e da cultura, elaborando algumas das idéias
que, mais tarde e em outro contexto, seriam manipuladas para fins de legitimação
do expansionismo nazista. (MAGNOLI ¸ 1997)
O empreendimento metodológico de La Blache (1845-1918) consistiu
em isolar a geografia da política, revestindo a disciplina com
um escudo de aparente objetividade que lhe forneceria uma base mais ampla
de legitimidade científica. Nesse esforço encontra-se o
momento inicial de ruptura com o tempo histórico. (MAGNOLI ¸
1997)
O passo seguinte, e decisivo, foi dado pela chamada geografia quantitativa,
que se difundiu no pós-guerra essencialmente a partir dos Estados
Unidos. A nova proposta, que se queria revolucionária e fazia tábula
rasa do passado da disciplina, almejava a mesma meta dos "possibilistas"
- a de elevar a geografia à condição de "ciência
respeitável". A estratégia consistiu em transformar
instrumentos e técnicas de trabalho - a estatística, a modelagem
matemática - em paradigma do pensamento geográfico. (MAGNOLI
¸ 1997)
s duas escolas anti-históricas
do pensamento geográfico - a "possibilista" e a quantitativa
- encontraram-se no ensino básico e médio. Uma pesada tradição
didática, contra a qual se chocam professores engajados na renovação
do ensino de geografia, mescla ou apenas justapõe a descrição
da paisagem fornecida pela primeira à formalização
da paisagem oferecida pela segunda. (MAGNOLI ¸ 1997)
Em última instância, o resultado consiste na abolição
da explicação dos fenômenos, amputados da sua gênese
e evolução. Despidos do tempo histórico, objetivados
como "características da paisagem", os fenômenos
geográficos perdem sentido e inteligibilidade. A geografia se dilui
na corografia. (MAGNOLI ¸ 1997)
É no ensino de geografia humana que a abolição do
tempo histórico gera conseqüências mais evidentemente
nocivas. Uma delas - particularmente significativa nos dias que correm
- consiste no congelamento de um método de abordagem regional que
faz das regiões entidades reais, supostas divisões objetivas
do espaço. (MAGNOLI ¸ 1997)
abolição do tempo
histórico suprime a análise da cultura como elemento de
organização do espaço mundial. Mas, como entender
a antiga Iugoslávia e a guerra étnica na Bósnia abstraindo-se
a
fragmentação histórico-religiosa dos eslavos do sul
em católicos, cristãos ortodoxos e muçulmanos? E
como entender essa fragmentação ignorando a bipartição
do Império Romano e, muito mais tarde, o domínio turco-otomano
sobre o sudeste europeu? (MAGNOLI ¸ 1997)
Tudo isso se aplica ao espaço brasileiro, tanto quanto ao espaço
mundial. A singular estrutura urbana do Nordeste - a situação
litorânea das capitais políticas e metrópoles regionais
e a localização das "capitais do Agreste" - é
a materialização, sobre o espaço geográfico,
dos tempos históricos que constituíram as economias nordestinas
e as elites político-econômicas regionais. A policultura
associada à criação, em pequenas propriedades, que
ainda subsistem nos planaltos subtropicais do Brasil meridional é
uma herança espacial dos tempos históricos da colonização
particular e pública e da imigração européia
do século XIX. Os tempos estão inscritos sobre o espaço
ou, para ir à raiz, camadas sucessivas de tempo histórico
moldam o espaço geográfico. (MAGNOLI ¸ 1997)
No final da década de 70 foi deflagrado, no Brasil, um movimento
de renovação da Geografia e do ensino da disciplina. Ele
influenciou teses e ensaios universitários, obras didáticas,
propostas curriculares oficiais e exames vestibulares. Entretanto, uma
avaliação retrospectiva revela que as suas promessas ultrapassaram
largamente as efetivas aquisições. Talvez a causa maior
do descompasso resida no sectarismo metodológico e teórico
que animou o movimento. (MAGNOLI ¸ 1997)
O corpo principal de propostas de renovação desenvolvidas
nesse período almejava gerar uma "geografia marxista".
O "materialismo histórico e dialético" foi alçado
a paradigma da renovação e noções como "modo
de produção" e "formação econômica
e social" foram transformadas em pilares da reflexão geográfica.
(MAGNOLI ¸ 1997)
Yves Lacoste, que jamais parou de insistir no lugar de fundador da geografia
que se deve atribuir a Heródoto, escreveu um belo ensaio sobre
"Braudel geógrafo". Nele, emergem nitidamente os conceitos
geográficos que perpassam a obra do historiador. Mas, acima de
tudo, o ensaio explicita a ruptura entre a apreensão do espaço
em Braudel e a tradição da geografia de Vidal de La Blache.
(MAGNOLI ¸ 1997)
incorporação do
tempo histórico à análise geográfica e ao
ensino de geografia está a caminho. De um lado, pela prática
de estabelecer conexões entre os conteúdos obrigatórios
e as informações divulgadas pela mídia, que se dissemina
entre professores de escolas particulares e públicas. De outro,
por uma nova atitude que se esboça entre as autoridades encarregadas
da educação. (MAGNOLI ¸ 1997)
Um sinal significativo é o documento Parâmetros curriculares
nacionais: geografia, elaborado pela Secretaria do Ensino Fundamental
e divulgado recentemente. Nele, a geografia é definida como disciplina
que "estuda as relações entre o processo histórico
que regula a formação das sociedades humanas e o funcionamento
da natureza, através da leitura do espaço geográfico
e da paisagem". (MAGNOLI ¸ 1997)
novidade não está
nessa conceituação, que já faz parte do patrimônio
do melhor pensamento geográfico. Está na formulação,
nítida, da necessidade de redirecionar o ensino da disciplina no
sentido indicado por essa abordagem. (MAGNOLI ¸ 1997)
renovação do ensino
de geografia não é, apenas, uma necessidade pedagógica
- é uma imposição de sobrevivência. O velho
ensino descritivo, resultado da simplificação didática
da tradição "possibilista", tornou-se um verdadeiro
anacronismo no ambiente dominado pelas comunicações contemporâneas.
A memorização de características regionais ou de
"paisagens" objetivadas como coleção de acidentes
geográficos tende a sucumbir diante da concorrência representada
pela profusão de imagens em movimento de todas as partes do mundo
oferecidas pela mídia. (MAGNOLI ¸ 1997)
Por outro lado, a mídia é incapaz, pelas próprias
exigências da mercantilização da informação,
de revelar a pluralidade de significados imantados às imagens que
propaga. Efetivamente, falta às belas e, por vezes, impressionantes
imagens da mídia a dimensão de profundidade. Nessa fraqueza
reside o campo de oportunidades para a sobrevivência e, mais que
isso, a valorização do ensino de geografia. (MAGNOLI ¸
1997)
arma secreta do raciocínio
geográfico é a aparelhagem conceitual e técnica de
descoberta e tradução desses significados. A sua utilização
eficaz proporciona a chance de, incorporando ao processo didático
as imagens da mídia, construir uma ponte entre os estudantes e
o mundo de informações que os rodeia. Agindo assim, a geografia
assume a condição de "gramática do mundo"
e define para si própria um lugar privilegiado na sociedade e na
escola. (MAGNOLI ¸ 1997)
reflexão sobre a natureza
da Geografia, como ciência e como saber, voltada para as preocupações
com a sociedade e a utilização do espaço, visando
à sua transformação em território, leva a
que o geógrafo se preocupe com conhecimentos demográficos,
históricos, sociológicos, antropológicos etc. A influência
histórica é também muito grande, em face da necessidade
de se estabelecerem relações entre as categorias de espaço
e tempo. As ligações da Geografia com a História
sempre foram tão estreitas que durante muitos anos os cursos superiores
ligados à matéria eram de Geografia e História, só
tendo sido separados, no Brasil, nos anos 50. Um dos maiores geógrafos
dos fins do século XIX, considerado como um dos fundadores da Geografia
científica, Elisée Reclus, chegou a afirmar que a "Geografia
é a História do Espaço e que a História é
a Geografia do Tempo" (Guia do Livro Didático)
Quanto à utilização da Geografia no ensino, sobretudo
na fase em que é usada por adolescentes, tem duas funções:
a de informar e a de formar. A de informar porque, se bem ministrada,
ela traz ao aluno uma série de conhecimentos que são indispensáveis
à sua ação e à reflexão sobre o meio
em que vive, em escalas diversas: a local, a estadual, a regional, a nacional
e a mundial. Com as informações por ela fornecidas, o estudante
e o futuro cidadão podem se localizar em áreas e posições
as mais diversas, facilitando decisões e ações. A
de formar porque a Geografia, quando corretamente ensinada, serve para
corrigir tabus e destruir preconceitos, mostrando que homens de raças,
crenças e hábitos diferentes agem de forma adequada, ou
não, em face de desafios do meio e da cultura em que estão
inseridos. .(Guia do Livro Didático)
Ela serve, assim, para desenvolver uma maior compreensão entre
os povos e, ao mesmo tempo, para uma maior abertura à análise
das estruturas socioeconômicas e culturais, contribuindo para que
os alunos, no futuro, sejam capazes de procurar soluções,
não de acordo com modelos que lhes forem apresentados, mas de acordo
com os modelos que elaborarem, em função dos desafios enfrentados.
.(Guia do Livro Didático)
Isso tudo leva à reflexão sobre a importância do estudo
da Geografia no Ensino Fundamental e Médio a fim de melhor formar
o cidadão e dar a ele a capacidade de tomar decisões e atitudes
diante dos desafios que venha a enfrentar. .(Guia do Livro Didático)
Hoje usa-se muito o termo "Fazer geografia" ao invés
de estudar Geografia. Por que? A Geografia faz parte do nosso dia-a dia.
Nos trajetos que fazemos diariamente, usando o meio de transportes, participando
de atividades produtivas, estamos fazendo Geografia. Esse processo é
como dissemos um ato cotidiano e as ações para a construção
do espaço geográfico, não são isoladas acontecem
com maior ou menor intensidade em todos os espaços do mundo, é
realizado por todas as sociedades. Não se estuda mais os nomes
de rios, as localizações de cidades, as formas de relevo
ou as condições climáticas de um determinado espaço,
sem saber como esses aspectos físicos e naturais vão influir
na vida do homem e das sociedades. Através do conhecimento científico
e da aquisição gradativa do raciocínio geográfico,
é possível entender as relações entre o homem
e a natureza. Como já dissemos, a escola é um dos principais
espaços para que esse processo se concretize e deve estar apta
a preparar o educando para viver e conviver com as diferenças e
a nova (des) ordem mundial, fazendo-o sentir como suas ações
são importantes para a vida em sociedade.A Geografia é,
sem dúvida, uma ciência importante para a compreensão
deste processo.
É pelo mecanismo de sua inserção no quadro natural
que o homem vai construindo o espaço geográfico, sendo este
caracterizado pela crescente socialização da natureza quando
introduzimos no habitat ecúmeno maior avanço cultural no
sentido abrangente (lato senso). É bom frisarmos que só
há socialização da natureza na medida em que ela
se beneficia concretamente dos avanços progressistas da humanidade
que possibilitam mantê-la preservada em seus valores sociais, o
que significa mantê-la em seus valores naturais. Caso contrário,
isto é, num processo inverso de depredação, portanto
de utilização irracional, ela é transformada numa
mercadoria descartável. Em vez de socialização teremos
um processo inverso de dessocialização da natureza. Simultaneamente,
na proporção em que o ser humano historiciza a natureza,
assistimos à naturalização da sociedade. Isto quer
dizer que há uma reciprocidade funcional pautada pelo mecanismo
de trocas mútuas. E o próprio homem que historiciza a natureza,
naturaliza a si próprio, via inserção da natureza
em nossa vida existencial. (GOMES ¸ 1990)
s transformações
no espaço geográfico, portanto, nem sempre são resultantes
da revolução tecnocientífica, mas provêm da
intervenção simultânea de redes de influência
que operam ao mesmo tempo em uma multiplicidade de lugares espalhados
pela superfície da Terra. Isso vem revolucionando nossa noção
de tempo e de velocidade. Chegando finalmente a um mundo onde, melhor
do que em qualquer outro período histórico, podemos falar
de um espaço total em tempo real. (CROCETTI)
É nestes termos que a Geografia hoje se coloca. É nestes
termos que seu ensino adquire dimensão fundamental no currículo:
um ensino que busque junto aos alunos uma postura crítica diante
da realidade, comprometida com o homem e com a sociedade; não com
o homem abstrato, mas com o homem concreto, com a sociedade tal qual ela
representa, dividida em classes, com conflitos e contradições
e, que, particularmente, contribua para sua transformação.
Diante do que foi colocado como preocupação de estudo da
Geografia, e que se desdobra ao longo dos temas a serem tratados, evidencia-se
a produção do espaço nas circunstâncias do
mundo atual, construída por sociedades concretas. (CROCETTI)
bordagens atuais da Geografia
têm buscado práticas pedagógicas que permitam colocar
aos alunos as diferentes situações de vivência com
os lugares, de modo que possam construir compreensões novas e mais
complexas a seu respeito. Espera-se que, dessa forma, eles desenvolvam
a capacidade de identificar e refletir sobre diferentes aspectos da realidade,
compreendendo a relação sociedade/natureza. Essas práticas
envolvem procedimentos de problematização, observação,
registro, descrição, documentação, representação
e pesquisa dos fenômenos sociais, cultirais ou naturais que compõem
a paisagem e o espaço geográfico, na busca e formulação
de hipóteses e explicações das relações,
permanências e tranformações que aí se encontram
em interação. Nessa perspectiva procura-se sempre a valorização
da experiência do aluno. (PCN-Geografia¸ 1998: 30)
É fundamental que o espaço vivido pelos alunos continue
sendo o ponto de partida dos estudos ao longo do terceiro e quarto ciclos
e que esse estudo permita compreender como o local, o regional e o global
relacionam-se nesse espaço. A compreensão de como a realidade
local relaciona-se com o contexto global é um trabalho a ser desenvolvido
durante toda a escolaridade, de modo cada vez mais abrangente, desde os
ciclos iniciais. (PCN-Geografia¸ 1998: 30)
Geografia trabalha com imagens,
recorre a diferentes linguagens na busca de informações
e como forma de expressar suas interpretações, hipóteses
e conceitos. Pede uma cartografia conceitual, apoiada em fusão
de múltiplos tempos e em linguagem específica, que faça
da localização e da espacialização uma referência
da leitura das paisagens e seus movimentos. (PCN-Geografia¸ 1998:
33)
Como grande parte da compreensão da Geografia passa pelo olhar,
será necessário sair com os alunos em excursões ou
passeios didáticos para ensiná-los a observar a paisagem.
A observação permite explicações sem necessidade
de longos discursos. Além disso, estar diante do objeto de estudo
é muito mais cativante e prazeroso no processo de aprendizagem.
O trabalho com estudos do meio envolve outros aprendizados fundamentais
na leitura da paisagem, tais como apreender os procedimentos de pesquisa,
desenvolver ou criar projetos de estudo. (PCN-Geografia¸ 1998: 34)
O ensino de Geografia do Ensino Fundamental e Médio exige que se
crie situações concretas de aprendizagem, e que só
é possível pela relação constante entre o
conteúdo e a realidade vivida pelo aluno. Como essa realidade vivida
transcende os "muros" da Escola, justifica-se as diversas saídas
de campo, onde propõe-se situações de observação
direta da realidade pelo próprio aluno.
observação, leitura,
interpretação e elaboração de mapas, a observação
de testemunhos históricos (visita a museus e locais históricos),
o trabalho com notícias (jornais e revistas), a elaboração
de tabelas, gráficos e relatórios de dados coletados, resenhas
de debates ocorridos em sala de aula, análise escrita de problemas
debatidos em classe, resumo de pesquisas feitas, desenhos, estórias
em quadrinhos, filmes e murais a respeito dos temas estudados são
estratégias de aprendizagem indispensáveis para a produção
do conhecimento. Realizadas essas tarefas têm-se automaticamente
em mãos os instrumentos para a avaliação da aprendizagem.
Nesse caso a avaliação faz parte do processo, não
é um instante separado no final de cada bimestre. A prova nesse
caso será apenas mais um instrumento entre outros, com o objetivos
específico de realizar uma última sistematização
dos contéudos abordados em cada bimestre.
o final devem ser avaliadas suas
conquistas em uma perspectiva de continuidade dos seus estudos. A avaliação
será planejada, assim, relativamente aos conhecimentos que serão
recontextualizados e utilizados em estudos posteriores e principalmente
na vida prática. Os critérios estabelecidos para obter tal
procedimentos estão relacionados quanto à operacionalização
dos conceitos, quanto aos critérios procedimentais e quanto aos
critérios atitudinais.
(textos pesquisados pela profª Ana Lúcia - Subsídios
para elaboração do Planejamento das aulas de Geografia para
o Ano de 2003)
Bibliografias consultadas:
MEC-SEF. Parâmetros curriculares nacionais: geografia, Brasília,
1998.
MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena histórica crítica,
São Paulo, Hucitec, 1988.
MAGNOLI, Demétrio. O corpo da pátria, São Paulo,
Moderna-Unesp, 1997. (trechos do texto: A Alma Histórica da Geografia
- extraído da Internet - http://www.moderna.com.br)
GOMES, Horieste. A produção do espaço geográfico
no capitalismo. S.Paulo: Contexto, 1990.)
GUIA DO LIVRO DIDÁTICO 5ª. A 8ª SÉRIE
CROCETTI, Zeno Soares. Por que estudar geografia? - A Geografia na Escola
- http://www.ece.ufpr.br/~agbctba/textos.htm
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