Cinema:
Os anos 60 foram muito produtivos para o cinema no Brasil e no
mundo.
As fontes intelectuais, artísticas e de negócios tomaram conhecimento do
cinema e das oportunidades de divulgação de produtos através dele.
Com isso, o chamado Cinema Novo, movimento notadamente carioca,
ganha espaço e engloba de forma pouco discriminada, tudo o que se fez de melhor
em matéria de ficção ou documentário no moderno cinema brasileiro.
O Cinema Novo é, depois da Bela Época
e da Chanchada, o acontecimento de maior importância na história
do nosso cinema.
O movimento surgiu de forma espontânea, natural e complexa. Acha-se que seu núcleo
central nasceu durante as sessões da cinemática do Museu de Arte
Moderna com um grupo de jovens idealistas.
Dentre eles, estavam o jornalista Nelson Pereira dos Santos, que realizou Rio
40 graus (1955) e Vidas Secas (1964); Joaquim Pedro de
Andrade; Paulo Cézar Saraceni e na Bahia, acompanhando o movimento carioca,
Glauber Rocha.
Rio 40 graus foi o precursor do Cinema
Novo. O filme se tornou um marco no cinema brasileiro por ser o
primeiro a retratar com total realismo o tema da pobreza na nossa sociedade. Além
disso, o esquema de produção imposto pelo baixo orçamento disponível para o
filme, provava definitivamente que o cinema artístico podia ser realizado fora
dos grandes estúdios.
Vidas Secas é o grande momento do Cinema Novo
e um das maiores e mais intensas emoções do cinema brasileiro. O filme é
considerado um verdadeiro tratado sobre a condição social e moral do homem
brasileiro, poderoso retrato do processo de construção da brasilidade, através
da luta de uma família sem-terra que enfrenta a seca e a opressão para
sobreviver.
Memórias do Cárcere é um filme sem igual na frutífera
trajetória de Nelson Pereira dos Santos. Vinte anos após realizar Vidas
Secas, verdadeira obra prima do cinema nacional, Nelson retorna ao
mestre Graciliano Ramos. Este reencontro rende outro grande filme, que desta vez
conquista não só a crítica mas também o grande público. Apesar de longo e
denso, o filme leva 1,5 milhão de espectadores às salas de exibição em 1984,
ano de crise para o cinema nacional.
Segundo o escritor francês Le Clezio, “vendo o filme de Nelson Pereira
dos Santos, não podemos nos impedir de pensar nas prisões, não as reais, das
quais o mundo participa, mas as prisões do egoísmo, da fome, prisões da dívida,
do racismo, do desprezo. O humanismo do cineasta brasileiro é feito de esperança,
esperança de que o intelectual não será mais separado do mundo que o comove,
o faz viver".
Memórias do Cárcere, é uma critica mordaz não só ao
sistema político que oprime, mas também ao sectarismo de determinadas
ideologias que amarram o homem com sua cegueira e seu patrulhamento.
Glauber Rocha denominava o seu modo de fazer cinema como um estilo "terceiro-mundista",
independente do ponto de vista econômico e artístico. Um cinema que não
deixasse a criatividade estética desaparecer em nome de uma objetividade
comercial e de um imediatismo político. Para ele não há vantagem alguma em
fazer filmes de conteúdo revolucionário se, na forma, você imitasse a "Nouvelle
Vague" francesa, o expressionismo alemão ou o comercialismo
norte-americano. O problema dos cineastas do Terceiro Mundo é encontrar um
estilo próprio.
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Mas não só do Cinema Novo viviam as casas
de exibição. Vários filmes enlatados dos Estados Unidos e da Europa faziam
sucesso em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Veja a cronologia do cinema em meio às mudanças ocorridas no mundo:
Em 1960, o filme "Ben Hur", com Charlston Heston, conquista dez Oscar, um recorde, em 5 de abril.
O acontecimento mais marcante no país nessa época, foi a inauguração de Brasília, em 21 de abril, durante o governo de Juscelino Kubitschek, transformando-se na nova capital do Brasil.
Ainda nesse ano, é filmado "A Bout de Souffle"
(em português, o título era "Acossado"), de
Jean-Luc Godard, trazendo a bela Jean Seberg, atriz que se tornaria ícone de
beleza da década.
1960 também foi o ano do clássico filme "La Dolce Vita"
("A Doce Vida") de Federico Fellini, com Anouk Aimée,
Anita Ekberg e Marcello Mastroianni.
Em 1962, Um muro de blocos pré-fabricados de concreto que fica conhecido como "O muro de Berlim", separa os setores Ocidental e Oriental. Essa atitude era uma resposta comunista aos alemães que rejeitam seu sistema e preferem partir para o Ocidente.
Nesse ano, a atriz Audrey Hepburn estrela "Breakfast at Tiffany's" ("Bonequinha de Luxo" era o título brasileiro).. O figurino de Hepburn para o filme é do estilista francês Givenchy.
Em 25 de agosto, Jânio Quadros renuncia a presidência do Brasil e em setembro, João Goulart, seu vice, assume o cargo. Mas logo em seguida, é aprovada uma emenda que diminuía os poderes de presidente.
Em 1962, o filme brasileiro "O Pagador de Promessas", adaptação do produtor, diretor e ator brasileiro Anselmo Duarte da peça homônima de Dias Gomes, recebe a Palma de Ouro do Festival Internacional do Filme de Cannes, na França. É a primeira vez que um filme brasileiro ganha o prêmio máximo do festival.
O mundo todo se espanta em 05 de agosto desse mesmo ano, com a notícia de que a atriz Marilyn Monroe fora encontrada morta em sua casa de Los Angeles, com um frasco de calmantes ao seu lado.
Em 1963, mais um sucesso do famoso agente britânico 007, "Dr. No" ("007 Contra o Satânico Dr. No"), com Sean Connery e a sensual Ursula Andress. No filme, a célebre cena de Andress usando um biquíni branco. Uma cena ousada para a época.
Em 2 de abril, Martin Luther King lança campanha não-violenta nos EUA pelo fim da segregação racial, o que viria causar a prisão de milhares de pessoas durante as marchas de protestos.
O presidente dos EUA, John Kennedy, é assassinado a tiros, em 22 de novembro, quando desfilava em carro aberto pelas ruas de Dallas, no Texas (EUA).
No dia 13 de abril de 1964, Sidney Poitier é o primeiro negro a conquistar um prêmio Oscar de melhor ator, pelo filme "Lírios do Campo".
Nesse ano, Os Beatles viram febre também nos EUA. Em 11 de fevereiro, o quarteto desembarca no aeroporto Kennedy, em Nova York. O grupo chegou rapidamente ao sucesso na Europa no ano anterior. A música "I Want to Hold Your Hand", atinge o primeiro lugar nas paradas norte-americanas.
No Brasil, Em 1º de abril, o presidente João Goulart, é deposto por um golpe militar. E em 15 de abril, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, assume a presidência. Começa a Ditadura Militar no país.
Em 1966, "Blow Up" ("Blow Up - Depois Daquele Beijo") de Michelangelo Antonioni, com Jane Birkin e Verushka é um filme cheio de referências dos anos 60.
No mundo, aumenta a oposição à guerra do Vietnã. Em 28 de maio, os estudantes nas universidades dos EUA e manifestantes nos gramados da Casa Branca, protestam contra a guerra.
Em 1967,
Dustin Hoffman encena o filme "A Primeira Noite de um Homem".
No filme "Belle de Jour" ("A Bela da Tarde" é o título em português), de Luis Buñuel, Catherine Deneuve vive a esposa de um cirurgião que se sente atraída pela prostituição.
Ainda em 1967, os Beatles lançam seu mais ousado LP, "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Os críticos dizem que é a melhor obra até então no mundo do rock.
Cerca de 10 mil hippies se juntam, em 26 de março, no Central Park, em Nova York. O ato foi pacífico e a maioria dos participantes tinha menos de 30 anos.
!968:
Jane Fonda encena do filme "Barbarella".
Caetano lança o LP "Tropicália" ou "Pane et Circenses" e, no mesmo ano, se apresenta com os Mutantes no Tuca, em São Paulo, com a música "É Proibido Proibir", sob vaias e tomates lançados ao palco. O uso de guitarras elétricas não agrada ao público.
Em 1969, o grande sucesso da carreira de Stanley Kubrick, "2001: A Space Odissey" (2001: Uma Odisséia no Espaço"), é lançado e recebe o Oscar de efeitos visuais.
Em 17 de agosto, cerca de 500 mil pessoas enfrentam engarrafamentos, falta de comida e de água e chuvas para viver três dias de prazer no Festival de Música e Artes de Woodstock, na cidade de Bethel, em Nova York. Entre os artistas que se apresentam, Jimi Hendrix e Janis Joplin.
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Assim como o cinema, outra grande evolução ocorrida na década
de 60 foi da TV. As primeiras exibições iniciaram-se em 1950, mas muita coisa
mudou a partir de 60, com o surgimento de emissoras e artistas que serviram para
revolucionar este mercado.
Para conhecer melhor essa história, clique aqui.
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