Luria visita Matrix:
Uma interpretação neuropsicológica de um clássico
da ficção científica.
O Artigo apresenta uma leitura neuropsicológica do clássico
do cinema Matrix.
O que aparece como revolucionário no séc XXI tem sua explicação ou sua base teórica
nos estudos dos cientistas russos Alexei Leontiev, Alexsandr. Luria e Lev. S. Vygotski, idealizadores
da teoria sócio-histórica da atividade.
O que parece fantástico, irreal e inusitado já era descrito
como o processo de construção da cognição humana entre 1930 e 50,
correspondendo as áreas 39 e 40 de Brodmann, situadas
na conjunção dos lobos parietal, occipital e temporal do cérebro humano. Os mecanismos
cerebrais de processamento das informações explicam a construção do filme. É claro
que a alegoria de Matrix permite, ou contém, outras
leituras como no campo da filosofia, da cibernética, da arte, da lingüística,
etc.
Toda a imagem que temos da verdade resumir-se-ia, por uma
vertente reducionista, na simples manifestação das reações fisiológicas dos
neurônios, ou seja, é CHON[1]
em ação. Contudo esta visão simplista é criticada, pois o homem não aceita que
sua existência se resuma a isto.
Fontes:
Luria, A R.
A construção da mente
Luria, A. R. Fundamentos de neuropsicologia
[1] CHON é a combinação dos compostos químicos: Carbono, Hidrogênio, Oxigênio e Nitrogênio, que compõem 90% do organismo humano.