Agonia Barroca

(Genildo Mota Nunes)

(Tributo a Penedo, cidade hist�rica alagoana, situada � margem esquerda do rio S�o Francisco)


Avermelha-se o sol quando agoniza a tarde.
E, como fogueira ao final, que pouco arde,
Solit�rio e mui triste, esconde-se na serra.

Voeja no c�u, a noite com suas asas negras.
Comportada e imponente, obedecendo �s regras,
Uma lua acetinada, no firmamento erra...

Adormece, ent�o, a Vila, no sil�ncio da noite...
E as �rvores quietas, sem que o vento a�oite,
Assemelham-se a pedras pr�ximas �s casas.

Defronte o S�o Francisco, mirando as estrelas,
Enfeita-se de luzes, apaixona-se ao v�-las
E corre velozmente e deseja mil asas!

Silente o casario. Nos front�es, nos portais,
O convento, as igrejas - j�ias coloniais -
Atestam o poder, outrora alma de um povo!

Eis, que, neste cen�rio, surge um poeta...
E nas ladeiras altas, sem pressa e sem meta,
Pasmo, observa o contraste feio de um tempo novo.

Sente, mui triste, a aus�ncia de alguns sobrados;
Os que restam de p�, esguios e amedrontados,
Parecem condenados num campo nazista!

E as velhas pra�as, Deus, que � dos monumentos?
Embotam-lhe as id�ias e v�rios sentimentos
Abrem peito ao poeta que alonga a sua vista.

Perdidamente sonha co'os tempos distantes...
O bonde, as lindas festas, os barcos passantes
V�m coloridos, vivos, situar-lhe a mem�ria.

Emocionado e s�, debru�ado no Cais,
Escondendo do peito o que n�o volta mais,
Pede a Deus que conserve o que sobrou da Hist�ria!


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