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o mesmo tempo em que o homem modifica
a Natureza, ele cria um espaço ou lugar para viver e garantir a sua
existência.
Constrói campos de cultivo (a agricultura), cidades, estradas, indústrias,
extrai da natureza minerais com os quais fabrica vários produtos
de que necessita, cria gado e muitas outras coisas.
Os espaços produzidos pelo homem recebem o nome de espaços
geográficos.
Desse modo, podemos compreender que o espaço geográfico inclui
a Natureza e o homem.
NA PRODUÇÃO OU CRIAÇÃO
DO ESPAÇO GEOGRÁFICO, OS HOMENS RELACIONAM-SE ENTRE SI
a) Os indígenas e a Natureza
Pode ser verificado, através da História, que o homem é
um produtor de espaços geográficos.
Ele transforma o espaço terrestre segundo as suas necessidades
e interesses, criando, assim, espaços geográficas.
Observe, por exemplo, a História do Brasil. Antes de o colonizador
ou conquistador português chegar ao Brasil e iniciar a exploração
dos recursos naturais e o povoamento do território, existia aqui
uma Natureza primitiva (vegetação, rios, animais, solo etc.).
Natureza não tinha sofrido
ainda grande modificação pelo homem. Aqui viviam os indígenas,
os primeiros habitantes da terra, mas eles pouco tinham modificado a Natureza,
por várias razões:
- havia um número pequeno de indígenas em relação
ao grande território;
- utilizavam primitivos instrumentos de trabalho;
- a organização social e econômica era simples (você
sabe que os homens organizam-se em grupos para garantir a reprodução
da espécie e para produzir os seus meios de subsistência);
- os indígenas eram coletores de produtos vegetais (frutos, raízes
e folhas), pescadores,. caçadores e poucas tribos praticavam
ou conheciam a agricultura;
- não existia, na sua organização social e econômica,
a propriedade individual, isto é, a Natureza e os seus recursos
pertenciam a todos, e a produção obtida era repartida
entre os membros da tribo; formavam, assim, uma sociedade igualitária
(de iguais);
- as relações dos membros da tribo eram de cooperação.
Ainda, atualmente, os indígenas que não foram aculturados
pelos brancos vêem a Natureza de forma diferente da maioria das
pessoas "civilizadas ". Entendem que ele é fonte de
recursos ou de vida;
- respeitam-na. Caçam ou pescam apenas o necessário para
sua subsistência. A Natureza não é vista por eles
como fonte de lucro.
b) O espaço não é de todos e sim de alguns
Quando o conquistador ou colonizador português chegou ao território
brasileiro, ele começou a reconstruir ou criar o espaço
geográfico de forma diferente do espaço criado pelos indígenas.
ssim como para os indígenas,
o que interessava ao colonizador era também garantir a sua subsistência.
Entretanto, a organização social e econômica do colonizador
era bem diferente da do indígena.
Enquanto entre os indígenas não havia dinheiro, desejo de
lucro, sentimento de propriedade individual ou de posse da terra ou de
seus recursos, entre os colonizadores esses costumes já existiam
e foram introduzidos no Brasil, pois era assim que muitos países
da Europa se organizavam.
Por causa de sua superioridade técnica, como, por exemplo, os armamentos
que possuíam, começaram a conquistar o espaço. Tomaram
as terras dos primitivos habitantes do Brasil (os indígenas). Além
disso, muitos destes foram expulsos para o interior do território
ou ainda escravizados e/ou exterminados em lutas ou através de
contágios de doenças.
Tendo a posse do espaço e de sua gente, os colonizadores passaram
a organizá-lo ou recriá-lo, segundo as suas necessidades
e interesses.
Derrubaram matas e introduziram o cultivo de produtos que, além
de atender às suas necessidades de subsistência, se destinavam
à exportação.
Mas nem todos os homens eram donos de terra ou do comércio. Havia
os trabalhadores assalariados (que recebem um pagamento em dinheiro pelo
seu trabalho) e os escravos negros, trazidos da África.
Os homens construíram, no território brasileiro, como em
outros países do mundo, vilas, cidades, estradas, alteraram cursos
de rios para a irrigação de terras e para a produção
de energia elétrica, e muitas outras coisas.
lteraram o espaço natural
e produziram o espaço geográfico.
Foi uma obra maravilhosa, de coragem, de dificuldades e de muito trabalho,
mas que apresentou, por sua vez, grandes injustiças e conflitos
entre os homens. Por que isso ocorreu?
Porque, no ato de produção ou reconstrução
do espaço geográfico, predominaram os interesses individuais
e não os coletivos (de todos), como ocorre em muitas sociedades
indígenas. Uns tornaram-se possuidores de terras e dos instrumentos
de produção ( máquinas , ferramentas, edifícios
etc.), e a grande maioria dos homens ficou apenas com a sua força
de trabalho, força essa que é comprada por um salário
quase sempre insuficiente para subsistir.
Diante do que acabamos de expor, podemos concluir que o espaço
e os seus recursos não pertencem a todos os membros da sociedade
que nele vivem, e sim a alguns.
E assim tem sido, até os dias atuais, o aproveitamento econômico
do espaço terrestre e a construção do espaço
geográfico pelos homens.
O espaço é organizado ou modificado segundo os interesses
do grande capital (de grandes empresas ou grandes capitalistas, isto é,
que possuem muito dinheiro). É o caso, por exemplo, do povoamento
recente das Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.
Os interesses do grande capitalista chocam-se com os interesses do pequeno
agricultor, do garimpeiro, dos indígenas e dos homens sem terra
ou trabalhadores. Chocam-se também com a necessidade de se manter
o equilíbrio da natureza.
Vê-se, então, que o espaço geográfico reflete
ou reproduz a sociedade que nele vive e principalmente as relações
que se estabelecem entre os homens na busca de sua subsistência.
ADAS, Melhem. Geografia. São Paulo, Moderna, 1984, vol. 1, p.
68-70.
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