Escotismo no
Brasil
CHEGADA
AO BRASIL
A primeira notícia sobre o Escotismo publicada no Brasil foi no dia 1º de
dezembro de 1909, no número 13 da revista Ilustração Brasileira editada no
Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e com circulação nacional. A reportagem
tinha o título : Scouts e a Arte de Scrutar; ocupava três páginas e
apresentava 7 fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra pelo 1º
Tenente da Marinha de Guerra Eduardo Henrique Weaver, onde se encontrava a serviço.
Teve, assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do Movimento Escoteiro
– Scouting for Boys, criado em 1907 pelo General Inglês Baden-Powell – B.
P. Na época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na Inglaterra
numeroso contigente de Oficiais e Praças da Marinha – preparava-se para
guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção.
À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de
todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o auxílio
de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os lares
brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil a instrução
dos Boys Scouts. Anexo a comunicação foi enviado documento que descrevia as
Bases do Centro de Boys Scouts do Brasil que assim começava:
1º - fica nesta data instituída uma sociedade de instrução, diversões e
esportes para meninos, semelhante em tudo que for possível a dos "Boys
Scouts" da Inglaterra.
O tomo I – 1910 – 1924 Os primórdios do Escotismo do Brasil da história do
Escotismo Brasileiro, de autoria do Almirante Bernard David Blower, editado pelo
Centro Cultural do Movimento Escoteiro em 1994, é a publicação de referência
para a obtenção de informações mais complexas sobre este assunto que está
sendo abordado de maneira sucinta. Do mencionado livro, ao final do capítulo II
– Introdução no Brasil, transcreve-se: infelizmente, por diversas razões, a
existência do Centro (referindo-se ao Centro de Boys Scouts do Brasil) foi efêmera;
entre essas razões estavam o fato que de os dirigentes do Centro viajavam
constantemente e mesmo por terem alguns sido transferidos para unidades fora do
Rio de Janeiro, além da falta de conhecimento do pais sobre o alcance da novel
instituição concorrendo para a freqüente ausência de seus filhos às
atividades escoteiras de campo.
Segundo informações, já em 1914 não mais existia o Centro. E mais adiante:
No entanto, a semente lançada ainda daria fruto como demonstra o capítulo IV.
II – SCOUT – ESCOTEIRO; BOYS SCOUTS – ESCOTEIRISMO, ESCOTISMO? Sem dúvida,
os brasileiros que se encontravam na Inglaterra ao final da primeira década
deste século tiveram dificuldades para traduzir os termos ingleses "Scout"
e "Scouting for Boys" adotados por B-P quando criou o novo método
educacional. O tenente Weaver procurou encontrar, no vasto vocabulário da língua
portuguesa, palavras que tivessem o mesmo significado; optou pela linguagem
escorreita, e empregou o verbo escrutar, que significa: "sondar, examinar a
fundo os corações, a consciência, prescutar, fazer o possível para entrar no
perfeito conhecimento das coisas; procurar descobrir o que é oculto, encoberto;
indagar". A origem é latina, de "scrutare". Usou a grafia
scrutar, vocábulo cujas iniciais são as mesmas do scout / scouting. Já os
Suboficiais, que haviam tomado a decisão de concretizar a implantação do método
criado por Baden-Powell tão logo chegasse ao Brasil, não se preocuparam em
criar uma nova palavra e usaram o termo em inglês ao designarem a instituição
que fundaram no Brasil. Na Itália, a versão do "Scouting for Boys"
foi "Scoutismo". Na maioria dos países de língua espanhola são
usados vocábulos ingleses. Em Portugal é usado o termo Escuta. No Brasil, os
vocábulos Escoteiro e Escotismo, com os mesmo significados das palavras
adotadas por B-P na sai língua, surgiram em 1914, quando da Fundação
Brasileira de Escoteiros – ABE, em São Paulo como será apresentado no item
IV. Só mais tarde os dicionários brasileiros acrescentaram, no verbete
Escoteiro, o significado: membro de associação de meninos ou adolescentes
organizada segundo o sistema de Baden-Powell.
1º - Dr. Márcio Cardim:- Percorreu a Europa a serviço do país. Em junho de
1910, na cidade de Delft, Holanda, encontrou Escoteiros e passou a se interessar
pelo Movimento. Quando em Londres, aprofundou os seus conhecimentos sobre o
Escotismo, ocasião em que esteve pessoalmente com Baden Powell. Regressou em
1913 a São Paulo, onde residia, e iniciou uma campanha jornalística de divulgação
do Escotismo no "Estado de São Paulo". Participou ativamente da fundação
da ABE realizada em novembro de 1914.
2º - Sra Jeronima Mesquita: - Residia em Paris e, por conta própria, mandou
imprimir muitos milheiros de folhetos de propaganda com tradução do código e
juramento (Lei e Promessa como denominados mais tarde) e, ainda, tradução de
trabalhos de B-P. remeteu-os para São Paulo ao Dr. Ascanio Cerqueira, a quem
concitava para ali fundar uma associação de escoteiros.na primeira Diretoria
da ABE, o Dr. Ascanio Cerqueira foi um dos Vice Diretores e, Secretários, o Dr.
Mário Cardim.
3º - Professor George Black:- Representou a Sociedade de Ginástica Porto
Alegre – SOGIPA no Festival de Ginástica de Munique. Na sua passagem pela
Alemanha encontrou-se com a organização, métodos educativos e orientação
dos jovens na formação das suas cidadanias, ministrados no Grupo de Escoteiros
da Sociedade de Ginástica de Munique. Colheu subsídios e, ao retornar ao
Brasil, em fins de 1913, fundou um Grupo Escoteiro na SOGIPA. Em 1963 o Grupo
passou a se denominar George Black que comemorou 85 anos de atividade em 1998! O
CCME- CENTRO CULTURAL DO MOVIMENTO ESCOTEIRO que, estatutariamente, se destina a
fomentar o Escotismo, tem um programa para editar a série "ESCOTISMO
BRASILEIRO". Além do primeiro livro já editado e acima referido,
seguem-se os demais que correspondem a cada um dos Estados da Federação.
Espera-se que, na medida em que forem sendo publicados, sejam mais bem
esclarecidas as minudências da História da Escotismo das Regiões Escoteiras
que integram a União dos Escoteiros do Brasil. Nesta breve notícia sobre o início
do Escotismo no Brasil, por vezes, são indicados pontos controversos ou
insuficientemente esclarecidos. Há que se aguardar a chegada dos novos Tomos,
mesmo porque a História jamais poderá ser considerada como inteiramente
esclarecida e escrita em termos definitivos. Presentemente, são escassas as
informações disponíveis no CCME relativas às iniciativas para a criação de
organizações escoteiras nos anos que antecederam a fundação da ABE e que, à
semelhança do Centro de boys Scouts do Brasil, tiveram vida efêmera.
1 – 4 de julho de 1912: - Criação da "PATRULHA DE TREINAMENTO" no
Realengo, DF, RJ, sob os auspícios do Tiro de Guerra 112. A direção era do
Primeiro Tenente do Exército Antônio Freire de Vasconcellos tendo como
auxiliares Gabriel Skinner, Lafayete de Oliveira e I.S. Campos. Quando for
escrito o Tomo XX – História do Escotismo no Estado do Rio de Janeiro, essa
notícia poderá ser ampliada.
2 – 13 de janeiro de 1913: - O Professor Curt Boett fundou em Blumenau, SC um
Grupo Escoteiro. Quando for elaborado o Tomo XXV alusivo ao Escotismo em Santa
Catarina, é de se esperar que esta notícia seja completada com mais dados.
3 – 1913: - " NOTAS DE UM ESCOTISTA – 1913-1928" escritas por
Benjamim Sodré, logo na primeira página, lê-se: Encontrei na Livraria Briguet
um exemplar do "LE LIVRE DE LECLAIREAUR" de Royet, edição de 1913. Lí-o
com avidez e entusiasmei-me vivamente pelo Movimento alimentando desde logo a idéia
da organização de um Grupo no Botafogo. Em janeiro de 1913 Benjamim Sodré foi
promovido a Guarda – Marinha após concluir o curso da Escola Naval. Nas
referidas Notas afirmou: os estudos, o naufrágio do "GUARANY" (navio
onde estava embarcado e que naufragou em outubro de 1913 quando participava de
exercícios da Esquadra produzindo a morte de 8 dos seus colegas de turma)
impediram-me de fazê-lo. Só em 1916 Sodré pôs em prática os ensinamentos de
Baden Powell entre os jovens integrantes do Departamento Infanto-Juvenil do
Botafogo Futebol e Regatas onde era jogador famoso no time do Clube. Benjamim
Sodré tornou-se figura exponencial no Escotismo Brasileiro com participação
efetiva pôr mais de cinqüenta anos. Tornou-se oportuno ressaltar o fato de uma
Livraria brasileira, já em 1913, oferecer ao público um livro sobre Escotismo,
em versão francesa, o que comprova a rapidez de disseminação do movimento com
cerca de quatro anos de sua fundação.
4 – 1914: - Há notícia da organização de um Grupo Escoteiro no Ginásio Júlio
de Castilhos em Porto Alegre, RS. A iniciativa foi da Professora Camila Furtado
Alves e do Tenente do Exército Tancredo Gomes Ribeiro, havendo indícios de o
fato haver ocorrido em 1910. Aguarda-se a edição do Tomo XXII que irá tratar
da História do Escotismo gaúcho para dirimir essa relevante dúvida.
5 – 23 de dezembro de 1914: - É instalado o GRÊMIO DOS BANDEIRANTES
MINEIROS, na cidade de Rio Novo, a 45 Km. de Fora, sob a direção do Tenente Alípio
Dias e inspiração do Professor Alípio de Araújo, literato e jornalista que
defendeu essa denominação para traduzir Boy Scout. Em 20 de junho de 1915 é
fundado o GRÊMIO DE BANDEIRANTES DE JUIZ DE FORA, que se reunia no Tiro de
Guerra nº 17, sob a Presidência do Dr. Benjamim Colussi. Espera-se que o Tomo
XIV apresente mais detalhes sobre aquelas meritórias iniciativas.
6 – 1915: - Por iniciativa do Comandante Anfilóquio Reis é criado um Grupo
Escoteiro na 4ª Escola Masculina do Distrito Federal, sob a direção de
Gelmirez de Mello, Chefe Escoteiro que veio a ser um dos lideres do Escotismo do
Mar e Dirigente Nacional da União dos Escoteiros do Brasil – UEB. IV –
ESCOTISMO EM BASES SÓLIDAS A fundação da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
ESCOTEIROS decorreu da convergência de esforços como anteriormente mencionado.
Em 15 de agosto de 1914 realizou-se a Sessão Preparatória da Associação a
ser criada em breve. A reunião contou com nomes de destaque da vida política e
cultural de São Paulo, diretores de estabelecimentos de ensino como Colégio
Mackensie, Colégio Anglo Americano, Escola Americana, Ginásio São Bento,
Diretor da Faculdade de Medicina, Secretários de Justiça e de Segurança Pública
do Estado. Alguns nomes merecem ser citados: - Dr. Mário Cardim, já mencionado
anteriormente. Homem de ação, tomou as providências necessárias para a
efetivação da idéia de criar a ABE; convidou rapazes de 11 a 18 anos para
imediato engajamento com o Escotismo e redigiu os Ante-Projetos de Estatuto e
Regularmento da nova instituição,- Júlio de Mesquita, Diretor do "Estado
de São Paulo", que deu apoio entusiasta à causa, - Dr. Ascanio Cerqueira
que recebeu o material informativo enviado de Paris pela Sra. Jeronima mesquita.
No dia 29 de novembro de 1914, no Skating Palace, na capital paulista, numa
assembléia pública a que compareceram cerca de 600 escoteiros inscritos e mais
as pessoas gradas que parte na reunião do dia 15 de agosto, além de
representantes do Estado e do Município, Comando da Reunião Militar e da Força
Pública e diversos Diretores de Estabelecimentos de Ensino, foram lidos pelo
Dr. Mário Cardim os Estatutos e o Regularmento da Associação brasileira de
Escoteiros, a seguir aprovados.
A ABE irradiou o Movimento para todo o país, com representação em Minas
Gerais, Paraná, Espirito Santo, Paraíba, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Rio
Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina; já em 1915 existia em
quase todos os Estados. Em 1915 o Deputado Federal por São Paulo César de
Lacerda Vergueiro, amigo do Dr. Mário Cardim, apresentou proposta para
reconhecer o Escotismo como de Utilidade Pública. O Projeto resultou no Decreto
do Poder Legislativo nº 3297 sancionado pelo Presidente Wenceslau Braz em 11 de
junho de 1917 que no Art. 1º estabelecia: - "São considerados de
utilidade pública, para todos os efeitos, as associações brasileiras de
escoteiros com sede no país. Em 1915 é iniciada a publicação do "JORNAL
DA ABE" edição pela Associação. Há que se destacar outra iniciativa
pioneira da ABE tomada em dezembro de 1914, logo após a sua fundação: - a
criação do ESCOTISMO FEMININO em São Paulo que "deveria seguir caminho
paralelo e independente do Movimento Escoteiro do sexo masculino". Foi
criado o Departamento Feminino que contava com Mrs. Kathen Crompton como
Instrutora Chefe. Houve troca de correspondência com a Gril Guide Association
de Londres, presidida pela Sra. Baden Powell que encaminhou para o Brasil o
Manual das Gril Guides e outras publicações técnicas. A iniciativa foi
coroada de sucesso, com filiação em muitas cidades paulistas, bem como das
ESCOTEIRAS DO ALECRIM no Rio Grande do Norte. No Tomo I da História do
Escotismo Brasileiro há um capítulo tratando especialmente de A MULHER NO
ESCOTISMO. O livro descreve, também, as circunstâncias em que, na cidade do
Rio de Janeiro, em 13 de agosto de 1919, foi fundado o Movimento Bandeirante do
Brasil que sem nenhum vínculo institucional com o Movimento Escoteiro. Em 1916
é instalada a primeira Escola de Chefes da ABE sob a direção do Coronel Pedro
Dias de Campos, que fez parte da primeira Diretoria da Associação. No então
Distrito Federal, no Rio de Janeiro, o prefeito Azevedo Sodré, tendo, em 1915,
recebido os folhetos da ABE, introduziu a instalação do Escotismo nas Escolas
Públicas. Em 1917, sob o patrocínio da ABE, foi realizado em São Paulo um
Congresso Escoteiro, o primeiro do Brasil. Dispõe-se de poucos dados sobre
aquele evento; da mesma maneira, aguarda-se a edição do Tomo XXVII alusivo à
História do Escotismo de São Paulo para enriquecer esta informação tão
relevante.
UM EXEMPLO A SEGUIR PELAS ASSOCIAÇÕES DE ESCOTISMO NO BRASIL
O Escotismo pode-se considerar definitivamente firmado entre nós. Já se
passou, aquele período de propaganda vivíssima em que era quase um dever só
entoar loas, e esconder os defeitos. Hoje pode-se sem perigo apontar os males. E
esse é o dever. Entre nós quatro grandes associações dirigem o movimento
escoteiro nacional: a Associação Brasileira de Escoteiros, com sede em São
Paulo, Associação de Escoteiros Catholicos do Brasil, a Comissão Centra de
Escotismo e a Confederação Brasileira de Escoteiros do Mar, com sede no Rio.
Refletindo o espírito de pouca harmonia dos brasileiros que vivem a brigar;
essas associações se correspondem, se entendem, mas não se ligam. Sofre com
isso o Escotismo, que se desenvolve entre nós sem a precisa uniformidade, e
sofre o nome do Brasil, que de outro modo poderia figurar entre as grandes potências
escoteiras, cousa que não é de desprezar hoje, quando o escotismo tem por mais
de uma vez ocupado a atenção e sugerido discussões na Liga das Nações. Um
país possuir cem, duzentos mil escoteiros deve ser, forçosamente, uma razão
de consideração no conceito demais. Nós caminhamos para esses números, mas
como nossos esforços são dispersos, aparecem sempre informações parciais.
Tentativas têm sido feitas para reunir as Associações, mas todas vãs, porque
ora a vaidade de domínio, ora pequeninas questões pessoais conservam afastadas
forças preciosas que deveriam unir, valendo pelo dobro. É, um dever de todos,
deste o mais pequenino escoteiro até ao mais importante Chefe, procurar criar
uma atmosfera de harmonia entre todas as associações, para que elas se liguem
constituindo uma confederação geral que possa representar o Escotismo do
Brasil. A seguir, Velho Lobo referiu-se ao exemplo do Escotismo francês e
concluiu: Isso viria resolver o nosso caso. Nenhuma associação seria mais do
que a outra, todas estariam no mesmo pé de igualdade e, suprema aventura, alguém
poderia falar pelos "Escoteiros do Brasil", que já são tão
numerosos mas que devem conservar-se mudos e desconhecidos porque são
desunidos. No dia 7 de setembro de 1924 o Padre Leovigildo França,
Vice-Presidente da Associação de Escotismo Católicos, realizou interessante
Conferência sobre o Escotismo. O ilustre Prelado fora o Chefe da Delegação
que representou o país no Grande Jamboree Internacional em Copenhague. Sua
Conferência, ilustrada com projeções, deu uma impressão muito nítida do que
foi aquela grande concentração escoteira mundial. O Velho Lobo assistiu à
Conferência e, comovido, afirmou: "Para o futuro, o Brasil se deve
representar, em qualquer reunião internacional, não por uma delegação de uma
de suas Associações, mas por uma Delegação de Escoteiros do Brasil. A seguir
renovou o seu apelo feito em janeiro em "O TICO TICO" e remeteu cartas
ou fez contatos pessoais com os principais responsáveis pelas Instituições
Escoteiras convocando-os para se reunirem com o fim de criarem uma Associação
Nacional do Escotismo Brasileiro. Com exceção do representante da Associação
Brasileira de Escoteiros, de São Paulo, todos os demais atenderam ao convite.
Passaram a se reunir, seguidamente, na sede do Clube Naval, no Centro da cidade
do Rio de Janeiro. Dado o grande interesse e a boa vontade de todos, a tarefa
foi fácil e, em 4 de novembro de 1924, foi fundada a UNIÃO DOS ESCOTEIROS DO
BRASIL – UEB. Sua primeira sede provisória foi no Clube Naval. A UEB iniciou
sua vida pela justaposição de Federações que praticavam o Escotismo por
conta própria. Haviam elas construído seus patrimônios, suas culturas próprias
e gozavam de plena independência. No primeiro Estatuto da UEB houve a preocupação
em preservar a autonomia de que desfrutavam as Federações. Foram necessários
vinte e seis anos para que, em 1950, se consolidasse a completa integração do
Movimento Escoteiro no Brasil. No bojo da imprescindível reforma foram extintas
todas as federações, incluindo-se, obviamente, as de Terra, Mar e Ar, e se
desfez a tradicional trindade encontrada na natureza e que se refletia no
Escotismo brasileiro; surgiram as modalidades Básica, Mar e Ar.