Os Simpons visitam o Dom Bosco:

Uma leitura psicológica da competição esportiva e da agressividade.[1]

 

                                                                                                 Eugenio Pereira de Paula Jr.[2]

 

Este artigo analisa a psicologia do esporte e temas correlatos (competição, agressividade, motivação, influências externas à pratica desportiva, psicomotricidade). O ponto central é a agressividade no esporte, porém relacionando-o a outros temas que aparecem como secundários. O apoio para discussão é o episódio Lisa no hóquei (Lisa on Ice) de Os Simpons de Matt Groening, onde a protagonista é Lisa Simpson que, após fracassar nas aulas de educação física, torna-se goleira de um time de hóquei. Esta experiência faz emergir uma agressividade extrema. O objetivo é Também analisamos o comportamento concomitante dos outros familiares de Lisa, seu técnico e colegas da escola.

Palavras chave: Psicologia do esporte, competição, agressividade/violência.

 

Introdução

            O comportamento agressivo tem sido foco de grande preocupação entre os familiares, intelectuais e alguns admiradores do esporte. Muitas vezes confundido com violência, ou até usado para justificá-la, o comportamento agressivo antes de ser parte da prática desportiva é inerente ao ser humano. Contudo, ao extrapolar certos limites, torna-se violência e acaba por levar a condutas incompatíveis com as metas e o espírito esportivo.

            Os Simpons é uma criação de Matt Groening em 1984, cujo objetivo era fazer uma crítica à sociedade contemporânea. No início do anos 90 a Twenty Century Fox lança o seriado para televisão e que tornou-se um dos maiores sucessos desde então. Retratando uma família tipicamente americana, cheia de estereótipos e referências culturais, sociais e comportamentais, virou referência para análise do comportamento das famílias americanas, sul-americanas, européias e, talvez não seja ousadia dizer, mundial. É composta por Homer (o pai), Margie (a mãe), Bart (o filho de 10 anos), Lisa (a filha do meio, com 8 anos) e Meggy (a filha de 1 ano). Uma vez que nossa meta não é fazer uma análise profunda deste seriado, recomendamos, caso o leitor seja um dos que não tiveram oportunidade de conhecer os Simpsons, o site http://www.simpsons.ezdir.net onde poderá ter um bom resumo da personalidade dos nossos heróis... ou anti-heróis.

 

Análise

No episódio em questão, lançado primeiramente em 13 de outubro de 1994 pela Fox e que pode ser encontrado em vídeo-locadoras, Lisa tira nota zero em educação física. Perfeccionista e dona de um super ego fortíssimo ela se desespera. Seu desespero vira revolta quando vê o irmão Bart ser premiado por Homer por tirar notas baixas em todas as matérias exceto uma.

Nossa meta não é fazer uma análise de cada personagem, mas não podemos nos furtar a dizer que Homer é um modelo do que não devemos fazer.

A agressividade de Lisa, que está canalizada para a aprendizagem e para os valores sociais bem adaptados, acaba desembocando em condutas violentas ao ser exposta as maus tratos e à dinâmica extremamente competitiva, tanto no seio familiar, quanto na prática esportiva.

A educação física e a psicologia... Discutir a competitividade na prática desportiva e temas correlatos (agressividade, inteligências múltiplas, a influência da família e do treinador, competição X cooperação, stress esportivo, qualidade de vida, etc).

 

Conclusões

O episódio é bem abrangente e serve para uma análise bem ampla, não só dos fenômenos da agressividade e da violência, mas de muitos comportamentos. Como as relações familiares, as inteligências múltiplas, o papel dos educadores, dos técnicos, atletas e de ações profiláticas.

A prática esportiva, que deve canalizar a agressividade de uma forma positiva, pode desencadear condutas violentas, que não são saudáveis nem dentro nem fora dos esportes. Cabendo, então, aos envolvidos buscar condutas que evitem o aparecimento de condutas violentas nos esportes.

O papel dos familiares e profissionais da área dos esportes é fundamental para que não se deturpe os ideais de promoção humana que deve permear a prática esportiva, inclusive, ou principalmente, nos esportes de competição.

As lembranças de Bart e Liza, na hora do pênalti, mostram como foi fundamental a existência de ações anteriores positivas e que serviram de “vacina” para conter e controlar a violência que começava a ganhar índices nocivos e destrutivos.

Em contrapartida a reação da torcida na última cena, quando destroem o ginásio, mostra o nível em que a conduta violenta alcançou, como esta impregnada em nosso comportamento, que tudo passa a ser motivo para uma canalização negativa (atuação) de nossa agressividade, e que não estamos tendo as “vacinas” afetivas que impedira a descarga das frustrações de forma destrutiva.

            O papel da psicologia do esporte e da atividade física é mostrar que o esporte tem uma função de canalização da agressividade e deve ter como meta atenuá-la e não potencializá-la, ao ponto de tornar-se violência, um comportamento nocivo, desnecessário e incompatível com os ideais humanos e da civilização.

 

 

Referência Bibliográfica.

 

GROENING, Matt & Twenty century Fox. The simpsonsepisódio[2F05] Liza no hóquei (vídeo - 11/13/94) – Disponível em

http://www.simpsons.ezdir.net/ (acessado em 06/abril/2004)

 

MACHADO, Afonso A. psicologia do esporte: temas emergentes I. Jundiaí : Ápice, 1997.

 

 



[1] Apresentado na Semana de Pesquisa e Extensão das Faculdades Dom Bosco – 2004.

[2] Psicólogo (CRP08/06099), especialista e mestre em educação, professor de psicologia das Faculdades Dom Bosco.

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