Revolução Musical

As décadas de 60 e 70 foram sem dúvida, as mais importantes para a música no mundo inteiro. Milhões de bandas surgiam de todos os lugares e com vários ideais.
Até a primeira metade dos anos 60, o ritmo que fazia sucesso era uma mistura de country, folk e jazz. Elvis foi um dos primeiros a fazer sucesso cantando baladinhas açucaradas e o ritmo da juventude: O Rock and Roll. Suas roupas, penteado e jeito de dançar logo viraram sua marca registrada. 
Haviam outros músicos também, como Carl Perkins, Chuck Berry, Little Richard, entre outros que transformaram a cara da música no mundo, contando o Rock and Roll.

A partir de 63, surge uma banda na Inglaterra, que faz com que o Rock seja respeitado e considerado arte. Eram os Beatles. Formada por John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison, a banda que no começo da carreira parecia apenas mais um grupo que tocava twist e country, aos poucos se transforma no maior movimento cultural no mundo inteiro, a ponto de John Lennon afirmar em 68, que eram mais famosos que Cristo.
Os Beatles começaram sua carreira com o disco Please Please Me, que trazia os ritmos conhecidos da juventude desde a década anterior: O country, o twist e as baladinhas. Entre as regravações, destacavam-se as belíssimas: Anna (Got to him), de Alexander e Twist and Shout, de Russell e Medley.
O disco trazia ainda uma novidade: Os Beatles foram os primeiros a gravarem suas próprias canções. Até então, os cantores só gravavam músicas de outros compositores. Entre as composições próprias que os Beatles incluíram no primeiro disco, estão: Please, Please Me, Love Me Do e Do You Want to Know a Secret.

Em poco tempo, os Beatles viraram o maior fenômeno musical do mundo. Suas canções eram cantadas por pessoas de todas as idades e inclusive a rainha da Inglaterra chegou a assistir o show dos Beatles.

Em 1966, os Beatles anunciam que não voltariam a fazer shows, alegando estar cada vez mais difícil a apresentação em público, devido ao número de equipamentos e efeitos usados por eles em estúdio e também a dificuldade que encontravam até mesmo de ouvir o que estavam tocando, devido à histeria das fãs. A partir desse ponto, os beatles mudam completamente seu estilo musical e abusam dos equipamentos e efeitos de estúdio. Ainda nesse mesmo ano, a banda lança o disco Revolver, talvez o melhor disco do rock mundial.
As canções mostravam que os quatro rapazes estavam no auge da criatividade, produzindo canções incríveis, como I'm Only Sleeping e Tomorrow Never Knows. Nessas duas canções, é possível perceber sons de guitarras e teclados ao contrário. Os instrumentos eram gravados, e depois era incluídos à música de trás para a frente. Essa idéia foi repetida inúmeras vezes pela banda e depois por vários outros artistas. As letras falavam de experiências com drogas como LSD e maconha.

Inspirados no novo estilo dos Beatles, em 1967, surge também na Inglaterra, em meio à psicodelía espacial geradas por viagens de LSD, a banda Pink Floyd, pais do rock progressivo. Seu disco de estréia foi The Piper And The Gates Of Dawn. Os discos eram cheios de ruídos de naves espaciais e explosões (gerados com diversos efeitos de estúdio). Os maiores sucessos da banda estão nos discos Dark Side of the Moon, The Wall (trilha do filme homônimo) e Wish you were here. Mas vale a pena ouvir todos os outros discos para conhecer toda a capacidade de uma das melhores bandas do século XX.

Ainda em 1967, era lançado o primeiro disco de um dos maiores guitarristas da história do Rock and Roll: Jimi Hendrix. O disco entitulado de Are You Experienced?, trazia várias idéias futuristas, inspiradas nos livros de ficção científica que o guitarrista lia. E na faixa Exp, há uma estranha entrevista de rádio com um extraterrestre.

A apresentação mais famosa de Hendrix é a do festival de Woodstock, em 1969, quando ele misturou o hino dos Estados Unidos com barulhos de bombardeios (feitos por ele, utilizando a alavanca da guitarra e pedais de efeito), com a intenção de protestar contra a guerra do Vietnã.
Jimi morreu em 18 de setembro de 1970. Resultado de uma intoxicação por uso de álcool e estimulantes.

E enquanto os beatles cantavam All You need is Love, pregando o amor e a paz, surge nos Estados Unidos um grupo que apresentava justamente o contrário: The Doors, liderado por Jim Morrison, foi uma das bandas mais famosas dos anos 60 e até mesmo depois da morte de Jim, em 3 de julho de 1971, o culto à banda continuou.

Jim parecia odiar os palcos. tinha o hábito de xingar a platéia e fazer confusões com policiais. queria ser poeta e não cantor, mas a necessidade de mostrar suas letras, fez Jim optar por ser vocalista de uma das bandas que contribuiu para a revolução do Rock.

O primeiro disco do The Doors já trazia o maior sucesso da banda: Light My Fire. Entre as outras faixas, é possível perceber o descaso e a ira que a banda cultuava em versos como "Pai, vou te matar / Mãe, vou te foder". O consumo de álcool e heroína é claro em todas as canções da banda.

No Brasil, a música também teve sua revolução na década de 60. Até então, o Brasil ouvia somente marchinhas, samba e chorinhos, Com os anos 60, veio a necessidade de criar ritmos mais contagiantes. Nascia a Bossa Nova, para alegria dos amantes de jazz e samba. Tendo à frente, grandes nomes da música como Elis Regina, Jair Rodrigues, Tom Jobim e João Gilberto.

Mas a juventude queria um movimento brasileiro destinado a ela. Algo que expressasse as idéias jovens. Nascia em 1965, o programa Jovem Guarda, exibido aos domingos na TV Record. Liderado por Roberto Carlos, a Jovem Guarda trouxe o rock and roll à juventude. Letras ingênuas, falando da namorada, ou de carros e velocidade expressavam em música, tudo aquilo que estava no dia-a-dia dos jovens. Roberto Carlos vira ídolo ao cantar "Quero que vá tudo pro inferno". A canção é tida para a juventude, como um grito de liberdade, apesar de não ser essa a intenção da música.

Programa Jovem Guarda

Apesar do sucesso que a Jovem Guarda tinha entre os jovens, o movimento não usou da popularidade para bater de frente com os problemas políticos enfrentados na época, embora a juventude sentisse a falta de um apoio nesse sentido.

Com base nessa necessidade, surge a partir de 1967, um fenômeno multicultural e ao mesmo tempo, voltado com profundidade para as raízes do povo brasileiro. Com sua origem no movimento modernista de 1922 liderado por Mário de Andrade e Oswald de Andrade, e já conhecedores do movimento de Antropofagia (que mesclava a cultura tipicamente brasileira com influências externas, de qualquer canto do mundo), uma série de artistas reuniram-se para produzir uma obra capaz de mostrar as contradições do país. Surgia assim a Tropicália ou Movimento Tropicalista. Liderada por Caetano Veloso e Gilberto Gil e com participação de Tom Zé e Gal Costa, Os Mutantes, e vários outros artistas, a Tropicália era a voz dos universitários que achavam a Jovem Guarda vazia culturalmente e organizavam passeatas pela paz, pela liberdade de expressão e pelo fim da repressão política.

Nesse movimento, o grupo que mais divulgou o rock, foi sem dúvida os Mutantes. O grupo usava da forte inspiração nos Beatles para criar canções que mostravam entre acordes distorcidos e vocais gritados, as experiências da banda com as drogas.
Um dos melhores discos do grupo é o Jardim Elétrico, que contém na canção-título, uma clara influência também em Jimi Hendrix.

De uma forma geral, o movimento trouxe canções belíssimas, como "É proibido proibir" (Caetano Veloso), "Tropicália" (Caetano Veloso), "Geléia Geral" (Gilberto Gil) e "Panis et Circenses" (Os Mutantes).

Os anos 70 foi dominado pelo desenvolvimento do rock progressivo no mundo inteiro. No Brasil, a Casa das Máquinas foi um dos grupos que melhor divulgou esse novo estilo paralelo ao rock tradicional. Lançaram apenas três discos: Em 1974: Casa das Máquinas, em 1975: Lar de Maravilhas e em 1976: Casa do Rock. Formada por Aroldo (guitarra,violão e vocal), junto com Carlos Geraldo (baixo e vocal), Pique ( saxofone, piano, órgão e flauta) e Pisca ( guitarra, violão e vocal) e Netinho (bateria) que era integrante dos Incríveis, grupo que se dissolveu em 1972, em função do descontentamento de alguns de seus membros com o rumo comercial que tomara a banda.

Entre os sucessos da Casa das Máquinas, estão: Vou morar no ar, Casa do Rock e Cilindro Cônico.
A banda se dissolve em 1978, no meio de uma confusão em que eram acusados de ter assassinado a pancadas um cinegrafista da Record, acusação da qual foram absolvidos em 1983.

Dos três discos, dois foram relançados em CD. Apenas o primeiro deles ficou de fora. Alguns boatos dizem que a fita mestra desse disco foi perdida. Há também um álbum raríssimo, somente em LP, de uma apresentação ao vivo da banda, gravada em Santos em abril de 78, que contava com mais uma mudança na formação: João Alberto no baixo.

A juventude soube usar seu poder para expor seu inconformismo. Mas muito pouco podia-se fazer por conta da política mantida no país. A censura queria calar os jovens que por sua vez batiam de frente com a polícia em passeatas e manifestações públicas. 

Clique aqui para ler mais sobre a revolução política acontecida entre os anos 60 e 70.

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