O almoço vinha chegando o canto de Impa ia cessando, Zelda acabara de observar o pai com Zuphó e Zoh chegando na sala do trono, o pai se sentando acompanhado de Zoh e Zuphó. Soltou um suspiro e observou Impa, atenta como sempre. Levantou-se, ajeitou os cabelos, o vestido aproximando-se do pilar onde estava Impa:
- Presumo que meu pai irá pedir para me chamar - Resmungou zelda.
Com um pulo de gato, Impa se pôs em pé, ao lado de Zelda, fez reverência com o olhar. Zelda por sua vez fez uma careta, arrancando risinhos de Impa. Sorrira também. Ao fundo ouviram:
- Zoh, vá pelo castelo, a procura de Zelda, traga-a aqui, mas não a pressione - Ordenou Mohsen.
Zelda fez cara de desprezo, virou-se e seguiu em direção a pequena janela que dava vista a sala de trono. Observou que Zoh saíra a sua procura, sentiu algo estranho ao redor da sala , forçou o rosto sobre a janela para ver melhor: ao fundo, viu uma pequena figura, do mesmo tamanho que o seu, forçou mais ainda a ponto de preocupar Impa:
- Princesa, não é mais fácil ir pela porta? - perguntou Impa preocupada.
Zelda, mudara muito desde que Ganon fora selado, Mohsen nega que Zelda tenha saído do castelo, ignorando o fato de que quando Ganon derrubou Hyrule, Zelda fugira com Impa, sabe lá para onde. Mohsen só se lembrava dos horrores e humilhação que sofrera diante de Ganondorf, pensava que sua preciosa princesa tinha morrido, o mundo tinha acabado para ele, não tinha esperança, queria morrer, pagar os pecados por não ter escutado os avisos de Zelda. Jamais soubera que Zelda tinha o espírito aventureiro e no meio dos caos, zelda simplesmente estava lá, disfarçada de sheikah, ajudando Link e o mais precioso: portava a triforce da sabedoria e é a princesa do destino. A volta no tempo não apagava memórias, só deixava as pessoas meio confusas, era difícil entender o que acontecia, conforme o tempo ia passando as pessoas têm a impressão de que já esteve em tal lugar.Nos seguintes dias depois da volta no tempo, no Market, há 2 anos atrás houve um tumulto na entrada de Kakarito, todos queriam conhecer esse lugar sinistro, que fora morada de sheikahs há muito tempo, e hoje não passa de mais um vilarejo.Chegando lá todos tinham a impressão de que conheciam o lugar, mas sim, todos conheciam: tiveram que se refugiar em Kakarito sob domínio do maléfico Ganondorf.
Mohsen, como muitos pais, não aceitava que a filha estava crescendo, e que experiências fortes como essas, marcam para sempre na vida , assim como nunca esquecerá de Sarah, Zelda jamais esquecera dos dias em que se sentira útil. Era estranho para zelda, o fato de já ter tido 17 anos, sua cabeça não compreendia, pois foram anos de sofrimento, medo e amadurecimento para auxiliar na jornada de seu "melhor amigo" a quem confiara o segredo da família. Não tivera tempo de pensar em si mesma, ver o que acontecia. Amargas lembranças era o nome que Zelda dava a isso, quando pensava no assunto. Não conseguira mais ser a princesinha indefesa, por mais que tentasse. Isso já estava ficando difícil... a medida que os dias se passam. Sabia que na presença de Impa nada conseguirá fazer, pois Impa é uma SHEIKAH, e com sheikahs não adianta brincar nem de esconde-esconde. Além de Impa ser muito fiel ao pai. Zelda sempre entendera Impa, que tudo o que ela fazia e faz contra seu gosto, coisas como não deixa lá sozinha nem para tomar um banho sossegada, eram ordens, e ser uma grande amiga da princesa, a própria Impa fazia de coração.
Zelda se virou para Impa e disse:
- Tem mais alguém aqui além de Zuphó?
- Sim, minha princesa. Cinco meninos que Zuphó trouxe com ele.
Zelda nem se deu ao trabalho de perguntar como ela sabia, afinal, espiar os hóspedes misteriosamente para ver se não ofereceriam risco a princesa, era uma de suas especialidades e rígida tarefa
- cinco meninos? - Hesitou Zelda.
Sem saber o que pensar, se ficava feliz ou não, mas isso era uma coisa nova. A primeira criança com quem se lembra ter brincado, fora com Ruto. Quando ambas tinham 6 anos. Isso foi num encontro de seu pai com o Rei zora , era um dia ensolarado, quando todos desfrutava uma breve paz entre uma guerra com outra, Zelda e Mohsen foram descansar a margem de um rio que atravessa o jardim externo do Castelo, o Rei Zora junto da filha Ruto surgiram do rio. Os reis logo foram se cumprimentando, quando Zelda e Ruto se entreolhavam. Os papais corujas se apressaram em incentivar as filhas a brincarem, enquanto desfrutavam o calor do sol.
A brincadeira acabou quando Ruto, sem querer puxara zelda para dentro do rio, Zelda quase se afogará e desde aquele dia nunca mais quisera saber de Ruto. E a outra criança fora uma garota do rancho: só a conhece de vista, sabe que o pai tráz leite todas as manhãs,e muitas vezes vacila caindo no sono pesado, Mohsen lhe contará uma vez, que Malon sempre vem ao jardim externo, para acordar o pai, uma espécie de Cuco.
E quanto ao Rei zora continua visitando seu pai, mas Ruto nunca mais vinha junto. Zelda olhava para Impa, confusa, perdida em seus pensamentos, jamais pensara que um dia, pequenos hóspedes rondariam o castelo. Sente vontade de reencontrar Ruto,fazer as pazes, e acabar com a solidão, pois Ruto é uma princesa. Em vez de sair brincando com desconhecidos, ainda mais meninos. Seria mais fácil pedir ao pai para que deixe-a reencontrar com Ruto. Mas teria também a oportunidade de se divertir com os meninos.Impa observando que Zelda estava perdida entre um pensamento com outro, interrompeu:
- Princesa, não se preocupe, cuidarei da sua privacidade quando quiser - disse Impa ao ver uma forte inexpressão em Zelda.
- Com licença, princesa - Falou Zoh educadamente.
- Entre, Zoh. - ordenou Zelda
- Seu pai a espera, princesa.
Zelda não respondeu, apenas avançou em direção a Zoh, agora com uma expressão preocupada, e levou-o a um canto:
- Vi um menino ir falar com o Sr. Zuphó, quem era ele? Qual seu nome? - perguntou Zelda com uma expressão séria.
- É..um...dos... meninos... - engasgou Zoh. - Que Zuphó trouxe consigo.
- Hum... certo. Você não mentiu para mim. Certo. - Respondeu Zelda fechando a cara com satisfação.
Zoh olhou de esguela para Impa, esta por sua vez retribuiu com o olhar sério.
- Vamos - retorquiu Zelda.
Sairam pela portinhola, subiram uma escada, atravessaram o pequeno corredor, logo estavam descendo a escadaria. A idéia de que Zuphó trouxe "crianças", sim, crianças como ela, despertou em zelda curiosidades e travessuras, tentara lembrar de quantos amigos tinha, mas percebeu que não era amiga de nenhum, pois smepre fora antipática. Seu amigos mesmo eram Impa e seu pai. desanimou com esta "lembrança" e seguiu em frente.
Entraram na sala do trono, Zoh a frente, anunciou a chegada de zelda. Tímida e cabisbaixa, Zelda caminhou em direção ao seu pai:
- Princesa! - Admirou o pai - como você está linda!
Zelda sem graça, sorriu pelos cantos ainda sem levantar a cabeça. Zuphó olhava boquiaberto, para a exuberante princesa de Hyrule, a quem só viu quando ainda era um bebê. Mohsen e zuphó se entreolharam.
- Princesa, presumo que não se lembra de mim. - disse Zuphó.
- Não. - Hesitou Zelda. Já estava acostumada com essas apresentações, mas não na situação em que se encontrava. - Mas você é bem-falado por aqui nas redondezas. - continuou
Zuphó sorriu e disse:
- É um prazer ouvir isso de você.
Zelda olhava de um lado e de outro pelo canto dos olhos:
- presumo que saiba que não estou sozinho, princesa.
Zelda gelou. Baixou ainda mais a cabeça de modo que seus cabelos loiros escorressem pelas bochechas rosadas.
- Não quero conhecer os seus filhos, Zuphó - Respondeu Zelda séria agora com a cabeça erguida.
Zuphó, pasmo com a arrogância de Zelda, engoliu em seco. Mohsen indignado com a atitude da princesa, lançou um olhar faiscante para Impa, esta por sua vez, soltou um suspiro alto encarando Zelda que observava atenta a cena embaraçante que causara.
- Com licença, vou me retirar - Disse Zelda, embaraçosa fazendo sinal para que Impa a acompanhasse.
Subiram a escadaria, logo em seu quarto, Zelda sentou-se a cama, em frente a janela que dava uma bela vista do campo de Hyrule.
- Por que agira assim, princesa? - perguntou Impa séria.
- Me comportar bem para o que? Para depois ficar sofrendo mais ainda com a minha solidão? - resmungou zelda com désdem .
- Eu sou sua amiga, não sou? - indignou - se Impa.
- Você é minha mãe - gritou zelda entre lágrimas. - Mas não deixa eu brincar com outras crianças. Assim como meu pai.
Houve um silêncio entre as duas. Impa, assustada e feliz com o que ouviu, levando em conta a consideração que Zelda sentia por ela, agora entendia perfeitamente o que a princesa sentia. Aproximou-se de Zelda, envolveu-a em seus braços, acariciando seus macios cabelos:
Não deixarei mais a sofrer assim. Farei uma coisa e mesmo que seja arriscado. Talvez você não me verá mais por um bom tempo, e quando me encontrar, será vitoriosa. Mas você precisa se enxergar princesa.
Zelda confusa, perguntou:
- Me ver como? O que tem de errado comigo?
- sua arrogancia e antipatia: coisa que todas as princesas têm, pelo hábito de viverem isoladas.
- Por que diz isso? Por que talvez eu não te veja mais?
- Ver você poderá me ver, mas escondido. Seu pai irá me chamar depois de seu comportamento, e eu irei te defender. Ouça Zelda - Continuou Impa - procure ser amiga de Zuphó, ele mais do que eu entendemos o seu sofrimento. Você perdeu a mãe, viveu muito tempo sem ter contatos com o mundo lá fora, se sente sozinha, mas quando lhe vem oportunidade, deixa escapar. sua arrogância e antipatia faz com que você se isole, você faz do seu destino uma sala vazia. No meu caso perdi os dois. Foram tempos difíceis. Ninguém melhor que Zuphó me deu forças, graças a ele, hoje estou aqui com você. Seu pai confia em Zuphó, através dele você poderá talvez conquistar a liberdade que deseja. Por isso que peço, que pelo menos, seja mais gentil com Zuphó....
- Mas... - Interrompeu Zelda sem entneder direito - O que Zuphó fez por você?
- Como você sabe Zelda, sou uma Sheikah. Nós sheikahs não vivemos como vocês Hyruleanos. Temos uma vida muito difícil, treinados desde cedo para a batalha e serviço fiel a família real. Isso foi no tempo de seu avô Daphnes Noahsen Hyrule. Eu era apenas uma garotinha como você. Fui treinada com muita rigidez, tornando - me a preferida do meu treinador. Todo os meus golpes sheikahs que você presenciou na nossa fuga de Ganondorf e ainda hoje, admira são frutos de minha dura infância. Quando me tornei moçinha, tive um caso com um sheikah, que hoje está morto. Zuphó foi meu pai nessas horas.
Zelda engoliu em seco. Sem coragem de perguntar mais nada, vendo Impa redimir amargas lembranças. Nunca ouvira demais da parte de Impa, guardar o passado, era um costume Sheikah. E ainda descobrir que suas atitudes faz com que fique mais sozinha faz dela uma solitária.
- Bom princesa, já está tarde. Vá tomar seu banho, jantar e dormir.
- Ok! - obedeceu zelda.
Pensativa com as palavras de Impa, tomou seu banho, jantou e agora estava deitando-se, apra mais uma noite mal dormida. Sua cabeça doía quando mais fazia força rpa pensar, em tudo o que acabara de escutar, nunca tivera uma conversa de verdade, não sabia responder, viu o quanto era ingênua, inofensiva e extremamente boba e burra em relação ao mundo lá fora. Não conseguia aceitar isso. "Sim, isso não vai ficar assim, preparem-se para conhecer a verdadeira Zelda". Determinara em pensamento.