CAPÍTULO 5 – Enquanto a inocência não acaba
O dia mais uma vez amanheceu bonito, o céu de um azul límpido revelava
brilhos intensos de raios de sol. Zelda dormia profundamente, o castelo estava
agitado, desde cedo todos estavam em pé. Servos e servas se apressavam em
preparar um saboroso café da manhã, que reunirá convidados e família. O tilintar
dos talheres, passos apressados ecoavam pelos andares de cima do castelo
perturbando o sono de todos que ali dormiam. A barulheira despertou a princesa.
Zelda abriu os olhos, lutando com a claridade do nascer do sol que sem ser
convidado, penetrava com tudo em seu quarto dando a impressão de ser um pleno
meio-dia. Levantou-se depressa, pensando ter dormido mais do que devia, correu
para a janela afim de ter uma idéias das horas que vinham. Viu que estava um
lindo dia, sentiu a doce brisa batendo em seus rosto, o ecoar dos cantos dos
pássaros, forçou-se na janela, estendeu os braços, tentando em vão agarrar a
liberdade. Lá de cima, ouviu um estranho burburinho vindo de baixo: era
estranho, já estava acostumada com o fofocar dos Hyruleanos, mas esse era
estranho, infantil. Olhou para baixo, deparou-se com cinco cabeças curiosas, com
um susto caiu para trás, fechando os botões de sua camisola, aberto o suficiente
para os curiosos repararem de primeira.
- Deusas, eles estavam longe, não
viram nada! – pensou.
Ainda no chão encostada no pé da cama, percebendo que
estas horas, Impa devia estar em seu quarto ajudando-a se trocar, e nada desses
"imprevistos" teriam acontecido, levantou-se ainda com o rosto levemente corado,
caminhou até a janela, olhou para baixo pelos cantos, e viu os cincos meninos
brincando distraídos pelo jardim.
- Hum.. são esses os meninos de Zuphó.
Poderia começar com eles... Não, não... Primeiro vou falar com Zuphó. – Pensou
consigo, lembrando da conversa que tivera ontem com Impa. Pensando nisso,
perguntou a si mesma – Cadê Impa? Ela devia estar aqui.
Caminhou em direção
ao seu enorme guarda-roupa, percorrendo os olhos por belos e variados vestidos,
um brilho refletido pela luz do sol chamou sua atenção: Era um lindo vestido
esmeralda. Sem pensar duas vezes, subiu numa banqueta, puxou-o,
desequilibrando-se, caiu com tudo para trás, fazendo que uma das empregadas que
passava, batesse na porta:
- princesa, você está bem?
- Sim, estou...
apenas derrubei o banco – Mentiu Zelda, massageando o dolorido cotovelo
direito.
Levantou-se depressa, espiou mais uma vez pela janela, e fechou a
cortina. Despiu-se, dirigindo-se ao banheiro do lado, passou pelo enorme espelho
a frente, parou. Fechou os olhos e voltou uns passos atrás, tomando coragem para
encarar o espelho. Começou pelo cotovelo dolorido, agradeceu por não estar tão
machucado, e seguiu em direção ao chuveiro, esquecendo-se do porque sentiu
curiosidade de ver a si mesma.
A verdade é que zelda nunca sentira tal
curiosidade perante seu corpo. Só se admirava no espelho, usando lindos vestidos
nobres e nada mais, e ao olhar de Impa. Era estranho, estava fazendo tudo
sozinha, uma experiência que sempre quis passar, mas nunca permitirá a si mesma.
Era motivo de birra, sempre que Impa se atrasava. Mas hoje, estava tudo tão
diferente. Nunca se sentirá tão bem num banho esquentado pelo sol.
- Bom
dia!
- Bom dia!
- Bom dia senhores! – Dizia Zoh. – O café da manhã os
espera.
- Vou chamar os garotos – Disse Zuphó animado.
- Imagina, meu
guardas irão chamá-los, garanta o seu lugar. – Respondeu Mohsen todo alegre. –
Zoh, permita-me...
- Claro, claro, pode deixar que falo com o guarda –
aceitou Zoh.
Houve um pequeno silêncio, Zuphó e Mohsen se ajeitavam em seus
lugares, as cozinheiras terminara de preparar o aromático café. Esperavam
ansiosos pelo leite matutino que Talon traz todas as manhãs.
- E a zelda,
Sr. Mohsen? Impa não apareceu hoje – perguntou Zuphó.
- É a reforma em
Kakarito foi terminada, suspendi ela por um dia... – respondeu indiferente
-
Mas e a princesa, não irá tomar café conosco?
- Não sei, ela tem mudado muito
esses dias... Nem fala mais comigo direito.
- Ah, esses adolescentes... –
Suspirou Zuphó.
- O que a minha criança com "esses adolescentes"? – perguntou
Mohsen pasmo.
- Ora essa, Zelda já é quase uma adolescente. – Espantou
–se.
- Mas ela só tem 12 anos, falta ainda 2 meses para os seus 13... –
Mohsen foi perdendo a voz.
- Meu amigo, a adolescência se inicia aos 12 anos.
A maturidade, depende.
Mohsen, sem saber o que pensar, levantou-se pondo um
fim na conversa:
- Vou levar o café da manhã para a minha princesa, tenho
certeza de que irá gostar do meu ato paterno.
- Excelente pai coruja – riu
Zuphó.
Mohsen se retirou da cozinha, carregando uma bandeja caprichada de
pão, manteiga, bolacha, sucoe várias outras guloseimas e foi direto para o
quarto de Zelda.
Zelda estava ajeitando suas sandálias, quando Mohsen
chegou:
- Com licença minha filha.
- Entre, meu pai.
Mohsen entrou e
se assustou quando viu Zelda com o vestido esmeralda, fora o vestido mais caro
que comprou, e que há um tempo, Zelda sempre se recusara a usar. Hoje estava lá,
toda arrumada, com um perfume suave, cheia de jóias caríssimas. Lembrava a mãe
no dia em que aceitou casar se com Mohsen.
- Minha filha, onde você vai tão
bela assim? – indagou Mohsen sem jeito. – E trouxe o seu café da manhã...
-
Irei tomar café com você, papai.
- Zuphó e os meninos dele também vão
filha... Entendo que você...
- Eu vou assim mesmo. Devo me desculpar de
Zuphó, não acha, pai? – Respondeu meio sem jeito.
Mohsen não respondeu,
apenas sorrira pela decisão da filha. Finalmente, os bons modos que de tanto
sentia falta na filha, pareciam estar voltando.
- Aguarde-me à mesa, pai
querido. – pediu Zelda.
- Claro minha filha. Não tenha pressa, o leite ainda
não chegou. – Retirou-se Mohsen
Zelda fechou a porta do quarto, suspirando.
Sabia que chegar brigando com o pai iria complicar mais, precisava conhecer
Zuphó... pensando melhor, os meninos. De acordo com o conselho de Impa: "procure
ser amiga de Zuphó, ele mais do que eu entendemos o seu sofrimento." Ela não
entendia bem o que Zuphó poderia fazer, mas a idéia era ver como ele ajudaria,
se pudesse e tivesse como. E quanto aos meninos, claro, eles seriam para passar
o tempo, pensava Zelda.
Ajeito os cabelos, fechou a porta do quarto e
desceu. Estava quase lá, não acreditava que depois de muito tempo, voltaria a
sentar com o seu pai, não só com ele, mas com cinco desconhecidos. E garotos. O
único garoto que conhecera, fora Link, o garoto sem fada da floresta.
A
medida que se aproximava da cozinha, seu coração acelerava. Não esquecera do dia
em que humilhou Zuphó e muito menos hoje, não faz muito tempo, foi surpreendida
de surpresa pelas cinco cabeças, que agora irá conhecer de verdade.
Aproximou
se da porta, respirou fundo e entrou. A cena era a que imaginava, todos olhando
para a porta, que acabara de abrir, todos pasmos e o sorrisão tamanho melancia
do seu pai, que tanto desejara a cena.
Baixou a cabeça, e foi andando
seguida pela curiosidade dos 5 garotos e Zuphó. Foi até Mohsen, tascou um
beijinho em sua bochecha, dirigiu se até Zuphó, corando de leve:
- Desculpe
por ontem, Sr. Zuphó.
Zuphó admirado com a atitude de zelda disse:
-
Imagine, minha querida. Entendo e suponho que estava nervosa. – supôs Zuphó
-
Sim. – Assentiu Zelda, ainda de cabeça baixa.
Os garotos estavam boquiaberto,
nunca virá uma garota tão linda, até mais do que Cremia e Malon conhecida como
Romani lá no rancho de Termina. Zelda com sua beleza enxuberante, aparentava Ter
uns 15 anos, começaram a cochichar entre si:
- Será ela aquela garota da
janela? – perguntou um deles.
- Psiu! – cutucou o outro.
- Silêncio –
pediu Zuphó aos meninos. – Permita me, princesa, apresenta lhe os meus bombers.
– dirigiu-se a Zelda. – E você a eles – continuou Zuphó.
- Sim, com todo o
prazer. – Corou Zelda.
- Bom, Zelda. Esses são os bombers, os garotos que
vieram comigo. Me tornei tutor deles. Vivem comigo em Clock Tower, Termina. –
animou Zuphó. – Da direita a esquerda: Leo, Luke, Jim, Johan e Philipe.
-
Agora meninos, esta é Zelda, a princesa de Hyrule. – continuou Zuphó.
- OHHHH
– Admiraram os bombers.
- Tratem-na como uma dama. – Advertiu
Zuphó.
Zelda, fortemente corada, não teve coragem de cruzar o olhar com os
dos garotos. Porém seu pai, lhe levantou o queixo.
- Sorria minha princesa,
eles precisam ver que é a mais bela do reino – mimou o pai.
Zelda ainda mais
sem graça com o exagero do pai, sorriu amarelo, um pouco mais de esforço,
sorrira bonito e forçada, a vergonha era tanta, queria sair correndo, sumir por
um bom tempo.
Depois do sufoco, todos começaram a se soltar um pouco, Zelda
ao lado do pai, meio de frente para Jim, líder dos bombers , olhava pelos cantos
disfarçadamente. Jim fazia o mesmo pelos cantos dos olhos, os outros soltavam
risinhos e levavam cotoveladas. Jim se esforçava para tentar puxar conversa com
Zelda, mas parecia impossível. Zelda não tirava os olhos do copo com suco de
laranja. Mohsen e Zuphó tagarelavam alegremente, enquanto os garotos comiam e se
entreolhavam. Johan sem querer, fez com que sua bolacha voasse para perto de
Zelda, atraindo a atenção da princesa. Vendo que a bolacha não tinha vida
própria para voltar ao seu dono, arriscou um olhar sem graça para Johan. Este
por sua vez congelou lançando um olhar de "socorro" a Jim. Este por sua vez, não
perdeu tempo:
- Desculpe-me princesa – disse estendendo a mão a bolacha
errante.
Zelda estendeu a mão delicadamente, pegou a bolacha e entregou nas
mãos de Jim.
- Não se preocupe, eu não mordo. – retorquiu Zelda.
Jim
corou até as pontas da orelhas levemente pontudas.
A cena fez com que os
quatros rissem de Jim. Este por sua vez começou com a sessão de cotoveladas.
Zelda riu: Quanto anos vocês têm?
- Eu e Leo temos 11, Jim, Luke e Philipe
12. E você - perguntou Johan.
- 12 anos. – Respondeu.
Todos se
entreolharam, sorrindo. Zelda se sentia aliviada, tinha certeza de que estaria
se saindo bem. E queria melhorar, não conseguiria imaginar o que poderia
acontecer em um futuro não muito distante, até mesmo, o que aconteceria hoje,
depois do café.
Todos comiam sossegados, Zuphó e Mohsen observavam a
inocência das crianças, e Zelda já não comia mais olhando para o suco. Sorria
com os meninos, que contavam suas aventuras para Zelda. A garota admirada,
perguntava sobre tudo do simples fato de eles lançarem-se de um lugar alto com
uma galinha ao caos que Termina sofreria. Comentaram de um "sexto membro" da
gangue Bombers que esse sumiu e é o herói de Termina.
- Nós gostamos muito
de ajudar as pessoas – Disse Jim com uma cara de anjinho-do-mal. – Queria
reencontra-lo, o Bomber 6. Pergutnar como conseguiu tal proeza de salvar
Termina.
Zelda estava admirada, confusa. Se preparava apra contar que Hyrule
sofreu a mesma coisa, e coincidentemente, fora um garoto que salvara Hyrule.
Um breve anúncio interrompeu a conversa de todos:
- Com licença,
majestade. O leiteiro Talon chegou, e pede desculpa – Anunciou Zoh.
- Talon?
O homem do rancho, dos leites Lon Lon? – Supreendeu Zuphó.
- Ele mesmo,
vamos lá cumprimentá-lo! –Sugeriu Mohsen animado.
- Talon!? Pai da
Romani!!!- Gritou Luke.
- É mesmo, vamos ver se ela não está junto! – berrou
Johan.
- Bah, ela não sai do Rancho. Tem medo dos Ets – zuou Philipe.
-
Ets? – Espantou Zelda.
- Sim, lá no rancho de Termina tem Ets. Romani pediu
até ajuda ao herói – riu Luke.
Zuphó e Mohsen se levantaram, rumo a porta do
fundo do lado direito do castelo, onde Talon costuma deixar os deliciosos lon
lon milk, e sem vergonha tirar umas sonequinhas.
Os garotos se retiraram da
mesa, para ver se a menina Romani estava junto do pai. Zelda, com uma salgada
curiosidade, se levantou também, caminhou de fininho até a porta, ficando na
ponta dos pés para ver através das cinco cabeças:
- Talon! – Saudou
Zuphó.
- Zuphó, majestade – disse Talon fazendo reverência.
- Deve ser
difícil cuidar de dois ranchos, não?
- Oh, não. Deixo aos cuidados dos irmãos
Gorman.
Os meninos se espremeram para espiar, até que:
- Os bombers estão
aqui? Que bela viagem, Sr Zuphó. – exclamou Talon
- Olá, tio Talon -
cumprimentou Jim – A Romani veio?
- Ah, a minha Malon...sim,sim, está do lado
de fora esperando, aliás não posso demorar, ela fica muito brava. -
respondeu.
- Podemos vê-la? – Perguntou Luke.
- Quem é Malon Romani? –
perguntou Mohsen curioso.
- É a filha do Talon, meus garotos conhecem- a do
rancho do Sr. Talon em Termina. – respondeu Zuphó.
- É aquela garotinha que
uma vez entrou escondido no castelo? – lembrou Zoh a Mohsen.
Zelda ouvia
atenta, meio escondida entre os garotos. Não imaginava que o pai seria tão
enturmado assim. Há anos, nunca tivera a mínima intenção de conversar com Talon,
que não passava de um fazendeiro, sem vida para viver.
- Sim, sim, minha
filhinha – Corou Talon lembrando do episódio.
- Não é motivo para se
envergonhar, não está vendo que seu rei aqui mudou bastante? – Brincou Mohsen -
Dando tapinhas em Talon. – Chame a garotinha aqui para os meninos
verem.
Zelda se animou. É agora. Iria conhecer a tal Romani/Malon que tanto
falavam.
Talon foi até o portão principal, chamou a garota, seus chamados
ecoando pelo campo, Malon, ouvindo o pai chamar, correu para o
portão:
-Papai, que foi? – se assustou Malon.
-Venha! Tenho uma surpresa
para você! – Animou Talon.
Os dois caminharam juntos, apressados lado a lado.
Malon confusa, sem saber o que o pai aprontara. Tinha medo que acontecesse
alguma coisa de ruim, pois estavam em território real, e pelos contos que
conhecia, os reis nunca eram bons a ponto de perdoar uma pequena intromissão.
Quando Malon viu Zuphó, levou as mãos cruzadas ao meio do peito e
exclamou:
-Zuphó!!!
-Bom dia Malon! – cumprimentou zuphó
Os garotos
saíram em disparada em direção a Malon, deixando zelda tímida para trás.
-Romani! Que surpresa, hein? Pensei que você ainda estivesse em Romani Ranch
lidando com os Ets – brincou Jim.
-Bobo! O lindo do Link me salvou, seus
invejosos – retrucou em tom de humor.
-Ah! Sou mais bonitão. – Indagou Luke.
Todos se abraçavam, pulando zuando uns aos outros, até que Malon
parou:
-Aquela menina é a princesa Zelda!? – Admirou Malon.
-sim, a
própria! – Gritou Johan. – Venha Zelda! – Berrou mais ainda.
Zelda tímida, se
escondeu por uns minutos atrás da porta, suspirou fundo, encarou o pai com os
amigos e saiu. Foi andando de cabeça baixa, corando a cada passo, até que uma
mão a puxou:
-Ai, calma Philipe – reclamou.
-Deixa de lenga-lenga e venha
logo. – retrucou.
Assustada com a falta de delicadeza com uma princesa de
Philipe, virou a cara e continuou caminhando em direção a Malon.
Malon olhou
dos pés a cabeça para zelda, nunca virá uma roupa tão linda quanto a da
princesa, e jóias que jamais imaginara existir. Aproximou-se e:
-Oi,
princesa. Sou Malon, seu nome é bem conhecido por Hyrule.
-Prazer Malon. –
Respondeu sem jeito, fazendo força para falar.
-Crianças! Vamos tomar o lon
lon milk, está quentinho! – Gritou Mohsen se despedindo de Talon – Você e Malon
estão convidados para jantar hoje aqui. Estejam no portão às oito da noite,
certo? – convidou.
As crianças olharam para Talon e Mohsen admiradas e
felizes. Zelda mais ainda, sem saber o que pensar, gostou da idéia, tascando um
beijinho em Johan que ficou extremamente envergonhado, acompanhado de palmas dos
garotos e Malon.
Todos se despediram de Malon, e foram tomar seu leitinho.
Zelda mal podia esperar para a noite que talvez marcaria sua infância.