Capítulo 1
FUNÇÕES VISUAIS SUPERIORES
___________________________________________________________________
O
exame neuropsicológico das funções visuais deve ser sempre precedido por uma
investigação neuro-oftalmológica dos aspectos elementares da visão, sua
acuidade, sua sensibilidade a cores, a integridade dos campos visuais e a
qualidade de adaptação visual. Existem dois elementos básicos; os campos
visuais e os movimentos oculares, tão importantes que podem dar lugar às
seguintes considerações que suplementam a avaliação neuro-oftalmológica.
Quando
se apresenta uma diminuição do campo visual é importante avaliar o quanto o
aluno/cliente percebe de seu problema e como o compensa. Tem-se demonstrado que
quando um aluno/cliente tem uma lesão no hemisfério esquerdo como causa de uma
hemianopsia no lado direito, ele percebe seu defeito e o compensa por meio de
um giro apropriado no ato de olhar, enquanto que, quando o aluno/cliente tem
hemianopsia no lado esquerdo (que frequentemente aparece na síndrome de anosognosia)
ele não se dá conta de seu defeito e por isso não o compensa, seu olhar adquire
um carácter fixo. Para uma avaliação mais detalhada podem ser utilizados os
seguintes métodos:
a) O aluno/cliente recebe
instruções para contar algumas cartas colocadas sobre uma mesa a sua frente.
b) Pede-se ao
aluno/cliente para ler um texto escrito em letras grandes.
Ignorar
o lado esquerdo do campo visual é um traço característico da hemianopsia fixa
do lado direito. No exame dos movimentos oculares é importante distinguir entre
os movimentos elementares (reflexos) e os complexos (psicomotores). Quando
existe uma relativa preservação dos movimentos reflexos do olho, acompanhada de
alterações (atraso, baixa amplitude e fatigabilidade) ou ausência absoluta de movimentos
psicomotores do olho, ela pode indicar um considerável problema no aparelho
cortical relacionado com este nível de ajustamento visual. Estarão alteradas a
inspeção ativa de um objeto e a percepção visual ativa. A investigação adequada
das funções visuais superiores é importante, pois não só revela o estado das
divisões corticais do analisador óptico, como também pode ajudar a identificar
alterações em outras regiões que afetam os processos de análise e síntese
visual.
A
estrutura da percepção visual de um estímulo óptico complexo, compõe-se de
quatro estágios: o primeiro deles é o exame do objeto; o segundo é a distinção
de suas características essenciais; o terceiro é o estabelecimento de relações
entre estas características; e o último consiste na integração destas
características em configurações. A percepção pode ressentir-se quando qualquer
um dos estágios do processo está deteriorado. Por isso, a investigação deve ser
feita de tal maneira que ofereça resultados válidos para análises qualitativas.
A investigação compreende o estudo de:
1.
Percepção de objetos e desenhos.
2.
Orientação espacial.
3.
Operações intelectuais no espaço.
1.1. PERCEPÇÃO DE OBJETOS E DESENHOS
Observações
preliminares:
1-
Não há limite de tempo.
2-
A apresentação dos desenhos pode variar, a figura pode ser apresentada somente
por um curto período de tempo ou os desenhos serem apresentados em posição
invertida.
3-
Se o desejo é simplificar o teste, orienta-se ao aluno/cliente que siga o
contorno da figura com o dedo, ou o investigador lhe dirige perguntas que
sugerem a resposta ou o próprio examinador pode apontar qualquer dos indícios
essenciais.
4-
Se há alteração da fala, pode-se utilizar comunicação não verbal.
5-
Os números entre parênteses referem-se as páginas do livro de apoio (Luria,
1981).
1.1.1. Objetos e desenhos
a) Pede-se ao
aluno/cliente que examine cuidadosamente e nomeie 3 objetos ou desenhos de
objetos delineados claramente
- Anexo 1.1
b) Pede-se ao
aluno/cliente que examine e descreva desenhos complexos, tais como paisagens,
gravuras e figuras temáticas (pg. 187).
c) Pede-se ao
aluno/cliente que examine e nomeie desenhos de objetos rabiscados ou
superpostos uns sobre os outros (pg. 94).
- Anexo 1.2
d)Pede-se ao
aluno/cliente que identifique 4 figuras inseridas em um desenho complexo.
Anexo 1.3
e) Pede-se ao
aluno/cliente que complete uma figura onde falta uma parte, selecionando, entre
os cinco desenhos, um que se encaixe na figura maior.
Anexo 1.4
ANÁLISE
DA CONDUTA
1
- O aluno/cliente percebe somente um detalhe (o mais visível ou evidente), mas
não consegue correlaciona-lo com os demais ou integra-lo no grupo do desenho ou
tira conclusões prematuras sobre o significado do mesmo, adivinhando-o a partir
de um só detalhe que tenha percebido. Por exemplo, pode confundir um par de
óculos com uma bicicleta, porque não pode sintetizar dois círculos com a série
de linhas na figura que lhe é apresentada. Em casos menos evidentes, estas
dificuldades só vem á luz durante o exame das estruturas visuais mais
complexas. O aluno/cliente mostra-se inseguro nas opiniões referentes ao
significado dos desenhos, está constantemente em dúvida ou se queixa de sua
pouca visão.
Indicativo
de AGNOSIA ÓPTICA ou VISUAL; lesões nas áreas ocipitoparietais
(secundárias) (pag. 95).
2
- Nos testes B, C, D e E o aluno/cliente pode perceber um desenho e avalia-lo
adequadamente, mas sempre quando for um só desenho ou elemento de cada vez. Ele
perde a visão de conjunto do desenho quando examina seus detalhes. Seu exame
dos objetos é acompanhado de ataxias do olhar (olhar desordenado).
Indicativo
de AGNOSIA SIMULTÂNEA; lesão bilateral das áreas secundárias occipitais
e com um distúrbio concomitante chamado ATAXIA DE FIXAÇÃO; incapacidade
de focalizar um objeto.
3
- Em todos os testes. O aluno/cliente olha passivamente o desenho, não muda a
direção de seu olhar nem parece procurar selecionar os sinais identificadores,
geralmente emite, com segurança, uma resposta qualquer sobre o significado do
desenho e não tem dúvidas nem procura fazer correções. Se o desenho é
apresentado na posição invertida o aluno/cliente o avalia nesta posição, não
virando-o nem procurando invertê-lo mentalmente. Estímulos visuais complexos
lhe dão a impressão de um caos. É possível também que persevere na mesma
percepção, isto é, que interprete os diferentes desenhos de uma mesma maneira
(pag. l86).
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
4
- O aluno/cliente não percebe o lado esquerdo do desenho (pag. 88).
Apresenta
HEMIANOPSIA FIXA; lesão das áreas visuais primárias do hemisfério
direito.
1.2 ORIENTAÇÃO ESPACIAL
A
orientação no espaço é um processo complexo que se relaciona em primeiro lugar
com a direção em relação a determinadas coordenadas como; em cima, embaixo,
direita e esquerda. Intervém no processo a percepção visual simultânea a
análise e a síntese vestibular (no ouvido interno) e os estímulos cinestésicos
do membro superior dominante. A distinção entre esquerda e direita depende
muito da identificação da mão dominante).
A
investigação da ação espacial será descrita no capítulo 4 (funções motoras),
aqui são investigados os funcionamentos no plano da imagem visual e as
operações que se efetuam a nível de esquema simbólico.
1.2.1 Operações espaciais
a) Pede-se ao
aluno/cliente que analise a ordenação espacial de figuras familiares e que
aponte as semelhanças e diferenças entre as linhas e formas colocadas em
simetria espelhada. Anexo 1.5
A seguir orienta-se o
aluno/cliente para desenhar com alguns palitos de fósforo, figuras colocadas em
espelho.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que leia as horas em um relógio analógico (de ponteiros) e a
seguir que indique uma determinada hora, desenhando os ponteiros em um relógio.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que indique as coordenadas espaciais de um mapa; que desenhe um
plano de uma sala (croqui) e um determinado itinerário, desenhando-o.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1
- O aluno/cliente não pode distinguir entre os elementos de um figura quando
formam imagens espelhadas; analisa de forma incorreta a direção das linhas que
compõem a figura; confunde horas simétricas (3 e 9, 2 e 10, 4 e 8 horas, etc.).
Comete erros quando desenha os ponteiros de um relógio (p. 125)
Indicativo
de lesão das áreas inferoparietais ou parieto-ocipitais (terciárias).
2
- Teste C. O aluno/cliente não pode identificar corretamente Leste e Oeste em
um mapa; e situa mal cidades, por não perceber suas posições relativas.
Geralmente comete o erro de desenhar imagens espelhadas de esquemas
geográficos. Confunde facilmente esquerda com direita e se atrapalha na
indicação de um itinerário (pag. 141).
Quadro
indicativo de lesão das divisões parieto-ocipitais (terciárias).
3
- O aluno/cliente comete erros ao copiar ou construir relações entre imagens
refletidas, sua atenção é inativa em todos os testes cometendo erros
impulsivos.
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
1.3 ORIENTAÇÕES INTELECTUAIS NO ESPAÇO
1.3.1 Atividade de síntese e construção
As
provas de orientação visual referentes as relações espaciais compreendem uma
série de testes que não se restringem apenas a investigação das funções visuais
superiores, mas procuram explorar a síntese espacial que abrange a atividade
construtiva e as operações intelectuais no espaço.
Obs.:
Considerando que nem sempre se realizam com facilidade os testes, nem por
indivíduos normais, eles possuem um valor limitado. Contudo, é importante
observar como o aluno/cliente realiza a tarefa, o tipo de dificuldades que
encontra e como procura supera-las.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que reproduza desenhos de figuras geométricas, utilizando as
peças apresentadas pelo examinador (adaptado do teste de cubos de Kho's).
Anexo 1.6
b) São dadas ao
aluno/cliente instruções para completar uma configuração composta por
hexágonos, parecida com um favo de mel.
Anexo 1.7 .
c) Apresenta-se ao
aluno/cliente um desenho com blocos e outro com cubos, conforme o modelo, e
pede-se que indique o número de blocos, ou cubos, de cada desenho.
Anexo 1.8
d) Mostra-se o desenho de
um paralelogramo contendo um círculo em um de seus ângulos. O aluno/cliente
deverá desenhar este círculo no mesmo ângulo em outro paralelogramo que lhe e
apresentado. Anexo 1.9
ANÁLISE
DA CONDUTA
1
- O aluno/cliente não pode decompor as figuras geométricas dos desenhos nos
componentes individuais (peças) e organiza-los espacialmente. Isto é
particularmente difícil quando os detalhes que percebe visualmente, na
configuração, não coincidem com os desenhos das peças apresentadas (pag. 292).
2
- O aluno/cliente não pode manter o sistema de relações espaciais exigido na
prova B e completa a configuração de forma simples e direta, apenas ligando os
pontos. Nas provas C e D também ocorre dificuldade de organização espacial.
Quadro
indicativo de lesão das áreas terciárias parieto-ocipitais.
Capítulo 2
ORGANIZAÇÃO ACÚSTICO-MOTORA __________________________________________________________________
Um
fator de importância no diagnóstico das lesões delimitadas no córtex é o estudo
das coordenações acústico-motoras, ou seja, dos atos motores simples
dependentes do sistema auditivo aferente. Estes atos tem uma organização
seriada precisa e consistem em melodias "motoras", cuja sequência se
baseia nos intervalos de tempo. Dada a enorme variação existente na capacidade
musical humana, a exploração não deve ir além do emprego de provas simples.
Esta
investigação compreende duas séries de testes:
1
- Percepção e reprodução de relações tonais.
2
- Percepção e reprodução de estruturas rítmicas.
2.1 PERCEPÇÃO E REPRODUÇÃO DE RELAÇÕES TONAIS
2.1.1. Percepção do tom.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que estime o tom de sons, com uma diferença tonal suficientemente
marcada. Pode-se cantar a nota ou emiti-la mediante instrumento musical ou
audímetro.
b) Pede-se ao
aluno/cliente para distinguir grupos diferentes de sons (notas), por exemplo;
levantando a mão direita em resposta a um grupo tipo DÓ, RÉ, MI e a mão
esquerda em resposta a outro grupo tipo DÓ, RÉ, DÓ.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que compare, 2 a 2, arranjos de notas apresentadas em uma sequência
inversa de tons. Por exemplo:
DÓ, RÉ, RÉ, DÓ e RÉ, DÓ,
DÓ, RÉ;
DÓ, RÉ, RÉ, DÓ, RÉ e RÉ,
DÓ, DÓ, RÉ, DÓ;
DÓ, RÉ, MI e MI, RÉ, DÓ.
ANÁLISE
DA CONDUTA:
1.
Se o aluno/cliente não puder discernir as relações tonais, supõe-se lesão na
região secundária temporal esquerda e, às vezes, direita (108).
2.
No teste B o aluno/cliente pode reagir de modo inseguro e acusar instabilidade
motora. Isto pode significar lesão em áreas temporais ou frontais, outros
testes (4.3.2, regulação verbal dos movimentos) determinarão quais são as áreas
envolvidas (179).
2.1.2. Reprodução
de relações tonais e de melodias musicais.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que preste atenção a uma série de notas e que as reproduza depois
cantando: a série é formada por grupos de mesmo número de notas apresentadas em
ordem distinta como:
DÓ, RÉ e RÉ, DÓ
ou DÓ, RÉ, DÓ e RÉ, DÓ,
RÉ
ou DÓ, RÉ, RÉ, DÓ e RÉ,
DÓ, DÓ, RÉ.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que cante uma música familiar.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente não consegue estabelecer relações tonais e lhe é difícil a
retenção da melodia apresentada. O ato fonético em si não oferece dificuldade
por estar ligado ao hemisfério dominante.
Isto
é indicativo de Amusia sensorial, lesão da região temporal secundária do
hemisfério não dominante (112).
2.
O aluno/cliente não é capaz de cantar uma música com suavidade e suas
tentativas resultam em uma série de impulsos vocais não harmônicos.
Indicativo
de lesões bilaterais nas divisões anteriores (secundárias) da zona cinestésica
(sensório-motora), com predominância no hemisfério direito (150).
3.
O aluno/cliente não pode passar da reprodução de um som a outro, podendo
apresentar perseverações motoras.
Indicativo
de lesão nas divisões inferiores da zona pré-motora, associadas a sinais de
inércia patológica no analisador motor.
4.
A diferenciação tonal está alterada em relação a mudança e a perseveração. Os
transtornos se manifestam com a mesma clareza no canto e na fala e formam parte
de uma apraxia cinestésica.
Indicativo
de Amusia motora aferente, lesão na região secundária pós-central
(parietal) (150).
2.2 PERCEPÇÃO E REPRODUÇÃO DE ESTRUTURA RÍTMICAS
2.2.1 Percepção e avaliação de sinais acústicos
a) O aluno/cliente deve
indicar o número de sons apresentados em grupos de duas ou três batidas
rítmicas, por exemplo:
.. ou ...
b) Pede-se ao
aluno/cliente que diga o número de batidas de que constam séries de grupos, por
exemplo;
.. .. .. ou ... ... ...
c) Pede-se ao
aluno/cliente que diga o número de diversos grupos homogêneos diferenciados
pela intensidade (forte = ! fraco = .), por exemplo:
!!!, ou !!, ou ...,
ou ..
d) Pede-se ao
aluno/cliente que analise estruturas rítmicas de grupos heterogêneos de batidas
com diferença de intensidade que formam cada grupo (forte = ! fraco = .);
por exemplo:
!!!... ou ..!!.!..
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
Nos testes A e B o aluno/cliente consegue reproduzir os sinais acústicos mais
simples. Mas se os sinais forem apresentados com uma velocidade maior ou se o
aluno/cliente for proibido de contar ritmicamente em voz alta ele reclama que
os sinais são apresentados muito depressa.
Indicativo
de lesão nas áreas secundárias de um dos lobos temporais, geralmente o
esquerdo.
2.
Nos testes B e C o aluno/cliente encontra grandes dificuldades se os grupos
rítmicos forem repetidos muitas vezes ou se apresentarem variações de
intensidade .
Indica
alterações do analisador auditivo.
3.
O aluno/cliente responde com inércia e estereotipia as estruturas rítmicas
apresentadas.
Indicativo
de lesão nas áreas secundárias dos lobos frontais (156).
2.2.2. Execução motora de grupos rítmicos
a) O aluno/cliente deve
repetir no ritmo certo as sequências de batidas apresentadas (forte = !
fraco = .):
1).. .. .. .. 2)...
... ... ...
3).. .. .. .. 4)..!!!..!!!..!!!..
5)!!..!!...!!..!!...
b) O aluno/cliente deve
reproduzir certos ritmos mediante uma instrução verbal:
1) uma série de duas
batidas;
2) uma série de 3
batidas;
3) duas batidas fortes e
três fracas;
4) três batidas fracas e
duas fortes.
c) O aluno/cliente deve
ler os modelos rítmicos de A e B e executa-los enquanto diz em voz alta a
sequência de batidas.
d) O aluno/cliente deve
passar da reprodução de uma estrutura rítmica para outra, por exemplo: de !!
para !!!. ou de ..!!! para ..!!
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
A prova A explora a coordenação audio-motora e se o aluno/cliente não
reproduzir o número correto de batidas, mistura grupos diferentes em um único
grupo amorfo ou bate caoticamente, sem distinguir os diversos grupos rítmicos;
se os grupos de ritmos com diferenças de intensidade lhe parecem mais difíceis;
se abandona a prova depois de tentar realiza-la sem sucesso; mesmo que a
instrução verbal diminua suas dificuldades, presume-se ser lesão nas divisões
temporais de ambos hemisférios.
2.
Se em todos os testes o aluno/cliente não chega a perceber claramente os erros
de sua execução, indica uma Anosognosia auditiva, lesão da região
temporal direita.
3.
Nos testes A4, B e D o aluno/cliente não pode desenvolver um modelo rítmico e
precisa de um impulso isolado para cada batida. Se o tempo é acelerado torna-se
mais difícil a inibição das batidas rítmicas e passa a bater sem necessidade.
Para o aluno/cliente é muito difícil a reprodução de ritmos com diferenças de
intensidade de modo que atribui o mesmo número de batidas, e com a mesma força,
aos diferentes elementos que compõem um ritmo complexo. às vezes, nos testes A
e B, é difícil a mudança de um ritmo a outro executando-os igualmente mal.
Indicativo
de lesão da região pré-motora.
4.
Testes A, B e C. O aluno/cliente reproduz os ritmos da prova B pior do que os
da prova A, já que está alterada a função reguladora da linguagem. esquece
rapidamente o ritmo descrito na instrução verbal ou o recorda somente por um
breve instante, findo o qual bate com inércia, seguindo os estereótipos
formados previamente. É muito difícil para ele passar de um ritmo sabido a um
novo e não se dá conta de seus erros.
Indicativo
de lesão nas divisões pré-motoras.
5.
O aluno/cliente mostra em todas as provas uma falta de coordenação muito
acentuada.
Indicativo
de lesão na região fronto-temporal.
Capítulo 3
FUNÇÕES CUTÂNEAS SUPERIORES
E FUNÇÕES CINESTÉSICAS
__________________________________________________________________
Como
a investigação faz parte do exame neurológico geral, a informação sobre as
desordens no analisador cutâneo cinestésico pode ser obtida geralmente através
da descrição do estado neurológico do aluno/cliente.
Para
completar a análise da síndrome neuropsicológica, mencionamos a seguir os
métodos utilizados na prática clínica. A investigação abrange o estudo
seguinte:
l.
Sensações cutâneas.
2.
Sensações musculares e articulatórias.
3.
estereognosia.
3.1 SENSAÇÕES CUTÂNEAS
Sensações táteis
Vamos nos fixar sobretudo
nos métodos de investigação das funções táteis.
Para evitar qualquer
participação dos receptores cinestésicos e visuais dos aluno/clientes, o mesmo
deve ficar com braços e mãos imóveis e com os olhos vendados.
Para evitar as
pseudo-sensações que se originam da inércia patológica de todo analisador
quando os estímulos são apresentados em intervalos regulares, devemos anular o
pós-efeito (somação de estímulos) das sensações táteis passando levemente o
dedo sobre o local estimulado.
3.1.1 Limiar da
sensação táctil:
a) Pede-se ao
aluno/cliente para dizer quando percebe claramente que é tocado por estímulos
que aumentam gradativamente de peso. [preparar uma bateria de 5 escalas, usando
como peso fios ou linhas]. Os estímulos são aplicados nos dedos, na palma da
mão, no punho e no braço.
3.1.2. Discriminação táctil:
a)Pede-se ao
aluno/cliente que diga com que lado de um alfinete está sendo tocada sua pele:
se com a ponta ou cabeça. Aplicar os estímulos em três locais diferentes, dos
dedos até o braço.
b)Pede-se ao
aluno/cliente que classifique três estímulos de intensidade diferentes
aplicados numa ordem aleatória.
3.1.3. Localização táctil:
a)Pede-se ao
aluno/cliente que localize qual parte da sua pele é tocada com a cabeça de um
alfinete. Depois aplicam-se novos estímulos e pede-se que ele indique, no
membro oposto, o ponto correspondente à parte tocada pelo examinador.
3.1.4.
Discriminação táctil espacial:
a) Usando um compasso de
Weber, pede-se ao aluno/cliente para dizer quando começa a distinguir 2 pontos.
Começar com o aparelho fechado, abrindo-o gradativamente para determinar o
limiar de estímulo. Pode-se aplicar o mesmo estímulo, simultaneamente, em
partes simétricas do corpo.
3.1.5. Identificação
táctil da direção do movimento:
a) Pede-se ao
aluno/cliente para indicar a direção do movimento de um objeto em contacto com
sua pele. Depois pede-se que ele identifique números ou letras traçadas em sua
pele. A prova pode tornar-se mais difícil se o aluno/cliente não e avisado das
formas (letras ou números) aplicadas ou das mudanças na aplicação.
ANÁLISE DA CONDUTA:
1.
A atuação do aluno/cliente e imprecisa, com distúrbio da exterocepção em todas
as provas.
Indicativo
de lesão nas divisões primárias do córtex parietal (145).
2.
O aluno/cliente mostra sua sensibilidade diminuída em todo um lado do corpo
(hemiestesia).
Indica
lesão nas divisões pós-centrais do hemisfério contra-lateral ou dos tractos de
condução correspondentes.
3)
A sensação táctil do membro superior direito encontra-se diminuída.
Indica
lesão da área pós-central (sensório-motora) do hemisfério esquerdo.
4)
O funcionamento táctil do membro superior esquerdo está deteriorado.
Em
alguns casos há lesão do hemisfério ipsolateral (esquerdo), distúrbio de
lateralidade e decorrente reverberação.
5)
No teste 3.1.4 o aluno/cliente apresenta um limiar muito alto de
discriminação de dois pontos e não interpreta bem a direção do movimento.
Indicativo
de lesão da região pós-central (primária) ou parietal posterior (secundárias e
terciárias) do hemisfério contralateral.
6)
O aluno/cliente nota o estímulo táctil aplicado no lado direito, mas não o nota
aplicado ao mesmo tempo no lado esquerdo. Somente diferencia com facilidade se
os dois estímulos forem aplicados em separado.
Indicativo
de lesão da região parietal do hemisfério direito (140).
7)
Nos testes 3.1.1 e 3.1.2, o aluno/cliente é incapaz de discriminar
sensações táteis e suas respostas são inertes e estereotipadas.
Indicativo
de desordens cerebrais envolvendo as áreas pré-frontais e pós-centrais.
3.2 SENSAÇÕES MUSCULARES E ARTICULATÓRIAS
3.2.1. Sensações cinestésicas
Estes
testes são realizados estando o aluno/cliente de olhos vendados.
a) O examinador movimenta
os braços, mãos ou dedos do aluno/cliente para cima, para baixo, para a direita
ou esquerda e pede que ele indique a direção do movimento.
b) O examinador coloca o
braço e a mão do aluno/cliente em uma determinada posição, por breve tempo,
retornando a seguir a posição normal. O aluno/cliente deverá reproduzi-la com o
membro oposto.
c) O examinador induz
três movimentos consecutivos no braço do aluno/cliente e este deverá repeti-los
com o membro oposto.
ANÁLISE
DA CONDUTA:
1.
Em todos os testes o aluno/cliente não pode avaliar movimentos nem reproduzir
posições, embora se esforce. Sua capacidade de determinar a posição dos
segmentos distais do membro superior está especialmente alterada. Há falta de
propriocepção.
Indicativo
de lesão das regiões parietais (pós-centrais primárias e secundárias) do
hemisfério oposto.
2.
Nos testes A e C o aluno/cliente pode apresentar uma dificuldade
especial nas reações motoras diferenciais, devido ao efeito de uma inércia
patológica.
Indicativo
de lesão dos lobos pré-frontais.
3.
O aluno/cliente não procura reproduzir ativamente a posição pedida mas a
substitui por uma ação impulsiva.
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
3.3 ESTEREOGNOSIA
O
aluno/cliente permanece de olhos vendados.
a)
O examinador coloca um objeto na palma da mão do aluno/cliente e fecha-a
pedindo que o nomeie sem manuseá-lo.
b)
O aluno/cliente deve nomear um objeto depois de apalpa-lo ativamente com
a
mão dominante e a seguir com a outra.
c)
O aluno/cliente deve selecionar o objeto que tinha na mão depois que este foi
misturado com outros objetos sobre a mesa.
ANÁLISE
DA CONDUTA:
1.
O aluno/cliente pode sentir e descrever o objeto colocado em sua mão (o seu
tamanho, sua textura e sua temperatura), mas tem dificuldade para integrar
estes estímulos e identifica-los.
Indicativo
de alterações nos terminais centrais do analisador cutâneo cinestésico ou de AESTEREOGNOSIA;
lesão das regiões parietais secundárias, que se manifesta no membro
contralateral superior.
2.
Além das dificuldades que o aluno/cliente apresenta nas sínteses sensoriais,
aparecem também defeitos nos movimentos finos.
Indicativo
de alterações nos segmentos motores da região sensório-motora (áreas primárias
frontais e parietais).
Capítulo 4
FUNÇÕES MOTORAS
__________________________________________________________________
O
estudo das funções motoras implica na análise das praxias, isto é, das formas
complexas de construção dos movimentos voluntários. A execução normal de um ato
motor complexo exige a presença de uma potência e tono muscular adequados como
condição básica. A condição seguinte são alguns impulsos cinestésicos aferentes
intactos e adequados para dirigir o impulso motor eferente para seu destino
mais apropriado e para manter um controle constante sobre os movimentos. A
execução de um ato motor complexo exige também que esteja intacto o sistema
aferente óptico-espacial, já que é este sistema que assegura a correta
construção do movimento dentro das coordenadas do espaço externo (para cima,
para baixo, direita, esquerda, frente, atrás, longe e perto). A organização de
um ato motor que se desenvolve durante um período de tempo, requer além disso
algum grau de generalização das inervações motoras e sua conversão em melodias
cinéticas plásticas. Como todo movimento complexo voluntário no homem tem uma
finalidade definida, conclui-se que devem intervir a capacidade para selecionar
movimentos que correspondam ao plano geral e a capacidade para regular a
atividade mediante a linguagem.
As
divisões do córtex cerebral que são responsáveis pelos diferentes componentes
do ato motor, são as áreas basais que tem a seu cargo a potência e o tono
muscular, as áreas pós-centrais responsáveis pelos impulsos aferentes
cinestésicos e as áreas ocipito-parietais que se ocupam da coordenação
óptico-espacial. Por último, as áreas pré-motoras exercem um papel na organização
dinâmica do movimento e os sistemas frontais exercem suas capacidades de
discriminação e controle.
Os
métodos para investigar as funções motoras devem, então, estar concebidos de
tal modo que esclareçam até que ponto cada um dos componentes necessários está
preservado e especifiquem os sintomas que são significativos para a
localização.
O
exame começa normalmente com uma análise sobre as possíveis alterações na
potência ou precisão do movimento, as alterações do tônus muscular e as
manifestações de ataxias, hipercinesias ou sincinesias patológicas.
Este
exame compreende o estudo de:
1.
Funções motoras das mãos.
2.
Praxias orais.
3.
Regulação verbal do ato motor
4.1. FUNÇÕES MOTORAS DAS MÃOS.
Esta bateria exige a aplicação prévia dos testes de funções cutâneas
superiores (capítulo 3),
para que já tenha sido observada a integridade dos sistemas proprioceptivos.
4.1.1. Movimento simples.
a) O aluno/cliente deve
tocar sucessivamente seus dedos com o polegar enquanto os vai contando, do
mínimo até o indicador, realizando estes movimentos com ambas as mãos e o mais
rápido possível.
b) O aluno/cliente deve
juntar (tocar) alternadamente, um a um, os dedos correspondentes de suas mãos.
c) O aluno/cliente deve,
sucessivamente, abrir e fechar as mãos ao mesmo tempo.
O examinador deve
concentrar sua atenção na facilidade da execução dos movimentos, nas diferenças
entre as mãos e na fadiga que pode alcançar uma mão antes que a outra.
ANÁLISE
DA CONDUTA
Não
se observa a potência e o tônus muscular apropriados nos movimentos do
aluno/cliente. Existe diferença entre as mãos na execução dos movimentos e uma
mão se cansa antes que a outra.
Indicativo
de lesões nas áreas corticais motoras primárias e/ou nos sistemas aferentes
(áreas primárias parietais) do hemisfério contralateral (151).
4.1.2. Bases cinestésicas do movimento.
a) O examinador coloca a
mão do aluno/cliente ou seus dedos em uma determinada posição e pede que ele a
reproduza de olhos fechados.
b) O examinador mostra,
por um breve espaço de tempo, a figura 1 e pede ao aluno/cliente que a
reproduza de olhos fechados. O mesmo deve se feito com a figura 2 (Anexo 4.1)
c) De olhos fechados, o
aluno/cliente deve colocar o dedo indicador sobre o dedo médio e o polegar
sobre o anular da mesma mão.
d) O examinador coloca
uma das mãos do aluno/cliente em uma determinada posição e pede-lhe que
reproduza esta posição com a outra mão, mantendo os olhos fechados.
e) O aluno/cliente deve
estender, ao mesmo tempo, os dedos indicador e anular, mantendo os demais
dobrados.
ANÁLISE DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente pode mostrar-se incapaz de reproduzir as posições propostas ou
apresentar uma execução pobre. A medida que o cansaço vai aparecendo, as
dificuldades vão aumentando. Às vezes o aluno/cliente, percebendo sua
dificuldade de adequação ao modelo, procura ajudar na execução da posição com a
outra mão.
Indicativo
de Apraxia motora aferente; lesão das demarcações cinestésicas (parietal
secundária) do hemisfério contralateral.
2.
Alterações menos acentuadas do mesmo tipo, o aluno/cliente engana-se e corrige
o erro.
Indicativo
de lesão do hemisfério ipsolateral, havendo influência de um hemisfério sobre o
outro.
3.
Nos testes D e E o aluno/cliente sentado a frente do examinador, estende o dedo
mínimo da mão direita, quando deveria estender o indicador, devolvendo uma
imagem espelhada do movimento (Ecopraxia).
Indicativo
de lesões das áreas pré-frontais.
4.
Mesmo depois de ter conseguido executar o movimento apropriado, o aluno/cliente
não consegue passar a uma nova posição, ocorrendo inércia patológica do ato
motor.
Indicativo
de lesão nas áreas secundárias do lobo frontal.
4.1.3 Organização óptico-espacial do ato motor.
a) O aluno/cliente,
sentado ao lado do examinador, deve reproduzir as posições das mãos mostradas
pelo examinador , conforme modelo abaixo.
Anexo 4.2
b) Pede-se ao
aluno/cliente que coloque um lápis nos planos horizontal, vertical e inclinado
para frente.
c) O aluno/cliente, de
frente para o examinador, deve reproduzir seus movimentos; levantar primeiro a
mão direita e depois a esquerda (teste de Head).
d) O aluno/cliente, de
frente para o examinador, deve reproduzir os gestos apresentados conforme o
modelo abaixo:
Anexo 4.3
e) Pede-se ao aluno/cliente
que reproduza a posições usando as duas mãos ao mesmo tempo; a mão direita
tocando o nariz e a esquerda tocando a orelha direita; a mão direita tocando o
olho direito e a esquerda tocando a orelha esquerda.
OBS. Em lugar de realizar
os modelos o examinador pode indica-los verbalmente.
ANÁLISE
DA CONDUTA.
1.
O aluno/cliente não pode colocar a mão ou um lápis na posição espacial
solicitada e não pode realizar mentalmente a transposição espacial.
Indicativo
de lesões nas áreas terciárias inferoparietais e parieto-ocipitais do
hemisfério dominante, pela influência da linguagem na formação da
espacialidade.
2.
O aluno/cliente não pode superar sua tendência a Ecopraxia (movimento de imagem
espelhada).
Indicativo
de lesão, difusa, dos lobos frontais.
4.1.4. Organização dinâmica do ato motor.
a) O aluno/cliente deve,
alternadamente, abrir e fechar as mãos ao mesmo tempo.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que estenda as mãos a sua frente e que, com os punhos fechados, golpeie
alternadamente; duas vezes com a mão direita e uma com a esquerda. Realizada
esta primeira sequência, inverte-se a ordem dos golpes e pede-se a ele que
execute o teste com rapidez.
OBS.: Como é comum alguns sujeitos sadios apresentarem
dificuldades na execução dos três testes a seguir, as instruções devem ser
repetidas e mostradas várias vezes.
c) O aluno/cliente inicia
este exercício com o braço dobrado e os dedos formando um anel, em seguida ele
estende o braço, fechando a mão, conforme o modelo. (como variante o
aluno/cliente inicia com o braço dobrado e a mão aberta, fechando-a ao estender
o braço).
Anexo 4.4
d) Pede-se que coloque a
mão, sucessivamente, em três posições; mão fechada sobre a mesa; aberta
verticalmente, com o dedo mínimo apoiado na mesa; com a palma aberta sobre a
mesa, conforme modelo.
Anexo 4.5
e) Pede-se ao
aluno/cliente que apoie os dedos sobre a mesa, em posição de tocar piano e que
"toque" sucessivamente com o dedo polegar e indicador e depois com o
polegar, indicador, médio, anular e mínimo.
f) Pede-se ao
aluno/cliente que copie o modelo abaixo;
Anexo 4.6
g) Pede-se ao
aluno/cliente para desenhar dois círculos, seguidos de uma cruz e três
triângulos.
ANÁLISE DA CONDUTA.
1.
No teste A o aluno/cliente não pode executar o movimento com rapidez e
flexibilidade. Realiza cada movimento separadamente, de modo que em lugar de
uma mudança simultânea de posição, executa movimentos semelhantes com as duas
mãos.
Indicativo
de lesão das áreas secundárias do lobo frontal.
2.
Uma das mãos do aluno/cliente se atrasa em relação a outra.
Indicativo
de lesão nas regiões pré-motoras (frontal) e pós-centrais (parietal) do
hemisfério contralateral.
3.
É completamente impossível a coordenação das mãos, embora o aluno/cliente
continue sendo capaz de realizar com uma só mão movimentos dinamicamente
organizados.
Indicativo
de lesão parassagital que afeta as demarcações anteriores do corpo caloso
(221).
4.
O aluno/cliente não pode dar os golpes com suficiente suavidade e cada um deles
ocorre como um fenômeno isolado. Dá golpes supérfluos ou executa movimentos
idênticos com as duas mãos. Normalmente corrigirá os erros que comete.
Indicativo
de lesão da área pré-motora do hemisfério dominante.
5.
O aluno/cliente golpeia ao acaso, não relaciona seus movimentos com o modelo
apresentado e não corrige seus erros.
Indicativo
de lesão dos lobos pré-frontais do hemisfério não dominante.
6.
O aluno/cliente não pode ligar suavemente um movimento com o seguinte; as
posições permanecem "fixas". Ou ele estende o antebraço para o lado
sem mudar a postura dos dedos ou ele muda a postura dos dedos mas sem esticar o
braço para frente.
Indicativo
de lesão da área pré-motora.
7.
No teste D o aluno/cliente não pode estabelecer uma melodia cinética, ou ele
perde a sequência correta das posições ou ele continua repetindo com inércia a
posição anterior.
Indicativo
de lesão das demarcações corticais anteriores (157).
8.
O aluno/cliente, no teste E, não pode inibir o movimento uma vez iniciado e
continua "tocando" na mesma direção, sempre do indicador para o
mínimo.
Indicativo
de lesões das demarcações corticais anteriores (pré-frontal).
9.
Se o aluno/cliente dá a si mesmo uma instrução verbal, melhora a execução da
sequência requerida.
Indicativo
de lesões nos sistemas pré-motores.
10.
O aluno/cliente continua a realizar a ação solicitada incorretamente, ainda que
possa repetir corretamente a instrução.
Indicativo
de lesão no sistema pré-frontal (183).
11.
No teste F o aluno/cliente não pode alternar dois movimentos de um modo
constante (para cima, para baixo, reto e inclinado). Sua execução adquire um
carácter não automático e é substituída, em alguns casos, pela perseveração de
um elemento.
Indicativo
de lesões nos sistemas pré-motores.
12.
Em quase todos os testes o aluno/cliente deixa de lado uma de suas mãos.
Indicativo
de lesão dos lobos parietal ou frontal do hemisfério direito.
4.1.5. Formas complexas de praxias.
a) O examinador olha como
o aluno/cliente realiza tarefas intencionais complexas; como abotoar a camisa
ou amarrar o sapato.
b) Pede-se ao
aluno/cliente para realizar ações com objetos ausentes:
1. mostrar como se põe
café na xícara e se mexe o açúcar;
2. passar o fio pela
agulha;
3. cortar com tesoura.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que realize ações simbólicas; assustar alguém; acenar dizendo
adeus.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
A complexidade das ações incluídas nessas provas não facilitam o diagnóstico
típico do defeito observado. Porém as provas são muito sensíveis ao grau de
preservação ou conservação das formas complexas de praxias.
4.2. PRAXIAS ORAIS
As
funções da língua, dos lábios e músculos faciais tem carácter instrumental na
construção do ato verbal. É importante fazer a diferença clara entre os distúrbios
associados a desordens da inervação periférica do aparelho articulatório e das
mudanças no ato verbal de tipo afásico.
Os
distúrbios encontrados no aparelho verbal, de carácter paretico, distônico e
hipercinético, provocam defeitos disártricos na linguagem. Os distúrbios
pareticos ou tônicos que atingem os músculos da produção vocal debilitam a voz
do aluno/cliente que se cansa facilmente e é incapaz de uma modulação correta.
4.2.1. Movimentos simples.
a) O aluno/cliente deve
executar as seguintes ordens, uma de cada vez; encher as bochechas, assoprar e
franzir a testa.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que coloque a língua para fora o máximo que puder e que a
mantenha nesta posição por aproximadamente 30 segundos.
O examinador observa se
não há sinais de tremor dos lábios, desvios da língua, paresia dos músculos
faciais e salivação.
ANÁLISE
DA CONDUTA.
1.
Mesmo antes dos exercícios observa-se que a fala do aluno/cliente não é bem
clara. Vê-se uma assimetria de movimentos, menor proporção do movimento da
língua, desvio da língua para um dos lados, aparecimento de dificuldades na
inervação do movimento, alta incidência de movimentos associados (sincinesias)
e perda da suavidade dos movimentos.
Indicativo
de alterações da inervação periférica do aparelho articulador.
4.2.2. Movimento cinestésico
a) Pede-se ao
aluno/cliente que estenda a língua para frente, que enrole-a para cima e depois
coloque-a entre os dentes e o lábio superior.
ANÁLISE
DA CONDUTA.
1.
O aluno/cliente faz prolongadas tentativas para alcançar os movimentos pedidos
mas os substitui frequentemente por outros ou executa movimentos mal
diferenciados. Encontra ainda dificuldades para passar de um movimento ao outro
e repete o mesmo movimento algumas vezes.
Indicativo
de lesões nas porções inferiores da região pós-central (área de projeção da
língua no Boneco de Penfield Sensitivo).
4.2.3. Organização dinâmica.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que repita, rápida e sucessivamente, os seguintes movimentos;
cerrar os dentes, tirar a língua para fora, colocando-a em seguida entre os
dentes o lábio inferior.
ANÁLISE
DA CONDUTA.
1.
O aluno/cliente executa rapidamente o primeiro movimento, mas é incapaz de
passar ao segundo ou persiste no mesmo movimento.
Indicativo
de Inércia Patológica do Sistema Motor; lesões nas áreas terciárias do
córtex motor.
4.2.4. Praxias orais e integradoras
a) Pede-se ao
aluno/cliente que imite movimentos habituais, como mastigar e assobiar.
Obs.: É importante que o
examinador compare a execução natural com a execução realizada a partir de uma
ordem.
ANÁLISE
DA CONDUTA.
As
provas não permitem uma análise das condições que originam os distúrbios, mas
mostram até os mais leves distúrbios da praxia oral. O aluno/cliente pode atuar
em situações reais, mas não pode executar as mesmas ações quando e solicitado.
Indicativo
de lesões em diversas áreas cerebrais; temporal (audição), parietal
(cinestesia), motor e pré-frontal (planejamento e organização), resultando num
baixo nível de organização da ação.
4.3. REGULAÇÃO VERBAL DO ATO MOTOR
4.3.1. Seletividade da ação em resposta a uma
instrução.
Como a seletividade
implicada no ato motor pode estar distorcida por diversas razões, sua
investigação deve ser feita de tal modo que fiquem reveladas com a maior clareza
possível as condições que levaram a tal distúrbio.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que desenhe figuras geométricas. Se não consegue, pode-se
apresentar modelos simples, como um círculo, uma cruz, um quadrado, mostrados
separadamente.
b) Pede-se ao aluno/cliente
para reproduzir uma série de 5 figuras geométricas, que são mostradas durante
um tempo de 15 a 20 segundos. Apresentar pelo menos três séries diferentes.
Anexo 4.7
c) Pede-se ao
aluno/cliente para reproduzir uma série de 4 figuras, respondendo a uma ordem
verbal.
d) Pede-se ao
aluno/cliente para realizar um ato motor como resposta a um sinal
"simbólico". Por exemplo; bater 2 vezes como resposta a um som, ou
uma vez como resposta a 2 sons. O exercício deve ser repetido duas vezes.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.O
aluno/cliente é incapaz de executar cópias simples ou perde imediatamente a
capacidade seletiva da sua ação ou passa a repetir a mesma ação.
Indicativo
de lesões graves nas áreas pré-frontais (174).
2.
O aluno/cliente reproduz a 1a série bem, mas na 2a substitui um ou mais elementos por elementos da série anterior. Ele
pode repetir corretamente as duas instruções, mas em vez de executar a 2a série depois de terminar a 1a,repete os seus elementos de modo estereotipado.
Indicativo
de lesões nas áreas pré-frontais (177).
3.
O aluno/cliente interpreta mal o significado das palavras. Pode reter a
instrução verbal, mas acaba desenhando figuras erradas e reproduzindo por
inércia estereótipos motores anteriores.
Indicativo
de lesões nos sistemas fronto-temporais (177).
4.
O aluno/cliente não pode reter instruções verbais complexas e confunde o
significado das palavras, embora não apresente uma excessiva tendência
perseveratória.
Indicativo
de lesões nas áreas temporais.
5.
O aluno/cliente não pode executar uma instrução verbal simbólica simples. Pode
repetir corretamente as instruções, mas limita os movimentos sob influência
direta do sinal. A reprodução verbal das instruções não provoca o movimento
adequado. A ação pode ser substituída por uma resposta ecopráxica. O
aluno/cliente executa a ação diretamente calcada no modelo. Sua capacidade para
avaliar os próprios erros está mais severamente atingida do que a capacidade
para avaliar erros alheios.
Indicativo
de lesão de áreas pré-frontais (173).
4.3.2. Regulação verbal dos movimentos.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que aperte a mão do examinador diante da palavra
"vermelho" e que não tenha nenhuma reação frente a palavra
"verde".
b) Pede-se ao
aluno/cliente que levante a mão direita frente a um sinal e a mão esquerda
frente a dois sinais. O examinador deve estabelecer uma sequência variada.
c) Reações conflitivas.
Pede-se ao aluno/cliente que levante o dedo indicador quando o examinador
mostrar o punho e vice-versa. Depois pede-se que ele apresente uma resposta
(bater) forte a um sinal (batida) fraco e vice-versa.
ANÁLISE
DA CONDUTA.
1.
O aluno/cliente retém a instrução verbal, sabe repeti-la corretamente, mas
mesmo reagindo adequadamente algumas vezes, começa a repeti-las de modo
estereotipado. Ou acaba convertendo suas reações motoras, uma vez iniciada, em
uma série de movimentos incontrolados que não pode inibir (175).
2.
Mesmo reproduzindo corretamente a instrução verbal o aluno/cliente reage
inadequadamente, vacilando frente aos sinais. Frequentemente observam-se
movimentos perseveratórios (179).
3.
O aluno/cliente costuma reagir frente ao sinal com respostas de igual
intensidade, em lugar das reações "fortes ou fracas" exigidas. O
cansaço, as pausas e a conversa de distração provocam uma transição para
reações "isomórficas". O aluno/cliente é incapaz de relacionar uma
ação com uma instrução simbólica (173).
Quadro
indicativo de lesões graves nos lobos pré-frontais.
Capítulo 5
LINGUAGEM RECEPTIVA
__________________________________________________________________
A
investigação das funções da linguagem deve ser levada a cabo depois de feita
uma investigação preliminar dos processos que não implicam a linguagem. O
conjunto de descobertas de anormalidades nas funções sensoriais, motoras e do
comportamento geral do aluno/cliente devem ser, naturalmente, a base da
investigação subsequente da linguagem.
São
investigadas as duas categorias de funções da fala; a categoria receptiva
(impressiva) e a motora (expressiva). A área do cérebro responsável pela
análise e síntese dos sons da fala é a zona temporal superior do
hemisfério esquerdo. A fala impressiva e expressiva trabalham em estreita
relação, por isto a perturbação da audição fonêmica produz, inevitavelmente,
uma perturbação secundária da articulação e da fala expressiva: e a perturbação
do processo articulatório e da fala interna deve afetar também ao processo
impressivo. Por exemplo; a percepção dos sons da fala e a compreensão de seu
significado.
Na
prática se investigam ao mesmo tempo as duas categorias da fala, e às
vezes, com os mesmos métodos. Porém, por razões didáticas , as
consideramos em separado. Outra razão é que as perturbações primárias de uma e
de outra categoria têm um significado completamente diferente na hora de
estabelecer a localização.
As
diferentes formas de fala expressiva (exclamações afetivas, denominações,
pronúncia de uma frase ou fala expontânea) e as diversas formas de fala
impressiva (captação do tom emocional, compreensão de palavras bem formuladas
ou de aspectos nominativos) incluem sistemas de associações organizados em
diferentes níveis de desenvolvimento, e que também devem ser levados em conta.
5.1 AUDIÇÃO FONÊMICA
Em
todas as provas o aluno/cliente não deve ver os movimentos labiais do
examinador.
5.1.1 Efeito de repetição
a) Pede-se ao
aluno/cliente que repita os fonemas; /b/, /p/ e /m/.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que repita os pares de fonemas (disjuntivos); /m-t/, /b-n/ e
/p-c/.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que repita os fonemas (correlativos); /b-p/, /d-t/, /c-j/, /m-n/,
/p-q/, /f-s/ e /f-v/.
d) Pede-se ao
aluno/cliente que repita uma série de fonemas disjuntivos; /a-o-a/, /a-o-u/,
/m-s-d/, /b-c-g/ e /t-b-d/.
e) Pede-se ao
aluno/cliente que repita uma série de fonemas correlativos; /b-p-b/ e /t-d-d/.
f) Pede-se ao
aluno/cliente que reproduza uma série de consoantes idênticas, mas com vogais
diferentes; bi-ba-bo, ti-to-te, di-dó-du.
5.1.2 Escrita
Para excluir a
possibilidade de que as perturbações se devam a dificuldades de pronúncia pode
comprovar-se a discriminação dos sons da fala por meio das seguintes provas:
a) Pede-se ao
aluno/cliente que escreva ou que mostre as letras, a sua frente,
correspondentes a sons que foram apresentados (ditados).
b) Pede-se ao
aluno/cliente que diga se os pares de sons apresentados são idênticos ou
diferentes; /b-p/, /p-p/, /c-z/, /c-v/, e /d-d/.
5.1.3 Princípio dos
reflexos condicionados
a) Pede-se ao
aluno/cliente que levante a mão direita ao ouvir o som Be (ou
Te) e a mão esquerda quando ouvir Pe ou (De respectivamente).
b) Pede-se ao
aluno/cliente para levantar a mão direita apenas quando o examinador pronunciar
o som Te (ou Fe) e que deixe-a como está quando for
pronunciado De (ou Ve respectivamente).
5.1.4 Mudança de
estímulo
a) Pede-se ao
aluno/cliente para dizer se são iguais ou diferentes alguns sons distintos
pronunciados com o mesmo tom (Be-Pe e Ce-Ze), ou alguns sons
iguais pronunciados em tons diferentes (Bé-Bê, Cé-Cê).
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente apresenta dificuldade para diferenciar sons da fala. Quando
ocorre alteração o aluno/cliente não pode sequer discriminar fonemas muito
diferentes. As dificuldades só existem quando a tarefa consiste em diferenciar
fonemas correlativos ou oposicionais. O aluno/cliente não pode identificar
pares de sons como B e P. Não os repete claramente e não é capaz de escrevê-los
corretamente, sendo até mesmo incapaz de mostrar a letra correspondente. Para
ele são idênticos ou apenas distinguíveis. As tarefas complicadas como repetir
séries de sons superam completamente suas possibilidades. Contudo, a audição
musical está preservada.
Indicativo
de Afasia de Wernicke; lesão da região póstero-superior do lobo temporal
esquerdo (112 e 150).
2.
O aluno/cliente é capaz de discriminar sons da fala, mas uma avaliação anterior
(cap. 2) pode detectar dificuldades na reprodução de ritmos.
Indicativo
de Amusia Sensorial; lesão das áreas secundárias do lobo temporal
direito.
3.
O aluno/cliente mostra dificuldade para discriminar sons da fala, porém as
alterações são menos marcadas. São especialmente difíceis os sons com
características acústicas bastante diferentes, mas que se articulam de forma
parecida; como /p-m/ e /d-t/.
Indicativo
de alterações cinestésicas decorrentes de lesões das áreas pós-centrais.
4.
O aluno/cliente apresenta dificuldades para passar de um fonema a outro e pode
apresentar sinais de perseveração. É especialmente difícil a reprodução de uma
série que apresente três consoantes idênticas com vogais trocadas. Pode acabar
dando uma repetição inerte da 1a série de respostas.
Indicativo
de Afasia Motora Eferente ou de Broca; lesão das áreas
pré-motoras do hemisfério dominante (área 44 de Brodmann).
5.
O aluno/cliente tem graus de dificuldade para organizar sequências longas de
sons, especialmente na ordem em que devem ser pronunciadas.
Indicativo
de lesão do sistema fronto-temporal do hemisfério esquerdo.
5.2 COMPREENSÃO DE PALAVRAS
Para
compreender as palavras é necessário ouvir de um forma suficientemente precisa
e estável, e associar adequadamente estes grupos de sons com os objetos,
qualidades, ações ou relações indicados por eles.
5.2.1 Definição
a) Pede-se ao
aluno/cliente que defina palavras isoladas que lhe são apresentadas
verbalmente, ou que descreva os objetos ou desenhos que as representam; como
lápis, garrafa, casa e árvore.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que assinale partes de seu corpo que não vê diretamente; como
olho, nariz, orelha, nuca e queixo.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que assinale três objetos ou três partes do rosto; como um lápis,
um vaso e uma faca; ou uma orelha, um nariz e uma orelha.
5.2.2 Efeito de
repetição
Um método mais simples
para estudar a compreensão de palavras é a sua repetição frequente, já que tal
repetição leva a uma estranheza do significado.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que mostre os olhos, orelhas, nariz, olhos e nariz.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que assinale um vaso, lápis, faca, lápis e vaso.
5.2.3 Identificação
a) Pede-se ao
aluno/cliente que dê um título a um desenho, escolhendo-o entre vários outros.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que defina; lagarta, centopéia e girino.
c) Pede-se ao aluno/cliente
que mostre partes do corpo com nomes não usuais (rótula, patela, supercílios,
tornozelo e panturrilha).
d) Pede-se ao
aluno/cliente que dê o significado de pares de palavras, diferenciadas por um
fonema, como caso-vaso, lar-mar, faca-vaca, paca-maca, lata-mata, gato-pato e
guerra-terra.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente não consegue perceber a palavra apresentada nem seus sons
constituintes com suficiente clareza para entender o significado preciso da
palavra. O significado pode também chegar a perder-se após um número pequeno de
repetições, devido a inibição mútua induzida pela apresentação simultânea das
palavras.
Indicativo
de Afasia Sensorial ou Acústica; lesão do lobo temporal esquerdo
ou Afasia Acústico-mnésica; lesão da porção media da região temporal
esquerda.
2.
O aluno/cliente percebe e até retém normalmente o significado de uma palavra;
porém quando tenta pronunciá-la em voz alta apresenta dificuldades devido a
articulação incorreta.
Indicativo
de Afasia Motora Aferente; lesão das áreas pós-centrais (secundárias
parietais cinestésicas).
3.
O aluno/cliente compreende as palavras isoladas, porém sua fala pode alterar-se
por dificuldades articulatórias ou por uma inércia patológica que impede uma
transferência rápida e fluida de uma forma verbal a outra.
Indicativo
de Afasia Motora Eferente (cinética); lesão das áreas
pré-motoras.
4.
O aluno/cliente entende palavras apresentadas isoladamente, mas tem
dificuldades quando considera uma série de palavras, pois fixa o significado da
primeira que acaba inibindo as seguintes (paragnosia). O significado da
primeira palavra é mantido de forma perseveratória extinguindo o significado
das seguintes, pois a inércia patológica da primeira palavra é seguida de
instabilidade dos traços mnemônicos das demais palavras, cujo significado ficou
perdido. O aluno/cliente começa a interpretar por causa de associações
irrelevantes que costumam ser inibidas no curso normal da atividade consciente.
Indicativo
de lesão das áreas secundárias frontais e temporais. Da área de Broca
ligando-se com a de Wernicke.
5.
O aluno/cliente apresenta dificuldades quanto ao significado de palavras que
expressam relações como: em cima, embaixo, direita, esquerda, antes e depois,
preposições e conjunções complexas.
Indicativo
de Afasia Semântica: lesão da região parieto-ocipital.
6.
O aluno/cliente entende as palavras somente num contexto estrito e rígido ou
somente na presença de imagem visual correspondente.
Indicativo
de alterações cerebrais generalizadas (271-272).
5.3 COMPREENSÃO DE ORAÇÕES SIMPLES
A
compreensão de orações requer o entendimento das palavras, a apreciação das
estruturas gramaticais, a capacidade de memorização das palavras que formam as
orações e a capacidade para inibir conclusões prematuras sobre o significado de
uma expressão. A complexidade do processo explica a existência de múltiplas
lesões cerebrais e também exige uma análise mais cuidadosa.
5.3.1 Uma série de
frases simples
a) Apresentam-se ao
aluno/cliente uma série de desenhos e pede-se que relacione um deles com uma
frase fornecida pelo examinador, por exemplo: "escrever à máquina",
"hora de comer" e "pôr do sol".
5.3.2 Instruções
verbais
a) O aluno/cliente recebe
ordens complexas, como: "pegue o livro, ponha-o no parapeito da janela e
passe-me o cinzeiro".
5.3.3 Orações cujo
significado não está limitado aos objetos mencionados
a) Pergunta-se ao
aluno/cliente: "de quem é este relógio ?".
b) Mostra-se ao
aluno/cliente desenhos de uma lareira, lenha e fósforos, e pergunta-se: "O
que é que se usa para acender fogo?". Como variante: caderno, lápis,
borracha e régua, e pergunta-se: "O que é que se usa para escrever?".
5.3.4 Instruções
conflitivas
a) Mostra-se ao
aluno/cliente um cartão cinza e um preto, e pede-se: "Quando eu disser dia
mostre o cartão preto e quando disser noite mostre o cartão cinza".
ANÁLISE
DE CONDUTA
1.
O aluno/cliente tem grandes dificuldades para compreender uma ordem verbal,
sobretudo se for expressa numa oração um pouco mais complexa. O aluno/cliente
reage à palavras isoladas, já que não percebe a oração como um conjunto.
Indicativo
de lesão das áreas secundárias do córtex temporal.
2.
O aluno/cliente extrapola as relações sugeridas pelo contexto, fazendo
associações irrelevantes que é incapaz de inibir.
Indicativo
de Síndrome Frontal; lesão das áreas pré-frontais.
3.
O aluno/cliente mostra uma tendência a adivinhar o significado de uma frase ao
invés de tentar entendê-la em sua significação real. Esta tendência aumenta
sobretudo quando a palavra apresenta um significado diferente ao que tem
habitualmente.
Indicativo
de Síndrome Frontal, Fronto-temporal e desordens cerebrais
generalizadas.
5.4 COMPREENSÃO DE ESTRUTURAS GRAMATICAIS LÓGICAS
A
compreensão das relações existentes numa linguagem, como se observa nas formas
gramaticais, tal como o sistema de inflexões, a ordem das palavras na oração,
as preposições e conjunções, implica num processo muito complexo.
5.4.1 Construções inflexivas simples
Coloca-se 3 objetos (um
lápis, uma chave e um pente) na frente do aluno/cliente.
a) Pede-se que aponte
dois objetos por ordem, ex.: "lápis-chave" ou
"lápis-pente".
b) Que aponte com um
objeto outro objeto, ex.: "O lápis com a chave".
c) Instruções semelhantes
a anterior mas com estrutura gramatical modificada, ex.: "indique com a
chave o lápis".
5.4.2 Construções
utilizando caso atributivo genitivo
a) Apresenta-se um
desenho de uma senhora e uma menina e se pede que assinale a "mãe da
filha".
b) Pede-se que diga se
"irmão do pai e o pai do irmão" tem o mesmo significado.
5.4.3 Construções
preposicionais que implicam relações espaciais
a) Pede-se que desenhe
"uma cruz debaixo de um círculo e à direita de uma cruz" ou "uma
cruz à direita de um círculo e à esquerda de um triângulo".
b) Pede-se para dizer
quais dessas frases estão corretas:
"Sábado vem antes de
3a feira ou 3a vem antes de sábado?".
"Março vem antes de
maio ou maio vem antes de março?".
"89 é maior que 101
ou 101 é maior que 89?".
5.4.4 Construções
comparativas
a) Dizer quem é mais
baixo, se "João é mais alto que Pedro".
b) Dizer quem é mais alto
e quem é mais baixo, se "João é mais alto que Pedro e Pedro é mais alto
que Paulo".
c) Dizer qual menina é
mais loura, se " Olga é mais loura que Kátia porém mais morena que
Sônia".
d) Qual das frases está
correta; "uma mosca é maior que um elefante ou um elefante é maior que uma
mosca".
e) Apresentar 3
tonalidades de uma cor e perguntar: "qual dos traços está mais claro, e
qual menos claro?".
5.4.5 construções
gramaticais invertidas
a) Pede-se ao
aluno/cliente que responda: "Pedro bateu em João; quem foi a
vítima?", "Tomei o café da manhã depois de cortar a lenha; o que fiz
primeiro?" e "Estou desacostumado a obedecer regras; quem disse isso,
uma pessoa disciplinada ou indisciplinada?".
5.4.6. Estrutura
gramatical complexa
a) Pede-se ao
aluno/cliente que explique o significado de uma frase que inclui orações
subordinadas, ex.: "A mulher que trabalha na fábrica veio ao colégio onde
estudava margarida para dar uma conferência". Havendo dificuldades,
pode-se ajudar com perguntas; "quem deu a conferência?", "quem
estudava no colégio?", "quem trabalha, aonde?"
ANÁLISE DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente não pode reter o significado de palavras. Às vezes chega ao
ponto de não poder repeti-las e nem mesmo assinalar o objeto correspondente.
Indicativo
de Afasia Acústica; lesão das divisões temporais do hemisfério esquerdo.
2.
O aluno/cliente pode assinalar o objeto pedido, mas não consegue fazê-lo nos
casos em que aparecem relações gramaticais nas instruções.
Indicativo
de Agramatismo receptivo; lesão dos sistemas occipitais do hemisfério
esquerdo.
3.
O aluno/cliente capta o significado das palavras separadamente, mas se recebe a
instrução: "Desenhe uma cruz e embaixo dele um círculo" ele entende
como se fosse: "Desenhe uma cruz debaixo de um círculo". Então
desenha as figuras na ordem que foram entendidas. O aluno/cliente não pode
captar a essência das construções preposicionais; ou desenha as figuras de um
modo inerte, no mesmo lugar, ou repete a mesma figura, perfeitamente satisfeito
com a sua execução.
Indicativo
de Síndrome Frontal.
4.
O aluno/cliente entende as ordens simples mas tem dificuldade nas instruções invertidas.
Não analisa as associações que contém as instruções e mostra um tendência
ecopráxica, para seguir a ordem das palavras na oração. Pode entender as
relações gramaticais lógicas necessárias, mas se faz 2 ou 3 provas do tipo
"desenhe uma cruz debaixo...", é incapaz de pôr uma cruz sobre um
círculo e insiste em reproduzir a inversão estabelecida.
Indicativo
de Síndrome Frontal.
Capítulo 6
LINGUAGEM EXPRESSIVA
__________________________________________________________________
A
linguagem expressiva é um processo complexo que compreende a pronúncia, supõe
uma atividade motora precisa e uma organização em série bem estabelecida, assim
como a retenção de um esquema geral de frases ou orações.
Este
estudo supõe a exploração de:
l.
Articulação dos sons da fala.
2.
Linguagem repetitiva.
3.
Função nominativa da fala.
4.
Fala narrativa.
6.1 ARTICULAÇÃO DOS SONS DA FALA.
O
estudo de como se articulam os sons deve ser precedido por um estudo do
aparelho articulatório da língua e lábios (cap. 4 Funções motoras).
Deve-se
prestar especial atenção à potência, extensão, assim como ao ritmo e mobilidade
destes componentes motores.
6.1.1 Repetição
a) Pede-se ao
aluno/cliente que pronuncie os seguintes fonemas; /a/, /i/, /m/, /b/, /s/, /w/,
/x/, /v/, /f/, /n/ e /z/.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que repita fonemas em pares ou em grupos de 3; /s-p/, /s-t-r/,
/a-v-b/ e /f-w-m/.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que articule sílabas abertas e fechadas; "ba-bu, po-pu,
me-mó, bê-bó e te-tu".
Como complemento destas
investigações, pode-se permitir o uso de outros sistemas aferentes. Pode-se
explicar o esquema de articulação de um som em particular ou incorporar ações
práticas, como apagar velas soprando (praxias orais).
ANÁLISE
DA CONDUTA
1)
O aluno/cliente confunde os fonemas de sons similares, como mê, nê,
bê, pê, dê e tê e, nos casos mais graves, não
distingue fonemas próximos, como fê-vê ou zê-dê.
Indicativo
de lesão da área secundária do lobo temporal esquerdo (112).
2)
A articulação do aluno/cliente é pobre, os impulsos motores são imprecisos e
confunde articulemas de sons familiares, como bê-pê, mê-nê e bê-tê.
Indicativo
de lesão da porção inferior da região sensório-motora (áreas primárias Frontais
e Parietais) e das divisões pós-centrais.
3)
O aluno/cliente articula perfeitamente mas lhe é difícil passar de uma
articulação a outra. Devido a inércia patológica, desenvolve
estereotipias articulatórias, como "bê-pê: bê, bê, bê..." ou
"pê-bê: pê, pê, pê...".
Indicativo
de lesão das divisões pré-motoras da área da fala.
6.2 LINGUAGEM REPETITIVA
Obs.: Caso o aluno/cliente
seja alfabetizado as palavras podem ser apresentadas visualmente.
6.2.1 Repetição de palavras isoladas
Pede-se ao aluno/cliente
que repita as seguintes séries de palavras de complexidade fonética crescente:
a) Palavras simples; Sol,
mar, cão, boi, tio, avô e avó.
b) Mais complicadas;
Casa, mesa, maçã, pêra e copo.
c) Expressões; Secador de
cabelo, guarda-roupa, cortador de unha e ralador de queijo.
d) Palavras pouco
familiares; Rinoceronte, hipopótamo, esdrúxula e defenestrar.
e) Palavras foneticamente
complexas: aracnídeos, susceptibilidade, paralelepípedo e reivindicação.
f) Palavras que diferem
em apenas um sinal fonético: guerra-terra, gato-pato, mão-pão, vela-cela e
faca-vaca.
6.2.2. Repetição de
séries de palavras.
Pede-se ao aluno/cliente
que repita os seguintes grupos de palavras, apresentadas com intervalos de 1s:
a) "Sol, pão,
trem", "bem, tem, sem, quem, vem", "lesma, grampo,
montanha, meia" e "mel, véu, gel, céu".
b) As mesmas séries de
palavras, porém apresentadas em ordem inversa.
6.2.3. Repetição de
frases
Pede-se ao aluno/cliente
que repita:
a) Frases curtas: "O
dia está bonito" ou "O carro anda velozmente".
b) Frases longas:
"As maçãs cresciam no jardim do outro lado da cerca" e "O menino
viu o cachorro latindo do outro lado da rua".
c) Uma série de três
frases curtas: "A casa é verde, o sol brilha, o vento sopra".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
Aluno/clientes com lesões graves não podem nem mesmo repetir palavras simples;
combinações de sons e palavras sem sentido tornam-se impossíveis de serem
repetidas. Estão sempre inseguros quanto a pronúncia.
Indicativo
de lesão do lobo temporal (115 e 159).
2.
O aluno/cliente apresenta grandes dificuldades para repetir frases ou séries de
palavras; pode repetir apenas uma ou duas palavras e pode perder a sequência
das palavras que formam uma série dada. Maiores dificuldades terá ainda se tiver
que repetir uma oração inteira. Apesar de entender o significado geral da
oração, não retém suas palavras. Ou reproduz apenas uma parte da frase ou a
repete com paráfrases. A repetição da série de três frases curtas é
extremamente difícil.
Indicativo
de lesão da parte medial das áreas (secundárias) temporais esquerdas
3.
Não repete sons isolados nem palavras individuais e, às vezes, pode nomear um
objeto mas não pode repetir uma palavra dada, por incapacidade de analisar a
composição articulatória das mesmas. Um sintoma característico é que o
aluno/cliente confunde articulemas de sons familiares (pão/mão).
Indicativo
de Afasia Motora Aferente (cinestésica); lesão das divisões
pós-centrais (115 e 119).
4.
O aluno/cliente repete facilmente sons isolados, mas não pode reproduzir uma
palavra inteira devido a inércia patológica. É difícil passar de uma
articulação para outra.
Indicativo
de Afasia Motora Eferente (cinética); lesão das áreas
pré-motoras(159).
5.
O aluno/cliente não consegue repetir séries de palavras individuais. Também não
consegue prender-se à ordem requerida.
Indicativo
de lesão das divisões fronto-temporais do hemisfério esquerdo.
6.3. FUNção NOMINATIVA DA FALA
Nomear
objetos, designá-los por meio de palavras é uma das funções básicas da
linguagem.
Nomear
um objeto, uma ação ou qualidade requer a integridade da composição fonética de
uma palavra particular. Requer também uma associação estável entre a palavra e
o objeto. Porém seria um erro imaginar que para nomeá-lo basta simplesmente
fazer a associação com uma palavra particular. Como regra geral, quando vemos
um objeto, especialmente não familiar, nos vem à mente toda uma série de
associações. Quando nomeamos um objeto devemos selecionar uma das associações,
inibindo as demais.
6.3.1. Nomeação de objetos ou imagens de objetos.
a) Mostram-se ao
aluno/cliente objetos isolados e pede-se que os nomeie; borracha, relógio,
caneta, copo, etc.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que nomeie partes do corpo, indicadas pelo examinador; joelho,
cotovelo, tornozelo, orelha, etc.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que nomeie 3 desenhos ou objetos que lhe são apresentados ao
mesmo tempo; uma colher, um óculos e um livro; uma caneta, uma xícara e um
pente.
6.3.2. Nomeação a partir de descrições.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que responda a perguntas do tipo: "Como se chama a coisa que
serve para pentear o cabelo?", "Qual o nome do objeto que se usa para
escrever?".
6.3.3. Determinação de categorias de palavras.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que dê um nome geral a uma série de objetos: "bola, boneca e
carrinho", "faca, colher e garfo", "calça, meia e
camisa" e "tomate, repolho e berinjela".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente apresenta dificuldades para encontrar os nomes adequados.
Indicativo de Afasia Sensorial (acústica); lesão dos sistemas temporais.
2.
O aluno/cliente apresenta dificuldades para encontrar os nomes pedidos. Em suas
tentativas pode trocar a palavra que está buscando por outra, ainda que o
examinador ofereça uma pista, uma sílaba por exemplo, o aluno/cliente continua
incapaz de realizar a tarefa corretamente.
Indicativo
de Afasia Acústico-mnêmica; lesão das áreas terciárias do lobo
temporo-ocipital esquerdo (120).
3.
Se o examinador oferece pistas ao aluno/cliente, este pode encontrar
rapidamente a palavra requerida.
Indicativo
de Afasia Amnésica; lesão dos sistemas infero-parietais ou
parieto occipitais (131).
4.
O aluno/cliente não pode identificar os objetos até que tenha um contato tátil
com os mesmos.
Indicativo
de Afasia óptica; lesão dos sistemas temporo-ocipitais.
6.4 FALA NARRATIVA AUTOMATIZADA
A
investigação da fala narrativa constitui uma parte vital do estudo das funções
mais complexas da fala expressiva. A linguagem, utilizada como meio de
comunicação e de atividade intelectual não só nomeia objetos, ações e
qualidades, como também descreve acontecimentos.
6.4.1. Fluidez e automatização da fala
a)
Pede-se ao aluno/cliente que conte de 1 a 20.
b)
Pede-se ao aluno/cliente que diga os dias da semana e os meses do ano.
Repetir
as mesmas séries de trás para frente.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente pode reproduzir séries de palavras automatizadas, porém tem
dificuldade em dizer os dias da semana e os meses do ano, sobretudo de forma
invertida. Ao responder as perguntas, fica buscando as palavras, mostra
confusão e usa de rodeios. Os substantivos estão particularmente prejudicados e
frequentemente são omitidos ou substituídos. O aluno/cliente não pode realizar
os testes de operações mais complexas devido a instabilidade dos traços da
palavra e a perda do significado.
Indicativo
de Afasia Sensorial ou Acústica; lesão dos sistemas temporais.
2.
O aluno/cliente não é capaz de recitar séries já que sua fala é desigual e
lenta, devido a desintegração das operações sequenciais.
Indicativo
de lesão das divisões anteriores (lobos pré-frontais).
6.5 FALA NARRATIVA PREDICATIVA OU FLUENTE
6.5.1. Formas reprodutivas simples e mais complexas.
a) Formular ao
aluno/cliente perguntas simples, como: "você almoçou hoje?";
"você vai ao cinema toda semana?".
b) Pede-se ao
aluno/cliente para descrever uma figura simples, como uma árvore, um
banco ou uma casa.
c) O aluno/cliente deve
reproduzir o relato de um fato qualquer, contado pelo examinador.
6.5.2 Formas
produtivas espontâneas
a) É pedido ao
aluno/cliente que conte uma história conhecida (Branca de neve, etc.).
b) O aluno/cliente deve
discorrer sobre um tema selecionado pelo examinador, como "A chuva"
ou "O inverno".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente é capaz de descrever facilmente objetos separadamente e repetir
palavras isoladas, mas não é capaz de falar fluentemente. Responde as perguntas
muito secamente e tem dificuldade em formular novos termos; a fala predicativa
e impossível.
Indicativo
de Afasia Motora Eferente (cinética); lesão dos sistemas pré-motores.
6.5.3. sistemas
complexos de expressões gramaticais.
a) O aluno/cliente deve
completar orações, como "o inverno é muito...". Havendo dificuldade
na resposta pode-se fornecer alternativas: "Frio, quente, branco,
etc."
b) O aluno/cliente deve
construir uma oração que inclua três palavras isoladas, como; "Madeira,
garagem e carro", "chave, parede e caderno" e "casaco,
árvore e pedra".
c) Pede-se ao
aluno/cliente que reorganize as palavras de uma oração que está
desordenada, como: "bosque lenhador foi O cortou árvore uma ao e" ou
"escolar correndo atrasada A ônibus menina o pegar foi".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
À primeira vista o aluno/cliente parece falar normalmente; não tem dificuldades
articulatórias e gramaticais apreciáveis. Entretanto sua narrativa é
inadequada, não podendo continuar as séries automatizadas sozinho, precisando
de um estímulo a cada reação. Os defeitos são mais aparentes no diálogo e na
fala narrativa. Não pode dar uma versão coerente sobre um determinado tema,
geralmente só produz fragmentos isolados. Contudo pode reproduzir os elementos
de uma história respondendo a perguntas isoladas. A linguagem produtiva
espontânea está geralmente formada por estereótipos.
Indicativo
de Afasia Dinâmica; lesão das áreas pré-frontais esquerda, não se
estendendo aos sistemas pré-motores e a área de Broca (pg. 280).
2.
O aluno/cliente mostra alterações não específicas da fala narrativa, bem como
um aumento da tendência a fadiga e instabilidade das funções mnésicas.
Indicativo
de desordens cerebrais gerais.
Capítulo 7
LEITURA E ESCRITA
__________________________________________________________________
A
escrita e a leitura diferem essencialmente da linguagem falada em sua origem,
na estrutura psicofisiológica e em suas propriedades funcionais.
A
linguagem escrita é resultado de um treinamento especial e de uma atividade
voluntariamente organizada, com uma análise consciente dos sons que a
constituem. A leitura é de carácter igualmente complexo. Ambas se aprendem
estágio por estágio e não se convertem em habilidades automatizadas até seus
últimos estágios. O processo de articulação (vocalização), que desempenha um
papel decisivo nos primeiros estágios de aprendizado, tem muito pouca relação
com a forma altamente automatizada da escrita. Isto sugere que nos diferentes
estágios do desenvolvimento da escrita e da leitura o papel que desempenham os
sistemas corticais nem sempre permanece igual. Assim também, deve-se pressupor
que as diferentes bases das atividades em distintas linguagens ocasionam uma
organização cortical diferente.
Na
investigação da escrita e da leitura é importante ter em conta que a escrita
vai no sentido do pensamento para a palavra, enquanto que a leitura segue o
curso da palavra ao pensamento. Por causa da complexa composição da leitura e
da escrita, a exploração deve ser precedida de um estudo sobre a análise e a
síntese dos sons que o aluno/cliente realiza.
A
investigação compreende o estudo de:
1.
Análise fonética e síntese de palavras.
2.
Leitura e escrita.
7.1 ANÁLISE FONÉTICA E SÍNTESE DE PALAVRAS
A
presente exploração é continuidade do exame da análise da audição fonêmica
(linguagem impressiva). O objetivo é descobrir a compreensão que o
aluno/cliente tem do significado de uma palavra completa e suas habilidades
para executar operações complexas que abranjam todos os elementos da composição
fonética da palavra, isto é, separar as partes componentes do contínuo acústico
na linguagem falada, abstrair e identificar determinados fonemas dentro da
pauta geral, separando-os de outros estímulos sonoros que não tem importância
de sinais, manter a ordem adequada destes fonemas e finalmente integrá-los em
grupos fonéticos.
7.1.1 Análise fonética
a) Número de sons.
Pede-se ao aluno/cliente que diga quantos sons há nas palavras: "pão,
também, trem, batata e chuveiro".
b) Identificação de sons.
Pede-se ao aluno/cliente que identifique sons isolados em certas palavras, ex.:
o segundo som da palavra "pão" e o primeiro som de "corda".
c) Posição de sons.
Pede-se ao aluno/cliente que estabeleça a posição de sons em relação a outros,
ex.: Que som na palavra "farol" vem antes de "o"?; Que som
na palavra "plantas" vem antes de "t"? e depois de
"n"?; e que som vem antes de "a" na palavra "chave".
Deve-se prestar especial
atenção a habilidade do aluno/cliente para distinguir consoantes de vogais, já
que a pronúncia das vogais está associada a menor número de sinais cinestésicos
da língua, do palato e dos lábios. O método utilizado pelo aluno/cliente para
fazer análise fonética deve ser cuidadosamente observado, ou porque realiza a
análise imediatamente em sua mente, ou porque diz a palavra em voz alta e usa
um processo "parte por parte".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente não pode distinguir os sons de um grupo fonético. Percebe as
palavras como um ruído indivisível do qual só ocasionalmente poderá selecionar
os fragmentos que possuem a acústica ou as qualidades articulatórias mais
fortes. Não consegue dizer que sons constituem uma determinada palavra, nem
pode identificar os sons isolados ou analisar as relações entre eles.
Indicativo
de lesão das áreas secundárias, adjacentes às primárias do lobo temporal
esquerdo. Porém não são incluídas alterações que provocam transtornos acústicos
gnósticos, decorrentes de lesões das divisões mediais e inferiores deste lobo e
de lesões do Pólo temporal.
2.
O aluno/cliente pode captar palavras individuais e entender seu significado,
porém tem dificuldades na análise fonética de palavras que apresentem vogais
átonas ou encontros consonantais. Ele realiza a análise da palavra baseando-se
nos sinais cinestésicos de sua articulação. Pode ter dificuldades em
discriminar fonemas parecidos e em avaliar a posição relativa dos sons na
palavra. Apresenta dificuldades para analisar um grupo completo de sons,
omitindo ora um ora outro componente. Perde a sequência correta dos sons e não
retém suas séries. Os traços da sintaxe acústica são tão instáveis que retém
apenas fragmentos da estrutura apresentada. O aluno/cliente é capaz de
determinar o número de sons que compõem uma palavra, mas se procura
identificá-los com precisão pode, ou omitir alguns sons, retendo somente a
articulação mais forte, ou articular erroneamente avaliando então de forma
incorreta. Pode identificar /n/ como /l/ ou /d/ e /b/ como /m/. Quando o aluno/cliente
não se apoia na análise articulatória, pode ser incapaz de determinar a posição
dos sons numa palavra e de sintetizar palavras a partir de sons individuais. Um
articulema pode ser substituído por outro parecido levando-o a conclusões
erradas, por ex.: Avalia a série p-e-d-r-a como "pema";
c-h-u-v-e-i-r-o como "chuvemo".
Indicativo
de Afasia aferente; alteração das bases cinestésicas do ato de falar,
decorrente de lesão das divisões posteriores da região sensório-motora
esquerda.
3.
O aluno/cliente não pode distinguir, nem articular a série de sons que compõem
uma palavra e tem dificuldade para diferenciar sons vocálicos. Não pode
determinar que som precede ou segue a um outro. A síntese de uma palavra a
partir de seus sons isolados está prejudicada.
Indicativo
de Afasia Eferente; lesão das porções inferiores da área pré-motora do
hemisfério esquerdo.
4.
O aluno/cliente não pode sintetizar sons individuais, especialmente porque não
avalia a posição dos sons dentro da palavra, nem une séries consecutivas de
sons de uma estrutura única, entretanto não apresenta nenhum defeito na audição
fonêmica ou na articulação.
Indicativo
de lesão das divisões parietais inferiores ou parieto-temporo-ociptal do
hemisfério dominante.
5.
O aluno/cliente não pode avaliar a posição dos sons numa palavra, não pode
inibir respostas impulsivas na síntese de uma palavra a partir dos sons que a
compõem.
Indicativo
de lesão das divisões frontais e fronto-temporais do hemisfério dominante.
7.2 ESCRITA
As
provas são apresentadas para analisar o estado dos diversos componentes
elementares da escrita, sendo importantes para a avaliação de desordens
gnóstico-visuais e motoras, assim como para a avaliação visuo-espacial, da
síntese construcional, da análise acústica dos sons da fala e da manutenção de
"melodias" cinéticas fluidas.
Será
feito o exame da escrita de letras isoladas, de sílabas e de palavras, além de
formas complexas da linguagem escrita.
Obs.: O investigador deve
prestar atenção no desempenho do aluno/cliente, observando se as letras são
transcritas ou desenhadas, se há distorções espaciais, pulsações supérfluas ou
movimentos perseveratórios. Os testes devem ser realizados em folhas sem pauta.
7.2.1. cópia e escrita ordinária
a) Pede-se ao
aluno/cliente que copie letras, sílabas e palavras em letras de imprensa e
manuscritas, ex.; B, L, mar, pre.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que escreva 3 palavras que lhe foram mostradas individualmente,
durante um período de 3 segundos (percepção visual).
c) Pede-se ao
aluno/cliente que escreva determinada palavra convertida em uma estereotipia
motora, como sua própria assinatura. A seguir, que escreva seu nome.
7.2.2. Formas complexas de escrita
(a)
ditar ao aluno/cliente:
a) Letras; "f, t, h,
l e g".
b) Sílabas simples;
"ba, da, bar, com e luz"
c) Palavras foneticamente
simples; "casa, mesa e jarro".
d) Palavras foneticamente
complicadas e não familiares: "fisiologia",
"Paranapiacaba", "Itaquaquecetuba" e
"otorrinolaringologista".
e) Palavras com junção de
consoantes; "mnemotécnico, psiquiatra, magnífico e obstetra".
f) Séries de palavras;
"por, mês, mar" e "trio, pão, cal".
g) Expressões; "o
ano passado antes do natal" e "os jardins do zoológico".
h) Nomes de objetos;
"cinzeiro, tesouras e armário".
(b)
o aluno/cliente responde por escrito:
a) Respostas a perguntas
formuladas pelo examinador: "O que você comeu hoje?" e "O que
você costuma fazer aos domingos?"
b) Afirmações
transmitindo suas opiniões pessoais; "fale sobre...(música, ecologia, magia,
etc.)".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente copia palavras e letras sem dificuldades, é capaz de escrever
estereotipias motoras bem estabelecidas, como sua assinatura. Havendo
substituições articulatórias como /b/ em lugar de /m/ ou /l/; ou /m/ em lugar
de /b/ ou /p/.
Indicativo
de Afasia Motora Aferente; lesão da região parietal 2a
esquerda.
2.
Suas dificuldades aparecem quando precisa fazer uma análise fonética das
palavras, ocorrendo então omissão ou troca de sons.
Indicativo
de Afasia Sensorial (Acústica); lesão de áreas secundárias temporais.
3.
O aluno/cliente encontra a letra requerida, porém apresenta dificuldades para
passar de uma articulação a outra, escreve letras ditadas separadamente, mas
não é capaz de escrever uma sílaba ou palavra. Não mantém as letras em ordem
adequada e substitui as séries de letras por repetições perseverativas.
Indicativo
de Afasia Motora Eferente (cinética); lesão das porções
inferiores da zona pré-motora esquerda (área de Broca).
4.
O aluno/cliente não é capaz de transformar os fonemas em grafemas, embora saiba
que som deve escrever. O sistema de conexões acústico-ópticas é tão instável
que o aluno/cliente escreve em espelho (escrita especular) ou inverte a ordem
das letras. Ex.; escreve garça em lugar de graça.
Indicativo
de lesão da região parieto-temporo-ocipital esquerda (esquema espacial).
5.
O aluno/cliente mostra várias desordens na escrita. Cansa-se facilmente, ou
progressivamente vai diminuindo o tamanho das letras (micrografia). Pode
apresentar, eventualmente, perseverações.
Indicativo
de lesão das divisões frontais esquerdas.
7.3 LEITURA
O
processo de leitura inicia com a recepção visual e com a análise de um grafema,
continua com a recodificação destes grafemas em estruturas fonéticas
correspondentes e termina com a compreensão do significado do que foi lido. A
leitura, em seu estágio mais desenvolvido, transforma-se em um processo direto
e altamente automatizado, onde não é necessária a análise fonética. É um
processo baseado no reconhecimento direto do significado das palavras escritas
e às vezes de frases inteiras. A investigação da capacidade de leitura deve ser
precedida por exames preliminares da acuidade e alcance visuais, e do movimento
(capítulo 1).
A
investigação começa com a análise da percepção das letras, continua com
experimentos para determinar a capacidade para ler palavras e, finalmente, para
ler textos.
7.3.1 Análise da percepção de letras
a) Pede-se ao
aluno/cliente que leia letras isoladas, impressas ou manuscritas.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que indique letras que aparecem numa palavra. Ex.: "Qual das
letras B, J ou S aparece em João?".
7.3.1 Leitura de sílabas ou palavras
Pede-se ao aluno/cliente
que leia:
a) sílabas (tal, ble,
tla, cor, mir e pra).
b) palavras
(fertilizantes, juiz e bolo).
c) ideogramas (INSS, MEC,
RFA, C&A e RAF).
d) palavras complexas
(insubordinação, insdistinguível, prosopopéia, nebulizador e alfarrábio).
7.3.3 Leitura de
frases e textos
Pede-se ao aluno/cliente
que leia:
a) uma frase simples
("O menino joga bola").
b) uma oração em
desacordo com seu significado antecipatório ("O sol nasce ao
anoitecer").
c) cerca de 3 linhas de
um texto.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente confunde letras de contorno familiar, confunde "m"
com "n", "p" com "q", "k" com
"h" e "b" com "d". Nas formas latentes pode
reconhecer letras impressas, mas tem dificuldade no reconhecimento de letras
manuscritas.
Pode
também perceber letras isoladas, porém não identifica palavras inteiras. Nesse
caso recorre a recomposição da palavra, letra por letra. Em alguns casos ocorre
ataxias do olhar.
Indicativo
de Alexia óptica Literal; lesão das regiões occipitais esquerdas.
2.
O aluno/cliente pode ignorar o lado esquerdo de um texto, achando-o desprovido
de sentido. Não é consciente de seu defeito e por isso não tenta compensá-lo.
Se consegue ler uma palavra escrita verticalmente, confirma-se a Hemianopsia
(perda do campo visual contralateral).
Indicativo
de Hemianopsia Fixa do hemisfério direito; lesão do córtex ocipital
direito.
3.
O aluno/cliente reconhece o significado de palavras usuais, mas não consegue
lê-las em voz alta, em decorrência de distúrbios da análise fonética.
Indicativo
de Afasia Sensorial (Acústica); lesão da região secundária temporal
esquerda, que leva a alteração da leitura (Alexia) (112).
4.
O aluno/cliente reconhece palavras usuais, porém o verdadeiro processo
analítico-sintético da leitura está alterado pela dificuldade de articulação de
fonemas parecidos, como /l-b/ e /d-m/.
Indicativo
de Afasia Motora Aferente (cinestésica); lesão das regiões pós-centrais
esquerdas.
5.
O aluno/cliente reconhece e pode pronunciar letras isoladas, apresentando
dificuldades na leitura de sílabas e palavras.
Indicativo
de Afasia Motora Eferente (cinética); lesão da região pré-motora
esquerda.
6.
A leitura do aluno/cliente apresenta graves deteriorações, como associações sem
sentido e perseverações.
Indicativo
de lesão dos lobos pré-frontais.
Capítulo 8
PROCESSOS MNÉSICOS
__________________________________________________________________
Para
compreender os fatores básicos de que dependem os distúrbios da memória é
essencial examina-los cuidadosamente do ponto de vista neuropsicológico. É
preciso também tratar das estruturas corticais que atuam nos processos
mnésicos.
As
alterações de memória podem ser de tipo geral (modalidades não específicas),
como na clássica síndrome de Korsakoff ou podem ser de um tipo determinado
(modalidade específica), por exemplo, acústica, verbal e espacial. Podem
acontecer em todos os níveis de codificação ou podem limitar-se a um único
nível, por exemplo, o inferior (sensorial) e superior (intelectual). Podem
ocorrer em aluno/clientes que não sofrem de confusão ou sonolência, associados
a estes estados, ou em associação com inércia patológica de atividade nervosa.
As
partes do cérebro que poderiam estar implicadas são as porções medias dos
hemisférios, onde as alterações nos lobos temporais provocam um tipo específico
de distúrbio de memória verbal (Afasia amnésica ou nomeação errônea), ou dos
lobos frontais, produzindo alterações secundárias nos casos de lesões maciças.
Supõe-se
que a causa principal das alterações de memória deve-se a um crescente bloqueio
dos traços por interferência de impressões e ações; também poderiam ser devidas
a progressiva deterioração destes traços.
A
investigação da memória inclui o estudo de:
8.1
- O processo de aprendizagem
8.2
- Retenção e recuperação
8.3
- Memória lógica, associativa ou verbal
8.1 O PROCESSO DE APRENDIZAGEM
O
aspecto mais importante desta investigação é a análise dos métodos utilizados,
da maneira de aumentar o volume de material retido, da influência do nível de
expectativa e da reação diante dos erros.
8.1.1 Séries de
palavras ou números desconexos
a) O examinador lê em voz
alta, pausadamente, um conjunto de 10 palavras*, variadas morfo e foneticamente, e
pede para o aluno/cliente memorizar a série e reproduzi-la, em qualquer ordem.
Depois de escrever os
elementos que pôde reter, a série é apresentada outra vez e se recolhe de novo
os resultados até o aluno/cliente conseguir reter toda a série. Caso não
consiga, suspender o processo na 10a tentativa. Os resultados
são anotados uma curva de memória (l85).
Durante a memorização
pergunta-se ao aluno/cliente quantas palavras será capaz de memorizar quando a
série for repetida. Suas respostas (nível de expectativa) são comparadas na
curva com o resultado real.
b) Numa variante do teste
podem ser utilizados números (normalmente 8 ou 10); 7, 1, 3, 9, 4, 2, 5, 6 e 8.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente se esforça para aprender as palavras na ordem apresentada e a
cada nova apresentação procura reter as palavras não memorizadas. Comete poucos
erros e não incide no mesmo erro várias vezes.
Aprende
as palavras devagar e não consegue memorizar mais de 5 ou 6 palavras. Sua
capacidade limitada de memorização se revela pelo fato de; ao procurar
recuperar palavras não retidas na apresentação anterior, acaba por inibir
palavras já memorizadas. Pode se cansar facilmente; depois da 4a
ou 5a repetição seu desempenho declina.
Indicativo
de lesão nas áreas terciárias temporo-parieto-ocipitais; que dificulta a
ordenação da série apresentada.
2.
O aluno/cliente não avalia sua atuação de forma realista; é incapaz de predizer
quantos elementos da série seria capaz de repetir. Pode continuar repetindo
inertemente um número baixo; inclusive depois de ter demonstrado que seus
resultados reais são superiores. Repete as palavras de forma aleatória, e não
presta especial atenção as palavras de que não se lembrava anteriormente. A
série que continua repetindo pode ser estereotipada, assim como os erros.
Indicativo
de lesão dos lobos frontais (l83).
8.2 RETENÇÃO E RECUPERAÇÃO
8.2.1 Reconhecimento de forma
a) Apresenta-se ao
aluno/cliente uma figura (um triângulo azul) durante 5". Após um intervalo
livre de 30", apresenta-se outra figura, que difira na forma (quadrado
azul) ou na cor (triângulo verde) da anterior. O aluno/cliente deve dizer se as
duas figuras são iguais. Para testar as impressões mnêmicas imediatas do
aluno/cliente, pode-se introduzir um elemento de distração entre as duas
apresentações, por ex. contar até 20 ou observar uma figura.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente mostra-se sonolento e confuso, desorientado no tempo e no
espaço e raras vezes inteiramente desperto. Não atina com sua amnésia,
demonstra atenção difusa e impressões mnêmicas instáveis, podendo apresentar
também memória remota dispersa e comportamento confabulatório.
Indicativo
de lesões profundas na parte inferior dos lobos pré-frontais e em suas ligações
com o tronco cerebral, tálamo, hipotálamo e áreas do circuito de Papez
(sistema límbico). Também pode ser ocasionada por problemas de irrigação destas
áreas (259).
8.2.2 Efeitos de contraste e tamanho
a) O aluno/cliente, de
olhos vendados, deve comparar duas bolas de isopor de tamanhos diferentes,
colocadas uma em cada mão (o examinador pergunta se são iguais, quando a
resposta e negativa pergunta qual é a maior).
Repetir este ensaio 10
vezes, com a bola de menor tamanho sempre na mão esquerda. No 11o
ensaio, são utilizadas duas bolas idênticas e o aluno/cliente deverá
estabelecer a comparação entre elas (teste de Uznadze).
8.2.3 Reprodução
imediata de traços visuais, acústicos, cinestésicos e verbais
Para estudar a
estabilidade da retenção direta aumenta-se o intervalo entre a apresentação das
séries de estímulos e sua reprodução em períodos de 30", 60" e
90". Estas pausas devem ficar "vazias", isto é, sem nenhuma
atividade interferente.
a) Apresenta-se ao
aluno/cliente uma série de 5 figuras geométricas simples durante 7", logo
a seguir retiradas. Ele deverá desenha-las num papel.
b) Pede-se ao
aluno/cliente para reproduzir uma sequência rítmica do tipo: ..!!!.!!..
(! = forte . =
fraco).
c) O examinador mostra ao
aluno/cliente 3 posições com os dedos da mão para que este as reproduza em
série.
d) O aluno/cliente deverá
repetir uma série de 4 palavras apresentadas oralmente ou escrita.
ANÁLISE DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente não apresenta dificuldades com respeito ao reconhecimento
imediato e aos efeitos de contraste de tamanho (teste de Uznadze). Também pode
reter facilmente séries de 5 ou 6 elementos, podendo recorda-los depois de um
intervalo "livre" de 90 a 120 segundos. No entanto a interposição de
outras atividades pode produzir um grave decréscimo em todas as modalidades. As
alterações são graves.
Indicativo
de lesões maciças nas partes mediais do lobo frontal e suas conexões com o
tronco cerebral.
8.2.4 Lembranças de palavras
a) Interferência
heterogênea: O aluno/cliente deve memorizar uma lista de 4 palavras
apresentadas pelo examinador, que em seguida mostra uma gravura para que ele
descreva. Após esta atividade interferente o aluno/cliente deve repetir a série
previamente memorizada.
b) Interferência
homogênea: Pede-se ao aluno/cliente que memorize uma série de 3 palavras (pão,
sal e avião), a seguir ele deve memorizar uma segunda série semelhante (noite,
chaminé e biscoito). Pergunta-se então qual a 1a série
apresentada. * Como variante pode-se utilizar imagens ou gestos.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente apresenta tônus cortical adequado e está ciente de suas
dificuldades mnêmicas. Responde adequadamente na ausência de atividades
interferentes, mas mostra dificuldades na presença destas.
Indicativo
de disfunções cerebrais relacionadas com as partes mediais dos hemisférios.
2.
Seus defeitos de memória se caracterizam por dificuldade na retenção de
relações visuo-espaciais.
Mostra-se
capaz de reter listas de 3 ou 4 palavras apresentadas ordenadamente, mas é incapaz
de repetir listas equivalentes de figuras geométricas depois de intervalo
livre, especialmente se estes grupos estão organizados em complexas relações
espaciais.
Indicativo
de lesões ocipito-parietais.
3.
Podem ser observadas alterações na recuperação da informação acústico-verbal;
ser capaz de reter facilmente uma lista de 4 figuras visuais e
reproduzi-las depois de um intervalo "livre", contudo não pode reter
uma lista de 4 palavras apresentadas acusticamente.
Indicativo
de lesões temporal ou temporo-parietal esquerdas.
4.
O aluno/cliente pode perceber o significado geral de uma oração ou de um
parágrafo, mesmo quando não consegue recordar elementos isolados. Pode reter
facilmente traços de estímulos verbais e reproduzi-las inclusive depois de
atividade intercalada por se tratar de memória recente. Contudo a dificuldade
reside na busca ou lembrança de uma palavra isolada.
Apesar
da instabilidade dos traços das palavras, conserva a capacidade de busca ativa
de estratégias substituindo palavras que são escolhidas em função de sua
fonética (troca bolacha por borracha), morfologia (troca porta por torta) ou
semântica (troca rosa por cravo).
Indicativo
de Afasia amnésica: lesão das áreas terciárias pós-centrais (giro
angular - área 39) do hemisfério esquerdo.
8.2.5 Lembranças de orações e parágrafos
a) Apresenta-se oralmente
ao aluno/cliente 2 orações não muito longas, em seguida ele deve recordar a
primeira e a segunda oração (por ex.: "O sol brilha no horizonte" e
"No inverno os campos ficam secos"). Podendo-se repetir as
apresentações.
b) O Aluno/cliente deve
reproduzir uma história imediatamente após ouvi-la. Apresenta-se uma 2a
história e pede-se que a repita. Em seguida deve repetir a 1a
história. As histórias podem ser do gênero "A galinha dos ovos de
ouro", "Chapeuzinho vermelho" ou "A raposa e as uvas".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente é capaz de contar a história, mas elimina os verbos. Sua
reprodução é caracterizada por um estilo telegráfico.
Indicativo
de lesão nas áreas pré-motoras.
2.
O aluno/cliente é capaz de reproduzir a história, retém o significado geral,
mas comete erros nas estruturas gramaticais da oração.
Indicativo
de Afasia semântica; lesão das regiões parieto-ocipitais (giro parietal
inferior e angular) esquerdas.
3.
O aluno/cliente reproduz formas gramaticais e palavras, mas esquece os
elementos significativos da frase. Pode apresentar inibição negativa e
retroativa.
Indicativo
de lesões profundas, que provocam uma desestruturação geral da memória.
4.
O aluno/cliente conta a 1a parte da história corretamente,
mas em seguida mostra-se disperso, fazendo associações livres a apresentando
estereotipias.
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
8.3 MEMÓRIA LÓGICA
A
exploração da memória lógica ou indireta relaciona o estudo de memória com os
processos intelectuais. Seu propósito é descrever e definir as ajudas ativas
utilizadas na memorização do material lógico e a atividade intelectual
implicada nesta tarefa.
8.3.1 Lembrança mediante ajuda visual
a) Apresenta-se
verbalmente ao aluno/cliente uma série de 12 palavras, associando cada uma a
uma figura para memorização. Em seguida as figuras são apresentadas novamente e
o aluno/cliente deve recordar as palavras.
b) Coloca-se a frente do
aluno/cliente 15 figuras e pede-se que escolha a que melhor represente uma dada
palavra, explicando sua seleção. Em uma 2a apresentação dos
desenhos pede-se que lembre da palavra correspondente.
8.3.2. Lembrança mediante pictogramas
a) Pede-se ao
aluno/cliente que memorize uma série de 8 expressões desenhando sinais, de
forma que lhe sirva de pictograma. Por ex. (velho surdo, desenvolvimento, barco
rápido, justiça, máquina de lavar, aventura, saudade e sapato apertado).
Posteriormente mostra-se os sinais ao aluno/cliente e este deve reproduzir as
expressões.
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente com lesão cerebral local, mas sem demência geral, não é capaz
de memorização lógica mediante auxílio visual utilizando conexões lógicas simples
para ajudar a compensar seus defeitos de memorização direta. As dificuldades
surgem em decorrência da fadiga. Aluno/clientes graves perdem a habilidade de
seleção lógica.
Indicativo
de Síndrome diencefálica, que causa alterações gerais de memória.
2.
O aluno/cliente e capaz de selecionar e utilizar conexões lógicas como ajuda
para
memorização.
Pode fazer associações desconexas entre o desenho e a palavra correspondente,
inclusive na 2a apresentação dos desenhos. O sintoma mais
característico é a incapacidade para formar uma conexão que atue como
"feedback aferente" no processo de memorização ativa.
O
aluno/cliente evidencia perda de memória, mas não apresenta alterações
primárias de retenção. Suas dificuldades são causadas por uma forte tendência a
distração e devido a inércia patológica, dando lugar a uma falta de programação
na atividade. O aluno/cliente apresenta instabilidade nos processos mnêmicos,
falhando na capacidade de mudar de um grupo de traços para outro e dando lugar
a perseverações.
Indicativo
de lesões do lobos frontais.
Capítulo 9
HABILIDADES ARITMÉTICAS
__________________________________________________________________
A
noção de número repousa sempre em menor ou maior grau sobre um sistema de
coordenadas que pode ser de carácter linear ou adaptado a um sistema de tábuas.
Na
soma (14+3) ou na operação simétrica, mas oposta, da subtração (14-3) sempre
atuamos dentro de um campo espacial interno. A operação conserva sua
organização espacial também em outros processos complexos (31-43 ou 28+5), ao
mesmo tempo em que acrescenta componentes mnésicos a operação.
Inicialmente,
a operação se realiza passo a passo, separando os números implicados e somando
o resto, enquanto pode manter a orientação espacial correta da operação. Até
chegar a etapas mais avançadas, esta operação não adquire carácter direto e
breve; pois uma pessoa experimentada pode realiza-la automaticamente. Uma
característica própria das operações simples de multiplicar e dividir é que
elas podem chegar a adquirir carácter verbal e repousar sobre estereótipos
verbais estabelecidos.
Este
estudo compreende:
1.
Compreensão da estrutura do número.
2.
Operações aritméticas.
9.1 COMPREENSÃO DA ESTRUTURA DO NÚMERO
Compreensão, escrita e
reconhecimento de números.
a) Pede-se ao
aluno/cliente que leia dígitos que são mostrados (7,9). Em seguida dita-se
outros números simples para que ele escreva (3,4,8). O objetivo é analisar se o
aluno/cliente é capaz de reconhecimento visual do número, de compreender o nome
e sua escrita.
b) Pede-se ao
aluno/cliente que escreva e leia números complementares (romanos e ar
bicos) como IV e VI, IX e XI, 17 e 71 e 69 e 96.
c) Pede-se ao
aluno/cliente que escreva ou leia números com mais de um dígito (27, 34, l58,
396); números cuja grafia não corresponde à pronúncia (12,13,14); números onde
alguns dígitos tem o valor relativo zero, como (109, 1023).
d) Apresenta-se números
ordenados de forma não usual (separados um do outro), como 1 3 2 6 ou ordenados
verticalmente , onde o aluno/cliente tem que identificar cada categoria
(milhar, centena, dezena e unidade) em ambas as ordens. 1
3
2
6
9.1.2 Diferenças numéricas
a)
O aluno/cliente deve dizer qual número é maior entre pares apresentados visual
ou verbalmente, como 17 e 69, 123 e 489, 189 e 201 e 1967 e 3002 (nos últimos
exemplos foi introduzido o zero como elemento de conflito).
ANÁLISE
DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente é incapaz de entender um número quando pronunciado, mas pode
reconhecê-lo quando escrito e pode operar facilmente com ele. O sintoma se
deriva da extinção do significado direto das palavras.
Indicativo
de Afasia sensorial; lesão nas áreas secundárias temporais.
2.
O aluno/cliente não pode escrever nem ler em voz alta um número. Contudo pode
dizer quantos dedos correspondem a um dado número ou pode indicar o número
correspondente a quantidade de dedos mostrada.
Indicativo
de Alexia óptica e afasia, decorrentes de síndrome ocipital.
3.
O aluno/cliente não pode reconhecer nem escrever números romanos e nem escritos
simetricamente, uma vez que não pode distinguir entre direita e esquerda. Esta
alteração é mais clara ainda na avaliação de números compostos por vários
dígitos. O aluno/cliente omite as categorias não diretamente nomeadas ao
escrever os números (lê 123 ao invés de 1023), não e capaz de ler um número
composto de vários dígitos e dá um valor relativo equivocado a dígitos
isolados.
Indicativo
de Apraxia construtiva; lesão das divisões infero-parietais e Afasia
semântica; lesão das áreas parieto-ocipitais.
4.
A escrita e a leitura do aluno/cliente podem adotar a forma de ecopraxias, como
escrever 17 em lugar de 71 ou 1023 em lugar de 100 023. Contudo as alterações
são produzidas por uma síndrome de inatividade geral e perda de espontaneidade,
não tendo nenhuma relação com a compreensão do número.
Indicativo
de lesões dos lobos frontais.
9.2 OPERAÇÕES ARITMÉTICAS
9.2.1 Cálculos simples automatizados
a)
Pede-se ao aluno/cliente que realize multiplicações e subtrações simples (de
unidades apenas). As operações podem ser feitas oralmente, por escrito ou
gestualmente (nos casos de afasia).
Operações aritméticas complexas
a)
Pede-se ao aluno/cliente que realize adições, como 27+8, 44+57; subtrações mais
complexas, como 31-7, 41-14. O aluno/cliente deve executar as operações em voz
alta, recitando todas as partes do processo.
b)
Em formas mais complexas pode-se dar ao aluno/cliente tarefas de somar e
subtrair onde os números estão ordenados horizontal ou verticalmente; 2+5+8+3=
ou 1
+2
-18 *
7
24
4
*
Para subtração o número a ser subtraído deve estar colocado acima do maior
9.2.3 Sinais aritméticos
a)
O aluno/cliente deve preencher as lacunas com o devido sinal;
10....2=8
10....2=20 10....2=5 10....2=12
b)
O aluno/cliente deve preencher as lacunas com um número;
12x....=36
121....=3 12+....=16 12-....=8
9.2.4 Séries de operações aritméticas
a)
O aluno/cliente dever resolver problemas apresentados;
-
oralmente; "12+9 é igual a" ou "32-4+9 é igual a".
-
visualmente; 15-6+4 ou 24-8+9.
9.2.5 Séries de operações aritméticas consecutivas
a)
Pede-se ao aluno/cliente que conte em ordem decrescente de 13 em 13, começando
de 100 ou de 7 em 7, começando de 50.
ANÁLISE DA CONDUTA
1.
O aluno/cliente encontra grandes dificuldades na realização de cálculos já que
a estrutura categorial do número perde o seu significado, devido a
desintegração da síntese visuo-espacial. Perde controle sobre o cálculo
imediato (ou automatizado), é incapaz de manter o conjunto integrado no curso
da operação aritmética e transforma a operação numa série de fragmentos
isolados.
Indicativo
de Acalculia primária que se caracteriza pela incapacidade de realizar
operações aritméticas com exatidão; lesão das áreas parieto-ocipitais.
2.
Como não apresenta alterações primárias de orientação espacial, pode
compreender tanto o significado dos números isolados (valor absoluto) quanto a
estrutura categorial do número (valor relativo).
Contudo
encontra dificuldades nos cálculos em voz alta ou em operações aritméticas
complexas, nos quais os processos são realizados mentalmente, e que dependem do
auxílio da fala. Também pode manifestar dificuldades nos cálculos aritméticos
que exigem manejo de restos de unidades categóricas diferentes ou nas operações
intermediárias, que envolvem sinais e séries de operações aritméticas. Embora
pode resolver facilmente problemas expostos em unidades verticais, encontra
dificuldade para resolver os dispostos horizontalmente (ou em colunas
isoladas).
Indicativo
de Afasia acústica; lesão da região temporal secundária.
3.
Exceto nos casos mais graves, o aluno/cliente é capaz de realizar operações
aritméticas elementares. Porém sua habilidade para cálculos mais complexos pode
estar tão debilitada que a execução é atrapalhada por associações irrelevantes
e por cálculos fragmentários isolados, corretos em si mesmos, mas completamente
irrelevantes em relação ao problema.
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
4.
O aluno/cliente pode apresentar estereotipias ao contar para trás
("100-13, 100, 87, 77, 67...") ou simplifica a operação
("50-7=43, 43-7=43-3=40, logo 40- 10=30 e daí 30+4=34").
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
5.
Em casos de enfraquecimento generalizado dos processos corticais, como nos
casos de síndrome hipertensiva ou arteriosclerose, o aluno/cliente pode
inventar qualquer resultado demonstrando ausência de operações lógicas,
baseando-se somente numa lógica subjetiva.
Capítulo 10
PROCESSOS INTELECTUAIS
_________________________________________________________________
No
estudo neuropsicológico das lesões cerebrais locais, a atenção deve ser
centrada nas análises neuropsicológicas (das FPS) e psicofisiológicas (das FPE-
subcorticais) dos processos mais especializados, com o objetivo de trazer à luz
os fatores inerentes a estas lesões. Já o estudo dos processos intelectuais de
carácter altamente complexo segue
outro
enfoque na investigação psicológica, onde a ênfase recai sobre o carácter
funcional destas atividades e não em sua localização estrita.
Acontece
que lesões nas diferentes localizações cerebrais podem também provocar
alterações intelectuais de um tipo diferenciado. Assim, a utilização de métodos
para uma avaliação mais precisa de diferentes formas de alteração intelectual
pode também servir de auxílio no estudo clínico das lesões cerebrais locais.
A
investigação consiste na avaliação da habilidade do sujeito para analisar uma
situação, escolher seus componentes principais, correlaciona-los entre si,
formular hipóteses, desenvolver uma estratégia e selecionar as operações
necessárias e os métodos típicos para solucionar o problema.
As
tarefas desta investigação podem apresentar carácter construtivo, desempenhado
de modo prático ou concreto. Ou ainda, constituir-se como uma complexa
atividade da fala discursiva. Em ambos os casos, contudo, é importante que se
possa realizar sobre elas tanto uma observação objetiva como uma análise
quantitativa.
1
- Compreensão de desenhos temáticos e textos.
2
- Formação de conceitos.
3
- Atividade intelectual discursiva.
10.1. COMPREENSÃO DE IMAGENS TEMÁTICAS E TEXTOS
10.1.1 Desenhos
a)
Mostra-se ao aluno/cliente um desenho que retrate uma cena com significado. Ele
deve descrever o desenho e explicar a história e sua mensagem.
b)
O aluno/cliente recebe um conjunto de desenhos em série, apresentados numa
ordem aleatória. Ele deve ordena-los corretamente e estabelecer uma sequência
lógica.
Numa
variante mais simples, os desenhos são mostrados na ordem certa e o
aluno/cliente explica a sequência dos acontecimentos.
10.1.2 Textos
a)
O aluno/cliente deve ler uma história curta e explicar seu conteúdo. Quando ele
apresenta alguma dificuldade, o examinador realiza perguntas sobre o texto.
b)
Pede-se ao aluno/cliente para explicar o significado de metáforas, como;
"testa de ferro", "pé de chumbo", "bode
expiatório", "boi de piranha".
c)
Pede-se ao aluno/cliente para explicar o significado de provérbios, como;
"Antes um pássaro na mão do que dois voando", "Quem não tem cão
caça com gato", "Água mole em pedra dura, tanto bate até que
fura", "Gato escaldado tem medo de água fria".
d)
Apresenta-se ao aluno/cliente um provérbio ("bate o ferro enquanto está
quente") e a seguir apresenta-se 3 outras frases; duas que contenham
palavras do provérbio, mas de significado diverso ("O ferreiro trabalha o
dia inteiro" e "O ouro pesa mais que o ferro"); e uma com
palavras diferentes mas expressando o significado do provérbio ("Não deixe
para amanhã o que se pode fazer hoje").
O
examinador avalia:
a)
se o aluno/cliente consegue captar o sentido abstrato do provérbio.
b)
se o aluno/cliente fica apenas com o significado restrito das palavras comuns.
c)
se apresenta capacidade crítica diante de seus próprios erros.
10.1.3 Explicações
a)
Pede-se ao aluno/cliente para explicar a "moral da história" de uma
fábula ou conto, como: "O rato e o leão".
ANÁLISE
DA CONDUTA
1
- O aluno/cliente só pode descrever as conexões muito óbvias ou partes
individuais dos desenhos; é incapaz de explicar a coerência lógica das
sequências. Não consegue perceber o tema geral, restringindo-se a uma descrição
simples de imagens isoladas.
Indicativo
de alterações generalizadas do cérebro, que originam uma deterioração
intelectual geral (oligofrenia, demência senil e enfermidade de Pick).
2
- O aluno/cliente é capaz de perceber os detalhes do desenho, contudo dá mais
ênfase ao tema relacionando-o com as experiências da própria vida.
Indicativo
de decréscimo da orientação autopsíquica, decorrente de lesão do hemisfério não
dominante.
3
- O aluno/cliente não consegue perceber cada detalhe do desenho, mostrando-se
incapaz de estabelecer associações entre os seus componentes. Faz associações
errôneas a partir de dados parciais, mostrando-se inseguro em suas conclusões.
Indicativo
de agnosia visual; lesão das divisões occipitais secundárias.
4
- O aluno/cliente não compreende os desenhos temáticos nem ordena séries de
desenhos. Contudo, melhora quando os desenhos são apresentados em ordem.
Indicativo
de afasias relacionadas com distúrbios do lobo temporal, levando a perturbações
da compreensão lógica.
5-
O aluno/cliente examina fragmentos dos desenhos e apresenta conclusões
impulsivas. Confia em suas próprias conclusões e, não tendo capacidade crítica
sobre seus erros, não percebe os significados dos gestos e dos estados
emocionais expressos num desenho.
O
aluno/cliente não consegue desenvolver a análise do texto, nem a síntese dos
detalhes e nem a verificação de hipóteses. Adivinha impulsivamente e faz
associações estereotipadas irrelevantes. Entende uma metáfora somente se seu
significado está bem arraigado na sua experiência passada.
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
6
- O aluno/cliente tem dificuldades em reter qualquer tipo de material e suas
dificuldades aumentam proporcionalmente a extensão do texto. As dificuldades,
embora não desapareçam, são menores com textos mais curtos e aumentam com o
cansaço.
Indicativo
de lesões cerebrais gerais, que causam cefaleia aguda decorrente de uma
síndrome hipertensivo-hidrocefálica aguda.
7
- O aluno/cliente tem dificuldades quando o texto e extenso e detalhista, e
tenta compensa-las com uma análise ampla do conteúdo. Textos com estruturas
gramaticais lógicas, por conterem orações subordinadas, apresentam obstáculos
insuperáveis. Embora não retenha os detalhes, é capaz de captar o significado
ou seu tom emocional, uma vez que conserva sua capacidade seletiva.
Indicativo
de afasia Acústico-mnésica; lesão das áreas secundárias dos lobos
temporais.
10.2 FORMAÇÃO DE CONCEITOS
O
repertório de testes para estudar a lógica e habilidade de abstracção de
aluno/clientes e muito amplo. Portanto, aqui serão descritos apenas alguns
testes mais úteis para a investigação psicológica de aluno/clientes com lesões
cerebrais locais.
10.2.1 Definição
a)
O aluno/cliente deve definir palavras que denotam ideias diferentes, como:
mesa, trator, ilha, cabide. O examinador deve prestar atenção na habilidade do
aluno/cliente no uso de categorias abstratas.
10.2.2 Comparação e diferenciação
a)
O aluno/cliente deve encontrar as semelhanças entre pares de substantivos.
Exemplo; besouro e libélula, cachorro e gato, sol e lua, carvão e diamante.
b)
O aluno/cliente deve encontrar as diferenças entre pares de substantivos.
Exemplo; sofá e cadeira, revista e livro, galo e peru.
10.2.3 Relações lógicas
a)
O aluno/cliente deve indicar a idéia geral de uma palavra particular. Ex.;
Cachorro (animal), rubi (...), gripe (...), alface (...), tigela (...).
b)
O aluno/cliente deve indicar o termo particular de uma ideia geral. Ex.;
veículos (carro), ferramentas (...), time (...), vila (...), colégio (...).
c)
Pede-se ao aluno/cliente para encontrar as partes de um todo. Ex.; mesa (pé)
faca (...), escola (...), carro (...), hospital (...).
d)
Pede-se ao aluno/cliente para encontrar o todo a partir da fração. Ex.; parede
(casa), braço (...), livro (...), gravata (...), folha (...).
e)
O aluno/cliente deve indicar o antônimo de palavras dadas. Ex.; são (enfermo),
alto (...), gordo (...), perto (...), feio (...).
10.2.4 Analogias
a)
O aluno/cliente deve encontrar uma relação que se associe a uma dada palavra.
Exemplo; Inverno está para frio assim como verão está para calor.
Regimento esta para (...), livraria (...), noite (...), fazenda (...).
10.2.5 Inteligência categórica.
a)
O aluno/cliente deve indicar a palavra que não pertence ao conjunto (4o
excluído). Ex.; (facão, serra, machado, tronco); (cachorro, gato, leão,
cavalo); (mesa, pato, cadeira, armário); (alface, couve, repolho, pepino).
ANÁLISE
DA CONDUTA
1
- O aluno/cliente é capaz de indicar relações lógicas habituais, contudo mostra
dificuldades para relações abstratas e para concretizar conceitos,
Indicativo
de deteriorações orgânicas que afetam os processos mentais.
2
- O aluno/cliente pode executar tarefas práticas como classificar objetos e
pode resolver problemas de relações lógicas. As dificuldades surgem quando
precisa expressar estas relações lógicas através de fórmulas verbais complexas
ou quando e necessário uma síntese espacial.
Indicativo
de afasia semântica; lesões temporo-parietais do hemisfério dominante.
3
- O aluno/cliente mostra instabilidade para o significado de palavras e
distúrbios da fala interna, daí decorrem dificuldades na comparação de idéias,
na construção de analogias e na operação de sistemas complexos de associação da
fala.
Indicativo
de afasia sensorial; lesão das divisões temporais podendo acarretar
afasia motora.
4
- Por pouco tempo o aluno/cliente pode manifestar capacidade em estabelecer
relações abstratas, que logo se desintegram. As associações tornam-se
irrelevantes e ele apresenta dificuldades para avaliar sua performance.
Indicativo
de lesão dos lobos frontais.
10.3 ATIVIDADE INTELECTUAL DISCURSIVA
A
atividade intelectual discursiva representa o nível mais elevado da atividade
mental. A resolução de um problema exige operações intermediárias como; análise
da tarefa, seleção das relações essenciais, descoberta de objetivos parciais e
solução final de problema.
Este
processo exige uma estratégia global (fixação do objetivo e identificação de um
plano geral de solução) e táticas especiais (operações intermediárias). A
estrutura do processo é basicamente a mesma, tanto na solução passo a passo,
quanto na solução direta. Exemplo típico de operação discursiva é a resolução
de problemas de aritmética, cujas operações são facilmente observáveis e, por
isto, utilizadas na neuropsicologia clínica.
A
atenção do examinador deve estar mais centrada no método de solução do que no
resultado final dado pelo aluno/cliente. E permitido oferecer ao aluno/cliente
o mesmo tipo de ajuda descrita anteriormente.
10.3.4 Problemas aritméticos elementares
a)
Adições: Pedro tinha 2 maçãs e João 6. Quantas maçãs tinham juntos?
b)Subtrações:
Joana tinha 7 maçãs e deu 3. Com quantas ficou?
c)
Adição intermédia: Maria tem 4 maçãs e Beatriz tem duas a mais que Maria.
Quantas maçãs têm as duas juntas?
10.3.5 Problemas aritméticos complexos
a)
O aluno/cliente deve resolver problemas que envolvam operações seriais
consecutivas. Ex.; Um agricultor tinha 10 hectares de terra; de cada um
conseguiu seis toneladas de trigo; vendeu um terço da produção ao governo. Com
quando ficou?
b)
O aluno/cliente deve realizar operações com o auxílio de procedimentos
intermediários. Ex.; Existem 18 livros em duas estantes. Uma estante tem o
dobro da outra. Quantos livros existem em cada uma?
c)
Problemas complexos que requerem operações intermediárias. Ex.; Um filho tem 5
anos de idade. Dentro de 15 anos seu pai terá 3 vezes a sua idade. Qual é a
idade do pai agora?
d)
Problemas conflitivos, cuja colocação leva ao uso de métodos de resolução
equivocada. Ex.; Um pedestre leva 15 minutos para chegar a estação, enquanto um
ciclista vai 5 vezes mais rápido. Quanto tempo leva o ciclista para chegar a
estação?
ANÁLISE
DA CONDUTA
1
- O aluno/cliente não entende, de imediato, problemas aritméticos. Analisa-os
durante um longo período de tempo e os lê passo a passo, entende o plano geral
dos problemas, mas não consegue integrar os componentes intermediários. Por
isto só encontra a solução se o problema for decomposto em partes sucessivas,
que são anotadas por escrito. Não é capaz de resolvê-lo mentalmente.
Indicativo
de agnosia simultânea; lesões profundas do lobos occipitais, apraxia
construtiva e afasia semântica; lesões parieto-ocipitais do
hemisfério dominante.
2
- O aluno/cliente pode resolver um problema simples com o uso de auxílios
concretos (contar nos dedos). Suas dificuldades decorrem da instabilidade do
significado das palavras e da rápida extinção de seus traços mnemônicos
Indicativo
de afasia acústica; lesão dos sistemas temporais.
3
- O aluno/cliente pode repetir os elementos de um problema com relativa
facilidade, mas é incapaz de analisa-los corretamente, porque a forma de
apresentação do problema não deixa claro a sequência das operações a serem
efetuadas.
indicativo
de lesão dos lobos frontais.
4
- O aluno/cliente capta apenas um fragmento concreto do problema. Não
estabelecendo nenhum esquema. Começa a fazer operações aritméticas desconexas
numa série impulsiva de operações fragmentadas, muitas vezes completamente
dissociadas do objetivo final.
Apresenta
maiores dificuldades nos problemas conflitivos. Suas tentativas de resolução
são provocadas por impressões diretas. As explicações dadas pelo examinador não
apresentam nenhum resultado, pois o aluno/cliente continua aplicando o mesmo
método com uma estereotipia inerte.
As
alterações que o aluno/cliente apresenta são o resultado da instabilidade dos
traços e bloqueio que estes sofrem por interferência de outras impressões, ou
pela tendência a estereotipia.
Indicativo
de lesões cerebrais difusas associadas ao aumento agudo da pressão
intracraniana ou insuficiência vascular.
* Do
original: (casa, bosque, gato, noite, mesa, agulha, pastel, sino, ponte e cruz).