Escorrem das pedras tuas,
L�grimas todas de Deus.
No sil�ncio destas ruas
H� muito dos sonhos meus...
Porque a f� � uma pedra
T�o dura quanto a Verdade,
Tamb�m � rosa que medra
No calor desta cidade.
� Lapa, querida Lapa,
� Lapa do Bom Jesus!
Em cada estrada uma vida,
Em cada vida uma luz!
Tua noite � uma crian�a,
Olhando a lua vadia
Que, misteriosa, dan�a
No negro c�u da Bahia.
"Meteoro", "Terremoto",
Teu "Penhasco", teu "Quintal",
Tua vida, teu devoto,
Nada no mundo h� igual.
� Lapa, querida Lapa,
� Lapa do meu amor!
Em cada bar um jardim,
Em cada mesa uma flor!
Meia-noite. Passa, � toa,
Um simples vulto, (quem sabe?)
Ave noturna que voa
No espa�o de quem lhe cabe...
Quem a viu e quem a ama
Guardou da ard�ncia do fogo
A for�a viva da chama
Que sempre foi vida em jogo.
� Lapa, querida Lapa,
� Lapa do Bom Jesus!
Em cada gruta uma hist�ria
Que a todo crist�o seduz!
Quero as tuas sensa��es
Nas asas fortes do vento
Que me traz as emo��es
De te ver em pensamento.
Quero teu mundo crist�o.
Quero teu clima profano.
Quero fazer-te can��o.
Quero te ver todo o ano.
� Lapa do bom amigo!
� Lapa da mulher bela!
Ah, Lapa, guardo comigo
A tua brilhante estrela!